sexta-feira, 31 de maio de 2013

Fórmula para resolver a contratação de Ghilas

A Bola noticia hoje o interesse do FCP na contratação de Ghilas o que pode significar o fim de um sonho de verão, mesmo antes de este começar. A cláusula de rescisão é cara para nós e uns meros amendoins para quem acaba de ficar com um crédito de 70 milhões junto de um qualquer russo que aterrou no Mónaco. E, realisticamente, para qualquer profissional o nosso SCP não é tão atractivo, quer do ponto de vista financeiro como desportivo, como os azuis. Se a disputa se vier a verificar teríamos que golear muitos argumentos e conquistar o jogador mais pelo coração do que pela carteira, o que se afigura de todo improvável. 

A fórmula para resolver esta questão poderia estar na encontrada por Yngvar Borgesen para ajudar o seu clube. Este anónimo adepto norueguês do não mais conhecido Odd Grenland viu de repente cair na sua conta 13,4 milhões de euros, provenientes do prémio da lotaria. Como o seu clube, de modestos recursos, estava a ser assediado por clubes mais abastados para ceder Frederik Semb Berge, o craque lá do sitio, Yngvar Borgesen, disponibilizou 300 mil euros do seu pecúlio e o jogador vai-se manter por mais algum tempo no Odd Grenland. Com isso o clube usufrui da contribuição do jogador e evita vender por necessidade no imediato, o que pode valer mais algum dinheiro no futuro. O adepto fervoroso verá a sua generosidade e amor ao clube compensados com 25% de uma futura verba de transferência.

Talvez não haja nenhum adepto Sportinguista com disponibilidade 3 milhões de euros líquidos - em estado gasoso deve haver muitos, sou um deles... - para deixar na secretaria do Moreirense e eventualmente comparticipar nos vencimentos necessariamente atractivos para Ghilas. Ou um sindicato de sócios investidores. Uma pena, porque o negócio até poderia ser muito mais rentável, embora de risco elevado, do que ter o dinheiro parado num paraíso fiscal e daria muito jeito ao Sporting.

Este é um exemplo extremo do que pode levar um adepto a fazer pelo seu clube. O que sonharíamos poder fazer com igual sorte, o que só não compreende quem não vive amor igual. Mas se sonhar é fácil e ainda não paga imposto, andar com os pés bem assentes na terra diz-nos que não há soluções fáceis. 

Sem deixar de reconhecer que o custo e o potencial do jogador fariam dele uma excelente aquisição, há também que reconhecer que perder Ghilas não é uma sentença inapelável sobre a competitividade da equipa na próxima época. Acresce que se o Moreirense o encontrou não vejo porque não havemos de conseguir encontrar uma solução que satisfaça as necessidades para este momento de transição.

Transição, passagem para um novo estado, desejavelmente melhor. É essa a forma como deve ser encarada a próxima época, sem fatalismos e muito menos desculpas ou resignação. O Sporting continua a ter orçamento e base de sustentação para ficar num dos lugares do pódio. Haja inteligência e competência.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Em Portugal são 11 contra 12 e no fim ganham eles (ou como 10% do titulo da próxima época já estão entregues)

Os dias que se seguiram ao final do campeonato constituem um bom exemplo para ser perceber a a razão da hegemonia do FCPorto no futebol nacional. Fica aqui a análise, sustentada por alguns valores percentuais.

Nós
O Sporting fez uma das suas piores épocas de sempre talvez mesmo a pior. O sétimo lugar é tão inédito como os menos de 50% dos pontos alcançados. O lugar é uma excepção mas confirma uma tendência de descida acentuada desde a época 2008/09, em que conseguimos chegar aos 73,3% dos pontos. Insuficientes para alcançar o FCP (77,8%) mas suficientes para terminar confortavelmente à frente do SLB, o que acontecia já desde 2005/06, 4 épocas consecutivas portanto. De lá para cá a única vez que conseguimos ganhar mais de metade dos pontos em disputa foi o ano passado (65,5%) mas que não chegaram para alcançar o Braga e o quarto lugar foi o melhor que se conseguiu arranjar. Nas actuais circunstâncias ninguém nos dá o estatuto de outsiders sequer. Mais uma vez vamos recomeçar. Dos dirigentes até, ao que parece, à equipa.

SLB
O SLB vive a ressaca de ter tirado as medidas a 3 troféus, de ter  para eles reservado lugar no museu por inaugurar, e das 3 vezes ter regressado apenas com medalhas ao pescoço. Convenhamos, não há Guronsan para isto, o melhor mesmo é deixar passar uns dias. Isto não se esquece, apenas se aprende a conviver melhor com o facto um dia de cada vez. Falo disto de cátedra pois 2005 foi ali atrás. A forma como saírem do torpor será decisiva, creio. Se mandarem Jesus embora ver-se-ão livres do principal responsável pela forma fulgurante como nos ultrapassaram (um misto de mérito dele e demérito nosso) e se colaram ao FCP. 

Atendendo ao que era o passado recente - desde 2005 - os números de Jesus são impressionantes: 84% do pontos em 2009/10, 70% em 2010/11 -ano de AVB - 76,6% em 2011/12 e 85,5% este ano. Isto é, com estes números o SLB teria disputado sempre o título de campeão entre 2004/05 e 2009/10, ano em que Jesus chega e dá o único titulo aos encarnados. Nos anos seguintes teve que lidar sempre com um super-FCP, que andou sempre acima dos 83%! Não será um fatalismo trocar de treinador, quem venha pode até ser suficientemente inteligente para perceber o quase nada que é preciso mudar. Mas não é difícil de concluir que para aquelas bandas quem percebe de futebol. Isso vê-se nos pontos, na qualidade do futebol, na valorização dos activos. Fazer LFV voltar a tomar decisões de fundo é uma boa noticia para nós.

FCP
Enquanto isso o FCP já prepara a próxima época. Ninguém sabe quem é o treinador, Pinto da Costa tem um pássaro na mão - Vítor Pereira - e olha para outros que possam vir a voar. Entretanto prossegue na sua habitual estratégia, vai contratando jogadores que podem ou não servir mas pelo menos não reforçarão os adversários. De todas será a estrutura que menos abanará. O sua hegemonia não é apenas sustentada pela segurança e conforto que lhe proporcionam os que para eles trabalham ou se submetem nos bastidores do futebol. É também pela forma como trabalham e pensam antes dos outros. Essa conjunção de factores dá-lhes uma superioridade numérica. 10% do próximo campeonato estão já a caminho do Dragão.

SCB
Não os incluiria nesta análise se não fosse Jesualdo. Vão mudar muitos jogadores mas vão ter alguém que junte as peças. Faremos as contas no final...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Jefferson para voar alto pela lateral esquerda

O Sporting fez hoje a apresentação do seu primeiro reforço para a época 2013/14.  Uma boa aquisição e uma promessa de um bom reforço.  

A chegada ao Sporting significa um prémio para o seu bom ano, que o consagrou como um dos melhores laterais do campeonato agora encerrado. Representa também um desafio pois as dificuldades serão certamente maiores e o mesmo se poderá dizer para as compensações. 

Jefferson tem 24 anos, tem 1,76, é baiano e chegou este ano a Portugal, proveniente do Santa Cruz. Os 50% do passe vão custar ao Sporting  400 mil euros e o contrato prevê uma ligação de 4 anos.

(E agora para algo completamente diferente) 

O nome do nosso novo atleta reporta-me aos primórdios do rock psicadélico, para os quais já nasci tarde. Mas a  voz da linda Grace Slick, (ou à linda voz?) não me passou despercebida. De entre as músicas  a sugerir ainda hesitei entre El Diablo e Somebody to Love. Ora esta época tivemos já tivemos o diabo atrás da porta tempo de mais e, no que diz respeito aos afectos, o Sporting já é avassalador que chegue. Por isso fica o White Rabbit. Que Jefferson voe alto pela lateral esquerda.

As referências a Alice no Pais das Maravilhas - estamos tão precisados delas - ao tom em crescendo do Bolero de Ravel  - uma cadência inspiradora para época que se avizinha - bem como a sugestão alucinogénica - é preciso alguma dose se loucura para acreditar sempre - parecem-me adequadas às nossas circunstâncias. 

Depois da entrevista, o rescaldo. As ideias, a estratégia e os efeitos práticos

Não tive oportunidade ontem de fazer o meu próprio comentário à entrevista do presidente Bruno de Carvalho aos três jornais desportivos. Este facto, entrevista simultânea, por si só diz da importância que o presidente conferiu à mensagem que quis passar. O momento escolhido também me parece significativo. Assim é importante para o meu histórico neste blogue a sua análise.

As ideias
Há uma ideia central em toda a entrevista e que está relacionada com as relações com os jogadores e respectivos empresários. Julgo ser muito difícil haver alguém que não se reveja em algumas das afirmações proferidas. É o meu caso. Não gosto dos empresários do futebol em geral. Classifico a sua actividade como parasitária. Vivem à custa do esforço dos clubes, dos jogadores, e até dos Estados. A sua acção é de difícil fiscalização, enlearam-se nas próprias falhas dos sistemas, passa muitas vezes ao lado do escrutínio fiscal e até moral. Ninguém os viu chegar e quando se deu pela sua presença já haviam adquirido demasiada importância para prevenir a sua acção, pelo que o mais que se tem conseguido é tentar remediar. Sem muito sucesso, assinale-se. E, como em tudo na vida, há os que têm muito ou pouco sucesso, honestos e trafulhas, etc, etc. 

O que o presidente nos veio dizer já todos o sabíamos um pouco, ou até mais. Mas foi também uma promessa de que o Sporting não se conforma com o status quo, que não está disposto a ser pressionado, e que, apesar da necessidade, também tem uma palavra a dizer. E isso é bom saber.

A estratégia
É aqui a minha divergência. A entrevista não me parece oportuna nem uma boa estratégia. Com tantos problemas que o presidente tem em mãos para resolver ela parece-me concorrer mais para agravar um dos mais bicudos - as renovações e até as futuras aquisições - do que tendente a lhe proporcionar soluções. Falarei depois de forma sectorial nas consequências eventuais.

Porque não vemos Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa ou até mesmo António Salvador fazer declarações de teor idêntico? Será que não sentem os mesmos problemas? Não duvido que sentem. No entanto, ao invés de se queixarem do sistema - deste ou dos outros... - procuram extrair dele o melhor para os seus clubes. (Bom, diz-se que até mesmo para si próprios...). Por isso fazem as transferências que fazem, assegurando de forma mais cómoda a sustentabilidade dos seus clubes. Tal como nos resultados, estamos cada vez mais longe do SLB e FCP e, tendo mais e melhores jogadores, já somos ameaçados pelos números do Braga. Vejam-se as transferências de Sílvio ou Pizzi, por exemplo.

