sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desejos

Os optimistas acham que no novo ano tudo mudará para melhor, os pessimistas pensarão exactamente o contrário. Realisticamente sabemos que o Novo Ano não será tão bom como desejaríamos mas não tem de ser tão mau como esperam os que já nada esperam. Sabemos também que o dia de amanhã não chegará sem vivermos o de hoje, e assim sucessivamente, pelo que para vivermos bem há saber, a cada momento, colocar o tempero certo.

Para todos aqui deixo ficar os meus desejos, para cada dia do ano que está a chegar:


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exacta para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afectos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
(Victor Hugo)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

«Fizemos com Paulo Bento o que Barça fez com Guardiola»

O que Carlos Freitas se esqueceu de dizer foi que, infelizmente para o Sporting, Paulo Bento não fez com o Sporting o que Guardiola conseguiu fazer com o Barcelona.

No mais a entrevista do ex-director desportivo é igual a tantas outras que se realizam diariamente na cada vez mais pobre imprensa desportiva. Carlos Freitas disse o que quis e bem lhe apeteceu num discurso livre, sem qualquer contraditório ou confrontação com a realidade.

Cada um faça o balanço que quiser da passagem de Carlos Freitas pelo Sporting. Mas um director desportivo que diz que Paulo Sérgio "é um dos bons treinadores portugueses" e que "em Guimarães colocou a equipa a jogar um futebol atractivo" não precisa de dizer mais nada para me permitir concluir que ainda bem que daqui à Grécia estão uns largos milhares de quilómetros de distância.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Fazer diferente, fazer melhor e fazer primeiro

Foto Academia de Talentos
O Sporting tornou-se em pouco tempo num clube de desculpas e lamentos. Dirigentes e directores  assumem que não têm as mesmas armas que os principais rivais, esquecendo-se de explicar as razões porque é agora assim mas não o era no passado. O discurso alastra como uma epidemia aos adeptos e até a alguns jogadores, levando muitos a conformarem-se como se conforma quem recebe a noticia de uma doença incurável. Mas, o invés de mudar de rota, o clube parece sempre mais predisposto a imitar os rivais do que descobrir um caminho alternativo que lhe permita inverter o sucessivo resvalar.

É nesse contexto que interpreto os mais recentes rumores que dão conta interesse do Sporting em Edinho e da confirmação feita anteontem pelo próprio de que o Sporting terá sondado Hugo Almeida. Nem um nem outro ou ambos  resolveriam os problemas que afectam o nosso futebol, que, como muitas vezes tenho defendido aqui, começa muito acima dos jogadores. O Sporting tem um passado recente de más decisões para reparar e um futuro a preparar, pelo que o reforço imediato do plantel não deveria ser considerado uma prioridade, mais ainda face às possibilidades do que resta para a época em curso. Contratar pinheiros ou aproveitar o que sobra aos outros no Natal está longe de ser a mudança de paradigma que o futebol do Sporting necessita. Antes de olhar para fora o Sporting deveria olhar para dentro, tentando não repetir os erros que vem acumulando e que, feitas as contas, nos tornam cada vez mais pobres e cada vez menos competitivos.

Fazer diferente, fazer melhor e fazer primeiro que a concorrência seria com certeza a melhor forma de anular as vantagens dos rivais. A aposta na formação tanto tem servido de bandeira quando as coisas correm bem e como de desculpa quando correm mal, mas tarda em ser assumida não com a resignação de que nada mais ou melhor pode ser feito, mas como uma medida estratégica, capaz de voltar a por o Sporting nos eixos. Hoje o nosso clube é tão conhecido por produzir bons jogadores, por descobrir e burilar talentos como por os desperdiçar. Para vermos do que somos capazes de fazer e simultaneamente desperdiçar temos que ver os que outrora foram nossos brilhar com outras camisolas vestidas.

No meu entender o que se tem anunciado como uma aposta na formação tem sido o triunfo e afirmação dos jovens de Alcochete sobre jogadores com outro estatuto, contratados para serem titulares. A verdadeira aposta na formação nunca foi feita a sério no Sporting e nunca será feita sem que se dê continuidade à qualidade do trabalho desenvolvido em Alcochete no momento em que os jogadores se tornam seniores. Ao contrário do FCPorto, que nem faz da formação a sua maior aposta, o Sporting não acompanha de perto o crescimento dos seus jogadores, nem do ponto de vista técnico nem sequer do ponto de vista afectivo. Os que não conseguem o acesso à equipa principal, a grande maioria, além de deixados à sua sorte, não lhes vêm abertas grandes possibilidades de "estagiar" em equipas com projectos ambiciosos, estáveis ou pelo menos bem dirigidas do ponto de vista técnico.

Será que os Sportinguistas não se interrogam porque são os nossos jogadores dos melhores até aos júniores e depois são relegados para suplentes, ao contrário dos seus congéneres portistas, p.ex.? Nesta fase crucial do seu crescimento, e perante a inactividade, é aqui que perdemos o contacto com muitos dos jogadores que ouvimos depois falar. Mesmo não se tratando de grandes talentos, são bons jogadores que nos poderiam ser úteis em campo e na tesouraria, por serem tão bons ou melhores do que os que nos custam muito a pagar.

Para fechar esta reflexão sobre a importância de uma verdadeira aposta na formação, concluiria com 4 ideias-chave, que considero fundamentais para o sucesso desta estratégia:

1- Competência. Bons treinadores fazem boas equipas com planteis fracos e os outros conseguem fazer de planteis milionários equipas vulgares e enfadonhas.
O dirigente do Sporting não pode olhar para a principal actividade do clube com um adepto vulgar. Tem de perceber no mínimo que o futebol, não sendo, do ponto de vista do conhecimento, tão exigente como decifrar o genoma humano, tem profissionais mais e menos capazes e só os melhores conseguem os melhores resultados. Da direcção técnica a todos os intervenientes, o Sporting tem de se rodear de profissionais capazes. Mais ainda se a formação for uma área estratégica.

2- Liderança. Tem faltado na liderança do Sporting convicção no caminho a seguir. Ora se faz ora se desfaz. Falta falar verdade aos sócios, demonstrando que não há caminhos fáceis e que, não havendo sucesso imediato, pelo menos não se compromete o futuro.

3- Uma vez que até os clubes que melhor formam jogadores vivem na contingência dos melhores e dos piores anos, é necessário um gabinete de prospecção com conhecimento abrangente do mercado, para que o Sporting não esteja sujeito aos interesses dos empresários ou dos conhecimentos do director desportivo.

4- Faltam os indispensáveis: os adeptos. Ao invés de exigirmos ou sonharmos com jogadores que não podemos pagar, podemos começar a olhar para os da casa com a mesma paciência e igual exigência com que olhamos para os outros. Falhar a contratar não deve ser olhado como uma fatalidade mas os adeptos têm que perceber que, o nível do  mercado a que o Sporting pode aceder é em si mesmo potenciador de erros, uma vez que não podemos comprar onde compra o Real Madrid, o Chelsea ou ManCity, por exemplo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A misteriosa saga das responsabilidades

Carlos Barbosa da Cruz tem uma coluna de opinião no jornal o Público, cujos artigos aqui tenho algumas vezes deixado para discussão. Na semana passada este nosso consócio, que fez parte dos corpos sociais na gestão de Soares Franco, pronunciou-se sobre a saída da Nova Expressão da SAD do Sporting. 

Percebemos que, na sua opinião, foi uma operação que lesou os interesses do Sporting, que, ao contrário do que então foi dito, não foi uma exigência das entidades bancárias, que o clube foi mais vitima que culpado, que a operação beneficiou de forma especial o ex-accionista, que não foi ilegal. Mas continuamos a não perceber o essencial: porque razão o final desta história é igual a tantas outras, ficando sem saber porque aconteceu e de quem é a responsabilidade.


A saga das acções da SAD


"Muito se tem especulado sobre a compra das 2.450.000 acções de categoria B da SAD do Sporting que a Sporting SGPS adquiriu à Nova Expressão, pelo preço de 4.900.000 euros, ou seja, dois euros por acção, pagos em cinco anos. Já vi escrito que esta compra teria sido uma exigência da banca para o SCP manter a maioria da SAD nas operações de reestruturação (redução de capital/aumento de capital/emissão de VMOC).

Não se afigura que seja assim, porquanto o SCP tinha em todos os passos desta operação a maioria necessária; aliás, voz abalizada do clube já esclareceu (Record, dia 13) que a compra não tinha nada a ver com o processo de reestruturação.

Não terá também passado despercebido que as acções foram compradas por mais do dobro da cotação da bolsa e, para mais, com dinheiro emprestado... Cabe então perguntar por que carga de água o Sporting comprou acções da SAD de que não precisava e por um preço que elas não valem e com dinheiro que não tinha? Acho que esse esclarecimento deve ser dado aos sócios, ao mercado e sobretudo aos outros accionistas da SAD que não usufruíram desta benesse...

Esta não terá sido uma operação a que o SCP entusiasticamente aderiu; outrossim terá resultado de um concurso de circunstâncias a que não escapou. Por outras palavras, foi-se mais um anel para ficarem os dedos. Para ser mais claro, acho que nesta saga o SCP foi muito mais vítima que culpado.

A accionista vendedora tinha um lugar no conselho de administração da SAD e acesso a informação privilegiada, conhecia os detalhes da operação e, na altura certa, dessolidarizou-se e apareceu vendedora.

Em abono de quem vende, dir-se-á que a lógica da reestruturação da SAD de alguma maneira trucidou eventuais projectos de abertura de capital e interactividade com parceiros externos. Quero deixar claro que não está em causa a legalidade da operação de reestruturação da SAD, estudada minuciosamente por especialistas acima de toda a suspeita, sufragada pelos sócios e confirmada por auditores. Quem quiser então que extraia as necessárias conclusões. Eu já fiz o meu juízo."

