quarta-feira, 30 de junho de 2010

É o mercado, estúpido!

Parece-me que passou despercebida a notícia da renegociação do contrato televisivo que liga o Sporting à Olivedesportos, ou pelo menos não lhe foi dada a devida importância que ele tem no contexto do financiamento da actividade mais representativa do nosso clube. Falamos afinal de vender o nosso produto mais valioso e que, ao contrário dos jogadores, não representa uma ameaça ao nosso valor competitivo.

(É já inútil perceber porque vendemos as imagens dos nossos jogos a um intermediário, que, dos lucros que retira, faz dos usurários parecer bons samaritanos. Enquanto a Olivedesportos vinga o futebol português mirra. Neste momento, a empresa dos manos Oliveiras despende cerca de 50 milhões de euros, quando se pensa que os resumos e publicidade estática valham o dobro ou o triplo. Beneficiam da negociação individual, ao contrário do que se faz nos países onde esta receita é melhor rentabilizada em favor dos clubes. Perceber tudo isto seria desvendar segredos que ajudariam a perceber porque o futebol nacional é hoje o que é.)

Voltando ao início, estranho o momento escolhido para a renegociação, que só pode ser ditado pela necessidade. É que se estamos a vender o nosso melhor produto, quando a sua qualidade tem deixado muito a desejar há vários anos para cá, ao ponto de ter deixado de interessar a muitos Sportinguistas, como esperar ser bem remunerado? Não é pois por acaso que o nosso contrato é terceiro no seu valor entre os 3 grandes, e a sua assinatura, por parte dos nossos representantes, significa a confissão pública da sua visão particular do valor do nosso clube ou da sua incapacidade de conseguir melhor na hora de negociar. Mais, à assinatura deste novo contrato deve corresponder a respectiva antecipação de receita, o que é eticamente questionável e de legalidade duvidosa, tendo em conta o mandato da actual direcção.

Não se pode estranhar também que o SLB se sirva das audiências para tirar proveitos. Fazem o que lhes compete, assim fizessem os nossos dirigentes. Se bem que, em termos estratégicos, é de vistas curtas pensar que o “orgulhosamente sós” pode ser proveitoso a médio / longo prazo. Todos teríamos a ganhar com um futebol mais saudável, quer financeira quer desportivamente e tudo a perder com clubes a falir em cascata ou sem capacidade competitiva. A menos que se pretenda ganhar sozinho, o que compreende vindo de onde vem. A matriz de um Sportinguista é bem diversa, quanto melhor estiveram os adversários mais agradável são as nossas vitórias. Digo isto porque os encarnados são hoje os maiores opositores a uma negociação conjunta dos direitos televisivos, aproveitando o vento que lhes sopra nas velas.

Nenhum de nós deve estranhar ser confrontado com estes factos que nos causam desgosto profundo. Não são mais que o resultado de anos consecutivos de actos de gestão ruinosa, que só não tem piores consequências pela grandeza do Sporting como instituição. A imagem que o Sporting reflecte para o exterior é de um clube em esforço para manter o seu estatuto e isso paga-se caro na hora de vender, mas na hora de comprar cobram-nos pela medida grande.

Não é por não gostar do Sporting que aqui várias vezes tenho colocado a debate as movimentações do clube no sentido de se reforçar para a época 2010/11. Bem antes pelo contrário. O Sporting é acima de tudo um projecto desportivo e é com equipas sólidas e vencedoras que esse projecto vingará e sem elas continuará a definhar. Mas construir uma equipa não pode significar hipotecar o futuro. Não é apenas por não se poderem rentabilizar numa futura venda que a aquisição de vários jogadores em fim de carreira é um erro. Quando hoje se sabe que a criação de um fundo de jogadores é uma das ferramentas de financiamento, que a venda de Di Maria rendeu aos investidores 5 milhões de euros, apetece-me perguntar que jogadores temos nós para atrair o mercado, para lá dos que saíram da formação. Pois, o mercado pode ser cruel mas não é estúpido, estúpido…

Erros meus, má fortuna...

O que tem a saída de Hugo Almeida a ver com o golo sofrido instantes depois? Provavelmente nada, apenas uma mera coincidência. Ou, se preferirem, com Hugo Almeida em campo o golo seria evitado? Obviamente que não. Mas relacionar estes dois factos é apenas um sinal de que está lançada a discussão e a caça às bruxas, que começou em Queirós, passa por Ronaldo e até ressuscita Scolari. Podia ser diferente? Provavelmente não, pelo menos em Portugal.

Já aqui disse o que pensava de Queirós. E julgo ser inútil e até injusto lembrar nesta altura Scolari. Se acho que Queirós é um bom dispenseiro, Scolari em Portugal não passou de um convidado que se sentou a uma mesa já posta, comeu do melhor que havia, e foi-se embora sem deixar um legado que valha a pena recordar. E como parece que já ninguém se lembra, é bom recordar que no último Europeu,  com um lote de jogadores semelhante, saímos na primeiro jogo a eliminar, jogando igualmente de tracção atrás e sem brilho. Alguém acha que Scolari seria ontem mais atrevido que Queirós?

Ah, e então as bandeirinhas à janela, as procissões atrás do autocarro, os motoqueiros, bandarilheiros? O que isso tem a ver com o futebol? Portugal pode precisar de referências, de heróis ou até de mártires, de Viriato, Martim Moniz, mas o futebol nacional precisa de um seleccionador que perceba como potenciar as qualidades dos nossos jogadores, da mesma forma que a Espanha conseguiu aliar à fúria a eficácia e a mestria dos seus executantes. Aí a diferença entre Queirós e Scolari estará no sotaque.

As palavras de Ronaldo e Deco são sinais de indisciplina? São. Não deveriam ter acontecido e devem ter consequências. Mas representam também a revolta de quem sente que era possível fazer melhor. São o sinal evidente que os jogadores, ou parte deles, não confia na capacidade do seu seleccionador, tal como grande parte de nós, e esse sinal não pode ser esquecido por Gilberto Madaíl.  E Ronaldo foi quem mais perdeu com este Mundial, embora a sua postura nos jogos da selecção também não o isentem de culpas.

Era possível fazer melhor? Hoje até Queirós o terá já confessado ao travesseiro. Os erros da convocatória foram-lhe fatais. Pepe, Ricardo Costa, Duda, Danny foram erros de palmatória. As lesões de Bosingwa e Nani funestas. A entrada de Ruben Amorim e consequente lesão muscular foi, no mínimo, caricato. Mas é no modelo de jogo da selecção que reside o problema. Termino os posts sobre a selecção como comecei: que ideias tem Queirós para o nosso futebol? Queirós conseguiu o mais fácil que é desconstruir o jogo adversário, dotando a equipa de solidez defensiva. Mas, como vimos ontem, isso não basta. Saber construir, estender o nosso jogo de uma área à outra é um cabo das tormentas ainda por dobrar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Muita tortilha, sem ketchup

Dizia eu sobre Queiroz ontem: “na hora de temperar (fazer equipas, ler o jogo e alterá-las em conformidade) falta-lhe a mão certa.”. Mesmo não discutindo a forma encontrada para travar a selecção espanhola, uma das tarefas mais difíceis de realizar para quem se lhe opõe, o seleccionador falhou rotundamente na escolha dos joker´s: Pepe e Ricardo Costa foram um erro rotundo. Pepe é uma invenção a 6, e isso é mais evidente ante uma selecção como a espanhola. Ricardo Costa não tem categoria para estar entre os melhores 23 nacionais, quanto mais nos 11. Por ele o jogo tinha acabado nos primeiros 4 minutos. E quando Queirós resolveu mexer foi difícil de perceber o que pretendeu e Danny foi um abcesso. Já Del Bosque conseguiu um golo. Não acertar mas escolhas nem nas balizas nas oportunidades conseguidas é tornar o sucesso uma miragem a este nível.

Fizemos o exigível mas fomos incapazes de trazer da África do Sul uma fotografia que valha a pena lembrar. Batemos nos pequenos sem piedade e encolhemo-nos perante dos mais fortes, sem os beliscar sequer. Enorme Eduardo, patética a actuação de Ronaldo.

Descobrindo as diferenças


Não sou propriamente admirador das prestações de Dias Ferreira no programa "Dia Seguinte" mas não posso deixar de louvar as declarações de ontem. O presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting realçou o comportamento de Gilberto Madaíl em termos locais e termos internacionais.

Quando em Portugal, algum clube manifesta desagrado com as arbitragens, o presidente da FPF não hesita em refugiar-se na solidariedade para com a APAF e o Conselho de Arbitragem da Liga, deixando a clara impressão que os clubes devem sujeitar-se e aguentar o que vai acontecendo. Agora, enquanto decorre o Mundial, não sendo Portugal a selecção mais prejudicada, já assistimos a pelo menos três declarações de Queirós contra as arbitragens. Porque é que desta vez Madaíl não diz que nos devemos aguentar?

Ao mesmo tempo, verifico novas curiosidades em relação à imprensa nacional. No caso Hugo Viana, penso que Costinha deveria ter-se remetido ao silêncio e evitar o "sururu" que se verifica agora. Por outro lado, numa altura em que o Sporting já começou a trabalhar e procura tornar-se mais forte, Paulo Sérgio viu-se obrigado a resolver a situação do capitão de equipa que fora levantada (legitimamente?) por um dos jornais desportivos.

Creio que devemos continuar atentos a muitas destas manobras. As diferenças de tratamento são claramente evidentes - e já o foram dentro do próprio Sporting por exemplo nas eleições de 2009 - mas contribuem também para o clivar de algumas posições. Não alterarei a minha postura crítica, construtiva e vigilante mas não me deixarei levar em ondas por parte de recadeiros, muitas vezes encomendados.

Numa altura em que Paulo Sérgio tem de ganhar a confiança dos sportinguistas e dos jogadores, parece que corre o risco de ter de travar mais algumas batalhas.