Pode o Sporting fazer esta luta "orgulhosamente só" sem sair dela chamuscado? 

Deve o Sporting, clube que forma tantos e bons jogadores, criar um curto-circuito com os agentes que comercializam/intermedeiam as vendas dos jogadores? 

Deve fazer-lhe oposição justamente agora que está em desvantagem? 

As respostas parecem-me óbvias. 

Aceito a necessidade de empreendermos esta luta pela moralização do futebol e dos seus meandros, tem uma importância estratégica indiscutível. Quase ao mesmo nível da que temos que fazer na arbitragem e, nesse sentido, julgo que os Sportinguistas estarão não só identificados como mobilizados. Duvido, isso sim, que seja oportuno fazê-lo agora e fazê-lo sozinhos.

Efeitos práticos junto dos empresários
Dificilmente ontem fizemos mais amigos junto da classe. Também não é importante que o sejam, o respeito pelo Sporting esse sim é indispensável. Em termos práticos a entrevista altera pouco ou quase nada. A generalidade dos empresários exibe uma preocupação quase exclusiva: ganhar a maior soma possível o mais depressa possível, sem se preocupar muito com a carreira dos jogadores. E por isso é bem provável que a generalidade das situações a resolver por Bruno de Carvalho esbarrem neste problema e  por isso apontem para  ruptura.

Efeitos práticos junto dos jogadores
O que querem os jogadores? Jogar, dinheiro, títulos, a ordem é feita em função da personalidade de cada individuo. Conheço o meio muito bem para poder afirmar sem medo de ser desmentido que uma elevada percentagem, a quase totalidade, dos jogadores quer é jogar. E isso sobrepõe-se até à sorte da própria equipa. Quase todos sonham com títulos mas, enquanto eles não chegam, o dinheiro é fundamental para assegurar a sobrevivência, preocupação da maioria. Os títulos trazem o reconhecimento, bons contratos e, quiçá, um lugar na história de um clube ou da modalidade. Ao alcance de poucos.

Dinheiro e títulos o Sporting não está em condições de prometer. Mas, neste momento particular da sua história, oferece condições ímpares para a progressão na carreira, especialmente aos mais novos. A conjuntura aponta para maior tolerância ao erro, menor pressão sobre os resultados. Condições ideais para crescer como profissional e fazer crescer também uma qualquer proposta que esteja agora em cima da mesa. Um passo ao lado para dar em breve dois ou mais em frente. Mas o momento no futebol é também quase tudo e uma lesão, uma época menos conseguida podem adiar ou acabar com qualquer sonho.

Ora a entrevista de ontem veio dizer que não há muito dinheiro para dar. Aos que estão nem aos que o Sporting gostaria que viessem. Títulos são muito difíceis. E o Sporting não tem sido um modelo de estabilidade e nos últimos anos não tem promovido muito valor. Nesse sentido a saída de Jesualdo Ferreira também não terá ajudado muito, em particular aos miúdos que deram saltos qualitativos evidentes e, globalmente, num balneário que se rendeu às qualidades do professor. Um novo treinador, que até pode fazer muito mais e muito melhor, é para os jogadores sempre uma grande incógnita. Gostará de mim? Trará outro para o meu lugar outro? Se tenho que começar de novo porque não começar num local onde me pagam mais?

Que mensagem foi transmitida aos adeptos?
É óbvia a ideia de imensas dificuldades no dossier de aquisições, renovações e dispensas. Já percebemos isso antes até da entrevista. É essa percepção, acrescida pela necessidade de conhecer o meio, que dá uma margem de manobra mais ampla a esta direcção. Haja coragem, verdade e transparência nas decisões.

Sabemos que vamos perder algumas jóias para manter a coroa. O que não seria admissível era o inverso ou ambas. Se o Sporting diz que quer apostar na formação vai ter que eleger um número de jogadores nucleares, entre jovens e outros mais experientes, que constituam o suporte para um novo ciclo. E reconhecer-lhes esse estatuto na folha salarial, quer estejam ou não em fim de contrato. Seria muito difícil de perceber que o Sporting, mais uma vez, fosse oferecer aos de fora o que não dá aos da casa.

terça-feira, 28 de maio de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

As "sábias" palavras de Nobre Guedes

Nobre Guedes, em entrevista concedida à Antena1, declarou que o Sporting não tem salvação. Num sentido lato, filosófico, e até do ponto de vista do sustentado por alguma teoria económica, a afirmação não merece qualquer contestação: "a longo prazo estaremos todos mortos", logo não há salvação possível. Nesse sentido as palavras de Nobre Guedes encerram sabedoria, mas acabam por ser inúteis porque não nos cabe tratar do fim mas de assegurar o futuro.

A sabedoria popular também sustenta a mesma ideia: "vamos à vida que a morte é certa". Porém, sendo certa, não tem hora marcada e cada dia da nossa existência, a partir do momento em que nascemos, é um dia ganho a um destino certo.

O mesmo acontece com as instituições. No caso do Sporting é já uma história com mais de um século. Cada dia desses mais de 100 anos de vida foram uma finta à morte que todos temos como certa. Foi também o triunfo sobre muitos profetas da desgraça, oráculos fatalistas ou previsões de pitonisas catastrofistas. Não sei em que categoria encaixar as declarações de Nobre Guedes, mas que estas resultam de uma profunda falta de humildade e sensatez é bem evidente.

Não deixa de ser curioso, talvez digno de estudo, porque é que os Sportinguistas mudam a sua visão conforme o lugar que ocupam. 

Nobre Guedes esteve 6 anos como responsável das finanças da SAD, as contas desse período são conhecidas de todos e não me lembro de então ter vindo exibir qualquer preocupação ou emitir qualquer aviso.

Entretanto o agora presidente passou os últimos 2 anos a dizer mais ou menos o mesmo que disse agora Nobre Guedes mas chegado à presidência tem-nos dito mais ou menos o mesmo que dizia então Nobre Guedes ou seus colegas de direcção, "este é que é caminho". Esperemos que tenha razão.

Comentando as declarações de Nobre Guedes, o presidente apelou à união, apelo muitas vezes repetido desde que tomou posse. Porém quando era apenas sócio não parecia reconhecer-lhe tanta importância. Ainda em relação a Nobre Guedes acrescentou que "as pessoas têm muito a necessidade de dar nas vistas e de dar entrevistas. Muitas delas, como é o caso de Nobre Guedes, faziam um trabalho melhor quer para o Sporting, quer para elas próprias, que era estarem caladas". Não podia estar mais de acordo. Embora não esteja inibido de fazer declarações, Nobre Guedes teve muito tempo para "falar" no cargo que ocupou, os sócios demonstraram vontade de ouvir outras coisas. Mas lembro-me o quão prolífico em entrevistas foi o então apenas sócio Bruno de Carvalho nos anos anteriores.

A declarações comuns de um (Nobre Guedes) e outro (Bruno de Carvalho) têm outro ponto em comum: a sua situação perante o clube. Com um cargo no clube dizem uma coisa, sem exercer nenhum cargo dizem outra. O mesmo se aplica à generalidade dos Sportinguistas que os órgãos de comunicação escolhem para se pronunciar sobre qualquer matéria sobre o Sporting. 

Infelizmente na hora de falar quase todos se esquecem que todos os Sportinguistas têm um cargo por inerência: lutar todos os dias por um Sporting maior e para isso não precisam de exercer um cargo no clube.

Infelizmente grande parte das declarações que fazem são orientadas em função de uma agenda pessoal de poder, de um grupo de interesses, ou por incompatibilidades pessoais ou de determinado grupo. Não será esta a razão principal do declínio desportivo do Sporting. Mas valia a pena apurar o quanto declarações como as citadas contribuem para tornar o caminho do Sporting mais difícil.

domingo, 26 de maio de 2013

Jamor, local mítico onde se perdem muito mais do que Taças

Continuará pelos próximos dias a crescer o anedotário nacional com as análises humorísticas sobre o final de época dos nossos rivais de sempre, o SLB. Continuarão as televisões a fornecer análise a granel, geralmente proferidas por "entendidos" que nunca fizeram nada que os recomende, falando de projectos, estruturas, triunfos e fracassos. Procurar-se-ão descobrir as razões porque um voo picado de uma águia sobre 3 troféus redundou num estrondoso despenhar 3 vezes repetido. Entretenham-nos.

Foi também no Jamor onde, cerca de um ano antes, assisti com incredulidade e dor ao encerrar da época. Terá sido ali que começou a morrer a época que agora chegou ao fim. Poucos terão reparado numa diferença substancial relativamente ao desfecho de hoje. O Sporting perdeu quando "devia" ter ganho à Académica. Não imagino o que se passou na cabeça dos jogadores e dirigentes, como foi difícil entender e superar o momento. Contudo a equipa permaneceu no relvado, aguardando pelos vencedores, como manda o protocolo tácito do fair-play.

Não foi isso que aconteceu este ano, vendo-se jogadores, técnicos e dirigentes em debandada pelo túnel de acesso aos balneários, não sem antes termos assistido à altercação entre Cardoso e Jesus. Não foi isso que aconteceu em 2007/08, quando derrotamos o FCP e, ainda os nossos atletas subiam as escadarias de acesso à tribuna de honra, já os azuis estariam a tomar banho.

Quando se fala de uma diferença entre nós e os outros é disto de que se fala. É disto que espere que se continue a falar por muito tempo. Podemos perder um jogo mas, por mau que seja, temos que estar à altura do que somos e dos valores que representamos.


Até que enfim! (Quantos anos esperei para ouvir isto?)

Sempre me foi difícil compreender porque o Sporting, os seus dirigentes, pareciam desconhecer o papel central de Pinto da Costa na(s) história(s) do futebol português dos últimos 30 anos e suas consequências directas e indirectas para o clube. 

As relações entre clubes - que devem existir - não justificavam uma aproximação mais ou menos comprometida. Tal sempre constituíram forte motivo de perplexidade e incómodo para mim. De tal forma que já não me lembro de quando tinha sido a última vez que tinha ouvido um presidente do Sporting responder sem qualquer receio a Pinto da Costa. Até que enfim!
 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Olhar para as redes sociais sem surpresa mas com muita pena

As redes sociais tornaram a calúnia e o boato uma arma uso fácil. A mais reles insinuação não necessita de qualquer indicio de prova para se propagar, tornando-se uma verdade insofismável. Planta-se e espera que floresça, adubado pelo pior que há a natureza humana. Uma fórmula bem sucedida porque as  redes sociais conferem hoje a um simples individuo um alcance quase ilimitado, potenciado por uma dinâmica colectiva difícil de contrariar. 

