segunda-feira, 22 de maio de 2017

Futebol com vestido de gala e salto alto

A equipa sénior feminina do Sporting começou por conquistar primeiro a atenção e depois o respeito dos adeptos. Agora, como corolário natural de uma época muito bem preparada e estruturada, com a escolha muito criteriosa das atletas e técnicos, recolhe o primeiro troféu com elevado valor e significado: o campeonato nacional! Um regresso fechado com um anel de ouro: as equipas femininas do clube arrecadam todos os campeonatos em TODOS os escalões! 

Estão de parabéns assim todos os que, da direcção ao roupeiro, participaram neste regresso vitorioso. Num momento particularmente dificil para o o futebol sénior, é um importante sinal de esperança e confiança de que o Sporting é capaz de construir projectos ganhadores.

Não se infira do título que partilho da ideia de que o futebol é coisa só para homens e a versão feminina é coisa para elas se divertirem nos tempos livres. É um facto que há diferenças notórias, que se prendem a factores muito diversos, como o estado embrionário no nosso país, mas desenganem-se aqueles que pensam que é uma "valente seca" e que para assistir aos jogos é preciso uma dose reforçada de paternalismo e condescendência.

Desenganem-se mesmo, porque esta equipa joga um futebol muito bem trabalhado do ponto de vista colectivo, onde, pela segurança e maturidade, torna evidente um grande trabalho de Nuno Cristóvão e respectiva equipa técnica, certamente muito bem suportado na retaguarda pela equipa da Raquel Sampaio. Do ponto vista individual é um grupo composto por executantes com um surpreendente nível técnico. 

Já no que diz respeito ao empenho colocado na abordagem a cada lance, dão lições a muito congénere masculino. Neste aspecto, se aquelas larachas sexistas habituais fazem algum sentido aqui é no inverso: havia muito nosso jogador que poderia ficar em casa a observar, enquanto cozia peúgas,  as gravações dos jogos das nossas meninas/mulheres para ver como se aborda um lance: como se fosse o último e mais importante de todos.


Sinto-me um privilegiado por poder ter estado no momento em que essa conquista se tornou uma realidade. Vou assim contar aos meus descendentes e amigos esse momento histórico, que assinala o regresso da modalidade ao nosso clube. E, se a oportunidade surgir, certamente que um dos temas incontornáveis será o amor à prova de tudo que nós, adeptos temos pelo nosso clube e que mais uma vez esteve em evidência no apoio prestado à equipa nas bancadas.

Essa sensação de privilégio foi ainda maior pelo facto de poder ter sido premiado com a possibilidade de poder conhecer pessoalmente adeptos que seguem habitualmente o "Sporting 160", um programa em podcast de cuja equipa tenho o enorme orgulho em pertencer, (e cujas gravações podem ser ouvidas aqui http://mixlr.com/sporting160/). Associando-nos ao Solar do Norte conseguimos realizar um almoço de confraternização, que proporcionou a oportunidade de finalmente conhecermos em carne e osso muitos dos que connosco se cruzam às segundas-feiras, bem como vários familiares das nossas atletas. Jornada memorável!

A todos eles o meu obrigado, especialmente pelo facto de nos surpreenderem todas as semanas com a sua presença, ajudando a crescer um projecto pioneiro. Certamente que me iria esquecer de nomear alguém dos que tive oportunidade de cumprimentar. Assim prefiro dedicar este momento a todos os que gostando de o ter feito não puderam, personalizando essa dedicatória a alguém que muito nos tem ajudado a divulgar o Sporting160, mas que infelizmente não pode estar presente, como certamente gostaria: a Ana Garzin. Como Sportinguista que é, é uma de nós, como nossa amiga e promotora ainda mais o é.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Tristeza e estupefacção

Não teria sido preciso esperar pelas capas dos desportivos de hoje para constatar o quanto apodreceu  a relação entre JJ e Bruno de Carvalho. Quando se anuncia repetidamente aos quatro ventos uma reunião entre os dois principais responsáveis do nosso futebol está-se explicitamente a admitir a anormalidade. 

O que era anunciado como excepcional e aprazado - a tal reunião - deveria ocorrer de forma normal e frequente ao longo da época. Os alicerces do que será a próxima temporada deveriam estar já executados e a empreitada estar já na fase de acabamentos. Isto porque o primeiro compromisso oficial é já em meados de Agosto e, pelo que se vai desenhando, porá no nosso caminho um adversário duro. Isto sem falar dos efeitos nefastos que as competições das selecções poderão produzir.

Isto é, se subsistem dúvidas sobre quem será o responsável técnico, isso quer dizer que o futuro imediato e mais elementar do nosso futebol é assim uma espécie óvulo sem saber que espermatozoide o fecundará. É esta a certeza com que se está a construir a próxima época. Se é assim que cuidamos do que nos é querido e importante, como poderemos depois esperar que os resultados sejam diferentes do que as quase nulidades que vamos coleccionando, ano após ano? 

Ora, como é que isto acontece, quando sabemos que temos menos recursos (de quase toda a ordem...) que os nossos adversários?

Como podemos depois, já no decorrer do campeonato, responsabilizar terceiros pelos seus erros (árbitros, jornalistas, etc) se reiteradamente perdemos os campeonatos em casa, por falta de organização e planeamento, ainda antes da bola começar a rolar? Não foi isso que sucedeu na que agora acaba?

