quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Está resolvido o mistério dos investidores "a que não estamos habituados"

O jornal Record publica hoje uma extensa e detalhada reportagem sobre o novo financiador do Sporting, que esteve por trás das aquisição de Paulista e das tentativas falhadas de adquirir Mitroglu e Cérvi. A reportagem inclui documentos oficiais do clube que, segundo o jornal, foram obtidos num novo site, de seu nome, "Football Leaks" que estranhamente não se encontra disponível. (Nota: já depois de escrito o post, verifiquei que o site está online com o nome http://football-leaks.livejournal.com/)

As linhas que se seguem são extraídas dessa reportagem:

Chama-se Recreativo Caála o clube angolano que compra futebolistas estrangeiros e os empresta ao Sporting. E o seu presidente não é outro senão o empresário António Mosquito, associado a grandes interesses económicos, em Angola e em Portugal.

Um dos jogadores colocados no Sporting segundo esta via foi Bruno Paulista. O Bahia cedeu o médio brasileiro aos leões até 30 de junho de 2016, a troco apenas do pagamento dos salários, mas posteriormente este deve ser contratado a título definitivo pelo Caála.








Record teve acesso a esta informação através do site ‘Football Leaks’, que a partir de agora se propõe “divulgar a face oculta do futebol”, publicando na Internet contratos e acordos com clubes e intermediários.

Contactado o Sporting, fonte do clube sublinhou que este negócio resulta de “relações normais com um parceiro formal, devidamente documentadas no relatório e contas. É um modelo de financiamento também utilizado pelo Benfica, quando contratou o Samaris. E os jogadores tanto podem ser colocados no Sporting como em qualquer outro clube”.

Uma forma de acordo similar deveria ter sido aplicada na transferência do argentino Franco Cervi para Alvalade, mas os dirigentes do Rosario Central não aceitaram a negociação e o futebolista acabou contratado pelo Benfica.

Formalizado em 6 de agosto de 2015, o “Instrumento Particular de Cessão Temporária de Contrato de Trabalho de Atleta Profissional” entre o Bahia, o Sporting, Bruno Paulista e o Recreativo Caála, a SAD leonina celebrou no mesmo dia o “Contrato de Trabalho Desportivo” com o jogador brasileiro, no qual acordou pagar 550 mil euros por um ano de empréstimo.

O contrato de Bruno Paulista prevê ainda o pagamento de um prémio de dez mil euros, por cada dez jogos feitos, no caso de ser titular e completar pelo menos 55 minutos em cada um dos jogos, na Liga ou nas competições europeias.  

A situação de Cervi

No caso do argentino Cervi chegaram a ser redigidas duas minutas, uma que previa a cessão dos direitos federativos ao Recreativo Caála pelo Rosario Central, a partir de 28 de janeiro de 2016, mas que previa que o futebolista treinasse no Sporting a partir de dezembro de 2015. A outra respeitava a um contrato de cedência temporária, entre o Caála e o Sporting, até 30 de junho de 2017, com a hipótese de prorrogar esse empréstimo “por épocas sucessivas”, até 30 de junho de 2021. Este contrato seria feito “a título gratuito”, na prática, nas condições em que Bruno Paulista está agora no Sporting.

Cervi só viria em junho de 2016

O ‘Football Leaks’ divulgou também a proposta final efetiva do Sporting aos argentinos do Rosario Central para a transferência de Franco Cervi, para além do cenário que envolvia os angolanos do Recreativo Caála.

Um documento assinado pelo administrador da Sporting-SAD Carlos Vieira, em 7 de setembro de 2015, propunha aos argentinos a aquisição dos direitos económicos do futebolista por 3,85 milhões de euros. E as condições de pagamento seriam as seguintes: 1,925 milhões liquidados de imediato; 962.500 euros em 1 de fevereiro de 2016; e mais 962.500 euros em 1 de julho de 2016.

Este plano seria aplicado se Cervi chegasse ao Sporting no fim da época 2015/16, mas caso se transferisse de imediato, o pagamento seria feito a pronto.

Agente de Cervi receberia as comissões a prestações

O acordo do Sporting com o Rosario Central, Franco Cervi e o seu agente, Martin Moreno, estava em andamento, mas, segundo publicou Record, em 9 de setembro, Raúl Broglia, presidente do clube, revelou entraves importantes: “Houve questões, mas não vale a pena revelá-las agora. Eles tinham, por exemplo, um grupo de investidores de um país a que não estamos habituados”, que seria Angola...

Na altura, num documento assinado pelo administrador da SAD Guilherme Pinheiro, o Sporting propunha deixar Cervi emprestado ao clube de origem, em 2015/16, e nas seis épocas seguintes pagar-lhe-ia sucessivamente 820 mil euros, 920 mil euros, 1,02 milhões, 1,12 milhões, 1,22 milhões e, finalmente, 1,32 milhões.

O Sporting comprometia-se também a pagar ao jogador os 15% que seriam responsabilidade do Rosario Central. O plano previa ainda o pagamento faseado da comissão ao intermediário Martin Moreno, conforme se pode ver no documento em anexo. No total seriam 517,5 mil euros. Mas o jogador acabaria no Benfica.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Cédric: quando a galinha da vizinha é melhor que a minha

Cédric passou os últimos dois anos em Alvalade a ver o seu valor constantemente posto em causa por uma grande franja de adeptos. Partiu para Inglaterra, onde em pouco tempo já deu nas vistas. A noticia de que foi considerado até agora o melhor lateral direito de uma das mais fortes ligas mundiais, segundo um critério em que são avaliados seis parâmetros ( rigor, recuperação, distribuição de jogo, iniciativa, criação de oportunidade e remate ) pode por isso surpreender muita gente mas é um justo prémio para o excelente profissional que Cédric sempre foi e não menos para a Academia do Sporting.

Pena é que muitos acordem tarde, depois de tantos anos a desdenhá-lo e desejar outros no seu lugar. Talvez por isso se aceitou com placidez e conformismo que o jogador, que até desejava renovar com o Sporting, partisse por uma verba relativamente baixa, como se nos estivéssemos a ver livre de um problema. Como se costuma dizer cuidado com o que desejas, pois os teus sonhos podem tornar-se realidade. Hoje, naquela posição, não estamos melhor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Assembleia Geral: porquê isto, agora?

A direcção em exercício apresentava na A.G. de ontem "os melhores resultados de sempre" da SAD. Naturalmente esperaria que o momento fosse capitalizado em favor do trabalho realizado. 

Como sabemos, estes momentos nos clubes, o nosso não é excepção, tem a sua liturgia muito própria. Daí até ao monólogo de duas horas "S. Bruno aos leõezinhos", no mais fiel estilo sul-americano dos anos 70/80, deveria ir alguma distância, mas não foi, infelizmente. Mas esperava tudo menos ver um presidente acossado dirigir um ataque em todas as direcções, para os inimigos externos e até, em jeito quixotesco, para uma oposição interna que, pelo menos de forma organizada, é inexistente. 

 O que é está a correr mal que ainda ninguém sabe? A unanimidade e aclamação já não são suficientes?

Já na véspera Bruno de Carvalho tinha ido longe de mais, quando se referiu ao S.L. Benfica , no seu perfil de Facebook, onde está identificado como "Presidente do Sporting", como "carnide". Quando vi a publicação cheguei até a pensar tratar-se de um dos muitos perfis falsos que existem naquela rede social. Por mais popular que lhe possa parecer, isto não é bom para ele, e muito menos para o Sporting. Parece-me faltar junto do presidente alguém que lhe faça o contraponto.

Uma nota adicional sobre o ataque "ad hominen" contra alguns sócios visados no discurso do presidente, para depois aparecerem os seus nomes no jornal Record, via "fonte oficial". Uma vergonha! Conheço pessoalmente um deles, o Juvenal Carvalho, e tenho amigos comuns a quase todos os visados. 

Por conhecer pessoalmente, falo do Juvenal. Não concordo sempre com ele, mas nunca me atreveria a colocar em causa o seu Sportinguismo. A sua condição de sócio de muitas décadas e o seu trabalho como dirigente de carolice e entrega total,  e os muitos sacrifícios pessoais feitos em prol do clube dão um disso um testemunho prático que nenhum discurso de ocasião poderá abalar.

domingo, 27 de setembro de 2015

Xadrez sem cheque mate

O Sporting apresentou-se no Bessa ante a possibilidade de se tornar líder isolado e isso sentia-se no apoio dos adeptos, que acorreram em grande número, o que era visível nas imediações do estádio. Sem grande surpresa Montero apareceu no lugar de Teo e logo de inicio o Sporting disse ao Boavista ao que vinha. A equipa da casa aceitou com naturalidade a ideai de ficar à espera atrás, procurando não se desorganizar.

Sporting fecha o primeiro quarto de hora a mandar jogo mas sem criar oportunidades, essa caberia ao Boavista nun lance em que a defesa se deixou dominar no jogo aéreo. O perfil do jogo manteve-se assim até se completar a primeira meia hora, quando ocorre o golo anulado de Slimani. 

Até aí saliência para as movimentações de Gélson, a procurar sempre fugir à zona de pressão do Boavista, de Montero, a participar melhor no jogo do que em anteriores aparições e um jogo muito competente de Adrien nas compensações e reequilíbrios. Enquanto isso Ruiz debatia-se com as dificuldades já evidenciadas anteriormente em participar no jogo. 

Apesar do domínio, a definição dos lances no último terço carecia quase sempre de boas ideias ou era precipitada. À medida que os cinco minutos finais se esgotavam, o Sporting faria um forcing final, conseguindo a melhor oportunidade deste período.

A segunda parte não trazia grandes mudanças e Jesus decide fazê-las na equipa. Montero cede o lugar a Teo para este desperdiçar, na primeira vez que toca na bola, um golo que já era cantado nas bancadas. Uma substituição talvez precipitada e Teo não emprestaria melhorias significativas.

É daqueles momentos em que os adeptos, a equipa e talvez até o treinador começam a sentir que a partida será muito difícil de desbloquear. Talvez por isso Jesus tenha decidido esgotar as substituições quase de uma assentada. Ruiz cede o lugar a Teo e João Mário ao regresso de William. Nenhum deles foi muito feliz.As dificuldades em criar reais oportunidades haviam de permanecer inalteradas. A possibilidade de não descolar para a liderança isolada era um espectro que ganhava dimensões cada vez mais reais.

Em termos individuais destaque para Gelson. Enquanto durou foi o agitador do ataque do Sporting. Se havia alguém que parecia capaz de mudar alguma coisa era ele. Como nota geral diria que é sabido que as armas do Boavista são de calibre e alcance muito mais reduzido que as que o Sporting tem à disposição. Mas o anti-jogo praticado durante toda a segunda parte, com a conivência do árbitro, é uma traição ao futebol. Os quatro minutos de desconto são completamente inaceitáveis e incompreensíveis.

O Sporting sai sem os tão desejados três pontos e, consequentemente, sem o comando isolado do campeonato. E disso só se pode queixar de si próprio. Dominar só não chega, é preciso marcar e hoje criou muito poucas oportunidades para o fazer.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

"O Sporting vai lutar pelo título de campeão até à última jornada." A profecia de Riciardi e a realidade

Ontem Riciardi aproveitou a entrevista dada a um programa de economia da Sic Noticias para afirmar que este ano o Sporting lutará até à ultima jornada pelo campeonato nacional. Tal vem em linha com o que JJ já afirmara em anterior entrevista, quando prometeu exactamente o mesmo. 

Olhando para o percurso do Sporting até agora verifica-se que a média de pontos (2,6) está em linha com o necessário para a candidatura e com as melhores médias dos últimos campeões. Este é o dado mais importante que, a manter-se, permitir-nos-á sonhar até ao fim. Este surge em contraponto com outros dois que sugerem alguma preocupação:

- A média de golos marcados é escassa (1,8) e embora possa vir a melhorar, não me parece que possa aumentar substancialmente. Parece-me mais um problema de nomes do que de concepção do modelo que, tendo em conta o tempo ainda escasso do treinador, é passível de ser aprimorado e daí extraídos maiores ganhos. Isto é, mesmo esperando que a eficácia de Slimani e companhia melhore, não me parece que se venham a chegar ou ultrapassar a casa da vintena de golos na competição. Terá que haver também contribuição de outros elementos da equipa.

- A média de golos sofridos é elevada, embora aqui me pareça que os progressos - entenda-se maior solidez defensiva - tenderá a chegar com maior entrosamento e com a chegada de William e Ewerton.

Mas sem dúvida que os campeões se fazem com pontos e que, se mantiver a média actual, o Sporting concorrerá até ao fim pelo titulo nacional.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Quem não quer Carrillo no Sporting?


Prossegue a novela "Carrillo fica, Carrillo vai". O assunto já atravessou o Atlântico e os são já vários os  jogadores peruanos que se pronunciaram de forma solidária com o jogador. O desfecho do caso extravasou por isso a mera continuidade do jogador para passar a ter importância para a imagem que o clube detém naquele país e muito em particular junto dos profissionais daquela nacionalidade. 

Hoje um matutino anuncia que Carrillo teria sido objecto de pressões na garagem do estádio. O Correio da Manhã tem a credibilidade que bem se sabe, pelo que espero que se trate de mais uma noticia que só aconteceu na redacção do referido jornal. A ser verdade o caso é grave uma vez que, a ter acontecido, só pode ter tido lugar por negligência ou conivência do Sporting. 

Por outro lado, nas redes sociais multiplicam-se os comportamentos abusivos em relação ao jogador e ao seu empresário. Isto num momento em que o Sporting não desistiu sequer de conseguir a continuidade do atleta e o jogador continua a comparecer aos treinos e até aos jogos em Alvalade, cumprindo assim com as suas obrigações profissionais. Acresce ainda o facto de quer o jogador, quer o pai, quer o empresário, sempre que se referem ao Sporting continuam a fazê-lo com o devido respeito, pelo que merecem o mesmo tratamento.

O que faria qualquer um de nós se estivesse no lugar do jogador e fosse objecto deste tipo de pressões, quando não muitas vezes de insultos? Sentir-se-ia mais próximo do clube?

Quem assim procede está a defender os interesses do Sporting ou daqueles a quem daria muito jeito e até prazer ver o Sporting sair enfraquecido deste processo? 

Quem pode garantir a origem das noticias que todos os dias surgem nos jornais? Saem do Sporting? Saem do jogador, familiares e empresário? Ou são plantadas por quem joga tudo na nossa desestabilização e enfraquecimento, não estando muitos adeptos a cair no seu jogo como patinhos?

