quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Reencontro Leonino

Estamos prestes a chegar ao final de mais um ano e a começar um outro novo. Para muitos é chegada a hora de fazer o balanço. Outros porém, perspectivam novas metas para 2009 e não perdem tempo com o balanço do ano que findará daqui a poucas horas. Para nós, Sportinguistas, importa fazer a ponte entre um ano de 2008 deveras complicado na vida do nosso clube e um ano de 2009 que se perspectiva ser muito importante na história do Sporting Clube de Portugal.

O ano que agora chega ao fim tem sido marcado pelo eco de alguma turbulência interna nos variados sectores do clube. No seio dos seus adeptos, sedentos de vitória e de ver o seu clube caminhar com honra e glória, aliando tradição e modernidade, algo que não tem sido fácil de se conciliar. No seio dos seus dirigentes, ávidos de protagonismo, esgrimindo argumentos em praça publica sobre quem dirigiu melhor o clube nos últimos tempos, talvez, desde a era Roquette até ao momento. No seio da sua equipe de futebol, mergulhada em variados problemas de balneário, que apesar de ter conquistado alguns títulos desportivos, tem praticado um futebol que não entusiasma muito os adeptos, cada vez mais distantes dos estádios de futebol, não apenas, mas também por isso. No seio das restantes modalidades, algumas extintas, outras órfãs de casa, que lá vão andando, ora no casal vistoso, ora no paz e amizade ou noutro lugar qualquer, longe de Alvalade.

O ano de 2009 pode ser um ano de viragem na história do Sporting. Estes e outros problemas poderão não se resolver assim do pé para a mão, mas é necessário um rumo, uma linha de orientação estratégica, uma liderança forte para que isso aconteça, sob pena de eles se agravarem, tal como a divisão existente neste momento na família leonina. Essa liderança terá que resultar de um amplo debate que promova a discussão de ideias, capazes de mobilizar e catapultar o Sporting para um novo paradigma, que una e não divida mais, porque um Sporting com glória, precisa do esforço, da dedicação e da devoção de todas as suas forças vivas. Como diz o Leão de Alvalade, precisamos de “um Congresso que construa pontes e não acentue fossos entre sportinguistas.” Precisamos de nos reencontrar com o Sporting e é preciso que o Sporting se reencontre connosco.

Por isso e porque acredito que o nosso Clube estará à altura dos desafios que se lhe colocarão, faço votos para que todos nós façamos uma reflexão do ponto em que nos encontramos e encaremos o futuro com determinação, pugnando pelos nossos valores, num paradigma de mudança rumo à vitoria e afirmação do Sporting como maior potencia desportiva a nível nacional.

O tempo urge e é preciso que nos reencontremos em torno do nosso ideal. Um ano de 2009 com saúde e repleto de sucesso para toda a família Sportinguista.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A propósito da Formação no Sporting

Algum dia tinha que vir aqui discordar duma cacifada e esse dia é hoje. Por isso caro Douglas, aqui vai:

Já o disse noutras ocasiões sempre que atiram para cima do Dep. de formação as culpas de outros. Sejamos objectivos: qual é a função da Ac. Sporting, formar adeptos ou profissionais de futebol? Parece-me que é a 2ª. Do recrutamento à formação, a Academia Sporting é actualmente uma das referências mundiais, os seus profissionais são excelentes no que fazem, e, hoje por hoje , não vejo quem melhor no Sporting execute com tanta competência as suas funções. Estão isentos de críticas? Ninguém está, e, como qualquer organização, estão obrigados a aprimorar os métodos, exercendo a auto-critica, estando atentos ao que deles se diz, aos que fazem melhor e aos resultados do seu trabalho.

Mas, sejamos justos, não pretendamos que a Academia e os seus profissionais corrijam até os erros que a Natureza não logrou corrigir (Simão, Futre), ou que se substituam aos pais, empresários, tutuores e representantes legais dos formandos, a quem também devem ser pedidas responsabilidades. Afinal falamos de jovens. O Einstein era um famoso mau-feitio e, porém, genial. Falharam os seus tutuores e formadores? Talvez...