Por isso não será de admirar que, no que ao futebol sénior diz respeito, as principais razões que encontraremos para celebrar no final da próxima época se equivalham às que se vão vendo por estes dias:

- O triunfo de Ronaldo

- O campeonato de Jardim

- A descida de Marco Silva (doentio!) 

- A constituição como arguido de Luís Filipe Vieira.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Hasta siempre... Comandante!



Não, não são os atletas #mimados;

Não, não são os adeptos menos exigentes com #OsMeninos;

Não, não são os treinadores com #desculpas...

Quem primeiro abandona o barco à deriva durante a tempestade que chegou e ameaça intensificar-se? #OsRatos dos dirigentes... Olha que tamanha é a surpresa...

E o #projecto que começa a desmoronar-se por dentro... Dois meses depois dos #OitentaeSeisPorCento

Ahhh! De quem é a "culpa"? Ora... Seguramente dos #ProfetasdaDesgraça, como se a desgraça, ela própria, não tenha já ultrapassado há muito a profecia,

A "culpa", dizia eu, será também do #Godinho! E dos supostos saudosistas de um tipo que "desapareceu" há mais de quatro anos. Está bem visto, pois então...


O Dono Disto Tudo

Ninguém se surpreendeu com a alteração ontem anunciada  daquela que deveria ser a data de realização  da Gala Honóris. Como não escapará a ninguém, esta alteração prende-se com a data de casamento do cidadão Bruno de Carvalho, que é também presidente do Sporting. 

Olhando para este assunto com toda a razoabilidade que merece creio que, em face da sobreposição de datas, não haveria muitas alternativas à mudança operada. A alternativa seria a realização da Gala Honóris na data prevista - a da fundação e que foi respeitada nos eventos anteriores  - mas não me parece que faça muito sentido uma cerimónia como aquela sem a presença do presidente do clube. 

O que poderia ter sido evitado - a sobreposição de datas -  não foi. Bastaria para isso que tivesse havido bom senso e evitado a tomada de decisões por impulso e para bancada aplaudir. O mesmo perfil de decisões que tantas vezes lhe assistimos e que, ao invés de contribuírem para a estabilidade e segurança, tornam o clube no principal fornecedor de títulos dos média. Desta vez até mesmo alvo da chacota dos adversários. Usando o adágio popular, foi para ir buscar a lã mas arrisca-se a sair ele tosquiado.

Obviamente que o cidadão Bruno de Carvalho pode casar-se quando quiser. Mas como presidente do Sporting está obrigado a saber que todas as decisões têm consequências. Esta, associada à sua última comunicação, acentua a ideia de se considerar como alguém que está acima de tudo e de todos, o Dono Disto Tudo. A gala é quando ele quiser, nós temos é que ser mais exigentes!

Talvez agora se entenda melhor as verdadeiras razões para apagar os seus perfis do Facebook. Não foi na procura de algo melhor para o clube, mas simplesmente para se furtar ao escrutínio permanente, em particular às reacções que este assunto iria inevitavelmente provocar. No fundo como ele aí diz, para que o "deixem em paz".

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O (des)norte e o esforço "herculeano"

O (des)norte
Era já minha intenção dedicar melhor atenção ao reatamento de relações entre o FCP e o Sporting. Agora que está oficializado, é uma boa altura de voltar ao tema, e vou fazê-lo aqui em jeito de comentários:

- Atendendo ao que foi invocado na altura como razões para o corte de relações ("face aos graves acontecimentos ocorridos, que se traduziram num total desrespeito pela Instituição Sporting Clube de Portugal e após ter decorrido o tempo suficiente para que os dirigentes do Futebol Clube do Porto se demarcassem e retratassem da inqualificável conduta do seu representante") fica subentendido que o FC Porto se retratou e tomou a iniciativa de repor a normalidade de relações. Menos do que isso seria totalmente inadmissível. 

- Ao contrário do que foi dito o Sporting e o FCPorto não reataram apenas um relacionamento normal. Formalizaram e protocolizaram um acordo que não pode deixar de ser entendido como uma aliança estratégica. O que, atendendo ao histórico dos insultos trocados nos últimos quatro anos, só pode ser entendido como uma declaração de incapacidade de, sozinhos, conseguirem fazer frente ao poder tentacular que o SLB actualmente detém no futebol português.

- Embora me custe muito aceitar ver o meu emblema apresentar-se em tão má companhia (atenção! não da instituição "F.C. Porto" mas dos seus actuais representantes e o que eles significam para o futebol português e para o Sporting em particular) trata-se de uma capitulação de um poder perverso com cerca de três décadas. É isso que deve aqui ser assinalado: o clube de Pinto da Costa declara a sua incapacidade de alterar sozinho o actual status quo. O Sporting sempre o tem sido, não há nada de novo.

- Quanto a mim trata-se de um erro estratégico por parte do Sporting. Estamos a assistir ao fim de uma era e não ganhamos nada em associarmo-nos  à decrepitude de um império a cair. Pelo menos enquanto Pinto da Costa for a cara daquele clube, o Sporting não deveria ter com aquela instituição mais do que é indispensável. Porque um clube que não honra a memória dificilmente sabe escolher o futuro.