EM FRENTE SPORTING!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Do Mundial para Alcochete

Portugal joga amanhã uma cartada decisiva, como o serão todas até ao final da participação no Campeonato do Mundo. Em boa verdade, numa competição deste género, todas as partidas o são. Por exemplo, é por termos ficado em 2º lugar do grupo que jogamos com a Espanha e não com o Chile, teoricamente mais acessível.

A discussão parece estar agora centrada no seleccionador e nas suas capacidades. Discussão essa que tem por base o percurso do seleccionador e o legado do seu antecessor. Não creio que o trabalho de Queiroz tenha a temer com as comparações, seja com Scolari ou mesmo com os que o antecederam. Cumpriu, quanto a mim todas as obrigações, não dispondo, a meu ver, de tanta qualidade em quantidade para recrutar como os anteriores seleccionadores. E foi a qualidade do seu trabalho que fomentou uma das gerações mais talentosas do futebol nacional, que não chegou a gerir na plenitude dos seus recursos.

É minha opinião que o futebol nacional tem muito a ganhar com a sua capacidade de trabalho e organização, mas nem tanto com ele sentado no banco. Se pudesse fazer uma parábola sobre Queiroz, diria que o vejo como um excelente despenseiro, que domina todos os segredos do economato, mas que não resiste á tentação de ser cozinheiro, lugar de maior exposição. Mas na hora de temperar (fazer equipas, ler o jogo e alterá-las em conformidade) falta-lhe a mão certa. Uma questão que o seu amor-próprio terá de resolver: ser um excelente despenseiro ou um bom cozinheiro.

Neste momento é indiscutível que Queiroz conseguiu já o mais “fácil”, que é dotar a equipa de uma estrutura defensiva sólida e se entendermos como fácil estar 18 jogos sem perder e 3 jogos num Mundial sem sofrer golos. Ser a equipa mais concretizadora é igualmente excelente, mas há uma sombra nesses números: foi alcançada ante a equipa mais fraca, num jogo só. Aos melhores não conseguimos marcar. Parece pois faltar o mais difícil, que é estender a equipa de uma área à outra e marcar. Se bem que para passar “bastará” não sofrer golos e não falhar nenhum penalty…

Por Alcochete já trabalha Paulo Sérgio há uma semana. Ao contrário de Queiroz, não tem passado que lhe pese ou que o recomende. Mas isso pouco ou nada importará se tiver valor. É indiscutível que tem uma tarefa difícil e começou-a da melhor forma, impressionando os Sportinguistas na primeira entrevista. Mas o vento dos resultados leva para longe as palavras e as boas intenções. Ao contrário de Queiroz, não lhe bastará começar a competição com uma boa solidez defensiva. As responsabilidades do Sporting exigem dominar os diferentes momentos do jogo com igual competência, até porque o campeonato, a nossa principal meta, ganha-se ante adversários que recuam atrás da linha da bola. E fazem-no, grande parte delas, com maior eficácia que a Coreia do Norte.

Depois das épocas anteriores terem diluído muito valor e da revolução no plantel em curso, é difícil de avaliar o que se poderia aproveitar de bom para a época já a decorrer. É por isso que aguardo com muita curiosidade os jogos que se aproximam.

Actualização: Paulo Sérgio em conferência de imprensa:


«Moutinho será um dos meus capitães»

«Jogadores podiam ter-se cuidado melhor nas férias»

 (conta com Izmailov) «Entendemo-nos às mil maravilhas


Stojkovic não conta e «boa sorte» a Vukcevic 

«Via com bons olhos o Hugo Viana»

domingo, 27 de junho de 2010

Perguntas sobre o PREC*


Já aqui me havia referido à dúvida que me suscitam as aquisições em massa ao SCBraga. Hoje, ao ver dado como certo Alan por 2 milhões de euros(!!!) ainda me espanto, talvez já sem razão para tal. Parece-me um erro estratégico por pelo menos por 2 razões bem evidentes: o preço dos passes dos seus jogadores está inflacionado em relação ao valor real, por via do bom campeonato realizado; enriquecemos um concorrente directo, tendo-lhe financiado já o orçamento anual com as aquisições realizadas.

A virtude do SCBraga residia no colectivo, nas ideias de Domingos, e na sua retaguarda organizada, não me parecendo que haja algum jogador que mereça o destaque. Talvez no seu melhor período Vandinho ou Hugo Viana, o tal que, pelo segundo ano consecutivo, é preterido em favor de opções no mínimo duvidosas. Alguém acha que em Braga havia plantel e jogadores para nos darem 23 pontos de distância? E como negar que este plantel tem um valor base muito superior ao que produziu, quando tivemos 5 jogadores no Mundial que ainda decorre, estando 4 deles entre as melhores 16 equipas? Era necessária uma revolução no plantel ou apenas na nossa organização e coesão internas, concentrando os esforços financeiros necessários no reforço cirúrgico e em valores seguros, ao invés de os dispersar?


Já aqui falamos exaustivamente das questões de sustentabilidade e do perigo que representam as contratações de jogadores em final de carreira. Persegue-se o acréscimo de experiência, dizem, como se ela fosse um valor absoluto e incontestável. No Mundial duas das equipas compostas por jogadores mais experientes, a França e a Itália, já fizeram a viagem de volta. De que lhes valeu a experiência, afinal, quando tudo o resto falha à volta?

Não termino sem me referir a Hugo Viana. Como disse na caixa de comentários do post anterior, podemos discordar do valor do jogador como potencial reforço da equipa. São opiniões. Mas é um facto indesmentível que Viana tem uma folha irrepreensível de serviços prestados ao clube em vários escalões, não descobriu tardiamente a vontade de servir o Sporting. Por isso me parece que merecia um tratamento diferente do que lhe foi dado. E não aceito que se diga que este caso foi inventado pelos adeptos, como já vi escrito em diversos lugares. Se há caso ele foi inventado por Costinha, ao revelar, e reincidir , o que ninguém sabia. Aqui desgosta-me sobretudo que o director para o futebol se porte como Frei Tomás: é muito bonito o que diz que vai fazer mas nem por isso o que faz. Espero que revele inteligência, aprendendo com os erros.

PS: Daremos aqui conta do que se passar na final da Taça de Portugal em andebol,no que esperamos seja mais titulo para uma das modalidades mais vitoriosas do nosso clube.

*PREC: expressão usada no post 25 de Abril, que significa Processo Revolucionário em Curso.

sábado, 26 de junho de 2010

Hoje temos Sporting novamente


Tenho assistido com algum agrado o que se tem verificado no Sporting nestes últimos tempos. Desde a política de comunicação, melhorias evidentes no site do clube, ao aparente alinhamento entre a direcção do futebol e equipa técnica, focalização e orientação para a paixão leonina. Talvez por isso esteja um pouco mais "ausente" e me mantenha na expectativa.

Hoje escrevo um curto post a lembrar que temos Sporting:

- A esta hora, a equipa Sénior deverá estar prestes a terminar o primeiro desafio da época frente ao modesto Sarilhenses. Esperamos todos que seja um bom início de temporada.

- Dentro de momentos, a equipa de juvenis inicia a última jornada da Fase Final do campeonato, defrontando o FC Porto, que se encontra no 2º lugar a um ponto da nossa equipa. Já tive oportunidade de dizer por diversas vezes que esta equipa é a minha preferida das diversas fornadas que encontramos na Academia esta época.

- No dia em que recebemos notícias a dar conta sobre o regresso dos seniores do Hóquei em patins - sobre o qual falarei noutra ocasião - a formação dos iniciados iniciou a sua participação na Final-Four empatando a dois com a forte equipa do FC Porto.

- O Andebol defronta hoje o São Bernardo em Tavira, na busca de um lugar na final da Taça de Portugal. Em caso de conquista, será a 12ª do Palmarés do andebol leonino. E se tudo correr bem, lá estarei amanhã às 17h para assistir à final.

EM FRENTE SPORTING!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ronaldo & Matias

Não é uma dupla sertaneja, tão pouco actuaram juntos, mas têm algo que une os seus percursos profissionais: o Sporting Clube de Portugal. Ronaldo tem o seu passado ligado ao nosso clube e é o expoente máximo da imagem de qualidade que o departamento de formação muito justamente granjeou. Hoje CR7 é muito mais do que apenas o melhor jogador do Mundo: é um ícone mediático, ao nível das estrelas mais cintilantes de Hollywood. Se o Sporting conseguisse despertar a sua atenção, por entre as inúmeras solicitações de que é alvo, tornando-o, por exemplo, sócio do clube, teria mais retorno que as bem urdidas campanhas de Gameboxe´s. E se Ronaldo falasse das suas origens futebolísticas duas ou três vezes por ano, faria mais pelo nome do Sporting do que uma boa campanha da UEFA este ano. Quem sabe não bastaria uma pequena conversa e de Madrid a Lisboa é apenas pouco mais de meia-hora de voo.

O que liga Matias Fernandez ao Sporting é, ao contrário de Ronaldo, o futuro. Um futuro do qual gostaria de lembrar, quando, daqui a anos, a sua passagem por Alvalade pudesse ser lembrada pelo talento que indiscutivelmente possui. Não tem o estatuto de Ronaldo, mas é um ídolo na sua terra e foi lá que desde cedo mostrou qualidades inatas para o futebol.

Há também na carreira destes dois jogadores 1 facto, entre muitos, que os diferenciam: Ronaldo tem êxito nos clubes por onde passa, mas está longe de conseguir a mesma performance na Selecção Nacional, acontecendo precisamente o oposto com Matias. Ronaldo parece ter dobrado o seu cabo das tormentas na mais recente exibição com a Coreia e tem hoje, frente ao Brasil e, espera-se, em pelo mais um jogo neste Mundial, a oportunidade de mostrar que percebeu finalmente que o seu talento rende mais quando é depositado à ordem do colectivo.