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O preocupante abandono dos indispensáveis

Falta dinheiro para contratações? Vukcevic e Izmailov são bem capazes de estar de saída, provavelmente abaixo do preço de custo ou sem mais valias? Alvalade regista um descida de 30% no nível de assistências em quatro anos? Enquanto a competitividade da equipa se afunda os custos com o plantel aumentaram? Em todas estas noticias preocupantes há uma evidência indesmentível: a falência da gestão desportiva da SAD do Sporting. Esse é o grande problema do Sporting e não há "project finance" que nos regate da falência sem que o Sporting volte a ser competitivo.

Podemos até pensar que, no caso quer de Vukcevic quer de Izmailov, a culpa ou a responsabilidade da situação em que se encontram não seja exclusiva do clube. Mas é também evidente que são já demasiados os casos como os deles para não nos interrogarmos sobre a gestão dos recursos humanos em Alvalade. E admitindo que se tratam de jogadores com feitio especialmente problemático não ajuda muito a promover a sua venda deixar passar a ideia que o clube está ansioso para os ver pelas costas, como insistentemente vem aparecendo nos jornais nos últimos dias. À sua mais que provavel saída ficará também na mente de muitos Sportinguistas a ideia de que o seu rendimento nunca chegou a corresponder ao que o seu talento prometia, que agravará a sensação de desperdício de valores: o do rendimento desportivo e da mais valia financeira.

Não é surpresa para ninguém os números que vêm hoje no "Jogo". A quebra de 30% de público nos últimos 4 anos está intimamente ligada à descida a pique da qualidade do futebol exibido. Sem futebol de qualidade e competitividade os Sportinguistas vão preferindo outros espectáculos, como em tempos foram aconselhados. De todas as saídas a dos adeptos é aquela que mais preocupações suscita. O Sporting superou a saída de Peyroteu, de Yazalde, de Damas e de muitos outros, mas não suportará por muito mais tempo esta espiral depreciativa em que se afunda o seu futebol que leva ao afastamento dos únicos indispensáveis: os seus adeptos. Sem Sportinguistas não há Sporting!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Porque somos do Sporting II (See you soon Mr. Alexander Ellis)

Na mensagem de Natal que deixei a todos os leitores do blogue terminei com uma das certezas mais intrigantes da minha vida: na hora de escolher um clube só me imagino Sportinguista. Intrigante por uma série de razões, que, dado o seu cariz pessoal, me tenho abstido de colocar em forma de post, embora ele esteja há muito escrito na minha cabeça e até no coração. De uma forma resumida posso afirmar que ter-me tornado Sportinguista nunca teve a ver com números de vitórias, de adeptos, por herança familiar ou por identificação regional. Ser do Sporting é mais do que tudo isso, é uma forma de estar, mesmo que nos seus piores momentos nos pareça uma noção perdida ou em vias disso. Por isso é que sustento que quem é do Sporting não podia ser outra coisa e me parece que ser de outro clube qualquer é mesmo isso: ser de outro clube qualquer, tenha muitos ou poucos adeptos, muitos ou poucos troféus, ganhe muito ou pouco.

A primeira vez que aqui falei sobre este tema foi por ocasião de uma entrevista dada pelo embaixador inglês Alexander Ellis, onde eles nos contava como se tornou Sportinguista. Alexander Ellis está de partida de Portugal e tornar-se-à em breve num dos muitos Sportinguistas espalhados pelo Mundo. Na sua crónica no "Expresso", "um bife mal passado" deixou aos portugueses um "pedido" de 10 coisas que nunca deveriam mudar no nosso País, cuja leitura recomendo. Tenho pena que a palavra Sporting não tenha sido mencionada, como fazia em muitas das suas conferências por esse País fora, como várias vezes testemunhou o Bruno Martins, editor "desta casa". Mas julgo não me enganar que voltaremos a ver Richard Ellis na tribuna ou na bancada de Alvalade, quem sabe para festejar mais um título nacional. See you soon Mr. Richard Ellis!
Esta é a entrevista da Bola a que fiz referência e que aqui publicamos em devido tempo:

Quem é do Sporting ponha o braço no ar. Sabe a data de inauguração do antigo Estádio de Alvalade? Se desconhece baixe o braço. Sugestão ridícula seguramente nem o levantou. Mas respondeu? A BOLA apresenta-lhe um adepto Sportinguista que tem essa resposta na ponta da língua. Essa e muitas mais. Venha daí conhecê-lo. Alexander Ellis podia ser um leão como tantos outros. Mas não se encontrarão assim tantos admiradores britânicos do Sporting que saibam tanto e tenham tão fortes recordações sobre os leões, a sua história, os jogos mais importantes, as suas figuras mais ilustres. E, já agora, que tenham carreira diplomática. Foi um bicho que me mordeu, justifica o embaixador, assim mesmo, num português perfeito.


Memórias de infância
Aiexander Ellis nasceu em Londres, perto de um grande templo do futebol mundial - Wembley - e a poucos quilómetros do Estádio de Highbury, palco antigo do Arsenal, transformado num condomínio de luxo. - Alexander Ellis é do Arsenal. Talvez por influência ou tradição familiar. O meu pai é do Arsenal e a minha tia é sócia vitalícia, conta, no hall VIP do Estádio de Alvalade.


Portugal e o Sporting
Gentil, cordial, elegante, sincero, combina os gestos extrovertidos com a gravidade diplomata enquanto nos conduz pelo percurso da sua vida, que o trouxe a Portugal em 1992. «Cheguei num fim-de-semana e não conhecia ninguém. Já percebia um pouco de português li num jornal que o Bobby Robson era O treinador do Sporting e que havia jogo. Fui ver e interessei-me pelo clube», recorda. Foi uma experiência incrível ver um jogo ao final da tarde, com o sol a bater no estádio e a beber cerveja. A sua professora de português encarregou-se de alimentar o interesse. «É uma Sportinguista profunda», esclarece. Depois, o «bicho mordeu» e ficou mesmo Sportinguista. Alexander Ellis evoca com admiração jogadores da época pré-Bosman., como Valckx, Balakov, Figo, Nélson, todos de «grande nível. O seu assistente da secção Política de Imprensa, Pedro Silva, pergunta: «E o Paulo Sousa?» O embaixador eleva os braços e responde: «ui, o Paulo Sousa, lembro-me muito bem (desse Verão quente). E ainda chegou a .Falar-se que o João Pinto também podia trocar o Benfica pelo Sporting. Como já se percebeu, o embaixador britânico ficou a saber muito bem quem era o tradutor de Robson no Sporking. Nem era preciso perguntar. «Mourinho, claro».


ROBSON e o 6-3
Como todos os britânicos, Alexander Ellis nutre especial por Bobby Robson. Imita o sotaque português do antigo treinador do Sporting e F.C. Porto. «João Pinto, graande jogador, graande jogador. Ainda não se conformou com a saída de Robson do Sporting. "Lembro-me bem do despedimento de Robson, depois de termos sido eliminados pelo Casino Salzburgo. Sofremos o 3ºgolo nos descontos (o Sporting tinha vencido2-0 em Lisboa, e perdeu 3-0 na Áustria, com o último golo aos 112minutos). Foi o desespero total, quase chorei.»


Mais tarde, já Robson era treinador do FC Porto, escreveu-lhe uma carta, convidando-o a vir a Lisboa para assistir a um jogo que Alexande Ellis e os amigos organizavam regularmente com a Casa do Gaiato. «Assim que recebeu a carta, telefonou-me logo. Pediu muita desculpa, porque não era possível vir a Lisboa. Era muito simpático. Tive pena por ter deixado o Sporting. Ele dizia: estávamos no piimeiro lugar, estávamos no primeiro lugar. Impressionante. Nunca tinha sido tratado assim. Em Inglaterra, a imprensa, por vezes, era dura com ele, mas nunca tinha sido despedido.» O embaixador entusiasma-se a falar de futebol. Corrija-se, dos Sporting.O pensamento segue veloz, sem rumo, e leva-o à derrota dos leões como Benfica, por 6-3. Começa por dizer que estava no estúdio, mas emenda, viu o jogo na TV em casa de um amigo, perto do estádio, num final de tarde e princípio de noite em que «chovia a potes». «Que frustração», desabafa. Mas o pior foi no dia seguinte. Provou do gozo adversário. «Entrei no carro, seriam umas sete e meia da manhã e recordo-me do locutor:Está triste? Tem problemas? Então ligue o 0800 63 63 63. Nunca mais esqueci.»


Como não esqueceu, anos mais tarde, o encontro improvável com Peter Schmeichel, quando estava de férias. Foi num supermercado em Cascais que deu de caras com o gigante dinamarquês, que acabara de chegar de Manchester. «VI um tipo enorme [abre os braços], a comprar o leite e o pão. Não era só alto, era mesmo enorme. Era o Schmeichel e percebi, nessa altura, que tínhamos hipóteses de sermos campeões» E foram mesmo. Alexander Ellis não estava em Portugal, mas acompanhou tudo à distância, em Bruxelas. Vi o jogo com o Salgueiros na televisão, com o meu bebé ao colo e um cachecol. Foi um dia glorioso, atira, com orgulho. Sempre que pode, Alexander Ellis vai ao estádio. Protegido pelo anonimato do público está mais à vontade para expressar os sentimentos. Quem sabe para dizer uns palavrões, não conseguimos confirmar. Alguns adjectivos, pouco recomendáveis, aprendeu-os «no futebol e no autocarro entre o Porto e Matosinhos a caminho da escola». Dos grandes jogos em Alvalade, escolhe o particular com o Manchester United, no dia da inauguração do novo estádio, quando Gary Neville passou um mau bocado com Cristiano Ronaldo. Na final da TaçaUEFA, contra CSKA, em 2005, estava acompanhado do sogro e lamenta a derrota por 3-2. «Foi uma pena. O golo do Rogério foi muito bom e ele esteve quase a marcar outro. Mas o CSKA tinha uma grande equipa, Daniel Carvalho e Wagner Love eram muito bons, resume.