- Se a ideia é recolher apoio para a triste demanda em curso pela reescrita da história na questão do número de títulos, o Sporting não podia fazer pior escolha. Que autoridade e credibilidade podemos reconhecer num clube que nem a história e data da sua fundação respeita (algo que o próprio PdC promoveu)? Que pior contraste podemos pedir para esses troféus que o que será conferido por um clube cuja hegemonia no futebol se confunde os esquemas reiterados para defraudar a verdade desportiva e cujo principal alvo começamos por ser nós?

O esforço "herculeano"
Bruno de Carvalho anunciou ontem a sua "saída" do Facebook. Imagina-se o "esforço herculeano" que a decisão acarretou". Entrou como saiu, sem perceber e utilizar devidamente o poder de uma ferramenta de alcance global. Assim sendo, falta apenas saber como é que e em que forma voltará a aparecer.

Não sei o que lhe ficou pior: se o alardear de propriedade do clube, se a ideia de impunidade e intangibilidade que espalha a cada frase. Ou a noção ultrapassada de gestão dos recursos humanos, que o remete para métodos abandonados em décadas do inicio do século passado. Muito mal seguramente foi a injustiça que cometeu relativamente aos adeptos. 
Mas tendo a concordar com ele: com outro grau de exigência este tipo de comunicação não passaria sem pelo menos um vigoroso e sonoro protesto.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Pilhas duracell





E pronto, o Cristiano já cá canta… Versão italiana, com passagem por Espanha para ganhar estilo e influencia. Versão capaz até de ser mais catita que a tuga... Não sei, pelo menos é mais young... Network? Há que desviar as atenções para este penoso fim duma época, já de si, calamitosa.

Também parece que a Traffic, um fundo mas dos bons (A FIFA que o diga…), vai "dar-nos" o Bebeto júnior (Matheus Oliveira). Uma verdadeira pechincha.

Isto é só nomes sonantes! Que prometedor reinício! Para continuar a encher o contentor.

Só uma duvida: a silly season já começou??? Não, claro que não. Até porque dura, pelo menos, desde o Verão de 2016. E dura, e dura…


domingo, 14 de maio de 2017

A revolução que ainda está por fazer no Sporting

Tudo o que podia correr mal este fim-de-semana, correu. Ainda que alguns resultados não sejam definitivos é impossível ignorar que estamos a caminhar para um final tenebroso de época desportiva. 

Explicações? 

Seguramente que algumas residirão no carácter imprevisível das competições mas, atendendo à conjunção de resultados negativos, é obrigatório reflectir sobre relação destes com a qualidade das decisões tomadas e a preparação dos decisores. Porque, ainda que seja economicamente suportável, o que se afigura altamente duvidoso, a ausência ou míngua de resultados nas modalidades mais importantes, com o futebol à cabeça, é insustentável para a manutenção do estatuto de clube grande que indiscutivelmente o Sporting é.

Para a manutenção desse estatuto é absolutamente crucial que se mantenha o bem maior e insubstituível que são os adeptos e a forma apaixonado como vivem o clube. Ter que assistir às conquistas alheias, frequentemente à custa da nossa incapacidade de lhes fazer frente, é uma  contabilidade que a prazo fere o amor próprio, especialmente das gerações mais novas, que não tiveram o privilégio de viver os melhores anos. E sem renovação de gerações é o nosso futuro que ficará inevitavelmente comprometido.

O Sporting tem atravessado os últimos anos a saltar de revolução em revolução, que prometem amanhãs radiosos, porém constantemente adiados. A grande revolução permanece por fazer, apesar da grandiosidade dos discursos ou da habilidade em encontrar desculpas:  a revolução da competência, do mérito, da qualidade, do saber fazer.

P..S. Quem, a nível directivo, chefiou a delegação que se deslocou a Vila da Feira e quem é que deu a cara na recepção dos adeptos à chegada a Lisboa?...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Casamentos & funerais

O casamento de Jesus
Só por elevada dose de ingenuidade ou wishful thinking se poderá pensar que a comunicação improvisada de Bruno de Carvalho não desferiu um profundo golpe na relação com Jorge Jesus. Grande parte das palavras do presidente eram-lhe directamente dirigidas e aquela menção ao "caudal ofensivo" é um punhal cravado no ego reconhecidamente inflamado do treinador. 

Mas, ao fim e ao cabo, a referida declaração é a confirmação das divergências que as "remexidas" no plantel no Natal já deixaram perspectivar. O facto de o presidente ter demorado quase uma semana a reencontrar-se com o Facebook para reafirmar que Jorge Jesus é a sua escolha, enquanto tudo à volta ardia, revela um critério e uma convicção no mínimo questionáveis.

Ingenuidade, isso sim, é pensar que a declaração não lançaria um sentimento de legitima preocupação no seio dos Sportinguistas. Ou que quem vive da divulgação de acontecimentos e factos ocorridos ou do mero aproveitamento daqueles não iria aproveitar a "borla". Qualificá-los a todos indiscriminadamente de "histéricos" é fazer a figura do cozinheiro que culpa os comensais de não gostarem da comida que ele mesmo cozinhou mal e de forma irresponsável. É que por norma, as declarações públicas revelando descontentamento numa relação não são um mero sinal de insatisfação. São uma facada na indispensável confiança que suportam as ligações, constituindo muitas vezes a primeira notificação de divórcio.

Mas voltemos às divergências. Estas, como é claro para todos, têm por base a definição de poderes  sobre as políticas de aquisições, dispensas e composição geral do plantel. Numa relação saudável entre pessoas responsáveis e profissionais competentes, ambos os intervenientes ultrapassariam as diferenças de visão sentados frente a frente, assumindo as responsabilidades de que foram investidos quando decidiram servir o Sporting.

