terça-feira, 31 de julho de 2012

Sporting, que equipa-tipo?

Se há algo que resulta claro das primeiras observações que se podem fazer desta pré-época é existência de um leque equilibrado de jogadores para cada posição, exceptuando para a posição 9, tal como foi aqui anteriormente afirmado. Menos claro é ainda, e talvez resultante desse mesmo equilíbrio, é a equipa tipo com que o Sporting se apresentará nos primeiros compromissos oficiais da época. O presente post é um exercício meramente especulativo, tão ao gosto de qualquer adepto, mesmo que um pouco extemporâneo, face ao que ainda falta ver jogar, e por isso com elevado risco de ver as previsões falhar.

Baliza: Só em caso verdadeiramente excepcional se encara a possibilidade de o titular não ser Patrício. E a excepção poderia ser a sua partida, o que até agora não parece haver riscos de suceder. Com a desejável renovação em curso, espera-se que o titular indiscutível da selecção nacional se mantenha por mais anos de leão ao peito.

Lateral direito: a opção inicial de Sá Pinto, que já revelou não se deixar influenciar por alguns sectores da bancada, deverá ser Pereirinha. Nesse sentido lembro aqui o comentário do nosso leitor Tiago, no post anterior: "Por vezes os adeptos do Sporting parecem aquela velha história entre um oncologista e um neurologista. Um paciente é diagnosticado e para o oncologista é um cancro e para o neurologista é um problema neurológico O Bruno é tão patinho feio que não importa o que ele faça, a generalidade dos adeptos diz que ele fez mal". Há que dizer contudo que Cedric obrigará Pereirinha a manter o nível elevado se quiser ser titular. Depois de o ter visto jogar a primeira vez em Braga, no jogo final do campeonato 2010/11, não tenho dúvidas que temos o futuro assegurado na posição.

Defesas-Centrais: à primeira vista tudo se encaminha para a dupla Boulahrouz - Rojo. No entanto o holandês deve-se preocupar com Xandão e Carriço. Onyewu é nitidamente o outsider nestas contas.

Lateral esquerdo: Ínsua goza de estatuto semelhante a Patrício. Só um abaixamento de forma, lesão ou necessidade de rodar, deverão fazer Sá Pinto equacionar a deslocação de Rojo ou a inclusão de Pranjic.

Meio campo - O coração da equipa merece o tratamento por inteiro e não individualizado. Ainda sem Labyad e com Izmailov com um pé (pelo menos...) de fora, é muito provável que Sá Pinto opte inicialmente pela dupla Schaars / Elias e André Martins um pouco mais adiantado. Outra possibilidade é a utilização de um 6 mais posicional e aí parece-me que Gelson tem mostrado que Rinaudo não terá a tarefa tão fácil como no ano passado. O argentino, agora elevado à condição de capitão, parece sofrer por ora o preço da grave lesão e paragem prolongada.

Extremos:  Capel também goza de estatuto semelhante a Wolfs mas não poderá facilitar, num ano em que se espera a afirmação de Carrillo e a aparição de Jeffren a um nível mais próximo do que há muito promete.

Avançados- Wolfswinkel já se apresenta em forma muito apreciável, embora continue a estar, em muitos momentos dos jogos até agora disputados, muito longe dos colegas mais próximos. Um problema a carecer de solução até ao inicio dos compromissos oficiais, pois o holandês precisa de ter bola para fazer valer a sua qualidade de finalizador. Precisa de concorrência e de alternativa, até porque o seu jogo de cabeça está longe de ser tão eficaz como o dos pés. Parece-me ainda cedo para Wilson Eduardo, a quem não faria mal continuar a jogar com assiduidade e não deixa de ser uma pena que Rúbio passe mais um ano a jogar muito pouco. Veremos o que música nos dará Viola.

sábado, 28 de julho de 2012

Sporting 3 - St. Etiene 1: apresentação enCarrillada

De forma justa o Sporting venceu hoje o St. Etiene no jogo de apresentação aos seus associados e adeptos. Depois de alguma hesitação inicial o Sporting partiu para cima do adversário acabando por dominar quase totalmente um adversário de valor mediano. 

Se a nota de destaque individual continua a ser para Elias, hoje há que lhe juntar Carrillo pelo número de golos alcançados e pelos desequilíbrios criados,que são não foram mais determinantes porque ainda lhe falta alguma capacidade de decidir bem entre as possibilidades de rematar, passar, temporizar. 

Do ponto de vista colectivo, se foi notório que ainda falta alguma dinâmica nas movimentações, quando por vezes os jogadores se parecem esquecer de se movimentar para oferecer linhas de passe ao portador da bola, é cada vez mais notório que Sá Pinto tem muita qualidade ao dispor. De facto, se exceptuarmos o lugar de Wolfswinkel, o treinador terá muitas dificuldades em tomar algumas decisões quando quiser formar a equipa. E isso é indiscutivelmente uma evolução positiva face ao ano passado e sem dúvida nenhuma uma boa noticia para todos nós.

Ficha de Jogo:

Viola, (entre a surpresa e indignação) um instrumento de risco

Parece consumada a aquisição de Valentin Viola para a frente de ataque do nosso plantel. A noticia já não é surpresa mas o interesse por um jogador com o seu perfil, (posição e idade) é-o. E à surpresa com que colhe os adeptos Sportinguistas não deixa de ser curioso o mesmo sentimento acrescido da indignação que corre entre os adeptos do Racing por se estar a vender "barato, muito cedo, mais um bom jogador da cantera, que poderia render muito mais daqui a uns anos". Este é o sentimento maioritário expresso nos foruns, acompanhados aqui e acolá por sonoros insultos aos dirigentes do clube. Caso para perguntar, "onde é que eu já ouvi isto"?

Teremos que esperar para perceber as razões que levaram a SAD (e aqui tenho que incluir não apenas Carlos Freitas mas também Luís Duque e Sá Pinto, pois não me ocorre que não tenha havido concertação...), em tempo de vacas magras investir alguns milhões num jogador que, nos seus 20 anos, ainda tem um longo caminho a percorrer para ser o "novo Lisandro Lopez". Comparação que desde logo não o favorece, como vimos no passado com outros jogadores que vinham rotulados de "novo qualquer coisa" e que não eram, contabilidade feita, mais do que um novo equívoco. 

É evidente que há um risco associado a esta aquisição, mais ainda quando se tem novos valores a levantar o braço, pedindo oportunidades na equipa B e nos júniores. Mas Viola tem pedrigree, e se é arriscado trazê-lo agora não deixa de ser verdade também que não seria possível fazê-lo depois de se ter tornado uma certeza garantida, seja lá o que isso é em futebol. Mas enquanto não percebo o que tem Viola que não haja já por Alvalade resta-me desejar-lhe sorte e grandes recitais de leão ao peito.

Não termino contudo sem perguntar quem será que fechará o ataque do Sporting. Isto porque não acredito que a baixa de forma e os possíveis castigos, lesões e cansaço de Wolfswinkel fiquem a cargo de ser colmatados por dois miúdos como o são Rúbio e Viola.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Quanto vale Matias Fernandez?