A conversa com A BOLA, em tom informal, acaba pouco depois. Mário Casquilho, director do Museu do Sporting, e António Sousa Duarte, director de comunicação dos leões, chegam ao Hail VIP e conduzem o adepto especial numa viagem ao passado do Sporting, pelo Museu do clube. A reprodução da sala de reuniões da administração, de 1947 a 2002, logo a entrada, proporciona uma oportunidade para o embaixador fazer uso de finíssimo humor. «Foi aqui que despediram Robson?» O embaixador ficou a saber que o Sporting teve um fundador inglês (John H. Scarleti) e surpreendeu-se ainda mais quando viu que se jogou cricket no clube. O impressionante número de atletas olímpicos dos leões despertou a atenção do embaixador, quase tanto como a Taça das Taças, os Cinco Violinos ou Vítor Damas. «O museu mostra a grandeza de um clube que não é só futebol. É notável» observa, ainda antes de passar numa área em que é simulada a entrada no relvado, ao lado dos jogadores. «Olha o Paulo Bento», diz, com surpresa, quando surge a imagem do ex-treinador do Sporting. Finda a visita, José Eduardo Bettencourt esperava o embaixador. Recebeu-o em privado e ofereceu-lhe uma lembrança. O diplomata regressou à embaixada antes da hora de almoço. Ainda mais Sportinguista, arriscamos sem medo. Alexander Ellis é dos mais «ferrenhos», como ele próprio reconhece. Por exemplo, reagiu em menos de um segundo quando viu uma  fotografia da inauguração do antigo estádio de Alvalade. « Foi em 1956». Está certo. Sabia?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Boas Festas!

Pode um Natal sem pinheiro, sem rei mago (o Baltasar retirou-se) e com Jesus noutro presépio ser um Natal pobre e triste para os Sportinguistas? Pode, se o Natal não for o verdadeiro Natal. Neste tempo o que realmente conta não é o que se tem mas sim o que se é. Por isso, quando toda a agitação acessória, tão própria da quadra, cessar e olharmos para o que somos e à família que pertencemos  o que fica é a sólida certeza que só podíamos ser assim, Sportinguistas, ou mais nada. Obrigado a todos os que nos distinguem com a sua passagem por aqui, seja comentando ou apenas lendo. Boas Festas!
LDA
 
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"Como estamos na quadra natalícia, e sonhar não custa, gostaria que o Pai Natal - o meu equipa à Stromp - concedesse à Nação Leonina um presente: competência. Porque será ela que nos trará a tão ambicionada união, fruto do aumento da qualidade do trabalho efectuado e por conseguinte os tão ambicionados títulos. A todos os leitores do "A Norte" Boas Festas e que 2011 seja melhor que 2010."
JVL
 
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Foi um ano duro para os Sportinguistas, mais uma prova de fidelidade e militância ao nosso clube e aos nossos princípios. Será fácil dizer que tudo correu mal, mas felizmente tal não é verdade, um possível exemplo é aqui o “A Norte de Alvalade”, aqui vive-se Sporting de uma forma intensa e apaixonada, discutimos, acusamos, gritamos, somos racionais e emocionados, somos Leões! Todos temos razão, na base de qualquer argumento está um desejo, tornar o Sporting melhor, um clube tão grande como os maiores. O meu desejo para o futuro é ver a família reunida em paz e harmonia, não como leões amorfos, enjaulados e acossados mas como um grupo unido de reis da selva, agressivos, combatentes e vigilantes contra as hienas que nos atacam. Já sobrevivemos a 2010, venha de lá 2011. Nesta época de festejos e reunião familiar, quero desejar a todos, companheiros de edição,  comentadores e leitores um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Ergue-te Sporting!
LMGM
 
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Confesso que ao fim de viver mais de três décadas de festejos natalícios e com a excepção do meu filho, cuja imaginação não deixa de me surpreender, começou a ser complicado escolher presentes para oferecer aos meus entes mais próximos e, ainda mais, pedir ‘prendinhas no sapatinho’. De modo que, desde há uns bons anos a esta parte, à sazonal pergunta “o que é queres pró o Natal?”, adoptei uma resposta típica: “qualquer coisa relacionada com o Sporting”…

E, perguntam os nossos leitores mais curiosos, onde é que um episódio tão corriqueiro se encaixa com o que este post pretende? Simples, meus caros amigos leões, é que tenho a certeza que muitos mais milhares de sportinguistas têm episódios semelhantes para apresentar. E é o somatório de milhões e milhões de episódios banais como este, por nós protagonizados, que fazem do Sporting o COLOSSAL clube que é e que continuará a ser, eternamente! Assim sendo, os meus desejos para os nossos leitores e os meus companheiros ‘nortenhos’ são igualmente simples: que tenham um Feliz Natal (pintado de verde e branco) e que mantenham esse espírito leonino bem vivo no próximo ano de 2011!
VIRGÍLIO
 
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“Este é um Natal mais triste e amargo no universo Leonino. É inegável o desconforto e a descrença que se abateu em torno do nosso clube. Não escrevo desde Agosto e no meu último post, falava na “morte de Alvalade”. Bem sei que é um tema impróprio para ser relembrado numa quadra de vida como é o Natal, mas a verdade é que nos últimos tempos, Natal após Natal, o nosso Sporting parece que vai morrendo um pouco mais.

E porque este alerta deve estar presente em todos nós, urge para além de expressarmos livremente a nossa opinião, gerar esforços e concertar estratégias que voltem a erguer bem alto os valores e o nomo do Sporting Clube de Portugal. Se assim for, talvez no próximo Natal esta mensagem leve mais esperança e optimismo do que o momento actual.

Independentemente de tudo o resto, o Sporting vive em nós e nós no Sporting. A toda a família leonina, deixo votos de um Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde e sucesso.”
LEÃO TRANSMONTANO
 
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"O meu pedido de Natal desportivo anda à volta do 'sonho' que o Dr. Eduardo Sá Ferreira nos apresentou aqui há umas semanas atrás. E, de todas as dimensões que essa ambição encerrava, centro-me na união de todos os sportinguistas. Custa-me ver-nos desgastados em discussões ácidas e despudoradas. Se o Sporting precisa de todos, juntemo-nos todos para crescermos em conjunto e superarmos as adversidades. O adversário está lá fora. Desejo um bom Natal a todos os 'nossos' - todos os sportinguistas. Sporting Sempre!"
BRUNO MARTINS
 
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"Não sendo religioso, não deixo de aproveitar esta quadra para estar junto daqueles que me são mais próximos e desejar a todas as maiores felicidades para os próximos tempos. Dentro da nossa família leonina, o pensamento é naturalmente equiparável. Tal como as discussões que temos com aquele primo ou tio afastado, também no nosso clube temos as nossas desavenças e os nossos debates. No entanto, é mais forte aquilo que nos une do que aquilo que nos separe.

Durante largos anos, a família leonina soube manter-se unida de uma forma ou de outra, por isso, desejo que nesta quadra exista a oportunidade de consciencializarmos-nos da importância da nossa proximidade e crença pelo nosso ideal: Sporting Clube de Portugal. Boas Festas a todos"
HUGO MALCATO

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Em minha casa o Pai Natal é verde! É verde de esperança, repetida ano após ano, num mundo melhor para todos. É verde de raiva pelo caminho que o meu Clube vai percorrendo: derrotado mais vezes que o admissível, desagregado, onde todos têm as soluções milagrosas e entendem de futebol como mais ninguém no Clube. É verde de angústia por querer olhar para o futuro leonino e não ver aparecer nenhum Sportinguista, com vontade, saber e carisma, para reagrupar as gentes e reerguer o Clube. É verde para ensinar a nova geração que só há uma escolha possível. Mas em minha casa o Pai Natal é verde porque verde é a cor do nosso grande amor, o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL! Um bom natal para todos e um 2011 cheio de vitórias do nosso SPORTING!
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O budget ou 10 notas sobre uma apresentação

   1. Se poucos se aperceberam que havia uma reestruturação em curso no Sporting ontem ela foi simultaneamente anunciada e dada como concluída  com o retorno de Couceiro.

   2. Se o sigilo com que decorreram as negociações são o primeiro sinal dessa reorganização pode-se dizer que a mudança foi para melhor. A blindagem do centro de decisões só pode ser considerada uma boa noticia. "Só" faltará agora dar uma maioria expressiva às boas decisões, isto tendo em conta que ninguém é infalível.

   3. Parece uma boa decisão a entrada de um elemento com funções de coordenação de todo o futebol na SAD com funções abrangentes, da formação ao futebol profissional. Esse lugar estava em aberto, tendo em conta que Mil Homens tinha a pasta da formação, Nobre Guedes as finanças e o presidente um clube inteiro para gerir.

   4. Era necessário o reenquadramento de Costinha, depois de este ter deixado bem claro que a direcção desportiva era demasiada areia para a sua camioneta. Em menos de um ano, e após uma revolução falhada, sobram mais os erros que os acertos, dos quais o clube terá que arranjar forma de se recompor. Um director desportivo pode falhar uma ou duas aquisições, não pode é falhar na escolha do treinador. Fazer tudo isso em simultâneo e, acrescidamente, aumentar os custos seria razão para, em qualquer sociedade, a rescisão com justa causa.