Ao contrário do que possa parecer, a questão até seria de fácil resolução, se houvesse a preocupação primordial acima mencionada e  também alguma humildade de ambas as partes. Da parte de Jorge Jesus, para perceber que quando lhe foi dada carta branca para intervir o resultado foi medíocre e não teve em conta as especificidades do clube. Da parte de Bruno de Carvalho para perceber que falta em Alvalade conhecimento e profissionais altamente qualificados para satisfazer as ambições do clube.

Admitamos que ambos o reconhecem. Mas, ao que parece, o impasse surge na hora de operacionalizar as alterações. Jorge Jesus não encontra razões para confiar no que a SAD lhe disponibiliza como suporte para trabalhar. Se quanto aos jogadores da formação me parece um erro  já quanto ao suporte de conhecimento que encontra na SAD reconheço-lhe toda a razão. Sabe mais Jesus a dormir que todos os outros acordados. 

Por exemplo: espanta-me que critérios podem qualificar André Geraldes para director desportivo, nome que insistentemente vai saltando das rotativas, ao género de inquérito de opinião. De reconhecimento pela experiência e mérito no desempenho dessas funções, como deveria ser obrigatório observar, não é de certeza. Não excluo a possibilidade de estarmos a falar de alguém com bom desempenho nas actuais funções, mas não se eleva um carteiro à condição de gestor dos CTT só porque entrega bem as cartas e encomendas. 

Claro que o presidente também tem razão. Ele sabe que não pode arriscar um segundo ano de equívocos e que há um risco menor no recurso à prata da casa. E também tem de reconhecer que resta muito pouco de aproveitável das suas incursões no mercado e que delas não houve o expectável retorno desportivo, mesmo que tendo um custo menor. E também que colocar as fichas todas em JJ por titulo imediato e a qualquer preço é um passo maior que as pernas (e carteira...) que actualmente sustêm o clube.

A preocupação de ambos porém deveria estar no talento dos jogadores, não na sua origem, não desconhecendo que a actividade de recrutamento é altamente contingente e arriscada. Veja-se o perfil de Bas Dost: europeu, carreira sólida, internacional, de valor reconhecido, o momento oportuno e o respectivo retorno. E compare-se por exemplo como de Alan Ruiz, contratado por um valor muito próximo. 

A vontade será crucial para manter a ligação de Jorge Jesus ao clube. Que nada tem a ver com posts tardios e equívocos no Facebook. É preciso restaurar a confiança e essa acontece sobretudo com actos. E simultaneamente criar uma relação equilibrada, em que a maior experiência e conhecimento de Jorge Jesus sejam apoiados na retaguarda por departamentos do clube (scouting, jurídico- administrativo, etc) com profissionais de igual valia, numa situação que propicie o crescimento de ambas as partes. De outra forma a passagem de um dos melhores treinadores nacionais pelo clube constituirá mais uma oportunidade perdida.

A boda de Bruno de Carvalho
Não vou fazer qualquer comentário sobre a vida pessoal de Bruno de Carvalho, nomeadamente sobre o seu casamento. Mas sempre aproveito para lembrar que foi por tratar o clube como uma extensão de uma qualquer propriedade e por declarados sinais de acantonamento autista que se desfez o casamento com uma dinastia.

Relações Requentadas
O Sporting anunciou hoje o reatamento de relações com o FCP. As relações institucionais com outros clubes deveriam existir sempre e não serem geridas de forma conveniente, a favor de ventos cuja constância e direcção não se percebem. E com ponderação e memória. Declarar sobre o FCPorto de Pinto da Costa que são mais as razões que nos unem do que as que nos separam é insultuoso para todos de nós que ainda conservam a memória. João Rocha deve ter tido um valente sobressalto no seu túmulo.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Porquê tanto drama, tanto horror se a tragédia estava já consumada?

O Sporting é uma fonte quase inesgotável de surpresas, não é? Então não é que um jogo quase a feijões nos aproxima novamente do abismo, faltando ainda saber o quê e quem se sumirá por ele abaixo? É que é me é difícil perceber tanto drama e tanto horror por causa da derrota com o Belenenses.

Porque não perdíamos em casa com eles há mais de seis décadas?

Porque era Dia da Mãe?

Porque era dia de festa? 

Ah é, por tudo isso? Então vejamos:

É certo que não perdíamos em casa com o Belenenses há 62 anos, mas sejamos práticos. Algum dia tinha que acontecer e por isso quando mais depressa melhor. É que se acontecesse no próximo ano já não seriam 62 mas 63. Um bocado pior, não? E se tem que acontecer é preferível que aconteça quando o resultado tem uma importância menor. Seria incomensuravelmente pior se à triste quebra do record ficasse associado por exemplo afastamento do título, facto há muito consumado. Eu não me importaria de perder todos os anos com o Belenenses, ou mesmo com o Tondela, se fossemos campeões. E como eu todos os Sportinguistas, por certo.

O que me parece digno de preocupação é estarmos a jogar para coisa nenhuma há já muito tempo. Este ano e em muitos outros que compõem os já quase 16 anos sem ver o título. E este ano em particular, depois do investimento feito - que afinal já descobrimos que era apenas despesa... - não me lembro de ver reações equivalentes quando fomos paulatinamente entregando nas mãos de outros os nossos objectivos e ambições. 

