segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ecletismo?




Com mais um conjunto de conquistas históricas por parte das diferentes modalidades em que o Sporting Clube de Portugal compete o tema está de novo aberto na sociedade leonina. A força demonstrada pelo nosso andebol e atletismo foram um bálsamo precioso para a nossa auto-estima após uma época desastrosa no que ao futebol de onze diz respeito.

Foi com orgulho que observei, à distância, o realizar do nosso lema, Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, Eis o Sporting. Vi cada uma daquelas palavras ser encarnada por diferentes sectores do nosso clube. Todos, dirigentes, técnicos, atletas e adeptos estão de parabéns. Foi bonita a festa.

Mas a história não termina aqui. As questões principais continuam por esclarecer e por assumir, não só por uma parte dos intervenientes mas por todos os intervenientes. E que questões são essas? O que fazer com o ecletismo actual? O que fazer com peso histórico do ecletismo no universo Sporting? O que fazer com as camadas jovens das modalidades extintas? Que recursos e infra-estruturas existem ou podem ser viabilizadas para o projecto desportivo do Sporting Clube de Portugal?

O primeiro passo decisivo julgo estar dado e ser irreversível, a construção do pavilhão junto ao estádio, mas há problemas em aberto, que modalidades vão ser possíveis de albergar no pavilhão, que lotação, existirá espaço para treinos de formação ou só para os escalões seniores. Estes problemas obrigam a decisões que não serão consensuais, gostava que a discussão fosse séria mas que não abrisse novo(s) motivo(s) de clivagem no interior do Sporting. Os recursos disponíveis são e serão sempre escassos para a ambição de que o Sporting se deve alimentar, este facto não deve fazer com que desprezemos cada realização, cada passo seguro que é dado no caminho certo nasce do esforço de muitos sócios anónimos e a construção de um pavilhão, seja qual for a sua tipologia, é sempre um momento de grande alegria para todos e não de divisão.

Ninguém tem dúvidas que se o Sporting no próximo ano estiver de novo numa final de um torneio europeu em andebol, futsal ou atletismo qualquer pavilhão vai ser pequeno para sentar toda a nossa devoção, mas e durante todo o restante ano? Durante aquele jogo em Novembro entre o Sporting e o Xico quantos espectadores estarão presentes? 50? 200? 1000?

Será racional construir um pavilhão com 5.000 lugares sentados para estar cheio só em três ou quatro jogos por ano (se tanto…)? Não será mais correcto ter uma estrutura junto ao estádio que permita a realização do máximo de jogos possível de diferentes modalidades (seja em que escalão for) e guardar os grandes momentos para casa emprestada?

A minha raiz desportiva é a Associação Académica de Coimbra, por essa razão, para mim, um clube com menos de 10 modalidades é só um rapaz simpático, não é um clube a sério e muito menos uma instituição na qual perca tempo e à qual dedique paixão. Este facto teve muita influência no desenvolver do meu Sportinguismo, na primeira vez que visitei o antigo estádio José de Alvalade fiquei mais impressionado pelo símbolo olímpico que engalanava a tribuna presidencial do que pelo Lito que fazia séries a subir e descer a bancada ali mesmo ao meu lado.

Não tenho grandes dúvidas que foi o excelente trabalho que tem vindo a ser feito nas modalidades que exerceu a pressão definitiva para se partir para a construção do pavilhão. Haverá modalidades que continuarão a ser adiadas, não posso esquecer o trabalho feito no hóquei em patins, que com a carolice de alguns mandaram às malvas as tristezas de não ter apoios, instalações e carinho do público para apresentar trabalho de excelência. E isto é só um exemplo o Sporting teima em não deixar morrer ou em manter vivo e disponível o basquetebol, o rugby, o ciclismo, etc..

Esta matriz desportiva, esta matriz ecléctica está fundida no sangue leonino e independentemente das decisões a tomar no futuro serem contrárias aos seus interesses é a continuidade deste trabalho brilhante que vai tornar a pressão insustentável sobre quem toma as decisões difíceis. Os vários exemplos que vão surgindo possibilitam que se olhe para o futuro com a confiança de que está para breve o renascer da maior potência desportiva nacional em todo o seu esplendor.

Não encaro o futuro pavilhão como um fim, será somente o primeiro pavilhão que estamos a construir (algo que me disseram ser impossível no dia da inauguração do estádio) e acima de tudo será o símbolo do trabalho invisível de muitos sócios que teimam em não deixar morrer o nosso maior património, a saber, mais de 100 anos de Glória desportiva ao serviço do Sporting e de Portugal.

A minha pergunta inicial foi, ecletismo? A resposta só pode ser uma.

Sim, Ecletismo Sempre!

domingo, 30 de maio de 2010

Nascidos para ganhar!

O feito de ontem em si é inédito mas a história do Sporting Clube de Portugal está matizada por episódios onde “PRIMEIRO” e “ÚNICO” surgem para classificar os seus feitos. Mais uma vez o Sporting abriu a porta da história ao desporto português, permitindo e desejando que outros o sigam imitando. Ganhar, ser pioneiro e exemplo de forma eclética é a vocação do nosso clube. O andebol, de Mário Patricio, jogadores, roupeiros, seccionistas, Paulo Faria jogadores deram-nos uma lição de perseverança, crença  e atitude. Quem, a meio da época, poderia vaticinar um feito como o de ontem? O Leão Rampante é enorme e far-se-à ouvir, não deixemos que o conformismo, a indiferença e a inércia o domestiquem.



O vídeo acima, além de servir de inspiração pela letra e música, tem imagens que são excerto de um filme que marcou uma geração - Easy Rider -  e é a minha singela homenagem a Dennis Hoper. também ele um leão indomável. "Apocalypse Now", "Blue Velvet" e "Fúria de Viver" são outras das películas que não mais deixarão esquecer Hopper.

sábado, 29 de maio de 2010

Serenidade





Calmo. É como me sinto neste momento e é assim que espero que o SCP hoje se apresente, em Almada, no jogo que nos poderá dar mais um título europeu, ao nosso já vasto e nobre palmarés desportivo.
Já eu, com o decorrer do tempo sei que não será assim. A serenidade dará lugar ao nervoso miudinho, a voz irá sair castigada e as mãos ficarão a ferver.

Com uma vantagem de 2 golos trazida da Polónia, espero que o SCP se mostre ambicioso e não acomodado com a mesma ou expectante mas que saiba jogar com a cabeça e coração, sem nunca entrar em desvarios. O apoio do público será importante e já se viu que esta equipa, no verdadeiro sentido da palavra, se galvaniza com o mesmo.
Como dizia o Hugo, há uma relação estreita entre eles e nós. E ainda bem que assim é.

Hoje, irei assistir a mais um capítulo da História centenária do SCP. Tenho confiança que seja pela positiva.

E após estas palavras, começa a instalar-se o nervoso miudinho...

ECLETISMO SEMPRE!!!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Questão nº 1

Como dizem os brasileiros, o lugar é tão amaldiçoado “que o gramado nem cresce onde o goleiro pisa”. E se há alguém que deve saber bem o que isso significa deve ser Patrício. Quando, por absoluta necessidade, foi obrigado a assumir a titularidade no 1º jogo, nos Barreiros, tudo indicava que começaria aí um conto de fadas. O penalty defendido, que serviria de garantia aos 3 pontos, assim o profetizava. Mas um ano depois Patrício acabaria por se ver envolvido num turbilhão para o qual nada contribuiu e que só por injustiça poderia ser considerado um réu caso fosse um processo.

Na época que se avizinha o lugar de nº1 voltará a actualidade. A renovação de Tiago parece-me acertada, pelo que representa como o último campeão do plantel, pela experiência e obviamente pelo valor. Sempre que chamado tem cumprido. A situação de Ricardo Baptista não é clara, supõe-se que será dispensado. Sairá pela porta por onde entrou, sem se fazer notado. Confesso alguma perplexidade pela falta de oportunidades, de um jogador habilitado fisicamente para o lugar, e de quem Patrício foi suplente na selecção. Mais ainda tendo em conta a sua juventude.

Há assim um lugar para preencher, o que já vem sendo feito pela imprensa. O corropio dos 8 nomes já apontados (Hilário – Chelsea, Marcos – Paraná, Nilton – Guimarães, Moreira – Benfica, Carrizo – Lazio, D.Vega - River Plate, Fabio – Cruzeiro, Quim – Benfica) parece ter estabilizado nos 3 últimos. O DN aponta como forte possibilidade o ingresso de Quim. Confesso que não gosto desta solução, porque, apesar dos anos em que leva de bom nível, culminados com 2 títulos, Quim sempre me pareceu bom para um clube como o Braga, mas mediano para um grande. Mas talvez por isso possa ser uma boa solução de compromisso, nesta fase. Mas nunca pelos 600 mil anuais, ficando Patrício a receber quase metade (350mil, o que o DN considera ser “ligeiramente inferior”).

A minha solução para a baliza era afinal aquela que preconizo para qualquer lugar do onze do Sporting. Qualidade como primeiro critério e esta bem equilibrada com o custo/benefício. Não duvido que tanto o Sporting como Rui Patrício precisam de um bom guarda-redes para completar o trio necessário, sem com isso gastar dinheiro que precisa para suprir outros lugares. Por todas as razões óbvias e porque essa é a melhor forma de fechar o círculo na formação do jovem guarda-redes. Que pode até ser uma solução interna, se a houver, via formação. É que o Sporting não se pode dar ao luxo de oferecer lugares, seja a Patrício, seja a quem for. E Patrício precisa de jogar com a segurança de ter ganho o lugar, e não de este lhe ter caído do céu. Que é o que me parece, por vicissitudes várias, o vem acontecendo nos últimos dois anos. Com as consequências conhecidas de todos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A um passo da história


Face à possibilidade de vencer uma competição europeia ao nível do Andebol, o Sporting está a um passo de entrar no restrito lote de clubes que venceram competições europeias em quatro modalidades diferentes.

Como será do conhecimento da maioria de vós, eu fui um dos que se aventurou em direcção à Polónia para apoiar a nossa equipa no jogo da primeira mão. Tudo começou numa simples conversa que se converteu em promessa a dois dos nossos jogadores: "Se vocês se apurarem para a final, lá estarei para vos apoiar". E assim foi...