Além das cautelas que o caso recomenda, até porque há muita contra-informação e mentiras a circular, há que ter em conta que o jogador tem tanta legitimidade para escolher o seu próximo clube como teve Jorge Jesus quando abandonou o SLB para assinar com o Sporting. 

Cabe-nos a nós, especialmente a quem tem o poder de decidir que, ao contrário do que fizeram os dirigentes do nosso rival em relação a JJ, fazer sentir que o jogador é importante para nós e que a sua continuidade inclusive o beneficiaria. Olhos nos olhos e sem manobras de vão de escada. Isto sem desesperos ou angústias, porque os jogadores passam, e muitos melhores que o Carrillo já o fizeram, e o clube fica.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vitória Nacional - O novo site - Festa a Norte

Vitória Nacional
O Sporting cumpriu sem brilho nem distinção a "obrigação" de ganhar o jogo com o Nacional. Obrigação com aspas porque em desporto isso não existe. Sem aspas porque um candidato não só tem que ganhar em casa como está proibido de coleccionar empates. Como é já um pouco tarde para grandes análises fico-me pelo que parece ser o essencial:


- Ontem foi um dia não onde tudo parecia condenado a correr mal e acabar mal. Um dia não, com muitas falhas individuais que impediram uma melhor resposta colectiva. 

- Como tivemos um adversário igual a tantos outros que vamos encontrar pelo caminho, entender as dificuldades ontem sentidas, rever e aperfeiçoar processos é obrigatório. O Sporting controlou o jogo, o Nacional quase não viu Patricio, mas não conseguimos materializar o domínio avassalador em oportunidades.

- O Sporting já fez melhor do que conseguiu ontem. Mas vinha de uma derrota em casa onde realizou provavelmente o pior jogo da época até agora. Ter ganho, mantendo a partilha da liderança pode ser importante para estabilizar os níveis de confiança da equipa.

- Não tendo sido brilhante a prestação produzida, há que salientar a perseverança dos jogadores e a chegada ao golo com "nota artística" elevada. Ter paciência, acreditar e saber esperar são virtudes importantes para quem conquistar alguma coisa.
- Uma nota sobre a arbitragem. Foi infeliz, tão infeliz como a maior parte das exibições de grande parte dos nossos jogadores. Mas não me pareceu premeditada. Mais infeliz ainda me pareceu a nomeação. Um árbitro quase caloiro, se tem valor, deve ser protegido e não lançado às feras. Não me parece que tenha já estofo para jogos deste calibre e ainda por cima acompanha quase sempre de longe as jogadas, o que não ajudará muito a tomar as melhores decisões.

O novo site
Já está disponível para visualização a versão experimental do novo site do clube. Não tendo oportunidade para fazer grandes explorações não deixo de registar que o primeiro impacto é muito positivo. Valha a verdade que o ponto de partida também era tão baixo (o site estava literalmente velho, não se compreendendo porque esteve tanto tempo em uso) que não era difícil que a nova plataforma fosse melhor. Se do ponto de vista visual a aposta está ganha ficam os votos que a gestão de conteúdos também acompanhe o upgrade. 

Festa a norte
O Sporting volta a jogar a norte no próximo fim-de-semana, mais propriamente no sábado, no Bessa. no dia anterior o Solar do Norte está a convidar todos os Sportinguistas a juntarem-se à celebração dos vinte e cinco anos daquela delegação, um importante bastião leonino. Convém lembrar que além das bodas de prata, o Solar do Norte foi distinguido este ano, na Gala Honóris, com o titulo de núcleo/delegação do ano. Além do presidente da A. G. do clube, Marta Soares e Bruno Mascarenhas, estarão também presentes os jogadores Ryan Gauld e Matheus Pereira, bem como José de Pina, conhecido humorista.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Hoje é o jogo mais importante da época

Hoje o Sporting vai jogar o jogo mais importante da época até agora. Ganhando não deixamos fugir um adversário directo e vemos aumentar a distância para outro. Importante também porque é o segundo jogo em casa com uma equipa "que não é do nosso campeonato", quando no primeiro já deixamos fugir dois preciosos pontos. 

Isto atendendo a que o principal objectivo da época é mesmo o campeonato e a vitória é o único resultado que interessa. Há quem possa atribuir prioridade ao pretérito jogo de apuramento da Liga dos Campeões, mas uma ilação ou pelo menos dúvida a retirar do jogo recente da Liga Europa é que ainda não temos "rabo para duas cadeiras".

Infelizmente, como em tantas outras ocasiões no passado, o jogo parece ter uma importância secundária e o tema que está na cabeça de toda a gente parece ser o Carrillo. A infeliz gestão mediática do caso atira-nos com episódios em cascata, sendo impossível que tanto ruído não se oiça no interior do balneário. No campeonato dos tiros nos pés continuamos a ser dos principais candidatos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Belo CERVIço

Hoje o Expresso confirmou os rumores que algum tempo já circulavam. Afinal, apesar de ter desmentido a noticia, o Sporting sempre tentou contratar o jogador argentino. Mas isso não é novidade. O que espanta na revelação do Expresso é: 

- O pormenor da revelação, com a inclusão de um documento oficial da SAD. É óbvio que quem fez chegar o documento à comunicação social tem o objectivo claro de ferir a credibilidade da SAD. Isto é ainda a consequência da passagem de JJ da Luz para Alvalade, com o SLB a intervir, via Rosário Central, ou está a acontecer algo que nos está a escapar?

- Os valores a que o Sporting se propunha contratar Cervi e atitude a roçar o desespero numa manobra de última hora, são dois factos que não indiciam nada de bom. 

- A tentativa contratação de Cervi já fez cair um administrador, Guilherme Pinheiro, por não ter conseguido fechar o negócio. O que vai acontecer ao assessor recém-contratado Sancho Freitas que não só não foi bem sucedido, como ainda fica em causa, ao ser portador do documento exposto.


Processo Carrillo: da exigência à indigência

Contrariamente ao que me parecia ser a melhor opção de gestão do problema da (não) renovação de Carrillo, o Sporting acabou por decidir afastar Carrillo da equipa titular. Todavia, as declarações de JJ no final do jogo obrigam a alguma contenção nos comentários sobre a matéria, uma vez que aquelas deixam em aberto a possibilidade de o jogador, ao contrário do que foi assumido pela generalidade das opiniões expressas, estar de regresso à equipa já no próximo jogo com o Nacional. A possibilidade de fazer o jogador descansar e amadurecer ideias deve ser considerada. Antes assim seja, embora me pareça que o treinador pretendeu apenas ganhar tempo, esperando um entendimento entre as partes.

A confirmar-se a decisão de afastar Carrillo, esta de certa forma surpreende-me. Como ontem aqui afirmei, o facto de se ter optado por manter o jogador nos nossos quadros, quando o podia ter vendido, indiciava que na SAD se acreditava na renovação. O afastamento do jogador, mais do que o próprio, pune no imediato o clube. Por uma série de razões:

- A radicalização da posição do empregador (SAD) com o empregado (Carrillo) cria o clima oposto para um entendimento.

- Suspender o jogador ontem foi confirmar aos quatro ventos a existência de problemas. Equivale a deitar sangue ao mar infestado de tubarões. Obviamente que os principais clubes e agentes já tinham sinalizado a situação, a confirmação serve de encorajamento a quem quer o jogador.

- Ao contrário do que possa parecer, o Sporting não tem um plantel onde o talento abunda e Carrillo foi, a par de Nani, o jogador mais importante da época passada. Nani já saiu e não tem substituto à altura, o mesmo acontecerá se Carrilo for suspenso. O Sporting fica a perder.

- Tendo em conta o que é dito no paragrafo anterior, o jogador deveria continuar a dar o seu contributo à equipa, pelo menos até Dezembro, altura em que o clube poderia substitui-lo. Num cenário em que o clube tenha a certeza de que o jogador já está comprometido com terceiros, mais de que uma decisão intempestiva de mero adepto de bancada, pede-se a defesa dos interesses do clube baseada na racionalidade. 
- Não faz sentido ter um jogador sob contrato, precisar dele pagar-lhe para não jogar. Tê-lo a jogar é também uma forma de o valorizar, caso ainda subsista a ténue hipótese de o transferir em Janeiro.

Quanto vale afinal Carrillo?
Para muitos, agora que se parece configurar a possibilidade de partida do jogador, Carrillo não vale nada, não justificando tanto dispêndio de tempo ou recursos. Outros preferem ir vaticinando um futuro entregue ao anonimato. Não me parece que os primeiros tenham razão e o futuro não se pode adivinhar. Carrillo tem ainda muita coisa para fazer para podermos considerá-lo um grande jogador, que, quanto a mim, pode vir a ser. Mas no presente o jogador é um dos mais importantes do plantel e a sua saída enfraquece a equipa e as nossas pretensões.

Tempo de rumores
Sem ter chegado ao extremo em que se encontra a renovação de Carrillo, este momento reporta-me ao tempo em que Adrien negociava a renovação de contrato. Iniciava-se a última época em que aquele vigoraria e não faltavam certezas, como não faltam agora, de que o jogador já se tinha comprometido com outro clube, na altura falava-se no FCP. Havia até quem se dispunha a testemunhar ter visto isto e aquilo. O mesmo sucede já com Carrillo. 

Da exigência à indigência
Falar no caso de Adrien obriga também a ver as diferenças de posicionamento de uma parte importante dos adeptos. Na altura a não renovação atempada do contrato de Adrien era entendido como uma manifestação de incompetência. Hoje, no caso de Carrillo, diaboliza-se o jogador, "um ingrato", o agente, ou ao detentor do passe, isenta-se de qualquer responsabilidade a SAD, como se nas últimas três épocas não tivesse havido tempo mais do que suficiente para prevenir a actual situação. 

Porque se deixou arrastar este processo? Pelo facto de passe do jogador pertencer a um fundo? Porque os seus representantes não se disporem a negociar? Por causa de comissões exigidas?  Em todo este processo, que a bem do clube se espera ainda que possa terminar bem, há muita coisa por explicar e que não se pode ficar pelo habitual desculpabilização com o inimigo externo. Se ao menos se aprender com os erros pelo menos já não se perde tudo.

Alguns comentários aproximam-se muito da indigência intelectual que, em última análise significam um convite ao descuido e à negligência. Esta postura é prejudicial para o clube e podem ajudar a explicar porque tantas vezes não se sente a direcção obrigada a resolver matérias mais complexas que a presente e que dependem apenas da sua acção: o relvado continua aquilo que se vê, o site é uma novela mexicana cujo final foi mais uma vez anunciado, e onde ainda há dias se punha a equipa de andebol na Turquia, quando esta se dirigia para a Suíça. Mais uma AG marcada em cima do joelho, com anúncio de mais uma alteração estatutária que a generalidade dos sócios desconhece para votar no imediato. A loja do clube embaraça quem lá acorre acompanhado.

Sejamos claros: não é fácil a quem dirige o Sporting concorrer no meio onde se insere, especialmente quando tem que contratar ou renovar com jogadores. Os meios são escassos, a situação económico-financeira do clube é do conhecimento de todos. Depois podemos estar perante um caso em que não há nada a fazer, se o jogador, de forma legitima, quiser dar curso à sua carreira noutro clube. Aí  a questão da competência não faz qualquer sentido.

Eventualmente poder-se-ia prevenir a chegada ao extremo a que agora estamos. Carrillo não beneficiou dos primeiros dois anos em que clube viveu em permanente instabilidade. E nos últimos dois foi ficando esquecido, enquanto se renovava com uns e se aumentavam outros. Enquanto Carrillo foi crescendo em importância para a equipa, o Sporting, esqueceu-se do presente, preferindo gastar o melhor dos seus recursos em jogadores "com futuro", como Gauld, Slavchev e agora com Paulista. O que está agora suceder com Carrillo é o resultado das opções anteriormente feitas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sporting entra na Liga Europa a ver passar as Lokomotivas

A estreia na Liga Europa fica marcada pela pior exibição da época. A falta de jogadores chave como William, João Mário e Carrillo não explicam tudo mas ajudaram a perceber que uma coisa é Mané e Gelson actuarem na sombra e outra é esperar que assumam por inteiro a responsabilidade de dar a volta em momentos desfavoráveis. E que, numa perspectiva mais abrangente, as análises demasiado optimistas relativamente à qualidade do plantel talvez não sejam assim tão justificadas.

Parece-me também que JJ não terá sido muito feliz ao mexer em demasia na equipa. A menos que tal se deva ao facto de, para lá do discurso de conveniência, na sua cabeça o Sporting não tenha locomotiva para puxar dois comboios: o das viagens nacionais e o das viagens internacionais. Julgo que é também uma boa oportunidade para repensar se este 4x4x2 é o mais adequado para enfrentar adversários mais cotados. O treinador do Lokomotiv sai por cima neste encontro, demonstrando que viu muito bem por onde podia entrar.

A possibilidade de classificação neste grupo sofre assim um poderoso abalo, ficando nós agora obrigados a recuperar os três pontos perdidos mas com os principais concorrentes em vantagem razoável.


Vox Pop #3: Carrillo deve jogar ou ser afastado?

A questão está acima da mesa, até pelo que se vai dizendo na comunicação social: Carrillo deve jogar enquanto não renovar ou deve ser afastado? Deixo a questão aos nossos leitores.

No meu entendimento, o afastamento imediato do jogador é extemporâneo e penaliza sobretudo o clube. Mesmo colocando a possibilidade de Carrillo não renovar o contrato, existe ainda a possibilidade do clube de limitar os danos e tentando-o vender no mercado de Janeiro. Até lá o jogador poderia continuar a dar o seu contributo à equipa retribuindo de alguma forma o esforço que o clube faz para lhe pagar todos os meses. Basta olhar para a figura que ilustra o post, que demonstra a influência que o jogador tem na equipa, para esta medida ser mais que justificada.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Carrillo: O Sporting na encruzillada

Muito se tem e continuará a falar de Carrillo nos próximos tempos. Isso acontecerá caso não renove o contrato e acabar por ser afastado da equipa, quer mesmo renove, uma vez que é de crer que venha a ser um dos jogadores mais importantes da equipa e mesmo do presente campeonato. 

Poderá Carrillo renovar o contrato? 

Pessoalmente continuo a acreditar que sim. Não apenas como desejo pessoal, mas por me parecer que essa possibilidade foi levada em linha de conta pela SAD quando, no recente fecho de mercado preferiu manter o jogador. 