Actualizado: Agora que o Sporting confirmou a venda de Matias (por números não revelados) o meu obrigado e boa sorte El Crá! Um grande profissional que passou em Alvalade

Qual o valor de Matias Fernandez?
Esta tem sido e será a discussão dos próximos dias, isto enquanto não chegar uma outra noticia que supere em actualidade e importância a saída do craque chileno. 

Há 2 formas de avaliar Matias Fernandez, pelo seu potencial e pela sua produção. 

Pelo seu potencial, que é aquele que me parece que a maioria dos adeptos avalia o chileno, é jogador para valer muitos milhões. É olhando para os pormenores de classe do chileno e imaginando-o a realizá-los com frequência que se estima o seu valor de mercado. Deve ter sido por essa avaliação que o Villareal desembolsou 9 milhões pelo seu passe quando o foi buscar ao Chile.

Pela sua produção e pela participação no esforço colectivo temos que olhar para os dados concretos. Elegi os jogos de campeonato por serem um valor fixo (30) e não dependentes de apuramentos em eliminatórias:

2009/10
1373 Minutos jogados  / 50,85% do tempo possível
3 golos marcados
15 jogos como suplente utilizado

2010/11
1434 Minutos jogados / 53,11% do tempo possível
5 golos marcados
5 jogos como suplente utilizado

2011/12
1204 Minutos jogados / 44,59% do tempo possível
4 golos marcados
5 jogos como suplente utilizado

Talvez a melhor forma de responder à pergunta colocada "Qual o valor de Matias Fernandez?" seja colocarmo-nos na posição de comprador e dizer quanto daríamos por um jogador que não faz muito mais do que metade dos jogos da sua equipa no campeonato. Foi talvez por fazer essa avaliação que o Villarreal nos vendeu o jogador por quase um terço do valor que havia pago.

Vender ou ficar com Matias?
Claro que o Sporting não é obrigado a vender Matias, podendo para isso oferecer-lhe a renovação do contrato. Mesmo sem saber se Matias aceitaria ou não renovar, é preciso ter em linha de conta que o chileno, sendo já dos jogadores mais bem pagos do plantel, e tendo propostas do exterior, iria ficar provavelmente no top 3 da folha salarial. Poderia, deveria, o Sporting oferecer-lhe esse estatuto face à produção do jogador?

Sporting mau vendedor?
A questão é colocada sempre que o Sporting vende ou compra jogadores. No caso concreto de Matias Fernandez, como de outros, o mercado rege-se por factos muito concretos como o tempo de contrato que ainda lhe resta, a sua produção, o seu valor potencial, a idade, as internacionalizações, etc. 

Outro factor importante na valorização de um jogador é o clube de origem do jogador e as respectivas conquistas. Nesse aspecto a chegada de Matias coincidiu com o desmoronar do departamento de futebol do clube (de 2009 a 2011) e recomeço difícil como foi o do ano passado. Nesse período fizemos apenas uma venda superior a 11 milhões de euros (Moutinho) mas da forma que se sabe, fixando-se Veloso pelos 7 milhões. Milagre seria, perante a paupérrima prestação desportiva, que os jogadores se tivessem valorizado e tivéssemos feito grandes negócios a vender. Para alterar isto "basta" começar a ganhar e chorar pelos cantos dizendo que o Sporting é um mau negociador, como se fosse uma maldição, também ajuda muito pouco.

Negócio possível
É assim que classifico o negócio Matias com a Fiorentina, que deve estar prestes a confirmar-se a qualquer momento. Dentro dos parâmetros "péssimo", "mau", "razoável", "bom" e "óptimo" eu classificaria o negócio como razoável se ele se realizar algures pelos 4 milhões de que se fala.

Saudades do que Matias não fez
É este o sentimento pessoal que fica ao ver "El Crá" partir. Nunca chegou a ser um jogador preponderante no tempo que por cá passou, vitimado pelas lesões e pelo estado em que encontrou o clube e a sua gestão desportiva. Nas 3 épocas conheceu como treinadores Paulo Bento, Carvalhal, Paulo Sérgio, José Couceiro, Domingos e finalmente Sá Pinto. Foi precisamente com este que vimos Matias em melhor plano. 

Tendo finalmente gozado férias ao fim de 5 anos quase ininterruptos de competição e com 26 anos, julgo que este seria o tempo para o ver em plenitude. O que dificilmente acontecerá em Itália e em particular na Fiorentina, onde o futebol é duro e com poucos espaços, num campeonato que vem perdendo os seus valores e a sua influência, pese a boa participação italiana no campeonato europeu.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Belenenses-Sporting: Falta o mais dificil (e o rumor Matias)

Sá Pinto parece querer apontar o caminho
Depois de ver o Sporting pela 2ª vez não demorei muito para chegar à conclusão que titula o post: falta fazer ainda o mais difícil, que é fazer chegar a bola ao último terço do terreno e aí conseguir criar oportunidades de golo.

Para o comprovar basta dizer que Wolfswinkel não foi uma única vez servido e apenas conseguimos criar uma verdadeira oportunidade de golo, que Elias permitiu que o guarda-redes defendesse.  Também não será alheio a este facto a pouca participação de André Martins no miolo e o excessivo afastamento dos alas, Carrillo e Capel. Do ponto de vista defensivo, e apesar de estar em campo um quarteto completamente novo, foi pouco consistente a réplica dada pelo Belenenses.

Falta ainda algum tempo para o inicio do campeonato e é aí que me parece que se jogará a sorte do Sporting no campeonato que aí vem. Nesse aspecto o jogo com o Belenenses foi um óptimo treino porque quer a sua valia colectiva quer a sua forma de se opor à equipa comandada por Sá Pinto é em tudo semelhante a uma parte significativa das equipas que encontraremos na Liga Zon Sagres.

Do ponto de vista individual salientaria a boa forma de Elias, que me pareceu o melhor em campo. 

Schaars vai pelo mesmo caminho. 

Wolfswinkel precisa de mais bola e em locais onde o seu remate possa fazer estragos, mas parece-me numa forma já apreciável. 

Carillo e Capel tiveram uma participação muito distante do que era necessário, pouco esclarecidos.

Referência para os reforços, todos eles defesas. Mesmo reconhecendo que o Belenenses não causou grandes dificuldades, nenhum deles complicou e isso por vezes é o melhor elogio que se pode fazer a um defesa. Bons pés de Rojo e Pranjic, segurança e simplicidade de processos de Boulahrouz.


Marcelo Boeck; Cédric, Boulahrouz, Rojo e Pranjic; André Martins, Elias e Schaars; Carrillo, Capel e Van Wolfswinkel.

Nota 1: o post refere-se apenas ao jogo com o Belenenses porque foi o único dos 2 jogos do troféu Pepe.

Nota2: Não faz qualquer sentido comentar a hipotética mas mais do que certa transferência de Matias Fernandez sem esta estar ainda confirmada, mesmo sabendo que em Itália já a dão como certa.