Concordando que a Academia Sporting deve, primordialmente, formar profissionais de futebol, o que devemos exigir aos miúdos que nos representarão como profissionais? Um comportamento digno de um profissional e gratidão ao clube. Como se devem expressar esses 2 atitudes: dar tudo em campo, seja nos treinos ou nos jogos, e ter um comportamento social adequado. Não convocar os jornalistas ou dar entrevistas bi-semanais para lhes comunicar que querem trocar o Sporting pelo 1º Kilmarnock que lhes aparecer. Preferir o Sporting na hora do regresso, caso o clube lhes ofereça um projecto profissional interessante. Referirem-se publicamente ao Sporting com gratidão e carinho. Se assim fizerem nada lhes terei a apontar e o trabalho da Academia só deverá ser exaltado.

Vejamos na prática o que têm sido como profissionais os jogadores referência da formação do Sporting: existe alguma queixa quanto ao seu comportamento? Não me parece. Os melhores clubes do Mundo recrutam-nos e não será por acaso. Mais, 2 deles foram em datas recentes, considerados os melhores do mundo! Como podemos acusar a Academia de, como escola, ter falhado? Não gostando de ver jogadores formados por nós servirem de escudo noutras bandeiras cabe-nos tornar o Sporting num projecto vencedor, para que os nossos miúdos queiram aqui permanecer. Neste momento, e como profissionais, não os podemos censurar por preferirem o Barça, o Real, o ManUtd ao Sporting. Mal estaria a Academia Sporting se não incutisse nos seus formandos a vontade de ganhar: não ganhariam connosco nem nós com eles. Nem troféus ,nem dinheiro.

Mas eu percebo-te Douglas. Nós somos adeptos e preferimos olhar com orgulho para a nossa minúscula cara nas costas de um cartão de sócio do Sporting do que ter o nosso busto no lugar do Eusébio, ou um quadro em talha dourada na monumental sala de troféus do Barça, ou Milan. Preferiríamos fazer uma perninha de esfregona e balde, lavar e e secar camisolas no Sporting do que ser o Drogba no Chelsea. Preferiríamos ter a honra e a nobreza do Paulinho do que sentarmo-nos no lugar acolchoado do Calderon na tribuna do Real. Que sentimos nós, como adeptos, quando vemos os nossos adversários serem campeões europeus? Orgulho? Não me parece. Satisfação? Muito relativa, talvez por representarem Portugal. Um profissional de futebol não pensa assim. Gostaria de ser um deles. E ainda bem. Quando falo em profissionais lembro-me inevitavelmente de João Vieira Pinto. Não é sportinguista, mas deu tudo pela camisola que vestiu. E só lamento que o nosso Sousa Cintra não tenha consumado mais cedo a sua aquisição.

Mas eu compreendo-te Douglas: quem consegue entender que os fedelhos, ainda com espinhas e barba mal amanhada, se recusem a jogar onde lhes mandam, queiram rever os contratos que livremente assinaram ou, quando deviam ser os nossos porta-estandarte, vêm a terreiro dizer que o sonho deles é ir-se embora da casa onde tudo lhes foi dado porque alguém lhes oferece mais? Talvez aí tenhas razão. Mas, não sei, talvez estejamos a falar da Natureza e da repetição dos seus erros.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Sporting de risco ao meio

São por demais evidentes os sinais de que o Sporting caminha dividido. Dos quais o mais evidente são os imensos lugares vazios em Alvalade. Um enorme risco ao meio parece ter atingido o clube.

O traço que é quase um ex-libris de Paulo Bento, há muito que se projectou para lá da cabeça do nosso treinador. Para bem e para o mal PB é o rosto do futebol do Sporting. Além das questões estritamente do foro técnico, sobre ele parecem recair a responsabilidade disciplinar, as aquisições e dispensas e até a de comunicar com os média e com os adeptos. Mais que um treinador é um "manager" à inglesa. Mesmo assim os sportinguistas não percebem o porquê de tanto silêncio de PBarbosa ou de MRTelles e porque é o treinador a ter que assumir as facturas e fracturas perante a opinião pública. Era recomendável que, em casos como o das recentes declarações de Veloso, não fosse PB a vir a terreiro, dando a ideia de, entre outras, estar sentado no lugar de treinador do Sporting a tratar de um caso pessoal.

