quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Havia necessidade



Os golos regressaram a Alvalade. Com eles muitas coisas novas, bons momentos, alguma arte, aplausos espontâneos, sorrisos e consistência. O futebol é uma permanente caixinha de surpresa. No jogo anterior contra o Nacional (só vi os primeiros 60 min.) o Sporting fez muito mais e melhor para vencer do que hoje. Conseguiu com esforço marcar um único golo, hoje com muito menos colheu muito mais.

Cinco golos, cinco de uma assentada, de modo categórico coroam uma exibição segura contra um adversário que pouco cheirou a bola. Era urgente um jogo assim em que os jogadores se sentissem recompensados pelo seu esforço. Foi evidente neste como noutros jogos que a equipa, o grupo não está estável emocionalmente. Cada erro banal provoca olhares de desalento e angústia. Só após o terceiro golo houve sorrisos, alegria, liberdade. O quarto foi uma festa!

Aterramos assim naquele que para mim é o homem do jogo, Hélder Postiga, está nos primeiros três golos, cria espaço para Carriço cabecear, arrasta os defesas para Maniche concluir, assiste Salomão para ele ser feliz e mostrar que ainda nem sequer sabe muito bem como festejar. Depois de dar tudo o que podia e sabia à equipa, disse, “Hoje é o meu dia! Vejam como é fácil!”. Pontapé canhão e um golo para a Europa ver.

A equipa ainda tentou que a sua felicidade fosse maior, mas a barra disse que não. Hoje para lá do suor o banho não vai conseguir limpar os sorrisos dos nossos atletas. Carriço no próximo jogo, se tiver a sorte de voltar a marcar, já vai consegui r festejar sem ser contra o mundo.
A fechar a contagem Mátias, um mistério de jogador muito do que aconteceu de qualidade passou pelos seus pés, se tivesse metade da intensidade que João Pereira entrega ao jogo tínhamos feito um negócio da china, assim vivemos de lufadas de brilho, seguidos de eclipses.

Ganhamos uma equipa? Não. Ganhamos um resto de semana de trabalho com a cabeça limpa. O esforço de cada acção vai ser menor e mais frutuoso. O Sporting não está obrigado a vencer o próximo jogo. O Sporting está obrigado a vencer todos os jogos, o principal dos quais o seguinte, sempre o seguinte.

Saudades do futuro II

O relato hoje feito hoje no Dn da AG da SAD realizada ontem, só pode derivar de um boato e não de fontes bem informadas. É que não me parece credível que uma AG de uma empresa cotada em Bolsa, destinada apreciar as respectivas contas possa aceitar como justificação para o prejuízo exibido desculpas como “"a instabilidade do clube, as eleições tardias e algum azar com a aquisição de alguns jogadores". E que a assembleia não vá ao cerne da questão, tentado pelo menos perceber porque é instável um clube que acabou de eleger uma direcção com quase 90% dos votos. Ou que aceite com indiferença que a SAD não saiba precisar a percentagem cedida nem a verba auferida com a transacção dos passes de Eric Dier e Tobias Figueiredo. Em qualquer comissão de festas de uma remota aldeia do interior, qualquer quermesse paroquial ou roulote de couratos, justificações ou omissões deste tipo perante os resultados apresentados representaria no mínimo demissão dos responsáveis.  A AG da SAD do Sporting terminou com um louvor à administração e fiscalização. O repórter do DN ter-se-á enganado no texto e assistido a alguma reunião de condóminos ou grupo de bisca dos nove?

Já as declarações de Paulo Sérgio devem ter sido truncadas. Onde se lê “há sede de poder” deveria estar certamente “há sede de se poder ver bom futebol em Alvalade”. Quem no seu perfeito juízo vê, na situação em que o clube atravessa, outra coisa que não seja uma enxurrada de problemas para resolver? Quem é o Paulo Sérgio para minimizar as preocupações dos Sportinguistas pelo caos instalado , caracterizando-as como desonestas?

Não falta quem tenha regressado à conversa dos abutres, classificando os que ontem se manifestaram em Alvalade. Aos que estiveram presentes gabo-lhes o empenho, reconheço-lhes legitimidade, mas deixo-lhes à consideração se o resultado obtido é minimamente satisfatório. Como dizia no outro dia é bom que concentremos energias em acções que sejam decisivas e em palcos onde se possam produzir alterações. Como a AG do dia 13 de Outubro.*

Voltando aos “abutres” é pelo menos bom saber que há o reconhecimento implícito, da parte dos que acham que a resolução dos problemas passa ainda pelos seus causadores, que algo de podre exala do poder instalado no Sporting a ponto de atrair necrófagos. É um principio. É geralmente deste quadrante que vêm as exigências de credibilidade a quem se perfilar para suceder a um candidato cujo programa eleitoral para o Sporting se reduzia a uma folha a4 vazia, onde escreveu a correr Paulo Bento Forever. Essa única promessa eleitoral demorou apenas 3 meses a ser incumprida, mas são agora muitas as folhas A4 de episódios rocambolescos e que diminuíram o valor e a credibilidade do Sporting.

Voltando à noticia do DN. Continuo a pensar que se trata de algum equívoco. JEB confessa-se injustiçado: "Sou perseguido apesar de andar a fazer um favor ao Sporting."  Não tenho a certeza se  o Sporting não precisa de favores. Mas sei que precisa de um líder que ele não tem sabido ser, precisa de competência que ele não tem sabido ter. E precisa ainda mais de gente que haja com convicção e determinação, do que de favores ou de fretes. O Sporting precisa de todos os Sportinguistas, não está em condições de dispensar nenhum. Mas não se pode dar ao luxo de ter as pessoas erradas no lugar errado, mais ainda na cadeira de presidente. Na bancada há muitos lugares vazios a precisar de ser preenchidos.

Considerações sobre a AG:

Desenganem-se os que pensam que será possível levar a cabo com facilidade uma A.G. Ou que, uma vez lá chegados, seja fácil obter grandes esclarecimentos, muito menos pensar que se possa, da mesma forma, obter resultados ou tomar decisões. A constatação destas dificuldades, recorrentes em todas as AG´s, atesta a gravidade da situação em que o clube se encontra mergulhado. Nenhuma instituição saudável criaria tantas dificuldades para ouvir e dar explicações, obstruindo direitos que estão reconhecidos nos estatutos aos seus sócios.

Mas os obstáculos não terminam aí. Todos conhecemos a fragmentação que existe entre sócios e adeptos, sempre muito ciosos das suas opiniões e nichos de interesses, pontuados por antagonismos pessoais. É essa balcanização, associada à apatia generalizada, que tem adubado a raiz da conjuntura e o poder instalado. Esta é a altura de olhar para um bem maior, o do clube, prescindindo de acessórios mesquinhos. Não perceber isto é falhar o essencial e condenar à nascença qualquer intento. Todos os que não se revêem na actual situação devem o melhor de si ao clube.

É necessário não perder de vista o essencial. O que se procura no imediato é dar a voz aos sócios e solicitar esclarecimentos aos órgãos sociais. Não é a altura de falar em alternativas. Elas não aparecerão sem um sinal inequívoco dos associados dando conta de um sentimento de necessidade de mudança. O que está documentado na história recente das nossas escolhas e a persistência no erro desmobiliza por completo o aparecimento da competência. Antes favorece o aparecimento do aventureirismo, próprio de quem não tem nada a perder.

Desenganem-se também que a mais que desejável virar de página nos destinos do clube resolva por si só e num passo de mágica todos os problemas do Sporting. Que, estou certo, estamos longe de conhecer com exactidão e profundidade. A opacidade promovida pelos órgãos sociais desmobiliza uns, hostiliza outros e anestesia a maioria. Só há uma razão que justifique a actual estratégia de ocultação de cadáveres seguida em Alvalade: o alijar de responsabilidades. É uma estratégia até agora bem sucedida que tem divido os Sportinguistas em facções, consoante a interpretação que fazem dos factos. Mas há dados mais que objectivos que recomendam que interrompamos este processo de degradação continua do valor e da influência do nosso clube.
 
*Teor da carta enviado ao presidente da AG pela AAS:
 
"Caro Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal,



Tomando conhecimento, via jornal "Sporting" da convocatória para a Assembleia Geral do Clube para o dia 13 de Outubro com vista a deliberar sobre o Relatório & Contas do Sporting Clube de Portugal, vimos na qualidade de associados do clube e membros do Conselho Leonino solicitar que seja adicionado à ordem de trabalhos o seguinte ponto:



"2. Estado da Nação e Projecto de Futuro para o Sporting Clube de Portugal"



Desta forma, garante-se a superior organização de temas da Assembleia Geral (uma vez ser previsivel que tal tema seja abordado pelos participantes) e permite-se que o Presidente do Conselho Directivo espelhe, perante os sócios, a sua visão para o clube e a estratégia que prevê implementar.



Solicitamos igualmente a publicação da convocatória no sítio oficial da internet do clube, enquanto veículo de comunicação institucional com os sócios.



Com os melhores cumprimentos, subscrevemo-nos com elevada estima e consideração,



Pedro Faleiro Silva



Nuno Manaia Costa



Luis Silva Pires



Conselheiro Leoninos, em nome da Associação de Adeptos Sportinguistas."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Palavra de Costinha


Não estou ainda absolutamente convencido do valor de Costinha como director desportivo. A avaliar apenas pelo desempenho na preparação da época em curso não hesito censurar a sua actuação, na linha do que aqui tenho justificado em posts.

Pouco ou nada mudou dos procedimentos anteriores. O Sporting continuou a comprar caro e a vender barato. Agravou os custos sem garantias de melhor desempenho. Como exemplo cito Zapater. Está longe de ser um barrete, mas custa quatro vezes mais por mês do que Adrien,  para fazer o mesmo, numa perspectiva benevolente. E entretanto pagamos para o ter.