A aventura começou à meia-noite de sexta para sábado, com dois jovens leoninos a arrancarem para o Porto, de onde partia o voo para Londres e posterior ligação a Gdansk no Norte da Polónia. E logo aqui começaram as peripécias. O meu companheiro de viagem acabou por ficar retido em Londres uma vez que perdeu o seu Cartão de Cidadão. Um ficava pelo caminho e eu partia para a Polónia por minha própria conta.

Como devem imaginar, não é uma situação agradável. A Polónia não é propriamente um país onde toda a gente fale uma língua universal ou seja fácil comunicar com alguém. Adicionalmente, Kwidzyn é uma pequena vila com cerca de 20mil habitantes no interior de uma Polónia rural e eu delocava-me para lá, por esta altura, completamente só - mesmo que me tenha cruzado com alguns elementos afectos à Torcida Verde.

No entanto, as peripécias continuaram. Já na Polónia, não me foi possível levantar o carro que tinha alugado e corria o risco de não ter forma de ir ver o jogo e via no horizonte a hipótese de tanto esforço ficar por ali. Contudo, tive a felicidade de cruzar-me com os familiares de um dos nossos jogadores que também iam assistir à partida e assim arranjei forma de viajar para a cidade onde se disputava a partida. Pelo meio, andámos perdidos por entre pastagens verdes, estradas inundadas e vilas de agricultores "monoglotas".

Chegados ao destino, visitámos o hotel onde estavam os jogadores, já à hora do jantar. E qual não foi o espanto ao ver 3 portugueses no meio de "nenhures" para apoiar aquela equipa. Os jogadores, técnicos e directores ficaram como que sem reacção. Alguns já sabiam que estariam adeptos presentes, mas naquele momento, não se soube como reagir. No entanto, tenho a certeza que houve felicidade ao ver-nos ali e todas as declarações após o jogo o provam.

Tive sempre a possibilidade de me aproximar da equipa e fui bem acolhido. Senti-me bem vindo e todos os elementos do Sporting estavam contentes por nos ter por perto, tão longe da "nossa" casa.

No domingo, tive a oportunidade de dar uma volta pela vila e ficar a saber onde era o Pavilhão onde se disputaria a partida. Conheci o presidente do nosso clube adversário e que me acolheu também com larga simpatia, disponibilizando material comemorativo e alusivo à final que ali se disputaria.

À hora da partida, a expectativa era enorme. Duas filas de um dos sectores do pavilhão com adeptos portugueses e companheiros polacos apaixonados pelo nosso clube - sim, também existem adeptos estrangeiros com simpatia pelo nosso Sporting - no meio de 6 centenas de polacos a torcer pela equipa da casa. Com o decorrer do tempo, foi possível notar que apesar de existir um ambiente hostil, reinava o desportivismo entre todos os que assistiram à partida.

Embalados pelo nosso apoio, os jogadores realizaram, em minha opinião, uma boa exibição em casa de um adversário que não é tão fácil como poderíamos estar à espera. Mas Paulo Faria fez questão de preparar os seus jogadores para essa realidade.

Não sei de que forma interpretaram a partida, mas face a tudo o que assisti "in loco", os nossos jogadores foram autênticos guerreiros. Houve atitude, entre-ajuda e MUITO espírito de sacrifício dando vontade de convidar outras personalidades do seio leonino a olhar para aqueles comportamentos e talvez aprenderem um pouco mais o que é o Sporting.

Nós adeptos puxámos pela equipa e eles puxaram por nós, aproveitando cada momento de sucesso para galvanizar os poucos mas ruidosos sportinguistas na Hala Sportova de Kwidzyn.

No final, um dos nossos capitães questionou-me "Então amigo, valeu a pena?" e eu respondi "Sábado, terei a certeza que sim!"

Esta equipa foi irregular ao longo da época mas o mérito não lhe pode ser retirado. Com esta vitória estão a um passo de fazer história pelo Sporting Clube de Portugal e pelo Andebol nacional.

Sei que depois dos esforços levados a cabo, os jogadores quererão alcançar a vitória para dedicar aos que se deslocaram à Polónia mas também - e sobretudo - aos adeptos do Sporting Clube de Portugal. E o nosso apoio, tornará sempre estas equipas mais fortes, confiantes e apegadas à camisola que tanto amamos.

Sábado, todos a Almada!

EM FRENTE SPORTING!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Hoje as gordas

Quem lê as primeiras de hoje dos desportivos pode ficar com a ideia que :

Há um Moreira capaz de facilitar o “negócio Petrovic”. Podia ser um tradutor de servo-croata, um financiador / benemérito, capaz de desbloquear as verbas necessárias para efectuar o negócio. Mas não. É apenas um jogador que ganha 800mil / ano e a que o pagamento da totalidade ou parte desta verba “facilitaria” o negócio.  Com facilidades destas, quem precisa de dificuldades?

O David Luiz é um blindado? Isso explicaria algum do seu comportamento em campo e a protecção /receio que foi beneficiando da arbitragem ao longo da época. Mas não, é apenas a disposição negocial do seu clube, que pede 50 milhões pelo passe. Sou só eu que acho que por este dinheiro vai ficar onde está, ou então está tudo doido?

“O Jogo” usa uma misturadora para definir Paulo Sérgio. Só que a misturadora não é Bosch, AEG, ou outra marca de referência. Carlitos?! Ora bolas. É de mim ou isto foi encomendado e / ou estão a gozar connosco e com o Paulo Sérgio? O que eu peço é que ele seja o Paulo Sérgio e essa seja a “marca” com que será lembrada a sua passagem por Alvalade. É que as comparações são já de si diminuidoras, vindas do Carlitos…

A cebola é conhecida pela faculdade de fazer chorar quem se dá ao trabalho de a descascar. Mas o cebola uruguaio do FCPorto chora já pelo campeonato que aí vem. Depois de ter ouvido ontem Jesus profetizar a renovação do título, de me comover com Rodriguez, só posso dizer que o próximo campeonato vai ser muito difícil para nós.

terça-feira, 25 de maio de 2010

AAS em discurso directo

Publico a entrevista de Pedro Faleiro Silva, presidente da AAS ao Jogo de hoje. Para quem tem a honra de conhecer o entrevistado, e em particular o seu discurso,como é o meu caso, fica a ideia que a entrevista foi bem prensada. Talvez para caber numa página. Mas o essencial, no qual me revejo na quase totalidade, está lá e é esse que interessa.

O Sporting e o Clube Portugal

O estado de ânimo dos adeptos do clube de todos nós, Sportinguistas,( falando apenas de futebol), e o dos adeptos da equipa de todos nós, portugueses,  é algo semelhante e não é seguramente optimista. E a convicção de que o futuro próximo trará alterações substanciais a esta disposição não é muita. E talvez esses sentimentos tenham a mesma raiz, mas por razões diferentes: a liderança técnica. Se do lado do Sporting há um técnico novo, cujo passado não foi pontuado por um trajecto brilhante ou sólido, na selecção o passado de Queiroz em projectos de “futebol  para homens” nada regista de assinalável, pese embora as oportunidades. Isto é, do lado de Paulo Sérgio não se sabe ainda bem do que é capaz, do lado de Queiroz o acento tónico parece estar no que ele parece não ser capaz.

Como é bom de ver o lugar de Paulo Sérgio é, por ora, bem mais confortável. “Basta-lhe” mostrar que o risco da aposta se justificava. Já Queiroz não tem a tarefa tão “fácil”.  A falta de empatia é agora agravada com uma convocatória discutível (são todas…) e um resultado desolador. Mas pior, muito pior, foi a perspectiva deixada pela exibição: que ideias existem para o futebol da selecção nacional?

Para ambos o adepto há porém 2 certezas, e uma dúvida: ninguém é campeão nos jogos de preparação, assim como também ninguém perde pontos nesses jogos. Mas o pior é a dúvida que é capaz de residir em muitas cabeças: quantos campeonatos se perdem antes de começarem?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Andropausa

Sei que a minha opinião não é pacífica relativamente a Maniche. E reitero o que sempre tenho dito quando antecipo o que me parecem ser decisões erradas: espero que o tempo não me venha a dar razão. Mas ao ver dado como iminente o ingresso do jogador no Sporting não deixo de me interrogar que mais-valias se poderão retirar desta ligação. E depois de muito matutar fico convencido que as razões desta hipotética ligação se prendem mais ao que o jogador fez no passado do que o será capaz de executar no futuro. A forma como Maniche encarar este desafio será decisiva.

Não deixa de ser porém curioso que em casos idênticos se invoque a condição de Sportinguista, assim como se fosse uma espécie de calçadeira para facilitar a entrada. Estes amores serôdios têm este problema. Se tivessem efeito prático em idade reprodutiva de bom futebol seriam bem-vindos. Assim, em idade próxima da andropausa futebolística, só os posso olhar com desconfiança.

domingo, 23 de maio de 2010

Primeiro passo rumo à história!


Depois de uma excelente vitória na Polónia, o SCP está à beira de conquistar para o andebol português a primeira competição europeia! Em Almada, no próximo sábado, temos tudo para enriquecer, ainda mais, o vasto palmarés que o Sporting ostenta nesta modalidade, vencendo a Taça Challenge 2009/10.

Vitória suada e inteiramente merecida dos nossos bravos andebolistas por 25 -27. Com uma entrada excelente o leão marcou logo o seu território. Aos 10 minutos vencia por seis golos de diferença: 2 – 8, com os extremos João Pinto e Solha muito eficazes. Depois uma ligeira desconcentração da equipa, nomeadamente a defender, juntamente com ataques sucessivos sem concretizar (boa exibição do guarda-redes polaco) permitiu que os nossos adversários do leste europeu reduzissem paulatinamente a diferença, até esta se fixar na vantagem mínima que se verificava ao intervalo: 13 – 14.