Viola, Rodriguez e 1 leoa indomável

De Viola ?
Valentin Viola é o nome de quem se fala agora como possível reforço do ataque do Sporting para fazer companhia a Wolswinkel, Rúbio e Wilson Eduardo. Mas quem é Valentin Viola? É um jovem jogador de apenas 20 anos, internacional da sua categoria pelo seu país, onde é conhecido por Titin. Não é um goleador nato, como o próprio admite: "Não sou o tipo de atacante que espera na área para dar o toque final. Jogo mais nas costas do avançado de referência, a minha principal virtude não é fazer muitos golos." E os seus dados confirmam-no: em 49 jogos marcou 7 golos.

Trata-se de um jogador que já foi  pretendido pelo nosso rival SLB ( o que deve ter acontecido com quase todos os jogadores internacionais do mundo e arredores...) e, na sequência desse interesse que saiu gorado, o jogador acabou por fazer exigências salariais que levaram o seu clube, o Racing de Avelaneda, a afastá-lo temporariamente do plantel, junto com jogadores a dispensar. O seu perfil - juventude e posição preferencial - foge um pouco ao que se espera de um concorrente para Wolfswinkel, pelo que não me parece que seja este "o tal".

Rodriguez: mudo e caro
Conhecido por "El Mudo" pode-se dizer que assim entrou e saiu calado, tendo mais minutos de departamento médico e de voo entre o Peru e Portugal do que no relvado com a camisola do Sporting. Julgo que a gota de água, para Sá Pinto, foi o jogo com o Légia de Varsóvia em que o treinador fica "com a criança nos braços" quando, nos momentos decisivos da eliminatória, o central peruano sai lesionado, comprovando-se que não se podia confiar nele.

Um bom jogador que confirmou no exíguo número de jogos que realizou tratar-se de uma aquisição de alto risco. Domingos sabia-o, todos o sabíamos. A saída era inevitável depois da nega de Lendoiro - que não teve na base nenhuma lesão actual mas sim a pressão de que foi alvo pelo número de lesões que habitualmente acometem o jogador - ficando algumas dúvidas se a rescisão do contrato e deixando-o um jogador livre não é prémio excessivo para quem nos sacou couro e cabelo. 

Uma Leoa Indomável
Hoje começam os Jogos Olimpicos Londres 2012 onde o Sporting Clube de Portugal é o 2º clube com mais atletas presentes (19) , depois do Barcelona. Esse número podia ser de 22 caso não tivessem ocorrido as lesões de Obikuelo, Rui Silva e Naíde Gomes. Este eram os jogos que a nossa atleta apontava às medalhas, e que a apanharia  com o grau de maturação ideal para o conseguir. Um exemplo de dedicação à modalidade e ao clube que tanto gosta que não podia nem merecia ser atraiçoada pela sorte. 

Há dias passou a desoras um documentário sobre Naíde na RTP2, que julgo ainda não estar disponível em podcast, onde se vê o sacrifício - padece de um problema físico que lhe causa muitas dores - a sua perseverança - as dificuldades que enfrentou para chegar onde chegou, é sempre das primeiras a chegar e não chega atrasada - e onde confessa o seu sportinguismo e a alegria cm que recebeu o convite do clube do seu coração. Conhecida entre amigos como "a leoa indomável" merece bem o epíteto e é um exemplo para todos os atletas que vestem a nossa camisola, bem como para todos nós, sócios e adeptos.

Enquanto não está disponível o programa acima mencionado fica aqui o link para outra aparição de Naíde na TV, no programa Sexta à Noite.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sporting-Sheffield Wednesday - Um desafio para si

Não tive oportunidade de ver o jogo de ontem em Albufeira e por isso aqui faltou um post alusivo ao mesmo. Mas, para que os leitores mais assíduos do blogue possam falar sobre o que viram, deixo meia dúzia de perguntas para quem quiser responder, desafiando assim os leitores a deixarem ficar as primeiras impressões da época:

1- Notou-se uma evolução positiva no jogo, relativamente ao que se havia passado no jogo de estreia, quer no aspecto defensivo quer ao nível da produção ofensiva?

2- Sá Pinto repetiu o quarteto de defesas. Será esse o que tem mais potencial para vir a ser titular ou espera alterações e quais?

3-O meio-campo parece ser o sector com mais e melhores opções para o treinador e Sá Pinto parece inclinar-se para um um 4x2x3x1. Parece ser uma boa solução face aos intérpretes disponíveis ou preferiria outra?

4- Que apreciação faz dos reforços que jogaram mais tempo (Gelson Fernandes, Boulahrouz, Pranjic)?

5- Fala-se muito na necessidade de mais um avançado (ponta-de-lança). Concorda? E que perfil ou até um nome concreto (e que pudéssemos pagar...)  lhe parece ser uma boa solução?

5- Em termos individuais quem o tem surpreendido (pela positiva e pela negativa) e quem é o jogador de quem espera muito esta época?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um acontecimento que não deve perder

O Solar do Norte, baluarte do Sporting Clube de Portugal na mui nobre e linda cidade Invicta e do norte do País completa 22 anos de vida e, para assinalar devidamente a data, realiza este domingo, dia 22, um almoço comemorativo que contará com a presença de muitos sportinguistas. 

Certamente que os Sportinguistas "de cá de cima" não quererão perder a oportunidade deste convívio, que contará com a presença do nosso amigo Juvenal Carvalho, um dos responsáveis pelo ressurgimento do basquetebol no clube e que, no final de almoço, explicará este novo projecto a todos os presentes.

O 22º Aniversário do Solar do Norte que vai ter lugar no Restaurante Mauritânia Grilllocalizado junto à praia de Leça da Palmeira (22.50€/pessoa) na Avenida Combatentes da Grande Guerra nº 50, pelas às 12:00.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ainda tens muito que apertar com eles Sá Pinto

Importa pouco o resultado, importa muito mais o que o Sporting não conseguiu fazer em campo.O Sporting que esteve em Lepe hoje não deu nem a mais pálida ideia de ter mantido a quase totalidade dos jogadores e equipa técnica da época transacta nem do trabalho que tem andado a fazer. E este Charlton até fez o que precisávamos de um adversário nesta altura da época, colocando mais ou menos os mesmos problemas que muitas das equipas da Liga portuguesa nos irão colocar jornada a jornada. Há muito trabalho para fazer, tens muito que apertar com eles Sá Pinto!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

1ª missão de Boulahrouz: contrariar uma ideia enraizada

Imagem de "ABola"

Kaled Boulahrouz é a última aquisição apresentada pelo Sporting e destina-se a colmatar o lugar em aberto no centro da defesa. Internacional holandês, de largo curriculum, ( com passagem por clubes de nomeada como o Ajax, AZ Alkmaar, Hamburgo, Estugarda, Chelsea e Sevilha) chega a Alvalade a custo zero, dando conta da sua vontade de ganhar títulos, prometendo "mostrar que o Sporting fez uma boa contratação".