Matias tem mais um ano pela frente para fazer render o talento que possui. Depende dele mas também do esquema táctico em que for inserido. Como se percebe pela sua actuação no Chile, Matias não joga no vértice mais avançado de um losango, que foi a tarefa para a qual o Sporting de há um ano o foi buscar. Hoje o seu insucesso percebe-se melhor: nessa posição Matias é um alvo fácil de marcação quando tem que construir jogo. E, sem bola e com necessidade de defender, o chileno fica com demasiada areia para a sua camioneta (leia-se espaço para as suas possibilidades físicas) tornando-se num elemento a menos, desequilibrando a equipa. Na excelente selecção de Bielsa (será preferível à Espanha?...) Matias descai lateralmente e entre as linhas médias e defensivas adversárias, onde consegue  fazer a bola inventar espaços que só os predestinados enchergam, ficando a sua missão defensiva mais limitada, sem constituir um peso morto para a equipa.

Não é por acaso que Moutinho, que tem menos talento mas outra disponibilidade física e mental para o jogo e, sobretudo uma grande escola, cumpriu melhor sempre que chamado à mesma função. Aliás é este aspecto que realça o valor da Academia Sporting: os seus jogadores destacam-se por conseguir jogar em várias posições, o que os torna num fruto apetecido e de valor seguro para qualquer jogador. Talvez porque em Alcochete se ensine a jogar futebol.

Tem a palavra Paulo Sérgio e também Matias e, claro está, toda a equipa. O treinador, na sua mais recente entrevista, revelou já conhecer o chileno ainda este jogava no Chile. E revelou também que espera muito dele, porque sabe do que ele é capaz. Nós cá ficamos à espera para abrir a boca de espanto até às câimbras nos maxilares com as habilidades do chileno.

Não foi assim tão bonito...

Primeira parte decepcionante! Mexidas com excesso de imaginação, muito típicas em Queiroz, que não renderam dividendos. Ricardo Costa fez a primeira intervenção de jeito aos 40m, isto depois de ter comprometido por diversas vezes; Duda passou despercebido, excepto na atitude parola que lhe valeu um cartão amarelo. Pepe sem ritmo, o contrário é que seria surpreendente. Danny - sempre inconsequente - e Ronaldo prejudicados pela falta de bola, com o capitão a voltar a esquecer a equipa.

Estrategicamente foi a negação das virtudes do futebol português, prescindindo da circulação da bola de pé para pé, preferindo os lançamentos longos ou perdendo a bola a cada saída para o ataque, por falta de opção de passe. Irrepreensíveis na defesa, com destaque para a ousadia de Coentrão e a segurança de Eduardo. E o controlo de danos desejado foi perdido, com cartões amarelos para Duda, Pepe, Coentrão e Tiago.

Rectificadas as posturas e algumas pedras no segundo tempo (Duda e Pepe saíram para dar lugar a Sabrosa e Pedro Mendes), entramos com personalidade, podendo até ter marcado por Meireles, na nossa melhor oportunidade do jogo. Nesta segunda metade a nossa baliza ficou mais difícil de avistar do que o forte de Sta. Cruz, na barra da Baía de Guanabara em dia de nevoeiro cerrado.

Daqui a umas horas saberemos quem nos calha em sorte. Tendo em conta a qualidade dos adversários possíveis,  o 2º lugar é o que mais nos favorece, por nos permitir 24 horas mais de repouso. Se queremos seguir em frente e plantar mais um marco no continente africano, eliminar nesta fase os mais favoritos é fundamental. Este é papel que nos cabe como outsiders.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Conta-lhe como foi...

Se há alguém que pode ajudar Marco Torsiglieri a perceber a grandeza do Sporting é Tiago, que, na foto surge precisamente ao lado do novo recruta. Ele que lhe faça uma visita guiada ao Mundo Sporting e de seguida lhe conte como foi a festa no dia 14 de Maio de 2000.

Do site do Sporting:
Marco Torsiglieri é o mais novo reforço dos «leões». O argentino, defesa-central esquerdino, assinou contrato válido até 2014 e garante que tudo fará para ser uma opção válida para o treinador Paulo Sérgio.

Sporting - Como encarou a vinda para o Sporting Clube de Portugal?
Marco Torsiglieri - Estou muito contente por ter sido uma opção para ingressar no Sporting. Vim com muita expectativa, humildade e com muita vontade de trabalhar.

- O Sporting é um Clube que tem como filosofia lançar jovens e ajudá-los a vencer na carreira (casos de Cristiano Ronaldo, Figo, Nani, por exemplo). Esta forma de estar na vida do Sporting foi determinante para a sua escolha, uma vez que também é ainda tão jovem?
- Sim, sei que o Sporting é um Clube que lança muitos jogadores da sua "cantera" e, por ser um Clube grande, ajuda-os a crescer e a ir longe. É uma grande iniciativa por parte do Clube. Quanto a mim, vir para o Sporting vai ser uma boa experiência, pois estou certo de que vou evoluir bastante enquanto jogador.

- Está ansioso por começar a trabalhar?
- Estou muito ansioso por conhecer os meus novos companheiros e treinadores. Pretendo estar bem fisicamente para ser uma boa opção para o «mister».

- O que vai acrescentar à equipa? O que podem os adeptos esperar de si?
- Sou um jogador muito «agressivo» na marcação, sou forte na antecipação e também tenho boas capacidades em termos de futebol aéreo. Creio que estas vão ser as minhas mais-valias junto do grupo.

- O Sporting tem uma massa associativa muito exigente e, ao mesmo a mais fiel do campeonato português. Que mensagem quer deixar aos sportinguistas?
- Da minha parte, tudo farei para não desapontar quem apostou em mim, bem como a todos os sócios e adeptos. Vou trabalhar com todo o afinco, humildade, uma vez que o meu maior objectivo é ajudar o grupo a conquistar o título. O Sporting é um grande Clube, por isso, tem que ser Campeão. 
- // -
O Director para o futebol do Sporting, Costinha, falou com optimismo e esperança sobre a chegada de Marco Torsiglieri e prometeu mais novidades para breve. Mas deixou bem claro que Hugo Viana não será um dos reforços a apresentar...

– Marco Torsiglieri era um reforço há muito pretendido?
– Era um jogador por nós referenciado há algum tempo e que o treinador também conhecia. Trata-se de um central canhoto, o que é sempre importante, e um jogador com características diferentes dos que temos no plantel. É mais um para juntar ao «nós»! Acreditamos que vai integrar-se rapidamente e ajudar o Sporting a ser mais forte.

– Estão mais reforços previstos para breve?
– Tal como eu e o presidente já referimos, a equipa vai ser reforçada mas sempre dentro das nossas possibilidades. Estamos a trabalhar sempre em sintonia com o Paulo Sérgio e, a seu tempo, os adeptos do Sporting terão novidades... Mas vai haver mais reforços.

– Para esclarecimento dos sportinguistas pergunto: Hugo Viana é hipótese?
Não, Hugo Viana não será um dos reforços. O Sporting está a preparar o futuro com equilíbrio e dentro da realidade que tem neste momento. Além disso, nunca discutiremos contratos ou negociaremos com jogadores através da Comunicação Social... Nem é nossa política comparar salários ou outro tipo de condições contratuais. Os jogadores não são todos iguais... O Hugo Viana sabe o que quer para a sua vida, o Sporting sabe o que quer para o seu plantel. Apresentámos uma proposta ao jogador mas o Hugo Viana não abdicou do que ganhava em Valência, portanto, não será hipótese para o Sporting.

O mais silly possível

Dizia-me um amigo há dias “Este ano ninguém nos segura, vamos ser campeões”. Fiquei tão surpreendido como satisfeito por ver um Sportinguista animado, mas confesso que não percebi a razão de tanta euforia. Percebi depois que a mesma se devia ao anúncio das 7 ou oito contratações feita nos dias anteriores, na entrevista que Paulo Sérgio deu ao MaisFutebol. Precisamente a mesma que esteve na base do meu post Mais futebol Paulo Sérgio? (II). E foi precisamente este excerto do 2º post que lhe lembrei: “Onde, depois de assente o pó levantado pelas novidades, ficam muitas indefinições. Pelo que se percebeu da entrevista de PS, faltam ainda 2 centrais, 2 extremos, e um ponta-de-lança, eventualmente 1 guarda-redes. Isto é, mais de meia equipa. Se olharmos para os que ficaram à nossa frente, é difícil de dizer que estamos em vantagem ou mesmo em igualdade de circunstâncias. Lembro que ficamos em 4º lugar no campeonato passado. Quem pensa o contrário que me diga porquê.”

Confesso que já depois de nos despedirmos, me arrependi desta chamada à realidade. Talvez o futebol viva muito destas ilusões e precisa delas para arregimentar os adeptos, especialmente quando a história recente trouxe resultados adversos. Embora me pareça que a maior parte de nós vá confundindo as novidades com as boas noticias, não duvido da importância da mobilização dos Sportinguistas em torno do clube para a época que agora se desenha. Este é aquele momento em que tudo parece ser possível, não há bolas no poste, flops contratuais, frangos, falhas de baliza aberta, erros arbitrais e outros que nos tragam a cruel realidade de volta. Lembro-me bem de outras tempos como este, no tempo da Grande Seca e como, ano após ano Alvalade se voltava a encher de esperança renovada. Se isso puder voltar a acontecer então que esta seja  a “season” mais silly possível. Mas esperança não é pensar que de um saco de víboras se consegue extrair sem risco uma enguia. Quem acha, tal como o meu amigo, que a época que aí vem será fácil está condenado a uma grande desilusão.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Afinal há prospecção

Segundo o jornal Clarin, o jornal de maior circulação na Argentina, Marco Torsiglieri foi observado por um emissário do Sporting, precisamente no dia em que o defesa-central coroou uma boa exibição com o golo (o único que apontou) que permitiu ao Velez ganhar o encontro. De salientar que, segundo a mesma fonte, as negociações decorriam há algumas semanas. Chamo à atenção que esta noticia se tornou ontem pública através da blogosfera, tendo os jornais, nas suas edições online ignorado o assunto até ao final da noite de ontem.