Neste sentido o dia de ontem - onde a blogosfera andou agitada com boatos e desmentidos envolvendo o presidente e familiares próximos - foi "apenas" mais um dia mau para o Sporting. Uma demonstração mais de que a saúde do Sportinguismo já conheceu melhores dias e não parece no caminho das melhoras no curto prazo. Novidade, e significativa, foi ter-se assistido a um desmentido de um dos visados, neste caso visada. Uma vez que é um dos elementos mais proeminentes de um dos grupos de Sportinguistas mais conhecidos no Facebook, espero que pelo menos retire do tratamento ignóbil a que foi sujeita a importância do respeito pelos outros.

Os já mais de 3 anos de blogger, muitos deles como alvo fácil de comentários ofensivos e caluniosos, conferem-me alguma autoridade sobre a matéria. Ainda assim não me dão muita força ou vontade de dissertar sobre ela. Como utilizador aceito as regras do jogo. Sem pretender fazer escola ou constituir exemplo, procuro pautar as minhas intervenções dispensando a terceiros o tratamento que quero para mim. 

Já falar sobre o Sporting é  muito diferente. A minha opinião representa-me apenas a mim, não falo em nome do clube. Mas tenho a noção bem clara que o uso do seu nome ou, mesmo que de forma indirecta, ver o meu nome associado ao clube, me proporciona uma visibilidade muito maior do que aquilo que sou e represento. Esta é uma noção que não foi imediata mas fui aprendendo e amadurecendo. O mínimo que posso fazer é ser criterioso e cuidadoso nas minhas intervenções de forma a que elas não belisquem o clube. Uma noção que se tornou mais aguda nas eleições de Março de 2011, um momento de particular fragilidade e que por isso requeria também particular cuidado, foi essa a percepção que fiz do momento.

Uma postura que nem sempre foi apreciada ou compreendida, em particular no último ano, estão aí as caixas de comentários dos diversos posts para o testemunhar. Desde acusações de uma agenda escondida, propagandista - ter-me-ia vendido e a troco de quê? - a outras de igual teor a por em causa o meu Sportinguismo e o meu carácter. O incómodo causado não foi porém maior que a consciência tranquila. Prefiro desiludir terceiros do que a mim mesmo.

Será essa mesma postura que me permitirá ficar confortável agora. É ela que agora me permite condenar de forma clara o lançamento de calúnias e rumores e a vozearia orientada para fragilizar Bruno de Carvalho. Não se atinge um presidente sem melindrar também o clube que representa. Por mais coriácio e protegido que esteja não é imune ao desgaste. Há quem diga que Bruno de Carvalho provará agora do veneno que andou a espalhar enquanto oposicionista. Argumento que não colhe. Se era então impróprio insultar, caluniar o então presidente, hoje não pode ser diferente.

Bruno de Carvalho já não é apenas um sócio é já o presidente do Sporting Clube de Portugal e isso muda alguma coisa. Quase tudo, creio. Por todas as razões que se possam intuir e, do meu ponto de vista, por duas de valor essencial: 
1- O insulto mina a vontade, desmobiliza e desorienta.
2- Os Sportinguistas não podem, ou não devem, ficar à espera de ver surgir o próximo João Rocha para se mobilizarem em torno do seu clube. Porque ninguém vai ficar à espera do Sporting.

Pena que muita gente só agora o descubra. Pena que só agora tenham despertado para  necessidade de união - seja lá o que isso for - ou de remarmos todos para o mesmo lado. Pena que muitos dos que passaram os últimos dois anos a insultar o então presidente não percebam como isso concorreu para uma imagem ainda mais débil do clube. Os mesmos que hoje nem sequer concedem o direito à critica, mesmo que esta seja inteiramente justificada.

Os outrora auto-proclamados "exigentes" estão agora a descobrir isto. Veremos o que dirão depois dos negócios resultantes da venda de alguns - diz-se muitos - jogadores do plantel. À semelhança do que aconteceu com João Pereira ou Matias Fernandez, não são de esperar grandes valores. Porque da realidade de então pouco mudou. A necessidade já tantas vezes declarada - em contradição com o que foi prometido, assinale-se - será amplamente cobrada pelo mercado. À excepção de Patrício ninguém se valorizou. E mesmo este vejo com imensa dificuldade o Sporting conseguir uma verba superior a 7 milhões de euros. O mercado está cheio de guarda-redes disponíveis de valor técnico idêntico e até superior.

Para estes "exigentes" o mundo é um lugar fácil. Na mesma frase conseguem dizer que o Wolfs é um manco mas que 10 milhões é mau negócio. São os mesmos que acham que Jeffren não vale nada mas temos que o vender no minímo por quatro milhões. Não fosse uma perda de precioso tempo de vida dedicar-lhes-ia alguma atenção nos tempos mais próximos.

O mesmo acontecerá quando o Sporting apresentar as contas e olharmos para a parcela das comissões. Não é o Sporting que dita as regras e mesmo tentando moralizá-las sairá sempre a perder. Se pretender um jogador e se recusar a pagar a comissão ao agente este tudo fará para que o negócio se realize com quem pague melhor. Se vender e comprar muito esta será uma parcela com valores elevados e o contrário. Ao olhar para ela não serei eu, sem mais, a colocar em causa a honorabilidade de quem fez os negócios.

Três exemplos apenas de uma infinidade de outros que ficarão para melhor ocasião.

Quase todos anseiam por um Sporting diferente, um Sporting melhor, maior. Essa mudança será uma vitória colectiva que terá que começar a ser ganha por cada Sportinguista. O Sporting não pode continuar a ser uma máquina trituradora, especialmente dos que assumem a pesada responsabilidade de colocar o Sporting no lugar que todos entendemos ser mais que merecido.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Missão de Leonardo: fazer de Alvalade um Jardim de futebol em Alvalade plantado

Infografia retirada de ZeroZero
Algumas considerações antes de ir ao tema do post. Creio que se justificam, uma vez que eles decorrem quer do período que a antecedeu a conferência de imprensa, quer esta propriamente dita.

As portas fechadas a Jesualdo
Foi ontem avançado pelo Record que Jesualdo Ferreira foi dispensado a seguir ao jogo com o Beira-Mar. Decisão que se compreende, face ao anúncio que se pretendia fazer do acordo com Leonardo Jardim. Menos compreensível seria a confirmação da noticia de que o treinador lhe viu negada a possibilidade de se despedir dos jogadores. A gratidão e as portas abertas da despedida oficial seriam assim contrariadas na prática sem uma razão aparente que tal justificasse. Agir assim não honraria o clube.

A incomodidade pelo 3º elemento
Motivo de muita conversa em campanha afinal o 3º elemento era como a pescada, antes de ser já o era, é o próprio presidente. Nunca me mereceu atenção muito particular, nunca percebi a necessidade de secretismo. Se ela havia seria mais justificada aplicar-se a Inácio, que estava a trabalhar num clube com o qual teríamos que disputar ainda um jogo. Não me parece que a solução encontrada possa merecer alguma recriminação, pelo menos se a decisão resultar de uma ponderação entre o que foi idealizado e, na aplicação prática, se ter entendido resultar melhor assim.

Serei dos menos (ou até nada) incomodado com a revelação. A ideia de um circulo restrito ao nível decisório é-me muito mais grata que uma profusão de cabeças pensantes. Foi essa a critica que deixei em tempo de campanha ao modelo sugerido, a que acrescia ou virão acrescer ainda Freitas Lobo e Tomás Morais. Quem então "morreu" pela sua bondade e acerto que se incomode. Ou dê uma cambalhota... 

Escolha de Leonardo Jardim
Tornei clara a minha posição relativamente à continuidade de Jesualdo. No entanto, percebendo que o entendimento entre ele e o presidente resultaria difícil, o final da relação entre o clube e o treinador era inevitável. Preferível agora que a meio do campeonato. Entendê-lo assim foi o último serviço prestado ao clube pelo professor e uma boa decisão do presidente. Deveria ser sempre assim em qualquer circunstância, com as dificuldades que se adivinham no imediato, o pior que poderia suceder seria uma relação resultante de um armistício artificial e não desejado. Uma paz a apodrecer no tempo e com as dificuldades e a espalhar-se pelos corredores. 

Jardim não era até anteontem um técnico da minha preferência, isto pelo que representava o futebol das equipas que treinou. Na verdade também Jesualdo não o era e acabei por gostar do trabalho que realizou. 

Só por ingenuidade se pode pensar que escolha de Jardim foi feita em 24 horas ou aproximado, como vi muitas vezes reproduzido. Mas foi indiscutivelmente bom que o seu anúncio fosse feito de forma célere. Foi uma decisão ecológica, poupou-se muita tinta e árvores para papel. 

Já o referi anteriormente, dos técnicos falados, era talvez a escolha mais segura. Um talvez porque, como ontem muito bem referiu o LMGM, o Sporting é uma realidade muito específica e sem paralelo. Fossem apenas as suas qualidades e teríamos razões para estar descansados. São pelo menos suficientes para tal, talvez para mais do que isso.

Perfil
Jardim é discreto. Assim o entendo por ter a noção que a sua passagem até agora pelo futebol não está marcada por declarações marcantes apesar do tempo que leva já no futebol nacional. As referências de quem com ele trabalhou são as melhores: organizado, objectivo, estudioso, versão benevolente do workaholic. Ter conseguido "sair a nado" da Madeira também nos diz alguma coisa. Não é fácil num mundo futebolístico tão reduzido conseguir ser notado e, até agora, ter justificado a atenção.


Ser Sportinguista é uma característica distintiva. Adivinho que seja essa uma das razões que estará na base da sua decisão de rumar a Alvalade. Não apenas o cumprimento de um sonho de criança. Também um misto de espírito de uma missão que cabe a cada um de nós adeptos e a atracção pelo risco de triunfar profissionalmente numa necrópole de treinadores e de sonhos.


Curriculum
Jardim chega com 2 títulos a Alvalade. O da II divisão com o Chaves na fase inicial da carreira e de campeão da Grécia no último trabalho. Não completou o campeonato mas não é possível não lhe reconhecer o mérito, atendendo ao facto de ter saído com apenas um empate e 10 pontos de avanço sobre o segundo classificado e ainda com um jogo a menos. 

Não é a primeira vez que o seu nome aparece ligado ao Sporting. Foi dos nomes mais falados para ser o primeiro treinador de Godinho Lopes, juntamente com Laudrup e depois Domingos. Comprometeu-se com o Braga de Salvador quando este, por Janeiro,e com o Braga em dificuldades, deixou de acreditar em Domingos. Domingos havia de "ressuscitar" e levar o Braga a uma impensável final europeia, Salvador torceu-se, mas já era tarde.


Sair. É o verbo que marca as suas últimas ligações. Foi assim com o Beira-Mar, quando estava a ser a equipa sensação da prova. Quando nada o fazia suspeitar, após uma boa época em Braga. E, como foi lembrado acima na Grécia. Neste último tendo sido ligado a um boato tão inverossímil como cómico, face às circunstâncias. 