Quem sabe se "abanássemos a barraca" com o vigor agora empregue, mesmo que em forma de posts (alguns nitidamente encomendados...) nas redes sociais quando perdemos com o Rio Ave por 3-0. Ou quando fomos empurrados quase com desdém da Europa pelos polacos. Talvez esta derrota - esta com o Belenenses e toda esta época, bem entendido - não tivesse acontecido. Mas as maviosas promessas do "ainda vamos lá", sucedâneo com provas dadas do "para o ano é que é" não nos deixavam ver o que era cada vez mais evidente.

O argumento de ser Dia da Mãe também não colhe. Se há alguém bem preparada para lidar com o desgosto são as mães sportinguistas. A minha não é, nem gosta de futebol, aversão que os dirigentes desportivos se têm empenhado em justificar com grande empenho. Mas nem preciso de lhe dizer nada quando o Sporting perde. Ainda hoje, com a idade que já tenho, é toda compreensão e carinho perante o meu semblante carregado e sorumbático e há poucas pessoas que entendam como ela como a minha dor é real.

"Ah, e tal, era dia de festa", que o clube tinha preparado especialmente. É um bocado estranho que um clube que acaba de torrar uma soma verdadeiramente aterradora de dinheiro e dele fique quase nada para o futuro, encontre razões para festa. Mesmo que seja sob o pretexto de a fazer por uma das mulheres mais importantes, senão a mais, da nossa vida. Cheira mais a comício-festa de desagravo do regime, para entreter os parolos, enquanto os rivais nos vão comendo na cabeça as papas e os bolos. 

"Ah, e coitados dos miúdos pequeninos, que até choraram." É cruel, sim senhor. Mas para o crescimento é importante também a dor e o revés. Muitos grandes Sportinguistas temperaram assim o seu amor pelo clube, quem sabe até o fortaleceu. Porque ser do Sporting é muito mais do que ganhar, por muito importante que seja. Ser do Sporting é TUDO! E tudo o resto seria na mesma, e os dias passariam aparentemente iguais, só que menos aquela qualquer coisa que se sente aqui no peito e não se pode explicar, apenas sentir.

E é preferível uma desilusão do que viver enganado. E a verdade crua e nua é que aquela que muitas vezes apelidamos de "maior potência desportiva nacional" o é em elevado grau de feitos e responsabilidade de muitas das gerações que nos precederam. Fosse por nós e não o seria, por tardamos muito em voltar encontrar o pé e o bem saber fazer. No fundo, em reencontrarmo-nos.

É no mínimo estranho que de adeptos devotos e fervorosos seja tão difícil extrair dirigentes competentes e sagazes. Porque no fundo é disso que inevitavelmente estamos a falar. Ou a evitar falar, como queiram. Um caso de estudo e de cuja resolução depende o retorno ao sucesso ou a permanência no eterno âmbar do "agora é que é" ou, numa versão pior, o anestésico que se  administra em doses certas e metódicas.

Por isso, se tragédia da época estava já consumada, porquê tanto horror? Só se for por antecipação dos dramas que agora já se advinham e que colocam o nosso clube num lugar que tão bem conhece: o da crise e convulsões permanentes, onde os únicos títulos que se podem ambicionar são as das capas dos jornais.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Tens o número do presidente e do JJ? É para um amigo...

Antes que o espectáculo dos recados do presidente para o treinador e deste para o presidente atinja proporções maiores, tenho um amigo que se propõe ceder a cada um deles o respectivo número para assim os voltar a por novamente em contacto. Isto de forma a pouparem-nos a este espetáculo deprimente de ver os mais altos responsáveis a trocarem entre si mensagens aos microfones das rádios e televisões.

Provavelmente não será fácil conseguir uma ligação à primeira. Estamos a falar dos telefones mais requisitados do país, como certamente serão os do presidente do Sporting e do treinador do nosso clube. Por isso recomenda-se alguma dose de paciência, talvez em igual grau ao que usamos para os cruzamentos do Schelotto pela linha de fundo ou para as paragens cerebrais do Marvin (às tantas corre em apneia e o cérebro não é convenientemente irrigado.) 

E se há coisa que temos é paciência. Senão veja-se: é mais provável ver os magrebinos todos a desembarcar ilegalmente no Humberto Delgado do que passar na alfândega um par de laterais de jeito para cada ala. Ah, e ainda estamos à espera de alguém que venha substituir o João Mário. Queres que vai ter que ser o próprio?

Mas paciência para o presidente ligar ao JJ ou, ao contrário, para o treinador ligar ao seu presidente porquê? A relação entre ambos está assim tão mal que já corremos o risco de nem sequer  atenderem as respectivas chamadas? Bom, não tenho dados que o confirmem, o meu receio para já é outro.

É que estamos a chegar ao final da época e o JJ pode estar ao telefone com o Costa Aguiar, a tentar saber como está a decorrer a travessia a nado do Atlântico Sul pelo Bruno Paulista. (Só pode né? Há tanto tempo sem clube nem noticias.) Ou a discutir pormenores linguísticos, por exemplo se o próximo contentor tem mais "ics", "ovs" ou "inhos". Se JJ estiver a ligar para Madrid para saber qual vai ser o próximo clube de "El Cholo" Simeone o sinal de interrompido ia durar muito.