Ora é precisamanente aí que reside a minha principal dúvida: que efectivamente se trate de uma boa contratação e não apenas a contratação possível. E, estando provavelmente encerrado o sector central da defesa, com Onyewu, Xandão, Carriço e Boulahrouz, que o Sporting esteja melhor apetrechado para as exigências do campeonato e para a defesa do seu estatuto do que esteve na época transacta. Vou até mais longe afirmando que me parece que os melhores centrais que o Sporting tem no activo falam ambos português e sem sotaque: Carriço e Nuno Reis. E, tomando o exemplo do que sucede com o meio-campo, parece ser notória uma evidente falta de classe.

Boulahrouz tem uma época inteira para contrariar esta ideia que já está enraizada a partir do momento em que foi avançado o nome do central holandês, e face ao que fui vendo as poucas vezes que o observei. Outra ideia terá Sá Pinto, mais habilitado que eu, e isso é que conta. 

Bem-vindo Boulahrouz, que esta seja a tua casa e ela fique marcada pelo sucesso.

P.S.- Ao contrário do que aconteceu com Pranjic, desta vez não foi possível manter o sigilo sobre o nome do jogador a contratar. Há mais de uma semana que ele circulava num fórum ligado ao Sporting e hoje, já ao inicio da tarde, o jornal abola dava garantia a sua contratação. Tendo em conta que a informação deve priveligiar os sócios e adeptos do clube, não fez muito sentido protelar a sua divulgação.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Liedson e outras movimentações no plantel

Liedson? Não obrigado!
À declarada disponibilidade de Liedson responderam muitos Sportinguistas com um sonoro SIM! Compreendo e respeito, tendo em conta o que o jogador representou num determinado período da vida do nosso clube, mas a questão é mesmo essa, é apenas o passado e o futuro não passa por ele. O futuro do Sporting passa por Rúbio, Wolfswinkel. Mais, o modelo de jogo do Sporting viu abrir-se novas possibilidades com a saída do Levezinho, de quem não gostaria de me voltar a despedir, mais ainda tendo em conta que foi dele a decisão de sair, por razões que também consigo compreender. Além de que fazer regressar Liedson seria tudo menos barato.

Árias e Neto
Parecem-me óbvias e até esperadas a decisão de ficarem na equipa B ou até a eventual negociação de um ou ambos. O Sporting no meio-campo tem até um superavit de número e qualidade onde não cabe Neto (tinha proposta do Standard de Liege) e dificilmente caberá no futuro próximo se olharmos para os que já se perfilam da equipa que foi campeã de júniores este ano. Árias tem o lugar tapado por Pereirinha e Cedric e não mostrou nada de especial nas poucas oportunidades que teve. Fala-se também na possibilidade de ingresso no PSV por troca com uma possível desistência dos holandeses na litigância por Labyad. Uma medida cautelar, tendo em conta a dificuldade de perceber com clareza o sentido das decisões da FIFA.

Quem sairá do meio-campo
Tema já aqui abordado aquando da contratação de Pranjic. O Sporting tem neste momento na sua linha intermédia o sector mais equilibrado e nivelado por cima. Ao ir buscar Gelson Sá Pinto corrigiu um erro que tanto nos custou o ano passado, quando não foi prevista uma lesão de Rinaudo. E com a entrada do croata mais Adrien fica muita gente para 3 - 4 posições, consoante o modelo a adoptar. Elias tem sido apontado como o principal candidato, por ser também um peso significativo na massa salarial e por, no ano passado, ter ficado aquém do que podia render. Seria uma pena a sua partida, tendo em conta que perderíamos aquele que me parece ser o melhor do sector. Matias, por estar perto do final do contrato, e Izmailov são outros dos candidatos. Qualquer que venha a ser, ou venham a ser os escolhidos o Sporting fica bem defendido com os que restarem e isso representa uma diferença significativa com um passado recente, quando a equipa dependia de 3 ou 4 nomes.

A saga continua
Já aqui havia referido a vontade que o JN tem em colocar noticias que parecem poder incomodar o Sporting. Desra vez foram os 27 jogadores estrangeiros que o Sporting contratou em contraste com zero portugueses. Defensor que sou do jogador português, também gostaria de ver um número diferente. Mas, atendendo às necessidades especificas do Sporting que jogadores portugueses encontraríamos no mercado com a qualidade de Schaars, Wolfs, Jeffren, Capel, Rúbio, Elias e quanto teríamos que pagar por eles? E, se o JN parece tão preocupado com os jogadores portugueses, já contabilizou quantos têm os nossos concorrentes no seu plantel principal? Quantos internacionais das selecções mais jovens constarão das suas equipas B?


segunda-feira, 16 de julho de 2012

O striptease de Carlos Barbosa e a (não) renovação do CD

Quem leu a entrevista de Carlos Barbosa, a segunda num curto espaço de tempo, percebe desde o seu inicio que ela não tinha outro objectivo que não salvar a face do entrevistado do autêntico flop que foi a sua passagem pelo Sporting. Dos importantes departamentos que teve a seu cargo (Marketing, Publicidade e Comunicação) nem a muito custo se consegue vislumbrar a tal "modernização" que diz precisar. Se sou levado a concordar quando diz que, nessas áreas o Sporting parou no tempo, é bem claro hoje para todos que se Carlos Barbosa não tivesse lá estado ninguém se teria apercebido da diferença. Mas, para alguém que se diz sportinguista, que teve responsabilidades na gestão do clube e por isso a possibilidade de fazer a diferença para melhor, fica claro que seria melhor que nem lá tivesse metido os pés. 

O pior da entrevista de Carlos Barbosa está no facto de ele ser sabedor das dificuldades que diz o clube atravessar -"não sei como Godinho Lopes consegue dormir.." -  e mesmo assim vir tornar públicas essa mesmas dificuldades, que, de forma geral, são mais ou menos as mesmas que as da sua concorrência, demonstrando um frio alheamento pela sorte do clube a que virou as costas. Deixar de Godinho Lopes a imagem de um líder fraco o que, mesmo que fosse verdade, é um trunfo que não se joga de dentro para fora de Alvalade. Este é infelizmente um erro muito comum de muitos Sportinguistas que, simultâneamente, são capazes de se queixar de ser difícil ao clube arranjar bons parceiros nas mais variadas áreas de negócio.

Este foi mais um daqueles momentos que o Sporting não precisava mas da qual pode retirar algumas ilações para o futuro, especialmente os que têm vontade de o servir e não de se servir dele.  É absolutamente lamentável que alguém que tenha passado de forma meteórica e sem deixar obra tenha agora tanto tempo de antena para expor (e se expor)  o clube num striptease ridículo.  

O Sporting tem nos seus quadros muita gente que lidera nas áreas onde desempenha as suas actividades profissionais mas de há muito que não consegue que, quando estes transpõem as portas de Alvalade, consigam obter os mesmos resultados para o clube. O caso de Carlos Barbosa é um bom exemplo do que não precisamos: de alguém que fica com um pé em cada margem, sem nunca estar de corpo e alma em lado nenhum. O Sporting precisa de disponibilidade total, energia e muita competência.