Desvantagem numérica

Apesar de acreditar é claro para todos que o tempo mais favorável em que a renovação deveria ter ocorrido já passou há muito. O Sporting agora tem de lutar contra o tempo e em inferioridade numérica. É o Sporting contra todos. Contra a vantagem negocial do jogador e dos seus representantes. É o Sporting contra todos os outros clubes a quem o jogador pode interessar, e não serão assim tão poucos. É o Sporting com menos recursos que os seus rivais directos, que certamente já estarão em campo e cujo objectivo não se esgota na contratação do jogador, mas no interesse em dificultar ao máximo o sucesso da operação.

Que acções complicam a possibilidade de renovação?

- Manobras canhestras como a de Inácio no passado fim-de-semana num programa de televisão. Ao Sporting, como a qualquer bom negociador, importa o silêncio. O que Inácio foi fazer à televisão foi pressionar o jogador. Isso, como qualquer outra manobra que possa representar a radicalização de posições, é contrária aos interesses do Sporting. Depois, quem é Inácio para dar lições de moral, quando traiu o Sporting, especialmente João Rocha, num momento em que a confrontação com Pinto da Costa estava no seu auge? Porque não pode Carrillo, agora em final de contrato, imitá-lo?

- Negar-se a falar com a entidade ou individuo que o jogador elegeu para seu representante é muito "anos 80 do século passado". O futebol mudou muito desde então e os jogadores não só têm muito mais direitos como estão conscientes dele.

- O mesmo se pode dizer relativamente a quem detém a percentagem do seu passe. Aqui aplica-se o mesmo que acima se diz relativamente ao jogador. A melhor posição negocial há muito que passou debaixo de uma ponte qualquer.

- Ao contrário do que a imprensa tem difundido hoje, não acredito que o jogador se recuse a negociar com o presidente. Se assim for a renovação é obviamente impossível.

Que acções funcionarão a favor da renovação?

- A intervenção de JJ, como ontem foi noticiado, é uma excelente ideia. No clube o treinador é aquele que está mais próximo do jogador e o mais capaz de aliciar o jogador com algo que é muito caro a todos os futebolistas: a promessa de sucesso e do reconhecimento. Para que tal ocorra  é imprescindível o aprimoramento e a consolidação das suas qualidades.

- Revelar abertura nas negociações, sem posições dogmáticas (comissões, cláusulas de rescisão, etc, o tempo e o momento não favorecem as nossas pretensões. O Sporting tem agora a escolher entre a possibilidade de aproveitar alguma coisa e ficar sem nada.

A encruzilhada que o actual caso "renovação Carrillo" representa:

- Um clube que contrata o treinador mais caro da Liga nacional, que ainda recentemente disputou a aquisição de um jogador a quem falta ainda provar valor (Cervi) por valores próximos de cinco milhões, que contratou um jogador em condições semelhantes (Paulista) e que se ufana dos dezanove milhões de lucros no último exercício, não fica em grande vantagem para negar um bom contrato a um dos seus mais influentes jogadores. 

- O mesmo se aplica em futuras negociações com jogadores que já façam parte do plantel ou em futuras aquisições. A moeda de recuperação financeira tem este reverso incómodo: torna a missão de quem negoceia ainda mais difícil. 

- A importância de conseguir a manutenção de um jogador como Carrillo não se esgota nas questões de ordem técnica. Neste momento é já uma questão de tal importância que o seu desfecho ganhou contornos que remetem para o orgulho e amor-próprio dos adeptos.

- A continuidade de Carrillo significará também uma importante mensagem para o exterior. Assentindo a continuar, Carrillo está a dizer que acredita no sucesso da equipa e no clube como plataforma de valorização profissional. A SAD registaria assim uma importante vitória quer a nível interno como externo.

- Há uma outra frente menos óbvia, mas não menos importante: a relação da SAD com JJ. A ambição do treinador é conhecida de todos e não falta quem duvide da capacidade da SAD para a alimentar. Casos como os de Danilo, Douglas e agora Cervi (e quiçá outros que desconheçamos) não devem ter agradado ao treinador. Já todos percebemos que JJ está no Sporting de passagem. Se ele entender que está a perder tempo, essa passagem será inferior ao tempo que consta no contrato que rubricou com o Sporting.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Rio Ave - Sporting: paixão pelo sofrimento

No final do jogo de ontem este era um dos pensamentos que me ecoava na cabeça: quantos jogos em que jogamos muito melhor que este e acabamos por perder pontos? Tantos, não é? Pois o melhor a extrair do jogo de ontem foram mesmo os três pontos, sendo o pior a constatação da fraqueza da nossa exibição em muitos momentos do jogo, a que se adiciona mais um golo para a enciclopédia dos lances caricatos.

Voltando à exibição, parece confirmar-se que há um padrão nos jogos que vimos até agora, no período JJ: Uma equipa a praticar bom futebol, capaz de pressionar e por vezes quase anular o adversário. Depois, sai de mansinho e entra outra que parece não ser filha do mesmo pai. Ou, se quisermos usar as palavras de JJ, uma equipa sem cérebro e que se move por impulsos e não por convicção.

Pode-se dizer que no mesmo jogo se vê um Sporting candidato ao título e outro a fazer lembrar o que em muitos anos não foi mais do que isso, um mero candidato. Onde estão as razões para que exista uma diferença tão pronunciada? Tal pode ter explicação nas escolhas individuais, combinadas com o modelo de jogo escolhido por JJ. Como é bom lembrar, este contém riscos que o treinador assume como naturais numa equipa que tem que lutar para vencer a quase totalidade dos jogos.

Ao nível das escolhas individuais, parece cada vez mais claro que peças a quem JJ vem demonstrando confiança total e papel importante, não a têm justificado inteiramente:

- É o caso de Ruiz, visivelmente tolhido pela fadiga, que pode ser explicada pela sobressolicitação a que tem estado sujeito. 

- O caso de Teo, que sendo dotado tecnicamente e muito forte no 1x1, não parece ter poder de explosão, com a agravante de desaparecer muito rapidamente do jogo. 

- Aquilani vai confirmando a impressão que já tinha dele, muito boa visão de jogo, excelentes pés, mas pouca agressividade e disponibilidade física para ocupar aquela posição.

- Adrien, estando geralmente bem, apesar de algumas perdas de bola comprometeras aqui e ali, não é William.

Ao nível do modelo:

- Sobre-exposição dos laterais, com grandes auto-estradas à sua frente. Com jogadores pelo menos razoáveis no 1x1 e com tanto espaço ficam com tarefa muito complicada. E Jefferson e João Pereira não são exímios a defender. Pior, não são jogadores talhados para preocupações defensivas permanentes. 

- Como os alas fletem frequentemente para o meio, tem sido  fácil aos adversários impedir que os laterais se integrem no ataque, diminuído o número de jogadores a intervir no momento de criação do jogo ofensivo.

- Os riscos de desequilíbrios do 4x2x4 são notórios, sobretudo quando, dos quatro da frente, apenas Slimani parece ter total disponibilidade e entrega. Ontem foi notório que Carrillo não tinha o fôlego revelado em jogos anteriores, ressentindo-se a sua exibição individual e a colectiva desse facto.

- Falta a esta equipa crescer ainda dentro de um modelo de contenção. Raras são as equipas que conseguem estar permanente ao ataque, especialmente quando o nível dos adversários é de considerar. O Sporting precisa ainda de saber respirar, gerindo a posse de bola de forma confortável.

Voltando ao caso concreto do jogo de ontem, o Sporting foi primeiro feliz. Feliz no sentido também da eficácia, porque aproveitou praticamente todas as oportunidades que dispôs para marcar. Voltou a desaparecer até sofrer o golo. E acabou por ser perdulário quando dispôs de várias oportunidades para marcar e assim matar o jogo. Fica o sofrimento aparentemente desnecessário temperado com a alegria de continuar na frente da classificação.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O agente da Macron

Não caiu bem em Vila do Conde a nomeação do árbitro Hugo Miguel para o jogo Rio Ave - Sporting do próximo domingo. O pretexto é que o referido árbitro é agente da marca de equipamentos Macron que, como sabemos, equipa o Sporting.

A indignação justifica-se pelo potencial conflito de interesses, mas sobretudo por não proteger nenhum dos intervenientes no jogo, como deveria ser acautelado por quem nomeia os árbitros. Se o árbitro errar e dos seus erros resultar o prejuízo de um dos clubes fica exposto a todo o tipo de suspeições. Ou porque protegeu pretensos interesses pessoais e comerciais, caso o beneficiário seja o Sporting, ou errou a favor do Rio Ave para, por via da contestação à priori, não ser acusado de favorecimento. A suspeita estará sempre presente de qualquer lado das bancadas e é impossível que não atinja o árbitro, especialmente se o jogo começar por lhe correr mal.

Não ver isto é uma falha grave que funciona como uma declaração tácita de incompetência e impreparação para a função. Isto quando já de si muito é duvidoso que a actividade comercial do árbitro seja compatível com a qualidade de profissional da arbitragem que já possui. Casos como este compreender-se-iam melhor caso a presença do árbitro no jogo tivesse resultado de sorteio, mas continuaria ainda assim, pelos motivos expressos acima, por defender o interesse dos intervenientes e acima de tudo do futebol.

 
Sobre esta questão há outra que ressalta à vista quando se fala da Macron, a fornecedora de equipamentos. Há já algum tempo que se pode observar que a página oficial da marca não coloca o nome do clube na sua lista de destaque na abertura como se pode ver na imagem acima. Para ver o emblema do Sporting é necessário ir ao fundo da página procurar no "E-shop catalogue". É-me muito difícil de compreender que uma marca que se quer promover ignore o nome de um clube com o nosso historial, independentemente de dar ou não o destaque a outros que lá figuram. 

Um pormenor a ter em conta quando voltar a estar em cima da mesa a renegociação dos contratos. Até porque este é um daqueles casos em que o valor liquido da proposta pode ser apenas uma parte do total dos valores envolvidos em que uns são mais tangíveis que outros. O poder da projecção do nome do clube que a associação com uma grande marca proporciona é um deles. Não apenas pelo prestigio, mas também pela visibilidade. Isto sem falar do imenso leque de realizações a que se pode aceder, como por exemplo os torneios de inicio de época, em que cachet's e adversários competitivos e renomados estão presentes.

Nos valores intangíveis devem-se incluir também o poder das marcas junto dos organismos oficiais, das quais são muitas vezes patrocinadoras. Este tema é ainda mais candente quando sabemos o quanto nos custou termos-nos cruzado o ano passado com uma equipa cujo patrocinador era também patrocinador da UEFA.

Já agora, sabe quem é a marca que veste o CSKA? Pois, é Adidas que também é a patrocinadora da Champions League. Não estou aqui a postular que foi por isso que fomos postos borda fora. Estou só apenas concordar com o espanhol: "no creo em bruxas pero que las hay, hay" e, se preferível, é melhor que estejam do nosso lado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Mau Cervi(ço) arranca Pinheiro pela raiz

Ao que parece o negócio Cervi já era. Essa é um noticia que já alguns dias corre na comunicação social, tendo sido originalmente difundida pelo jornal "O Jogo" e que hoje pode ser dada como consumada pelo teor da noticia do jornal "Record". 

Já volto à noticia do jornal Record de hoje. Para já fico-me pelo que não gostei no processo falhado de contratação. 

Como é evidente esta não será a última vez que o Sporting perde uma disputa negocial por um jogador, essa é parte que menos me preocupa. A este nível e a este preço o Sporting encontrará vários jogadores no mercado. O que me preocupa é a reincidência na mediatização dos passos da contratação, à semelhança de quase todas as que foram efectuadas esta época. A cada dia os jornais acordaram-nos com novos pormenores das negociações de Danilo, Ruiz, de Mitroglu o que se veio a repetir agora com Servi. 

Com uma marcação homem a homem por parte do SLB, ainda não refeito dos efeitos dos seus próprios erros, a falta de respeito por um principio fundamental em qualquer negócio (o segredo, já sem falar na celeridade) condena à partida as nossas pretensões. Ainda mais quando é bem perceptível que o rival, sentindo-se inseguro relativamente às suas próprias capacidades para vencer a principal "guerra" que é o campeonato, parece dispor-se a vencer toda e qualquer acção de guerrilha, mesmo que para isso tenha que inverter os seus pré-anunciados propósitos de reduzir os gastos.

Daí que não me surpreenda, nem a ninguém, que Guilherme Pinheiro acabe por cair por reincidir nas falhas. O que é surpreendente é o teor da noticia do Record, cujo conteúdo só pode ter vindo de fonte muito bem colocada na SAD, tais são os pormenores avançados e que abaixo podem ser escrutinados. A ser verdade o que aí é descrito o administrador fica muito mal na fotografia. Como esta é dada à estampa no jornal, a noticia adquire o tom de um linchamento.

No Record:

"O atraso - fatal - do Sporting na corrida a Franco Cervi tem dois rostos: Guilherme Pinheiro, administrador da SAD leonina, e um advogado argentino, escolhido pelo dirigente para o assessorar neste processo de contratação.

Segundo Record apurou, terá sido a complacência de um e ganância do outro que terão feito com que o Benfica conseguisse fechar o negócio num ápice, mesmo tendo chegado mais tarde junto dos dirigentes do Rosario Central.

Guilherme Pinheiro, responsável pela área financeira da SAD, desconhecia, por completo, que o valor oferecido pela compra do passe do jogador teria de contemplar - obrigatoriamente - todas as despesas inerentes ao negócio, incluindo a percentagem a que o jogador tem direito por lei (15 por cento, segundo a legislação argentina em vigor) e os encargos fiscais previstos (cerca de 20 por cento do valor total da transferência). Significa isto que, na prática, quando Guilherme Pinheiro ofereceu ao Rosário Central 3,8 milhões de euros, estava, no fundo, a propor cerca de 3 milhões, já que ao total da oferta teriam de ser subtraídos 800 mil euros para cobrir os direitos do jogador e do próprio estado argentino.

Guilherme Pinheiro teria a obrigação de conhecer esta realidade, mas fonte próxima do processo garante que o administrador da SAD leonina estava impreparado. Dentro do assunto estaria o advogado argentino, que terá sido recrutado pelo administrador leonino. Apercebendo-se do interesse do Benfica, o causídico terá contactado os encarnados, para depois, em seu nome, apresentar uma proposta superior à anteriormente endereçada pelo Sporting ao Rosario Central. A oferta do Benfica, essa, já contemplava todas (ou quase todas) as exigências daquele emblema.