   5. Mais importantes que os nomes dados aos cargos e que os nomes de quem os desempenha é a forma como eles são desempenhados. São as acções que dão ou retiram relevo às funções e não as designações, por mais pomposas que sejam.

   6. Concluída a reorganização do organograma falta "apenas" o mais difícil: criar uma estratégia coerente, preencher as funções com ideias. E para isso não é preciso nenhum milagre, como por vezes se quer fazer crer os Sportinguistas.

   7. Neste âmbito, a importância da formação é crucial ou, como diz o presidente, "é uma área crítica para nós". Que, apesar de ser reconhecido por todos, têm sido uma aposta com mais ziguezagues que coerência. Na actual conjuntura a formação por ser o que comprovadamente fazemos melhor, por promover a sustentabilidade do clube,  a reconciliação com a grandeza do seu passado e até com os seus adeptos é o caminho mais seguro.

   8. Couceiro diz que não vem revolucionar o Sporting. Não sei se não é necessário, mas tem duras batalhas para ganhar. A mais importante de todas é perceber que, não se podendo ganhar de um momento para outro, é no entanto imprescindível que o futebol do Sporting volte rapidamente a ser atractivo para os adeptos e potencie o valor dos seus activos. O "regresso" de Izmailov seria um pequeno passo e um bom sinal.

   9. Não tendo Couceiro um caminho fácil é necessário que  fale com verdade e com clareza. Um discurso entre "a formação é crucial", o "a minha preocupação não são as contratações. Evidentemente, se me dissessem que tínhamos um budget.."e o "milagres não se fazem" não o é. E se houvesse budget?

  10. O passado de Couceiro não pode ser mudado. Mas faz pouco sentido relacioná-lo com o FCPorto, por seis meses de trabalho, esquecendo tudo o resto. E tendo em conta também o passado recente julgo ter sido útil ter deixado claro não ter ambições relativamente à cadeira do treinador. Para o actual e para os vindouros.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rumores, entradas e saídas, um plano e um fundo.

Rumores, entradas e saídas
O interesse em Funes Mori (associado ao SLB)  e Wagner Love (juntamente com o Villareal), por valores a rondar os 8,5 milhões de euros não passará de um rumor tão habitual nesta época como as árvores de Natal. Daqui a 1 mês já ninguém se lembrará nem de um nem de outras. O que certamente prevalecerá será falta de disponibilidade financeira. Neste quadro são mais verosímeis os rumores de vender do que de comprar. Receitas precisam-se.  Do actual plantel Polga, Liedson, Grimi, Hildbrand e dos quadros do clube João Gonçalves, Pereirinha, são os nomes mais apontados à porta de saída. O interesse de clubes brasileiros em Polga e Liedson dificilmente pode ser considerado como uma boa oportunidade de negócio. Os clubes brasileiros abrem a boca na hora de vender mas seca-lhes a tinta nas canetas quando têm que assinar os cheques. Não tendo nem um nem outro substitutos à altura no plantel e não sendo o Sporting uma instituição de caridade, não vejo que interesse possa existir no negócio. Grimi e Hildbrand estão longe de ter qualquer relevância para se notar a sua saída. João Gonçalves e Pereirinha seriam um erro serem dispensados neste momento das suas carreiras.

Um plano
O primeiro plano para o novo director-geral deveria ser precisamente a elaboração de um plano que ditasse um rumo que o futebol do Sporting reconhecidamente não tem. Por isso Couceiro deveria desde já marcar uma posição clara, impedindo que o Sporting aliene os valores que tem, necessariamente a baixo preço por estarem em sub-rendimento, gaste dinheiro que não tem, numa época genericamente perdida e ainda por cima com um treinador que não faz parte de uma solução de futuro para o Sporting, mesmo que olhando apenas o curto prazo. A lição do sucedido precisamente há um ano não pode ser desperdiçada. Antes de olhar para fora o Sporting tem que olhar para dentro, concentrar-se em valorizar o que tem, livrar-se dos pesos mortos e do supérfluo. A actual equipa técnica enquadra-se perfeitamente na designação, é grande e é cara como nos diz o aproveitamento pontual abaixo dos 60%.

O fundo
Fiquei ontem finalmente a perceber a razão pela qual o Sporting só dispensará Paulo Sérgio perante uma catástrofe: não tem dinheiro para lhe pagar a indemnização. Oliveira e Costa, que ainda há pouco tempo dizia que a chicotada psicológica não valia a pena, reconheceu-o ontem nas sua tribuna semanal, no que entendi como uma mensagem clara vinda de "cima". Não sendo uma boa noticia é pelo menos bom constatar que já se deu um passo em frente ao reconhecer-se o erro. É a premissa para corrigir e melhorar. A indemnização à equipa técnica era uma boa forma de aplicar o dinheiro do tão falado fundo de jogadores. Que misteriosamente começou a ser falado em 20 milhões mas que as últimas noticias encolheram já para metade. Mas isso são outros quinhentos. O treinador está longe de ser o único responsável pelo estado do nosso futebol, mas o Sporting pode reorganizar-se e reforçar-se mas nunca fará o reset necessário - para usar a linguagem de PS - sem um comando técnico capaz, que o actual está longe de o ser. O fundo permitiria desde logo resgatar o Sporting do fundo e seria por isso bem empregue.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um Peyroteo de regresso a Alvalade

Não deixa de ser surpreendente o ingresso - ao fim e ao cabo um regresso - de José Couceiro a Alvalade, assumindo a direcção geral da SAD do Sporting. A primeira questão a suscitar análise é o que significa este ingresso na estrutura da SAD onde Costinha era, até agora, um director plenipotenciário ou, se quisermos, o equivalente a um CEO para o futebol. Faz sentido a coexistência de um director desportivo e um director geral? Como se articularão entre si nas áreas de acção em que, inevitavelmente, se cruzarão é a primeira dúvida a desfazer.

Couceiro chega a Alvalade, onde trabalhou com José Roquete, depois de diversas experiências como treinador, sem registar feitos que o notabilizassem. Tem consigo um nome ímpar na história do Sporting, provavelmente será Sportinguista - o que satisfará os que pedem sportinguistas para o Sporting... - mas será como profissional que deverá ser avaliado.Antes de tecer criticas ou loas à nomeação  procurarei perceber qual o conteúdo funcional do cargo em que agora é empossado, e quais são as suas ideias e as suas práticas. São elas que farão toda a diferença. A má e a boa.

"É possível que este seja o melhor esquema para a nossa equipa"

A frase que titula o post é do treinador do Sporting e resume de forma paradigmática o que tem sido a campanha até ao momento: 6 meses de pré-época, "sempre na brecha, sempre à procura" de algo melhor que, no entanto, não chega. Paulo Sérgio no final do jogo declarava-se igualmente "mais alegre e mais feliz", acrescentando que  "vai ser uma quadra mais alegre" estando "esperançado que esta pausa sirva para retemperar energias e limpar o disco rígido". Isto porque ganhou ao Setúbal ontem e após 14 jornadas está a 13 pontos do líder. Com mais dúvidas que certezas, com tantos bloqueios e "freezes" talvez o disco rigido do treinador seja o que mais carece de ser formatado, por que o da Liga, onde estão guardadas as classificações, não sofrerá alterações, e é com os pontos conseguidos até agora que regressaremos em 2011. Não sei quantos Sportinguistas comungarão da alegria do treinador nesta quadra natalícia. A vitória de ontem não deixa de ser uma vitória, mas é como oferecer um par de meias a quem não tem sapatos para calçar.

No mais a vitória de ontem diz-me que o actual Sporting depende tanto de si próprio como dos adversários. O Vitória de Setúbal pensou ontem que poderia jogar mais aberto e de olhos nos olhos com o Sporting, talvez pela facilidade com que nos havia eliminado há uma semana. Bastaria que tivesse jogado de bloco mais baixo para nos causar os mesmos problemas que sofremos com Olhanense, Nacional e Beira Mar e outros. Veremos então, depois de formatar o disco e limpar o chip qual será o diagnóstico do técnico  Paulo Sérgio. Que, saliente-se, é mais capaz de analogias informáticas básicas do que uma explicação suportada por conceitos técnico-tácticos.  Enquanto isso e depois disso o que farão o presidente e director desportivo?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Para encher balões


O Sporting bateu o Vitória de Setúbal de forma convincente. Volta a encher o balão que esvaziou uma semana antes, precisamente na foz do Sado. Tem sido assim e assim vai continuar.

V. Setúbal: Diego; Ney, Ricardo Silva, Valdomiro e Anderson do Ó (Henrique); Silva; Zeca, Neca (Michel) e Miguelito (Sassá); Pitbull, Jailson e Zeca

Suplentes: Matos, François, Miguel Lourenço, 

Sporting: Rui Patrício; Abel, Carriço, Polga e Evaldo; André Santos e Maniche; João Pereira, Valdés (Saleiro) e Yannick Djaló; Liedson

Suplentes: Tiago, Torsiglieri, Zapater, Diogo Salomão, Cédric e Nuno André Coelho 

Resultado final: 0-3

Golos: Djaló,Abel,Djaló

Crónica de um despedimento por anunciar

Foram várias as análises que li a convergirem na importância decisiva do jogo de mais logo para permanência de Paulo Sérgio. Parecem-me irrealistas, tendo em conta o que é neste momento a gestão do departamento de futebol do Sporting e até as próprias declarações dos seus responsáveis. E convenhamos que quem conseguiu entrever em Paulo Sérgio competências para ser treinador do Sporting,  que afirma não ter "razões nenhumas para não manter a confiança no treinador" não nos tranquiliza na hora de buscar uma solução mais competente.  Que treinador seria capaz de desencantar Costinha e Bettencourt? E depois estamos no meio da quadra natalícia, seria uma maçada ter que procurar um novo treinador. O Sporting pode esperar, os coscorões e as rabanadas não!