P.S.- O Sporting recompôs recentemente o seu CD com a entrada de José Manuel Silva e Costa para o pelouro comercial e marketing e João Carlos Pessoa e Costa assumirá o pelouro do património, infra-estruturas e operações, funções que em ambos os casos não serão remuneradas. Estas cooptações terão ser sufragadas pelos sócios em A.G. 

Não me surpreende, até face ao sucedido com Carlos Barbosa, este regresso ao passado, tendo em conta que ambos já desempenharam funções no clube. Pessoalmente preferiria um modelo diferente, que significasse renovação e disponibilidade total, mesmo que implicasse a sua remuneração.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sobre Daniel Pranjic (ou adivinhe quem vai sair)

Num primeiro momento pode ter sido decepcionante constatar que a contratação anunciada com tanto secretismo acabasse por ser um croata pouco conhecido, de 30 anos, e para lugares que aparentemente já estão bem preenchidos.

Podemos especular sobre os motivos que levaram Sá Pinto a pedir ou a aceitar esta aquisição mas se se confia na sua análise resta esperar mais algum tempo para perceber as suas ideias.

Que podem ter por trás a saída de algum jogador:

Schaars, com elevado valor de mercado;

Izmailov, que já disse querer sair;

Alternativa a Capel ou acautelar a possível saída deste, tendo em conta a valorização do ano transacto;

Acautelar os problemas fisicos de Jeffren;

Ou simplesmente oferecer concorrência a sério a Ínsua, ou acautelar a saida deste, outro jogador valorizado;

Seja qual for a ideia falamos de um jogador experiente, que vem de um excelente campeonato e que tinha pretendentes em Inglaterra. (falava-se do Everton).

Benvindo  Daniel Pranjic!

Daniel Pranjic tem 30 anos (a caminho dos 31 em 2 de Dezembro) tem 1,71m, e é um internacional croata (15 internacionalizações sub-21 e 45 A).

Os objectivos, a falência iminente,etc, etc

Os objectivos
Godinho Lopes declarou há dias que os objectivos para esta época são: «Queremos lutar pelo primeiro lugar». Eu diria mais, temos que lutar pelo primeiro lugar. 

Mas há quem não concorde. Há quem ache que, face ao passado recente, que a identificação clara do titulo como objectivo é errado do ponto de vista estratégico. O Sporting, pese a redução do orçamento e, de forma realista, ter que admitir que parte atrás dos seus principais rivais, terá sempre que se assumir como candidato ao titulo. Aposto que Sá Pinto, que é o que tem nas mãos a tarefa mais difícil, (mas também a mais aliciante e desafiadora) concorda comigo.

A falência iminente 
Há anos que nos habituamos a ouvir que os clubes portugueses vivem no limiar da falência e o lugar de principal candidato é o único que nos é atribuído sem qualquer relutância. Apesar disso ano após ano tudo recomeça e "a vida continua". Mas os sinais de que os tempos mudaram multiplicam-se. Há dias foi o Glasgow Rangers que foi obrigado a descer aos infernos para renascer. Ontem, e aqui ao nosso lado, foi o FCP que se viu obrigado a extinguir a secção profissional do basquetebol, para ficar apenas com a formação.

A decisão do FCP mais que o regozijo pelo falhanço que indiscutivelmente representa, obriga-nos a reflectir. Este fim de caminho nas que eram antigamente designadas como modalidades amadoras, mas agora são também tão profissionais como o futebol, estava há muito anunciado. As receitas, publicidade incluída, não se aproximam das enormes despesas, sendo que estas, em quase todas as modalidades, basquetebol incluído, pela guerra aberta SLB/FCP. 

A desistência do FCP poderá abrir o espaço necessário para uma reflexão mais racional sobre os modelos a adoptar. O Sporting, que fruto do grande empenho de alguns, vai aos poucos fazendo regressar modalidades que havia extinto, é um espectador atento. O modelo de autonomia pode ser percursor mais uma vez no desporto português, como o fomos muitas vezes no passado. Não deixa de ser caricato constatar que uns estejam a fechar e nós a abrir e os falidos e maus gestores sejamos nós.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Os melhores sitios para seguir a novela Adrien

Comecemos pelo fim: o pior sitio para seguir a novela Adrien é o jornal mais próximo de si. A vida está difícil para todos e o Sporting, apesar de continuar a ser apoucado por muitos, continua a ser um bom chamariz. E, no caso presente, tendo o nome de Adrien associado e havendo quem por cá já salive por ele, mais atenções se captam. 

Veja-se o exemplo do Jornal de Noticias. Habitualmente muito circunspecto e até desinteressado sobre tudo o que se passa no Sporting lá tinha hoje uma nota de primeira página, replicando a tal recusa de Adrien em renovar. O Sporting iniciou a época e até agora tinha sido ignorado pelo jornal dirigido pelo "insuspeito" Manuel Tavares. Creio que a última vez que tínhamos tido tamanha honra tinha sido para dar conta de qualquer coisa bombástica relativamente ao "caso PPC".

A noticia que tanto parece ter alarmado os Sportinguistas, e que foi inicialmente veiculada pela Bola é, ainda nesta fase, como diria alguém a propósito de algo muito mais importante, "um não assunto". Dando como certo que jogador e clube negoceiam a renovação do vínculo que termina no final de 2013 o mais natural é que haja propostas e contrapropostas e que estas sejam rejeitadas inicialmente até o acordo ou cisão final. E só uma delas é que poderá ser considerar verdadeiramente uma noticia.

Neste momento é ainda cedo para esperar um desfecho. Ambos os lados esgrimem os seus melhores argumentos, não se podendo perder de vista que o jogador ganhou uma grande vantagem negocial e que o clube detém ainda uma bomba de fragmentação caso tudo corra pelo pior. O jogador será o último interessado em deixar que o processo se encaminhe para um desfecho que o leve a conhecer ao pormenor cada ladrilho dos balneários de Alcochete.

Por isso sem dúvida nenhuma que os melhores sítios para seguir esta novela são o site do clube, eventualmente a CMVM. Isto enquanto não começa a época e não podemos ocupar o nosso lugar na bancada...

terça-feira, 10 de julho de 2012

João Rocha fica bem ao lado de José Alvalade

Quando hoje se diz que o Sporting vive um dos piores períodos da sua história isso só pode ser o resultado da frustração ou do desconhecimento dessa mesma história. Quer antes quer depois do consulado de João Rocha o Sporting viveu momentos bem mais dramáticos. Foi num período assaz complicado que o Sporting viu surgir um dos seus melhores dirigentes de sempre.

João Rocha chegou ao Sporting num momento de profunda crise directiva, sem que ninguém quisesse assumir a presidência. O presidente Valadão Chagas havia sido eleito no dia  29 de Março de 1973 mas abandonaria o cargo no dia seguinte (!) à tomada de posse, 4 de Abril, em direcção ao governo de Marcelo Caetano, deixando na gestão interina o seu Vice-Presidente Manuel Nazareth. Este havia deixado bem claro que não tinha vontade nem ambição para o cargo. A crise estender-se-ia até Setembro desse ano, mais propriamente até  dia 7, quando João Rocha chega à presidência do clube.