Record sabe que a sucessão de erros cometidos por Guilherme Pinheiro deixa este administrador muito fragilizado no seio da SAD leonina.

Cultura de exigência

Bruno de Carvalho não escondeu a frustração por perder o jogador para o eterno rival Benfica, estando, neste momento, a ponderar o afastamento de Guilherme Pinheiro. O comportamento do administrador em causa não se coaduna com os graus de comprometimento e exigência estabelecidos por Bruno de Carvalho em todas as áreas do clube. Daí que Guilherme Pinheiro dificilmente volte a liderar qualquer processo negocial importante para os leões."

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Considerações breves sobre o relatório e contas 2014/15

O Sporting comunicou ontem os seus resultados à CMVM. Como o relatório faz questão de salientar, trata-se dos melhores resultados operacionais da história da sociedade, ao contabilizar-se um resultado liquido positivo (lucro) de 19.333 euros. Estes resultam sobretudo de:

- receitas resultantes de alienação de passes de jogadores (17.1 milhões)

- aumento significativo das receitas com bilhética, publicidade, patrocínios e direitos televisivos potenciados pela participação na Liga dos Campeões.

Merece também realce positivo a diminuição do passivo para 228.449 euros, embora com a ressalva . O mesmo para, depois de levadas a cabo várias medidas previstas na reestruturação financeira, a saída do vermelho dos capitais próprios, agora 7.043 milhões, quando o ano passado eram de -118.030 milhões. O facto de se tratar do segundo exercício positivo consecutivo, parece estarmos presente perante uma viragem de rumo. Embora continuemos a caminha sobre gelo muito fino, são indiscutivelmente boas noticias.

Gostaria de poder fazer uma análise mais aprofundada sobre este documento, uma vez que a sua importância assim o justifica. Sobretudo poder fazê-lo de forma comparativa para se perceber melhor o seu enquadramento, quer relativamente ao passado recente do clube, quer relativamente aos números dos nossos rivais. Mas, infelizmente, terei que me ficar por estas considerações superficiais e avulsas:

- Ao contrário do que possa ser entendido de forma primária, o aumento dos gastos não é uma má noticia em si. Era desejável que estes pudessem até ter aumentado ainda mais, o que significaria que o Sporting poderia aceder a melhores meios (jogadores, mas não só). Para tal precisaria obviamente de ter melhores receitas, para manter a solvabilidade da sociedade que gere o futebol. É meu entender que este é um ponto onde precisamos de nos aproximar dos nossos rivais.

- Parece-me ser de louvar o esforço efectuado na manutenção dos principais elementos do plantel. O que os relatórios e contas das SAD's de futebol demonstram de forma inequívoca é que o sucesso desportivo é imprescindível para os bons resultados operacionais e razão principal para o respectivo financiamento.

- Um dos valores determinantes para o resultado agora obtido foi a venda de Rojo ao Manchester United (20 milhões). A SAD preferiu não constituir uma provisão deste valor, tendo em conta a contingência de ter que devolver grande parte daquela verba à Doyen, ficando aquela verba como passivo contingente. Se tal me parece aceitável, já não me parece que se invoque um parecer de uma "entidade externa internacional" cujo nome não é revelado. Como bem sabemos, desde que paguemos o que nos é pedido, os pareceres deste tipo são de acordo com a vontade do cliente e o anonimato ajuda pouco à credibilidade.

- As receitas são seguramente o grande desafio que se coloca à SAD, mais ainda agora pelo facto de termos sido atirados borda fora da Liga dos Campeões. A atracção de publicidade, não apenas a das camisolas, a gestão corporate, o marketing continuam a precisar de ser trabalhadas de forma mais competente.

- Parece-me extemporâneo e ainda por cima que seja a própria SAD a pedir o aumento (duplicação?) da remuneração de três dos seus elementos, presidente incluído. Não discuto valores, discuto a oportunidade, tendo em conta a contingência das contas e o facto de o mandato dever ser avaliado na sua totalidade. Já não me repugnaria se SAD regulasse uma tabela de prémios indexada aos resultados económicos e desportivos que premiasse o mérito.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Vox Pop (#2): Diga em 3 pontos o mais ou menos da entrevista de JJ

Convido os leitores a deixarem aqui a opinião sobre importante entrevista de JJ ao jornal Record. Certamente que alguns acharão muito redutor fazer caber em apenas três pontos os pontos positivos e negativos (ou menos agradáveis, se quiserem) um documento tão extenso. Mas precisamente pelo volume da informação contida é que me parece ser importante ter dado algum tempo para a digerir.

Eu aproveito a publicação para fazer o mesmo, juntando apontamentos pessoais com frases que servem sustento ao exemplo dado.

O MAIS

Identificação
Um dos aspectos mais importantes da peça, e que certamente tranquilizará os Sportinguistas, é a ideia de que existe uma comunhão de ideias e interesses entre o presidente e o treinador. Porque esta é essencial para o sucesso e porque estaremos todos escaldados pelo que sucedeu o ano passado. 

Não faço nada no Sporting, dentro da minha área, que não seja em sintonia com o presidente

Ele (BdC) estar no banco não me incomoda nada. Zero! Ele já percebeu a minha forma de trabalhar e eu também já o conheço. Sabemos quais as responsabilidades de cada um. Quando é matéria de presidente, ele é o chefe. Quando é matéria de treinador, sou eu quem decide e mais ninguém.

Isso (Carrillo) é uma situação mais complicada e o presidente também o vai perceber. Temos de ter, os dois, os mesmos interesses. Não é uma decisão fácil nem para ele nem para mim, mas temos de defender os interesses do Sporting.

Realismo
Nada como conhecer a realidade para a poder mudar. O Sporting é grande pelo seu passado e pelo número e qualidade dos seus adeptos, mas os últimos anos não têm sido muito felizes. No que diz respeito ao futebol, JJ demonstra conhecer a realidade interna e o meio envolvente. 

Chamou-me particular atenção a parte em que se refere à estrutura, que há muito tempo, e em especial nos últimos anos, praticamente se dissolveu. Há muito tempo que o Sporting é dos três grandes aquele que trabalha de forma mais desconexa os vários aspectos da retaguarda de uma equipa de futebol, desde o planeamento, até à execução. E isso estende-se a outros sectores fundamentais para a sustentabilidade do clube, como é o marketing, publicidade, e área corporate, p.ex. 

Por exemplo, a prospecção de jogadores: quantas vezes terão sido observados o imenso lote de jogadores que o ano passado desaguaram em Alvalade? Ou apareceram em cima das secretárias de Alvalade em DVD? Quem deu o aval para a sua contratação? Por muito que nos custe, exemplos como Pongolle continuarão a existir, e eles proliferam em todos os clubes. Se JJ tiver sucesso na implementação das suas ideias seguramente que continuaremos a não acertar em todas as contratações, porque falamos de uma das actividades mais contingentes no futebol, mas a percentagem de insucesso tenderá a descer. É muito por aqui que a contratação de JJ pode vir a ser um momento de inversão na história do nosso futebol.

no Sporting será mais difícil, porque ao longo dos últimos anos este clube perdeu muito tempo para Benfica e FC Porto

O que é que o Sporting tem ganho ao longo destes últimos anos? E não é só o ganhar, é chegar lá, aos momentos de decisão

Outra é não contares para nada

O Sporting hoje é um grande clube pela força do seu passado, dos Cinco Violinos que ganharam 4 campeonatos seguidos até 1954, ano em que nasci

No Benfica, houve um ano em que fui campeão [2009/10] e fiquei 28 pontos à frente do Sporting. 28? Isso não existe... Não quero esse Sporting, quero o do passado, que orgulhe os adeptos, que os faça saber que pode não ser campeão, mas que vai disputar o título até ao fim. Isso vai.

o FC Porto tem uma estrutura de 30 anos; o Benfica tem uma estrutura de 6 anos; o Sporting tem uma estrutura que só agora está a começar a ser preparada para estes desafios....

o que é a estrutura? É a forma como estruturas as pessoas em função das ideias do treinador. Achava que isso não existia no Sporting e, depois de lá entrar, tive a certeza. 

O Sporting tem sido forte na formação, mas não na prospeção. Não vimos, ao longo destes últimos anos, o Sporting valorizar jogadores de prospeção e esse é o desafio, porque também foi isso que fez com que o Sporting nos últimos anos não ganhasse nada.

A estrutura é curta, é pequena. Esse departamento não pode estar resumido a dois scouters em Portugal. Tem de conhecer o mercado da Argentina, do Brasil, Uruguai, Chile, Colômbia, enfim, países onde ainda consegues ir buscar jogadores de nível, dentro do preço que podes pagar.

Responsabilidade e ambição
Um dos maiores defeitos apontados a JJ é de um ego mastodôntico. Goste-se ou não, é acompanhado por uma dose idêntica de ambição e de responsabilização pessoal. Os objectivos são assumidos de forma clara bem como as responsabilidades, sem desculpas. Sem dúvida que o Sporting tem pouco ou nenhum poder institucional, que muitas vezes contribui para um tratamento por parte dos diversos intervenientes que o prejudicam. 

Mas não é menos certo que o excesso de queixas e queixinhas tende a desculpabilizar os erros próprios, o que não ajudará muito a percepcionar a necessidade de ser todos os dias um melhor que ontem. Se entre adeptos não é muito salutar, isto pode ser particularmente perigoso se interiorizado dessa forma pelos seus profissionais. A forma como JJ analisa o fracasso no apuramento para a Champions League é exemplar.


estou aqui para assumir o risco. Um treinador do Sporting não pode fugir à responsabilidade face à história do clube

O falhanço no apuramento para a fase de grupos não pode ser apenas desculpado com os árbitros. A culpa também foi nossa...

Um jogador quando não rende, a culpa nunca pode ser dele. O treinador é que o mete a jogar.

Havia alguma expectativa, principalmente em relação ao Labyad e ao Capel, mas depois de começar a trabalhar achei por bem tomar outras decisões.

O Ciani foi uma decisão minha.
O MENOS


É óbvio, pelo discurso de JJ, que ele sente o Sporting como um ponto de passagem. Isso percebe-se pelo silêncio sobre o FCP. E que pode ser reforçado pelo facto de ter rejeitado liminarmente a possibilidade de o seu contrato contemplar uma cláusula de rescisão. E como será quando as circunstâncias que o fizeram chegar ao Sporting - falta de um clube internacional que lhe garanta o sucesso/FCP com a cadeira de treinador ocupada/saúde do pai - terminarem? E se for já no próximo ano?

Também não gostei do excesso de referências ao SLB. Por um lado compreendo que foram os últimos seis anos da sua vida e que o antigo clube, não digerindo ainda a forma inepta como o colocou no nosso colo, o transformou como alvo a abater. Por outro é demasiado tempo e energia que espero não lhe tire o discernimento que precisa no muito que o Sporting precisa que ele faça. Se fosse a primeira vez ainda vá lá, mas tem sido recorrente.

domingo, 6 de setembro de 2015

Grande entrevista de Jorge Jesus ao Record


«Posso fazer no Sporting o que fiz no Benfica»
R: O Sporting tem condições, como o Benfica há 6 anos, para o fazer sonhar com troféus?
JJ – Creio que posso fazer as coisas bem no Sporting, como fiz no Benfica. Mas no Sporting será mais difícil, porque ao longo dos últimos anos este clube perdeu muito tempo para Benfica e FC Porto. Esse tempo tem de ser recuperado. Acredito que é possível encurtar o período de recuperação porque o Bruno de Carvalho tem uma paixão enorme. É um homem que acredita ser capaz de fazer e isso dá-me força para partilhar com ele esta ideia.
R: Consegue quantificar o atraso do Sporting em relação aos rivais?
JJ – O que é que o Sporting tem ganho ao longo destes últimos anos? E não é só o ganhar, é chegar lá, aos momentos de decisão. Podes não ganhar, como no Benfica não ganhei tudo. Mas perdi campeonatos a 10 segundos do fim, a uma jornada do fim. Isso é uma coisa. Outra é não contares para nada. A ideia que trago é a de recuperar o Sporting para os momentos de decisão.
R: Quando disse que a partir deste ano os candidatos eram 3 e não 2, isso foi propositado para romper com aquele que tinha sido o discurso de Jardim e Marco Silva?
JJ – Claro, foi para dizer: estou aqui para assumir o risco. Um treinador do Sporting não pode fugir à responsabilidade face à história do clube. O Sporting, ao longo dos anos, habituou os adeptos a ter uma palavra a dizer. O Sporting hoje é um grande clube pela força do seu passado, dos Cinco Violinos que ganharam 4 campeonatos seguidos até 1954, ano em que nasci. Não posso ser treinador do Sporting e dizer que se ficarmos em 3.º, em 4.º ou em 2.º está bom. Não está. Temos de pensar no 1.º lugar. Dizer que o Sporting vai ganhar? Isso não sei. Mas que vai disputá-lo até ao fim, isso vai. No Benfica, houve um ano em que fui campeão [2009/10] e fiquei 28 pontos à frente do Sporting. 28? Isso não existe... Não quero esse Sporting, quero o do passado, que orgulhe os adeptos, que os faça saber que pode não ser campeão, mas que vai disputar o título até ao fim. Isso vai.

«Acredito que em maio posso festejar o título»
R: Do que já viu neste arranque de campeonato, o Sporting está muito atrás de FC Porto e Benfica na luta pelo título?
JJ – Em termos de valor de jogadores, claro que a diferença não é muita. Agora, o FC Porto tem uma estrutura de 30 anos; o Benfica tem uma estrutura de 6 anos; o Sporting tem uma estrutura que só agora está a começar a ser preparada para estes desafios.... Portanto, estamos a organizar as coisas: primeiro, temos de ter uma equipa competitiva, que possa estar sempre a disputar os primeiros lugares; depois, juntamente com o presidente, temos de ter tempo para montarmos toda uma estratégia fora das quatro linhas para que possa existir uma estrutura organizativa da componente que é a equipa. As pessoas pensam que só é importante montar uma equipa para jogar dentro de campo... Mentira! Tens de arranjar outra equipa fora das quatro linhas.
R: Mas dentro desse cenário, imagina de forma convicta que em maio possa estar a festejar o título de campeão?
JJ – Acredito. Se não o fizesse, não tinha vindo para o Sporting. Acredito que o campeonato pode ter três candidatos. Aquilo que eu sei é que vamos andar sempre na disputa dos 3 primeiros lugares. O Sporting não pode chegar a janeiro (como no passado) e estar a 7/10 pontos dos primeiros lugares. O ano passado, quando joguei contra o Sporting, já estavam a 7 pontos. 7! Eu pensei: ‘Basta empatar e estes já foram.
R: Acha que o campeonato irá decidir-se nos jogos mais pequenos, ou no confronto entre os candidatos?
JJ – É igual. Nos jogos pequenos ou no confronto direto. Isto conta sempre 3 pontos.
R: Sim mas há jogos de ‘6’ pontos...
JJ – Certo. Esses jogos definem e isso aconteceu no ano passado.
R: Quando é que o Sporting entrará na velocidade de cruzeiro? Quando estará a um nível que considera aceitável para lutar pelo título?
JJ – Não é fácil dizer isso. Normalmente, as minhas equipas na 2.ª volta são mais fortes.
R: A ideia, então, é ‘sobreviver’ até ao Natal e atacar o título após esse período?
JJ – Exato, mas não só. Vou passar a ter o Ewerton e o William Carvalho nessa altura… Se agora já contam com o Sporting, se chegarmos ao Natal em cima dos nossos adversários então vão contar connosco até ao fim!