A segunda parte foi mais equilibrada, com o SCP a defender sempre bem sendo notória a preciosa ajuda do GR suplente Ricardo Correia após substituir Humberto Gomes com grande mérito. Apenas estivemos em desvantagem aos 17 – 16, pouco depois da expulsão do melhor jogador do MMTS, Adamuzeck, por agressão a Petric. Após os 40 minutos, os nossos jogadores partiram, definitivamente, para a vitória num período em que os golos de Bosko foram decisivos na conservação da vantagem no marcador que se foi mantendo nos dois - três golos. Foi um SCP mais sereno, a aproveitar o nervosismo polaco, que pudemos observar nos últimos 20 minutos da partida. Foi pois, com alguma naturalidade, que conseguimos conservar a vantagem até ao termo do jogo, ficando, inclusivamente a sensação de que os números finais poderiam apresentar um placard mais desnivelado…

Menção honrosa ao nosso amigo e companheiro Hugo Malcato, um dos cerca de 40 leões que se deslocaram à Kwidzyn para apoiar o ‘seu grande Amor’… A viagem de regresso será, conforme desejávamos aqui, muito, mas mesmo muito saborosa para todos eles!!!!

sábado, 22 de maio de 2010

Olá Zé



Como estás? Feliz, suponho, depois de mais uma vitória e de terminar a época com aquela sensação de ter cumprido o dever de forma exemplar.

Escrevo-te estas palavras porque falaste de mim. Referiste-te antes do jogo de hoje ao futebol português e aos seus adeptos. Disseste que os adeptos nacionais se dividiam em dois grupos.

Aqueles que gostam de ti e que queriam que tu vencesses e os outro, os que não gostam de ti e festejam as tuas derrotas. Pois bem, não sou nenhum deles. Fui muito crítico à forma como jogaste o jogo em Barcelona, acho e continuo a achar que aquilo não devia ser permitido, aquilo não é futebol, aquilo não é um jogo.

Mas enganas-te quando pensas que quero a tua derrota, não quero, muito menos a desejo.

Não gosto do teu estilo público, aquela imagem que cultivas de arrogância e desprezo, mas não confundo isso contigo. Não sei quem tu és, provavelmente nunca nos cruzaremos nem nunca iremos jantar juntos para eu perceber melhor quem realmente és.

A história da camisola do Sporting passada em Alvalade, impede-me de alguma vez te querer voltar a ver na nossa família. Olha manias de adeptos que têm mais coração do que cabeça.

Porém todos estes contras não me impedem de te dar os meus sinceros parabéns por mais esta conquista e de sentir um gostinho especial pela derrota do Bayern. A tua equipa fez um jogo brilhante, todo ele equilíbrio, todo ele ilusão e veneno. Exactamente aquilo que gostava de te ter visto fazer em Barcelona.

Para ajudar a festa senti um gostinho de vingança, estava na Alemanha quando eles eliminaram o Manchester e senti que não gostaram nada de ver dois portugueses a celebrar os golos de Nani, pior quando disse que era Sportinguista…

Imaginas? Não imaginas nada, tu normalmente ganhas! Não tens de te aturar. Bom a conversa já vai longa, deixo-te de presente este vinho porque sei que gostas de recuperar ao sabor de um bom néctar. Quando quiseres reclamar o prémio é só enviar um mail, faço questão de te o entregar pessoalmente.

È um monocasta (como algumas vezes te defino), um Baga aqui da Bairrada, acompanharia de forma excelente o pior leitão que jantaste, antes de assinar pelo Porto. Ora vê lá se a descrição não te assenta bem.

“Mostra uma saúde notável, cor fechada, boca muito cheia e uma grande persistência, apresenta também a tradicional adstringência.É um vinho que quase se mastiga, que se impõe pelo contraste com os vinhos da moda, com fruta, fruta e mais fruta. Um vinho “daqueles” de quando a Bairrada era só para alguns apreciadores.”

Parabéns Mourinho, e dá um abraço meu ao Manel quando o vires por Setúbal. Diz-lhe que temos saudades dele.

Uma discussão que vale a pena ter

Da nossa caixa de comentários sobre o post de ontem:

Espero que o Paulo Sérgio deixe o "jogar bem" arrumadinho na gaveta e se concentre no ganhar, ganhar, ganhar ou vai ser trucidado.
LMGM

Uma equipa que joga bem está sempre mais proxima de ganhar. Ganhar de uma forma sustentada e contínua. Para alem da clara e essencial valorização dos jogadores que compõem essa equipa.
FCS

Em parte estou com o LMGM. Sim jogar bom futebol, proporcionar um bom espectáculo é importante por vários motivos e muitos deles já foram debatidos aqui. Agora, e ainda hoje pensei nisso quando ia para o metro, a nossa situação é que não ganhamos o campeonato há 9 anos. Se me derem a optar entre ser campeão para o ano "à Trapattoni" ou a jogar um futebol "à Peseiro" e não ganhar nada, optarei pela primeira.Sim, é possível conjugar ambas mas dêem-nos o título primeiro.
JVL

JVL,
Um Clube faz-se com títulos. O que preferes?
- A época do Peseiro, com Futebol de qualidade e disputando todas as provas com ambição, conseguindo uma final europeia e lutar até ao fim pelo campeonato, mesmo que nada se ganhe no final.
- Jogar mal, não dar espectáculo mas sendo resultadista, conseguir ganhar em provas a eliminar, podendo ganhar com isso uma taça aqui e ali.
Ora eu acho que é precisamente a 1ª opção. Acho até essencial ao momento em que o Sporting vive. Mais que nunca é importante cativar os sócios jogando bem e só assim valorizar os nossos jogadores. E precisamos disso como de pão para a boca!!!Quem se valoriza num amontoado de jogadores que não conseguem fazer 3 passes seguidos? Foi graças à aposta em Bom Futebol que apesar de tudo conseguimos superar os 18 anos sem crise de militância. Houve períodos em que não o houve, mas nunca se desistiu de o conseguir.
FCS

As 2 opções que me colocas são uma "armadilha". Entre o Peseiro, que conseguiu um feito que foi qualificar-nos para a final da Taça UEFA, e o Paulo Bento que ganhou Taças de Portugal mas cujo futebol se degradou, não escolho nenhum. Porque ambos tiveram defeitos.u gosto que a minha equipa pratique bom futebol. Gosto ainda mais que ela conquiste campeonatos. Porque se um jogador se valoriza com o 1º, valoriza-se ainda mais com o 2º e o Clube ganha em todas as frentes: aumento do número de títulos, prestígio, possível encaixe financeiro, etc.Não nos podemos esquecer que são os títulos que trarão novos adeptos e não o futebol bonito. E é essencial que não passemos também, para a 3ª posição em número de adeptos.
JVL

PS: Uma excelente noticia: a SportTv transmitirá o jogo de amanhã entre o MMTS KWIDZYN X SPORTING CLUBE DE PORTUGAL,  a partir das 16:30, no seu 2º canal.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Uma visão muito pessoal

Dizia-me ontem o Virgílio num comentário ao post anterior: “há que apoiar o PS e desejar-lhe os maiores êxitos possíveis”. Como é evidente desejo-lhe “os maiores êxitos possíveis” agora que estamos ligados a um destino comum. E percebo que Paulo Sérgio tem que ser apoiado, porque, como reconheço no mesmo post, tem uma tarefa difícil pela frente. E pôr o Sporting a ganhar não é seguramente uma tarefa para um homem só.

Mas como pode um adepto apoiar um treinador? Nesta fase, quase nada. O trabalho que se faz por ora é de gabinete, e o adepto não só não é necessário, como até incomodaria. Pouco mais resta do que aguardar até a bola rolar. E, por mais diferentes que sejam as minhas opiniões, serão as decisões técnicas que serão relevantes. Pouco interessará que eu não perceba, por exemplo, a dispensa de Adrien em troca por Maniche, e que aqui proteste com maior ou menor estridência. O futebol não vai mudar por causa disso. A ditadura do resultado imediato abafa qualquer outra consideração, como, por exemplo, a sustentabilidade do clube. Se o Sporting ganhar, e atrevo-me até a dizer que mesmo que o faça sem brilho, poucos se importarão com isso.

Não será esse o meu caso, embora conceda que, no momento que o clube vive, ganhar é um imperativo quase absoluto. Para Paulo Sérgio conquistar o meu apoio terá que me conquistar com bom futebol. Porque é jogando bem que se fica mais perto de vencer. Mas o que é isso de jogar bem? Para mim é “tão simples” como isto: ser competente em todas as fases do jogo. Saber defender, sabendo que para isso é por vezes também preciso saber sofrer. Saber possuir e circular a bola, e uma vez perdida, saber como reavê-la. Saber atacar, contornando as diferentes dificuldades impostas pelo adversário. Explorar as deficiências alheias, de forma eficaz e até cruel, como um predador. Marcar golos, porque sem eles não se ganham jogos.

Uma equipa perfeita, então? Não há equipas perfeitas nem imbatíveis. Mas é o treino e a qualidade dos executantes que faz a diferença. Se Paulo Sérgio demonstrar valor terá por isso o meu apoio. Terá que ser essa a ordem natural das coisas. Porque não me peçam para apoiar o que não me parece ser útil para o nosso Sporting. Boa sorte Paulo Sérgio, que dá muito trabalho a ter. Mas é acima de tudo uma questão de competência.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um novo fantasma?

Ninguém duvida que Paulo Sérgio tem um duro trabalho para frente. É do senso comum que quanto mais o tempo distancia o último grande triunfo, mais difícil se torna voltar a ganhar. A derrota e a dúvida costumam ser companheiras nestas excursões pouco gloriosas. Mudar ou manter parece resultar da mesma forma e as convicções são castelos de areia. No Sporting em particular, mais difícil tem sido perceber que linha se segue. Aposta-se na formação, que sustenta o clube e a equipa, mas diz-se que assim não se pode ganhar, que é preciso experiência. Mas essa diz-nos que não sabemos comprar, porque não acertamos ora no preço ora na qualidade e, quase sempre, em ambos.

As notícias do mercado dão sinais contraditórios, pelo que o melhor mesmo é esperar. Mas ninguém negará que há demasiada dúvida no ar relativamente à qualificação do técnico Paulo Sérgio, como o próprio tem reconhecido. Há dúvidas sobre a capacidade financeira e know-how para as movimentações de mercado. É sobre esta neblina de incertezas que a generalidade dos Sportinguistas procuram sinais que os tranquilizem. Poucas coisas podiam ser piores do que ver Villas Boas, técnico que esteve com um pé em Alvalade, chegar à Invicta. Para os adeptos e treinador, mas em particular para JEB. Não serão apenas os nossos desaires a contar, mas também terão peso todos os feitos que o jovem técnico venha a alcançar. O fantasma Mourinho conhecerá reedição? Veremos se confirma ou não.