Desconheço o valor do novo recruta, mas a sua aquisição, fazendo fé na noticia, é sinal de que o Sporting tem pelo menos uma secção de prospecção que articula com o restante departamento de futebol. Uma das vantagens parece-me óbvia: lá fora não nos tratam como ricos.  E barretes compram-e em qualquer lugar, mas é cá dentro que, em regra, nos obrigam a pagar mais por eles. Recordo que Rodriguez, central do Braga, tinha um cláusula de rescisão de 6 milhões de euros. Marco Torsiglieri, que jogará na mesma posição, terá custado 3,5 milhões. Que seja bem-vindo, e seja tão bom como esperamos e precisamos.

PS: segundo opinião de uma Sportinguista ferrenha que muito estimo, o Sporting acertou na contratação e já se prepara para vender muitas camisolas junto do público feminino...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Alto é...

Marco Torsiglieri é dado como certo no Sporting pelo clube que representa, o Velez Sarsfield. Tido como uma das revelações dos Torneios de Abertura e Clausura argentino e eleito para substituir o astro em ascensão Nicolas Otamendi, Marco tem 22 anos, 1,90m de altura, 77 kgs. Rodou por empréstimo no Talleres de Cordoba, em 2007/08, tendo regressado ao clube onde nasceu. Soube esperar no banco, de onde viu a sua equipa ser campeã, sem calçar. Jogou os 13 jogos do Torneio Clausura 2010 na totalidade dos minutos, registando 4 cartões amarelos, e nenhum vermelho, tendo conseguido marcar 1 golo. Joga a central mas também a defesa esquerdo, o que deve fazer dele o central que Paulo Sérgio procurava para o lado esquerdo do centro da defesa.

Mais futebol Paulo Sérgio? (II)

Não há dúvida que Paulo Sérgio, na entrevista ao MaisFutebol, deu um bom pontapé de saída para a época difícil que ontem começou em Alvalade. Enquanto não se conhecem as consequências práticas das suas ideias, foi bom os adeptos do Sporting perceberem no treinador o desassombramento, coragem, ambição e determinação.Bem vai precisar de tudo isso e de algo mais para fazer felizes os Sportinguistas.

Não há grandes surpresas nas dispensas. Pedro Silva nunca devia ter renovado, Caneira parece ter -se acomodado e estar mais preocupado com a reforma do que o compromisso que mantém ainda com o clube. Vuckcevic só se pode queixar de si mesmo, embora reconheça que se há casos especiais a merecerem atenções especiais, o do montenegrino é dos melhores exemplos.

Não fico particularmente impressionado com a presença de Victor Golas, João Gonçalves, André Martins, Wilson Eduardo e William Owuso. Parece-me mais uma medida politica, tendo em conta a importância da formação, do que um acto pensado para ter consequências. Por exemplo, João Gonçalves será o 3º lateral direito? Golas o 4º guarda-redes? Bastou estar atento ao discurso de Paulo Sérgio para perceber que nem André Martins é o outro médio que anda à procura, e nem Owuso ou Eduardo são o tal ponta-de-lança “diferente”.

Concordo com a necessidade de refazer a zona central da defesa. Tonel e Polga, há muitos anos juntos, acumulam o bom e o pior. Estranho os elogios a Carriço e afirmação da necessidade de 2 centrais. Isto porque não se contrata jogadores para o banco. Mas é um bom desafio para Carriço e para Paulo Sérgio / Costinha. Para o primeiro a necessidade de lutar por um lugar que, face ao que dispomos agora, é garantido. Para quem tem de contratar, encontrar no mercado quem faça tão bem como o miúdo, por preço que possamos pagar.

As dispensas de Pereirinha e Adrien aceito-as, uma vez que, não fazendo parte das opções do treinador, o pior que lhes poderia acontecer seria perder mais um ano. Estranho que o Sporting procure extremos e dispense Pereirinha, embora perceba que tem cada vez menos tolerância dos adeptos e não aproveitou as oportunidades. O mal de Adrien veio de trás: a sua afirmação foi interrompida com a chegada de Pedro Mendes. Num ano em que nada havia para ganhar, poderia ter terminado a época com os tais 20 / 25 jogos que PS considera necessários e o Sporting teria poupado 1,5 milhão ou pelo menos ganho tempo para avaliar melhor a necessidade de gastar. Houvesse muito dinheiro e até se percebia. O mesmo serve para a aquisição de Maniche, por 1,4 milhões por época, quando Costinha se queixa do elevado salário de Hugo Viana.

Convém perceber que Paulo Sérgio e Costinha trabalham juntos pelo mesmo objectivo, mas em circunstâncias diferentes. O treinador tem um horizonte de 2 anos de contrato, mas sabe que isso é um marco inatingível se não tiver resultados amanhã, por isso a criação de mais-valias com jogadores preocupa-o pouco. Já o director desportivo tem lhe proporcionar os meios necessários, em acção concertada com o presidente, mas não deve perder de vista a sustentabilidade do clube. Esta não se consegue sem vitórias, que por sua vez não acontecem sem equipas competitivas. Equação difícil, não é?

Mas não são estas considerações pessoais que farão a diferença, antes sim as ideias e decisões que estes dias serão tomadas em Alvalade. Onde, depois de assente o pó levantado pelas novidades, ficam muitas indefinições. Pelo que se percebeu da entrevista de PS faltam ainda 2 centrais, 2 extremos, e um ponta-de-lança, eventualmente 1 guarda-redes. Isto é, mais de meia equipa. Se olharmos para os que ficaram à nossa frente, é difícil de dizer que estamos em vantagem ou mesmo em igualdade de circunstâncias. Lembro que ficamos em 4º lugar no campeonato passado. Quem pensa o contrário que me diga porquê.


Antes de saber o que ainda está por definir, que é muito como vimos, seria muita ingenuidade da minha parte pronunciar-me em definitivo sobre o plantel com que o Sporting  abordará a época. No entanto faço minhas as palavras de Costinha: que este seja o ano do Sporting!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vitória tatuada e bem temperada

Poucos acreditariam que a selecção fosse capaz de passar do 0 aos 7 de um jogo para outro, mesmo que o adversário fosse a Coreia do Norte. Poucos acreditariam que a ausência de Deco não fosse sentida, mais ainda quando o substituto era Tiago. E poucos julgariam que Hugo Almeida ficaria melhor no lugar de Liedson. Mas aconteceu. Uma vitória  tatuada por Meireles e Hugo Almeida e bem temperada por Coentrão. A propósito, a jogada do golo de Sabrosa, linda de ver, só foi possível porque os seus interpretes não caíram na tentação de a resolver à entrada da área com um remate. Deve ter sido o momento que fez Ronaldo perceber que dar golos a marcar, num jogo colectivo, é tão importante e bonito como empurrar a bola para a baliza.

Infelizmente a vitória mais expressiva do campeonato – duvido que a marca seja igualada tão cedo, ouviste Ericksson?  - não dá mais pontos nem nenhum título. Mas é bem capaz de fazer voltar outra vez a pergunta mais patética – sobretudo quando feita por profissionais da comunicação – “vamos ser campeões do Mundo”, substituindo agora a convicção de que os Navegantes regressavam a casa depois de descobrirem o Brasil.

Qualquer uma das duas pode ainda suceder, mas é também mais provável que nenhuma delas ocorra. Esta saborosa vitória não muda contudo o que penso do Seleccionador, reservado para post exclusivo mais adiante, não altera a minha convicção de que esta selecção, com os jogadores que tem, pode ficar pelo menos entre os 8 primeiros  e tudo o que for acima disso é ganho. Mas sobretudo não muda o meu desejo de que encham de orgulho os portugueses e luso-descendentes que a acompanham. Depois do País em que nasceram os ter obrigado a redescobrir a cada dia quanta dor tem a palavra saudade, é o mínimo que lhes podemos oferecer.

domingo, 20 de junho de 2010

Mais futebol Paulo Sérgio?

Paulo Sérgio falou hoje ao MaisFutebol na qualidade de treinador da equipa mais representativa do futebol do Sporting. Entretanto no site do clube constam já os jogadores que entrarão em estágio,os dispensados e os que serão emprestados.

(Na manhã de segunda-feira, dia 21 de Junho, a equipa profissional de futebol do Sporting regressa ao trabalho na Academia Sporting/Puma, em Alcochete. Para a pré-época são esperados os seguintes jogadores: Rui Patrício, Tiago, Abel, João Pereira, Daniel Carriço, Tonel, Polga, Grimi, Evaldo, Mexer, João Moutinho, Maniche, Izmailov, Postiga, Pongolle, André Santos, Saleiro e Yannick. Também foram chamados para integrarem os trabalhos da pré-época Victor Golas, João Gonçalves, André Martins, Wilson Eduardo e William Owuso. Os jogadores Bruno Pereirinha e Adrien Silva estarão nas instalações da Academia, para reunir com o treinador Paulo Sérgio.) Apresentar-se-ão nas instalações da Academia Sporting/Puma, em Alcochete, a 1 de Julho, Marco Caneira, Vukcevic, Pedro Silva, Purovic, Pedro Mendes (Real Massamá), André Marques, Diogo Rosado e Diogo Amado.)

 

Preocupo-me pouco com os outros, preocupo-me em construir um grupo forte coeso.

Representar o Sporting é lutar pelos títulos.

É possível haver uma surpresa amanhã na apresentação da equipa.

Admito que qualquer nome do plantel possa não estar lá daqui a alguns dias. O mercado depois do Mundial ditará a sua lei.

Não acredito que começar cedo tenha repercussões negativas. Temos uma pré-eliminatórias.

Mundialistas terão férias. 12 a 15 dias de repouso, menos se continuarem em prova.