«Queremos final da Liga Europa»
R: O Sporting assume-se como um dos candidatos à Liga Europa?
JJ – Queremos chegar à final. Não tenho dúvida nenhuma disso. Na última final em que esteve uma equipa portuguesa, a audiência televisiva foi de 200 milhões de pessoas. Tu ires aos oitavos-de-final da Champions ou até aos ‘quartos’… esses jogos só são vistos em Portugal e no país do adversário. Financeiramente estar na Champions é importante, mas desportivamente é diferente.
R: Este ano a Liga Europa não está tão acessível…
JJ – Quando chegar aos quartos-de-final, já está ao nível da Champions. Vai ser mais difícil chegar à final do que quando o fiz no Benfica.

«CSKA? A culpa também foi nossa...»
R: Como é que explica que, com o CSKA, depois de uma 1.ª parte tão boa, a equipa tenha feito uma segunda metade tão fraca?
JJ – O falhanço no apuramento para a fase de grupos não pode ser apenas desculpado com os árbitros. A culpa também foi nossa... Defrontámos uma equipa que estava mais preparada do que o Sporting. Enquanto nós tínhamos 4 jogos, eles já tinham 9. O CSKA possuía uma intensidade de jogo muito alta e, na 2.ª parte, tivemos alguma dificuldade para os acompanhar. Estamos a trabalhar há 8 semanas. Não temos a mesma capacidade de conhecimento do que se estivesse há 8 meses. Não foi só o árbitro... Cometemos alguns erros posicionais, mas tenho a certeza que, com mais algum tempo de trabalho isso não aconteceria.
R: Quando começou a pensar no prolongamento, teve noção que ainda faltavam 20 minutos para terminar o jogo?
JJ – Nada disso. Eu começo a pensar no prolongamento aos 80’. Nessa altura estava 2-1!
R: Mas então porque é que não mexeu na equipa mais cedo?
JJ – Porque não havia necessidade! O Sporting sofre o 3-1 aos 85 minutos... Antes disso, estava a pensar: ‘Se meter um jogador já, de certeza que não vou ter tempo para lhe explicar a estratégia.’ Eu tinha duas substituições para fazer! Aguentei-as até ao fim do jogo, para montar uma estratégia para o prolongamento. Fui surpreendido.
R: Tinha o Aquilani em falência nessa altura...
JJ – Sim, o Aquilani, o Ruiz, o Adrien e até o João Mário. Sabia que só podia encaixar a minha ideia com tempo. Não podia explicar as coisas em 10 segundos.
R: Em Moscovo alterou o sistema pela primeira vez (de início), utilizando 3 médios no onze e não deixando nenhum no banco.
JJ – (Interrompendo) Também não tinha nenhum médio!
R: Tinha o André Martins...
JJ – Sim, mas o André [Martins] é mais um segundo avançado.
R: Mas se tivesse um suplente para refrescar o meio-campo, o desfecho tinha sido diferente?
JJ – Não tenho a certeza. Mas se tivesse um médio no banco, não esperaria tanto tempo para mexer. Aí a uns 20’ do fim tinha-o feito. Tive de jogar no limite. Não me interessava mudar o sistema. Quando sofremos o 2-1 só vi uma hipótese: deixar chegar o jogo até ao final dos 90’ e mudar a equipa. A minha ideia era transfigurar a equipa, recorrendo a uma estrutura com uma ideia ganhadora.
R: Montero e Slimani na frente e Mané a rasgar na esquerda...
JJ – Exatamente. Por isso é que não quis mexer logo na equipa. No prolongamento queria surpreender. Ou ganho ou perco. Não estava à espera das grandes penalidades. Mas no futebol... por muitos anos que andemos por cá, somos sempre surpreendidos.

«William pode ser um dos capitães»
R: Tirou a braçadeira de capitão ao Rui Patrício e entregou-a a Adrien. Como é que foi a reação do grupo?
JJ – Eu não tirei... Quando o Adrien não jogou, o Rui [Patrício] foi o capitão. Quando cheguei ao Sporting, o grupo de capitães estava estipulado. O Adrien, o Patrício, o Boeck e não me lembro quem era o outro. Não me regulo por essa situação. Eu é que defino quem são os capitães. Quando cheguei ao clube, achei que tinha de alterar.
R: Mas qual é, então, o grupo de capitães do Sporting?
JJ – Estão estes e, olhando para os que entraram e para os que já lá estavam, há outro elemento que também pode ser capitão e que, quando estiver a 100 por cento, irá assumir esse papel.
R: William Carvalho?
JJ – Pode ser uma hipótese. Tem a ver com aquilo que eu penso que deve ser um capitão de equipa. Não é só usar a braçadeira... Como não sou apologista do capitão ser um guarda-redes, porque não está muito envolvido nas decisões do jogo... É o Adrien e tenho de arranjar mais um elemento para ser mais um capitão ‘de campo’. Os guarda-redes vão continuar.
R: Então não quer revelar?
JJ – Não vou revelar porque o Ewerton também pode ser uma hipótese para assumir esse papel. Portanto, há um tempo para eu conhecer estes dois jogadores. Por agora, ainda não tenho na minha cabeça quem será.

«Presidente tem pedalada para mim»
R: Bruno de Carvalho tem uma relação de grande proximidade consigo. Como é lidar com ele?
JJ - Não faço nada no Sporting, dentro da minha área, que não seja em sintonia com o presidente. Falamos todos os dias. Ainda agora, antes de vir para esta entrevista, falei com ele. Tem uma grande paixão pelo clube e pelo futebol, tem pedalada para mim. Eu não tenho treino e ligo-lhe a pedir uma reunião para as 15 horas na SAD, por exemplo, mas pergunto-lhe se tem alguma coisa agendada. Ele responde logo: ‘O mais importante sou eu e você a tratar dos assuntos do Sporting. Se tiver reuniões agendo-as para mais tarde.’ Acompanha-me sempre, é um homem muito dinâmico. Ainda ontem (na 2.ª feira, último dia de mercado) estivemos os dois reunidos em Alvalade até à meia-noite.
R: Para segurar o Carrillo?
JJ – Ali [bate na mesa], hora a hora, para saber o que tínhamos de decidir. Se perdíamos o Carrillo ou não, e outros jogadores. Estamos sempre em sintonia, mais a equipa muito forte que ele tem. Creio que o grande segredo do crescimento que o Sporting tem conseguido nestes dois anos passa pela equipa que colocou a trabalhar com ele.
R: Pensava-se que o Sporting teria de vender alguém para ‘recuperar’ o dinheiro da Champions. Era fácil para Bruno de Carvalho tomar essa decisão de caráter financeiro, mas não o fez…
JJ – Era fácil e eu teria de perceber. No Benfica perdi jogadores no início e a meio do campeonato porque era preciso vender. Sempre percebi isso. No Sporting, ainda mais o irei entender, só que o presidente achou por bem não vender ainda.
R: Aceita bem a presença de BdC no banco de suplentes?
JJ – Ele estar no banco não me incomoda nada. Zero! Ele já percebeu a minha forma de trabalhar e eu também já o conheço. Sabemos quais as responsabilidades de cada um. Quando é matéria de presidente, ele é o chefe. Quando é matéria de treinador, sou eu quem decide e mais ninguém. Ele é muito parecido comigo… Palavra de honra, é muito parecido comigo. Vou dizer uma coisa, embora ao fim de dois meses não o possa fazer de forma tão taxativa: dos presidentes com quem trabalhei, ele… (pausa). Pelo menos nestes dois meses já vi que tem uma paixão louca pelo clube. Ele morre pelo Sporting, disso não tenho dúvidas.
R: Houve ou não atritos entre os dois, no final do jogo de Moscovo?
JJ – Nada, isso é contrainformação. Isso é a máquina do Benfica a trabalhar. Ao longo do ano eles vão mandar notícias para vários jornais a tentar arranjar confusão com o Sporting. Eu já lá estive, isso passava-se comigo lá.
R: E o Sporting está preparado para lidar com isso?
JJ – Nesta altura ainda não, mas tem de preparar-se.

«Gelson tem qualidade acima da média»
R: Ficou mais surpreendido ou mais desiludido com aquilo que encontrou no Sporting?
JJ – Quando cheguei notei uma diferença muito grande, mas é normal porque vinha de uma equipa com a qual trabalhava há 6 anos. Como costumava dizer, já jogávamos de olhos fechados porque sabíamos treinar de olhos fechados.
R: Diferenças a que nível? Estruturas? Infraestruturas? Equipa?
JJ – Infraestruturas não, porque as do Sporting são espetaculares. Agora, o que é a estrutura? É a forma como estruturas as pessoas em função das ideias do treinador. Achava que isso não existia no Sporting e, depois de lá entrar, tive a certeza. O Sporting tem lá pessoas que foram requisitadas para desempenhar uma ideia de estrutura porque possuíam grande qualidade. A matéria-prima estava lá, o conceito é que não. Ao longo destes anos o Sporting andou a perder tempo nessa matéria. Teve muitos treinadores mas… a diferença está aqui: eu não sou um treinador que teve uma oportunidade para treinar o Sporting e que antes nunca teve nada melhor. Ir para o Sporting não foi a minha grande oportunidade. Fui para o Sporting depois de conquistar noutro clube 10 títulos em 6 anos. E portanto, impus as minhas regras.
R: Chegar ao Sporting era o quê?
JJ – Era o clube que me queria muito e considerei que aquelas pessoas estavam a jogar tudo para me terem. Com grande paixão, com enorme desejo. Para mim foi bastante importante sentir que era desejado, que era o treinador que aquelas pessoas queriam, mesmo sabendo que no futuro podiam ter algumas dificuldades financeiras.
R: Na construção dessa estrutura, qual era, por exemplo, o papel reservado a Octávio Machado?
JJ – O Octávio é um elemento que já tinha tentado levar para o Benfica. Para além de ter sido jogador e treinador, é uma pessoa de princípios, abraça um projeto e não foge. Não está em cima do muro. Um problema dos dias de hoje é que muitas pessoas são politicamente corretas, estão em cima do muro, são indefinidas, têm medo de assumir responsabilidades, só olham para aquilo que lhes é favorável, e ele não é nada disso. Na minha estrutura tinha de ter pessoas fiéis às ideias que preconizo, como a minha equipa técnica e os jogadores. Depois, faltavam as outras pessoas. Nesse lote incluí o Octávio, o Vítor [Martinho] como team manager que já fazia parte da Academia e estava na equipa B, e outras pessoas com muita capacidade como o Vasco [Fernandes]. Conheci pessoas com muito valor. Um departamento clínico espetacular, vi que havia qualidade para montarmos essa estrutura, organizada por mim, com as pessoas que o Sporting tinha. E não foi preciso ir buscar muita gente fora.
R: Entrou o Manuel Fernandes…
JJ – Sim, está ligado ao scouting, onde faz a observação dos miúdos da formação e coordena toda uma prospeção que penso que o Sporting tem de desenvolver. O Sporting tem sido forte na formação, mas não na prospeção. Não vimos, ao longo destes últimos anos, o Sporting valorizar jogadores de prospeção e esse é o desafio, porque também foi isso que fez com que o Sporting nos últimos anos não ganhasse nada. O Sporting tem de juntar a qualidade na formação a uma boa prospeção. Um exemplo dentro daquilo que queremos fazer nesse campo: o Bruno Paulista. É um miúdo com 19 anos que tem de aliar a qualidade da formação com aquilo a que designo de jogadores de patamar VIP.
R: O Bruno Paulista tem qualidade para esse patamar VIP?
JJ – Tem. Não tenho dúvida que vai ser jogador de nível alto. Mas já? Não. Como o Gelson também vai ser um jogador desse nível.
R: Já conhecia o Gelson Martins?
JJ – Não. Surpreendeu-me totalmente. É um jogador com uma qualidade muito acima da média. Mas vai ser um jogador acima da média no imediato? Não. Irá sê-lo dentro de um a três anos.
R: No Sporting existe quase um culto pelos jovens da formação, o que ‘obriga’ um treinador a lançá-los se calhar cedo de mais…
JJ – Sim, mas quanto tens um Gelson podes fazer isso. Ele vai-te falhar algumas vezes, mas já está num patamar em que pode dar-te muitas coisas boas. Dos miúdos com quem trabalhei no Benfica e no Sporting, foi nele que mais talento senti. É jogador para patamares muito elevados.
R: Essa rede de scouting vai preocupar-se com o estrangeiro, ou centrar-se em Portugal?
JJ – O Manuel Fernandes está a trabalhar nisso com mais dois elementos, mas temos de melhorar. A estrutura é curta, é pequena. Esse departamento não pode estar resumido a dois scouters em Portugal. Tem de conhecer o mercado da Argentina, do Brasil, Uruguai, Chile, Colômbia, enfim, países onde ainda consegues ir buscar jogadores de nível, dentro do preço que podes pagar. Para isso tens de meter gente a trabalhar lá. Se não o fizeres és ultrapassado. Isto é o que penso que deve existir, agora não sei se vou ter tempo para fazer isto.
R: Um treinador não devia preocupar-se mais em treinar e deixar essa área para outras pessoas?
JJ – Por isso é que a partir daqui será o Manuel Fernandes a pessoa com autonomia para criar esta estrutura. Mas a orientação será minha.