Quem tem pouca ou nenhuma responsabilidade nisto será Paulo Sérgio. Mas não precisa de ser dotado de especial perspicácia para perceber que se precisava de ganhar para convencer, agora tem mais 2 hipóteses: ganhar e ganhar.

O Sporting Clube de Paris




Todos os que se interessam pelos núcleos, filiais e delegações do Sporting encontram sempre matéria para estudo, e aprendem sempre com os sucessos e os insucessos destes "pedaços de Sporting" espalhados pelo país e pelo mundo. Há, no entanto, casos que são especiais, e que enchem a alma. O Sporting Clube de Paris é um deles, e é por isso que reproduzo na íntegra o texto colocado no site da Associação de Adeptos Sportinguistas, que merece ser conhecido de todos.
 
"A Associação de Adeptos Sportinguistas esteve representada pelo seu presidente em Paris, no passado fim de semana, por ocasião do recente jogo de futsal da meia final do campeonato francês de futebol, que opunha o Sporting Clube de Paris e o Cannes. O resultado foi uma expressiva vitória da nossa filial nº143 por 7-3, com 1-1 ao intervalo e a obtenção do histórico apuramento para a final do campeonato nacional. Após a vitória na Taça de França há uma semana atrás, Paris pode ter um campeão nacional verde e branco já na próxima semana.

A dimensão deste êxito tem apenas paralelo na evidente dedicação do Presidente do Sporting Clube de Paris, José Lopes, às nossas cores, à divulgação da nossa camisola por toda a França e ao serviço que o Sporting Clube de Paris presta a toda a comunidade parisiense.

E são números verdadeiramente impressionantes – mais de 500 atletas espalhados por diversos escalões de formação, 24 equipas a competir semanalmente e a única associação desportiva de Paris certificada pelo Ministério da Justiça Francês para integrar cidadãos condenados a trabalho comunitário.

Perante a Câmara Municipal de Paris, o Sporting Clube de Paris está para o futsal como o Paris Saint-Germain está para o futebol de 11. O SC Paris é, com efeito, o único clube da cidade francesa que conta com o apoio da autarquia em regime de exclusividade. Este apoio traduz-se, não apenas na vertente financeira, mas também ao nível das infra-estruturas estando inclusivamente em fase terminal a construção de um pavilhão municipal para usufruto do Sporting Clube de Paris, cujo interior será decorado com as cores verde e branca. O apoio da Caixa Geral de Depósitos e da Fidelidade assumem igualmente um papel fulcral no desenvolvimento e expansão deste projecto.

A dimensão social e humana deste projecto começa agora a ser complementada com o respectivo êxito desportivo. Será sempre um orgulho para todos sabermos que existe um núcleo sportinguista a desempenhar um papel tão importante na comunidade portuguesa, mas igualmente em prol da promoção da prática desportiva de centenas de jovens franceses. Perante a dimensão real deste projecto, está na hora da casa-mãe - o Sporting Clube de Portugal prestar o auxílio possível, nunca esquecendo que muitas vezes, os pequenos gestos têm muito maior significado que o dinheiro.

Se há projectos que devem ser divulgados, apoiados e acarinhados no Universo Leonino, este é, seguramente, um deles.

Desejando publicamente “Boa Sorte” ao Sporting Clube de Paris para o próximo e decisivo encontro, não podemos deixar de frisar que a vitória já foi conseguida com os feitos já alcançados. Não obstante, tragam de lá esse ceptro de campeão nacional para a bonita e bem composta sala de troféus."

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Balanços & estampanços

Fizemos esta semana o balanço da época futebolística. Analisamos, a SAD, as equipas técnicas, o plantel e a participação nas principais competições. E, ao reler os post´s e respectivos comentários lembrei-me de uma frase que, à cerca de um ano, marcou a actualidade leonina:


Passado um ano, e conhecidos os resultados, as peripécias, incidentes e os acidentes, é caso para perguntar se algo não vai mal nas concessões de habilitação para conduzir pesados em Portugal.

Domingo há mais


Na antecâmara para um dos jogos mais importantes da história do Andebol leonino, o Sporting recebeu e venceu o "velho rival" por 27-23.

Paulo Faria não pode contar com os castigados Carlos Galambas, Pedro Solha e João Pinto, bem como o pivot esloveno Mitja Lesjak. Estas ausências e a proximidade da final da Taça Challenge obrigaram o treinador a uma série de adaptações e uma rotatividade elevada.

A primeira parte teve ascendente por parte do adversário que foi para o intervalo em vantagem. No segundo tempo, uma boa exibição de Ricardo Correia na baliza e dos jovens Fábio Magalhães e Pedro Portela deram este ano a terceira vitória (em quatro jogos) do Sporting sobre o Benfica.

Sexta-feira, a equipa parte para a Polónia para disputar a primeira mão da final da Taça Challenge. Esperemos que esta vitória, com algumas limitações, seja um bom pronúncio para o jogo de Domingo (tal como me escreveu o nosso amigo PaidaLeoa).

Domingo há Sporting na Polónia e o "A Norte" estará lá!

EM FRENTE SPORTING!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Época 2009/2010 - O balanço (II)

CARLOS CARVALHAL E EQUIPA TÉCNICA
O Carlos Carvalhal foi técnico do Sporting? Não me lembro que tenha sido apresentado. Parece que sim. Lembro-me de ver no banco do Sporting um senhor de casaco e gravata ao lado do Lima. Devia ser o Carlos Carvalhal. Portava-se bem. Menos bem só quando depois de ser convidado a continuar na próxima época, e ter recusado, passar todas as semanas a fazer um discurso em que parecia que quase implorava um lugarzinho para continuar no Clube.
Ah! Mas isto não era para analisar Carlos Carvalhal. Era para analisar a equipa técnica de Carlos Carvalhal. Aí tenho de pedir desculpa a quem estivesse a contar com uma análise profunda a toda a equipa técnica, mas muito sinceramente não consigo identificar mais ninguém alem de Carlos Carvalhal e Lima, sem recorrer a arquivos que, agora, não tenho à mão. Penso que andavam pelo fosso do Estádio a tentar encontrar e colar os cacos em que encontraram a equipa quando, pela calada da noite, lhes disseram (só a eles) que faziam parte da equipa técnica do Sporting.
Na verdade o que se podia esperar de uma equipa técnica que os dirigentes tiveram vergonha de apresentar, que recebeu um grupo desorganizado, quer tacticamente quer psicologicamente, onde mal chegou foi confrontada pelo poder de alguns bons jogadores, mas maus profissionais?
A apresentação de Carlos Carvalhal foi o 2º grande erro desta época desportiva. O 1º, e principal, foi Paulo Bento ter iniciado a época 2009/10. Atendendo ao estado anímico em que se encontrava o Sporting, quer a equipa, quer o discurso dos dirigentes, quer a massa apoiante, era fundamental que Carlos Carvalhal fosse apresentado como o futuro treinador campeão pelo Sporting, com contrato a perder de vista, mesmo que redigido para poder acabar, sem encargos, no fim da época. Tinha de haver um discurso muito forte que mobilizasse a nação leonina e empolgasse a equipa. Tinha de ser mostrado à equipa que aquele era “o treinador”, e que os “meninos tinham de se portar com juízo”.Em vez disso foi anunciado, às escondidas, um treinador a prazo, ficando este imediatamente, em inferioridade perante os jogadores. Por tudo isto:
Conselho Directivo pela apresentação de Carlos Carvalhal:  6 valores.
Desempenho de Carlos Carvalhal e adjuntos: 10 valores
Média: 8 valores
A minha tendencia para o 8... Se ajudar alguma coisa,  na próxima época mudo o nick para 18...
por 8

LIGA SAGRES
Falar da candidatura do Sporting ao campeonato nacional 2009/10, agora Liga Sagres, é falar de um nado-morto. Falar da nossa participação é compilar um manual do absurdo, tantos foram os erros inqualificáveis que se acumularam. Os números são reveladores e demolidores: 26 golos sofridos e apenas 46 marcados. Apenas 13 vitórias, 9 empates, e 8 derrotas! E que dizer de zero golos de livre directo e apenas 3 golos de canto? O 4º lugar alcançado no final foi também o lugar mais alto a que se conseguiu guindar em 30 jogos.
Para lá dos números, não posso deixar de assinalar o que hoje é por demais evidente, e que aqui assinalei antecipadamente: a má planificação da época. Esta impunha sérias dificuldades, por um começo antecipado, por via de uma participação armadilhada na Champions League e pela manifesta aposta de tudo ou nada dos nossos adversários mais directos. Ao invés, mereceu descuido e leviandades. A constituição do plantel tem episódios que já constam do anedotário do futebol nacional – Caicedo, Ângulo, desinteresse por Hugo Viana – e como classificar o número insuficiente de jogos de preparação?
A participação na Liga fica assinalada pelo abandono de Paulo Bento, num reconhecimento tácito da sua incapacidade de dar a volta a 3 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, em 9 jogos. Neste rol, não podem ser esquecidas as roubalheiras que foram os jogos com o Braga e FCPorto, precisamente as 2 derrotas. Mas também é um facto que nada houve que merecesse referência, fossem as exibições, fossem os resultados. Carvalhal conseguiu inicialmente não só mudar a tendência dos resultados, bem como as exibições. Os seus 6 jogos iniciais equivaleram a 16 pontos, mas a ida a Braga, na sequência do episódio Sá Pinto / Liedson, foi o estertor final. Já quando ninguém esperava, uma vitória por números históricos, ante o então campeão nacional, foi um ligeiro bálsamo para o orgulho leonino.
O melhor que se pode dizer da nossa participação na Liga 2009/10 foi que acabou. Estou convicto que o desfecho não tinha que ser este. Mas para que estes 9 meses não tenham parido uma total inutilidade há que ter aprendido com os erros para que não se repitam. Sem nota, por falta de comparência na maior parte das provas a prestar.
por LdA