A saída do Olimpiacos começou a ficar desenhada numa vitória de Pirro: ganha ao Arsenal mas fica de fora da segunda fase da Champions, com 9 pontos! Os adeptos gregos não gostavam da forma como a equipa ganhava os jogos, não lhes chegava o colosso de Rhodes que era a distância pontual, queriam nota artística. Um problema que, infelizmente, não é plausível virmos a ter no curto prazo...


Objectivos
Sem se saber qual a matéria humana à sua disposição é difícil estipular metas. Em teoria não me parece saudável que o Sporting abdique logo de inicio da vontade pelo 3º lugar. Não pela história, ou pelos pergaminhos, mas por razões de dimensão lógica: mesmo com uma drástica redução orçamental o Sporting continuará dispor de mais dinheiro do que os demais que competirão abaixo do segundo lugar. Não tem sido a sua falta que nos tem atirado para os lugares que tanto estranhamos.

Missão
As circunstâncias são-lhe favoráveis, é difícil fazer pior do que a época que agora acabou. Serão, como quase sempre os resultados  a marcar a sua passagem. Para mim não apenas os 3 possíveis em cada jogo de futebol, isto para quem joga de mãos limpas. A formação do plantel, a rentabilização dos jogadores à sua disposição, o crescimento dos miúdos que lhe calharão em sorte também é importante. Mesmo quando não se ganha não tem que se perder tudo e a criação de valor com vista à sustentabilidade é quase obrigatória.

Uma equipa que honre a forma de ser e estar do Sporting: qualidade, abnegação, respeito pelo jogo, pelo adversário, pela camisola, pelos adeptos. Os Sportinguistas saberão reconhecer. Boa Sorte Leonardo Jardim!

terça-feira, 21 de maio de 2013

70 x 7

Para onde caminhamos? Descansem aqueles que reconhecem no título do post o programa religioso de televisão, não venho em missão de evangelização se bem que o tema a que alude podia dar origem a muitos textos relativos ao Sporting. O perdão. Nunca fui muito adepto de perdões e desculpas, sempre pedi às equipas com que trabalho que reconheçam os erros que vão cometendo e não percam tempo com desculpas, o seu tempo é muito mais útil a desenvolver formas de os corrigir e principalmente de não os repetir.
Em Alvalade é tempo de novidades, os Sportinguistas estão como peixe na água neste ambiente, saíram os “maus” e vieram os “bons”. Ah que alegria, nem jogos vão existir para eleger novos demónios e apontar dedos acusadores. É tempo de união, lá para Janeiro de 2014 lembrem-se deste post e voltem cá para o ler. 

A direcção do Sporting está a montar a casa à sua medida, julgo que é o mínimo indispensável para poder assumir as responsabilidades das suas opções. Vai errar, é inevitável, vai falhar, mas se conseguir construir um edifício seu, solidário, homogéneo e sólido a correcção desses erros será mais simples e rápida de conseguir. Eu não arriscaria, neste momento, a substituição de Jesualdo Ferreira por um promissor Leonardo Jardim, não por aquilo que interessa num treinador mas pelo peso institucional que a figura do nosso antigo treinador trás associada. Tenho a certeza que mais que as suas qualidades de treino (evidentes na melhoria em campo da equipa) esse estatuto chamou à pedra um balneário de “cabeça-no-ar” e pôs ordem em muito corredor, túnel e gabinete. Mas essa não deve ser a função de um treinador...
A chegada de Leonardo Jardim é uma pedrada numa “vox populi” que se começava a arregimentar com os argumentos do costume, ninguém quer o Sporting, estão falidos, não vão à europa, etc.. Esta contratação cala muita caneta peçonhenta. Não há treinadores (ou jogadores) jovens ou velhos, há bons ou maus e Leonardo Jardim, não tenho dúvidas, é um bom treinador, mas também não tinha dúvidas das qualidades de treino de Domingos ou Carvalhal e eles também falharam, ou pior, falhou o Sporting. Esta contratação não encerra nada, inicia, se os dirigentes aprenderam algo com o passado deveria ser que dar mais funções a um treinador do que aquelas para que ele está preparado, não trás bons resultados. Para garantir que encurtamos o caminho para o sucesso, a estrutura, seja lá o que isso for, tem agora de assumir as vantagens que Jesualdo Ferreira representava para o Sporting, com esta opção aumentou muito a responsabilidade dos dirigentes do futebol profissional com Inácio à cabeça. Boa sorte, não vai ser fácil.
Num comentário a um post anterior do Leão de Alvalade (por falar em ti, andas numa forma absolutamente extraordinária. Que não te doam os dedos.), disse que o Sporting precisava de um rumo e esse rumo para mim é simples de definir, 70x7. O que é isto? Já lá vamos.
Ainda não percebi bem o que é que a bancada quer, se por um lado reconhece que o próximo ano vai ser difícil, logo de seguida desdenha que se façam ofertas a Carlão ou Edinho. Ah, já sei, isto está muito mal mas vamos contratar o Bielsa, o Nani, o Ghilas, um central alto forte e líder, mais o ponta de lança sempre em rotação de remate fácil e bom jogo de cabeça... Pois. Leonardo amigo, prepara-te, esquece tudo o que viste antes, vais entrar na montanha russa de Alvalade, as subidas serão feitas devagar e os mergulhos vertiginosos. Aguenta-te! Que, S. Inácio te proteja e S. Carvalho te valha.
Voltemos à conversa mais séria. Imaginem que foram eliminados por uns padeiros quaisquer da Noruega na primeira eliminatória da Liga Europa, não é difícil pois não, infelizmente não. Virtualmente é isto que esta horrível classificação nos deu de novidade, fomos eliminados em Maio em vez de ser em Agosto como já aconteceu antes. Pergunto, o Sporting morreu? Houve alguma calamidade? Os patrocinadores desapareceram? Os credores acionaram o clube? Não, pois não, então vamos lá deixar de carpir mágoas e agarrar esta oportunidade de num ano de dificuldades sérias termos um calendário mais desanuviado e concentrar atenções no que interessa, o campeonato e 70, melhor, 70x7.
O desafio que colocava à equipa profissional era este, têm 30 jogos numa época, são 90 pontos, eu só quero 70, não quero ser campeão, nem vice, nenhuma classificação de especial, nem taça nenhuma, quero 70 pontos, não há cá mais nada em que pensarem, as taças são para recuperar dos jogos do campeonato (só têm de chegar às finais...), agora mesmo que o orçamento desça para um terço, são €10.000.000,00, é mais do que suficiente para no campeonato nacional garantir 70 pontos. Como?
Com um bom treinador, um plantel equilibrado, uma táctica de posse que permita atacar em segurança, uma enorme segurança nas bolas paradas defensivas, acrescida de criatividade e agressividade nas ofensivas. Amealhar, cada ponto para esse objectivo final, 70 pontos.
Agora imaginem que este desafio não é para a equipa mas para os órgãos sociais, conseguem reunir condições para que, em sete épocas consecutivas, a equipa de futebol profissional conquiste, no mínimo, 70 pontos? 70 x 7!
Se este for o rumo, tenho a certeza que em breve voltaremos a ter todos os Sportinguistas unidos num imenso abraço a pintar Portugal de verde e branco!

Apresentação de Bruno Leonardo de Carvalho Jardim

Foi mais ou menos isso que sucedeu na apresentação de Leonardo Jardim. Um grande Carvalho plantado no Jardim de Leonardo. Não faltarão ocasiões para ouvir ambos, gostava de ter ouvido mais de Jardim porque esse era o seu momento. 

Num primeiro momento pode resultar, é uma novidade. A médio prazo torna-se cansativo, o risco de ser facilmente caricaturável é grande. A rábula das desculpas por não trabalhar 24h é um maná. Não tenho nenhuma vontade ou prazer de ver o presidente do Sporting, seja ele quem for, alvo de chacota. Porque, seja ele quem for e independentemente do tempo que esteja à frente do clube, ele representa o Sporting.

O mesmo para o tratamento dispensado aos jornalistas. Bruno de Carvalho pode impedi-los de fazer as perguntas mas, uma vez na redacção, não pode controlar o que eles escrevem. Há quem exulte com a aspereza do tratamento, vendo nele uma espécie de terapia de choque. Duvido que no médio/longo prazo também isso resulte a favor do Sporting. Duvido muito que esse seja o caminho para dispensarem o respeito que merecemos e que, indiscutivelmente, muitas vezes nos negam.

Sei que estas matérias têm uma importância quase nula para muitos e nenhuma para ganhar ou perder um jogo, muito menos um campeonato. Por isso mais tarde falarei do que mais importa: a missão de Leonardo Jardim.

Sei também que não faltará quem, no seu registo binário, de que só se pode ser contra ou a favor,  reclame destas linhas. Sinais de um tempo que o próprio tempo se encarregará de normalizar.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Saída de Jesualdo: fazer do risco um lema, uma forma de estar na vida


Tinha prometido que comentaria a saída de Jesualdo quando ela se tornasse definitiva e é isso que este post versará. A afirmação em si e o facto de praticamente já se ter dito tudo sobre a matéria muito antes das comunicações oficiais também é esclarecedor do quanto se tinha tornado óbvio o desfecho ontem conhecido.

Erro de avaliação técnica?
A primeira resposta que ocorre é que só será um erro se quem o substituir for pior. Não concordo inteiramente. O custo da mudança – perde-se o trabalho de seis meses, perde-se a ligação estreita com os jogadores, entre muitas coisas boas – obriga a que a troca tenha que ser feita por alguém que supere o que já existia com Jesualdo. Ainda assim só mais adiante se poderá responder a esta questão.

Mas se não é um erro é um risco. Da perspectiva de descida – se se mantivessem as médias de pontos até à chegada de Jesualdo podia ter acontecido - passamos a pensar na possibilidade de chegar às competições europeias. Percebeu-se quanto a equipa cresceu, apesar do contexto extremamente desfavorável. Percebeu-se que mesmo não ganhando nada foi possível por a comunicação social, os adeptos em geral, a olhar com gosto - e até  suscitar o apetite do mercado - por um conjunto de jogadores já completamente desacreditados. Revelaram-se novos valores. Confirmaram-se as esperanças noutros. 

Ninguém sabe o que vem a seguir. Pode até vir um técnico melhor em teoria, mas que não o confirme na prática. Nem todos os bons treinadores servem para todos os clubes e em todos os momentos. Hoje alguém duvida das capacidades de Jupp Heynckes? Alguém se lembra do que fez no SLB?