«Se compras um Ferrari tens de ter dinheiro para a gasolina»
R: Já disse que o Naldo foi a opção depois do Douglas. Mas pode ser ele o patrão da defesa?
JJ – O Naldo tem coisas boas, como o Paulo Oliveira. São jogadores posicionalmente muito rápidos.
R: E ainda falta o Ewerton...
JJ – Sim. As nossas grandes aquisições no mercado vão ser o Ewerton e o William Carvalho.
R: William Carvalho é um jogador insubstituível no meio-campo?
JJ – Claro que sim. O William é um jogador que não deixa dúvidas a ninguém. É por isso que as melhores equipas da Europa o queriam.
R: O William vale 45 milhões?
JJ – O que ele vale é aquilo que quem o queira comprar esteja disposto a pagar. É um jogador que tem muito a aprender e muito para crescer. Não tenho dúvida alguma de que será um dos melhores médios-defensivos da Europa. Nem tenho dúvidas de que irá ficar pouco tempo no Sporting...
R: No futebol atual que Jesus tanto fala, o 6 não é agora o novo 10, um jogador que organiza o jogo?
JJ – Agora a organização do jogo parte desses dois jogadores. Antigamente só partia do 10. Parte pelo 6, que atua em zonas mais baixas, e parte pelo 10, em zonas mais subidas. Se só funcionar um, a equipa não resulta. Têm de funcionar os dois ao mesmo tempo.
R: Pegando nessa ideia, acha que Adrien desempenhou bem o papel de médio-defensivo?
JJ – Está a desempenhar muito bem. A primeira posição dele com o Paulo Bento foi a de médio-defensivo. Eu tentei que ele voltasse às origens. E a verdade é que o tem feito muito bem. Estou muito contente com o desempenho dele.
R: O que é que se passa com Montero? Não está a corresponder às expectativas? No jogo com o P. Ferreira, saiu ao intervalo...
JJ – É normal ele não corresponder. Vinha de um tempo sem competição e, nos jogos anteriores, não lhe tinha dado muito ritmo de competição. Naquele jogo achei que era o momento dele entrar, sabendo que o Fredy não ia corresponder ao valor que tem. Pensava que ele estivesse um pouco melhor. Mas vai ter mais oportunidades para mostrar a sua qualidade, porque percebi exatamente o porquê de não ter estado bem. Ele teve alguma culpa, mas o maior culpado fui eu. Um jogador quando não rende, a culpa nunca pode ser dele. O treinador é que o mete a jogar.
R: Teo tem muito futebol, mas ainda não compreende bem a equipa...
JJ – Sim, sim. A exigências táticas da posição dele no Sporting não são as mesmas do River Plate ou da seleção da Colômbia. Havia pouca responsabilidade tática sem bola. Jogam muito em função do que é a ideia deles. Comigo isso não acontece. Primeiro tem de perceber a ideia global da equipa.
R: Teo tem capacidade para chegar ao nível que Jesus imagina?
JJ – Não sei qual é o nível dele. Ainda estou a conhecê-lo. Até acho que o Teo é mais um primeiro avançado que um segundo avançado, mas como tenho o Slimani, terá de ser segundo avançado.
R: Slimani tem evoluído muito neste início de época...
JJ – Tem. Mas ainda vai evoluir mais. O Slimani tem muitas dificuldades em termos do que são as questões individuais técnicas. Estamos a trabalhar diariamente com ele – e com mais jogadores. Por isso é que os jogadores connosco... Não é muito simpático dizer isto: os jogadores comigo evoluem mais num ano do que em 10 anos com outros treinadores. Porquê? Pela forma como treinamos e pela forma como explicamos as coisas. Tudo isto fará com que o Slimani seja muito melhor em breve.
R: Slimani demonstra evolução naquilo que é o jogo de tabelas à entrada da área. Tem feito trabalho com ele nesse sentido?
JJ – Muitas horas de trabalho coletivo e individual para lhe fazer sentir o quão importante é essa ideia para a sua valorização individual. O Slimani era um jogador que só se sabia posicionar para finalizar. Nós fizemos-lhe sentir que no futebol atual isso é muito curto.
R: O Tanaka fica no plantel porque o Sporting não conseguiu contratar outro avançado?
JJ – O Tanaka é um bom número 9, um jogador de área. Tal como Slimani, tem crescido muito. Agora... tens Slimani, tens Tanaka, tens Teo, tens Montero... e depois se quiseres ainda tens Bryan Ruiz. Não é fácil, não é?
R: Também não é fácil no meio-campo, sector no qual há vários jogadores que lutam por um lugar no onze. Partindo do princípio que William terá lugar garantido no meio-campo, sobra uma vaga para três candidatos (Adrien, João Mário e Aquilani)...
JJ – A diferença está aí. Não se pode fazer uma ideia da equipa com base apenas nos 11 jogadores que jogam de início. Isso não existe na cabeça de um treinador. Eu não formo uma equipa a pensar nos 11 jogadores titulares. Depois nem tenho a certeza se, na prática, serão mesmo aqueles 11... Eu formo uma equipa a pensar nos 25 jogadores que tenho à disposição, como é que os posso distribuir no plantel em função da ideia de jogo. Mas posso dizer que um dos jogadores que falaram, posso pô-lo a jogar na esquerda, na direita, a 8, a 10 ou como segundo avançado.
R: João Mário...
JJ – Exatamente.
R: Continua a sentir a falta de um jogador que seja o seu prolongamento no campo, como era Luisão no Benfica?
JJ – Não era só o Luisão. Tinha o Maxi Pereira, o Gaitán... Foram muitos anos para conquistar isso. Estou há 8 semanas no Sporting. Daqui a 1 ou 2 anos, vou ter no Sporting jogadores a serem o meu prolongamento dentro do campo.
R: Carlos Mané tem sido uma aposta a espaços...
JJ – É um miúdo, como o Gelson Martins. Tem muito valor. Há jogos, como este contra a Académica [3-1], em que eu acho que será importante que o Carlos Mané entre de início. Mas há outros jogos em que eu acho que, tanto ele como o Gelson, são elementos fundamentais para serem lançados do banco e mexerem com o jogo.
R: Os jogadores conseguem perceber essa ideia?
JJ – Não! Eu tenho a ideia, mas eles muitas vezes não a entendem.
R: Eles acham sempre que devem ser titulares…
JJ – Sim. Por norma, sim.
R: O Bruno Paulista está para o Sporting como esteve o Matic no Benfica, a aprender 6 meses?
JJ – Nada disso! O Matic esteve 1 ano a aprender!
R: O Bruno Paulista não é para contar nesta temporada?
JJ – É um jogador para o futuro do Sporting. É um miúdo de 19 anos, que veio da 2.ª divisão do Brasil, do Bahia. Começou a despontar e foi chamado à seleção do Brasil. Estava a começar a dar nas vistas, mas nós já o conhecíamos e, ainda antes de ir à seleção, já estava contratado pelo Sporting. Caso contrário, tínhamos perdido o jogador.
R: Como tem sido a adaptação do Bryan Ruiz?
JJ – Quando cheguei ao Sporting achei que era um jogador interessante. Tem sido aquilo que eu esperava dele. Taticamente mais evoluído do que pensava. Tem de ter mais dinâmica de jogo para fazer aquilo que quero.
R: Não é pouco veloz para jogar como extremo?
JJ – O Nico Gaitán também não é rápido… Mas ele pode fazer aquilo que o Nico posicionalmente fazia comigo no Benfica.
R: Pelo facto de ter praticamente o plantel que pediu, sente maior responsabilidade em ter de lutar pelo título até ao fim?
JJ – Não… Isso não interessa para nada. Vou dar esta imagem [risos]. Se compras um Ferrari, tens de ter dinheiro para a gasolina! Se me contrataram, têm de ter dinheiro para a gasolina. Não é?
R: E tem gasolina no depósito?
JJ – Tenho o que preciso para chegar ao fim da corrida.

"Carrillo? Não é uma decisão fácil"

R: Se o Carrillo não renovar e Bruno de Carvalho entender que, assim, ele não deve jogar. Aceita a decisão e tira o jogador da equipa?
JJ – Isso é uma situação mais complicada e o presidente também o vai perceber. Temos de ter, os dois, os mesmos interesses. Não é uma decisão fácil nem para ele nem para mim, mas temos de defender os interesses do Sporting. Se essa questão se colocar, e para já não se colocou, na altura teremos de ver o que é melhor. Trata-se de uma decisão política e desportiva, entre mim e ele.

«Nunca apanhei um grupo que aprendesse tão bem»
R: Como foi começar o trabalho de pré-época com ‘meio’ plantel, dada a ausência de muitos jogadores que estiveram ao serviço de várias seleções, e ter de perceber, rapidamente, se aqueles que tinham sido cedidos reuniam condições para ficar no Sporting?
JJ – A pré-época até foi melhor do que pensava que podia ser. Aliás, nunca pensei ter a equipa do Sporting, nesta altura, a um nível tão bom. Estava com um certo receio em relação ao arranque da época competitiva, porque começava logo por disputar um título (a Supertaça), tinha o apuramento para a Liga dos Campeões e, pelo meio, o campeonato. O nosso grande objetivo sempre foi o campeonato, não a Champions, como é óbvio. Pensei: ‘Como é que vou gerir isto se chego ao Sporting como treinador novo e tenho logo estes desafios?’ Uma final, o apuramento para Champions e não perder pontos para os rivais nestas primeiras jornadas. Como é que ia trabalhar isto tudo em apenas 8 semanas, com muitos jogadores a chegarem mais tarde e outros bem mais tarde? Tenho de dar os parabéns aos jogadores, aliás já lhes agradeci por aquilo que conseguimos. Ao longo da minha carreira nunca apanhei um grupo que aprendesse tão bem e em poucas semanas aquilo que eu pretendia. Foi muito pelo trabalho fantástico dos jogadores do Sporting que conseguimos equilibrar todas estas situações. Só não conseguimos passar à fase de grupos da Champions. Mas ganhámos um título, a Supertaça.
R: Nesse período da pré-temporada chegou a pairar a ideia que jogadores como Labyad, Capel ou Viola podiam ter um papel importante no novo Sporting. Mas cedo se percebeu que não contavam. Com foi esse processo?
JJ – Quis recorrer a todos os ativos do Sporting, porque não queria tomar decisões sem eles trabalharem primeiro comigo. Havia alguma expectativa, principalmente em relação ao Labyad e ao Capel, mas depois de começar a trabalhar achei por bem tomar outras decisões. Tomei-as com base em factos, por terem trabalhado comigo. Como o Sporting tinha muitos jogadores emprestados, na primeira semana trabalhei apenas com o objetivo de os conhecer.
R: Nenhum lhe encheu as medidas?
JJ – Houve alguns que me encheram as medidas, como o Rúben Semedo, que trabalhou comigo até ao último dia e depois foi emprestado ao V. Setúbal. Conheci melhor um miúdo que não era muito falado em termos de formação, o Palhinha. Chamei-o depois de um treino que vi. Penso que ganhei conhecimento de muitos jogadores que me surpreenderam, como houve outros que pensava que iam entusiasmar-me e não corresponderam ao que esperava.
R: Falemos dos novos jogadores. Foram todos escolhidos por si?
JJ – O Bryan Ruiz não tem nada a ver comigo. Quando cheguei o Sporting já estava a negociá-lo. Depois dele, todos os jogadores foram escolhidos por mim.
R: Pode explicar o que se passou com Michael Ciani?
JJ – O Ciani foi uma decisão minha. Não era uma prioridade, nem era uma primeira ou segunda escolha, mas as minhas prioridades começaram a falhar. A primeira opção foi sempre o Douglas. Depois foi o Naldo. Mas chegou uma altura em que tinha de ir para a África do Sul e não podia levar apenas dois centrais. Tinha a ideia de contratar um central, mas a lesão do Ewerton fez-me pensar em ter mais um. Aliás, também pensava contratar apenas um médio e com a lesão do William decidi avançar para dois. Como é público, quem eu pretendia era o Danilo, que foi para o FC Porto. No plano inicial tinha a ideia de contratar 5 jogadores e com essas lesões vi que era curto e passei para 7. Mas tudo isto foi feito em sintonia com o presidente.
R: O presidente deu-lhe tudo o que pediu?
JJ – Dentro daquilo que financeiramente era possível, deu. Mas quando financeiramente não foi possível, como o Douglas, não deu.
R: Perder Douglas, Danilo e Wolfswinkel deixou-o preocupado naquele momento?
JJ – O Douglas e o Danilo sim. O Wolfswinkel não, porque não se tratava de uma prioridade. Era mais um negócio de oportunidade, se financeiramente fosse bom para o Sporting. Caso contrário não o queria, porque para a frente o Teo Gutiérrez teve sempre prioridade.
R: E o Mitroglou?
JJ – O Mitroglou nunca esteve muito dentro da minha ideia de ponta-de-lança para o Sporting. Nunca foi um jogador que me entusiasmasse. Por isso, nunca fiz nada para que o presidente o contratasse.
«Baliza das claques será a grande»
R: No ano passado, andou quase a 2.ª volta a jogar em casa, devido ao apoio que recebeu dos adeptos. O Sporting é um clube com menos apoiantes. Acha que em número suficiente para ter esse suporte?
JJ – No jogos com o Tondela e com a Académica senti-me em casa. O segredo do Sporting neste início de época foi o percebermos todos que há uma ideia de grupo. Faltou a nossa passagem à Champions, mas até hoje, enquanto treinador, não podia exigir mais.
R: No final da Liga consegue perceber o número de pontos conquistados graças aos adeptos?
JJ – Claro que sim! Os jogadores sentem isso. Se formos jogar fora e tivermos o estádio com 90 por cento de adeptos nossos, a equipa sente-se mais confiante. Essa é a diferença dos três grandes para os outros clubes. Por isso é que um Sp. Braga ou um V. Guimarães dificilmente podem ser campeões. Só são fortes quando jogam em casa.
R: O Sporting empatou 5 jogos em casa em 2014/15 e este ano já perdeu pontos. Os jogadores têm algum ‘problema’ em jogar em casa?
JJ – Ainda não há jogos para analisarmos o retorno desse fator.
R: Mas jogar em casa tem de ser sempre uma vantagem...
JJ – O Sporting tem uma massa adepta impressionante, as claques atrás da baliza são muito fortes. Quando estivermos a atacar para aquela baliza, temos de estar sempre a fazer golos.
R: Será a sua ‘baliza grande’...?
JJ – Será o meu 12.º jogador e a minha ‘baliza grande’!