LIGA EUROPA
A participação do Sporting nesta primeira edição da Liga Europa teve alguns aspectos positivos, mas deixou no ar a sensação que a nossa marca na competição poderia ter sido um pouco mais ambiciosa. O apuramento foi conseguido por Paulo Bento, e o último jogo da fase de grupos, juntamente com as eliminatórias com o Everton e o Atlético de Madrid ficou a cargo de Carvalhal, que perdeu aqui a oportunidade de, com o campeonato perdido, deixar um legado de sucesso no clube e uma porta aberta para o regresso.
Ao futebol sofrível da fase de grupos, a equipa juntou um pouco mais de qualidade nas eliminatórias, sem, no entanto, nunca deslumbrar. O golo de Miguel Veloso nos últimos minutos do jogo em Liverpool fez com que a equipa e os adeptos pudessem sonhar com voos mais altos, mas tal não se concretizou. O momento memorável do ano veio com a eliminatória com o Atlético de Madrid, que muitos já esperavam desde sorteio de finais de Dezembro. Cinco mil sportinguistas estiveram presentes em Madrid numa quinta-feira à tarde, numa demonstração de força impressionante; um cortejo de três kms pelas ruas velhas de Madrid, a fazer parar o trânsito e a trazer todos às janelas para ver "los portugueses" - e uma homenagem do plantel às vítimas dos atentados de 11 de Março que ficou bem vincada nos espanhóis. Foi isto que me ficou da Liga Europa. Isso, e a imagem de marca deste Sporting, no jogo em Berlim com o Herta: quando já tínhamos a qualificação assegurada, quando podíamos, sem pressão, tentar corrigir um pouco a vergonha de Munique e, pela primeira vez na história, ganhar na Alemanha, perdemos o jogo contra uma equipa que terminou a Bundesliga como lanterna vermelha. A falta de qualidade, ambição e amor próprio da equipa ficou bem patente nesse momento. 12 valores.
por Bruno Martins

TAÇA DE PORTUGAL
Analisando o comportamento da nossa equipa ao longo da última época, constei que a Taça de Portugal acaba por retratar ou estar no “caminho” dos principais momentos do Sporting durante 2009-2010.
Sporting 3 – 0 Penafiel
A contestação à equipa e a Paulo Bento já era uma constante, verificando-se oscilações exibicionais constantes bem como algumas vitórias importantes. No campeonato, o SCP somava já duas derrotas e na Liga Europa contava com duas vitórias em exibições sofríveis (Hereenveen e Hertha de Berlin). Na recepção ao Penafiel, o SCP vinha de um empate caseiro frente ao Belém e arrumou a equipa duriense por três golos sem resposta.Logo depois, a equipa entra numa série de maus resultados (e sobretudo exibições) que culminaram com a saída de Paulo Bento.
Pescadores da Caparica 1 – 4 Sporting
Este foi o primeiro jogo de Carvalhal no banco do Sporting. Durante as semanas anteriores, os sportinguistas manifestaram-se surpreendidos com a escolha da direcção leonina, que recaiu num treinador com um currículo modesto e que acabaria por ser apresentado através de uma pequena entrevista colocada no site do clube.Em relação ao jogo, apesar do adversário ter inaugurado o marcador, um Sporting ainda com pouco tempo de trabalho sobre a alçada do novo treinador pareceu exibir-se com outra dinâmica e com outro tipo de abordagem ao jogo. Nesta altura, apercebíamo-nos que Carvalhal pretendia aplicar um 4x3x3, dar novas funções a Miguel Veloso e Matias Fernandez e dar mais preponderância a jovens como Adrien, Pereirinha e Saleiro. Apesar desta estreia, nos 5 jogos seguintes, o Sporting venceu apenas um jogo, empatou duas vezes e perdeu outras tantas.
Sporting 4 – 3 Mafra
Para mim, foi o jogo da época, pelas piores razões e sem querer tirar qualquer mérito ao jovem chinês Zhang.Numa partida que o Sporting parecia ter completamente controlada e a vencer por 3 bolas de diferença, a descontração e o desleixo de alguns jogadores veio ao de cima e o adversário aproximou-se no marcador e os adeptos criticavam as exibições, neste jogo em particular, Rui Patrício. A vitória calhou ao Sporting mas o pior estava para vi.Na manhã seguinte, os sportinguistas acordam com a notícia dando conta das cenas de pancadaria entre Sá Pinto, então director - desportivo, e o avançado Liedson. Carvalhal havia aparecido na conferência de imprensa completamente combalido e os relatos sobre o sucedido multiplicam-se.Todo este caso deixou a nu os problemas de balneário dentro do Sporting e a fraca capacidade directiva tanto por parte do clube em si como do próprio treinador que cada vez mais confirmava capacidades para preparar uma equipa em termos de treino mas que tinha dificuldades em gerir uma equipa.
FC Porto 5 – 2 Sporting
Depois de perder em Braga para o campeonato, o Sporting é humilhado no Dragão em mais um jogo da série de 7 partidas sem vencer. Além de ter entrado a medo na partida, a nossa equipa parecia desconcentrada permitindo praticamente três golos em outras tantas vezes que o adversário foi à baliza, sem demonstrar capacidade de reacção no momento de atacar a bola e impedir o adversário de finalizar. Pelo meio, Izmailov marca o golo fantástico através de um forte pontapé, dando razão aos que defendiam que ele não devia ser negociado, longe de saber dos episódios que aconteceriam até ao final da época…
A Taça de Portugal espelha a época do Sporting. É impossível negar que toda a temporada foi mal preparada e que tanto equipas técnicas como estrutura directiva demonstraram incapacidade para gerir o nosso grupo de trabalho que por sua vez é composto por jogadores de temperamento difícil e elementos que acumulam comportamentos pouco profissionais, privilegiando o individualismo e demonstrando, em minha opinião, uma posição de desrespeito pelo peso institucional de um clube centenário como o Sporting Clube de Portugal.
por Hugo Malcato

TAÇA DA LIGA
A taça da liga é uma competição que ainda não está suficientemente solidificada no panorama futebolístico nacional. Talvez por isso, a maioria dos adeptos encare a competição sem grande entusiasmo e com alguma indiferença, estilo, não aquece, nem arrefece, o importante é o campeonato.
A partir das meias-finais, esta competição ganha necessariamente outra importância, porque a probabilidade de existir um derby ou um clássico é quase certa. Como esses são jogos que ninguém quer perder, a competição ganha outra importância e estatuto à medida que o calendário avança. Foi o que sucedeu nesta terceira edição. Houve derby nas meias finais e clássico na final.
Importa salientar que o Sporting teve sempre um comportamento digno em todas as edições da Carlsberg Cup, facto que sustenta a velha máxima de entrar em todos os jogos e competições para vencer. Não subestimar a competição é meio caminho andado para lhe dar o estatuto e a solidez necessária à sua afirmação no calendário futebolístico nacional. Se há clube grande que sempre prestigiou esta competição, foi o Sporting Clube de Portugal, ao contrário dos seus pares. A Liga Portuguesa de Futebol, deveria portanto ter mais respeito pelo Sporting, coibindo-se o seu Presidente de prestar declarações infelizes, tanto nesta como na edição anterior, em função dos constantes erros de arbitragem com que o nosso Clube tem sido brindado. Recorde-se que na época passada, fomos escandalosamente prejudicados e a competição ficou ferida de morte nessa época.
Mas é sobre esta época que agora estamos a fazer o balanço da participação do Sporting nesta competição.  Após uma excelente caminhada na fase de grupos, com 3 vitorias sobre Braga, Leiria e Trofense, estas duas ultimas fora de casa, a meia-final ditou um derby entre Sporting e Benfica, presenciado em Alvalade por 30.081 espectadores, provavelmente o derby com menos público nas bancadas.
Copiosamente derrotado pelo rival, não nos podemos esquecer que aos 6 minutos ficamos reduzidos a 10 elementos e aos 7 acontece o primeiro golo adversário, factos que mataram o jogo à nascença, conforme reza a crónica do jogo de então. Os 4 golos sofridos doeram, como dói qualquer derrota perante o rival de sempre. Seja como for, não podemos ignorar a caminhada do Sporting até à meia-final, pelo que, em jeito de balanço, vou dar 10 valores à participação do Sporting nesta edição da Taça da Liga.
por Leão Transmontano

Entrevistas

O dia de hoje fica marcado pela entrevista de Paulo Sérgio ao jornal do clube, e pela recarga de Izmailov que mais não é que um golo na nossa baliza. O processo despoletado com o já tristemente célebre episódio da pretensa recusa em jogar parece quase um download de um filme pirata com as legendas trocadas.  Parece ser hoje mais ou menos pacifico que Costinha entrou neste caso de chancas quando devia ter usado um fato Armani. Mas também seria muito ingénuo da minha parte imaginar que o facto de Paulo Barbosa ter dito ontem que o russo vai cumprir o contrato com o Sporting e este dar hoje esta entrevista é um acaso cósmico. Cómico não é de com certeza. Tragicómico? Veremos.

A entrevista de Paulo Sérgio é aqui publicada em honra dos nossos leitores que, estando no estrangeiro, não têm acesso ao Jornal do Clube, (alô Pedro, Bruno, TheLC, e Algoncalves). Aos que estão por cá, fica a ideia de que de vez em quanto não custa assim muito dar uma ajudinha. Quem sabe o aumento ligeiro de audiências não é o pretexto para dar um novo impulso à publicação. Não custa ser optimista…

PS: Mais logo continuaremos com a publicação do balanço da época ontem iniciada, que para nós é mais importante que a agenda mediática. Embora o passado não possa ser alterado quem sabe se a sua compreensão não evita a repitação da(s) história(s). Não custa ser optimista...


segunda-feira, 17 de maio de 2010

No dia seguinte...

Assisti com perplexidade à leveza de espírito com que o Presidente da A.G. justificou o esvaziamento a que está votado o Conselho Leonino. Ficou no entanto a promessa de que os elementos que renunciaram ao seu mandato, por estarem ao fim ao cabo impedidos de o exercer na prática, serão entretanto substituídos. Se demorar tanto tempo como a convocar uma simples reunião, que reconhecesse que o órgão serve para qualquer coisa, dá tempo para qualquer senhora em idade fértil, e que faça parte do dito conselho, conceba e gere um filho. E como o Sporting precisa de aumentar a prole, até é capaz de ser um bom timing, senhor PMAG. Não precisa de ser no dia seguinte.