Na entrega dos Prémios Stromp - quantas voltas dará por este dias no túmulo Francisco Stromp - o presidente declarou-se impotente para resolver os problemas que afectam o Sporting. E, na mesma lógica vigente de "ou nós ou o caos"  declara que é "difícil trabalhar no Sporting" como se fossemos vitimas de uma doença incurável ou de uma conspiração cósmica. Dá a entender que não há soluções milagrosas, no que sou obrigado a concordar: não há nenhum milagre em trabalhar bem, embora dê muito trabalho fazê-lo. Mas, contrariamente ao que diz o presidente, nunca foi tão fácil trabalhar no Sporting como o provam a avaliação curricular de Costinha e Paulo Sérgio.

No futebol é preciso músculo para correr e cérebro para pensar. Infelizmente para nós só temos a primeira das premissas. É isso que se depreende quando Paulo Sérgio se queixa da falta de atitude da equipa, ignorando as suas próprias insuficiências. Afirma viver o seu momento mais negro por causa da eliminação na Taça, embora nunca tenha conseguido mais do que um percurso cinzento escuro. É também musculada a mensagem que se envia ao plantel, como se conclui na encenação ontem montada em Alcochete, ao abrir a porta à Juve Leo.

Antes considerado um clube de elites, de forma algo mistificada, que nunca concordei, o Sporting entrega o diagnóstico dos seus problemas aos Ultra. Com os papéis completamente trocados a nível interno - todos somos precisos, mas cada um no seu lugar - não admira pois que o Sporting tenha reservado para si no campeonato um papel que não é o seu, longe do protagonismo que merece e todos lhe devemos. O músculo está lá mas no lugar do cérebro há um profundo vazio. Por isso continuaremos a ver Paulo Sérgio no lugar de treinador do Sporting. A noticia do seu despedimento será nos próximos tempos uma crónica por fazer.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O triunfo dos porcos

Muito se falou do golo de Valdés frente ao F.C.Porto por pretensa irregularidade do chileno. Isto porque, no momento em que Rui Patrício pontapeia a bola, Valdés de facto estava adiantado ou, como diz a lei 11, estava em fora-de-jogo porque estava "mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário". Acontece que a mesma lei também diz que "estar em posição de fora-de-jogo não constitui por si só uma infracção" e acrescenta "a posição de fora-de-jogo só deve ser sancionada se, no momento em que a bola é tocada por um colega ou é jogada por um deles, o jogador toma, na opinião do árbitro, parte activa do jogo:
• intervindo no jogo ou
• influenciando um adversário ou
• tirando vantagem dessa posição"

A minha opinião é que Valdés não se encontrava em fora-de-jogo, por não tomar parte activa do jogo, por a bola ter sido enviada para um local onde ele não podia estar. Posteriormente, e por aselhice do defesa portista, a bola acabou por ressaltar para uma zona onde aparece Valdés, mas que não é exactamente a mesma onde se encontrava no momento do pontapé de Patricio, fazendo um golo que me parece limpo. vejamos o vídeo:


Não foi essa a opinião do treinador do FCPorto nem dos paineleiros do famoso tribunal de "O Jogo", como se pode ver  a seguir:
 
 Há fora-de-jogo no golo do Sporting?

Jorge Coroado

Valdés, no momento da assistência de Patrício, estava em posição irregular. O pontapé foi longo, e isso originou a distracção de José Ramalho, que não prestou atenção à movimentação do atacante. Na sequência, Valdés jogou a bola com o tronco e não com o braço, como foi pretendido por Helton.

Pedro Henriques
Um lance de difícil análise, porque a bola vem de um passe feito a mais de 50 metros de distância. Contudo, Valdés, no momento do passe de Rui Patrício, está mais perto da linha de baliza do adversário do que a bola e o penúltimo adversário, ou seja, estava em fora-de-jogo. Valdés nunca tocou a bola com a mão.

Paulo Paraty

Apesar de os jogadores do FC Porto reclamarem que Valdés jogou a bola com a mão, tal não aconteceu. E é um facto que o assistente é traído pela grande distância que a bola percorreu até chegar a Valdés, não punindo a sua posição inicial de fora-de-jogo.

Passaram já diversos dias e a dúvida sobre a legalidade do golo ficou no ar, tal como uma mentira que, dita muitas vezes, ganha estatuto de verdade. E, embora me parecendo que, face ao que a lei determina, a minha interpretação está correcta, aceito outras interpretações, desde que devidamente fundamentadas na referida lei.

Mas porquê falar agora disto? Bom, era minha intenção fazê-lo mais cedo mas o que pretendo com estas letras é algo que não depende da actualidade para que a análise se mantenha pertinente. 

Repare-se agora no 1º golo de Postiga frente ao Portimonense, na jornada seguinte ao clássico de Alvalade. Na sequência do livre de Maniche, a bola é defendida pelo guarda-redes e no momento da recarga, Postiga está deslocado mas não chega a intervir na jogada, o que só acontece momentos depois, fazendo um golo regular e que ninguém contestou, apesar de ser resultante de uma situação muito idêntica à que proporcionou o golo a Valdés frente aos azuis e brancos. Atente-se ao vídeo:


E atente-se ao que disseram os paineleiros do tribunal de "OJogo", que consideraram ter sido "um jogo fácil com duas dúvidas", sem contudo referirem o lance em causa. No mínimo teriam que manter a coerência da análise feita anteriormente. Saber porque não o fizeram ajudaria a entender muitos fenómenos do entroncamento do futebol português. O que me leva a concluir que a lei é igual para todos mas, para uns alguns, é mais igual que para outros, como nos dizia George Orwell premonitoriamente na sua alegoria "O Triunfo dos Porcos".

Autismo


(foto DN)

Costinha:

"Neste momento, interessa-me apenas o jogo com o Vitória de Setúbal e o tipo de reacção, carácter, ambição e atitude que os nossos jogadores irão colocar em campo quando subirem ao Bonfim", observa, sem escamotear uma avaliação objectiva e um juízo claro das derrotas sofridas diante de Levski e Vitória de Setúbal: "Digo isto porque fiquei muito desapontado com os últimos dois jogos."

JEB:

"Não tenho razões nenhumas para não manter a confiança no treinador. É difícil trabalhar no Sporting, um clube no qual os resultados potenciam alguma maldade, mas temos que saber conviver com isso"


O sacudir a água do capote continua. Gosto especialmente da parte dos resultados potenciarem alguma maldade...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

(re)Começou a caça às bruxas

As declarações de Paulo Sérgio não enganam: começou a caça às bruxas no balneário do Sporting. Não é a primeira vez que tal sucede nos últimos anos, sempre que os resultados não surgem. Este discurso é  absolutamente lamentável, por diversas razões. Apontam-se culpados que não se nomeiam, fazendo recair sobre todos, "culpados" ou não, acusações vagas, sujeitas a todo o tipo de interpretação. Obviamente que as palavras de Paulo Sérgio não passam do habitual alijar de responsabilidades que tem feito escola em Alvalade. O exemplo vem de cima e Paulo Sérgio já percebeu como as coisas funcionam: há que entregar aos adeptos a cabeça de alguém numa bandeja. Mas quem diz, sobre o jogo de ontem, que "as coisas até estão a correr bem" não nos deixa tranquilos quando afirma que "internamente sabemos o que devemos fazer".

As conversas centrar-se-ão novamente na valia do plantel. Mas continuo a pensar que, apesar dos erros cometidos no inicio de época na sua formação, este plantel faria muito melhor se não tivesse um treinador a sugar-lhe valor. O exemplo de Nuno André Coelho é paradigmático para demonstrar a desvalorização em que pode cair um jogador com um mau treinador. Não partilhando do optimismo de muitos que viam nele o novo Carvalho, é inadmissível que o NAC do Sporting seja muito pior que o NAC que vimos no Estrela da Amadora, por exemplo. E NAC é um entre muitos outros exemplos.

O sorteio ditou a ida à Escócia para defrontar o Glasgow Rangers podendo reeccontrar-se com o Lille ou jogar com o PSV se passar à eliminatória seguinte.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Frio, muito frio


Afinal de contas, estava neve. A bola não deslizava nem circulava redondinha como o povo gosta. Entrámos em campo com a nossa segunda equipa. O jogo era descontraído pois tínhamos o apuramento garantido e importa não esquecer que tínhamos perante nós o primeiro classificado do búlgaro.

Creio que poderá ser este o discurso a apresentar por qualquer pessoa que pretenda relativizar este resultado - ROC deve estar a bater palminhas pois com o remate de Djaló ao poste, já tem mais um registo para a sua estatística.

Naturalmente que o jogo teve diversas condicionantes, mas fartos de desculpas estamos nós. Não se trata de azar nem de dificuldades inesperadas, este Sporting continua a mostrar mais do mesmo - ou seja, nada - e a desesperar os sportinguistas (mesmo aqueles que não o querem admitir).

O jogo deu para tudo menos para ver futebol e vá lá, meia dúzia de passes acertados e uns quantos remates à baliza. Até deu para ver o Maniche a correr para o balneário, provavelmente a festejar a eminente renovação automática, enquanto os colegas se dirigiram à bancada para cumprimentar aqueles rapazolas que foram à Bulgária ver futebol (?) mas que como também devem ser críticos em algumas situações, provavelmente são "falsos sportinguistas".

Para os que sempre procuram culpados, digo uma vez mais que somos todos nós: Escolhemos quem nos dirige, quem deixamos tomar decisões por nós, quem escolhe treinadores, jogadores e directores.