Não ter o grupo fechado é contra a nossa vontade nem por falta de jogadores que queiram representar o Sporting. Mas sabemos bem o que queremos.

Dos 60 nomes que saíram nos jornais, acertaram alguns, mas há nomes que estamos a trabalhar há 3 / 4 semanas que não aparecem a público. Sinal de que o clube estancou a informação no seu interior.

Vukcevic Caneira e Pedro Silva não fazem parte do meu projecto para o Sporting. Tonel e Polga, um deles pode sair, ambos têm propostas.

(Izmailov)  Quero ver esclarecidas algumas situações do passado clarificadas e saber quais são as motivações do jogador, porque o seu valor é indiscutível.

Pereirinha e Adrien devem sair para jogar, não conto com eles no imediato. São 2 jovens talentos. Precisam de fazer 20 / 25 jogos na I liga para regressarem confiantes. Pereirinha deveria estar agora a fazer o seu regresso.

João Gonçalves estará na pré-época.

O sistema vale o que vale. Trabalho durante a temporada com 1 ou 2 pontas de lança. (4x4x2 ou 4x3x3) Interessa-me mais a dinâmica que o sistema.

Estamos à procura de um ponta-de-lança com características diferentes das existentes. E 2 centrais. Quero introduzir centímetros com talento porque o Sporting tem registado um deficit de estatura.

Guarda-redes pode ser o Nilson ou outro. Tiago e Rui têm toda a confiança e qualidade para o lugar.

Confio em Pongolle, tem grande potencial. Tem que ter humildade, porque por onde passou é passado. Tem talento, qualidade e é um finalizador.

(Sobre Liedson preferir o 4x4x2) O que Liedson prefere fica com ele, interessa o que eu prefiro. Julgo que tem muito para nos dar. Tem feito a sua parte, faltou quem fizesse outro tanto como ele fez.

Não falei com Carvalhal porque ele não me atendeu o telefone (no dia da apresentação) e não voltei a tentar. Falei com PB, combinamos um café, que ainda não aconteceu.

Conheço o Matias antes da ida para o Villareal. Quero que seja mais constante, de acordo com o potencial que se adivinha. Tenho boas informações sobre o carácter e atitude.

Maniche é experiente, mas veio por ser o jogador que é. Senão íamos buscar um dos 5 violinos (quem, pergunto eu?...)

Estamos à procura de extremos, velocidade, potencia e criatividade. E mais um médio. Revolução não, mas quando não se ganha há muito tem que se fazer as alterações necessárias.

Carriço é um líder, capitão de todos os escalões, grande carácter, nasceu com ele ser líder, com grande futuro pela frente.

Vão continuar a chegar jogadores da formação à equipa. Alcochete produz jogadores com qualidade e em quantidade. Amanhã começarão a ser observados 6 a 7 jogadores.

Não me preocupa a relação com os jornalistas ou com os adeptos porque são coisas que não controlo. A maior exigência e pressão é a que tenho comigo mesmo. Obviamente que preferimos boas relações com o exterior.

Não me comparo com ninguém, mas aprendo com todos. Não copio ninguém, mas inspiro-me em alguns.

Quero adversários difíceis porque o campeonato português não é um passeio. Trabalhar com os melhores para sermos como eles. Quero uma pré-época dura difícil. Temos que nos conhecer criar laço fortes, coeso honesto.


Nota: esta é uma compilação feita no momento em que a entrevista foi dada, mas julgo ser fiel com o espirito da mesma.

Campeões!!!

Uma equipa fantástica acaba de se sagrar campeã em pleno pavilhão da Luz, (3-5 após prolongamento) vencendo consecutivamente dois jogos em ambiente inqualificável e indigno do fenómeno desportivo. Lembro que o adversário de hoje era tri-campeão e actual titular europeu da modalidade. Saliento as palavras humildes e emocionadas de Paulo Fernandes, treinador responsável pelo enorme feito, revelando um enorme respeito pela instituição que serviu de forma exemplar durante 15 anos. O mesmo poderei dizer de João Benedito, que à RTP falou como o grande Sportinguista que é.

Vergonhosa como é habitual por aqueles lados a postura arrogante e anti-desportiva do adversário, que abandonou o recinto antes da consagração dos novos C A M P E Õ E S!

Reaproximação




Acabo de ler n'O Jogo que na próxima época, o 1º treino após cada jogo será efectuado em Alvalade.

Agrada-me bastante esta medida. Acho bastante importante que a equipa esteja mais próxima dos adeptos, algo que se perdeu aquando da passagem para a Academia, de modo a estabelecer uma relação mais forte com os mesmos mas também para que lhes sejam "puxadas as orelhas", se necessário.
Se esta medida estivesse em vigor a época passada, teria havido maior "cobrança", como dizem os brasileiros, e talvez não tivéssemos tido exibições tão vergonhosas e sem chama, como as que tivemos.

Está na altura dos jogadores, aqueles que não sabem, se aperceberem da grandeza do SCP e daquilo que os adeptos exigem.

sábado, 19 de junho de 2010

Formar a ganhar, fazendo história.

O Sporting sagrou-se hoje tri-campeão nacional de futebol, em juniores. Jogado em Alvalade e disputado em baixa rotação, o Sporting não esteve tão colectivo como noutros jogos, especialmente na 1ª parte do jogo contra o SLBenfica, que, confesso, foi o jogo que me encantou e surpreendeu. O título parece-me bem entregue. Dos jogos que foram televisionados ficou-me a impressão ser a nossa a equipa mais madura e equilibrada, residindo a sua força precisamente no colectivo.

Desconheço quantos destes jogadores serão seniores no próximo ano e quais deles continuarão ligados ao clube. Mesmo correndo o risco de uma análise superficial, não me parece que exista neste lote jogadores capazes de entrar de imediato na 1ª equipa do Sporting. Não tanto pela falta de qualidade de alguns deles, (Nuno Reis, Cedric,p.ex.) mas pelo fosso competitivo que existe entre este último escalão e o os seniores, pelo que seria bom que o clube lhes possibilitasse um bom projecto, capazes de prosseguir a sua afirmação profissional.

Como lembrou muito bem Telmo Costa no final do jogo, o objectivo da Academia Sporting não é ganhar campeonatos, mas sim formar jogadores, o que sabemos que fazemos bem. E, tal como ele, também eu acho que vamos ouvir falar de alguns destes jogadores. Falta saber é se, quando isso acontecer, eles estarão de leão ao peito.

P.S-No futsal, e após prolongamento e desempate por grandes penalidades, estamos na frente para voltar a ser campeões. Que grande jogo! (Deve dar um gozo especial cantar, naquelas condições, "O SPORTING É O NOSSO GRANDE AMOR!)

Devo ser o único


Ontem descobri que devo ser o único Sportinguista que não conhece as aventuras de Stojkovic nos balneários de Alvalade. E para que não me venham outra vez com rumores e tricas, remeto para os comentários ao post anterior: a lembrança do sérvio não é por causa do penalty defendido ou por causa de ele ser bom ou mau, melhor que o Patrício ou único guarda-redes que a Sérvia tem…   A questão é que o Sporting não é o único clube com problemas disciplinares, mas deve ser dos que piores lida com elas, e de forma diferente, consoante os prevaricadores…  Mas aqui ou noutro lugar qualquer voltar-se-à a falar do guarda-redes sérvio mal ele dê um frango ou faça uma boa exibição, da mesma forma que se fala de fenómenos que não se conseguem perceber na sua plenitude.

Hoje provavelmente vou também descobrir que sou o único que acha que a contratação de Nilsson para guarda-redes do Sporting é a anedota do defeso. Que para ser a do ano só falta ser em troca do passe de Pereirinha. Ou trocar o Adrien pelo Alan, do Braga. Mas mesmo sendo o único não posso deixar de dizer que me parece que andam a por coisas nas bebidas de quem se apresta a tomar estas decisões. Se o presidente vier com a arenga do ano passado, dizendo que as contratações do Benfica deprimem os Sportinguistas, eu dir-lhe-ia, se pudesse: para nos deprimirmos, bastam as nossas! Afinal para que precisamos de olhar para o vizinho se o nosso mal está no nosso cantinho...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O regresso do fantasma

O Sporting é frequentemente acossado por fantasmas. Poder-se-ia pensar que somos dados a azares. Mas quando se tem azar muitas vezes o mais avisado é parar para pensar. É o caso de Stojkovic, cujas actuações na baliza sérvia trazem de volta a polémica do seu ostracismo em Alvalade. Sobre ele já ouvi dizer o o que o Obama não diz da BP e o seu contrário. O certo é que, sem jogar regularmente à 2 anos, mantém a titularidade na selecção sérvia, concedida quer por Xavier Clemente quer por Radomir Antic. Passou entretanto sem deixar grandes lembranças por Espanha e Inglaterra. Uma vez que andamos à procura de um guarda-redes e o dinheiro não abunda, será que o sérvio não servia pelo menos para terceiro guarda-redes? Bem sei que, com 26 anos, pode ser considerado muito novo ou até inexperiente, face à actual politica de recrutamento, mas sempre seria o terceiro guarda-redes...

Será esta a táctica?

Devo dizer que não sou o tipo de adepto que se entusiasma particularmente com as aquisições mais ou menos sonantes. Isto porque desde pelo menos as unhas de Jorge Gonçalves que percebo que não basta comprar craques para ganhar. Tal como não basta para um carro avariado comprar peças novas. É necessário um mecânico que as saiba colocar no devido lugar e a este é necessário uma oficina bem funcional. E assim também não me deprimo facilmente quando não se vêm contentores de jogadores a ser despejados à porta de Alvalade. Sei bem, à custa de muita desilusão, que ter bons jogadores é apenas um item num longo rol de premissas necessárias para ganhar.