Época 2009/2010 - O balanço (I)

A SAD
O que dizer de uma SAD que, após um seu funcionário afirmar que aí se manteve quatro meses a mais, batendo logo de seguida com a porta, derruba praticamente todo o seu edifício e deixa a respectiva cúpula chorosa e como que abandonada?

Há quem afirme que a SAD do SCP tombou de forma temporã, podendo, esse facto, ter contribuído decisivamente para a pior época de que à memória, mas há, também, quem defenda que já caiu de podre. Pode parecer paradoxal, mas eu admito ambos os diagnósticos. Explico-me: se caiu cedo na época dando azo a tamanha instabilidade, a verdade é que uma estrutura profissional, que supostamente deveria ser de excelência e que prometera, pouco antes de cair, elevada solidez consolidada na longa experiência da maioria dos seus membros, jamais poderia revelar-se tão dependente das decisões de apenas uma pessoa, por maior importância que essa pessoa, o seu responsável técnico principal, efectivamente detivesse. Ora, posto isto, julgo ser coerente concluir-se que tais membros nunca deveriam ter assumido o comando do ‘negócio’ futebol… No mínimo por manifesta falta de auto-confiança, de estofo, mas ainda mais por falta de pró-actividade e até, por que não dizê-lo, por falta de coragem e esbanjamento da dita ‘experiência’. Basta verificar a ausência de rumo, de uma qualquer estratégia, a indecifrável politica de contratações e a lastimosa gestão do plantel, para confirmar o veredicto da frase anterior.

E depois do desmoronamento? Bem, depois foi ao ritmo do forrobodó que se iniciou a ‘reconstrução’ dos fracos alicerces, numa dança de cadeiras com o irrequieto Salema, ‘Le Garçon’, a protagonizar o papel de bailarino principal. Pelo aspecto físico, ninguém lhe adivinharia tamanhas valências, mas se é certo que o homem é cheio de ‘formosura’, também não se lhe pode negar o jeitinho que tem para se mexer e manter permanentemente dentro daquele ‘Sádico’ palco, ao qual, nem cenas de violência ‘hard-core’ faltaram.

Concluindo, os resultados que a SAD produziu na época finda revelam-se muito pouco, para não dizer nada, leoninos: uma autentica perda de tempo, com ausência de títulos, espectáculo e notória redução do seu valor patrimonial. Mas a preocupação mor dos seus gestores de topo, talvez surja quando forem divulgados os (verdadeiros?) prejuízos económico-financeiros. Até lá, alegremo-nos com o “estamos mais fortes que nunca!” bradado aos Céus por um histriónico líder da SAD em vésperas de onze miúdos da Academia se alimentarem de hóstias ministradas pela própria mão de Bento (o XVI, não o I que já não foi a tempo, tão pouco o II que ainda não chegara…).O que se seguirá? É uma incógnita, mas já o velho ditado pronuncia que o futuro a Deus (dos agentes) pertence… Haja, então, como é q lhe chamam?… Fé! É isso.

CLASSIFICAÇÃO – A vontade era atribuir uma nota abaixo de zero, mas dada a sua impossibilidade dou um 4, para incentivar o Costinha a ‘orar’ muito (e bem) ao seu ‘Deus’…
por Virgílio 
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EQUIPA TÉCNICA DE PAULO BENTO
Pré-época & Liga dos Campeões
Iniciámos a época com um técnico tremendamente desgastado, não só pelo facto de ser o único a dar a cara pelo SCP pois a Direcção evitava fazê-lo, como principalmente, pela fraquíssima qualidade do futebol praticado. Tudo isto já vinha de trás, ou seja, de campeonato(s) anterior(es). Ao contrário do próprio, não acho que ele tenha ficado apenas 4 meses a mais pois há muito que era favorável à sua saída.
Numa pré-época marcada por apenas(!!!) 4 jogos, sendo que um deles foi com o At. Cacém onde se averbou a única vitória,  contratações simplesmente incompreensíveis, fosse pela qualidade do jogador (Caicedo), pelo timing da mesma (Angulo) ou ainda por nenhuma delas visar colmatar as principais lacunas do plantel - defesa especialmente as laterais - o SCP discutiu o acesso à LC com a Fiorentina, averbando dois empates: 2-2 em casa (com uma péssima arbitragem a favorecer a Fiore) e 1-1 fora, valendo a regra dos golos fora, sendo por isso relegado para a Liga Europa.

Liga Europa
Foi nesta competição que Paulo Bento efectuou o seu último jogo ao comando do SCP. No dia 5 Novembro, o SCP defrontou em casa o Ventspils, não indo além de um empate a 1, estando a perder. Apesar de ter deixado a equipa quase apurada, as dificuldades sentidas para ganhar jogos contra adversários nitidamente inferiores e o agoniante futebol praticado, deixaram-nos à beira de um ataque cardíaco.

Taça de Portugal
Vitória contra o Penafiel por 3-0.

Campeonato Nacional
Paulo Bento quando deixou o SCP, tinha realizado 9 jogos, deixando a equipa no 7º lugar com 13 pontos em 9 jogos (3V-4E-2D) e com 10 golos marcados e 8 sofridos.Desde a 2ª jornada que, matematicamente, não dependíamos de nós para alcançar o título nacional, após o empate forasteiro com o Nacional e derrota caseira com o Braga, equipa que tinha ganho o seu jogo inaugural contra a Académica.

Avaliação - Nota 0
Péssima avaliação dos lugares a reforçar, e para tal o dinheiro não serve de desculpa pois foi dito que a defesa não necessitava de reajustes, exibições paupérrimas, erros recorrentes, discurso desculpabilizante - sacudindo a água do capote - e responsabilizando sistematicamente os jogadores, ausência de resultados, tirando a Liga Europa. Foi este o legado que nos deixou esta época.  Saudades do Paulo Bento? Como treinador, não!
PS: Sob a batuta de Paulo Bento, estivemos 4 jogos seguidos para o campeonato sem ganhar, entre a 6ª e 9ª jornada: (FC Porto 1-0 Sporting, Sporting 0-0 Belenenses,V. Guimarães 1-1 Sporting, Sporting 1-1 Marítimo). 
por JVL

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PLANTEL
Falar do plantel do Sporting da época que agora termina é passar em revista todos os problemas do clube. Tomando como referência o número de jogos efectuados por cada jogador o nosso onze típico seria:

Rui Patrício (30 jogos)
Abel (18 jogos)
Carriço (25 jogos)
Tonel (23 jogos)
Grimi (20 jogos)
M. Veloso (25 jogos)
J. Moutinho (28 jogos)
M. Fernandez (28 jogos)
H. Postiga (22 jogos)
Liedson (28 jogos)
Y. D’jálo (18 jogos)

A primeira constatação que faço é que este onze nunca jogou, o que revela uma das características que ajudou a uma época desastrosa, instabilidade. No início da época o plantel foi mais remendado do que reforçado e por essa razão não é de estranhar que o único reforço da época com lugar nesta lista seja Matias Fernandez. De Angulo e Caicedo já ninguém se lembra, de Pongolle esperamos uma lembrança no futuro, André Marques teve guia de marcha para crescer, João Pereira e Pedro Mendes deram um pouco mais de consistência mas não transformaram a equipa.

O destaque acaba por ser Saleiro de todos os reforços aquele que mais cumpriu com a sua tarefa e revelou-se um jogador de grande utilidade e valor como Joker e tapa-buracos de lesões e castigos, pagando com golos.

A segunda constatação que faço é, onde estão as referências desta equipa? Onde estão Polga, Izmailov, Caneira e Vukcevic? Todos eles têm menos de 15 jogos. Por diferentes razões (lesões, castigos, opção técnica) todos estiveram longe da decisão, todos passaram ao lado da época deixando a equipa numa deriva fatal. Os nomes que aparecem imediatamente após estes onze são Saleiro e Pereirinha (ambos com 17 jogos) só depois surge Polga com 15, Vukcevic com 14 e Izmailov com 13. Pouco, muito pouco para quem consome grande parte do orçamento disponível.

A terceira constatação, é a mais difícil de escrever, a qualidade do onze justifica um ano tão desastroso? Não, apesar de todas as culpas que possam imputar a terceiros não se livram da responsabilidade de terem feito um trabalho muito abaixo das suas reais capacidades. Nunca mostraram em campo aquilo de disseram aos microfones, nunca foram solidários, nunca tiveram concentração competitiva, nunca se superaram como grupo, nunca foram ambiciosos. É para mim a parte mais desastrosa da época ver todo o talento ali presente desperdiçado sem reacção.

Para finalizar uma análise por sectores. Na defesa não consigo reconhecer um líder, Tonel tem capacidades mas faltam-lhe as qualidades, Carriço cresce mas ainda não se impõe, Patrício mostrou evolução mas continua ter erros de principiante que têm de ser castigados com o banco principalmente quando se repetem e há mais dois colegas que trabalham tanto como ele. Abel já foi e Grimi nunca será… Reforços precisam-se

Meio campo, o sector mais forte da equipa e de quem nós tanto esperávamos, Veloso foi pau para toda a obra, defesa esquerdo, médio defensivo, interior e extremo esquerdo e interior direito, com tanta voltinha aprendeu a marcar golos. Moutinho acompanha o seu amigo no carrossel de posições e talvez por já o fazer há mais anos esteve pior do que o normal mas não se vislumbra quem faça melhor. Mátias é a surpresa, 28 jogos, é muito mais do que eu diria que ele jogou e se tivesse baseado esta equipa em minutos de certeza que percebia a razão, alguém se lembra de um jogo completo do Matias? Eu também não. Estabilidade precisa-se.

Ataque, quando uma equipa que joga em 4-4-2 só tem 3 jogadores do meio campo com mais de 18 jogos algo correu mal. No ataque passa-se o contrário, é Liedson e sus muchachos. Tanto experimentaram que Liedson nunca teve sossego ou um amigo fiel, mas três mosqu(i)eteiros que zumbiram à sua volta e que no que se refere a poder de finalização e golos pouco acrescentam. Remates precisam-se.