Paulo Sérgio é um rapaz corajoso, Costinha veste-se bem e José Eduardo Bettencourt é um homem honesto, já para não falar de Dias Ferreira que deve estar a perguntar ao seu congénere do Levski onde é que eles arranjaram investidores para contratar aqueles diamantes que hoje vergaram os jogadores do Sporting.

Será por isto que eu nem vibrei muito com os 5-0 da primeira volta? Provavelmente, pois esconderam muita coisa. Assim como os remates ao poste: Têm tanto de golo como de remates fora da baliza.

Mas isto se calhar é o meu mau feitio a vir ao de cima. Ou então o frio gelou-me assim como esta gente continua a gelar a chama do Sporting.

EM FRENTE SPORTING (?)

O Sporting em primeiro lugar!

Imagem Armazém Leonino
Um conjunto de declarações inconcebíveis e inaceitáveis caíram com estrondo no seio do do clube, marcando a semana, ainda esta não tinha chegado a meio. Um jogador com menos de meia-dúzia de meses de clube atreve-se a dar lições de Sportinguismo. Um empregado do clube, cuja folha de serviços recomendaria humildade e recato, arroga-se o direito de lhe dar lições de vida e, não satisfeito, o ameaçar. Um ex-jogador e confesso sportinguista, perante a eliminação na Taça de Portugal, declara que o Sporting merece o castigo pesado que vem sofrendo. O presidente entende  que "a eliminatória e o resultado foram desagradáveis."

Sobre as declarações de Maniche e Costinha já foi dito quase tudo. Ficam as reacções ao sucedido, reveladoras da mais que sabida divisão existente na nação leonina. Houve quem se indignasse com a arrogância de Costinha, houve quem pusesse em causa a legitimidade de Sousa Cintra. Retenho que os mesmos que habitualmente entendem que os  actuais corpos sociais estão mais que legitimados, até para cometer disparates, não reconhecem o direito de opinião a um ex-presidente eleito e reeleito, mesmo tendo este dito apenas o óbvio.

Não pude ignorar também as declarações de Aguiar Matos, que me desiludiram. O ex-dirigente preferiu deixar falar o ódio figadal que o une à sombra de Sousa Cintra, do que entender o que realmente era relevante no afrontamento protagonizado por Costinha.

Paulo Torres acha que o Sporting merece ser punido como tem sido. No mesmo acto, declara a sua satisfação pela manutenção em prova do grande Manel, pela sua qualidade de Sportinguista mas, imediatamente a seguir já pede que seja Manuel Machado a ganhar a taça de Portugal por aquele ser o treinador que o acabava de derrotar. Depressa se esqueceu de Manuel Fernandes e do Sporting. Não me espantaria que este discurso absurdo radique no melindre que lhe provocou o fechar das portas de treinador adjunto, para que terá sido sondado no inicio de época. Seria capaz de fazer o mesmo diagnóstico se estivesse integrado na estrutura técnica? Não creio.

Não são necessários mais exemplos para ilustrar o efeito de estufa que torna quase irrespirável o ar verde-e-branco. Os interesses do Sporting como instituição são permanente remetidos para segundo plano nas palavras e  nos actos poluídos pelas conveniências dos indivíduos ou de grupos de interesse ou pressão. O aquecimento global onde definha o clube é o meio propicio para a vaidade pessoal,o orgulho desmedido, a ambição cega, a inveja e o expediente proliferarem. As faltas de respeito pela história do clube, pelo esforço dos que nos precederam, a depreciação do associativismo florescem.

O que devia estar agregado está retalhado. Mesmo entre os que se opõem e reconhecem necessidade de mudança vivem em trincheiras cada vez mais fundas, de reduzidas perspectivas, não hesitando, aqui e ali, de forma mais evidente ou discreta, trocar tiros entre si. Hoje, no Sporting as boas ideias "são as minhas" e as de quem comigo concorda. A avaliação de qualquer proposta  é feita em função de quem é o autor e não apenas pelo mérito que a mesma encerra. Não surpreende por isso que a teoria de "ou nós ou o caos" renda grandes dividendos eleitorais. Mesmo que do caos já se vejam mais do que apenas sinais.

Tenho dúvidas que assim germine em algum Sportinguista a vontade de avançar com ideias e força para fazer a mudança que é, por hoje, talvez a único facto que nos aproxima do consenso. Para o Sporting voltar a ser primeiro, temos que voltar a por, a cima de tudo, de todos e de cada um de nós, o Sporting em primeiro lugar.

Por menos fizemos mais!



Tive o prazer de conhecer pessoalmente Carlos Pinto Coelho, fui convidado de um dos seus programas, não por nenhuma actividade meritória da minha pessoa mas em representação do imenso trabalho e actividade cultural que a Associação Académica de Coimbra e os seus Organismos Autónomos produz diariamente, o encontro ficou famoso por um pequeno arrufo entre mim e o eminente jornalista.

Nos momentos anteriores ao inicio do programa “Acontece”, Carlos Pinto Coelho fez questão de nos vir cumprimentar e dar as indicações necessárias sobre o alinhamento que iríamos cumprir, no final do seu discurso tinha “engatada” uma pequena graça particularmente dirigida à rivalidade entre as Faculdades de Direito da Universidade de Coimbra e da sua congénere de Lisboa.

Não deverá ter dimensionado o espírito de corpo que atravessa a Universidade de Coimbra, ao ouvir as suas palavras, apesar de não se tratar da minha Faculdade, respondi-lhe de imediato e à letra avisando-o para contar com resposta do mesmo nível se fizesse brincadeiras daquelas em directo.

Criou-se um silêncio pesado, um miúdo de capa e batina e um monstro do jornalismo nacional a olharem um para o outro no meio de um dos mais belos palcos nacionais, a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, em jeito de duelo ao luar.

Foi o já falecido Dr. Aníbal Pinto de Castro, com o seu imenso e refinado humor que quebrou o silêncio com algumas palavras de ocasião e um enorme sorriso dirigido para mim. No final do programa Carlos Pinto Coelho vem ter comigo e pergunta, “Portei-me bem?”, respondi simplesmente, “Como um grande profissional!”, sorrimos, cumprimentámo-nos e despedimo-nos.

Soube do seu falecimento por um SMS de um amigo que dizia, “Morreu aquele que tu calaste.”, que pena tenho eu que a sua voz, o seu profissionalismo e competência não sejam eternos.

No dia em que um jornalista de um canal de televisão dá uma prova do mais reles, baixo, imbecil e escabroso profissionalismo ofendendo gratuitamente o Sporting Clube de Portugal, lamento profundamente tanto como o desaparecimento de uma referência, a machada que deram à ética e ao mais básico respeito que se deve às instituições nacionais.

Na fotografia que escolhi para ilustrar este post ponho Carlos Pinto Correia em boa companhia, e pergunto, alguém imagina Fernando Correia no exercício da sua profissão a ter o menor deslize de lisura para com qualquer outro clube diferente daquele que ele ama e por quem sofre?

Desejo que este caso seja levado às últimas consequências para com o canal de televisão e respectivo jornalista, e que todo e qualquer valor eventualmente recolhido por via de indemnização compensatória seja entregue na totalidade aos Leões de Portugal, como acto simbólico daquilo que o Sporting Clube de Portugal representa.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Metamo-nos então nas nossas vidinhas

Sigamos o "conselho" de Costinha e metamo-nos todos na nossa vida. Na qualidade de Sportinguistas a nossa vida é o Sporting e por isso, tal como Sousa Cintra, temos mais que razões para estar preocupados. Temos o direito e o dever de pedir explicações às quais os nossos funcionários não estão dispensados de prestar.

Bom, metamo-nos então na nossa vidinha, que é, por hoje, a face mais visível e incontestável do trabalho do excelso director desportivo. (Peço desculpa ao ego do Francisco Costa pela insuficiente adjectivação) . E nossa vidinha até ao final da época resume-se à Taça da Liga e à tentativa - palavras de Maniche - de conquista da Liga Europa. (Bem se vê que de Costinha a Maniche todos nos têm por parvos). Na Taça da Liga teremos, correndo bem, que jogar com SLB fora e em campo neutro com o FCP, como muito bem em devido tempo, foi assinalado no Lateral Esquerdo.

Não se advinham, por isso, nada fáceis os próximos meses. A conquista da Taça da Liga, a ser ganha batendo os principais rivais, poderia constituir um relativamente importante tónico para o amor-próprio. A Liga Europa é uma miragem de só faz sentido falar chegados à final, tendo em conta os adversários que teríamos que passar. A Liga nacional é também uma quimera, servindo de consolação a possibilidade de chegar ao 2º lugar. Desperdiçado que foi o bom calendário inicial e a crucificação / autoflagelação de Jesus, não se afigura nada fácil, mantendo o actual nível e tendo ainda por realizar parte bem difícil do calendário. É melhor nem pensar o que acontecerá quando se perceber que não há mais nada porque lutar, além da dignidade. Os exemplos do que sucede em situações semelhantes, no Sporting e noutros clubes, não nos dão razões para estarmos tranquilos.

A possibilidade de recorrer ao mercado de inverno poderia alterar este cenário? Alguns dirão que sim, lembrando o exemplo do titulo de 99/00. Esquecem-se porém que, antes disso, já se tinha enviado de volta Matarezzi, rasgo que agora não se teve, por Costinha e JEB não perceberem, entre muitas outras coisas, o erro da escolha Paulo Sérgio. Sem emendar pelo menos isso, e independentemente da opinião que tenho dos restantes vértices do triângulo das bermudas onde desaparecem as nossas ambições, nada se poderá alterar.