Mas hoje, ao ler os desportivos, confesso que fiquei desapontado e até triste. Não só pelos nomes que se continuam a apontar como reforços – veremos se o são, ou apenas aquisições – mas por me parecer perceber um padrão que parece ser o deste defeso. Primeiro lançam-se vários nomes, onde figura o pretendido. Isto é, primeiro cria-se a expectativa, depois vão-se excluindo os candidatos até parecer que não vem ninguém. Perante essa perspectiva já parece que qualquer serve. E é com a expectativa em baixo que se apresenta o craque. E há quem vá pensando “mais vale este que nenhum”. Veja-se o nome dos guarda-redes que se perfilaram até hoje ser dado como quase certo um guarda-redes de 34 anos, de nome Nilson, que defende há anos a baliza do Guimarães. Realmente, se não vier mais ninguém, Nilson será fundamental, pelo menos para completar o número aconselhável de jogadores para a posição. Mas se a ideia é reforçar o plantel já me sobram muitas dúvidas. E o mesmo poderia dizer de Alan, do Braga.

E dúvidas são o que mais tenho quando não consigo perceber muito bem qual é a estratégia a ser seguida. Primeiro era necessária uma revolução. À chegada do Canadá o presidente, em tom de epifania, revela que a base do plantel é boa e não haverá revolução. Com ou sem ela tenho a certeza que desatar a comprar jogadores em idade de pré-reforma e fazer deles a base de um plantel vencedor dificilmente dará bons resultados desportivos – como eu desejo estar enganado – mas é seguramente um passo para o abismo financeiro. Alguém acredita que se farão grandes negócios, tão necessários para se poder reforçar em cada ano o plantel, com jogadores em fim de carreira, mais ainda na actual conjuntura?

Quando me querem contraditar o argumento anterior falam-me de Derlei. Não vejo melhor exemplo para sustentar o que afirmo. Sendo dos melhores pagos do plantel, esteve sob contrato 2 anos, do qual só pôde jogar um por lesão. Azar à parte, deixou boa impressão nos adeptos pelo profissionalismo, que deve ser afinal a postura de todo e qualquer jogador. Foi-se embora deixando mais-valias duvidosas, que na hora de ir ao mercado para suprir o seu lugar, de nada servem.  Agora multipliquem isto por Liedson, Polga, Caneira, Maniche, Abel, Pedro Mendes, somem os vários trintões com que nos ameaçam os jornais e digam-me como pode ser sustentável o futebol do Sporting. Pelo menos, para racionalizar custos, feche-se o departamento de prospecção, que para descobrir estes valores só é preciso pagar a assinatura da SportTV.

PS- Se o Nilson vier, não se esqueçam também de apresentar o Tiago, que, tal como o André Santos,  também já era da casa...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Gamebox 10'11

Em primeiro lugar, começo por reconhecer que a "Gamebox" foi um dos melhores produtos criados pelo Sporting e o seu sucesso - curto ou suficiente, essa avaliação caberá a cada um - parece-me evidente, visto que apesar de noutros anos existirem os tradicionais "Bilhetes de Época", nunca os mesmos tiveram a expressividade que a "Gamebox" assumiu de 2003/2004 para cá.

Depois de no ano passado terem circulado histórias de um "ciclo vicioso" que o Sporting esperava vender gameboxes para ter liquidez para contratar jogadores e que os adeptos esperavam pelas contratações para decidirem se compravam (ou não) o seu bilhete anual, no mesmo dia em que o nosso clube apresenta dois reforços relativamente sonantes (que o são efectivamente) e o regresso de André Santos, é também apresentada a Gamebox versão 2010-2011.

Tenho, naturalmente, algumas considerações a fazer quanto à componente da comunicação.

Se por um lado, fiquei algo estupefacto (leia-se chocado) com a imagem escolhida que deixa a pensar que o Sporting precisa de uma transfusão e se encontra moribundo (OK, poderá ser tema para outro fórum de discussão), analisando a mensagem creio que acabamos invariavelmente por concordar com a mesma: "Sangue novo", "Mais ADN sportinguista", "Sem adeptos não existe Sporting".

Tenho também de elogiar o momento e a "estratégia" seguida no lançamento do produto deste ano. Começou com a renovação do site na semana passada e depois a conjugação da apresentação de jogadores com o dia em que são divulgadas as novidades para esta época.

Naturalmente, a Gamebox está condicionada às expectativas que o futebol conseguirá gerar nos Sportinguistas. Ontem recebemos três novos jogadores e ao longo da última época recebemos sinais de que a forma de trabalho do futebol leonino pode estar a melhorar. Além da minha fervorosa paixão, talvez estes sinais sejam suficientes para me dar alguma esperança e querer renovar a minha Gamebox. Quanto aos que estejam eventualmente mais "cépticos", realço alguns dos principais pontos da Gamebox deste ano:

- Redução generalizada dos preços
- Novas soluções para Mulheres, Jovens e Famílias
- Incentivos à angariação de novos portadores de Gamebox

É fundamental trazer os "Sportinguistas" de volta e para isso o Futebol e a sua qualidade serão fundamentais mas a "valorização" dada às bases leoninas também deve assumir grande relevância. E apesar da natural óptica "clientelista" que a Gamebox assume, deixa-me também satisfeito por valorizar a importância e o peso que a PAIXÃO dos adeptos no geral tem no sucesso de um clube.

O Sporting somos todos nós...

EM FRENTE SPORTING!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mais fortes!

Já aqui me havia referido ao que penso sobre a aquisição de Maniche e Evaldo, pelo que não vou massacrar os que fazem o favor de nos ler, repetindo os mesmos argumentos. Há nestas 2 aquisições 2 dados que não abordei então e que julgo pertinentes. No caso de Maniche é uma jogada de risco de Costinha, quando contrata um jogador que às naturais reservas que a sua idade e preço suscitam junta o facto de ser seu amigo pessoal. Pagar 3 milhões por 90% passe de Evaldo é um excelente negócio para o Sporting que equipa de vermelho e é da cidade dos arcebispos, e uma bela forma de eles encurtarem as distâncias que ainda julgamos que nos separam. Acrescento apenas que tenho dúvidas que, se a ideia é vender Veloso e Moutinho para ficar com Maniche e Hugo Viana, duvido que ficaremos mais fortes. Mas uma contratação com o peso de Maniche deixa-nos pelo menos mais fortes na… balança.

Medo do escuro


Numa pequena viagem pela blogosfera é possível identificar os aproximadamente 3.497 problemas que afectaram ontem a nossa selecção, todos eles são óbvios e resumem-se no resultado final. Um empate a zero, sem magia nem glória. Pior do que este relambório de problemas só as desculpas da tanga que são uma imagem de marca de quem não quer assumir responsabilidades, ou pior não sabe como se assumem responsabilidades.

Li poucas referências à qualidade do adversário, li e ouvi muitas referências a rankings ou ratings (já nem sei em qual é que estamos bem e em qual estamos mal) mas em dezenas de comentadores e analistas este jogo era muito importante, era o primeiro, tínhamos de ganhar e ponto final. Porquê? O último jogo é para perder? O próximo está ganho?

O medo do escuro, que normalmente todos nós desenvolvemos na nossa infância, é um dos medos mais inócuos que existem, que se saiba fora da tela do cinema o escuro nunca magoou ninguém, já sei que vou ser desmentido por todos aqueles que deram um certeiro pontapé na mesinha de cabeceira quando regressavam à cama, mas fora estes, o escuro, enquanto entidade não faz mal a ninguém.

Porque é que desenvolvemos então esse pavor? Trata-se de uma armadilha da nossa prodigiosa mente que cria para seu divertimento, monstros debaixo da cama, demónios dentro de armários e mãos fantasmagóricas que nos gelam o sangue provocam calafrios.

Voltemos ao futebol. O jogo de ontem foi um jogo de equilíbrios, o resultado final é o reflexo da competência de cada uma das equipas em não permitir que o seu adversário lhe invadisse o quarto e lhe apagasse a luz de uma qualificação.

Não tivemos oportunidades é verdade, mas também não as permitimos, andaram ambos (os 22 ou 28) a bailar no hall de entrada e deixaram as balizas virgens.

A melhor forma de eliminar o medo do escuro é adormecer e entregar a nossa mente ao reino dos sonhos e da ilusão. Esta seria uma das primeiras soluções que daria à nossa selecção, um sonho. Claro que um sonho que fosse suficientemente forte para eliminar os fantasmas que por ali pairam (o próximo deve ser ter de ganhar à Coreia por muitos golos...). Quer o destino que esse sonho esteja ali à mão de semear. O quê? Fácil!

Quero eliminar a Espanha!

A partir deste momento o único objectivo da selecção na África do Sul devia ser este, eliminar a Espanha. Demónio dos demónios para qualquer português que se preze e que também não reúne grandes simpatias pelos sul-americanos que defendem as nossas cores. Vencidos os fantasmas e com os corações a palpitar de coragem vamos lá resolver a parte mais fácil.

Ó Carlos, arruma lá o 4-3-3 no mesmo sítio que o guardou o Carvalhal e põe o único sistema em que a maioria dessa malta têm rotinas de jogo nos seus clubes, o 4-4-2.
Agora espera pela segunda parte do jogo da Coreia para me fazer a vontade que eu enfio-te o Oliveirinha sem bigode debaixo da cama e tu vais ver o que é ter medo do escuro.

terça-feira, 15 de junho de 2010

As ideias de Queiroz

O “ANorte” teve acesso a um documento que pode ajudar a perceber algumas das opções tácticas de Queiroz. Mais precisamente uma imagem digitalizada do cérebro do seleccionador nacional, no preciso momento em ele ministrava a palestra que antecedeu o jogo de estreia da equipa das quinas.