Visto assim, Barbosa parece não riscar nada, antes decalca os traços deixados por PB. MRTelles se risca é com tinta indelével, de tal forma que ninguém dá conta. Discrição é uma coisa e outra bem diferente é a ausência nos momentos necessários. Sendo um sportinguista com créditos junto dos adeptos, estranha-se o seu prolongado eclipse, em particular nos maus momentos. Soares Franco tem falado amiúde e defendido o “seu” treinador, mérito lhe seja concedido. Mas sabemos que não risca nada no futebol, o próprio já o assumiu. Os riscos estão apenas nos cheques para débito e nos cheques em branco a Paulo Bento.

Perante isto não é de estranhar que o fardo de PB seja cada vez mais pesado e sobre ele se concentrem demasiadas atenções. Preferia que o treinador se aplicasse na dura tarefa de nos tornar campeões. Que dotasse a equipa da consistência necessária para o efeito, para não andar 45 minutos sem saber o que fazer à bola. Que trabalhasse melhor os lances de bola parada, para não termos de assistir aos chutões de olhos fechados do Rochemback ou aos inúmeros cantos desperdiçados. Que pusesse a jogar os melhores e deles soubesse tirar rendimento e criar valor.

Mas o risco ao meio de PB será qualquer dia apenas um pedaço da história do nosso clube. Há porém vários riscos ao meio, quiçá demasiados, que ameaçam marcar a negro a história do Sporting e torná-lo mais pequeno. Desde logo os traços a negro que riscaram do mapa modalidades históricas como o basquetebol e pendem ameaçadoramente sobre as restantes, cujo empalidecer do risco ganhador parece ganhar forma consistente. E o pior risco ao meio de todos, que é o que delimita os diferentes lados de cada barricada formadas pelas recentes disputas. O risco da intolerância pela opinião diferente. O risco de não discutir as ideias mas sim as pessoas. O risco de divididos sermos cada vez menos e menos fortes. Pudesse o Congresso retirar ou pelo menos atenuar este anacrónico penteado ao Sporting e este valeria a pena. Um Congresso que construa pontes e não acentue fossos entre sportinguistas.Qualquer reunião magna de Sportinguistas que ignore isto é tempo perdido.

P.S.-Chamo a atenção para a interessante análise do meu "colega" do Futebol Magazine Jogo Directo sobre o rendimento dos 3 grandes. Lembro que se trata de uma análise a todas as competições e não apenas ao rendimento na Liga Sagres, daí não espelhar a actual classificação na competição.

P.P.S.- A blogosfera é uma realidade em constante mutação e obriga-nos a andar actualizados. Nesse sentido é de inteira justiça a colocação da "Dieta de Rochemback" e do "Futebol Finance" na galeria das leituras imprescíndiveis. São 2 espaços que já há algum tempo faziam parte da minha leitura regular e, cada um no seu estilo, representam o melhor que se faz na blogosfera.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Espírito Natalício

Antes que o espírito natalício de esvaia ao deglutir as últimas especialidades da época, faço questão de agradecer a todos quantos por aqui passaram. A todos os que nos desejaram Boas festas e aos que também nos deixaram palavras de incentivo. Este blogue veio para ficar e para isso conta com a determinação dos que aqui escrevem, à luz do espírito e lema que faz dos adeptos sportinguistas os mais resilientes e perseverantes. Mas faz muito mais sentido a nossa existência se soubermos congregar e respeitar as diferentes visões e pensamentos sportinguistas dos que antes e depois de nós decidiram fazer da blogosfera um espaço de reflexão sobre o clube que todos amamos. Foi nesse espírito que redigi o nosso Postal de Natal e é esse espírito que aqui desejo manter. Obrigado, meus caros!

Em contraste com a generalidade dos adeptos, os nossos atletas e equipa técnica gozam sem apreensões ou restrições financeiras os prazeres de uma paragem natalícia que, ao contrário do sempre vigorou, começa a ganhar estatuto obrigatório. Era bom que, neste período de recolhimento familiar, se lembrassem também da outra família: a família sportinguista. Dos que neles depositam a esperança de se verem representados em vontade e entrega. Da honra que é ter ao peito a camisola que já foi imortalizada por Peyroteo, Travassos, Damas, Manuel Fernandese tantos outros. Da equipa técnica, especialmente do seu líder, esperamos a percepção de que a principal missão de um treinador é potenciar os valores individuais ao seu dispor em favor de um colectivo forte. Uma verdadeira equipa, quando bem orientada, é mais que a soma das suas individualidades: é tudo isso mais a parcela que lhe é aduzida por uma liderança técnica esclarecida, que potencia as qualidades próprias, minimiza os seus defeitos, explorando os dos adversários. É importante também que perceba que um verdadeiro líder agrega à sua volta as vontades de todos quando é respeitado e somente junta indivíduos quando é apenas temido.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