Quando tomou posse João Rocha, que era até um sócio relativamente recente, de imediato revelou a ambição que o trazia: "Julgo que se deu uma nova tomada de consciência, um certo empolgar da alma colectiva. Fascina-me a ideia de erguer uma grande obra, apoiada por milhares ou milhões de pessoas e que possa representar uma viragem nos nossos clubes desportivos".  Palavras essas que seriam materializadas por inteiro nos 13 anos em que presidiu ao clube. 

Foram nesses anos que o Sporting saiu da letargia em que se encontrava para dos pouco mais de 40 mil sócios chegar aos 130 mil. O período de João Rocha ficou assinalado por mais de 1200 títulos nacionais, 52 Taças de Portugal, 8 Taças dos Campeões Europeus de Corta-Mato, uma Taça dos Campeões Europeus, duas Taças das Taças, uma Taça CERS em Hóquei em Patins. O Sporting chegou a movimentar cerca de 15000 atletas em 22 modalidades! O nome do Sporting chegou a todo mundo quando Carlos Lopes ganhou a primeira medalha de ouro nuns Jogos Olímpicos. Entre 1981 e 1985 realizaram-se quatro(!) Congressos Leoninos, em Lisboa, no Rio de Janeiro, em Toronto e na Madeira e nos Açores! Pode-se dizer com propriedade que o Sporting viveu uma verdadeira refundação.

Uma marca da passagem de João Rocha pelo Sporting foi sempre a sua quase omnipresença junto das diversas equipas e atletas, fossem quais fossem as circunstâncias. Manuel Fernandes, o grande capitão, testemunhou-o, depois de lhe oferecer a sua camisola, quando em 1982 acabava de conquistar a dobradinha, vencendo a Taça de Portugal no Jamor: "O presidente merece. Tem-nos acompanhado nos bons e nos maus momentos, Quando perdemos vai às cabines e moraliza-nos: Chega inclusive a fazer-nos vento com a toalha...".

Foi no futebol que João Rocha conheceu mais dificuldades. Nos 13 anos de mandato ganhou apenas três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça. A isso não será alheio o aparecimento de Pinto da Costa. Sustentado numa estratégia de quem percebeu que o futebol português suporta a muito custo a existência de mais de 2 grandes clubes, o ainda presidente do FCP elegeu como primeiro alvo o Sporting, contra quem foi travando as suas primeiras grandes batalhas. Ficou célebre a sua frase após mais uma acesa disputa com João Rocha: "enquanto eu for presidente o Sporting não voltará a ser campeão!". Hoje sabemos (como e porquê) que apenas por 2 vezes a sua vontade não foi cumprida.

Não se pense que apesar do indiscutível sucesso que João Rocha não conheceu oposição à sua passagem. Nesse âmbito foi estrepitosa e nem sempre de bom tom a disputa das eleições de 1982 com Marcelino de Brito. Como ficou célebre a crise provocada em 1980, em que desafiou uma oposição que moía mas não dava a cara, como se provou ao ter que concorrer sem adversários. Eram também muitas as suas queixas relativamente às dificuldades causadas pela falta de compreensão da tutela na resolução da sustentabilidade financeira dos clubes. Por isso dizia já há muito "É preciso redefinir o clube e encontrar uma filosofia que permita ao Sporting seguir em frente sem o perigo de fechar a porta."

O problema da sustentabilidade financeira era algo que já preocupava João Rocha desde a sua tomada de posse. Antecipando em muitas décadas as SAD´s, criou a Sociedade de Construções e Planeamento que em 9 de Março de 1974 emitiu 2.500.000 acções de valor nominal de 100 escudos. Esta, tal como todas as outras cotadas em bolsa, haviam de se esfumar passado pouco mais de um mês com o advento da revolução dos Cravos, em Abril de 1974. 

Foi já cansado e doente que em 1986 João Rocha abandonaria a presidência do Sporting, abrindo um período em que, de forma paulatina e por vezes acelerada se foi desbaratando muito do que foi construído. Hoje, passados estes anos, ocorre-me que a saída de João Rocha nunca foi querida e muito menos preparada.

Não sei se João Rocha foi o melhor presidente de sempre do Sporting porque, nos seus recentemente celebrados 106 anos de vida, há muito da sua história que não foi vivida e testemunhada. Por isso não gostaria de cometer o habitual erro de paralaxe de quem observa a história separada por diferentes ângulos de observação. Mas João Rocha é hoje considerado, e com toda a justiça, um dos maiores presidentes da história do Sporting e ao seu tempo de presidência corresponde um dos períodos mais pujantes da nossa história. 

Seja ou não atribuído o seu nome ao pavilhão a construir nas imediações do estádio (felizmente temos uma história rica e com muita gente merecedora da distinção ) esse é um facto que a história se encarregará de confirmar. Mas se tal ocorrer só posso dizer que o nome de João Rocha ficará muito bem ao lado do estádio que tem o nome de José Alvalade.

P.S.- Ouro sobre verde seria o próprio João Rocha descerrar a placa do pavilhão...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Está aí a equipa B. Preparados para as dificuldades?

comando técnico da equipa B
Começou hoje pelas 9:00 da manhã a caminhada da mais nova equipa do Sporting: a equipa B. Pedida por alguns há muito, exigida por muitos desde há algum tempo, a equipa tornou-se quase um projecto obrigatório num clube como o Sporting que tem na formação de jogadores uma das suas maiores e mais frutuosas bandeiras. Com a equipa B o Sporting oferece aos jogadores que ajuda a nascer para o futebol uma etapa intermédia na sua formação antes de fazer uma última selecção sobre os jogadores que decidirá incluir no seu plantel principal.

Não sei o que pensa a maioria dos Sportinguistas sobre o tema mas já deu para reparar que as expectativas estão elevadas. Mas o que podem ou deveriam querer os Sportinguistas de uma equipa B? Estarão os Sportinguistas preparados para, ao contrário do que acontece com a equipa principal, vê-la lutar pela sobrevivência num escalão secundário? E como encararão os atletas a passagem por um escalão inferior ao que almejam e ainda por cima fazendo parte de uma equipa com uma a designação menor? Estas são apenas algumas das muitas questões e desafios que se colocarão na próxima época.

Antevejo um ano de arranque difícil. A começar desde logo exactamente por isso mesmo: por ser o inicio e por isso se ter que, de uma penada, por de pé e em movimento uma máquina que, por muito que se queira ligeira, acarretará sempre algum peso. Começando desde logo pelo administrativo, há infinidade de procedimentos que os regulamentos obrigam a observar e que escapam à maioria dos adeptos. Há a necessidade de conter os gastos sem esganar a satisfação das necessidades mínimas para um clube com o estatuto do nosso. No fundo o facto de ser uma equipa B não invalida a necessidade de grupo de suporte (administrativo, técnico e médico) altamente profissionalizada e de top.