Erro estratégico?
Questões técnicas à parte parece-me um erro estratégico. É hoje claro que Jesualdo não continuou por falta de vontade do Sporting em acomodá-lo na sua estrutura. Do lado de Jesualdo, se dúvidas houvesse, ficaram ontem bem claras, como ao longo do último mês, que gostaria de continuar a desenvolver o trabalho que iniciou. Ao não o reconduzir, o Sporting, o seu presidente em particular, prescinde do melhor que recebeu da direcção anterior. Manter Jesualdo permitia uma primeira época de avaliação e também de sossego. Ao dispensá-lo o presidente expõe-se caso não encontre uma solução melhor. Este assunto criou incómodo, ruído e instabilidade. Tudo menos o que precisamos.

Das duas uma. Ou Bruno de Carvalho nunca contou com Jesualdo ou, como um arquitecto inexperiente, projectou uma casa bonita no papel, mas onde não há espaço para o fogão na cozinha ou o sofá na sala. A mim sempre me fui convencendo da primeira hipótese. O presidente nunca foi muito convicto antes das eleições, pareceu-me mais estratégia do que vontade. Após o acto eleitoral foi deixando correr o assunto (2 reuniões, a última no inicio do mês) e o marfim cada vez mais afiado na comunicação social. Aqui, na comunicação, convenhamos que não havia muita margem de manobra, atendendo ao que era o contexto em que se debatia a equipa.

Legitimidade
A legitimidade da decisão é incontestável. Conquistou-a esta direcção ao receber a maioria dos votos e dos votantes – questão importante no nosso caso especifico – mas, atenção, ela não é abstracta. Ao ser eleito todo e qualquer presidente fica comprometido tacitamente a zelar pelos interesses do clube. A sua legitimidade é nesse sentido, pode tomar toda e qualquer decisão, desde que ela favoreça o clube e respeite os estatutos. É um argumento que não faz qualquer sentido invocar. 

Mas há muito quem o faça. Quem o faz deveria antes preocupar-se em avaliar se as promessas eleitorais estão a ser cumpridas – os 20 milhões, os investidores, o contar com o Jesualdo, etc, etc – porque o seu não cumprimento, ou tê-las feito por conveniência, ou sabendo da impossibilidade de as realizar, já justificaria a abordagem da questão. No entanto não serei eu a vestir o fraque de cobrador de dívidas difíceis. Nunca acreditei na exequibilidade de algumas delas – os 20 milhões – nunca desejei outras – os investidores, Freitas Lobo, por exemplo. Tem a palavra quem tomou uma decisão na hora de votar esperando a sua concretização.

Última coca-cola do deserto
É interessante como se difunde uma doutrina. Argumento tantas vezes invocado em muito lado. Jesualdo não é a última coca-cola do deserto. Ora o Sporting está num deserto futebolístico. Cada vez mais longe dos rivais e mais acossado pelos que outrora o seguiam de muito longe. Mandaria o bom senso que não atirasse a coca-cola que tem na mão, para ir à procura de outra sem ter pelo menos chegado a um qualquer oásis. O problema é que a travessia do deserto ainda está para durar, como se anuncia pelas medidas draconianas que estão ainda por conhecer, mas que sabemos inevitáveis.

As hipóteses de que se fala
Leonardo Jardim à cabeça. Do ponto de vista técnico parece a melhor opção. Atendendo ao que foram os finais atribulados dos seus 3 últimos projectos torna-lo-iam pouco recomendável para um clube não menos atribulado. Como é Sportinguista de coração esse inconveniente dilui-se um pouco. Outros como os ainda treinadores do Paços de Ferreira ou Estoril são ainda uma boa incógnita. Já devíamos ter aprendido alguma coisa com o sucedido com experiências anteriores, embora me pareçam melhor preparados que alguns que por cá passaram. Mas até mesmo treinar o Braga, o Guimarães continua ser muito diferente de o fazer no Sporting. E os adversários não jogam contra nós como jogam contra eles.

Conclusão
Treinadores há muitos. Não é um drama perder um treinador e ninguém se lembrará de Jesualdo se o seu substituto trouxer resultados. É com eles que normalmente se afere o trabalho de um treinador. Mas atenção! O parâmetro não é a época que agora acaba, a pior época de sempre terá que ser olhado como excepção e um exemplo a não seguir.

Mas é pelo menos inquietante ver o Sporting preferir o eterno recomeço em troca de um pouco de estabilidade. Jesualdo parecia-me o homem certo no lugar e momentos certos. Ninguém esperava o regresso ao titulo nacional ao virar da esquina. Existe o virar de agulha necessário nas mentalidades para se apostar na criação de valor, não apenas na formação de jogadores, mas na procura externa de talentos para crescerem connosco. O seu conhecimento e experiência poderiam ser uma ajuda importante na reorganização do departamento de futebol profissional e estender-se à Academia. Neste momento da sua carreira não está preocupado com a sobrevivência, o que é um factor importante na tomada de decisões. Nos últimos anos não tivemos ninguém que se lhe aproximasse em categoria. Oxalá o encontremos agora.

domingo, 19 de maio de 2013

A última lição do professor: "Também aprendi a gostar do Sporting, não é difícil"

«Foi uma decisão tomada com tristeza, mas um ato de honestidade para com o Sporting e para comigo. Não poderia aceitar ser treinador para o próximo ano se não sentisse que houvesse condições para, no futuro, não me sentir a mais»

«Ao contrário do que disseram, não foram questões financeiras ou de poder que nos afastaram, mas antes aquilo que fui percebendo ao longo de duas conversas com o presidente, e uma terceira, 9 de Maio»

«Precisava de saber os caminhos para poder chegar ao sucesso, porque não queria ficar com mais medalhas no meu peito: ficar e, no ano seguinte, olharem para mim e verem-me como um individuo a mais.»

«Também aprendi a gostar do Sporting e não é difícil. Senti um carinho especial a aumentar à medida que aumentavam as dificuldades»

«Quero deixar um muito obrigado e dizer que foi um prazer, uma bênção, ter treinado o Sporting e poder conhecer por dentro o único grande que não conhecia. Foi um prazer trabalhar com jogadores de grande qualidade e empenhamento. A instituição Sporting, por mais que viva, nunca a vou esquecer

Foram estas declarações de Jesualdo quando anunciou a saída. Quando pegou na equipa tínhamos 12 pontos em 12 jogos e na cauda da classificação. Fez 30 pontos em 17 jogos. Com essa média teríamos feito 52 pontos, os mesmos que o Braga e menos 2 que o Paços de Ferreira. Sem contabilizar o factor APAF...


sábado, 18 de maio de 2013

Entrevista "exclusiva" a Ronaldo numa sexta-feira triste e cinzenta

Ronaldo apareceu, na hora e local combinado, de semblante carregado. A derrota no seu reduto, ante um vizinho rival e presenciada pelos adeptos do clube que representa, havia deixado marcas. 

Entrevistador: Boa-noite Ronaldo. A ocasião não será a mais feliz mas é um honra e um orgulho poder   ter esta conversa contigo. Nada faria prever este desfecho, marcaram cedo, um golo teu, estavam a dominar o jogo e depois...

Ronaldo: Pois, quantas vezes não viste isto acontecer no futebol? Uma equipa a dominar, marcar, bolas nos postes de todas as maneiras e feitios ou salvas em cima da linha. Não marcas, o adversário começa a acreditar que a sorte se lembrou dele esta noite e acredita. Apesar de seremos melhores e mais fortes começamos a sentir o inverso. Quando dás conta já estás a perder e numa situação complicada para dar a volta.

Entrevistador: Aquela expulsão também não ajudou nada...

Ronaldo: Pois não...

Entrevistador: Queres falar sobre isso?...

Ronaldo: Não há muito a dizer. Por vezes não conseguimos controlar algumas emoções. Seres travado constantemente sem qualquer respeito pelo jogo, por vezes com a complacência dos árbitros e veres o tempo a esgotar-se sem conseguires alterar a situação não ajuda muito.

Entrevistador: No fim não apareceste para receber a medalha. Mourinho também não. Diz-se nos mentideros que por trás disso está uma estratégia para sair para Inglaterra. Tu para o Manchester, ele para o Chelsea.

Ronaldo: Isso é uma idiotice. Não sei o que vai na cabeça de Mourinho, mas não tenho nenhuma estratégia concertada com ele para sair do clube. Tenho muito repeito pelos adeptos. São eles que nos dão tudo, directa ou indirectamente, muitas vezes com sacrifícios pessoais enormes, enquanto a nós não nos falta nada. Saí a bem de Manchester, deixei o clube com muitos títulos e proporcionei-lhe uma receita directa e indirecta que lhes permitiu continuar a sua hegemonia no futebol inglês. Tenho contrato com o Real, o respeito e o carinho da aficcion, e se ele for interrompido será sempre dentro do mesmo espirito.

Entrevistador: Então o que se passou para não apareceres perante os adeptos e o Rei? Tens noção do quanto isso foi chocante para muitos e até para a tua própria imagem?

Ronaldo: Sim agora tenho essa noção, basta ler o que dizem a meu respeito. Mas na altura nem me apercebi das implicações ou consequências. Estava ainda sob o efeito da expulsão, da derrota, perante os nossos adeptos, no último momento da época em que podias dar-lhes uma alegria. Senti que falhei. Falhei com eles. Mas sobretudo falhei comigo e com os valores que me foram ensinados quando comecei a jogar futebol no Sporting. Por vezes essas são as falhas que mais te custam a superar, porque não te representas a ti mesmo apenas, estás a "falar" por muita gente... Mas isso são águas passadas, preferia ter agido de forma diferente, é uma lição que a vida me dá e aprenderei com ela. Sou um homem como qualquer outro, posso falhar. Mas sou também um grande profissional que luta todos os dias com a mesma vontade e alegria para ser melhor. Para minha satisfação pessoal acima de tudo, sem esperar que reconheçam o meu valor ou que já consegui alcançar.

Entrevistador: Falas no Sporting no clube onde te formaste. Porquê? Não foi já há muito tempo para voltar a esse lugar?

Ronaldo: Para muitos pode ser, não para mim. Falei-te há pouco no respeito pelos adeptos, não foi? Foi das primeiras coisas que lá me ensinaram: "menino, respeito pelo jogo, pelos adversários, pelos adeptos, para que possas também exigir respeito para ti". A importância do exemplo, mais do que as palavras. 

Entrevistador: Foi assim tão marcante esse período? Ainda por cima saíste muito cedo, com apenas 17 anos. 

Ronaldo: Claro que foi marcante. Saí muito cedo, não era ainda o jogador que me tornei, mas tinha todas as ferramentas para o fazer, além das minhas próprias qualidades, claro. Mas é impossível não pensar se o que sou hoje seria possível se alguém como o Sr. Aurélio Pereira não decidisse ir ver um jogador franzino, ainda por cima à Madeira e me tivesse levado com ele. Imaginas quantos jogadores havia em Portugal semelhantes e mais perto? Ou até com melhor possibilidades?