«Havia qualidade no Sporting»
R: O Benfica está mais forte ou mais fraco do que na época passada?
JJ – O Benfica perdeu o Maxi e o Lima. Não falta mais ninguém...
R: O Salvio está de fora por lesão…
JJ – Certo. O Salvio também. No ano em que fui bicampeão perdi 7 titulares. Por ter perdido três jogadores está mais fraco? Nada disso. Entraram jogadores como o Jiménez e o Mitroglou, jogadores com passado e história na Europa. Quem é que entrou mais?
R: O Nélson Semedo e o Victor Andrade são novidades...
JJ – Não, não. Isso são miúdos que já estavam no Benfica...
R: O Taarabt e o Carcela também.
JJ – Dois jogadores com prestígio, que já jogaram em bons clubes. Internacionais. O FC Porto foi a equipa que meteu mais jogadores.
R: Também perdeu mais...
JJ – Perdeu metade da equipa titular, mas comprou bons jogadores. Uma coisa é perderes meia equipa e não entrarem jogadores. Eu perdi meia equipa e não entrou quase ninguém. Tive de recorrer ao Pizzi e ao Jardel. E depois chegou o Jonas, o Samaris e o Júlio César.
R: O Sporting introduziu 4 titulares novos no onze, o mesmo número que Jesus meteu ao chegar à Luz...
JJ – Saviola, Javi García, César Peixoto e Ramires. Certo. Foi isso mesmo.
R: São as alterações suficientes para melhorar a equipa?
JJ – Sim. Tem a ver com a minha ideia de trabalho, mas já havia qualidade no Sporting. Achei sempre isso. Depois de estar a trabalhar com os jogadores, confirmei-o. Mas uma coisa é teres qualidade, outra é teres uma cultura de exigência para o objetivo de teres de ser campeão. Os jogadores do Sporting nunca foram trabalhados nesse sentido.
R: No jogo da Supertaça, essa cultura de exigência de vitórias já se fez sentir no balneário?
JJ – Foi a primeira final que tiveram comigo. Ficaram a saber o que era chegar a finais com o Marco Silva, na Taça de Portugal e agora comigo na Supertaça. De resto, andavam há vários anos a jogar para nada. Tem sido o registo do Sporting.
R: Na hora das decisões, o hábito de disputar títulos faz muita diferença...
JJ – Foi isso que tentei passar aos jogadores do Sporting. Que eles estavam no caminho certo pois, em pouco mais de dois meses, estiveram em duas finais. Só os grandes jogadores e as grandes equipas vão a finais. É sinónimo de registo de grande qualidade.

«FC Porto? Por que não?»
R: Dos 5 classificados no último campeonato, só lhe falta treinar o FC Porto. Isso ainda pode ser possível?
JJ – Por que não? Neste momento estou de pedra e cal no Sporting, completamente envolvido no projeto desportivo. Mas já disse várias vezes que não sou treinador de uma equipa. Sou treinador da equipa na qual estou a trabalhar. Ano a ano, trabalho com a mesma paixão de sempre. Depois, a partir daqui, sou treinador de futebol e posso treinar qualquer equipa do Mundo. Onde eu achar que me querem.

«Os 1.º e 2.º lugares não estão certos»
R: As políticas desportivas de FC Porto e Benfica alteraram-se por ter ido para o Sporting?
JJ – Disso não tenho dúvidas. O orçamento do Benfica era para baixar 15 milhões; estavam para sair vários jogadores, não interessa dizer quais. A partir do momento em que fui para o Sporting, o Benfica alterou a política financeira. E o FC Porto também! Não era só o Benfica que me queria longe! Antes, os 1.º e 2.º lugares estavam mais ou menos garantidos para estes clubes. Agora já não estão.
R: A chegada de Casillas ou Aquilani podem abrir as portas da nossa Liga a mais jogadores de nível mundial?
JJ – A liga portuguesa está em 5.º no ranking europeu. Isto é um sinal de valor dos nossos dirigentes. Dos clubes e treinadores. Melhoraram a qualidade do nosso campeonato. Isso fez com que jogadores de alto nível começassem a perceber que Portugal tem equipas de top, nomeadamente o FC Porto, o Benfica e, espero que agora, o Sporting.

«Nunca será um fundo ou empresário a dizer o que tenho de fazer»
R: Ficou surpreendido com o investimento do FC Porto?
JJ – Não sei se foi investimento... direto. Os dirigentes devem perceber a importância das parcerias, sem terem que colidir com os interesses de quem manda no clube.
R: Mas não gostava de ter 20 milhões para gastar num jogador como Imbula?
JJ – Claro! Mas gosto daquilo que Bruno de Carvalho faz: quem quiser investir tem de perceber que quem decide é o presidente e quem faz a gestão técnica e tática da equipa sou eu. Nunca será um fundo, ou um empresário que vai dizer aquilo que eu tenho de fazer. Zero! Nem tem hipótese de abrir o bico, tão pouco!

«Totalmente a favor do vídeo-árbitro»
R: O Sporting tem atacado fortemente as arbitragens . Disse no final do jogo em Coimbra que não acreditava em perseguições. Esta questão da arbitragem prevê-se muito quente este ano?
JJ – A arbitragem vai ser quente para todas as equipas. É importante tentarmos arranjar uma forma para o futebol não estar tão vulnerável à decisão humana.
R: É então a favor da utilização do vídeo-árbitro?
JJ – Completamente.
R: Em termos práticos, como é que entende o funcionamento desta nova tecnologia?
JJ – Não terá de ser usado em todas as decisões do jogo. Agora, naquelas com mais polémica, como um golo bem ou mal anulado; um lance dentro da área; a marcação de um penálti; simulações... Aliás, sou favorável à utilização dos árbitros de baliza, isto apesar de eles, até este momento, ainda não terem provado a sua utilidade. É preciso encontrar meios audiovisuais para a arbitragem melhorar. A evolução é isto mesmo. Eu, enquanto treinador, também utilizo meios audiovisuais que me ajudam no trabalho. Mas atenção, isto nunca vai deixar de ser decidido pelo humano!
R: Será sempre uma questão de interpretação...
JJ – Exato. Mas, se calhar, há é mais possibilidades de reduzir a margem de erro. Mas haverá enganos na mesma! O árbitro pode ver de uma maneira e as outras pessoas verem de outra.
R: Acha que ainda será possível vermos a utilização do vídeo-árbitro com Jorge Jesus a treinar?
JJ – Já o temos na linha de baliza.A regra que eu punha como prioritária era a dos lances dentro da área. Mas a visualização das imagens tem de ser sempre pedida pela árbitro e nunca pelo treinador. Senão estávamos feitos! O árbitro tem de pensar: ‘Vou rever o lance para tomar uma decisão acertada.
R: Mas haverá sempre árbitros que preferirão não ter uma ‘2.ª opinião’ sobre os lances...
JJ – Quem não tiver capacidade para assumir a pressão e a responsabilidade não pode andar aqui. Jogador, árbitros e presidentes...!
R: O que disse ao 4.º árbitro no jogo com a Académica?
JJ – Posso revelar porque já está na comunicação social. Disse ‘isto é uma vergonha’!. Foi só isso. Mais nada. ‘Isto é uma vergonha.’ E quando ele começa ‘ó Bruno, ó Bruno’ [imita], percebi logo... ‘Já fui...!’. E pronto. Acho que o 4.º árbitro não esteve bem. Foi uma conversa entre mim e ele. Não o tratei mal. Só fez aquilo porque não tem muita experiência. Podia ter guardado aquela conversa. Não era preciso todo aquele ‘show-off’.
R: Já disse que não acreditava que os erros aconteciam de forma consciente, mas... não acha que é ‘azar’ a mais?
JJ – Na Liga acho que foi casual. O lance do Paços, os lances da Académica... foram decisões dos auxiliares. Aquilo que eu acho errado numa equipa de arbitragem é que o chefe decide pouco. Está a dar autonomia para que os auxiliares tomem as decisões. Isso é a mesma coisa que eu, enquanto treinador, achar que o meu adjunto me pode dizer quem joga. Deixo de ser o líder, a referência. Eu é que decido! Ponto final. Quando tenho dúvidas pergunto, mas nunca o contrário. A minha ideia é que prevalece. Com os árbitros, tem de ser igual. Os chefes de equipa vão muito atrás das decisões dos auxiliares. Tira-lhes categoria. Se calhar é mais fácil para fugir à responsabilidade.
R: Como é que o Jorge Jesus treinador pode tentar contornar este tipo de erros?
JJ – Não pode. Andamos a defender a profissionalização da arbitragem. Sou da opinião de que os árbitros devem ter tempo para trabalharem em equipa, definirem automatismos e aumentarem a sintonia. Mas não podem fugir às responsabilidades. Era a mesma coisa que um jogador me dissesse num jogo: ‘Míster, tire aqui o Manel e meta o Joaquim!" O que é isto? Nada. Zero.
R: Mas na Liga dos Campeões as coisas já não são assim...
JJ – O Sporting teve agora dois momentos quase consecutivos em que é prejudicado: primeiro no jogo do Schalke 04 – que é patrocinado pela Gazprom – e agora com os russos do CSKA.
R: Esta polémica do Sporting ser prejudicado na Europa não terá a ver, direta ou indiretamente, com os problemas mantidos com a Doyen e alguns empresários?
JJ – A política desportiva da Champions pode ter tido importância. Teve muito a ver com as decisões tomadas. O principal patrocinador da Liga dos Campeões é russo. Entre ter o Sporting ou o CSKA... Doyen? Esses não contam para o totobola! Quem patrocina a Champions é a Gazprom. Politicamente pode ter... Pode ter influência nas decisões.
R: Induzir a decisão para que o Sporting fique de fora e o CSKA vá à fase de grupos?
JJ – Nem sequer é induzir porque a ser assim, eventualmente, ao ires para os jogos já sabes o que tens de fazer...

«O regresso à Luz? Adeptos ficam sempre zangados»
 Um dos momentos mais aguardados do ano é o regresso de Jorge Jesus ao Estádio da Luz. Já pensou nisso?
JJ – Tenho tido um ‘problema’ como treinador: quando saio das equipas, os adeptos ficam sempre zangados comigo. Saí do Belenenses para o Braga, e os adeptos do Belém questionaram a minha mudança; saí do Braga para o Benfica e os adeptos do Braga não me perdoaram; saí do Benfica para o Sporting e os adeptos do Benfica não me perdoaram. Tenho tido este karma em cima de mim.
R: Como é que acha que se vai sentir quando regressar ao Estádio da Luz?
JJ – Estou habituado a isso. Há um jogo de 90 minutos que quero ganhar. Mais nada. Há a atmosfera que envolve o jogo e há a tua capacidade de segurança, de saberes o que estás a fazer. Isso tem de ser separado. Sou treinador. No Belenenses, no Braga, no Benfica ou no Sporting. Sou treinador. Com intérpretes diferentes, mas tenho de ter a mesma lógica e a mesma confiança.

«Nunca vão conseguir pôr os adeptos do Benfica contra mim»
R: Ganhou um lugar na história do Benfica, como o treinador mais titulado. Pensa que isso ainda é, hoje, valorizado pelos adeptos?
JJ: Fui o treinador que recuperou o Benfica em menos tempo, que mais títulos ganhou e que mais alegrias deu aos adeptos. Mas estou muito agradecido ao Benfica, porque se não tivesse passado por lá não teria crescido como treinador da forma que cresci. Agora, nunca vão conseguir pôr os adeptos do Benfica contra mim. Podem conseguir influenciar numa coisa ou noutra, mas a maioria dos adeptos vai sempre lembrar-se de mim pelo que ali fiz em 6 anos.