(de)formação

No dia em que mais uma vez constatamos a diferente dualidade de critérios jornalísticos, quanto à denuncia veemente dos erros que a arbitragem portuguesa vai protagonizando domingo a domingo (o Sporting já viu 3 golos anulados esta época e nunca no dia seguinte certa imprensa escrita colocou o nome do árbitro em manchete), ficamos também a saber que Daniel Carriço vai prolongar o contrato com o Sporting por mais cinco temporadas, até 2015.

É uma boa prenda no sapatinho dos Sportinguitas que poderia ser acompanhada com a renovação contratual de Liedson. Mas como não sabemos como estará o mundo daqui a quatro meses, teremos que esperar para saber se podemos contar com o levezinho para lá de 2010.

O Sporting dá continuidade a uma política que tem vindo a dar os seus frutos em ambas as vertentes, desportiva e financeira. Longe vão os tempos em que os maiores talentos do futebol português (exemplos de Paulo Futre e Luís Figo) permaneciam em Alvalade desprotegidos, acabando por abandonar o lar por meia dúzia de patacas. Neste novo milénio houve uma viragem na gestão da formação dos talentos Sportinguitas, mas nem tudo corre de feição e são ainda preciso limar muitas arestas na academia leonina.

Esta escola de formação cujo o exemplo alimenta páginas de jornais desportivos nos restantes países e documentários televisivos, não pode ser encarada como uma unidade fabril, uma linha de produção, uma empresa em que o negócio passa por formar jovens com potencial futebolístico para depois os rentabilizar como activos na primeira oportunidade de negócio que surja no mercado. Há todo um trabalho importantíssimo durante a formação, que deve acompanhar os atletas em todo o seu percurso, desde o escalão inicial ao escalão sénior. De nada vale blindar as cláusulas contratuais destes jovens, protegendo-os das investidas dos tubarões sempre afoitos para facturar à sua custa, se os mesmos não possuírem um carácter baseado em valores e princípios fundamentais na vida em sociedade. Resumindo, não basta formar talentos se não se educarem homens e moldarem caracteres.

É aqui que me lembro de nomes, como Manuel Fernandes, Oceano Cruz, Carlos Xavier entre outros, grandes homens, grandes Sportinguistas, que nunca disseram que queriam abandonar o clube, nem fizeram birras ou pactuaram com qualquer acto que pudesse prejudicar o seu Sporting. Eles sentiam o Sporting como seu e é fundamental que os jogadores formados na academia leonina sintam o Sporting como seu. Isso só é possível sentindo a mística do mágico Sporting. Por isso, eu pergunto, onde andam estes homens capazes de transmitir essa mística como ninguém? Porque não empregam eles o seu saber na academia do Sporting?

É preciso entender bem aquilo que se passa neste momento com os frutos da árvore leonina. Aurélio Pereira certamente que não deve estar contente. Dois dos seus meninos, segundo a imprensa, estão em confronto aberto com o treinador Paulo Bento. Impávidos e serenos, os Sportinguistas assistem a este chorrilho de situações desagradáveis para o nosso clube e que sem duvida nenhuma são deveras prejudiciais ao alcance dos objectivos traçados para a presente temporada. Não sei quem terá razão, mas sei que António Veloso, prestou um péssimo serviço ao seu filho e ao Sporting, o que não admira nos tempos de hoje, fazendo lembrar os pais que acorrem às escolas para insultar os educadores que repreendem os seus filhos. António Veloso, tal como Manuel Fernandes, Xavier ou Oceano, foram sempre gratos aos seus clubes. Só por isso, deveria transmitir ao seu filho que a ingratidão é dos sentimentos mais ignóbeis que um homem pode ter.