Entrevistador: Tu és um expoente, o diamante mais vistoso de uma colecção. Mas que também contabiliza fracassos. Há dias vi numa televisão portuguesa um tal Paim, de quem tu dizias que iria ser melhor do que tu e nem jogador é hoje sequer.

Ronaldo: São duas coisas diferentes. Quanto à colecção de que falas, não podes ignorar Figo. Quantas escolas conheces com 2 jogadores que foram considerados os melhores entre os melhores? Mas há um patamar ligeiramente mais abaixo de enormes jogadores, alguns deles nunca puderam beneficiar da exposição mediática de que hoje beneficiamos. Não te esqueças de Futre. Ou Nani, Simão, Moutinho e muitos outros. Estes dois são um bom exemplo do que a formação do Sporting é capaz. Quantos clubes acreditariam em jogadores com 1,70 ou menos para jogar no meio de homens?

Quanto aos fracassos é injusto imputá-los à formação em exclusivo. Terá as suas responsabilidades que, estou certo, quererá apurar, como fazem todos as organização de excelência como ela é. A formação do clube dá-nos as ferramentas mas temos que ser nós a usá-las. 

Um exemplo:

Queres saber como ir de Madrid a Barcelona. Eles dizem-te, tens o comboio, entre eles o AVE e outros mais lentos. Tens o avião. Podes ir de camioneta, à boleia de um amigo, etc. Dão-te o custo das respectivas opções e tu fazes as tuas escolhas. Há quem não consiga pagar um bilhete de avião e vai de comboio. Desses alguns não têm dinheiro para o AVE, vão num intercidades. E por aí a fora. Alguns chegam aos seus destinos, mais tarde ou mais cedo, consoante as opções e capacidades. Outros param em Saragoça e ficam-se por lá. Outros não têm sorte, há um acidente na Castelhana e, quando chegam a Atocha o comboio já partiu. Outros perdem-se nos shopping´s, num último chupito, que é o primeiro de muitos e quando dão conta a vida não esperou por eles. Nunca espera por ninguém. Talvez tenha sido esse o caso de Fábio. 

Entrevistador: Mas tornaste-te sócio só agora. Porquê agora, depois de tanto tempo?

Ronaldo: É daquelas coisas que tu pretendes fazer, não marcas uma data e quando dás conta já passou muito tempo. Há quem olhe para o tempo que ficou para trás. Eu prefiro olhar pelo que está pela frente e nesse tempo vou ter certamente muitas ocasiões para ajudar o meu clube. Ser sócio é já uma delas. E ajudo-me a mim mesmo também, pela satisfação e o orgulho que me proporciona este estreitar de laços com aquilo que considero ser a minha família desportiva. 

Entrevistador: Família desportiva que não vive um momento muito feliz. O sucesso não tem andado muito a pairar por aqueles lados...

Ronaldo: São duas coisas diferentes, o sucesso e a pertença. Pode ser muito importante para outras famílias, na nossa não se é do Sporting porque se ganha. Isso é um pouco difícil de explicar a quem está de fora. Não que as derrotas nos sejam leves, que não percamos noites a dar voltas, como se cada uma dessas voltas pudesse alterar o destino da bola que não entrou, ou tirar uma outra do fundo da nossa baliza. Temos tido muitas, muitas mais do que estávamos preparados para aguentar. E, ao contrário do que possam pensar, por serem muitas, quando a próxima surge ao virar de uma qualquer jornada, ela não doí menos que a primeira que nos lembramos.

Mas a contabilidade de um Sportinguista é muito mais complexa que o deve ou o haver das derrotas ou das vitórias, dos títulos arrecadados, que são muitos, ou dos que contávamos ganhar e acabamos por perder. Há uma noção telúrica de pertença, uma identificação natural que discursos ou proclamações grandiloquentes não fazem justiça. 

Como se Alvalade fosse o nosso centro magnético e nós, leões de um ADN único e invulgar, fossemos impelidos pela urgência imposta pelo sangue que nos corre nas veias a estar e ser dali. E estar e ser com os nossos, que não sabemos quem são, mas que vemos nas faces correr as mesmas lágrimas que seguramos nos nossos olhos, que não sabemos quem são, mas desaguamos nos mais apertados abraços a cada golo e fundimos num bruá imenso que grita Spooooorting!

Isto nasce contigo, está ali à espera que desperte, no colo de um pai que te leva pela primeira vez a um estádio ou pavilhão, que te oferece uma caneta, uma bandeira, uma camisola. Ou quando te dás conta nasceu do nada. Sabes que és dali e não poderias ser de mais lado nenhum.

É verdade que o clube não vive um momento feliz. Mas vai dizer aquela gente que não pode ser diferente, que não pode ser melhor. Foi ali que aprendi a fintar o meu destino. Nasci numa família de recursos limitados e estava fadado para assim viver.

Hoje posso comprar quase tudo o que quiser, mas o prazer de entrar em Alvalade, reconhecer os cheiros, as cores das camisolas e das bandeiras, o arrepio dos cânticos a troar, a emoção a levantar cada pêlo do teu corpo não tem preço. Infelizmente têm sido poucas as vezes que a vida me tem permitido esse luxo. Espero que ela me compense depois. Da mesma forma que me ensinaram a mim, juntos conseguiremos fintar este momento.

Nota: Esta entrevista não aconteceu. Mas gostava de a ter realizado, para assim lhe retirar as "comillas". Estas e algumas outras que o dia de ontem pôs no caminho de Ronaldo. Pelo que representa para nós sportinguistas, pelo que já fez pelo futebol, pelo que merece a sua dedicação à modalidade. Pelo seu exemplo.

-----------------------------------------

Ontem foi uma sexta-feira triste e cinzenta. Completaram-se 17 anos da morte de Rui Mendes no estádio nacional, num dia em que a memória se apagará do sitio e do momento em que recebi a noticia mas não apagará a dor e a incredulidade com que a recebi. Habituado desde os 9 anos de idade a ir sozinho ao futebol, nunca julguei que naquela tarde se anunciava um tempo diferente, em que os estádios deixariam de ser um local de celebração de alegrias e tristezas e as únicas mortes possíveis eram as dos sonhos. A impunidade dos responsáveis é um soco permanente que nos ajoelha de dor e descredibiliza a justiça.

Foi ontem também que o Sporting viu igualado um feito até então só seu. O FCP alcançou ontem o pentacampeonato em andebol, igualando um feito por nós alcançado há 4 décadas. A seguir ao atletismo é a nossa modalidade mais titulada, creio. O orçamento da secção deve custar menos que muitos ordenados de alguns dos nossos futebolistas. Já que parece haver revolução à vista no plantel que se tenha isto em conta.E quem vos diz isto adora o futebol

Foi também uma sexta-feira que anunciou uma final da UEFA perdida em Alvalade. Um dia em que pelo país fora muitos foram os portugueses que depressam descobriram afinidades com o clube russo que ergueria a taça. A não esquecer, especialmente esta semana...

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Certificado de qualidade para o trabalho de Jesualdo

É praticamente certo que Jesualdo Ferreira encerrará a sua passagem pelo Sporting no final do mês. Já muito foi escrito sobre a matéria, ainda assim quero reservar a minha análise para quando o facto por assumido de forma oficial. Poupo-me a mim, aos leitores e, preocupação primeira, ao Sporting, que necessitava pouco ou nada deste burburinho. Ou de quaisquer outros.

Antecipo nestas pequenas linhas o pagamento de um tributo de justiça ao seu trabalho. O reconhecimento está expresso na pré-convocatória de Paulo Bento: André Martins, Adrien Silva, Cédric Soares, Miguel Lopes e Rui Patrício figuram nela.

Mesmo que apenas dois  venham a figurar na convocatória definitiva - o que seria injusto para André Martins, supondo que os 2 seriam Patrício e Lopes - ela atesta o conseguido por  Jesualdo em apenas 6 meses que foram, simultaneamente, dos dias mais atribulados que a memória há-de registar. Há 6 meses seria de todo impensável outro nome que não apenas o de Patrício. Isto diz muito do que foi feito por Jesualdo Ferreira. De fora ficam ainda Carrilo e Dier e Illori também convocados para as selecções. Ou o que é hoje Rojo e o que era antes.





quinta-feira, 16 de maio de 2013

Da ausência das competições europeias nasceu isto. Não leia se a realidade o incomoda.

São muitas as saudades de um Sporting Feliz
Ficamos a saber que o nome do Sporting estará ausente quer das competições europeias, quer do pódio das competições internas, uma espécie de mínimo olímpico suportável. A dureza da constatação não deverá ser menor do que viver e experienciá-lo. Devemos ao Sporting que nos foi entregue pelos que nos precederam fazer deste momento uma excepção, recusando conformarmo-nos ou habituarmo-nos ao sabor amargo que ficou.

Pode-se olhar de várias formas para este desfecho, levados a pensar que se tratou de um acidente, fruto das circunstâncias que o clube viveu este ano. Em certo sentido sim. Não se julga muito provável que o Paços de Ferreira nos próximos anos repita a gracinha de nos anteceder na classificação. Mas já é temerário afirmar o mesmo relativamente ao Braga, que nos precede em duas épocas consecutivas. Ou até que não haja outro clube a corporizar o epifenómeno este ano assumido pela equipa de Paulo Fonseca. 

Há dias, reflectindo sobre o modelo Sporting debruçava-me aqui sobre aquilo que foram as épocas de ouro do nosso futebol, iniciada nos anos 30 e que se estendeu até aos anos 70, conhecendo o seu ocaso a partir dos anos 80 até hoje. A contabilidade daí resultante torna a actual época mais preocupante. Mais do que um acidente parece confirmar uma tendência: estamos mais próximos dos debaixo do que dos rivais de sempre e é necessário olhar para o distante ano de 2008 para nos lembrarmos do último troféu conquistado. 

Cenário mais ou menos idêntico, com algumas honrosas excepções, vive-se nas modalidades que ainda restaram, depois do domínio construído e consolidado de forma imperial por João Rocha. Da hegemonia no futebol primeiro, e nas ditas modalidades depois, ficou um historial riquíssimo e durante muito tempo incomparável. Mas é notório que o clube se debate de forma sofrida para manter o seu estatuto ímpar e, a menos que altere a trajectória, será inapelavelmente ultrapassado. Por quem e quando é uma questão de somenos.

Em nenhum momento esta constatação deve ser confundida com o pessimismo. Continuo a acreditar na viabilidade de um Sporting como o que foi sonhado pelos fundadores. Mas tal só se concretizará se o clube inverter um rumo que de há muito o afastam das virtudes em que se fundaram as suas origens, da sua missão, da sua mensagem e  dos valores que representa.