«Se o Benfica me perdeu foi porque quis»
R: Não renovou pelo Benfica por não se sentir desejado ou houve qualquer outra razão?
JJ: Não me senti desejado. Quando trabalhas num clube durante 6 anos e estás à espera dos últimos dias para te convidarem a renovar, porque há uma política desportiva diferente… Eu aceito isso e não me custa nada entender que fosse para mudar a página, é normal. Tive de ir à minha vida, mas dentro da ideia de que seria eu a escolher o meu futuro e não aceitar que fossem outras pessoas a impor-mo. Ao longo da minha vida como treinador sempre pensei pela minha cabeça, nunca pela dos meus agentes nem pelas de quem me rodeia.
R: Pela forma como quase não festejou o título, no Marquês, já deixou entender que nem tudo estava bem...
JJ – Se calhar não festejei assim tanto porque já não era novidade para mim, era o terceiro ano, nada mais que isso. Naquele dia, se calhar as coisas não foram organizadas da melhor forma. Sentia-me feliz, claro, talvez não estivesse tão eufórico. Penso que a festa deveria ter sido mais espontânea, mais direcionada para os jogadores e feita em maior proximidade com os adeptos. Achei que estes estavam muito afastados. Pensei que aquela não era a melhor maneira de festejar o título, só isso. Compreendo que as coisas têm de ser organizadas, mas não sentimos, eu e os jogadores, que aquilo fosse festa de proximidade com os adeptos. Por isso estava um tanto frio.
R: Na passadeira, esperou pelo presidente por alguma razão?
JJ – Uma das coisas que considerei incorreta foi a chamada individual dos jogadores. Aquilo era uma festa de todos, não a apresentação da equipa. Devíamos entrar todos unidos e o presidente no meio de nós. Já que fomos chamados um a um, achei que, pelo menos, deveria entrar ao lado do presidente.
R: Com Vieira, a festejar o título, pensava que dali por uns dias teria o contrato renovado?
JJ – Não. À medida que o campeonato se aproximava do fim fui sentindo que a política do Benfica não passava por mim. Tenho muitos anos de futebol e na altura convivia há 6 anos com aquela instituição, logo, senti que não iria continuar. Não houve nesse processo nada de anormal. O Benfica tomou a sua decisão e eu tive de aceitá-la. A partir do momento em que percebi que não era uma peça preponderante para o futuro do Benfica, aceitei-o com normalidade. Da mesma forma que aceitei como normal o facto de o presidente me convidar para ir para o Benfica, porque acreditou em mim – e estou-lhe agradecido por isso -, também considerei que no momento em que ele quisesse romper com a ideia desportiva em vigor, teria todo o direito de o fazer.
R: Mas o presidente do Benfica disse numa entrevista a Record que foi o Jorge quem não quis continuar no Benfica…
JJ – Bom, isso já não é normal, porque depois da estrutura do Benfica tomar uma decisão, eu tenho o direito de escolher o clube onde quero trabalhar. Não posso escolher o clube que as pessoas ligadas ao Benfica gostavam.
R: Já falou com Luís Filipe Vieira depois de assinar pelo Sporting?
JJ – Não houve aproximação ao que era a nossa relação. Foram 6 anos a partilhar alegrias e tristezas. Depois surgiram questões no meio da minha ida para o Sporting que me afastaram do presidente do Benfica. Estou agradecido ao Benfica, mas penso que também ajudei a que o clube fizesse a recuperação que fez nestes 6 anos.
R: Essas questões são o processo que o Benfica lhe moveu e o salário que não lhe pagou? Não falou sobre isso com Luís Filipe Vieira?
JJ – Falei, falei. Nada disto tinha justificação para acontecer. Nunca percebi essa estratégia. Mas creio que não merecia ser envolvido nisto. Não fui eu quem tomou a decisão de não continuar no Benfica.
R: Entende o alcance daquilo a que chama estratégia?
JJ – Não entendo. Se é para tentar desestabilizar-me, os factos do início da época demonstram que isso não tirou rendimento ao Sporting. Na Liga vamos à frente do Benfica e no primeiro troféu disputado, a Supertaça, foi o Sporting que saiu vencedor, derrotando o campeão, o Benfica.
R: Isto não será a consequência de o Benfica ter perdido o Jesus para o Sporting?
JJ – Mas se eles me perderam foi porque o quiseram. Eles é que mudaram a política desportiva. Não tenho de os censurar. Acharam que era o caminho certo para o Benfica, tudo bem. E eu achei que o meu caminho seria outro. Não podia era ser o caminho que eles queriam. O presidente do Benfica tem toda a autonomia e legitimidade para decidir a política desportiva do clube, mas não pode querer controlar a minha vida. Para ele, o que era importante era eu não ficar em Portugal, mas eu sabia que não permanecendo no Benfica continuaria a trabalhar por cá.
R: O Benfica argumenta que antes da Liga terminar já teria sido sondado por alguém ligado ao Sporting...
JJ – Não, não. Isso não é verdade, mas mesmo que tivesse acontecido, o que é que o Benfica tinha a ver com isso? Vivemos num país democrático, onde o trabalhador tem o direito e a autonomia para decidir sobre o local onde pretende exercer a profissão. O 25 de Abril já aconteceu em 1974. Sou livre para tomar as minhas decisões. O presidente do Benfica conhece-me como ninguém, sabe que só penso pela minha cabeça. Mas ele achou que era capaz de controlar o meu futuro e enganou-se. Naquele momento nunca me passou pela cabeça ser treinador do Sporting. No entanto, existiram uma série de coisas que me levaram a pensar que seria capaz de ficar a trabalhar em Portugal, mas não no Sporting.
R: No FC Porto?
JJ – (Sem resposta)
R: A partir do momento em que aceitou encontrar-se com Bruno de Carvalho, ficar na Luz deixou de ser hipótese?
JJ – Claro. A partir do momento em que tive uma reunião com o presidente do Benfica e fiquei a saber que a política desportiva não passava pela minha continuidade, porque o clube queria fechar o ciclo, fui ver da minha vida. Ele achou e bem, repito, que era o momento de fechar o ciclo. Percebi isso perfeitamente. Mas também percebi que não iria permitir que fossem eles a condicionar o meu caminho.
R: Alguma vez pensou ser possível receber, no final da época, um convite do Sporting?
JJ – Nunca. Esperava mais rapidamente sair do Benfica para outro clube.
R: Para o FC Porto?
JJ – (Sem resposta).
R: Chegou a existir algum convite?
JJ – Não vou falar disso. É uma questão que não interessa partilhar. Mas a partir do momento em que surgiu a possibilidade Sporting, para a qual nem estava preparado porque não pensava ser possível, achei que devia aceitar, até porque devido a razões familiares o meu interesse era o de ficar em Portugal, perto do meu pai.
R: Tinha a viagem de férias marcada para uma 5.ª feira (4 de junho) e teve de adiá-la para sábado. Pensava que tudo seria tratado rapidamente, depois da reunião com Vieira (1 de junho)?
JJ – Sim, nem fui eu que marquei as férias, foi um amigo, o Vítor. Ele marcou-as e aconteceu o que aconteceu. Para mim foi tudo muito surpreendente. Não estava preparado para não ficar no Benfica, nem para receber, passados uns dias, um telefonema de um dirigente do Sporting a perguntar-me se Bruno de Carvalho podia falar comigo. Houve muita especulação em torno da minha passagem do Benfica para o Sporting. Disseram-se muitas mentiras. Nunca esteve nada preparado. Com o Sporting, aconteceu tudo entre 3.ª feira e a 5.ª feira.
R – O Benfica diz que teve conhecimento do interesse do Sporting antes da reunião com Vieira…
JJ – Tudo mentira! As pessoas inteligentes que andam no futebol também percebem as coisas: se estamos no final do campeonato, com o Benfica campeão antes da última jornada, e o Jesus ainda não renovou contrato, se calhar há aqui uma possibilidade de montar-se uma estratégia em relação à possibilidade de o contratar. Provavelmente foi isso que o Sporting pensou e fez. Acabou por surgir-me a hipótese de ficar em Portugal, tal como surgiram muitas outras possibilidades, através do meu agente, para ir para o estrangeiro. Quando percebi que a hipótese de continuar cá era real nem pensei duas vezes.
R: Nem as ofertas mais atrativas o fizeram pensar?
JJ – Nada. E olhem que abdiquei de muito dinheiro. Uma coisa é trabalhares em Portugal e pagares, como pago, 60 por cento de contribuições, outra coisa é a carga fiscal, muito menor, nos países para os quais recebi convites: Turquia, Itália e Rússia, não contando com Qatar e China porque para mim esses nem eram hipótese. Eram propostas, em média, para ganhar três vezes mais em termos líquidos devido à diferença do valor dos impostos. Tirando este meu último contrato no Benfica, nunca fui habituado a ganhar muito dinheiro ao longo da carreira. A minha satisfação, a minha paixão, está no treino, na obtenção dos objetivos desportivos. Foi sempre em função disso que geri a carreira. No Benfica fiz um bom contrato depois de ser campeão no primeiro ano. Mas para vir treinar o Benfica tive de pagar 400 mil euros ao Sp. Braga, ganhando 500 mil no primeiro contrato com o Benfica. Ganhei 100 mil euros em salários, mas tinha um bom prémio no caso de ser campeão. Foi aí que arrisquei.
R: É depois disso que faz o primeiro contrato milionário?
JJ – No final da época avisei o Benfica que havia um clube em Portugal disponível a pagar-me muito mais. Tive a honestidade de lhes explicar o que se estava a passar e o que é que aconteceu? Nos anos seguintes passei a ser acusado de ter feito chantagem. A partir daquela altura disse: ‘Na próxima vez em que algum clube estiver interessado em mim vocês não vão saber qual é, para não voltarem a acusar-me de ser chantagista.’ E assim fiz. Ao longo destes anos nunca contei ao Benfica quais os clubes que falaram comigo, que estiveram interessados em mim. Por acaso, não foi esse o caso com o Sporting, com quem falei apenas depois de perceber que não ficaria no Benfica.
R: Alguma vez se interrogou sobre a proveniência do dinheiro do Sporting para lhe pagar o salário? As pessoas interrogam-se porque recebe bem mais que os anteriores treinadores…
JJ – Onde e como a entidade patronal vai arranjar dinheiro para me pagar não me preocupa. Mas não me preocupa no Sporting, como não me preocupou no Belenenses, no Sp. Braga ou no Benfica. Isso pode causar estranheza em relação aos meus anteriores colegas, embora não faça ideia qual o salário deles. É uma política desportiva à qual não tenho de me opor. E se um presidente considerar que é mais importante ter um treinador como o Jorge Jesus e para isso contar com menos dois jogadores? Em termos de orçamento vai dar tudo ao mesmo. Antes de assinar, falei apenas duas vezes com o presidente Bruno de Carvalho. E quando fui para a primeira conversa pensei: ‘Estas pessoas devem querer-me mesmo muito porque sabem aquilo que ganho.’ O meu salário era do conhecimento público. Percebi logo que a vontade dele era tão grande que nem discuti números. Zero.
R: Aceitou logo a proposta?
JJ – Disse a Bruno de Carvalho: ‘Você sabe aquilo que eu ganho por isso faça-me a proposta. Se estiver de acordo com ela assino já.’ Ele fez-me a proposta e eu disse-lhe: ‘Aceito.’ Não lhe pedi rigorosamente nada, zero!
R: Será possível, nos próximos anos, algum treinador estar à frente de um clube grande durante 6 temporadas?
JJ – Não. Não acredito que qualquer outro treinador consiga estar 6 anos num grande clube português. Nem eu sei se conseguirei repetir isso no Sporting. Foram 6 anos fantásticos, com algumas tristezas, sim, mas sabíamos que o caminho certo era aquele, até chegar o momento em que acharam que o ciclo estava terminado. 

«Já sabia que o Maxi não ficava no Benfica»
R: Surpreendeu-o o facto de o Maxi Pereira ir para o FC Porto?
JJ – Não. O Maxi estava como eu. Eu já sabia que o Maxi não ia ficar no Benfica, da mesma forma que eu não ia ficar no clube. Se falta um mês ou dois para terminar a época e se ninguém te diz para continuares, então é porque a política desportiva não passava por aí. O Maxi também percebeu isso.

«Rui Vitória fez o que eu queria na Supertaça»
R: A Supertaça era um jogo que o preocupava muito?
JJ – Sim, porque sabia que estava muita coisa em causa. Não era apenas um Benfica-Sporting. Era também um Benfica-Jesus mas, principalmente, estava um título em disputa e era importante ganhá-lo para que uns pudessem acreditar e outros deixassem de acreditar.
R: Foi nesse sentido que utilizou a conferência de imprensa para ‘mexer’ com a cabeça do treinador do Benfica, dizendo que a equipa fazia tudo como no seu tempo?
JJ – Um pouco. Não tenho nada contra o Rui Vitória. Nada. Zero. Poderia ser ele ou outro treinador qualquer. Agora, aquilo que vi no início da pré-época do Benfica eram as minhas ideias, como a estratégia na bola parada. Vejam como era a estratégia dele em Guimarães: marcação homem a homem. No Benfica, não. E aquilo manteve-se tudo igual ao que eu fazia. Foi inteligente da parte dele? Foi, sem dúvida. Se estivesse no lugar dele fazia o mesmo. Mas, claro, tentei que aquilo que disse mexesse um pouco com ele e com o Benfica. Tentei trabalhar isso durante a semana e acho que deu resultado.
R: Porque o Rui Vitória apresentou uma equipa diferente?
JJ – Sim, levou aquilo para o lado que eu queria, que era um Benfica mais da cabeça dele e menos da minha. Foi por aí que partiu a vantagem do Sporting, claramente.
R: O treinador do Benfica, curiosamente, não voltou a repetir aquele onze…
JJ – Isso não sei, porque a partir dali já não me interessei mais.
R: Qual a sensação de entrar em campo para defrontar a ex-equipa?
JJ – A sensação foi mais no final do jogo. Tive respeito pelos jogadores do Benfica e nem fui ao pódio receber a medalha. Ninguém reparou nisso. Nem quis ir ao pódio e só fiquei a ver os jogadores irem receber as medalhas por respeito. Aos do Benfica e aos do Sporting. No final daquilo tudo entregaram-me a medalha. Eu tinha uma grande responsabilidade durante os 90 minutos: defender os interesses do Sporting, acontecesse o que acontecesse, e se o Sporting vencesse, como se verificou, respeitar os jogadores do Benfica.
R: Mas as coisas iam ficando quentes no final, devido à palmada em Jonas…
JJ – Aconteceu esse episódio devido ao sentimento que tenho por todos os jogadores do Benfica e pelo Jonas. Quando ele passou disparado a correr, bati-lhe e perguntei: ‘Para onde é que tu vais?’ Mas com o movimento dele e do meu braço, aconteceu uma pancada tão forte que ele achou aquilo fora do normal. Depois apareceu ali um infiltrado, um treinador adjunto do Benfica, o Hugo Oliveira, que complicou a questão, acabando por ser ele o grande responsável de toda aquela confusão. Nem quero falar mais sobre isso porque eu e o Jonas íamos conversar, enfim… O Jonas sabe o tempo que passámos juntos, tudo o que conversámos, e sabe que sou amigo dele.
R: Sentiu-se mal por isso ter acontecido?
JJ – Não. Sabia que os jogadores do Benfica iam estar assim. Porquê? Porque os eduquei dessa forma. Eduquei-os no sentido em que tudo o que é adversário é inimigo desportivo.
R: Nessa semana, em vez de falar-se da conquista da Supertaça falou-se sobretudo de supostos SMS que teria trocado com jogadores do Benfica, do ordenado que não lhe foi pago e do processo que o Benfica lhe moveu…
JJ – É a contrainformação do Benfica a funcionar. Inventou-se um clima de conflito entre o treinador do Sporting e os adeptos do Benfica. Interessa neste momento dividir os adeptos em relação ao Jorge Jesus. Interessa é colocar os adeptos a partilhar essa crispação com o ex-treinador. Se me perguntam: gostava de ter saído do Benfica sem estes problemas? Claro. Por que é que o Benfica não me paga o último mês de vencimento?
R: Pensa que algum dia o irá receber?
JJ – Penso, não, tenho a certeza que o vou receber. E vou receber com juros! Pode é demorar tempo. E o Benfica tomou esta atitude porquê? Para dizer aos adeptos: o Jorge Jesus vai pôr o Benfica em tribunal.
R: E o Jorge Jesus fez a vontade ao Benfica?
JJ – Claro, já entrei com a ação em tribunal. Isto faz parte de uma estratégia do Benfica e montada por quem? João Gabriel e Paulo Gonçalves.
R: E os SMS?
JJ – É outra invenção. Já mandei mostrar os SMS se eles existirem. Mas ninguém os mostra. Porquê? Porque não existem! Há SMS do fim da época, da surpresa dos jogadores do Benfica por eu ter saído para o Sporting , deles para mim e de mim para eles numa de amizade, isso há. Mas esse contacto acabou. Hoje os jogadores do Benfica têm medo de falar comigo. Toda esta confusão… acho que não merecia. Foi uma decisão política. Mais cedo ou mais tarde tudo se vai saber. Ninguém consegue esconder a verdade. Podem escondê-la durante um mês, dois ou três. Mas não a escondem para sempre.

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