Como muito bem caracterizou ontem Pedro da Cunha Ferreira, a opção por profissionais sem provas dadas, em coexistência com dirigentes com dificuldades em acertar, explicam o nosso presente estado. Costinha foi um belíssimo jogador mas não tem qualquer experiência na direcção desportiva ou preparação académica. A sua imediata promoção a director desportivo, assumindo-se como uma espécie de presidente executivo para área do futebol equivale mais ou menos ao mesmo que a PT contratar para o lugar do Zeinal Bava um aluno acabado de sair da novas oportunidades. Numa   empresa como a que foi admitido – a SAD –,  que está longe de ser conhecida pela excelência das suas decisões e modelo de funcionamento a acumulação deste tipo de equívocos só pode gerar maus resultados. Lembram-se do primeiro ano de Rui Costa?

Em pouco tempo Costinha revela a sua conversão ao pior discurso da oligarquia (“servem do clube para proveito próprio, para gestão de imagem” como se ele pudesse dar esse tipo de lições…)  parece fnã perceber a diferença entre as funções de capataz e a de director desportivo de um clube com a grandeza do Sporting. E não será ele, que enquanto profissional preferiu sempre outras paragens que lhe eram mais convenientes, que poderá dar agora lições de amor à camisola. Há  porém duas razões pelas quais não estou ainda disposto a prescindir dos seus serviços:

(i) Porque, numa óptica de responsabilização, gostaria de o ver resolver os problemas que, como cogumelos, surgirão no próximo ano, por via da forma como dirigiu a preparação da presente época.


(ii) Porque lhe ainda adivinho algumas qualidades que, inseridas numa estrutura eficiente e devidamente enquadrado, educado e informado do que é o Sporting,  nos podem ser úteis. Afinal não há no universo Sportinguista muita gente habilitada para o cargo e até o agora tão incensado Luís Duque nos deu um titulo por um preço que ainda estamos a pagar. Mas deu, é certo, coisa que Costinha seguramente não conseguirá na sua estreia.

A entrevista que partilho com os leitores do “ANorte”, publicada no jornal do clube, é um manancial rico, que suscita as mais variadas reflexões. Saliento duas frases reveladoras do pensamento actual do director desportivo:

“O que me levou a optar pelo Paulo Sérgio foi o carácter e a vontade de vencer” Quantos treinadores cabem nesta definição?

“Por vezes contratamos jogadores que são bons a representar outros emblemas, mas depois chegam cá e não rendem” A culpa e sempre dos outros, ou dos adeptos ou dos jogadores.

Terrorista de gravata?

 In Record:

Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), sócio do Sporting e antigo conselheiro leonino, afirma que o ciclo de José Eduardo Bettencourt como presidente do clube  leonino estará esgotado a curto prazo devido à perda de credibilidade que a instituição tem vindo a sofrer, interna e externamente.

Na descrição do momento leonino, feita à "Rádio Renascença" a poucas horas da Assembleia Geral da SAD do Sporting, Vicente Moura fala em "falta de sangue frio para enfrentar a presente situação. Há um certo desprestígio das estruturas sociais, há contestação e há um avolumar de maus resultados desportivos."

"[Bettencourt] Infelizmente, se não parar a situação, em termos de prestígio rapidamente estará esgotado. É um homem que fez muito pelo Sporitng, mas talvez tivesse tido alguma dificuldade em liderar um projeto, um clube, com a estatura e a responsabilidade do Sporting."

"Há uns tempos a esta parte, o Sporting tem perdido credibilidade, em termos nacionais e internacionais, e começa pura e simplesmente à procura da mera sobrevivência", reforça, antes de apontar:

"O Sporting está muito condicionado aos bancos. Sem se libertar dessas teias, sem encontrar um líder capaz de encarar o clube como uma grande força nacional que ainda é, naturalmente, em pouco tempo, tem o destino de se transformar num Belenenses."

Para o presidente do COP, na equipa proliferam "jogadores sem gabarito e responsáveis técnicos que não estão, provavelmente, à altura dos desejos que tínhamos há 10/15 anos - ser campeões de Portugal e de ter uma carreira importante em termos europeus."

"Ainda é cedo para tirar conclusões, mas a situação merece profunda reflexão, o momento é preocupante", encerra.

O mundo ao contrário





Sporting terá de comprar acções para evitar processo em tribunal

«Antes de reduzir para metade o capital social da Sociedade Anónima Desportiva (SAD), no âmbito do projecto de reestruturação financeira, o Sporting deverá comprar a participação de um dos seus accionistas de referência, a Nova Expressão, dirigida por Pedro Baltasar. Tudo para compensar o empresário (e ex-administrador da SAD) e impedir que este avance com uma acção legal contra uma operação que implicará a perda de metade do seu investimento financeiro, como acontecerá, de resto, com os restantes accionistas.

Ainda que nenhuma das partes assuma a conclusão (ou sequer a existência) do negócio, os responsáveis "leoninos" já terão um princípio de acordo com Pedro Baltasar para adquirir os 11,667 por cento do capital social da SAD, aproximadamente 2,450 milhões de acções (0,91 euros por título ao final da sessão bolsista de ontem, em que perderam 13,33 por cento em relação a sexta-feira).

"Por enquanto, não posso dizer nada sobre isso. Essas coisas têm de ser anunciadas primeiro à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários [CMVM], já que se trata de uma participação qualificada", referiu ao PÚBLICO Filipe Nobre Guedes, administrador responsável pelo pelouro financeiro da SAD "leonina".

Também a Nova Expressão, num e-mail assinado pelo seu director-geral, Manuel Falcão, não confirmou o eventual acordo: "A posição na Sporting SAD é integralmente detida pela Nova Expressão SGPS e o seu conselho de administração nunca fez qualquer declaração sobre o tema das suas questões [de uma venda ao Sporting]." A empresa garantiu, por outro lado, que estará "representada com a totalidade da sua participação no capital social" amanhã na assembleia geral (AG) da Sporting SAD, em que será discutida e aprovada o "relatório de gestão", que implica um prejuízo de 26,461 milhões de euros, o segundo maior de sempre.

Com a aquisição desta importante participação, o Sporting reforçaria os 68 por cento que actualmente detém de forma directa (pelo clube) e por via indirecta (a SGPS que controla o grupo empresarial "leonino" e que é detido a cem por cento pelo clube), mas, acima de tudo, impediria uma acção legal por parte da Nova Expressão, pouco entusiasmada em perder metade do investimento feito em acções da SAD - o custo desta operação para o Sporting será (por causa da diminuição de capital) a perda de metade do valor pago.

Nobre Guedes garantiu ao PÚBLICO que já está ultrapassado o prazo legal de dez dias para se interpor uma providência cautelar contra a deliberação da assembleia geral da SAD de 9 de Setembro último, com a aprovação do plano para a sua reestruturação financeira- este plano, em traços gerais, implica uma redução de capital de 42 milhões de euros para 21 milhões, seguindo-se um novo aumento de capital em 18 milhões de euros e com o lançamento de um montante máximo de 55 milhões de euros em valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis (VMOC) em acções da SAD num prazo máximo de cinco anos.

Mas, segundo o PÚBLICO apurou, existe ainda a possibilidade de qualquer accionista poder apresentar uma acção para pedir a anulação da deliberação da AG da SAD de 9 de Setembro, já que o prazo, neste caso, é de 30 dias. Uma acção que teria o mesmo efeito de uma eventual providência cautelar.»

Posso ter lido mal mas é impressão minha ou temos alguém que resolveu investir na Bolsa, tendo para o efeito comprado acções do SCP - das reais não daquelas que se entregam como garantia - mas que agora, devido à reestruturação financeira, irá perder metade do seu investimento tendo o SCP que o ressarcir!?
Imaginem o que era agora as empresas cotadas em bolsa, terem que compensar os seus investidores. Ou o casino a devolver o dinheiro das apostas porque não tinham ganho prémio nenhum.

Já agora, porque não votou contra o plano na AG da SAD?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mais uma boa prestação na TV Senhor Doutor?

Desde os longínquos programas “Jogo Falado” da RTP ou “Donos da Bola” da SIC que não sou apreciador das participações dos representantes leoninos neste tipo de programa. Se assim o era naqueles tempos, o que dizer dos três programas que temos à nossa disposição na actualidade?

Um dos elementos que há mais tempo marca presença nestes programas é o Doutor Eduardo Barroso, tendo inclusive já passado por todas as estações televisivas. Mas vamos por partes. Nada se pode apontar ao Sportinguismo do Doutor Eduardo Barroso, muito menos à sua notoriedade enquanto um dos melhores cirurgiões da Medicina portuguesa. Penso porém que é evidente a fraca qualidade e confusão de interesses na qualidade de representante da massa afecta ao meio leonino.

Semana após semana, o Doutor Eduardo Barroso assume-se como um dos agentes de propaganda que procuram deturpar o julgamento dos sportinguistas. É frequente vê-lo a defender com tenacidade um determinado ponto-de-vista para poucos momentos depois ser capaz de se refugiar na clássica expressão “Essa não é a minha especialidade”.

Depois de o termos visto exaltar-se com um candidato à presidência do Sporting, de lançar acusações aos sportinguistas que manifestaram as suas opiniões em Assembleias Gerais e incitando à responsabilização destes pela demora na aplicação de um plano financeiro, que foi adiado por 12 meses após aprovação final da parte dos sócios, o Doutor Eduardo Barroso tomou a posição de apontar os adeptos sportinguistas como responsáveis do estado a que o nosso clube chegou.