Há dias espantou a comparação dos números de treinadores que passaram pelo Sporting enquanto Sua Majestade, Sir Alex Ferguson, criava uma marca que perdurará no futebol mundial. Foram nada menos que 40, ao que podíamos somar o elevado número de presidentes, directores desportivos e de outra índole  a somarem passagens fugazes por Alvalade.

Embora haja muito quem ache que o Sporting "tem um estigma por ter ligado à sua origem viscondes" essa é a sua maior riqueza. Não a da classe social dos seus fundadores per si, da sua origem ou do seu carácter restrito e exclusivista. A ser assim o Sporting não seria hoje mais do que associado a jogos de bridge, canasta, ou bailes de debutantes. Isto se tivesse sobrevivido ao tempo e às mudanças.

O Sporting nasceu, cresceu e consolidou o seu estatuto pela qualidade excepcional dos fundadores e dos que os sucederam, por conseguirem percepcionar o meio envolvente, visionar o futuro e, pela sua acção, muitas vezes antecipá-lo, ou pelo menos moldá-lo, criando as condições para o sucesso. Mais do que o mero poder económico de alguns privilegiados, foi isso que os destacou e tornou grande o que nada era em 1906. Grande porque arrasta atrás da sua bandeira milhões e acumula milhares de troféus em dezenas de modalidades.

Desse tempo constam inúmeros registos do pioneirismo do clube. Não faltam exemplos aos quais é impossível não associar uma relação de causa e efeito. Não há aqui espaço nem tempo para não os analisar de outra forma que não aleatória. Ainda assim, conhecedor dos riscos que tal implica, atrevo-me a citar alguns.

Em 15 de Fevereiro de 1921 foi empossado o Conselho Técnico. Teve como mentores Francisco Stromp, Salazar Carreira e Júlio Araújo e tinha como missão pensar as infraestruturas e os métodos de treino. Falamos de homens com anos de permanência no clube, numa multitude de tarefas e cargos. Mais tarde, dando corpo a uma ideia de Retamoza Dias, vogal desde 1924, e então já vice-presidente de Joaquim Oliveira Duarte,o Sporting construiria o primeiro centro de estágios de que há registo. Olhando para a hegemonia que o Sporting exerceu nos anos seguintes é difícil não encontrar aqui os alicerces. 

Certamente também não será alheio o facto de ter contado com os melhores treinadores - Szabo, Cândido de Oliveira, Fernando Vaz, ou Randolph Galloway.  Joseph Szabo treinou o Sporting durante 9 épocas, o que emulado para o padrão latino, é bem capaz de suplantar o alcançado por Sir Alex... Acresce o importante facto nesses períodos o clube ter um plantel estável e de qualidade sem igual. Estabilidade é hoje uma palavra ausente do léxico leonino.

Poder-se-á pensar que os tempos mudaram, e que os tempos seriam então mais fáceis. Dizer isso é ignorar o contexto em que o clube viveu os primeiros e frágeis anos: um País profundamente subdesenvolvido, as em convulsões resultantes da implantação da República, e em simultâneo com duas guerras mundiais. Acresce ainda que o desporto de competição dava os primeiros passos em todo o mundo, não havendo por isso saber constituído. Também não existiam os diversos canais de divulgação do conhecimento e a mobilidade era reduzida.

É a qualidade das decisões que distingue os que inscrevem os seus nomes na história e os que passam. "Qualidade é excelência. Excelência não é um acto é um hábito". O Sporting hegemónico no futebol e restantes modalidades era habitualmente excelente pelo conjunto de factores aludidos.

Numa palavra, o Sporting Clube de Portugal descaracterizou-se. O clube está hoje profundamente dividido e tem que olhar constantemente para trás para encontrar referências. De uma referência de estabilidade e alfobre de ideias e valores tornou-se num exemplo de disrupção, falha e recomeço. Seguramente que não foi por ser o que é hoje que se tornou numa referência incontornável do desporto passado poucos anos da sua criação.

Ao contrário do que já se tornou um mito urbano este não é um problema dos últimos 18 anos. O nosso  muito querido João Rocha despediu Allison, antes de se completar um ano após a dobradinha. A saída do próprio João Rocha,  passado pouco tempo, que nunca foi compensada com alguém que estivesse à altura do seu legado, afundou o clube. Cintra tornou-se célebre por despedir um treinador quando ia em primeiro lugar.

O período hoje classificado de "roquetismo" foi, na sua organização interna, tudo menos a propalada "continuidade".  Do Sporting campeão após 18 anos de José Roquette, em particular do departamento de futebol, não sobrou pedra sobre pedra um ano depois. O mesmo havia de suceder em 2005, a chamada época do quase. O Sporting de Paulo Bento não encantava, mas era necessário arrasá-lo por completo para se construir um Sporting novo? O resultado está à vista hoje. Nenhuma organização, país ou associação de condóminos é eficiente neste modelo.

Decidir é, em certa medida, desenhar o futuro. Quando os dirigentes do Sporting levaram às últimas consequências a contratação de Travassos, não desistindo perante a insistência do FCP, (chegaram a raptar o jogador) não asseguraram apenas um jogador fabuloso.Viabilizaram a composição do melhor quinteto de cordas, (invulgar, por ser constituído apenas por violinos) de que o futebol nacional tem memória, com o que isso representa na nossa história.

Ao contrário, quando o Sporting decide ir buscar Eusébio a Moçambique e dá o negócio concretizado sem o preto no branco, ou mais tarde deixa suceder o mesmo com Futre para um adversário em ascensão, condicionou o seu destino. O Sporting não acabou por causa disso, fez-se um Sporting diferente.

Será assim com a renovação de Jesualdo. Aparentemente não há aqui nada de dramático. (Sirvo da circunstância como exemplo, não pretendo fazer qualquer análise sem conhecer o desfecho). Inscreve-se na mesma linha do que sucedeu com a possibilidade de ter Mourinho e se decidiu reconduzir Inácio. Ou trocar Vilas Boas por Paulo Sérgio.

A decisão de não reconduzir Jesualdo só será um erro se no seu lugar estiver alguém menos capaz. Ai será um duplo erro, que agravará consideravelmente os efeitos da decisão tomada, como sucedeu nos dois exemplos citados. Obviamente o Sporting não acabará, estará mais longe de atingir o sucesso. E isso sim será dramático. Tem-o sido aliás.

Haverá muito quem não aprecie este choque com que a realidade nos colhe. Porém ele parece-me imprescindível porque, sem realismo pessoa ou instituição percepciona a necessidade de melhorar a sua condição. E o Sporting precisa de mudar, de perseguir a excelência de que já foi capaz. Mais do que de dinheiro ou da importação de modelos de quem deveria ter muito a aprender com a nossa história.