Como assinala realisticamente o DN hoje, só vendendo os melhores poderemos perspectivar qualquer aquisição. Como é óbvio, não esquecendo que, tal como no inicio da época, o mercado perceberá a nossa aflição e não pagará mais do que minimo. Dado a nula valorização dos jogadores, face ao que tem jogado, arriscamo-nos a vender mais uma vez barato para comprar caro. É que não há no mercado muita gente aos "Pongóis"...

Há ainda uma questão primordial: independentemente das comparações que se possam fazer com os nossos rivais, o nosso plantel é capaz e está obrigado a fazer muito melhor. Sem ter quem perceba realmente o seu devido valor, como se pode saber onde está ele necessitado de maior intervenção? O Sporting prepara-se mais uma vez para dar um passo frente, sem perceber porque se encontra onde está. Os resultados dificilmente poderão ser diferentes.

P.S: Recordo o que disse aqui na caixa de comentários ao post anterior: Antes de qualquer consideração sobre as palavras de Costinha há que as analisar sobre o ponto de vista institucional. Tratam-se de declarações proferidas por um empregado do clube - mesmo sendo Costinha sócio do Sporting, foi no exercício da função de director de desportivo que se pronunciou - contra um sócio que é também um conselheiro leonino e ex-presidente do Sporting. Nessa conformidade, a falta de respeito e a má educação reveladas por Costinha por um associado não poderiam nem deveria passar sem a consequente participação disciplinar. Isto independentemente do facto de Sousa Cintra ser quem é no Sporting. Mas, não podendo esquecer o seu estatuto, este só pode ser tido como agravante ao sucedido. Depois disto todas as outras considerações são secundárias ou então o rasguem-se os estatutos do Sporting e declare-se, em definitivo, qa gravidade da doença que afecta o Sporting.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mas quem é que vocês se julgam?


(foto retirada do Record)


Depois das declarações idiotas de Maniche hoje de manhã, agora foi a vez de Costinha antes da partida para Sófia, visando Sousa Cintra.

"Na resposta, Costinha, momentos antes da partida para a Bulgária, prometeu aos jornalistas mostrar, atempadamente, "um papel sobre os tempos de Sousa Cintra" e ainda atirou: "Meta-se na sua vida"."

Podem ler a notícia na íntegra aqui: Costinha: «Um dia mostro papel sobre os tempos de Sousa Cintra»

É este o respeito que um Director Desportivo - Sportinguista ferrenho - tem por um ex-Presidente do SCP? Por sinal, o último com carisma e paixão genuína pelo Clube? E que ameaça é esta? Ainda bem que íamos deixar de discutir tudo na praça pública.

Costinha, tens sido um verdadeiro flop e mal posso esperar para te ver fora de Alvalade.

Viver à altura de um lema



Viver à altura de um lema: “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória... Eis o Sporting” 

Agradeço o amável convite que o Leão de Alvalade me fez para compartilhar convosco algumas ideias sobre o Sporting neste espaço de excelência.

No princípio da década de oitenta, era eu pequeno, comecei a praticar ginástica no Sporting; como vivia ali ao pé frequentava assiduamente o Estádio, via treinos e meetings de atletismo em que brilhavam atletas como Fernando Mamede e Carlos Lopes acompanhados de perto pelo Prof. Moniz Pereira, conheci campeões como Pedro Miguel Moura do ténis de mesa, bem como muitos outros atletas que, mais ou menos anonimamente, tinham um enorme orgulho em envergar o símbolo do Leão rampante. Mas o futebol sempre fez com que o coração batesse mais forte e nesse capítulo tive o privilégio de conhecer o Senhor Travassos, uma das lendas do nosso clube. Junto à 10-A esperei e incentivei os nossos jogadores e do campo guardo na memória momentos épicos protagonizados pelo nosso grande capitão 'Manel' Fernandes, Jordão, Oliveira, Damas, Oceano, Pedro Barbosa e outros mais.

Porém, o clube foi mudando para pior, com o projecto Roquette – recheado de boas ideias, mas eivado de más práticas – passámos da mais forte associação multi-desportiva do país para um conjunto de sociedades comerciais dispendiosas, fracas e banco-dependentes. O nosso património foi dissipado, as eleições tornaram-se uma miragem e o ideal do clube foi posto na prateleira até ao momento em que o projecto rebentou estrondosamente e colocou o clube na unidade de cuidados intensivos, impondo a todos os que amam o clube o dever de zelar por ele em domínios que estão muito para lá da paixão (“engenharia” financeira, questões legais e
politiquices).

Apesar do ecletismo ser, justamente, um dos maiores orgulhos do Sporting, devendo continuar a sê-lo, não podemos escamotear a circunstância do futebol ser o motor do clube. E o futebol em si mesmo é um jogo simples, mas o facto de ser jogado por homens introduz-lhe tantas variáveis quantos os seus participantes, dentro e fora do relvado. Há variáveis que não controlamos e outras que um verdadeiro sportinguista nunca quererá controlar, mas há pontos em que, sejam quais forem as variáveis, tornam a segurança nos bons resultados uma realidade mais próxima.

São eles:

Liderança: um bom líder é fundamental para reconhecer e reforçar as virtudes de todos, se for um óptimo líder até consegue fazer das fraquezas pontos fortes; a selecção de líderes intermédios e de topo tem de ser criteriosa, devendo recair, preferencialmente sobre sportinguistas, que reúnam algumas características fundamentais: experiência, sabedoria, ética e carisma. Diga-se de passagem que no momento e de acordo com estes critérios, nenhum dos três responsáveis pelo futebol do clube ficaria no seu posto;

Ética: se há um elemento que faz parte do ADN do Sporting e que deve continuar a fazer é uma firme postura ética e de fair play, mas isso também implica não compactuar com quem desvirtua o futebol e o desporto em geral através de métodos indignos. O desporto sem ética não passa de um espectáculo encenado e quem anui directa ou complacentemente com isso torna-se cúmplice dessa farsa;

Competência: devemos exigir a máxima competência de quem enverga o nosso símbolo, fomentando a exigência faremos com que atinjam o seu máximo, que é o mínimo que se deve pedir a quem tem a honra de envergar o Leão rampante, símbolo com 104 anos de história com muitas páginas de ouro do desporto português;

 e finalmente,

Estratégia: há que definir estratégias claras para o clube; no caso do futebol, há muito que concordo com o modelo defendido por alguns sócios (como o PLF), que preconizam que ao formar dezenas de jovens em diferentes escalões com um determinado modelo de jogo, este deveria estender-se até à equipa principal (veja-se o maravilhoso trabalho do hóquei). Por sua vez, a equipa principal apenas deveria ser enriquecida com a contratação de jogadores que, após sinalização e criteriosa observação pelo clube, encaixassem no seu modelo de jogo. A própria escolha do treinador tinha de ter como condição o respeito, ainda que parcial, por esse modelo de jogo.

O texto já vai longo e peço que me desculpem se vos maço. Mas sou sócio há vinte e três anos, a minha filha também é sócia e tento pensar sob que critérios é que devo avaliar quem está, ou quer estar à frente dos destinos do nosso clube, do nosso grande amor. Este é o resumo das minhas ideias, mas só com o nosso esforço, a nossa dedicação e a nossa devoção podemos atingir a glória. A solução está no lema e cabe-nos a nós cumpri-lo -não temos o direito de nos intitularmos Leões se não tentarmos.

Saudações Leoninas.

10A / Pedro Ruivo

Notas da imprensa

Maniche participa na ofensiva mediática para explicar o inexplicável. "Não temos os meios do FCPorto e do Benfica" afirma. Mas temos mais meios que Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães Olhanense, Nacional e Beira Mar e Vitória de Setúbal, não? E convém lembrar a Maniche que nenhum dos nossos rivais gasta dinheiro a contratar jogadores em fim de carreira. Talvez por essas e por outras o Sporting não tenha os meios dos rivais. E depois quem é o Maniche para vir dizer quem são os verdadeiros ou falsos Sportinguistas?

O convite do Partizan de Belgrado para a comemoração dos seus 65 anos, a par do Real Madrid é uma honra que digna de nota e deve-se ao facto de termos sido o primeiro adversário dos sérvios nas competições europeias. Convém lembrar que o Sporting gozava então de tal prestigio que foi convidado para participar na primeira edição da Liga dos Campeões mesmo sem ser o campeão em título. Continuando no caminho que levamos, quem se lembrará de nós quando voltarem a passar mais 54 anos?

Dias da Cunha pedia ontem tempo para Bettencourt, Costinha e Paulo Sérgio. A Paulo Sérgio o Sporting já lhe deu um tempo que não tinha. A Bettencourt e Costinha pede-se que ajam a tempo de evitar que a situação se degrade ainda mais. Por exemplo que impeçam a renovação automática de Maniche, se os números de que falam forem verdadeiros. Que, ao invés de renovar com Abel, promovam João Gonçalves, antes de cair em tentação de, com o seu valor, acertar as contas do dinheiro que ainda deve ao SCBraga. E que aproveitem o tempo que resta para não perder a próxima época também.

O Sporting passa a controlar "80,476 por cento do capital social e dos direitos de voto". Dentro da lógica das sociedades anónimas e da necessidade de capital que a SAD tem, a concentração de capital não parece uma boa noticia.


NOTA: À semelhança do que vimos realizando anteriormente, mais logo será publicada uma crónica de um leitor deste blogue, para a qual chamamos desde já a atenção.