O arranque será igualmente marcado por muitas indefinições, a começar logo pelo local a designar como a casa temporária, enquanto Odivelas não tem condições para receber os jogos. Indefinições que se estendem até à constituição do plantel. O Sporting difundiu hoje a sua composição ainda provisória  - Atila Turan, Betinho, Bruma, João Mário, Gael Etock, Luís Ribeiro, Lucas Patinho, Luka Stojanovic, Michael Pinto, Nuno Reis, Pedro Mendes, Rafael Veloso, Ricardo Esgaio, Sunil Chhetri, Tiago Ilori e Zezinho - e a estes há que excluir os jogadores que estão na selecção, que chegarão mais tarde.

Numa primeira análise há algo que imediatamente salta aos olhos de qualquer observador: a extrema juventude e inexperiência do plantel. Ao contrário do que por aí tenho visto dizer quando se fala em jogadores para a equipa B, o Sporting deveria mesmo complementar, se bem que apenas pontualmente,  o plantel da equipa B com jogadores idade, com físico e experiência do futebol sénior. Julgo que seria isso que se buscaria quando se falou na aquisição de Rafael Porcellis ao Fátima.

Quem acompanha os escalões secundários certamente que perceberá a necessidade desse tempero: a maior parte das equipas joga forte e feio de forma quase literal e esse será também um dos factores que torna necessário esse estágio dos mais jovens. À melhor formação e preparação para entender e executar os diversos momentos do jogo os jovens jogadores precisam de adquirir a noção pratica do que é sobreviver ao contacto com adversários maduros e na plenitude dos seus recursos físicos.

Sabemos bem que o dinheiro não abunda e mesmo jogadores de escalões secundários podem ter custos substanciais, mais ainda se atendermos a que o retorno será sempre exíguo e não ultrapassa o plano imediato. Será certamente esse factor que tem condicionado a imediata definição do plantel. Outra forma haveria de colmatar essa necessidade e ela passaria por aproveitar os excedentes semanais das convocatórias da equipa principal. Isto em teoria porque não estou a ver jogadores já com outro estatuto quererem descer ao patamar inferior. Mas que seria de uma utilidade preciosa para jogadores sem competição por terem os seus lugares tapados por aqueles que são os habituais indiscutíveis. Ou até para os que regressam de grandes períodos de inactividade, a isso obrigados por lesão.

P.S.- A Academia continua a ser um dos melhores veículos de promoção nacional e internacional do marca Sporting. Atente-se a esta reportagem no site da UEFA com Ricardo Esgaio e Bruma:

"Jogamos lado-a-lado há bastante tempo e conhecemos na perfeição os movimentos um do outro. Isso, naturalmente, tem-nos ajudado aqui. Passa-se o mesmo no Sporting, que é, na minha opinião, um dos melhores clubes do mundo a nível da formação de jovens jogadores"

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Brunetes, lambuças e croquetes: o Sporting é isto!

Carlos Barbosa demitiu-se no dia 1 de Fevereiro deste ano mas esperou que o Sporting se apresentasse na Academia para iniciar uma nova época, depois de um ano difícil, de sinais contraditórios, para finalmente fazer o balanço da sua passagem tão meteórica como ridícula pelos corpos sociais.

O Sporting é cada vez mais isto: uma grande propriedade cada vez mais fragmentada em minifúndios, onde se entrincheiram as mais diversas facções. E sempre que a oportunidade surge - e se não surgir arranja-se - aproveita-se para destilar o mais venenoso fel, desancar nos inimigos fidagais, num exercício autofágico patético e confrangedor, completamente desligado dos danos que inflige ao clube que, de forma não menos grotesca, fazem juras de amor. É triste ver que a camisola do Sporting é cada vez mais trocada pela camisola da quintinha a que se pertence. É triste que os gritos dos insultos (Brunetes, lambuças e croquetes) se façam ouvir mais alto que os de apoio.

A entrevista de Carlos Barbosa é mais um desses exercícios - como poderia ser o comentário de ontem aqui deixado no blogue: "Que vergonha, ter pseudo adeptos destes no meu clube. Odeio-vos mais que o benfica". Veremos o que dizem agora que os sempre se queixaram da actuação deste ex-vice-presidente, mas a quem as actuais declarações dão muito jeito para a sua estratégia.

No meio de isto tudo estão milhares de Sportinguistas que, entre a vergonha que sentem pelos erros alheios, sonham com um clube forte, mas não sentem mais do que um grande desperdício da sua energia. E, já cansados, vêem como cada vez mais difícil ou até improvável o regresso do grande Sporting porque com amigos destes ninguém precisa de Pintos da Costa, de APAF´s ou Filipes Vieiras. Temos cá dentro quem nos faz bem pior!

Rui Costa e Antero Henriques: que bem que pregam os frei tomás!

Hoje inicia-se a nova época do Sporting e ainda há ainda muito por definir. Por essa razão e por termos muito tempo pela frente deixo para posterior análise os diversos temas que animarão os próximos meses e que, esperamos, sejam a confirmação do que a época passada já deixou entrever: o Sporting está de volta.

Já havia aqui falado sobre a nova lei que proíbe o empréstimo de jogadores entre clubes do mesmo escalão. Em abstracto a lei parece prejudicial para o desenvolvimento e afirmação dos jogadores mais jovens mas, no caso concreto do futebol português, percebo-a pelo grau de suspeição que o afecta e que, em alguns episódios nebulosos, justificaram a suspeita de manobras convenientes para os titulares dos jogadores emprestados. Curiosa é também a avaliação que alguns clubes que recebiam jogadores sob empréstimo fizeram da utilidade deste expediente ao votarem favoravelmente o seu fim.

Devo dizer que concordo com as criticas de que esta mudança deveria ter sido, pensada, discutida e a sua aplicação planeada. E parece-me que o nosso clube, com entidade formadora, perde mais do que ganha com a medida. O estágio na primeira divisão é uma ferramenta útil para os jovens jogadores, desde que os projectos onde estes se insiram sejam consistentes. Convenhamos que o critério nem sempre foi o melhor.

Ao votar favoravelmente este novo regulamento o Sporting demarcou-se dos outros 2 grandes, que vieram, na pessoa dos seus dirigentes Antero Henriques (FCP) e Rui Costa (SLB) protestar contra a medida invocando como argumento a defesa do futebolista português. Motivos mui nobres mas que não encontram paralelo com a realidade da politica seguida pelos dois clubes que representam. E, para o constatar, nem é preciso fazer reflexões profundas ou buscas exaustivas, basta ver quantos jogadores portugueses compõem os respectivos planteis ou a aposta que fazem na formação de jogadores após a sua entrada no futebol sénior para o perceber. 

Mas, para para quem anda mais distraído, e que tanto se preocuparam com a formação do Sporting porque  contratou um indiano, repare-se na lista de jogadores estrangeiros que o SLB

Daniel Wass,
Sidnei 
Yartey
Leo Kanu
Elvis
Shaffer
Oblak
Júlio César
Carole Sedan
Jara
Felipe Meneses
Urreta
Fernandez
Airton
Rodrigo Mora
Felipe Bastos
Kardec
Ademir
Enzo Perez

ou o FCP

Abdoulaye
Kelvin
Kristian Atsu
David Addy
Walter
Fucile
Belushi
Sousa

tiiveram emprestados na última época para se perceber que entre o que pregam e o que fazem vai uma grande diferença. 