Sem qualidade na gestão da posse bola, sem profundidade ofensiva (quase não conseguimos entrar na área com a bola) sem conseguir criar espaços, com jogadores muito presos às suas posições o resultado foi o melhor do jogo. Fica por saber que trabalho foi feito durante um mês de estágio e que ilações foram retiradas das observações feitas ao adversário. Como dizia aqui há dias que ideias tem Queiroz para o futebol da selecção?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Notas do Mundial Arco-iris

Este é bem capaz de vir a ser o meu pior campeonato do Mundo. Não porque sejam já muitos os casos que marcam os poucos dias do evento. Só quem não conhece África poderia imaginar que o evento poderia decorrer de forma diferente, mesmo tendo em conta a excepção que é este país do extremo sul no contexto deste magnifico continente. De todas as peripécias há porém uma que está ainda ao alcance de ser travada que é o zunido irritante das vuvuzelas. Futebol e vuvuzelas são 2 coisas que não ligam. Se tiver que ter as duas sou bem capaz de não querer nenhuma. Ainda bem que no Euro 2008 suíços e austríacos não se lembraram das trompas alpinas…


Mas o nosso Mundial, aquele que irá mexer com os portugueses de todas as cores, começa a sério amanhã. Também aqui são já várias os incidentes, ou até acidentes, como é a versão pública do afastamento de Nani. Haverá outra que seja fiel aos factos? Esta é a hora de Queiroz, que tem duas missões difíceis: fazer frente ao carisma de Scolari e aos resultados do novo treinador do Palmeiras. Devo dizer que nenhum deles seria o seleccionador de Portugal, fosse eu a escolher. Em ambos os consulados sobram as polémicas onde tem faltado um modelo de jogo que aproveite e potencie a muita qualidade dos jogadores portugueses. Talvez 2006 tenha sido uma excepção pela posição alcançada, mas ter ficado nas meias-finais não era uma inevitabilidade.

Devo contudo dizer que confio num bom resultado dos “navegadores”. É o cenário próprio para os portugueses, num encontro com 5 séculos de história e com muitos portugueses  e luso-descendentes necessitados e merecedores de afirmação positiva do orgulho luso. Num  Mundial realizado num contexto invulgar, serão os que melhor se adaptarem às circunstâncias que ganharão ascendente sobre a concorrência. Julgo ser inegável que a base de suporte da nossa equipa respira qualidade e experiência. O único resultado obrigatório é, do meu ponto de vista, a passagem aos oitavos-de-final. É a partir daí que começa o verdadeiro Mundial e onde florescem ou soçobram as verdadeiras candidaturas, num processo que carece de ratificação em cada jogo.

É cedo ainda para saber quem serão os triunfadores individuais ou colectivos ou os que os acompanharão no pólo inverso. Mas, e até para reforçar a importância do treinador na vida de um jogador ou na qualidade duma equipa, quem viu Di Maria a jogar pela Argentina viu o argentino da fase Quique Flores. Ou o vendem depressa ou Real Madrid ainda descobre que o Fabio Coentrão fazia mais (2 posições) e melhor por muito menos dinheiro.

A minha equipa para amanhã:
Eduardo; Paulo Ferreira, R. Carvalho, B. Alves, Veloso; P. Mendes, Meireles, Deco, Danny, Ronaldo e Coentrão.

A opção por Veloso à esquerda tem a ver com necessária consistência defensiva. Mesmo sem Drogba, ainda restam Aruna Dindane, Kalou, Keita, Kone e Gervino, jogadores tecnicistas, rápidos e possantes. O meio-campo parece-me consensual. Na frente usaria do mesmo veneno, isto é, prescindia da referência, usando a técnica, rapidez e imprevisibilidade.

domingo, 13 de junho de 2010

Não haverá Quaresma

Ficou-se a saber hoje que Quaresma ruma à Turquia, mais propriamente ao Besiktas. Nunca imaginei que fosse fácil tê-lo de volta, tendo em conta o preço do passe e seus elevados vencimentos. Mas depois de saber que custou 7 milhões de Euros, menos do que poderemos vir a pagar por Pongolle, talvez esse sonho não fosse assim tão irrealizável. Mas, pelo que se sabe até agora, tudo leva a crer que em Janeiro passado gastamos como se não houvesse amanhã e agora não podemos queixar de amanhã não chegar ninguém… Mas mais lamentável parece ser a opção do “cigano”: a Turquia costuma ser um refúgio dourado para estrelas decadentes, e do Estreito do Bósforo é mais comum a passagem para o anonimato do que para o estrelato.Uma pena para um jogador da sua categoria, se tal vier a suceder!

Falando em reforços, possíveis ou imaginários, não deixa de ser intrigante saber que Costinha foi de férias, precisamente um par de dias após ter declarado que “se um dirigente quiser ter sucesso não pode ter férias nem horários diários definidos". O que me leva a concluir que, a uma semana do inicio dos trabalhos, i) o director desportivo tem os dossiers todos tratados, tendo feito tudo o que estava ao seu alcance, ii) preparou-se para um período decisivo e extenuante, iii) há muito pouco ou nada a fazer na actual conjuntura em Alvalade e o plantel só ficará definido após o Mundial, depois de se saber o que se vende, para depois se saber o que se poderá comprar.

Os próximos dias poderão ser esclarecedores, ou talvez não. Mas não deixo de assinalar que seria uma pena que, precisamente no ano em que a pré-época voltou a ser preparada como dever ser a de uma equipa com ambições, que possa esta possa vir a ser desperdiçada. Que é o que acontecerá, se, no dia 5 de Julho, quando se partir para Evian-les-Bains, não se saiba muito bem quem sai ou quem entra.

sábado, 12 de junho de 2010

Mais Amido para o Tri

  Foto Academia de Talentos

Os júniores do Sporting venceram hoje em Guimarães o Vitória local, ficando por isso apenas a um empate  - jogo em casa com o FCPorto - da revalidação do título nacional. No entanto a equipa esteve muito longe de exibir a qualidade registada no jogo anterior, que, por sinal, até perdeu. Sempre com muitos problemas em conservar a posse de bola e optando por um jogo mais directo, os miúdos de Alvalade tiveram que saber sofrer muitas vezes as investidas dos seus adversários que talvez não merecessem ter saído derrotados. E para o titulo até o empate chegava, uma vez que o SLBenfica empatou em casa com o FCPorto.

Saúde-se igualmente o bom arranque no futsal: vitória em Loures, por 4-3. Será este finalmente o ano da reconquista do titulo?

João Pina continua na senda de grandes resultados conseguindo hoje a vitória na sua categoria na Taça de Mundo de Judo, a decorrer em Lisboa. Que belo sábado leonino!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Por um futebol mais bonito?

Até há bem pouco tempo as águas minero-medicinais estavam associadas exclusivamente à cura de patologias, mas nas últimas décadas viram as suas virtudes únicas serem também aplicadas numa perspectiva de bem-estar e beleza.

A procura das águas mineromedicinais, com o objectivo de curar ou mitigar os males de certas patologias foi, nos tempos mais recentes, alargada para fins mais relacionados com a beleza e o bem-estar. Esse conceito de “remise en forme” está por detrás ressurgimento do termalismo, reabilitando estâncias que haviam caído numa letargia, bem longe do fulgor do seu período áureo.
Evian-les-Bains (Lago Genebra)

Deve ser isso que o Sporting procura em Evian-les-Bains, origem das famosas águas Evian. A reabilitação do seu futebol, de forma a torná-lo mais atractivo e, esperamos, igualmente mais eficaz. Sérgio Cruz, adjunto de Paulo Sérgio, esteve na localidade, e falou ao Jornal do Sporting, entrevista que partilhamos com os nossos leitores.
 Hotel onde o Sporting ficará alojado

Recordo que o início dos trabalhos da equipa é no dia 21 de junho, na Academia em Alcochete, estando agendados dois particulares, frente ao 1.º Maio Sarilhense, a 26 de Junho, e frente ao Mafra, a 2 Julho, antes da partida a 5 de Julho para Evian-les-Bains, na França. O Sporting vai depois enfrentar o Neuchatel, em Lausanne, a 9 de julho, o Nice, em Evian, a 11 de julho, e o PSG, em Annecy, a 14 Julho. O primeiro jogo no estádio José Alvalade, de apresentação aos sócios, vai acontecer a 18 de Julho, frente ao Olympique de Lyon, com a equipa a partir no dia seguinte para os Estados Unidos da América onde vai jogar com o Celtic de Glasgow (21 de Julho), Manchester City (23 de Julho) e Tottenham (25 de Julho).

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Entrevista Mário Patrício



O Director Executivo das Modalidades do Sporting, Eng.º Mário Patrício, deu esta semana uma entrevista ao Jornal Sporting a explicar as aspirações e planos existentes para o futuro pavilhão de Alvalade, detalhando algumas das valências e estratégias que se pretendem implementar.

Eram já conhecidas algumas limitações atendendo os acordos definidos com a CML pelo que o projecto apenas me desilude/entristece pelo facto de não quererem contemplar a prática de hóquei em patins na nova infraestrutura.

Destaque ainda para as declarações do nosso director para as modalidades dando conta da dificuldade de articular os horários dos jogos com o calendário do futebol, face às constantes alterações deste.

Fica em anexo a entrevista.

EM FRENTE SPORTING!

Rumo à Final-Four



As nossas equipas de iniciados e juvenis já têm a presença assegurada na final-four dos campeonatos nacionais de hóquei em patins enquanto aos juniores apenas falta um ponto para garantir a qualificação para a fase final do campeonato.

Recebi esta mensagem do "nosso" Gonçalo Alves, juvenil que brilha também na equipa junior, apelando à mobilização sportinguista até a Alenquer - nos arredores de Lisboa - no próximo Domingo e apoiar a equipa.

"Boa noite....

Venho pedir a todos os Sportinguistas uma deslocação muito fácil de fazer, ou seja, ir a Alenquer, no Domingo (13 de Junho) pelas 16h.