Bom, não vos maço mais neste tempo de paz e de união familiar. Queria, a exemplo do meu conterrâneo aqui do norte, o Leão de Alvalade, desejar a toda a família Sportinguista, um Feliz Natal e um Bom Ano Novo, com muita saúde e repleto de êxitos desportivos.

Um abraço fraterno a todos os leões.

Feliz Natal

Chegou o Natal! Um momento tão mágico que transforma a habitual indiferença com tratamos os mais necessitados, em atenção e empenho, que dura o tempo suficiente para nos aliviar a consciência. Nem um pouquinho mais, nem um pouquinho menos. Dito isto no tempo exacto e suficiente para me aliviar a consciência e ficar com a ideia que me preocupo, aproveito para formular os votos de um Feliz Natal a todos os que, na blogosfera, me servem de referência ou cujo relacionamento acabou por nos tornar mais próximos (mesmo correndo o risco de me esquecer de alguém):

Em primeiro lugar para o Capicua101, cujo sportinguismo vivido à distância me inspirou e acabou por torná-lo no mentor involuntário deste blogue, que vive com paixão e intensidade o Sporting. Depois para a Tite, essa Leoa Assanhada, que me incentivou ainda "isto" era um recém-nascido. No mesmo rol ficam incluídos o Sousa Cintra, um cacifeiro, que foi dos primeiros a deixar uma palavra de apoio, lembrando que eu sonho, quando for grande, tirar do meu cacifo peças tão preciosas como as que saem do Cacifo do Paulinho. Lembro também o Leo Nino e o Paulinho Cascavel, cuja roulote pode ser a última mas cujos cachorros e bejecas são bebidos com prazer por muitos, mas ficam atravessados em alguns gorgomilhos.

Para o Sangue Leonino, o seu Leonino mentor, seus redactores e imensa legião de comentadores do espaço mais democrático e de fervoroso sportinguismo da blogosfera. Para os Centuriões, espaço identificado com a elite pensante do meu clube, a quem prometo desde já reciclar rapidamente a língua de Goethe e do meu avô materno, para vos poder acompanhar. Tenho que fazer uma menção especial ao NMB pela sucinta assertividade com que explana os seus argumentos, nos quais me revejo na generalidade, ao PLF pela inveja que me fazem os seus conhecimentos e ideias claras sobre o que deveria ser o futebol do Sporting e ao ACF pela forma dedicada e conhecimentos igualmente invejáveis sobre a escola do Sporting. Ao Mike Blitz porque não posso fazê-lo ao Vitor Damas, meu ídolo de sempre. Estendo os meus votos aos que rugem de forma inconfundivelmente leonina, em especial ao JG. Ao JVL e ao Renato pois claro, que nos dão a honra de aqui comentar.

Claro que não me posso esquecer do "Visconde", amigo da casa da primeira hora. E que sportinguista não sonha, na magia do espírito natalício, ser um "Leão da Estrela", um “Fantasma do Óculo” verde, gritar e cantar "...Até Morte" "Até morrer Sporting Allez", sempre com o "Sporting na Mente" e no "...Coração", constituir uma eterna "Sociedade Sporting"? Enfim, ser um "Leão de Verdade"!

Nesta altura não consigo deixar de saltar do quintal sportinguista, e passear pelos locais que me servem de referência por serem tão bons naquilo que fazem, por sonhar que o “A Norte…” possa ser como eles se um dia for grande. À táctica perfeita do 442, à abrangência do Sector32, à forma sábia como se faz o “Jogo Directo”, ao “Banco da Mexicana” onde não há “sub-prime” de imaginação, à pertinente classe do "Boronha", ao “…Apito” tão sinfónicamente assoprado um Natal Feliz, cheio de… propriedades! Se de prenda tiverem pérolas que sejam da qualidade das que o Bulhão Pato produz de Mãos ao Ar!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A dieta de Paulo Bento

O futebol do Sporting vive sob o signo de uma dieta apertada, em que na, maioria das ocasiões, é servido sob a forma de uma canja desenxabida: os golos são poucos, as exibições quando não são medonhas (Paços de Ferreira, Leixões) são frustrantes ou sensaboronas (quase todos os jogos restantes). De vez em quando a esquálida sopa vem acompanhada de um filete de mortadela rançoso (a eliminatória da Taça foi bem jogada, mas perdida) ou um bife de 2ª (a vitória na Supertaça). Filé mignon? Já lá vão tantos anos, que a maior parte dos sportinguistas já nem se deve lembrar da textura ou do sabor.