Preocupados com os jogadores portugueses? E que tal contratarem menos jogadores estrangeiros? O Sporting pelo menos teve a decência de não brandir a mesma bandeira...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sunil Chhetri - A primeira aposta está ganha

Foto lovingsporting.blogspot.pt
O tráfego que se gerou nas redes sociais, nomeadamente no Twitter com o nome do Sporting associado ao do seu novo recruta Sunil Chhetri é uma amostra do que pode ser a ligação do nome do nosso clube a país com a dimensão da Índia. A primeira aposta, que seria meter uma lança numa das referências mundiais das economias emergentes e com isso expandir a marca do clube parece ganha. O facto do jogador ser o capitão da equipa nacional e uma das estrelas do também ainda emergente futebol parece estar ganha.

Mas certamente que não foi apenas para o nome do Sporting ter mais menções na imprensa que se partiu para esta aquisição. Em termos técnicos desconfiamos que Sunil não venha acrescentar valor mas possa significar a abertura de uma porta para um mercado de 1.200 milhões de consumidores cada vez mais interessados em futebol, apesar do domínio avassalador do críquete.

Como, com quem e onde se irá operacionalizar essa aventura, será o segredo para o seu sucesso. Porque quando falamos da Índia falamos de um país com 3.287.590 Km2 (Portugal tem 92.090 Km2!) e que fala 21 línguas. Do ponto de vista estratégico a aposta parece sem dúvida correcta, estamos a fazer o que outros já fazem há algum tempo e com outro poder e intensidade. Atente-se por exemplo aos horários da Premier League...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eles não brincam em serviço, ou como a RTP abre as pernas

Há já algum tempo que a linha dura do nosso rival andava insatisfeita com as prestações de Júlio Machado Vaz no programa trio de ataque. A postura civilizada e cordata do conhecido médico não rimava com a linha editorial do João Gabriel ou com os discursos que escreve para LFV e que este, com maior ou menor dificuldade, lá vai lendo. Pressão puxa pressão e o médico lá volta para os seus programas de sexologia que o tornaram conhecido, tendo tomado conhecimento da dispensa no último programa deste ano. Adivinha-se a chegada de alguém com o perfil à altura de umas pedradas sobre os viadutos ou de very-light em punho. A RTP lá abriu as pernas mais uma vez...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

"RIP Sporting Clube de Portugal (1906-1995)"

A frase não é minha foi aqui deixada na caixa de comentários suponho que por um Sportinguista. Segundo o que se depreenderá dela o Sporting Clube de Portugal terá morrido algures em 1995.

Talvez não devesse dar-lhe muita importância e deixá-la apodrecer na caixa de comentários. Mas como é uma frase muitas vezes repetida e parece ganhar cada vez mais adeptos, é difícil ficar-lhe indiferente. Ela representa uma falta de respeito e um insulto a um clube que, depois dessa data, se tornou centenário e com todas as vicissitudes, continuou a ser uma instituição incontornável e um baluarte do desporto nacional. É também um insulto a todos os dirigentes, atletas e colaboradores que, com a sua dedicação e perseverança lutam contra adversários e pelos vistos também contra a vontade de alguns Sportinguistas em reconhecer-lhes valor.

Se o Sporting morreu em 1995 quem foi o clube que foi campeão nacional de futebol em 2000 e em 2002?

Quem foi o vencedor da Taça de Portugal em 2002, 2007 e 2008?

Quem vencedor da Supertaça Cândido Oliveira em 2000, 2002, 2008 e 2009?

Que clube construiu de raiz o novo Estádio de Alvalade?

Que clube é permanente elogiado pela sua capacidade de formar jogadores em quantidade e qualidade?

Que clube formou Ronaldo, já considerado o melhor jogador do mundo, bola de ouro, e bota de ouro?

De quem seria a hegemonia no futsal ou no ténis de mesa se o Sporting tivesse de facto desaparecido em 1995?

Que clube teria ganho o infindável número de títulos internacionais no atletismo já depois de 1995 (mais de 50)?

Qual seria o primeiro clube a ganhar um titulo colectivo europeu em andebol?

E, nos exemplos que cito de cor, faltam seguramente muitos outros nomes e modalidades, não sou sequer um bom exemplo de quem cita de cor a historia do Sporting.

No comentário que antecede o que elegi para titulo outra questão era levantada e que tinha (julgo eu) a ver com a A.G. do passado fim-de-semana. Como sabemos hoje a reunião, apesar de pouco concorrida, teve vários momentos em que se extremaram posições, acabando o o orçamento por ser aprovado por pouco mais de 60% dos votos. 

Os tais sócios que "acenam com a cabeça"  e que votaram favoravelmente prejudicaram mais o clube do que os que se opunham à sua aprovação?

E se o orçamento do clube (não da SAD) não fosse aprovado quem o prejudicaria mais, criando uma crise no momento em que se definem os contornos de toda a actividade desportiva, não apenas do futebol, do clube, os que impediriam a sua aprovação ou os que votavam favoravelmente?

Os interesses do Sporting, tantas vezes invocados para justificar acções e comentários, ficariam melhor defendidos com uma crise directiva em qualquer momento? 

Até onde é justo e legitimo ir?

domingo, 1 de julho de 2012

"Um grande clube, como os maiores da Europa"- O mais dificil está feito

Celebram-se hoje os 106 anos de vida do Sporting Clube de Portugal. 106 bem contados, a partir do dia um de Julho de 1906, um critério de rigor e verdade que acaba por ser uma marca-de-água distintiva: o Sporting para ser grande não precisa de ser o mais velho, precisa de ser fiel às suas origens. 

Quiseram, (deveria dizer sonharam), os nossos fundadores que daquele grupo de dez (José Alvalade, José Maria Gavazzo, Frederico Seguro Ferreira, Alfredo Augusto das Neves Holtreman, Fernando Soares Cardoso Barbosa, José Stromp, Henrique Almeida, Leite Júnior, João H. Scarlett, Francisco Quintela Mendonça e Alfredo Botelho) fosse lançada a semente de um dos maiores clubes da Europa. Hoje pode-se dizer com orgulho que esse desejo está cumprido: percorrendo o trajecto realizado, o Sporting tem a sua história pontuada por um infindável rol de vitórias e conquistas num amplo leque de modalidades, num palmarés difícil de igualar.

Hoje é o dia de lembrar-mos as várias gerações dos que, honrando um lema (esforço dedicação, devoção e glória), deram o melhor das suas vidas para erigir o hoje grande Sporting Clube de Portugal. E de percebermos que o mais difícil já está feito, assim saibamos nós TODOS estar à altura do testemunho que nos está entregue em mãos. Hoje e todos os dias.

Viva o Sporting Clube de Portugal!

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