Avaliação global - 7,5 valores. Com o conselho para este grupo se candidatar às novas oportunidades.
por LMGM

PS: decidimos fazer uma avaliação conjunta da  época 2009/10, com quando um dos editores a responsabilizar-se por um tema. A avaliação incidirá sobre os 3 agora editados, a SAD, a equipa técnica de Paulo Bento e o plantel, seguindo-se a equipa técnica de Carvalhal, e a participação nas competições Liga Sagres, Liga Europa, Taça da Liga e Taça de Portugal. Fica à vossa disposição a caixa de comentários.

domingo, 16 de maio de 2010

Aquela Maniche!

(i)A ser verdade que Maniche (33 anos em Novembro) se apresta a tornar a primeira aquisição da temporada, “para por a rodar” Adrien (21 anos). É verdade que rodar é coisa que Maniche sabe fazer como ninguém. (ii)A ser verdade a intenção de trocar Pereirinha (22 anos) por Evaldo (28 anos) mais uns milhões de euros e talvez mais uns passes, o Sporting parece querer despedir o futuro para abraçar o passado. A dislexia que o titulo aparenta (Maniche e não Machine, a troca dos nomes nas fotos) será uma doença bem real em Alvalade se esta noticia se confirmar. Será por essa limitação que o Sporting parece ter dificuldade de aprender, repetindo erro atrás de erro, mais parecendo uma sucessão de gags à Jim Carey?

Bom dia Sr. Morais!

sábado, 15 de maio de 2010

Minimos olimpicos

Os discursos de apresentação de jogadores e técnicos são normalmente marcados por palavras de circunstância que pouco se desviam do “dar o meu melhor”, etc. Ontem não foi muito diferente. Paulo Sérgio falou futebolês, como seria de esperar, assumindo a sua condição de “self-made man” crescido no meio. Não será pelos discursos que o seu percurso no Sporting será avaliado e não esperava nada de diferente. As palavras depressa voarão com o vento se  a prática nao lhes der abrigo. Não me passou despercebido “A minha meta não é encurtar distâncias nem vir com um discurso lamechas a defender-me de qualquer insucesso que possa ter", que também me pareceu ter destinatário. Veremos na prática… Mas é sempre bom assinalar que Paulo Sérgio já tem pelo menos um fã, o do costume, diria...

Não posso deixar de referir a postura de Bettencourt, que independentemente do conteúdo do seu discurso, se apresentou num formato mais consentâneo com a postura que se exige a quem ocupa o cargo.

Foi um dia de mínimos olímpicos. São esses que garantem a entrada para a grande competição, não garantem o sucesso, mas também não o impede. Ontem abriu-se um novo ciclo que se espera seja virtuoso. Não é preciso muito para ser melhor do que os anteriores, mas é necessário que suba muitos patamares para estar ao nível que o Sporting precisa e merece. Há um risco claro nesta opção que é percebido por todos. Mas há pelo menos uma virtude: as expectativas só poderão ser superadas.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Onde estavas no 14 de Maio de 2000?

Estava prestes a fazer os meus 17 anos e nunca tinha visto o Sporting a ser Campeão. Foi daquelas épocas em que muitas vezes apanhei o autocarro sozinho ou com mais um grupo de amigos para ir ver os jogos a Alvalade.
Naquela tarde, carregado de nervos, a ver o jogo de Paranhos e ao mesmo tempo o jogo de Barcelos (do Porto), a ansiedade era enorme. Até que o André Cruz marca aquele golo de livre directo... E o Leão veio para a rua!
Hugo Malcato

Tenho sempre a sensação de estar no sítio errado, no tempo errado no que ao Sporting diz respeito. Nasci em 1964, no ano em vencemos a Taça das Taças, mas cheguei cá apenas em Novembro, já havíamos levantado o caneco 6 meses antes. Em 1982, no ano da Taça e Campeonato só assisti ao 1º jogo, por sinal em Alvalade. Há 10 anos atrás estava em Lisboa e não no Porto como seria “normal”. Semanas antes já tinha apanhado uma molha na Luz, quando pensávamos celebrar na altura certa, no local errado. Lembro-me das ruas desertas, e do estrondo que se seguiu ao golo de André Cruz. Não me peçam muito mais do que isto: foi das festas mais lindas e espontâneas que vivi. O Sporting é mesmo de Portugal!
LdA

Rumamos ao Porto, logo pela manhã de 14 de Maio de 2000, cheios de crença. Vindos de Lisboa, eu e outro grande Sportinguista, pudemos testemunhar que o país cedo se começou a preparar para uma enorme festa. Ele foi ver o jogo, pagando 100 euros pelo bilhete. Até as varandas dos prédios de Paranhos à volta do Estádio se alugavam. Eu juntei-me a mais 2 transmontanos amigos de infância, que moram no Porto e vi o jogo em casa de um deles, conforme combinado desde 18 de Março de 2000, quando vencemos o Porto em Alvalade por 2-0.
O jogo acabou e foi o eclodir de um enorme festival de emoções leoninas. Rumamos de imediato a Vidal Pinheiro, onde o meu amigo viu o jogo e ainda festejava lá dentro. Para que conste e os nossos filhos e netos testemunhem, na segunda-feira seguinte, a nossa foto aparece no Diário de Notícias.
O meu amigo de Lisboa, só quis sair do Porto quando o levei à Avenida dos Aliados. Ele não imaginava que a mítica praça onde o FCP comemorava os campeonatos, estava repleta de leões em delírio. “Afinal há muitos Sportinguistas no Porto, confessava-me pleno de emoção”.
A partir dai, foi parar em tudo que é estação de serviço do Porto a Lisboa. Em todas elas foi o delírio. Estive em Coimbra, no tal café, com Roquette e milhares de Sportinguistas em estado delirante. Chegados a Lisboa, a loucura era total, nas ruas, à volta do Estádio, dentro do Estádio, na Praça do Município, etc.
Deitei-me às 8 da manhã e no dia seguinte foi feriado. Portugal, inteiro parou e saiu à rua, para mostrar que o leão ruge, sem precisar de evidenciar essa grandeza constantemente, porque afinal, essa é a característica daqueles que por maiores que sejam, serão sempre pequenos.
Viva o Sporting!
Leão Transmontano

O fim do jejum coincidiu com a Semana Académica. Vi o jogo "em casa", no núcleo Sportinguista de Faro, onde passava mais tempo do que em casa.
Com o nervosismo típico - mas desta feita exponenciado ao máximo - foi assim que me sentei para ver se seria finalmente desta que alcançaríamos o tão ambicionado título.
Eu, o meu irmão e uns amigos, a vibrarmos como nunca, sentindo uma alegria que nenhum de nós tinha podido viver antes. Foi impossível conter a emoção e a partir do 2º golo, foi o choro mais alegre que alguma vez tive.
Fim de jogo, emoção total, gente na rua vinda de todo o lado, invadindo as ruas de Faro, à imagem do País, levando lamps a interrogaram-se como é que era possível sermos tantos, pessoal em cima do próprio carro aos saltos, compra imediata de uma grade de cerveja para despacharmos antes da entrada na SA, um amigo nosso lampião a aproximar-se de um velhote para gozar com a sigla do Clube e a levar um baile monumental com a resposta: "Somos Campeões de Portugal" numa risada em que até ele se incluiu, ida para o recinto da festa e propositadamente para a frente do palco com os cachecóis do SCP , onde actuavam os GNR - não porque gostássemos da música mas sim para que ele nos desse os parabéns ao Clube, enfim....foi a loucura geral e um dos dias mais felizes da minha vida.
Gostava de o experimentar mais vezes porque a mim não me cansa ganhar sempre.
JVL

Pela única vez na vida disse para a minha futura mulher, “Se me vires a chorar não te preocupes, é porque foi golo do Sporting!”. E foi um, dois, três, quatro… não chorei. Ri, gritei, saltei, corri para o carro entre os parabéns de diversos amigos que comigo viram o jogo e sai para as ruas de Coimbra com um destino fixo em mente, o Café Brasil, para beber um café e continuar a festa. Temi que o carro não sobrevivesse à cidade, por todo o lado se tinha o azar de parar era abanado ao som da Marcha do Sporting, cantada por Maria José Valério que tinha posto em “repeat” no leitor de cd’s. O circuito Praça da República – Café Brasil foi feito vezes sem conta. Ao outro dia acordar pelas 7 da manhã e seguir viagem para Alcains, pedi ao meu colega para conduzir porque não estava em condições para o fazer, durante a viagem quando abria o olho, sorria e descia a janela e dizia com a pouca voz que me restava, “Sporting!” e voltava a um sonho lindo.
LMGM

 Em Maio de 2000 atrás tinha 19 anos e o meu sportinguismo ainda não tinha sido recompensado com a vivência de um título de campeão. Até aí, sempre tinha vivido no grande Porto, onde os sportinguistas, em minoria, eram confrontados com um sem número de amigos e colegas de outras cores mais bem sucedidas.
No fim-de-semana anterior tinha ido a Lisboa preparado para fazer a festa de título, mas tal não possível. Até foi bom, porque passei uma semana de Queima das Fitas festejando por antecipação. Quando chegou o Domingo, foi muito bom. Foi estranho. Nem sabia bem como fazer para deixar sair tanta alegria acumulada. Vi o jogo em casa com a minha irmã e o meu avô. A minha mãe sofria na outra televisão as incidências do jogo de Barcelos... O meu pai tinha ido a Vidal Pinheiro, e esperamos que ele chegasse para irmos para a Avenida do Aliados, juntarmo-nos a mais umas centenas. Dois anos depois seríamos bem mais, naquela sítio, mas nada igualará aquela sensação de "primeira vez" daquele título.
Bruno Martins

Tinha ido no fim de semana anterior do Funchal a Lisboa, e só marquei avião para 2ª feira convencido que precisava da noite de domingo para comemorar em Lisboa, mas o egípcio, contando com o habitual leite vermelho, estragou a festa.
No fim de semana da ultima jornada era fim de semana de ficar no Funchal e, após uma semana de ansiedade, foi na Avenida do Mar que se fez a festa, descobrindo nessa altura que a Madeira é muito mais verde do que a tinha imaginado.
8

Paulo Sérgio no meio da ponte

Paulo Sérgio é hoje citado na 1ª página do jornal “Abola”, confessando o seu erro, ao ter falado sobre o Sporting, ainda na condição de treinador do Vitória de Guimarães, e em plenas instalações do clube vitoriano. É de louvar este acto de contrição, revelador de humildade. E quem reconhece os seus erros está mais próximo de não reincidir, revelando igualmente disponibilidade para se aperfeiçoar. Não é muito comum ver disto, muito menos numa figura pública. E é bom que Paulo Sérgio perceba o seu erro, porque não me parece que, em Alvalade, um episódio idêntico lhe fosse facilmente perdoado. Pelo menos pelos adeptos…

Mas a primeira página do jornal é enganadora. Dificilmente se pode chamar a “isto” uma entrevista. E, no que me parece um pequeno sinal de contradição, o treinador mistura novamente as matérias, falando do passado e abordando o futuro. Daí o titulo do post. Mas Paulo Sérgio não foi ainda investido formalmente nas funções que irá desempenhar, pelo que as declarações não terão assim tanta importância. Mais importantes me parecem os sinais que se vão deixando, dando a entender que a nova época está a ser confeccionada à mesa dos restaurantes. Que haja pelo menos o cuidado de evitar nódoas que manchem à partida um ano que se adivinha difícil.  