Palavras corajosas da parte de quem nunca foi capaz de proferir uma palavra relativa a incompetência de gestão ou incapacidade negocial da parte de quem tem gerido o clube. Mas mesmo aí, admito que a responsabilidade é dos sportinguistas pois foram eles que democraticamente sufragaram as direcções que trouxeram o Sporting a esta situação.

Neste prisma, sendo o Doutor Eduardo Barroso um dos mais acérrimos defensores das políticas praticadas, bem como um dos maiores meios de promoção e divulgação das medidas que se tentam implementar, é no mínimo pertinente perguntar ao ilustre cirurgião, comentador televisivo e conselheiro leonino de longa data, se na sua condição de Adepto privilegiado dentro do Sporting pretendeu assumir-se naquele programa televisivo como parte responsável do que infelizmente temos vindo a verificar no dia-a-dia do Sporting Clube de Portugal.

EM FRENTE SPORTING!


Saudades do futuro I

Ri-me com vontade ao ler a notícia da RR que colocava JEB no fio da navalha. A menos que o nosso presidente estivesse a fazer a barba num barbeiro à moda antiga, também ele se deve ter rido, talvez até com mais vontade.

JEB está nos destinos do clube e nos cargos ao mais alto nível há mais de 10 anos e por isso conhece os Sportinguistas melhor que ninguém. (Tenho que usar o plural, porque as decisões da maioria é que prevalecem sobre a vontade dos restantes). Ele sabe que nós, pelas mais variadas razões, estamos emocionalmente distanciados do Sporting, quando não desligados. As idas à Alvalade deixaram de ser uma cerimónia de comunhão para se tornar no cumprimento de uma formalidade. Não fora assim e ter-nos-íamos indignado com a frouxidão dos espectáculos, isto quando, em muitos casos, a palavra só faria sentido se estivéssemos a falar do género burlesco ou de terror. É essa distância emocional que nos leva a desinteressar pelas contas do clube, sendo incapazes de exigirmos a transparência que nos foi prometida e que nos é devida. Ele sabe, e por isso se deve rir, que toda esta agitação é apenas o produto de umas derrotas consecutivas, e que se andássemos um bocadinho mais para cima, mas ainda assim sem poder ganhar o campeonato, poucos reclamariam. Com uma cenoura de uma vitória ou duas a maralha lá voltará a cantar “O Sporting é o nosso grande amor”, mesmo que a seguir leve 2 ou 3 derrotas em forma de pancada. O jugo também é um hábito. Ser pequeno ou ser grande começa por ser um estado de espírito.

JEB e a gerontocracia que o promoveu, com a anuência infeliz e irresponsável de grande parte de nós, sabe que o clube em que tornaram este Sporting não pode competir e ganhar mais do que umas pequenas escaramuças nas guerras que devia disputar com os principais adversários. Há muito que o Sporting deixou de lutar com os seus rivais e muitas vezes inimigos em todos os relvados e organizações. As únicas vitórias possíveis são dentro de portas, sobre os Sportinguistas que se lhe opõe e quem vence esta luta como Pirro é o próprio Sporting. E sabe que pode continuar a contar com a indiferença, conformismo, apatia e displicência para levar pela frente os seus intentos que, nesta altura me parece resumirem-se apenas a salvar a face e garantir a subsistência da oligarquia.

De facto seria um acto de amor desinteressado abdicar, ou pelo menos promover a realização de uma A.G. Sabemos que isso não acontecerá, o que é um erro crasso. A história de muitas organizações e até de países conheceu muitos episódios similares, e o que não se foi dado de livre vontade foi conquistado á força. As revoluções não deixam de ser uma enorme perda de tempo e recursos. As feridas que se abrem num dia levam anos a reparar.

Não seria por mim que haveria a manifestação aprazada para quarta-feira. Não porque não me apeteça fazer-me ouvir em bom português. Não porque JEB e companhia não mereçam uma boa sacudidela que os desperte finalmente para o mandato que lhes foi confiado. Mas porque esse acontecimento, a ter lugar, em nada ajudará a causa pretendida. Antes servirá, devidamente aproveitado, como foram os que se lhe assemelharam anteriormente, para a estratégia de vitimização atrás da qual se têm escondido. Segundo os próprios se Sporting não está melhor isso deve-se aos adeptos. O que não deixa de ser verdade…

Não há oposição constituída no Sporting. Talvez tenha sido um erro, por desânimo e cansaço ou até por ingenuidade, mas a verdade é que JEB não se pode desculpar com obstáculos de qualquer espécie que não lhe tenham sido pela sua inaptidão para o cargo e pelo silêncio cúmplice e acrítico dos que o acompanham. No entanto a oposição é constantemente citada, como se pode ler na blogosfera quase diariamente, e geralmente identificada como não credível. A bitola que se exige a uns e a outros é variável. Interrogo-me que mais será preciso (não) fazer para continuar a achar que Bettencourt é credível.

Neste cenário difícil a estratégia e acção consequente é o caminho a seguir. As AG´s são os locais apropriados para discutir o clube e tomar decisões. Habitualmente tidos como críticos histéricos e inconsequentes, desejosos de protagonismo ou com projectos pessoais mal disfarçados, a blogosfera tem aqui uma oportunidade de demonstrar a utilidade que não lhe é reconhecida, lançando a ideia e criando condições para uma A.G. com um único ponto na ordem de trabalhos que é discutir o estado da nação leonina. Independentemente da visão e do alinhamento pessoal em relação ao clube quem tem medo ou acha inútil discutir o Sporting no momento presente?

Não é uma tarefa fácil – face às dificuldades acrescidas pela alínea c) artigo nº 52 dos estatutos do clube: “1 – Extraordinariamente, a Assembleia Geral comum reúne-se em qualquer data: c) a requerimento de sócios efectivos, no pleno gozo dos seus direitos, com o mínimo de mil e quinhentos votos, desde que depositem na tesouraria do Clube a importância necessária para cobrir as despesas inerentes - mas a sua viabilização será possível quão maior for a adesão.

Vivendo longe de Lisboa, não tenho outra possibilidade que não participar com a minha assinatura. E não tenho o perfil ou a influência necessária para ter êxito nesta tarefa. Nesse sentido, farei seguir um email para todos os que me parecem poder levar esta empreitada por diante. Quem se identificar com a proposta que apadrinhe a ideia, a faça sua e use a sua influência para a divulgar. Não quero louros nem são necessárias referências.

Sei que o mais natural é este apelo não ter continuidade e cair no saco roto da indiferença. Parece que o conformismo se estendeu aos que deveriam, pelo amor ao clube, assumir um papel mais interveniente. Notável hoje no Sporting é apenas o silêncio e a passividade. “Tenho saudades do futuro” diferente e melhor para o nosso Sporting, que não acontecerá se nos calarmos.
P.S.: Este artigo representa apenas a opinião do autor do post e não vincula os restantes editores do blogue.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O despertar

Os Sportinguistas têm um despertar muito lento. E parece que se recusam a acreditar no que vêem.  E as más noticias não cessam (Izmailov, Pedro Mendes; NAC). Mas os sinais estavam á vista de todos, apenas nos recusamos a olhar para eles, como se isso mudasse a realidade. O que é hoje diferente do que era há um ano? Bem, estamos pior. Mas quem não quiser recuar tanto recupero aqui o que dizia a 20 de Agosto:


Ver agora os meus receios confirmados e até superados por uma realidade cruel em nada me alegra. Mas já estivemos pior. E porquê esta afirmação agora, naquele que parece o pior dos momentos? Porque se há dois meses atrás eram poucos os que se aperceberam das consequências de uma série de decisões que nos deixaram mais pobres e mais fracos, a actual situação do futebol do Sporting já deve ter produzido algum efeito na consciência dos adeptos. É que para mudar é preciso, em primeiro lugar, tomar consciência da necessidade e a urgência de o fazer.

O problema é o que fazer, como fazer e quem deve fazer a mudança.


Não vale a pena esperar por Paulo Sérgio que, ontem, depois de  não ter conseguido corrigir nenhum dos defeitos que a equipa enferma de forma evidente, e depois de uma noite de horrores, ainda se atreveu a dizer que a equipa fez um bom jogo. (...) É impossível dissociar os nossos problemas das acções do treinador. Os treinadores adversários sabem como nos vencer e nós não sabemos nem como nos defender nem como atacar. (cada vez mais actual)

Não podemos esperar por Costinha, uma vez que os equívocos da sua acção estão agora expostos de forma muito evidente. No entanto esperava, sempre esperei, muito mais dele. Se os seus erros podem ser aligeirados pela inexperiência e impreparação, é no mínimo estranho que tenha desaparecido ontem, como D. Sebastião em Alcácer Quibir. Até Salema Garção soube, numa situação delicada como a de ontem, dar a cara. (ainda actual, sobretudo quando nos vem dizer hoje que o Estoril é dificil - hoje todas as equipas o são para nós - e se esquece da explicação que deve a todos)

De JEB ninguém espera nada. O que é um erro, porque se deve esperar o pior. (...)E prova-o a forma como soube controlar as vozes mais sonoras que o podiam contestar. Hoje a contestação à sua acção é feita de forma individual, por menos de uma mão cheia de blogger´s, não existindo qualquer movimento organizado que levante a voz. Como o conseguiu? Sabe-lo-emos em breve. Não deixa contudo de ser paradoxal que, tendo a Juve Leo impedido Mourinho de ser treinador do Sporting, ou chicoteado um treinador que levou o Sporting a uma final europeia ao fim de várias décadas, esteja agora mais mansa que um cão de porcelana na chapeleira de um carro, a abanar a cabeça. De facto JEB não é tolo.