Mas se a iniciativa for do JJ a perspectiva também não é de sucesso à primeira. Imaginem agora se o "mestre da tática" não apanha o presidente num intervalo entre uma entrevista ao Correio da Manhã, VIP ou Caras a falar da sua felicidade pessoal ou numa flash-interview a dar conta da nossa miséria colectiva? Já imaginaram a dificuldade que é mudar rapidamente de tom e semblante e o elevado risco que corre de trocar a pose? E se JJ liga no preciso momento em que o presidente dita um post ao director de comunicação sobre a constante intromissão dos média na sua vida pessoal? Estranho nunca se terem lembrado da possibilidade de os pneus do Vieira terem agora como fiel depositário o Pedro Guerra, algo que até se pode suspeitar à vista desarmada.

Mesmo que não consigam marcar uma reunião, pelo menos sempre conseguirão conversar e, dessa forma tentar resolver as respectivas diferenças de opinião do que deve ser o Sporting no(s) ano(s) que se seguem. Ok, talvez seja pedir muito e já não era mau conseguirem uma plataforma de entendimento para a próxima época.

A conversa até seria curta. JJ só precisava de dizer se está onde quer e confia na estrutura de Alvalade. Só quem nunca andou nos baixios de um estádio é que não percebe a importância que tem um treinador sentir que as bancadas não lhe caem em cima. Ou que não vai sair ninguém de trás de uma viga para lhe espetar uma faca nas costas.

BdC Só tem que dizer a JJ que continua a acreditar no trabalho dele e explicar-lhe que aquela indignação toda de ontem era uma tremenda indigestão causada por um tetra, peixe vermelho, não comestível, da familia "Characidae", que inclui também as piranhas e outras aves. JJ certamente que o compreenderá...

Mas se tal não for de todo possível então, como diz o nosso primeiro, "amigos como dantes" e cada um siga a sua vida. Mas aqui recomendava contas à moda do Porto: cada um paga o seu.

domingo, 7 de maio de 2017

Sporting 1 - Belenenses 3: Oh mãe, o Belenenses bateu-me

Não pude deixar de notar as palavras de Jorge Jesus no lançamento do jogo, quando invocou culpas de terceiros (meterem-nos pedras na estrada) para justificar o decepcionante percurso da equipa na época em curso. Esta é cada vez mais uma especialidade no Sporting: encontrar alguém que carregue as culpas, sem nunca olhar com rigor para as próprias falhas. Que sentido faz a referência à falta de experiência? Por causa das ausências de Alan Ruiz, Podence e Gélson Martins não se justifica, atendendo à reduzida experiência de qualquer um deles na nossa LIGA.

O mesmo fez hoje o presidente nos momentos que se seguiram ao jogo, tratando publicamente de matéria sensível (censura ao treinador), que em primeiro lugar deve ser tratada dentro de portas. Mesmo tendo razões mais do que justificadas para estar insatisfeito com Jorge Jesus e que, no limite, a intenção seja livrar-se do treinador (que há pouco aumentou, sem nada que o justificasse e que tem reiterado a ideia de ser um treinador para muito tempo). Ora  não deveria ser uma derrota em final de época a abalar essa convicção, quando a ideia de que Jesus é o treinador para o mandato já havia sido propagada quando o substancial da época estava já entregue. 

A ideia que o projecto é ele e não quem é também essencial na sua execução ("os adeptos estão crentes num projecto, mais do que em treinadores ou jogadores") deveria ser melhor explicada. Começando logo pelo essencial: o que é o projecto? Quais são as ideias base em que assenta?

Sejamos sérios: ninguém ignora que há quem ponha pedras no nosso caminho. Desde que me lembro que assim é e não parece que vá mudar tão cedo. Daí que, se queremos inverter este caminho, não nos reste outra alternativa senão prepararmo-nos melhor, sermos mais rigorosos que os outros, escolher melhor que os outros. Não parece que tenha sido isso que aconteceu este ano.

Ou então em alternativa podemos queixar-nos do calor, do frio, do relvado, dos árbitros (com muita razão, muitas vezes!) e então aí a melhor forma de resumir o que se passou hoje em Alvalade, dia da Mãe, é o titulo do post: "oh mãe, o Belenenses bateu-me".

sexta-feira, 5 de maio de 2017

VAR: um estranho e quase inédito caso de consenso entre os clubes nacionais

De entre os muitos jogos em que o Sporting tem razões para sentir prejudicado e para empreender a luta que agora vê compensada, o que a imagem que ilustra o post reporta é dos mais emblemáticos. É por isso que se saúda o  inesperado anúncio, feito pela FPF,  da introdução do video-árbitro de forma permanente já a partir do próximo campeonato. Sabemos do que falamos. Lembro que de forma provisória e isolada  a sua utilização já estava prevista por ocasião do final da Taça de Portugal.

Do ponto de vista estrito do organismo em causa, a intenção pode até ser a melhor, mas esta medida por si só não alterará significativamente o ambiente agónico em que vive actualmente o futebol português. Poderá até, em casos extremos, agudizá-lo, eternizando as discussões.

Sem mudança de comportamentos e mentalidades o video-árbitro tenderá a ser uma oportunidade perdida. Embora esta alteração me pareça inevitável e deva ser saudada, as minhas dúvidas justificam-se. Porque as regras são aplicadas e ractificadas por pessoas e essas serão exactamente as mesmas. E não mudando estas ou a sua forma de actuar...