Notas televisivas

Olhei de soslaio para os dois programas televisivos da noite, "O Dia seguinte" e o "Prolongamento" extraindo deles as seguintes notas:
  1. A inegável grandeza do Sporting. A sondagem telefónica hoje realizada bateu todos os recordes do ano, conforme foi anunciado pelo pivot. Mais do que o resultado da sondagem é esse número, mesmo que abstracto, que me parece importante reter. Onde anda tanta gente a quem o Sporting ainda interessa, e porque se ausentaram,  deveria ser o que os responsáveis deveriam querer saber.
  2. Notória e notável "conversão" de Eduardo Barroso. Mesmo que tendo origem em motivações pessoais, e sem a profundidade necessária na argumentação, assinale-se.
  3. Por fim o resultado da sondagem, que, entre um questionário pouco claro, "determinou" a saída de Bettencourt e a realização de eleições antecipadas. Um cenário que, a acontecer, implicaria a demissão voluntária do actual presidente, uma vez que, pelo menos por agora, não se vislumbram qualquer movimento gerador de uma AG destina a depor os orgãos sociais.
Este último ponto sugere-me um comentário.

Se tal acontecer isso seria o sinal evidente que, no espaço de apenas 5 anos, os Sportinguistas se engaram na escolha do seu presidente.  Um presidente não sai porque se enganou na escolha do treinador, sai porque não se sente competente para resolver tudo o resto. Depois de Dias da Cunha, seria o 2º presidente a abandonar a cadeira juntamente com o técnico que escolheram. Embora o caso de Dias da Cunha seja diferente da situação vivida no presente, se atendermos a que José Peseiro tinha acabado de levar o Sporting a uma final europeia e tinha sido vice-campeão e, lembre-se e pasme-se, foi o último treinador a conseguir fazer andar o Sporting no 1º lugar, no já longínquo ano de 2005. O Sporting deve ser o único clube que, quando não acerta na contratação do treinador, o presidente se auto-chicoteia.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Questões de tamanho

Sempre que o Sporting fica aquém dos objectivos a que está obrigado, surge de imediato a questão da "belenensização". Se me parece que a maior parte das apreciações são o fruto da amargura dos resultados e não são estribadas em análises devidamente fundamentadas, também entendo que, face ao que é o Sporting hoje, a questão da dimensão do clube deve ser olhada de frente e com coragem. Ao longo da minha existência vi ruir organizações, empresas, instituições e até países que pouco tempo antes aparentavam uma solidez e perenidade que a realidade havia de desmentir. Quase todos tinham como  característica comum o permanente estado de negação sobre si mesmas e a sua real situação.

Parece-me pelo menos indiscutível que este é Sporting mais pequeno que eu conheci. Não apenas por causa dos resultados do futebol ou por sermos menos abrangentes e ganhadores nas modalidades mas, acima de tudo pela atitude de resignação e conformismo de que falava ontem. É ai que se começa a definir o "tamanho" de um indivíduo ou de uma instituição: Na noção de si mesmo. E essa noção de dimensão surge inevitavelmente pela comparação com os congéneres. Um mercedes é maior que um smart. Portugal é mais pequeno que a Espanha e tem um PIB inferior,  "and so on". É aí que inevitavelmente comparo o Sporting de hoje com os nossos rivais. Se a história até hoje escrita não nos faz temer a confrontação, temo que o futuro possa ser diferente, para pior. Porque o presente revela um Sporting acomodado e talvez até pior: acha-se incapaz de fazer melhor. A situação vivida actualmente no nosso clube não poderia acontecer, sem consequências, em nenhum dos nossos rivais. Talvez comecem aí os nossos problemas e a nossa menorização.

Este é um problema que se instalou no Sporting há algum tempo e que escorre de cima para baixo, empestando o clube como um cano de esgoto roto num edifício.   Para justificar as suas próprias limitações e insuficiências, a nomenclatura que, legitimada de forma cega entre eleições e cooptações, se apossou do Sporting, quer-nos fazer crer que melhor é impossível e que os magros resultados são alcançados com grandes sacrifícios pessoais, que, diga-se, ninguém pediu. É esta a noção do uso que fazemos do cérebro que está neste atestado de menoridade intelectual que hoje nos passa Dias da Cunha, no "Jogo". O problema são sempre os mesmos que "só se querem servir do Sporting para benefícios pessoais e dar poucas horas ao clube". Nunca de quem toma decisões. Esses estão sempre "corajosos e determinados" uns pobres coitados, vítimas de facínoras que só escrevem, falam e têm mau perder.

É essa noção dos adeptos que tem também Bettencourt. Antes de viajar para Belgrado deixou as papas e bolos para os tolos. Como vem sendo costume, na Bola. JEB "reconhece que os resultados estão muito aquém do exigido mas é avesso a mudanças radicais. Compreende que não é fácil reverter a situação de um ano para o outro." Reconhece mais uma série de coisas, menos o essencial: antecipa receitas, gasta mais, coleccionando resultados miseráveis atrás de resultados miseráveis. E quem "reconhece mérito ao trabalho do treinador e do departamento de futebol, apesar dos maus resultados persistirem" revela a percepção e clareza de raciocínio de um náufrago em alto mar.

Mas deixou ficar os bolos. Isto, claro está, se o mercado for mais compreensivo do que os adeptos, os postes, etc, etc. O que Bettencourt devia reconhecer era que esta época já era, que este treinador não serve, e que, se não quer perder a próxima, já devia estar a pensar nela. E talvez deva reconhecer que não "jeito para a coisa", afastando-se antes de fazer ao seu sucessor o que lhe fizeram a ele: entregar um presente armadilhado sem tempo nem espaço para despoletar.

Dias da Cunha pede tempo para o "trio maravilha".  Tempo que não me importaria de dar se reconhecesse nele qualquer sentido estratégico, uma ideia condutora que ligue a letra com a caneta. Porque o coitado do presidente faz sacrifícios pessoais, porque o Costinha é um Sportinguista genuíno, ao contrário dos críticos, claro. Isto apesar de só agora ter querido o Sporting, que foi quem se lembrou dele, apesar de ter sido "fundamental no balneário do FC Porto e da Selecção Nacional". Paulo Sérgio precisa de ainda mais tranquilidade, apesar de esta lhe ter concedida desde o inicio da época, quer pelos adeptos quer pelo calendário, cuja sorte entretanto desperdiçou. Afinal o AVB é que tem de se acautelar, não nós que estamos 13 pontos, e perdemos com grandes e pequenos.

É este o tamanho da consideração que esta gente tem pela nossa inteligência.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Hoje é domingo mas tenho olheiras até à nuca

Já não são as derrotas, como a de ontem e a consequente eliminação, que me tiram o descanso. Há muito que a minha alma leonina se habituou a senti-las e a pressenti-las, o que, convenhamos, no actual estado de coisas, nem pode ser considerado grande façanha, ou acto visionário. Este ano em particular, antecipar o nosso destino tornou-se mais fácil do que reconhecer as estações do ano, com ou sem as alterações climáticas. O nosso insucesso é agora um valor seguro para qualquer apostador, mas paga pouco, como é óbvio.

É óbvio que é preocupante ter hoje no Sporting um treinador que, ao contrário das evidências, é capaz de dizer que "jogamos bem" ou "estamos a viver um bom momento"com o clube a 13 pontos do primeiro lugar. Ou um director desportivo incapaz de agir, preferindo manter os erros do que corrigi-los, porque não sabe mais ou por orgulho. Ou um presidente inerte perante o fim da época sem a termos sequer iniciado verdadeiramente. Como também é preocupante que eles decidam agir: o seu histórico não nos dá descanso de não serem ainda capazes de fazer pior. Mas já nem é isso que me tira o sono.

O Sporting vive o seu segundo mais longo inverno, mas quiçá o mais duro de sempre. Há em torno do clube uma atmosfera de fim de tempo, de resignação e conformismo. Nesta longa e gélida travessia, que muitos desistiram já de acompanhar,  são inúmeros os problemas que se adensam no ar, retirando dos Sportinguistas a mais ténue linha de esperança no horizonte.
O Sporting vive da inércia da grande instituição que foi. Nessa conformidade é fácil de perceber que antes de alguma coisa melhorar, ainda vai ter que, de forma inevitável, ser pior. O que é pior é não sabemos o que será esse pior. É isso que me tira o sono. E por isso, mesmo sendo hoje Domingo e dia de descanso, tenho olheiras até à nuca.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Afinal era apenas o final

Uma coisa é perceber que da forma como o Sporting joga os maus resultados podem acontecer a qualquer momento, outra bem mais dolorosa é assistir ao desperdício das capacidades que ainda dispomos e que são mais do que suficientes para não perdermos pontos e jogos com equipas que nos deveriam ser inferiores.

Quando, na passada quinta-feira, assistia no limite da irritação ao Pontapé de Saída, na RTPN, aos comentários do benfiquista Álvaro “six-fingers”, estava longe de imaginar que teria hoje que lhe dar razão, quando afirmou que os jogadores do Setúbal e do Sporting se equivaliam em valor. Infelizmente é assim porque o talento dos nossos jogadores é triturado pela ignorância e pela falta de qualidade com que são orientados, nivelando por baixo a sua valia, anulando-os. A reacção à desvantagem foi confrangedora, aos repelões, sem o mínimo de qualidade de jogo colectivo. O golo foi como podia ser, de mérito exclusivamente individual.

Olegário fez o que pôde, como é seu costume.

Paulo Sérgio dizia que para nós este jogo era a final da Taça. Afinal era apenas o final.

Vitória de Setúbal - Sporting

V. SETÚBAL: Diego; Collin, Ricardo Silva, Valdomiro, Miguelito; Silva e Hugo Leal; Ney Santos, Neca, Pitbull; Jaílson.

Suplentes: Getúlio, Anderson do Ó, Zé Pedro, François, Zeca, Sassá e Henrique


SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Carriço, Polga e Evaldo; Pedro Mendes, Maniche e André Santos; Valdés, Liedson e Postiga

Suplentes:  Hildebrand, Torsiglieri, Saleiro, Yannick Djaló, Zapater, Vukcevic e Abel

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