Sporting Clube de Portugal

Sporting Clube de Portugal

Prémios

Sporting 160 - Podcast

Os mais lidos no último mês

Blog Roll

Leitores em linha


Seguidores

Número de visitas

Free HTML Counters

Ultimos comentários

Blog Archive

Temas

"a gaiola da luz" (1) 10A (1) 1ª volta Liga Zon/Sagres 10/11 (3) 2010-2011 (1) 2016 (1) 8 (4) AAS (7) ABC (3) Abrantes Mendes (3) Academia (14) Académica-SCP (1) adeptos (93) Adrien (18) AdT (1) adversários (81) AFLisboa (2) AG (19) Alan Ruiz (1) Alexander Ellis (1) alma leonina (59) ambição (10) andebol (33) André Geraldes (2) André Marques (2) André Martins (6) André Santos (5) anestesia (3) angulo (5) aniversário "A Norte" (3) Aniversário SCP (3) antevisão (41) APAF (11) aplausos ao ruben porquê? (2) Aquilani (1) aquisições (85) aquisições 2013/14 (16) aquisições 2014/15 (18) aquisições 2015/16 (17) aquisições 2016/17 (10) arbitragem (89) Associação de Basquetebol (6) ataque (1) Atitude (9) Atletico Madrid (1) Atlético Madrid (1) atletismo (6) auditoria (4) autismo (1) AVB és um palhaço (1) aventureiro (1) Bacelar Gouveia (2) Balakov (1) balanço (5) Baldé (4) balneário (3) banca (2) Barcos (3) Bas Dost (2) Bastidores (68) Batota (16) Beira-Mar (2) Belenenses (4) Benfica (1) BES (1) bilhetes (2) binários (1) Boal (1) Boateng (1) Boeck (2) Bojinov (7) Bolsa (2) Borússia Dortmund (1) Boulahrouz (2) Brasil (1) Braz da Silva (8) Brondby (4) Bruma (18) Bruno Carvalho (99) Bruno César (3) Bruno de Carvalho (7) Bruno Martins (20) Bryan Ruiz (3) Bubakar (1) BwinCup (1) cadeiras verdes (1) Cadete (1) Caicedo (5) calendário (2) Câmara Municipal de Lisboa (3) Campbell (2) Campeões (2) campeonato nacional (21) campeonatos europeus atletismo (2) Cândido de Oliveira (1) Caneira (2) Cape Town Cup (3) Capel (4) carlos barbosa (4) Carlos Barbosa da Cruz (2) Carlos Carvalhal (5) Carlos Freitas (7) Carlos Padrão (1) Carlos Severino (4) Carriço (6) Carrillo (10) Carrilo (3) carvalhal (30) Caso Cardinal (1) Casos (6) CD Liga (3) Cedric (7) Cervi (3) CFDIndependente (1) Champions League 2014/15 (9) Champions League 2015/16 (5) Chapecoense (1) CHEGA (1) Ciani (1) Ciclismo (3) CL 14/15 (2) Claques (9) clássicos (8) Coates (4) Coerência (1) colónia (1) comissões (2) competência (2) comunicação (64) Comunicação Social (20) Consciência (1) Conselho Leonino (2) contratações (6) COP (1) Coreia do Norte (1) Corradi (1) corrupção no futebol português (2) Cosme Damião (1) Costa do Marfim (3) Costinha (45) Couceiro (13) crápulas (1) credores (1) crise 2012/13 (21) Crise 2014/15 (2) Cristiano Ronaldo (1) cronica (3) crónica (15) cultura (4) curva Sporting (1) Damas (3) Daniel Sampaio (3) debate (5) defesa dos interesses do SCP (7) Del Horno (1) delegações (1) depressão (1) Derby (42) Derby 2016/17 (1) derlei (1) Desespero (1) Despedida (2) despertar (3) dia do leão (1) Dias da Cunha (1) Dias Ferreira (6) Diogo Salomão (4) director desportivo (18) director geral (5) direitos televisivos (4) Dirigentes (28) disciplina (6) dispensas (22) dispensas 2015/16 (1) dispensas 2016/17 (2) djaló (10) Domingos (29) Doyen (4) Duarte Gomes (2) Ecletismo (60) Eduardo Barroso (6) Eduardo Sá Ferreira (2) eleições (19) eleições2011 (56) eleições2013 (26) eleições2017 (9) Elias (5) eliminação (1) empresários (11) empréstimo obrigacionista (3) entrevistas (62) Épico (1) época 09/10 (51) época 10/11 (28) época 11/12 (8) época 12/13 (11) época 13/14 (4) época 14/15 (8) época 15/16 (5) época 16/17 (7) EquipaB (17) equipamentos (11) Eric Dier (8) Esperança (4) estabilidade (1) Estádio José de Alvalade (4) Estado da Nação (1) estatutos (6) Estórias do futebol português (4) estratégia desportiva (102) Estrutura (1) Euro2012 (6) Euro2016 (1) Europeu2012 (1) eusébio (2) Evaldo (3) Ewerton (4) exigência (2) expectativas (1) expulsão de GL (1) factos (1) Fafe (1) Fair-play (1) farto de Paulo Bento (5) fcp (12) FCPorto (9) FIFA (2) Figuras (1) filiais (1) final (1) final four (1) finalização (1) Finanças (24) fiorentina (1) Football Leaks (2) Formação (88) FPF (13) Francis Obikwelu (1) Frio (1) fundação aragão pinto (3) Fundação Sporting (1) fundos (14) futebol (9) futebol formação (1) futebol internacional (1) Futre (1) Futre és um palhaço (4) futsal (22) futsal 10/11 (1) futuro (8) gabriel almeida (1) Gala Honoris Sporting (2) galeria de imortais (27) Gamebox (2) Gauld (5) Gelson (1) Gent (1) geração academia (1) Gestão despotiva (2) gestores de topo (10) Gilberto Borges (2) GL (2) glória (5) glorias (4) Godinho Lopes (27) Gomes Pereira (1) Governo Sombra (1) Gralha (1) Gratidão (1) Grimi (4) Grupo (1) Guerra Civil (2) guimarães (1) Guy Roux (1) Hacking (1) Heerenveen (3) Hildebrand (1) História (18) Holdimo (1) homenagem (5) Hóquei em Patins (7) Hugo Malcato (113) Hugo Viana (1) Humor (1) i (1) Identidade (11) Idolos (3) II aniversário (1) Ilori (4) imagem (1) imprensa (12) Inácio (5) incompetência (7) Insua (2) internacionais (2) inverno (2) investidores (3) Iordanov (6) Irene Palma (1) Iuri Medeiros (1) Izmailov (26) Jaime Marta Soares (3) Jamor (3) Janeiro (1) Jardel (2) jaula (3) JEB (44) JEB demite-se (5) JEB és uma vergonha (5) JEB rua (1) JEBardadas (3) JEBardice (2) Jefferson (3) Jeffren (5) Jesualdo Ferreira (14) JJ (1) JL (3) Joana Ramos (1) João Benedito (1) João Mário (6) João Morais (5) João Pereira (6) João Pina (3) João Rocha (3) Joaquim Agostinho (2) joelneto (2) Jogo de Apresentação (1) Jorge Jesus (41) Jorge Mendes (3) José Alvalade (1) José Cardinal (2) José Couceiro (1) José Eduardo Bettencourt (33) José Travassos (1) JPDB (1) Jubas (1) judo (6) Juniores (7) JVL (105) Kwidzyn (1) Labyad (7) Lazio (1) LC (1) Leão de Alvalade (496) Leão Transmontano (62) Leonardo Jardim (11) Liderança (1) Liedson (28) Liga 14/15 (35) Liga de Clubes (11) liga dos campeões (12) Liga dos Campeões 2016/17 (11) Liga Europa (33) Liga Europa 11/12 (33) Liga Europa 12/13 (9) Liga Europa 13/14 (1) Liga Europa 14/15 (1) Liga Europa 15/16 (11) Liga Europa10/11 (16) Liga NOS 15/16 (30) Liga NOS 16/17 (22) Liga Sagres (30) Liga Zon/Sagres 10/11 (37) Liga Zon/Sagres 11/12 (38) Liga Zon/Sagres 12/13 (28) Liga Zon/Sagres 13/14 (24) Lille (1) LMGM (68) losango (1) Lourenço (1) low cost (1) Luis Aguiar (2) Luis Duque (9) Luís Martins (1) Madeira SAD (4) Malcolm Allison (1) Mandela (2) Mané (3) Maniche (4) Manifesto (3) Manolo Vidal (2) Manuel Fernandes (7) Marca (1) Marcelo Boeck (1) Marco Silva (27) Maritimo (2) Marítimo (3) Markovic (1) Matheus Pereira (2) Mati (1) matías fernandez (8) Matias Perez (1) Mauricio (3) Meli (1) Memória (10) mentiras (1) mercado (40) Meszaros (1) Miguel Lopes (1) miséria de dirigentes (2) mística (3) Modalidades (25) modelo (3) Moniz Pereira (7) Montero (7) Moutinho (3) Mundial2010 (9) Mundial2014 (3) Mundo Sporting (1) Nacional (1) Naide Gomes (2) Naldo (3) naming (2) Nani (3) Natal (4) Naval (3) Navegadores (3) negócios lesa-SCP (2) NextGen Series (3) Noite Europeia (1) nonsense (23) Nordsjaelland (1) NOS (1) Notas de Imprensa (1) notáveis (1) nucleos (1) Núcleos (9) Nuno André Coelho (2) Nuno Dias (3) Nuno Saraiva (2) Nuno Valente (1) o (1) O Roquetismo (8) Oceano (1) Octávio (1) Olhanense (1) Olivedesportos (1) Onyewu (7) onze ideal (1) opinião (6) oportunistas (1) orçamento (3) orçamento clube 15/16 (1) organização (1) orgulho leonino (17) Oriol Rosell (3) paineleiros (15) Paiva dos Santos (2) paixão (3) papagaios (8) pára-quedista (1) parceria (2) pascoa 2010 (1) pasquins (7) património (2) patrocínios (5) Paulinho (1) paulo bento (19) Paulo Faria (1) Paulo Oliveira (3) Paulo Sérgio (43) paulocristovão (1) Pavilhão (10) pedrada (1) Pedro Baltazar (8) Pedro Barbosa (5) Pedro Madeira Rodrigues (3) Pedro Mendes (4) Pedro Silva (2) Pereirinha (6) Peyroteo (2) Pini Zahavi (2) Pinto Souto (1) plantel (31) play-off (1) PMAG (3) Podence (1) Polga (5) Pongolle (5) Pontos de vista (15) por amor à camisola (2) post conjunto (5) Postiga (7) PPC (7) Pranjic (2) pré-época (2) pré-época 10/11 (7) pré-época 11/12 (43) pré-época 12/13 (16) pré-época 13/14 (16) pré-época 14/15 (22) pré-época 15/16 (20) pré-época 16/17 (12) prémio (1) prémios stromp (1) presidente (4) Projecto BdC (1) projecto Roquette (2) promessas (3) prospecção (2) Providência Cautelar. Impugnação (1) PS (1) Quo vadis Sporting? (1) Rabiu Ibrahim (2) râguebi (1) raiva (1) RD Slovan (1) reacção (1) redes sociais (1) Reestruturação financeira (17) reflexãoleonina (21) reforços (15) regras (4) regulamentos (1) Relatório e Contas (11) relva (10) relvado sintético (4) remunerações (1) Renato Neto (3) Renato Sanches (1) respeito (7) resultados (1) revisão estatutária (5) Ribas (2) Ribeiro Telles (4) Ricardo Peres (1) Ricciardi (2) ridiculo (1) ridículo (2) Rinaudo (8) Rio Ave (2) Rita Figueira (1) rivais (6) Rodriguez (2) Rojo (4) Ronaldo (12) rtp (1) Rúbio (4) Rui Patricio (18) Rui Patrício (4) Sá Pinto (31) SAD (25) Salema (1) Sarr (4) Schelotto (2) Schmeichel (2) scouting (1) SCP (64) Segurança (1) Selecção Nacional (38) seleccionador nacional (5) SerSporting (1) Shikabala (2) Silly Season2017/18 (1) Símbolos Leoninos (3) Sinama Pongolle (1) Sistema (4) site do SCP (3) SJPF (1) Slavchev (1) slb (21) Slimani (11) Soares Franco (1) sócios (16) Sócrates (1) Solar do Norte (14) Sondagens (1) sorteio (3) Sousa Cintra (1) Sp. Braga (2) Sp. Horta (1) Spalvis (2) Sporting Clube de Paris (1) Sportinguismo (2) sportinguistas notáveis (2) SportTv (1) Stijn Schaars (4) Stojkovic (3) Sunil Chhetri (1) Supertaça (3) sustentabilidade financeira (40) Taça CERS (1) Taça Challenge (5) taça da liga (11) Taça da Liga 10/11 (7) Taça da Liga 11/12 (3) Taça da Liga 13/14 (3) Taça da Liga 14/15 (2) Taça da Liga 15/16 (4) Taça da Liga 16/17 (1) Taça das Taças (1) Taça de Honra (1) Taça de Liga 13/14 (3) Taça de Portugal (12) Taça de Portugal 10/11 (3) Taça de Portugal 10/11 Futsal (1) Taça de Portugal 11/12 (12) Taça de Portugal 13/14 (3) Taça de Portugal 14/15 (8) Taça de Portugal 15/16 (4) Taça de Portugal 16/17 (4) táctica (1) Tales (2) Tanaka (1) Ténis de Mesa (2) Teo Gutierrez (5) Tertúlia Leonina (3) Tiago (3) Tonel (2) Torneio Guadiana 13/14 (1) Torneio New York Challenge (4) Torsiglieri (4) Tottenham (1) trabalho (1) transferências (5) transmissões (1) treinador (89) treino (4) treinos em Alvalade (1) troféu 5 violinos (5) TV Sporting (5) Twente (2) Tziu (1) uefa futsal cup (4) Uvini (1) Valdés. (3) Valores (14) Veloso (5) vendas (8) vendas 2013/14 (2) vendas 2014/15 (1) vendas 2016/17 (5) Ventspils (2) Vercauteren (5) Vergonha (7) video-arbitro (3) Villas Boas (8) Viola (1) Virgílio (97) Virgílio1 (1) Vitor Golas (1) Vitor Pereira (6) Vitória (1) VMOC (7) Vox Pop (2) VSC (3) Vukcevic (10) WAG´s (1) William Carvalho (13) Wilson Eduardo (2) Wolfswinkel (12) Wrestling (1) Xandão (4) Xistra (3) Zapater (2) Zeegelaar (2) Zezinho (1)