Um exemplo muito prático, do qual todos se lembrarão: os lances de Pizi e posteriormente de Nélson Semedo, que deveriam ter sido sancionados com penalty's e procedimento disciplinares correspondentes.

Os elementos responsáveis pelo VAR alertariam o árbitro para os lances?

O árbitro recorreria às imagens e após o seu visionamento mudaria as suas decisões?

Tenho dúvidas e essas já as tinha expressado aqui anteriormente:

 "as novas tecnologias não substituirão a soberania na decisão dos árbitros, não mudarão nada na apreciação do respectivo trabalho por parte dos observadores, não farão as nomeações, não designarão os internacionais, etc, etc. Como certamente já perceberam estou a referir-me a aspectos muito particulares do futebol português que, permanecendo como estão, tornarão a introdução das tecnologias no futebol numa inutilidade.

Para sustentar a afirmação feita no parágrafo anterior socorro-me do sucedido no último dérby. (ndr: o mesmo jogo do exemplo acima) Basta ver o que disseram comentadores e sobretudo árbitros consagrados sobre a evidência dos lances para se perceber como a classe está comprometida com interesses de terceiros ao ponto de não possuírem condições essenciais ao exercício da função de julgar: independência e imparcialidade. E que dizer da nota do árbitro, quando quem o avalia fica indiferente ao que observa na televisão?".
Isto é, a medida é obviamente boa no sentido de introduzir maior justiça e rigor - e por isso o Sporting esteve bem na luta que empreendeu para a introdução da medida - mas ela é escassa. A FPF, que, juntamente com a LIGA, se têm mantido estranhamente alheadas ao que se passa em seu redor, tem que ir mais longe para que a novidade do VAR não seja o tradicional "algo tem que mudar para que tudo fique na mesma."

E neste âmbito há mesmo muito a mudar. Continuam a subsistir "fenómenos" difíceis de explicar e que, tendo importância para o desfecho dos jogos e até da competição, não serão resolvidos com a introdução da tecnologia no futebol, se esta não for acompanhada de uma maior equidade e imparcialidade. De outra forma a suspeita que infecta o futebol português subsistirá.

Um exemplo aleatório: a diferente aplicação dos critérios disciplinares, que resultam nos números tão dispares na quantidade de cartões e suspensões por equipas.

E aqui chegados confesso que tenho poucas esperanças, porque as mesmas pessoas que contribuíram para o ambiente que se instalou no futebol e para o qual contribuem de forma praticamente diária com frases, discursos, comunicados, posts, etc, são exactamente as mesmas. Por isso, da mesma forma que um lance é agora discutido com base nas opiniões mais convenientes para os interesses do(s) comentador(es), como se fossem vários, e não apenas com base nos factos que nele ocorreram  é muito provável que o mesmo se passará com as decisões tomadas com base no VAR.

Daí que me sinta tentado a concluir que o consenso quase inédito no futebol português sobre o VAR que assistimos deste ontem terminará assim que o próximo campeonato começar.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Sporting à volta do acessório, parecendo esquecer o essencial

A nossa comunicação social vai dando conta de propostas dos clubes no sentido de um "aperto" na regulamentação em temas tão diversos como os paineleiros - para os quais já corre uma petição para a sua extinção - como as ofertas a árbitros ou aos excessos verbais dos dirigentes. 

Entretanto, o  resultado do vistoso folclore que Benfica e Sporting têm proporcionado já começou a produzir resultados igualmente vistosos, como se depreende deste artigo de ontem no El País [LINK], com o nosso presidente a merecer a "honra" de servir de ilustração. 

Sobre as propostas que se vão conhecendo algumas considerações:

- Não estranha que o SLB queira impor a lei da rolha, impondo sanções aos clubes cujos agentes critiquem a arbitragem. A APAF, organização corporativista, terá dificuldade em lembrar-se de melhor. Talvez só mesmo uma grevezita. Compreende-se, estando sentado à mesa do poder não quererá que os resultados da "acção governativa" sejam contestados.

- Não estranha também que, do lado oposto, Sporting e FCP, se oponham à imposição do silêncio, exactamente por não estarem satisfeitos com um lugar tão afastado do centro. Pelo longo histórico, a posição do FCP não deixa de ser surpreendente, mas é também esclarecedora e auto-explicativa do quanto mudou de mãos o poder... Quem não se lembra do famoso "só os burros é que falam da arbitragem"? 

Interessando-me particularmente a posição oficial do meu clube cabe-me dizer o seguinte:

- Pelo histórico também ninguém acredita que o Sporting esteja a propor o silêncio dos agentes futebolísticos, quando Bruno de Carvalho nem castigado respeita os regulamentos em vigor que fez ou deixou aprovar.

- Na matéria respeitante aos programas de televisão, para os quais o Sporting parece estar interessado em sanções aos clubes a que os paineleiros pertencem, o Sporting não tem autoridade moral para o fazer. Pelo menos enquanto no seu canal oficial pontuar alguém como o Carlos Dolbeth, ou alguns dos comentadores connosco conotados fizerem ou pretenderem fazer exactamente o mesmo papel que os Guerras e quejandos. 

- Parece-me igualmente errada a excessiva importância que se atribui aos referidos programas, que só muito remotamente poderão influenciar o curso das competições. Aliás, desde o surgimento deste fenómeno que me parece que o Sporting nunca soube posicionar-se correctamente, no sentido da defesa dos seus interesses, como ainda o ajudou a divulgar e ampliar. Do que se vai vendo a consequência mais visivel é o aumento do número de adeptos a querer ser piores que Dolbeth´s e Guerras atrás dos teclados.