É esta a dieta que Paulo Bento nos serve, invariavelmente, há quase 4 anos. Passado todo este tempo a ementa permanece igual. E os sportinguistas se não gostam, comem calados e quase nem protestam. Dizem que dantes não se comia e, apavorados com a peste e a fome que alguns dizem que se instalará a seguir, preferem manter o pouco mas certo de Paulo Bento. O medo de ousar mudar parece ter-se instalado. Os sportinguistas parecem temer uma crise intestinal se lhes derem algo mais condimentado que este futebolzinho tipo pãozinho sem sal.

Chegados ao Natal, resta-nos um bolo-rei com mais favas que frutas secas ou cristalizadas. E para brindar, temos que olhar para cima da prateleira e ver uma das piores colheitas de vinho do porto dos últimos anos e a qual nem mesmo assim conseguimos alcançar. Até a canja de galinha nos é demasiado onerosa.

Enquanto isso Pedro Barbosa, fintando a realidade com a mesma mestria com que fazia de falso lento, vem com a conversa habitual para entreter sportinguistas: o que poderia o homem dizer: que o objectivo é ser campeão europeu? Ou vencer a Taça da Liga?

Já agora digam-me qual é o medo de ouvir os sportinguistas? Mais importante que a presença desta ou daquela individualidade é a reflexão que o clube necessita.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Natal pobre em Alvalade

Não há muito a dizer que não tenha sido dito já, em jogos semelhantes, com exibições semelhantes. Mais uma primeira parte deitada fora, opções técnicas no mínimo discutíveis e mais uma arbitragem à antiga portuguesa. Por partes:

As 1ª´s partes falhadas serão sem sombra de dúvidas uma das imagens de marca do consulado de PB em Alvalade. E com elas assistimos ao funeral das nossas pretensões. Olhando para a equipa inicial não se percebe porque PB mexeu tanto numa equipa que tão boa conta de si tinha dado há 8 dias. Ainda menos se percebe a insistência em Romagnoli, uma verdadeira nulidade, um peso morto. Com a equipa a jogar com os seus sectores completamente desgarrados, não vi um único lance em que os avançados tivessem sido bem servidos. Quando PB decidiu rectificar já foi demasiado tarde. Vuckcevic, Veloso e Djaló, os 1º´s 2 seguramente, já deviam ter entrado de inicio. Com tudo isto, por momentos pensei que a eliminatória da Champions tinha sido antecipada: a Académica jogava em todo o terreno, quase de igual para igual. E não tem Luca Toni, Altintop, Ribery, etc…

Por último a arbitragem. Não foi só má na 1ª parte. Percebeu-se durante o jogo que seria sempre contra, em caso de dúvida. Foi até mais longe, decidindo contra nós até quando não havia dúvidas. Habilidoso, ao jeito de Paraty, Paulo Costa, Izidoro Rodrigues e outros que aprenderam na mesma cartilha.

Ainda sem saber os resultados que farão os nossos adversários é claro que não subiremos lugar nenhum e arriscamo-nos a cair para 5º lugar, com 11 jornadas disputadas. Quanto é que os sportinguistas terão que continuar a engolir em seco e recusar-se a perceber que assim não vamos a lado nenhum? PB compareceu na flash-interviu como se acabasse de jogar uma sueca com os amigos e que até não tinha corrido nada mal. PB sente-se tão seguro quanto acima de qualquer reparo. Até quando? Quantos mais anos precisará para construir uma verdadeira equipa, capaz de ganhar um campeonato? Vem aí mais um Natal pobre em Alvalade.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Leões contra ursos

Ocupando actualmente o 2º lugar, atrás do fantástico Offenheim, um clube cujo percurso deveria fazer meditar muito dirigente de futebol, o nosso adversário nos oitavos de final é o Bayern München.

Vamos defrontar uma das equipas mais difíceis que nos podia calhar, mas dava um rebuçado a quem avinhasse a equipa que mais nos convinha. Calhou-nos um dos colossos do futebol europeu, que na minha adolescência tinha uma máquina de jogar futebol, enchendo o seu salão nobre de tudo o que era troféus, e servindo de suporte às grandes conquistas da selecção alemã. Sepp Mayer, Beckembauer, Honess, Muller, etc, eram temíveis e temidos em toda a Europa.