Também não creio que a mudança se faça com uma revolução. O Sporting está hoje dividido em 4 grandes grupos: os que perderam qualquer interesse pelo clube, os que contestam a direcção e há muito alertam para o perigo, os que acham que se deve apoiar, “no matter what”, e os que nada pensam e, no fim de um jogo como o de ontem, abandonam Alvalade a falar do tempo, da economia, etc. (actualissimo) Sejamos claros: depois de uma eleição de um presidente a roçar a unanimidade, não há ninguém que se atreva a avançar. Muito menos passado um ano como o que acabamos de viver, que, afinal, parece ser apenas um “trailler” suave do que se prepara para cair sobre as nossas cabeças.  Se todos percebemos que Bettencourt não se demite, tem a palavra quem o elegeu.

Receio pelos tempos que aí vêm. O Sporting, cuja redução à “expressão belenenciana” me recuso a aceitar, está de facto remetido ao fundo de um poço. Ou aproveita muito rapidamente para, fincando os pés, impulsionar o salto, ou, de forma lenta e inexorável, definhará, deixando de ser o que é, habituando-se a chafurdar na lama onde se encontra.

E já antes a 2 de Agosto:

Dito isto, estranho o silêncio que se instalou subitamente no seio de alguns sectores do clube e fico sem saber como o interpretar. Tirando uma declaração avulsa de Vicente de Moura, em que se revelava “inquieto e desapontado com o momento do clube”, não se conhecem quaisquer outras declarações que revelem pelo menos dúvidas ou receios. Serão isto tréguas, silêncios cúmplices, ou mera estratégia para ver no que “param as modas”?   Sou levado a pensar que é um pouco de tudo.

Nisto tudo há duas coisas que parecem preocupantes: que da excessiva contestação se passe ao unanimismo, tão perigoso um como a outra. E que não haja no Sporting quem corporize uma ideia coerente e autorizada sobre a política desportiva que melhor sirva o clube. E quem não fala agora não está legitimado para criticar depois. Como naquela célebre frase nos casamentos…

Ganhar

Não negligencio a importância de ganhar. Quando se ganha muitas vezes perde-se o medo de perder e a sorte parece gostar de se fazer acompanhar dos que ganham mais vezes. Ganhar também pode ser um hábito que, uma vez perdido, se torna difícil de voltar a adquirir.

Não tenho dúvidas é que a mensagem passada este fim-de-semana pelo director desportivo, e aproveitada pelo treinador, é errada e nefasta para quem quer voltar aos caminhos da vitória.  Porque quem se preocupa em jogar bem ganha mais vezes. O exemplo do campeonato do ano passado testemunha-o pela forma como ficaram escalonadas as equipas. E se olharmos para a generalidade dos campeonatos europeus, ganhou quem jogou melhor.

Jogar bem pode ser tão subjectivo como apreciar um carro, mas, olhando para os topos-de-gama, é mais natural dizer que se gosta mais de um Mercedes, Audi ou BMW do que afirmar a superioridade de um sobre os outros. Como também não me parece ser normal ouvir alguém dizer que não importa conduzir bem ou mal, o que interessa é chegar. Quem observa as regras e usa do bom senso tende a chegar mais vezes são e salvo ao seu destino.

No futebol, como em tudo na vida, não há fórmulas garantidas para o sucesso. Muito menos em competição e no particular panorama do futebol português. Podemos até jogar bem e haver que o faça ainda melhor que nós, ou seja ainda mais competente e / ou batoteiro. Perder nunca é fácil de aceitar. Mas quando tal acontece jogando bem, há pelo menos a esperança de dias mais felizes, não se quebrando os laços entre público e equipa. Ao contrário, tendo apenas a vitória como objectivo, retirando importância ao método, concorre-se mais depressa para perder mais, deixando atrás de si apenas a terra queimada, onde arderam todos as frustrações e desenganos.  

Jogar bem foi, durante muitos anos a filosofia de vida do Sporting Clube de Portugal. Para o SLB era e é serem os maiores, para o FCP ganhar no matter how. Descaracterizamo-nos, perdemos identidade e por isso não podemos estranhar o nosso lugar.

Para o Sporting voltar a ganhar, a fazê-lo de forma consistente e não apenas o próximo jogo, tem de procurar primeiro voltar a jogar bem. Pensar que se pode ganhar de forma sustentada abdicando desse princípio é a negação da inteligência, deixando-nos mais próximos dos seres irracionais. Tal como ficamos mais próximos quando, por necessidade, procuramos nos alimentos apenas a urgência de matar a fome e sobreviver mais um dia. Para quem pode e sabe, comer não é apenas encher a barriga. Jogar bem não é apenas dominar o adversário, ou atacar muitas vezes. Jogar bem é saber o que fazer nos diferentes momentos do jogo, com e sem bola, para se superiorizar aos adversários.

Ora o Sporting não ganha porque não joga bem, e, em particular este ano, parece pensar que se pode ganhar de qualquer forma. Pode ser também uma questão de perspectiva. Para Paulo Sérgio o Sporting joga bem. Para muitos adeptos “até não jogamos mal”. Este jogar bem a que se refere o treinador podia ser suficiente para o Paços de Ferreira, mas já não o foi em Guimarães e nunca o será para o Sporting. Enquanto for este o paradigma dificilmente voltaremos a ganhar campeonatos. O Sporting precisa de melhores dirigentes e que estes saibam escolher  melhores profissionais. A sua coexistência no clube é-nos fatal.

Talvez não ganhemos porque deixamos de querer o melhor,  sujeitando-nos à escravidão do possível.

domingo, 26 de setembro de 2010

As costas largas da sorte

6 jogos, 2 vitórias-2 empates-2 derrotas, 5 golos marcados-5 sofridos, 8 pontos no total a 10 do líder. 5 golos marcados, 5 golos sofridos.  Ultrapassados pelo SLB, que regista um dos piores arranques de sempre e a 3 pontos do SPBraga, isto tendo como referência os que nos antecederam no campeonato passado. Pensar que isto acontece apenas por falta de sorte, de empenho ou de atitude dos jogadores é virar as costas à realidade.
 
Ficha de jogo
Jogo no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Assistência 23.372 espectadores.

Sporting Rui Patrício 6, João Pereira 7, Carriço 6, Nuno André Coelho 6, Evaldo 6, Vukcevic 7, André Santos 7 (Matías Fernandez -, 83’), Zapater 6, Djaló 5 (Saleiro 7, 46’), Liedson 6 (Diogo Salomão 7, 46’) e Hélder Postiga 6. Treinador Paulo Sérgio.

Nacional Bracali 6, Claudemir 6, Felipe Lopes 6, Danielson 7, Nuno Pinto 5, Luís Alberto 6, Edgar Costa 6, Thiago Gentil 6 (Mihelic 6, 66’), Skolnik 6, Pecnik 5 (Bruno Amaro 6, 72’) e Orlando Sá 6 (Anselmo 5, 66’). Treinador Predrag Jokanovic.

Árbitro Rui Costa 5, do Porto. Amarelos Saleiro (49’), Matías Fernandez (85’) e Vukcevic (90’).
Golos 1-0, por Saleiro, aos 64’; 1-1, por Danielson, aos 80’.

De importância nacional

Costinha abriu a porta e Paulo Sérgio não se fez rogado: “bem ou mal o importante é ganhar!”. Talvez o seja para ambos e seja também afinal para nós todos, face à situação em que nos encontramos na tabela classificativa. Mas o dramatismo destas expressões, e outras como “atirar a toalha ao chão”, são uma confissão de incapacidade quando, a meio da jornada 6, e com menos um jogo, o melhor que podemos esperar é chegar ao quinto lugar. Um Sporting verdadeiramente candidato deveria estar a pensar no segundo lugar, a 3 pontos do líder.  Paulo Sérgio diz que “confia que é possível recuperar o atraso para FC Porto” mas parece-se esquecer que mesmo ganhando, há mais equipas a quem temos que disputar terreno. Independentemente do resultado e exibição de mais de logo fica prometida uma análise do que significa este baixar de "standard" no Sporting. Estivemos 18 anos sem ganhar mas tínhamos a consolação de  "jogar à Sporting". O que significa isso nos dias de hoje?

 Perante isto, alguém é capaz de se preocupar com as contas do Sporting? Já estará em preparação no Project Finance?


Lista de convocados:
Guarda-redes: Rui Patrício e Hildebrand
Defesas: Carriço, Polga, Torsiglieri, Evaldo, Nuno André Coelho, João Pereira e Abel.
Médios: Matias Fernández, Zapater, André Santos, Diogo Salomão, Tales e Vukcevic.
Avançados: Saleiro, Yannick Djaló, Hélder Postiga e Liedson.

sábado, 25 de setembro de 2010

O pior de três males


"Muitas vezes não se pode jogar bem e ganhar.  É importante ganhar, porque no final ninguém se lembra das exibições, só dos títulos".

É difícil de perceber do que fala o director desportivo. Depois de admitir que a época "não está a correr da forma que esperávamos" e que a equipa "não vai mandar a toalha ao chão", pois pretende "continuar a lutar", Costinha completa com uma frase totalmente desprovida se sentido face à realidade a que se encontra remetido o futebol do Sporting. É que o Sporting não tem jogado bem e ganhar tem sido acontecido pouco, face à necessidade de uma equipa que quer ser campeã. A continuar como tem estado, o futebol do Sporting não precisa de atirar a toalha ao chão. Ela tem resvalado pelas pernas a baixo deixando expostas as nossas misérias.