Queremos pedir a todos os apoiantes do SCP, tanto os que estão "dentro" deste projecto de 7 anos como os que nao estão por dentro do mesmo, para apoiarem a equipa de Juniores do SCP, no seu último e decisivo jogo desta fase. Precisamos de todo vós para levar de vencida a equipa do Sport Alenquer e Benfica.

Falta-nos 1 PONTO, um ÚNICO e PRECIOSO ponto para podermos estar em Bragança, a disputar a F4. Nós iremos mostrar o que valemos, o espirito de equipa que temos, a familia que somos dentro do campo e fora do campo, e não vamos a Alenquer a pensar que só queremos 1 ponto, mas sim que queremos todos os pontos disponiveis neste jogo (3).


No inicio do ano havia muita gente a dizer que os Juniores do SCP não valiam nada, que nao conseguiriam apurar-se para disputar o o Título de Campeão Distrital, mas o que é certo é que conseguimos. Em 3 FINAIS mostramos o valor da nossa equipa e lá estavamos nós a disputar o derradeiro encontro contra o SLB.


Também dizem que não vamos à F4, mas estamos mais perto do que nunca de fazer história, no HP do SCP, após 18 anos.


Neste último jogo vamos mostrar o que valemos. NÓS QUEREMOS ESTAR EM BRAGANÇA NOS DIAS 25 A 27 DE JUNHO DE 2010. PRECISAMOS DE TODO O APOIO. SAUDAÇÕES LEONINAS Gonçalo Bonnet Alves"

EM FRENTE SPORTING!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Certezas, dúvidas




E vice-versa. Estamos em época de balanços é o completar do primeiro ano de mandato de Bettencourt, são os cem dias de Costinha, o fim de uma época marcado pela festa maior do futebol, o Campeonato do Mundo.

O balanço é negativo como foi possível de verificar no post conjunto que realizámos aqui no “A Norte”, em última instância todas as culpas acabam na porta do Presidente e todos os prejuízos no regaço do Sporting, e isto é uma certeza que me deixa muitas dúvidas. Muitas foram as contestações desde o período eleitoral, que está previsto estatutariamente, o número de jogos de pré-época, o escasso reforço do plantel e a manutenção da equipa técnica.

As eleições teriam sido realmente o momento certo para arrumar a casa, para renovar e inovar, esse momento foi perdido e quatro meses depois com o pedido de demissão de Paulo Bento toda a estrutura do futebol ruiu, forever.

Se alguns julgaram ser esse o momento oportuno para abandonar o clube outros ficaram para resolver os problemas e depressa o fizeram recorrendo a homens da casa, Salema Garção e Sá Pinto davam garantias de conseguir aguentar o barco, de novo pura ilusão, de novo as histórias mal resolvidas dos corredores de Alvalade a minarem as relações em Alvalade.

Finalmente, Bettencourt decide-se por uma revolução, imagino que em determinado momento a sua única visão fossem ruínas, o toque de Midas invertido, todos aqueles em quem tinha depositado confiança falharam por uma razão ou por outra. Nesta convulsão, típica de Alvalade, aquilo que eu realmente espero de um Presidente com o seu perfil foi posto em stand-by, a reforma financeira do Sporting.

Para ser mais claro, não espero de Bettencourt (ou de alguém com o seu perfil) grandes rasgos na detecção de um treinador que nos dê sucesso, ou na avaliação das carências da equipa, para esse trabalho deve sim detectar uma equipa que lhe dê garantias de efectuar esse trabalho com competência e no sentido de defender os interesses do Sporting.

Para ele deve estar guardada uma tarefa muito mais complicada, inventar fundos, criar receitas, potenciar créditos, agregar sócios e adeptos. Continuo a pensar que é para isto que ele tem talento, sendo certo que já perdeu parte da sua base de apoio continua a ter possibilidade de a reconquistar, principalmente porque já provou que não é por ser insultado ou por as adversidades serem constantes que deixa de dar a cara e procurar soluções para os problemas.

Costinha surge agora como seu (a)braço direito, não podia concordar mais com o perfil e mesmo com a pessoa. O caso Izmailov é um dos grandes exemplos, para mim, da correcção da sua escolha, não sei se o caso foi bem ou mal resolvido, sei que foi ele que o resolveu, sei que assumiu naquele momento o seu lugar e com a sua acção protegeu o Presidente de mais um desgaste público e de resolver choques de egos para os quais ele não tem talento e principalmente tempo.

A primeira missão que gostava de ver Costinha desempenhar está a ser efectuada com êxito. Detectar falhas na estrutura de funcionamento do Sporting e corrigir ou implementar soluções que visem a sua correcção. Fala-se de um regulamento interno de disciplina que será do conhecimento dos atletas no início da época, foi reformulada a informação e sente-se agora que há um filtro mais selectivo a funcionar. A apresentação do programa de pré-época antecipadamente no site é um bom sintoma. Mas para mim a principal não é o número de jogos, assunto que será da responsabilidade da equipa técnica e que terá diferentes factores de análise, estabilidade do plantel, número de jogos oficiais, etc..

O ponto onde imagino o dedo de Costinha é em efectuar a pré-época fora da Academia Sporting. Já o disse várias vezes que o Sporting não voltaria a ser campeão enquanto as pré-época fossem exclusivamente na Academia. A razão não é fisiológica ou o calor Alentejano que até ajuda a perder umas calorias extra. A razão é que para eu conhecer um grupo em pouco tempo tenho de o isolar e forçar até aos seus limites, nessas condições fico a conhecer os homens que trabalham comigo, os lideres naturais surgem, os fracos abatem, os medricas escondem-se, os corajosos correm.

Um grupo isolado fica obrigado a relacionar-se, criam-se laços de confiança ou explodem divergências que deverão ficar sanadas nesse momento para não medrar no balneário durante meses e anos. Há muito a ganhar nesta pré-época e não somente jogos de futebol, há que ganhar uma mentalidade que seja mais que o clube e exclusiva daqueles homens. No fim que nasça um objectivo comum a eles e a nós, ganhar.

A minha prova de força em relação a Costinha não está nele saber identificar o que faltava no Sporting (era evidente para muitos), mas sim como ele vai identificar, aproveitar e potenciar aquilo que há de bom, o seu grande desafio será ganhar com um modelo Sporting purgado de defeitos e não ganhar com o decalque de modelos esgotados ou milionários. Sobre este ponto vai manter-se a minha curiosidade e a minhas dúvidas.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O destino dos gémeos siameses


Foi um mero acaso que fez coincidir o dia em que transcorriam 100 dias da presença de Costinha no cargo de director desportivo com a passagem de um ano de governação do Presidente Bettencourt. Mas o destino de ambos parece estar tão cruzado como os das histórias mitológicas dos gémeos monozigóticos. Para todos os efeitos eles serão os nossos Rómulo e Rémulo na refundação necessária do futebol do nosso clube. O grande problema nesta reencenação parece estar na falta de uma loba que tenha as tetas suficientemente cheias para dar de mamar a “meninos” tão famintos. Estamos a falar de dinheiro, obviamente.

O convite feito a Costinha terá sido, na minha opinião, das melhores decisões até hoje tomadas por JEB, e aqui advogadas muito antes pelo LMGM. Tão boa como má foi, há um ano atrás, manter Paulo Bento. Apesar do “episódio Izmailov”, cujos verdadeiros contornos estão ainda por esclarecer, não posso deixar de salientar as diferenças positivas que se notam na face mais visível da sua acção, que é a forma e o timing usados para comunicar. Isto é ainda mais notório depois do antecessor não ter tempo de assentar - exceptuando sopapos  - e Pedro Barbosa ter sido mais silencioso que um mudo, mesmo que a casa abanasse de alto a baixo. E o aparente garrote posto na hemorragia informativa em que se esvaíam os corredores de Alvalade parece ser também de sua autoria. Mas as verdadeiras provas de Costinha estão ainda para vir, com a preparação da época. Para já saúdo a mudança no planeamento dos jogos e adversários, com outra exigência que a dos anos anteriores (Sarilhense; Mafra; Neuchatel; Nice; Paris Saint-Germain; Ol. Lyon; Celtic de Glasgow; Manchester City; Tottenham). Mas a prova de fogo estará na constituição do plantel para a época que se avizinha. Para que a escolha de JEB para a direcção do futebol faça sentido é necessário que Costinha acerte nas decisões.

Por sua vez Costinha depende em absoluto de JEB e dos meios que lhe conseguir proporcionar. Não sei se gostaria de estar na posição do director desportivo. Pelo menos avaliar pela actuação do presidente no ano que agora finda. Este para mim fica marcado por dois episódios paradigmáticos: o Paulo Bento Forever, em que o presidente negligencia os interesses do clube em nome dos laços afectivos com o então treinador. E um episódio que pode bem ser o ex-libris destes 12 meses, que foi a perda da camisola destinada a Bento XVI. Tendo em conta o valor simbólico que atribuímos ao nosso equipamento, a sua perda ou roubo quer dizer pelo menos que ela não se encontrava em mãos capazes de a guardar de forma responsável. Foi isso que senti durante o ano que passou.

Tivesse feito JEB o que prometeu - e para se perceber em plenitude o seu rotundo falhanço é necessário perceber o que o próprio estabeleceu como objectivos aqui, 2 dias depois da sua eleição... - provavelmente viveríamos hoje num cenário mais claro e até mais desanuviado. JEB perdeu tempo e com isso crédito e, consequentemente, força. Mas não perdeu o mandato. E para a história contará muito mais como terminou do que como começou. As recentes mudanças internas (saídas de Salema Garção e Joaquim Neutel, mudanças de lugar de Mário Casquilho e Afra) fazem entender que o diagnóstico demorou mas foi feito e a terapia começa a ser implementada. Aguardo com curiosidade e interesse os episódios seguintes. Estou ciente da importância e da necessidade de êxito de JEB no actual contexto do nosso clube. E por isso espero e desejo, para lá do que me dizem as minhas convicções ou evidências, que já tenha falhado o que havia para falhar.

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