(Clique para aumentar)

P.S.: Parece assente o abandono de Rabiu Ibrahim e com ele a voar vão os 800 mil euros que o Sporting pagou pelo seu passe. Em tempos falei aqui na necessidade complementar o projecto de formação do Sporting com a criação de uma equipa B. Há quem o faça há mais tempo que eu, como é o caso do PLF, desde os tempos da Centúria Leonina, e nos dias que correm, na Bancada Nova. Sem ir por hoje mais longe, parece-me quase uma evidência que o dinheiro que se investiu num jogador apenas daria para “peneirar” um plantel inteiro de promessas. Uma certeza por ano era um projecto ganho.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O querem os Sportinguistas?

Há duas notícias que me alegraram o dia: a primeira foi a de que Deco está na lista de potenciais reforços apresentada a Paulo Sérgio. A segunda é a promessa e a certeza de Liedson relativamente à época que aí vem. Assegura o Levezinho que será melhor do que a que agora terminou. Trata-se de duas notas bem-humoradas, embora tenha alguma dificuldade em classifica-las nessa subcategoria do humor tão interessante como difícil de exercer que é o humor negro, ou se se trata pura e simplesmente de piadas de mau gosto.

E a minha boa disposição termina por aí, no que aos assuntos mais mediatizados sobre o Sporting diz respeito. Não se podem comentar com rigor todas as notícias sobre reforços que os média nos apontam. Mas alguns há que, pelos seus contornos, evidenciam alguma credibilidade e definem uma tendência. Evaldo e Jaime Valdés. Parece evidente estar definido o perfil do potencial reforço do Sporting: jogadores ditos “experientes”, eu diria com uma certa idade. Qual é afinal a importância da experiência? O que é afinal mais importante: a qualidade da experiência ou a sua quantidade?

Peguemos no exemplo de Evaldo, lateral-direito do Sporting de Braga e que aparece como sério candidato a reforço do plantel. O Jogador tem 28 anos e acabou de ter a sua melhor época da carreira, sendo talvez o melhor lateral da competição. É um jogador interessante para o Sporting? Sem dúvida. Vale os 3 milhões que custará o seu passe? Talvez, nem discuto. Onde eu não tenho dúvidas é que, por este preço, o Sporting não deve contratá-lo. Na cidade ao lado Desmarets, de 30 anos, é custo zero e tem um valor semelhante, ao que juntaria um ordenado menos inflacionado. A hipótese de rentabilização futura dos seus passes é também equivalente. No caso de Evaldo, com a idade que tem, não será fácil receber de volta o valor da sua aquisição numa futura transferência, o que eleva a fasquia da sua prestação desportiva a níveis elevadíssimos para que a sua aquisição seja uma história de sucesso.

Julgo que este é um exercício que todo o Sportinguista responsável deveria fazer. O sucesso do clube não deveria ser alcançado à custa da sustentabilidade financeira nem da hipoteca do futuro. Admito, já o fiz aqui, apenas uma excepção que é o Quaresma, por razões que se prendem com o seu valor e pela sua ligação ao clube. Mesmo assim não a qualquer preço. Entristece-me mais ainda ver quem consecutivamente demonstre mais juízo e melhor visão, com menos recursos. O Nacional é hoje mais um exemplo.

Mas motivo maior de tristeza é o júbilo, que me parece bacoco, dos meus consócios e adeptos com as noticias que nos apontam jogadores de nomeada que, além de caros, na maior parte dos casos são de valor desportivo duvidoso. Precisamos de jogadores de nomeada para chamar gente ao estádio, ou precisamos futebol de qualidade e de vitórias? Não aprendemos nada com Skuravy´s, Spehar´s, Niall Quin´s. O que queremos nós afinal? Ganhar a qualquer preço? Uma evasão para as contrariedades de uma perspectiva de vida genericamente mais difícil, como anuncia a actual conjuntura? Pão e circo?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Em defesa de Queiroz

É conhecido o rigor que Carlos Queiroz empresta a qualquer acção que tenha o seu cunho. O que é também revelador da sua sagacidade. A vida não está para beneméritos, são os prestamistas que prosperam, como se pode comprovar pelas mais recentes noticias: enquanto a generalidade dos seus clientes sente cada vez mais dificuldade para cumprir os seus compromissos, os bancos lucram 4 milhões por dia. Queiroz faz o mesmo connosco, empresta-nos os seus conhecimentos, nós pagamos-lhe o que podemos e o que não podemos e, tal como nos acontece como clientes de um qualquer banco, também não ficamos satisfeitos. Mas um seleccionador é necessário. Tão necessário como ter um banco. Mesmo que não percebamos para quê.

Mas dizia eu que tudo o que Queiroz faz é bem feito. E quem viu a gala de apresentação dos eleitos para África do Sul percebeu isso com clareza. Ou não. Mas isso já não é problema do Queiroz. A sala era enorme, e os jornalistas acomodaram-se como podiam, disputando centímetro por centímetro o espaço disponível ao ego inflamado mas magnânimo do seleccionador.

À medida que os nomes eram anunciados ficava evidente outra das qualidades inatas de Queiroz: é capaz de divisar virtudes e entretecer estratégias onde nós, seres comuns, apenas vemos vícios e acções fortuitas. Vejamos então caso a caso, daqueles que suscitaram comentários sem nexo, próprios de gente presunçosa.

Daniel Fernandes: Sabe-se que tem 1,95m de altura, embora ninguém saiba quem é nem conheça o clube a que dizem pertencer. Por isso pode ser facilmente substituído por um jagunço qualquer sem levantar suspeitas e deve ser nisso que Queiroz se está a fiar. O Hilário, igualmente bem constituído, é demasiado conhecido para o efeito. É que nos Mundiais há mais jornalistas nos aeroportos, e os Jorges Baptistas são por isso mais que muitos.  

Zé Castro: a surpresa das surpresas! Inicialmente supôs-se tratar de uma vingança da D. Ernestina, escriturária dactilógrafa septuagenária, que na anterior passagem de Queiroz pela federação era mulher da limpeza. Hoje sabe-se que não. Surpreendeu toda a gente, inclusive o próprio Queiroz e até o jogador. Mas há que entender a preferência do defesa do Corunha para o lugar que devia ser de Moutinho. É certo que o nosso capitão não fez uma grande época, mas mesmo quando não é brilhante é incapaz de jogar mal. Castro tem sido incapaz de jogar com regularidade, não tem rotinas de meio-campo e por isso o seu desempenho é uma incógnita. Para nós, para Queiroz, mas sobretudo para os restantes seleccionadores e respectivas equipas. Não é genial?

Ricardo Costa: Aqui está a jogada de mestre de Queiroz. E muitos dos que zurziram neste insigne jurista, serão os primeiros a erigir-lhe um altar quando ele suspender por 6 meses o Emmanuel Eboue, Kolo Toure, Yaya Toure, Didier Drogba, Salomon Kalou da Costa do Marfim e, à cautela, 220 jogadores brasileiros seleccionáveis. (Porque, como se sabe, há para aí umas 20 selecções possíveis no Brasil.) Se Ricardo Costa ajudou o SLBenfica, então não ajuda mais depressa a selecção? Ganda Queiroz!

No restante a convocatória é também pacífica.

Os que dizem que o número de centrais é exagerado ignoram que Mourinho bebeu em Queiroz a táctica que lhe permitiu parar o Barcelona. Foi nas duas semanas que coexistiram em Alvalade - e até Mourinho ter percebido que era mais fácil traduzir o inglês de Robson do que Queiroz para português – que Queiroz delineou com jogadores adequados, e que agora vai por em pratica no Mundial,. O "Special  One" imitou-o, mas sem a genialidade do mestre, ao por Miilito e Etto a laterais.

Miguel complementará, em actuação musculada, a acção de secretaria de Ricardo Costa junto das selecções rivais. Para tal anda a treinar há anos à saída das discotecas e, mais recentemente, em senhoras idosas nos passeios de Valência. Duda não é jogador mas tem nome de jogador e a uma imagem vale por mil palavras, falta só contabilizar o que vale isso em pontapés. Coentrão terá a lua-de-mel merecida por uma excelente época e o sonho de muitos homens: a noiva fica em casa á espera, há uma vida pela frente para a rotina do quotidiano. Pepe também merece, mesmo que não completamente restabelecido. Se o Uruguai vai jogar com o super-Maxi nós podemos contrapor um jogador perna de pau.

Para terminar, nunca percebi a dicotomia que os portugueses estabeleceram entre Queiroz e Scolari. Tacticamente não se percebe qualquer diferença. Ambos devem ter frequentado o mesmo curso de inglês. Mas Queiroz tem gosto musical mais refinado e é muito melhor ajoelhar em frente à Ferguie do que diante da senhora do caravagio. Pessoalmente sempre preferi os impressionistas às cenas barrocas.

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