Talvez Costinha não se tenha ainda apercebido que nem jogamos bem, (i) nem ganhamos como devíamos a adversários ao nosso alcance, e, assim, se será muito difícil lembrar-nos (ii) das exibições ou de algum resultado. Quanto mais de (iii) títulos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mistérios

Recentemente, um atleta de alta competição, internacional por Portugal na modalidade de que é praticante, ouviu do especialista que lhe operou a uma tendinite do tendão rotuliano, um renomado cirurgião português, como recomendação para o período pós-operatório, que não fizesse como Izmailov. Queria com isso o cirurgião dizer que o atleta devia observar com todos os cuidados as recomendações, não forçando um regresso apressado, pagando depois com juros elevados a pressa. Há muita coisa para perceber no caso do joelho do Izmailov, tanto é o tempo que já se arrasta a sua lesão. Desde logo a preferência por um especialista tão distante, quando em Portugal existe autoridade e conhecimento sobre a matéria. Pode-se dizer que neste momento o maior dos mistérios é saber se Izmailov voltará a jogar futebol, de leão ao peito ou não. Ou se a sua cura passará pela saída do Sporting.

Fez ontem 10 anos que Mourinho iniciou a sua carreira de treinador e, se bem se lembram, passará também em breve o mesmo tempo em que Mou entrou e saiu de Alvalade no mesmo dia. Pode-se dizer que terá sido o único clube por onde a sua passagem não produziu nenhuma diferença na sala de troféus. Mas produziu efeitos na contabilidade, porque não é de crer que Mourinho se tivesse desempregado (Mourinho forçou a sua saída do SLB, dias depois de nos ter goleado por 3-0 na Luz, golos de João Tomás, para assinar pelo Sporting) para depois ficar de mãos a abanar.  Como o Sporting lhe fez chegar às mãos o dinheiro, é um pequeno mistério. O maior será sempre perceber que impacto teria tido a passagem de Mourinho pelo Sporting, em particular a sua capacidade de fazer crescer jogadores. Na carreira de Maniche, Nuno Valente Derlei e muitos outros há nitidamente um período A.M. de D.M. (antes de Mourinho e depois de Mourinho).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Palavra de capitão

Carriço dá hoje uma extensa entrevista ao jornal “Abola”. Nela aborda os temas que marcam a actualidade da equipa, entre apontamentos de ordem pessoal:

Da chegada ao Sporting
Dos tempos da Academia
Da condição de capitão
A esperança de chegar à selecção
A candidatura ao título
Os novos colegas
Os novos métodos de trabalho
Os adversários
O recente desaire para o campeonato.
Pede tempo e promete regularidade. 

      (Clique nas imagens para aumentar)

      quarta-feira, 22 de setembro de 2010

      Amuos

      O responsável da secção de atletismo do FC Porto, Fernando Oliveira, confirmou que chegou ao fim a modalidade e consequentemente a participação na Liga de Campeões.

      in A Bola

      Toda a secção foi suspensa na sequência da mudança dos regulamentos do atletismo na assembleia geral de 24 de Julho, mas comunicada oficialmente a 1 de Setembro.

      Esta mudança condiciona a participação de atletas comunitários masculinos e femininos. O FC Porto, através de Fernando Oliveira, defende que esta mudança é «ilegal, intolerável e indecorosa».

      Com o fim do atletismo no FC Porto, que era o campeão nacional de pista coberta e ao ar livre, após ter tirado o título ao Sporting, cerca de 100 atletas deixam de praticar a modalidade.

      Entretanto, o FC Porto já tinha contratado quatro atletas para a nova temporada e perante este cenário decidiu accionar o departamento jurídico contra a Federação portuguesa de atletismo para ser ressarcido de danos patrimoniais e morais.»

      Falei neste post da forma como o FCPorto resolveu contornar a sua crónica condição de segundo classificado nos campeonatos de atletismo, contratando contentores de atletas estrangeiros. Como não gostaram das recentes medidas da F.P.A. agora amuam e não brincam mais. Só não levam a bola para casa porque no atletismo só se usa para o lançamento do peso e como bibelot não deve dar muito jeito. Convenhamos que o atletismo português tem pouco a lamentar com a decisão.

       Em frente Sporting!

      Vitor Pereira desmente Vitor Pereira


      Já nada surpreende no futebol português. Por isso ver um alto dirigente desmentir em actos as palavras que estava a proferir não espanta ninguém. Foi isso que aconteceu ontem com Vítor Pereira. Convocou os jornalistas para, num acto de contrição e correspondente pedido de desculpas, afirmar que "não sou de modo nenhum pressionável nem pelo que se diz em relação a mim, nem pelos recados que vos fazem chegar para eu ler ouvir, é tudo inócuo...". O que foi afinal a conferência de imprensa se não a confissão pública que a choradeira vermelha que “varre o País” produziu resultados, e obrigou Vítor Pereira a dar a cara?

      Nunca vimos atitude idêntica da parte de Vítor Pereira, e não faltam exemplos concretos que o obrigariam a tal. Perante a gritaria vermelha não ouvimos Guilherme, O Tal, a vir defender os seus associados como o fez em ocasiões que menos o justificava. E porquê?

      Todos sabemos que, por inépcia dos nossos dirigentes, não somos levados a sério por nenhuma das instituições do futebol português que, em regra, correm sempre a favor do vento dominante e são o produto dos esgotos onde desaguam os interesses e jogos dos que não esperam apenas pela sorte e pela consistência das suas equipas e e valia dos seus profissionais.

      O último que tomou as dores do Sporting nessa luta há muito que deixou a Alvalade e falará hoje como seleccionador nacional. Não era nem Sportinguista nem dirigente, era apenas um alto funcionário do clube. Muitas foram as vezes que teve que vir a terreiro, sem qualquer respaldo, enquanto os seus e nossos dirigentes confabulavam, entremeando acepipes e salamaleques, com os seus homólogos que, antes disso, já lhes haviam feito a cama.

      A liderança do Sporting devia interrogar-se porque tudo isto acontece. Mas sobretudo arregaçar as mangas, deixar-se pruridos, conveniências e do politicamente correcto, e ir à luta. Ou então deve declarar-se conformada com um Sporting que não luta pela vitória no relvado, como vimos no domingo e  em muitas outras ocasiões, e que não sabe e ou não pode fazer-se respeitar e em consequência defender, como é sua obrigação, os interesses do clube.

      terça-feira, 21 de setembro de 2010

      Transições

      "Ouvi o dr. José Maria Ricciardi dizer que gostaria de ser presidente do Sporting, e faço-lhe um apelo: espere pelas condições ideais, mas avance para a presidência do Sporting, candidate-se. Forme um núcleo de gente competente e vencedora." Paulo Pereira Cristóvão, ontem, à RR.


      As palavras são de Paulo Pereira Cristóvão e certamente que surpreenderam muita gente. Qual o sentido em que devem ser interpretadas não sei. Desconheço se foram ditas com ironia ou se correspondem a um apelo sincero. No meu entender, fazem todo o sentido. Neste momento da sua história o Sporting não se pode dar ao luxo de dispensar nenhum Sportinguista, seja qual for a sua origem ou história, e que manifeste a vontade de se apresentar a eleições. Pelo menos sem ouvir o que tem a propor. E faz cada vez mais sentido, nas actuais circunstâncias, pensar e preparar um futuro próximo para o governo dos destinos do Sporting. A gestão de Bettencourt parece ser capaz de mais depressa passar de verde a apodrecida, sem primeiro dar sinais de qualquer amadurecimento. Mais cedo do que tarde a questão da liderança voltará a estar na ordem do dia, se é que, no actual mandado, ela não esteve sempre na ordem do dia.

      Não conheço José Maria Ricciardi e creio que o mesmo acontecerá com a maior parte dos Sportinguistas. Não tenho qualquer preconceito pelo facto estar intimamente ligado às direcções anteriores ou por ser um nome incontornável na estrutura do BES, um dos nossos principais credores. Do que sei, de fonte bem informada, é que tem sido um dos principais fornecedores de oxigénio para a máquina a que estão ligadas as finanças do clube. Sei que há quem veja nele o Dominique Strauss-Kahn que impõe medidas draconianas ou apenas um mero controlador do seu próprio dinheiro.

      Não entendo que, para o bem do Sporting, uma solução revolucionária, que passe por esperas ou sequestros, tantas vezes apontadas pelos mesmos que antes das derrotas só conhecem o verbo apoiar, seja a solução para a destituição de uma direcção sufragada com 90% dos votos. Seria estilhaçar o que já revela sinais de fissuras bem evidentes. Para lá da institucional, não me parece haver outra via. Cabe a quem legitimou a actual direcção pronunciar-se sobre a execução do mandato conferido. Julgo que não foi para “isto “ que lhes concederam os votos. A legitimidade termina quando na margem dos erros consecutivos. Ora, tendo sido precisamente José Maria Ricciardi a  convencer e propor Bettencourt a avançar, está na hora de o próprio se pronunciar. Talvez J.M.Ricciardi tenha percebido na prática o ditado popular "quem quer vai, quem não quer manda" e decida pela tripla razão cuidar do dinheiro que é do seu banco, do clube de que é sócio e da SAD  de que é accionista.

      Veremos as cenas dos próximos capítulos, se os houver. Espero e desejo que, desta feita, os Sportinguistas não se deixem impressionar ou antagonizar pelas consoantes dos apelidos ou pelo facto de Ricciardi ser o 24º na lista dos portugueses mais influentes, mas apenas e só pela qualidade das suas ideias e projectos. Tendo sempre em mente que, para o Sporting voltar a triunfar, o acento tónico tem que ser recolocado na gestão desportiva.

      segunda-feira, 20 de setembro de 2010

      Selecção: entre o melhor e o possível

      Não é possível comentar a chegada de Paulo Bento à selecção sem nos referirmos á opereta mediática que nos foi proporcionada por Gilberto Madaíl em busca do Santo Graal para a selecção. E mais difícil é ainda perceber quais são os critérios que (des)norteiam as decisões federativas, tão diferentes que são Mourinho e Paulo Bento. Entre um treinador consagrado e um treinador de curto historial o que se pretende afinal para a selecção? Parece-me indiscutível a conclusão que fica é que se procurou o melhor, ficou-se com o possível.