- O Sporting deveria apostar todas as fichas no que realmente tem influência nos resultados e que de alguma forma  é instrumental para a sustentação do poder actual. Como por exemplo, a extinção dos observadores, regulamentos transparentes para os relatórios dos árbitros, para a nomeação, apreciação, pontuação, promoção e até punição para erros destes. 

- Ao invés de ficar comodamente instalado atrás das câmaras, gravadores, microfones e comunicados, há muito que o Sporting deveria ter posto os pés ao caminho, promovendo reuniões com os diversos clubes, procurando chamar a si a liderança de um processo de mudança inevitável.

- A insistência na história dos vouchers é a repetição de um erro que já nos custou um revés. Acresce a isso a antipatia da classe, por se sentirem apontados como corrompíveis "por um prato de lentilhas" como me confidenciou um elemento da classe, quando o assunto foi trazido para a opinião pública.

- A LIGA, sendo importante, é apenas um dos constituintes da AG da Federação, onde as decisões são tomadas. 

Mas a concentração máxima deverá estar sempre focada no plano interno.  Vivendo num meio hostil e com pelo menos dois rivais com maior poder nos gabinetes, o Sporting, para ser novamente vencedor, conta apenas consigo e tem, por isso, de ter um desempenho desportivo quase perfeito. Para isso é preciso:
Rigor no planeamento, decisões estudadas e bem fundamentadas, ao invés das tomadas sob o signo da emoção e do momento. Como exemplo os retornos à base de atletas que até estavam a ter um bom desempenho e viram a sua progressão empatada.

Igual rigor na execução, sem atalhos, nem concessões. 

Escolha criteriosa dos profissionais e colaboradores, de com provas dadas ou de reconhecido potencial e não por serem fáceis de "manejar". Quantos jogadores e técnicos têm entrado e saído sem deixar rasto?

Análise exaustiva dos processos (recrutamento, acompanhamento, treino, tempos livres, etc.) porque não é possível obter resultados diferentes cometendo sempre os mesmos erros. Neste momento quem garante que os erros cometidos no recrutamento, e ao arrepio do prometido - jogadores estrangeiros só adaptados, etc - não voltarão a acontecer? Quem será o director desportivo e que curriculum?

E, não menos importante, comportamento exemplar de quem lidera (direcção, técnicos, responsáveis ) em todas as situações, porque o exemplo é mais importante do que as palavras.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

SC Braga 2 - Sporting 3: o trovão ecoou 3 vezes na pedreira

O contraste tremendo entre o jogo na Pedreira deste ano e aquele que se assistiu na época passada é um resumo ilustrado do fracasso a que se resumirá a presente época. Enquanto a viagem do ano transacto ainda foi efectuada sob o signo da esperança e da qualidade do futebol produzido, a deste ano acontece de bornal vazio e sem outro objectivo que não seja honrar o emblema. E é com uma dose muito razoável de frustração que se constata que bastaria ter conservado os três pontos dos jogos em casa com Guimarães e Benfica para podermos estar ainda na corrida por um pouco mais do que ir deixando a época acabar.

Mas ainda que seja penoso fazer a crónica, há alguns aspectos que merecem destaque. Uns de carácter positivo, outros de sinal negativo e que, de certa forma contribuíram para o desfecho da época. 

De sinal negativo a forma como continuamos a sofrer golos. Uma permissividade defensiva que se instalou desde o inicio da época e que se arrastamos até ao seu final. Algo a que não estávamos habituados com JJ e que ele não conseguiu resolver. Permissividade que foi responsável em grande parte pela falta de confiança da equipa, que a impediu de estar num plano mais elevado.

A forma fácil e sem reacções ou respostas adequadas às circunstâncias dos dois golos sofridos ontem estão ai para o ilustrar. O preocupante aqui é que não se trata de um problema meramente individual mas de natureza colectiva. JJ reconheceu isso no final do jogo, vamos ver que respostas ou soluções vai encontrar. A ser verdade que as defesas ganham campeonatos, como se costuma dizer, talvez seja a sua principal tarefa ou dor de cabeça.

De sinal positivo, a capacidade de reacção da equipa, apesar da menor importância do resultado para a nossa classificação final. Um bom sinal. De igual modo a capacidade goleadora de Bas Dost. Mantê-lo para o ano e integrado numa equipa mais consistente é crucial para as nossas ambições. Porém tal não deverá anular a ideia de que a dependência é excessiva e, a manter-se, pode ser um ponto de fragilidade. Uma preocupação que aumenta com o deserto de alternativas que se perfilam à sua volta.

Igualmente negativa deve ser considerada a lesão de Alan Ruiz, como terá que ser sempre a de qualquer jogaodor. Mas não se pode ignorar o contraste provocado pela velocidade de execução, qualidade de movimentações, do reportório de soluções e pelo sobressalto permanente que representou a entrada de Podence. 

Tendo em conta o sucedido ao argentino, parecer-me-ia cruel a utilização do aforismo "há males que vêm por bem". Ficar-me ia pela comparação com o carros: estamos sempre satisfeitos com o nosso até darmos conta que podíamos ter algo melhor. E no caso, calcule-se, até já estava na garagem e é mais barato...

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