      O primeiro grande prejudicado será Paulo Bento, cuja tarefa já não se advinha nada fácil. Esta prenda dos seus actuais patrões será, estou certo, a primeira de muitas. Nada que afinal Paulo Bento não esteja habituado a lidar, não tivesse sido ele treinador do meu clube. Aqui não posso contudo deixar de afirmar que, à semelhança do que disse há dias sobre Paulo Sérgio, Paulo Bento também tem culpas registadas em cartório. Como homem que estimo inteligente já por certo percebeu que entre uma equipa unida e um grupo de amigos complacentes pode ir a distância entre o êxito e o resto.

      Há alguns aspectos que me deixam curioso relativamente ao novo seleccionador. A sua relação com os jogadores, que amadurecimento e evolução técnico-tácticas se podem entrever e qual será a sua relação com o clube que lhe deu a primeira grande oportunidade profissional na carreira de treinador.

      Paulo Bento não seria a minha escolha para seleccionador. Entendo para o cargo um perfil diverso: alguém com valor demonstrado, cuja visão sobre o futebol seja reconhecida e demonstrada em curriculum. Não tenho a visão nacional-corporativista de Mourinho, que prefere um treinador nacional. Os maiores êxitos da selecção nacional foram até alcançados com estrangeiros no comando. Como alguém dizia à selecção bastariam os melhores.

      Mas, não sendo eu mais do que um mero adepto da selecção nacional resta-me desejar o melhor possível a Paulo Bento. Calculo que ele também saberá lutar por isso. Tenho-o como um homem honesto e de carácter e se isso não for suficiente para fazer dele um grande treinador, será pelo menos um bom começo.

      Revolução sem ideias

      “Pensa-se hoje na revolução (...)como um milagre que nos dispensa de resolver problemas.”

      A frase é de Simon Weil e contextualiza muito do que foi o sentimento dos Sportinguistas na preparação da época em curso. Mas o milagre não aconteceu e os problemas, mais ou menos os mesmos, permanecem, com a agravante de estarmos consideravelmente mais pobres.

      Do meu ponto de vista, o diagnóstico sobre os males do Sporting pareceu-me errado e por isso nunca fui favorável a uma revolução no plantel do Sporting, pelo menos a que foi empreendida esta época, porque a entendia desnecessária e dispendiosa. A avaliação do plantel pareceu-me ser feita em baixa, por nítida influência de um ano horrível.

      Mas quem toma as decisões no Sporting, e quem, por isso mesmo faz a diferença, entendeu que era necessária uma terapia de choque. Sabendo melhor do que ninguém os recursos existentes e o custo de uma operação de tal envergadura, quem dirigiu essa operação saberia com certeza os riscos que tal envolveria. Supõe-se.

      O que se vê hoje é o que alguns, poucos, foram clamando contra os ventos dominantes: era preciso ter muito dinheiro para comprar melhor do que já tínhamos e o histórico das nossas transacções no mercado eram dois factores que rimariam em métrica perfeita como as estrofes de um fado fatal.

      A revolução, pelo menos a necessária, não chegou ao Sporting. Essa podia passar ou não - no meu entender não, pelas circunstâncias - pela mudança dos executantes mas sobretudo dos processos. A mesma que Jesus efectuou nos rivais, recuperando Coentrão para o futebol e fazendo de Di Maria o jogador que prometia, ou de Cardoso um goleador. Ou podia ser a revolução de Mourinho, quando chegou ao FCP e criou os alicerces de uma equipa várias vezes campeã.

       A revolução necessária não chegou ao Sporting e Matias e Vukcevic são dois bons exemplos do que se mudou para tudo continuar na mesma. Ou pior, se virmos o Evaldo do ano passado e deste ano.

      O fracasso do nosso futebol, bem ilustrado no jogo de ontem, não se deve a um problema de dinheiro, ou à falta de um pinheiro (o pinheiro de Jesus marcou com... os pés) mas à falta de ideias e de líderes esclarecidos. Olhe-se para o Man City, por exemplo. No futebol do Sporting a liderança apenas se vislumbra no campo e chama-se Daniel Carriço. Mas as revoluções não se fazem só com operacionais.

      domingo, 19 de setembro de 2010

      Pesadelo de uma noite de verão

      Quero crer que o maior pesadelo de um Sportinguista não é perder um jogo, seja ele qual for, contra quem for. Pior é mesmo perder jogando 90m de forma completamente inofensiva. Foi isso que vimos hoje acontecer e quando assim é não há sequer vontade para perceber as consequências da 2ª derrota em apenas 5 jornadas.

      O Sporting nunca chegou a entrar no jogo e quando sofreu o primeiro golo estava já em sérias dificuldades para conter o jogo adversário. Ao optar por um 4x2x31 (não me pareceu nenhum 4x3x3 anunciado) Paulo Sérgio permitiu que o adversário várias vezes dispusesse de vantagem numérica na zona central do terreno, com Saviola Aimar e Carlos Martins a aparecer frente e sobretudo nas costas de André Santos e Maniche e entre estes e a nossa defesa, onde NAC foi, em regra, um grande aliado do ataque encarnado. No ataque pura e simplesmente não existimos.

      No final dos 90m ficou a amarga impressão de que as nossas camisolas foram passear ao derby. Não quer isto dizer que os jogadores não estiveram empenhados. Quer dizer tão-somente que, do ponto de vista colectivo, fomos insignificantes.

      Carriço foi o melhor e merece urgentemente melhor companhia. NAC e Liedson estiveram no extremo oposto, pouco menos que miseráveis exibições. As substituições nada trouxeram de melhor, o problema não era mais este ou menos aquele, antes sim um problema de organização colectiva. 

      Ficha de jogo

      Benfica 2

      Sporting 0

      Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.
      Assistência 51 899 espectadores.

      Benfica Roberto 7, Maxi Pereira 6, Luisão 6, David Luiz 6, César Peixoto 6, Javi Garcia 7, Carlos Martins 7 (Jara -, 86’), Aimar 5 (Ruben Amorim 6, 46’), Fábio Coentrão 7, Saviola 7 (Airton -, 80’ e Cardozo 7. Treinador Jorge Jesus

      Sporting Rui Patrício 6, João Pereira 6, Carriço 5, Nuno André Coelho 4, Evaldo 4, André Santos 4 (Saleiro 5, 73’), Maniche 5, Matias Fernández 4 (Hélder Postiga 5, 59’), Valdés 5, Yannick 4 (Vukcevic 5, 59’) e Liedson 6. Treinador Paulo Sérgio

      Árbitro Carlos Xistra 5, de Castelo Branco.
      Amarelos Javi Garcia (8’), Valdés (21’), Maxi Pereira (33’), Fábio Coentrão (44’), Ruben Amorim (71’), Hélder Postiga (90’), Airton (90’) e César Peixoto (90+3’).

      Golos 1-0, por Cardozo, aos 13’ e 2-0, por Cardozo, aos 50’.

      sábado, 18 de setembro de 2010

      Dérbys de memória

      Imagem "Armazém Leonino", equipa que jogou com o Feyenord para a UEFA em 85/8
      Estávamos na época 85/86, quando o Sporting se deslocou à Luz, para, num jogo que julgo ter sido dos quartos-de final, sair goleado por 5-0, num jogo bem orquestrado pelo apito de Francisco Silva e onde o Sporting jogou fragilizado por duas derrotas consecutivas que haviam de o fazer de descer do comboio do título. Por isso, quando o Sporting se apresentou na Luz parecia condenado a servir de mestre-de-cerimónias da festa encarnada na continuação da luta pelo título. Estávamos na penúltima jornada do campeonato.

      A época de 85/86 não deixou grandes memórias nos títulos alcançados mas é incontornável pelo regresso do eterno Damas à baliza do Sporting, chegado de Portimão na época anterior. Seria daí que veria uma equipa personalizada e glacial fazer ruir as esperanças vermelhas de chegar ao título. Morato e Manuel Fernandes marcaram, chegando ao 2-0. Maniche, o verdadeiro, o sueco, fez o resultado final.

      Que plantel “enorme” tinha o Sporting nessa altura:
      GR: Sérgio, Katzirz e Damas.
      Defesas: Fernando Mendes, Morato, Venâncio, Duilio, Gabriel e Virgilio.
      Médios: Carlos Xavier, Litos Mário Jorge, Oceano, Romeu, Jaime Pacheco e Sousa.
      Avançados: Lima (actual treinador dos juniores) Eldon, Meade, Saucedo, Jordão, Manuel Fernandes, Forbs e o “pinheiro” Macdonald.

      Manuel José, o treinador, nunca conseguiu extrair deste fabuloso lote um néctar futebolístico consentâneo com tão boa colheita. Gabriel Alves diria melhor?

      Esta época seria igualmente marcada pelo caso Saltillo, ocorrido no seu final no campeonato do Mundo no México. Que, tal como estágio que antecedeu África do Sul, também foi assolado por casos estranhos, como foi o afastamento do Veloso pai, por análise de doping positivo e incrível não convocação de Manuel Fernandes, o nosso grande Manel. A história repete-se e com frequência no futebol português. Assim seja amanhã. Amen

      sexta-feira, 17 de setembro de 2010

      Inquietante, no mínimo.

      O histórico da caixa de comentários deste blogue assim o confirma: há os que só aparecem a comentar quando se ganha, outros apenas quando se perde. Para lá, claro, dos comentadores habituais que, independente das opiniões, enriquecem - uns mais do que outros - este espaço e com quem temos que dividir as recompensas do trabalho que nos possa vir a ser tributado. E, nesse sentido, os comentários à vitória de ontem espelham bem o sentir e o estado da nação Sportinguista: quando se ganha a um adversário, como ontem ao Lille, por exemplo, ganha-se também ao adepto com quem se disputam as opiniões, como se a vitória lhe fosse exclusiva. E é também verdade que quando se perde, a derrota que também deve ser todos nós é, para alguns, apenas dos que pensam de forma diferente.

      É difícil abordar este tema sem entrar nos moralismos bacocos a que tanto me tenho oposto. Pessoalmente, que tenho aqui assumido uma posição critica em relação ao establishment leonino, nunca me senti impedido de comemorar uma vitória do Sporting, mesmo como a de ontem, alcançada num registo mais voluntarioso que artístico. Apesar de acreditar de forma convicta que o bom futebol fica mais perto de ganhar que todas as outras alternativas, não ignoro a importância das vitórias, sempre em qualquer momento, mais ainda no actual momento do clube. As únicas vitórias de que me sentiria excluído seriam as alcançadas com fruta, café com leite ou à Taça Lucílio. De igual modo não me sinto vencedor quando o Sporting perde ou vê o seu nome mal tratado ou cuidado, mesmo que antecipadamente aqui o tenha previsto.

      Sem tempo para uma reflexão mais profunda sobre o estado na nação leonina, que fica prometida para melhor ocasião, os sintomas de uma profunda e insanável divisão, tantas vezes abordada, é cada vez mais pública e notória. A sua constatação deve fazer-nos reflectir a todos, em particular que tem a missão de liderar. É cada vez mais obrigatório olhar para trás, saber o que fomos, quantos fomos e quantos ainda seguem atrás.

      Anexo, para conhecimento, o comunicado da  A.A.S, hoje recebido:


      quinta-feira, 16 de setembro de 2010

      E esta,hein?

      Paulo Sérgio foi indiscutivelmente o grande vencedor do jogo em França. Assumindo corajosamente o risco, o treinador começou a ganhar o jogo baralhando os franceses com uma equipa alternativa, onde pontificavam apenas Carriço e André Santos dos habituais titulares. Com isso conseguiu fazer repousar grande parte dos titulares para o jogo de domingo e, quem sabe, deixar Jesus tão baralhado como os franceses sobre a equipa para o derby. É tão justo o destaque como seria certa a sua crucificação se as coisas corressem mal. Por certo ninguém se lembraria que ao técnico restavam poucas alternativas e que não lhe competia a ele procurar melhor enquadramento do derby, face aos compromissos europeus.

      Não foi um grande recital mas foi um jogo que valeu pela consciência colectiva das 11 individualidades. Mesmo na segunda parte, em que o Lille procurou mais a nossa baliza, e até depois de sofrer o golo, a equipa não se desarticulou. Isto apesar de, no reverso da medalha, não ter sabido usufruir do adiantamento dos franceses. E confesso que não gostei daquele final “à la Paços”.

      Numa equipa formada por jogadores que estamos pouco habituados a ver jogar juntos, faz sentida uma análise individual.

      Do lado dos mal-amados saliência para um Polga irrepreensível. A sua saída da equipa, depois de Paços de Ferreira foi injusta e nada deve em valor a NAC, o central da moda.Postiga fez muito menos do que é habitual mas, paradoxalmente, fez um golo. Tiago foi infeliz num lance infeliz que veremos muitas repetido com a jabulani, foi decisivo mais do que uma vez. Saleiro esforçou-se pela equipa mas não teve oportunidades. Nada a apontar a Abel.

      Do lado das novidades confirmei a impressão sobre Salomão, que me parece ainda a precisar de… jogar muito mais. Zapater foi demasiado discreto, falhando muitos passes. Torsiglieiri teve uma entrada a fazer lembrar Grimi, mas foi importante no golo e acabou ficar em bom plano.

      Do lado dos consagrados exibições imperiais de Carriço.ENORME, ENORME. André Santos andou lá perto. Vukcevic marcou e pouco mais.

      Uma palavra para a arbitragem: Mr. Atinkson fez o que pôde pelos franceses.

      Já falamos francês, falta "só" tocar piano

      Paulo Sérgio deu ontem o seu próprio show na conferência de imprensa que habitualmente antecipa os jogos. Não só por se expressar em francês, mas sobretudo por voltar ao discurso do inicio da época:

      "Não vou entrar por essa via lamechas e arranjar desculpas, A nossa expectativa é de confiança, confiamos no grupo que temos, confiamos em toda a gente. Temos respeito pelo adversário, o Lille tem grande equipa, mas queremos entrar com o pé direito.”

      Mas não será fácil. Bem antes pelo contrário e, com ou sem ausências, o Lille será logo um bom teste às reais capacidades da equipa. Este é o primeiro adversário mais próximo do nosso valor, podendo até, neste momento, e em termos colectivos, suplantar-nos. Como é tradicional nas equipas francesas, encontraremos uma equipa bem organizada e com valores individuais muito interessantes e em ascensão na cotação internacional, podendo surpreender os menos avisados.

      O Sporting, como muito bem assinala Paulo Sérgio não se pode desculpar com as ausências e ver na dificuldade a oportunidade para ultrapassar alguns dos seus problemas. Com Liedson em Lisboa abre-se a perspectiva de, em 4x4x2 losango jogar com a dupla Postiga – Saleiro, tão subestimada pelos Sportinguistas, mas que para mim seria dupla natural, nesta altura. E talvez seja essa a postura táctica mais indicada face às soluções que o plantel pode oferecer. Tenho dúvidas que esta seja a altura de atirar Salomão às feras, ao contrário da maioria. O jogo natural para o fazer teria sido contra a Naval, face aos acontecimentos. Um 4x3x3 com a defesa habitual, com André Santos à sua frente, Valdés na esquerda, Zapater do lado oposto e uma frente formada por Matias, Djaló sem posições fixas e Saleiro parece-me tentadora mas quiçá pouco consistente na hora de defender.

      Logo veremos se sabemos tocar piano, depois de falar francês. Talvez não seja preciso um recital como o de Keith Jarret em Colónia, mas vai ser preciso mais do que arranhar uns acordes. 

      quarta-feira, 15 de setembro de 2010

      A história de um fracasso bem sucedido

      O momento que se vive nas selecções, com o envolvimento do seleccionador, é apenas a ponta do iceberg de uma titânica e sub-reptícia luta de bastidores pelo controlo dos seus centros de decisões e de aplicação da lei e da disciplina. E, à medida que se vão sabendo pormenores e ouvindo os intervenientes, mais claro fica que esta é também uma luta de cariz político-partidário. Se dúvidas houvesse bastaria ouvir as declarações de ontem do insuspeito Lourenço Pinto. O actual presidente da AF Porto, (e ex-presidente do Conselho de arbitragem, com um histórico de ligação e favores prestados ao FCP e seu presidente…) no seu habitual discurso pretensioso e de sacristia, traz para o futebol um discurso marcadamente partidário, cuja audição recomendo aqui.

      O futebol nada tem ganho com a presença dos comissários políticos e com a extensão da luta partidária ao seu seio. Mas a visibilidade que proporciona atrai os agentes políticos como as estrumeiras atraem as moscas. Talvez por isso quando se olha para o futebol se vejam mais ou menos as mesmas trapalhadas atávicas de que enferma o País. Desenganemo-nos: esta gentinha não quer resolver os problemas das selecções nacionais, não quer estudar soluções para os quadros competitivos anquilosados que atrofiam os jovens futebolistas, ou analisar a sustentabilidade dos clubes mais pequenos, cujo fosso para os maiores aumenta exponencialmente a cada dia que passa. Muito menos pugnar por uma arbitragem isenta. Esta gente quer é continuar a rapar o tacho.

      Nada há a esperar de bom para o futebol português que resulte desta enxovia onde os seus interesses se encontram. E, convenhamos, os seus sucessos nunca resultaram de nenhuma acção concertada de clubes, federação ou do Estado. Antes sim de coincidência de factores que, de forma cíclica, o retira da mediania ordinária em que, de forma genérica Portugal se encerrou após o fim do período de ouro das descobertas, talvez o primeiro e último desígnio nacional. A sua história não deixa por isso de ser a história de um fracasso muito bem sucedido.

      E o que pensam os clubes disto, afinal os principais interessados e por isso também os principais prejudicados pelo estado de coisas?

      Bem, o FCP quer continuar a dominar os bastidores, de forma a continuar a contar com a rede que lhe tem permitido por a salvo, sempre que necessário, dos imprevistos da competição e não é por isso difícil de intuir no discurso do presidente da AFPorto que este, mesmo que a vaca tussa, prefere  a ilegalidade da FPF e consequente perda de utilidade pública, do que perder influência com a adequação à lei de bases.

      O SLB zanga-se com o inefável Laurentino a dias porque este não lhe permitiu contratar para o futuro (muito futuro creio) tribunal desportivo o seu melhor ponta-de-lança dos últimos anos, de seu nome Ricardo Costa, cujos golos decisivos lhe permitiram alavancar um campeonato. O SLB só acha sérios e credíveis os campeonatos que consegue ganhar, não respeita os adversários, como se prova pelo apelo que faz aos seus adeptos.

      Não sei onde se situa o Sporting no meio de tudo isto. Os Sportinguistas contudo podem-se orgulhar de não verem o seu nome envolvido na viscosa realidade do submundo do futebol português.  Há quem diga que isso é fraco consolo, como se a honra e o carácter não fossem motivo de orgulho para gente de bem.

      terça-feira, 14 de setembro de 2010

      Comunicar é preciso

      Há uma notória diferença na comunicação institucional do clube, tendo em conta o passado recente. A opção pelo marketing viral, com os vídeos de Acosta, Prates e de Francheschi são bons exemplos. As iniciativas levadas recentemente a cabo na Loja Verde, com a presença de jogadores do actual plantel em sessões de autógrafos, põem também ser elencadas como boas práticas. Com a deslocação da principal actividade da equipa para Alcochete criou-se um hiato que urgia restaurar para reforço dos laços de empatia entre jogadores e adeptos. Convenhamos que é mais difícil assobiar os que conhecemos do que jogadores cuja distância ao nosso mundo transforma em seres irreais, quase etéreos.

      Mas comunicar no Sporting, seja no site, seja no jornal do clube, não se pode resumir ao marketing e propaganda. E tem de observar critérios como o timming. Julgo interpretar correctamente o sentir de grande parte dos Sportinguistas, que aguardam com alguma ansiedade e até apreensão, uma tomada de posição firme, inequívoca, oficial, pública e notória do clube perante a recente agitação que “varre o País” e as possíveis consequências no desenrolar do resto do campeonato.

      E se muito há a fazer no que diz respeito ao exterior, não tenho dúvidas que a comunicação para dentro do clube, sobretudo ao nível da indispensável prestação da informação, tem ainda muitos passos a dar no sentido da oportunidade e da transparência. As virtudes de uma boa comunicação, como factor de coesão dos Sportinguistas, têm sido ignoradas de forma por vezes quase sistemática. Os órgãos oficiais do clube não se podem limitar, ou não se deviam limitar, a servir de câmara de ressonância dos órgãos sociais, pelo amesquinhar da força abrangente e plural que é o Sporting Clube de Portugal. Se me custa que os órgãos de comunicação do clube sejam sujeitos à lógica vigente de “preservação da espécie” dos eleitos, desprestigiando as funções para que foram investidos, mais ainda me custa que esta atitude seja caucionada ou simplesmente ignorada por inúmeros consócios. O Sporting pelo qual me apaixonei é um clube de referência, não apenas pelos inúmeros títulos que amealhou, mas essencialmente pelo exemplo e pelos princípios que representa. São inúmeros os exemplos que poderia citar. Fico-me por dois dos mais recentes, para ilustrar o que digo.

      Admito que pode ter resultado de alguma limitação pessoal, mas confesso a minha dificuldade em encontrar no site do clube o relatório de contas que foi agora aprovado, pelo que tive que recorrer ao site da CMVM para me poder inteirar do mesmo. Não posso afirmar que o relatório não foi publicado, mas a verdade é que nem recorrendo às funções de busca o consegui encontrar. Porque não lhe foi dado o devido destaque? Não foi na busca de maior transparência que o clube enveredou por uma lógica empresarial para gestão da modalidade mais representativa do clube? De que nos serviu desvirtuar um modelo que fez do Sporting Clube de Portugal uma das referências desportivas mundiais, se até para recolher informação tão elementar temos que visitar sites de instituições que nada nos dizem? Se foi para passar despercebido quanto se gastou com Caicedo o objectivo quase foi conseguido. Esta dificuldade em prestar contas é quanto a mim, e de forma surpreendentemente negativa, uma das marcas da era da “gestão de topo” no Sporting.

      Já não tive tanta dificuldade em tomar conhecimento do desmentido feito ao seu accionista e associado João Mineiro, através de comunicado expressamente elaborado para o efeito, no site, mas entretanto retirado. É um direito que assiste ao Sporting se, como entende, as declarações daquele não estão conformes com a verdade. E é até seu dever, tendo em conta a importância da matéria em causa. Mas, e ainda sem conhecer a posição do visado, interrogo-me porque foi o Sporting tão lesto a desmentir um sócio e accionista, sobre uma questão técnica e de alcance reduzido e não teve a mesma celeridade e igual procedimento para esclarecer os sócios e accionistas sobre a notícia do CM, que alegava procedimentos menos transparentes na remuneração de JEB. A velha e estafada desculpa que o Sporting não pode desmentir todas as notícias que referem o clube é, neste caso, desmentida pelos próprios factos. “Este” Sporting parece apenas interessado em desmentir o que lhe dá jeito.

      segunda-feira, 13 de setembro de 2010

      O drama, o horror, a tragédia e o murro na mesa

      O nosso rival e adversário do próximo domingo definitivamente perdeu a cabeça. Disparando em todas as direcções, o comunicado distribuído revela acima de tudo a total falta de discernimento causada pela triste e dura realidade. Claro que se, no próximo domingo, Vitor Pereira lhes desencantar um Lucílio Baptista "à la Taça da Liga" tanta indignação dos agora guardiões da verdade desportiva depressa significará o regresso à megalomania patológica. Um "case study" do transtorno bipolar, vulgarmente designados por depressão maníaca.

      Espero que a direcção do Sporting tenha aprendido alguma coisa o ano passado com o "caso Duarte Gomes" no Dragão e com todos os outros: não adianta depois chorar sobre o leite derramado. Até porque não podemos e não devemos competir com a choradeira que "varre o País".

      Paulo Sérgio: réu e vítima


      Com 5 pontos perdidos em 4 jornadas, jogando com clubes sem grandes pretensões, os Sportinguistas interrogam-se já sobre as razões que estão na base deste momento de insucesso, que, estranhamente, é visto no site do clube como de êxito. Há quem ache que tudo se resolveria com o tal pinheiro, há quem entenda já, até nos que decidiram dar o benefício da dúvida, que não restam dúvidas que o treinador podia e devia fazer melhor.

      Desde o princípio que a “solução Paulo Sérgio” nunca me agradou, pelo que os resultados não me surpreendem, apenas me entristecem. A hipótese do pinheiro parece-me uma visão redutora dos problemas, a menos que estivéssemos a falar de um goleador nato. Nesse prisma, não se percebe então os que tanto o reclamam agora, também entenderam útil gastar-se no farelo o que devia ser para comprar farinha. Isto é, valeu a pena desbaratar tantos recursos para não resolver um problema essencial e ficarmos mais ou menos na mesma?

      Numa semana marcada pela discussão financeira, esquecemo-nos que os principais erros do Sporting têm acontecido na gestão desportiva, errando os diagnósticos e, consequentemente, as soluções. A cúpula dirigente decidiu encetar uma revolução sem ter dinheiro para a levar a cabo, ficando, mais uma vez a meio de coisa nenhuma. O Sporting acumula erros e prejuízos com a elegância e circunspecção de um elefante, em pleno lago do Campo Grande, a saltar de nenúfar em nenúfar.

      Paulo Sérgio é tão réu como vítima e por isso talvez tenha mudado de discurso do início de época para o momento actual. De facto, não é nenhum drama perder mais do que um ponto por jornada, se compararmos esse facto com a vida dos mineiros chilenos a 700m de profundidade ou com os moçambicanos que, nas ruas de Maputo reclamam por justiça social e uma côdea de pão. Do ponto de vista dos Sportinguistas, que vivem o clube com paixão e não enfrentam situações tão dramáticas ou equivalentes, não sei se não é mesmo um drama ver o primeiro classificado a tantos pontos de distância e a jogar bem.

      Sempre achei que o Sporting precisa definitivamente de abandonar o período experimentalista que abraçou, com entrega da responsabilidade técnica a treinadores sem curriculum – Peseiro ou Paulo Bento – ou sem um percurso auspicioso como o actual técnico. (Por acaso até poderíamos ter sido felizes nos dois primeiros exemplos e até pode ser que o sejamos agora. Mas só mesmo por uma série de acasos.) O argumento do dinheiro para justificar a impossibilidade de contratar um outro tipo de treinador é falacioso, se atendermos ao que o Sporting deixou ficar na conta corrente do Vitória de Guimarães, cerca de 600 mil euros! E não creio que a preferência por portugueses, pelo menos por estes portugueses, em detrimento de estrangeiros, tenha a ver com o melhor conhecimento do futebol português. A história prova que esse não é um factor determinante.

      Creio que os dirigentes do Sporting preferem ter Paulos Sérgios ou Bentos, deslumbrados pela oportunidade de ouro que lhes caiu do céu, a exigir no início de época um x número de jogadores. Para, quando ela começar e, sem as necessidades satisfeitas, declararem, complacentes, que foi o que se pôde arranjar. Isto, a alguém, nacional ou estrangeiro, capaz de levar as suas exigências às últimas consequências, inclusive bater com a porta. Ou obriga-los a reconhecer, perante os Sportinguistas, que não somos assim tão candidatos porque a parte que lhes cumpria ficou por fazer.

      Dir-me-ão que Paulo Sérgio foi, como lhe competia, solidário com que lhe deu a mão. Mas a solidariedade devia ser recíproca e JEB e Costinha deveriam assumir publicamente que o treinador não teve o que queria, e, em consequência, fica desobrigado a grandes exigências. Da mesma forma que um cozinheiro não pode prometer fazer o melhor cozido à portuguesa, num concurso de restaurantes, se não há dinheiro para chispe e tronchudas.

      Quando se tornou público que Paulo Sérgio seria o nosso treinador esta época, apressei-me a vaticinar que seria na formação da equipa que Paulo Sérgio começaria a demonstrar ao que vinha. Ao aceitar tudo o se que lhe pôs à frente, o treinador fragilizou a sua posição. Alguém imagina Mourinho a aceitar, como Pelligrini aceitou, o que Valdano e Florentino lhe despejaram no balneário? Ou porque Jesus rapidamente remeteu Rui Costa ao seu gabinete? Ou quem é o director desportivo do FCP?

      Se Paulo Sérgio estivesse atento, perceberia que foi por estas razões que o seu homónimo Bento acabou por perecer em Alvalade. O discurso auto-indulgente tem apenas servido para perpetuar o establishment e, na hora de assumir responsabilidades, estão lá os Bentos e os Carvalhais ou os adeptos menos resignados para carregar as culpas.

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