O Bayern é hoje uma equipa recheada de grandes jogadores, sobretudo no meio-campo (Ribery, Altintop, Zé Roberto, Van Bommel, Schweinesteiger) e no ataque (Luca Toni, Podoolsky e Klose). Tal como já afirmei anteriormente, não adianta lamentar o sorteio, sob pena de nem merecermos a sorte e a distinção que é estar nesta fase da melhor e mais prestigiada competição de clubes do mundo. E antes defrontar o Bayern do que arriscarmos a mesma sorte com adversário de menor valia e reconhecimento internacional. É destes jogos que os jogadores gostam, são estes jogos que fazem acorrer os adeptos e são estes jogos que podem fazer mudar o nosso reconhecimento no exigente areópago do futebol.

O clube da capital bávara tem como mascote um urso. Esperemos que façam eles a respectiva figura e nós lutemos como leões. Encarar este jogo encolhidos e subservientes ser-nos-á fatal. Um bom jogo para muitos dos nossos jovens jogadores demonstrarem de forma irreverente a sua grande qualidade. Estou em crer que vai haver uma delegação em peso do “A Norte…”

Mas antes das luzes da ribalta temos aí o campeonato. É bom que a equipa não se distraia e estude bem a lição para amanhã: vêm aí os alunos da Academia coimbrã e devemos dar-lhes bons exemplos...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Dos pregos e martelos ao charuto e limusine

Tal como prometido ao nosso amigo Renato - um sportinguista de Sines (belas caldeiradas, pois claro, e nem todas com peixe…), de fé inabalável - proponho a reflexão sobre a fraca assistência do passado domingo. Como o Renato muito bem assinalou, a hora, o dia, o adversário e o boletim meteorológico aprazados para o jogo eram desde logo um convite para os sportinguistas ficarem em casa. A importância reduzida desta fase e da própria competição também não ajudou muito. A época pré-natalícia, com demasiadas solicitações à já de si estafada carteira (depauperada, quiçá…), e com os cartões de crédito de muitos a atingirem o ponto de ebulição, concorreram também para que não chegassem a 8.000 os presentes a uma das melhores exibições da época. Importa pois saber porque jogou o Sporting àquela hora quando é do senso comum que, nas condições aduzidas, o espectáculo seria pouco apelativo.

Tenho poucas dúvidas que foram os interesses de uma transmissão televisiva que se sobrepuseram a quaisquer outros. Aceito que é uma receita que não pode ser negligenciada, duvido é que a hora do jogo fosse a única que a possibilitaria. O nosso presidente já se declarou interessado em testar a adesão dos adeptos a jogos a horas mais civilizadas, propondo-o de forma bem sustentada, como se pode ler no nosso arquivo “Apoio ao Norte”. Porque não se disputou então o jogo ao fim da manhã / inicio da tarde de domingo?

Duvido que isso alguma vez venha a ocorrer, pelo menos com o acordo da empresa detentora dos direitos televisivos. Porque obviamente que tal não lhe interessa. Detentora em grande parte da SportTV, que pelas mesmas horas tem um produto de grande audiência que é a Premier League, quem gere a Olivedesportos sabe que aqui em Portugal o interesse pelos 3 grandes sobrepõe-se ao de qualquer clube extra-muros e até à selecção nacional. E, como detém em exclusivo as transmissões nacionais, (e por muitos anos), dita as regras que lhe convém e não as que interessariam aos clubes. Aparentemente isto seria um contra-senso, dirão vocês, porque interessaria satisfazer os clubes, a quem compra os direitos. Passo a explicar:

Na mesma altura, na entrevista dada ao Record, chamou-me a atenção o comentário de FSF sobre as benfeitorias prestadas pela Olivedesportos aos clubes. Julgo que, acima de tudo, se referia aos adiantamentos que aquela empresa foi concedendo aos clubes. Não vejo a Olivedesportos com a capa de boa samaritana. Vejo-a no mesmo papel que hoje fazem os bancos quando emprestam desmedidamente a clientes e ainda lhes oferecem cartões de crédito: há quem chame a isto estratégia de fidelização, eu digo que é a asfixia. Não ao ponto de matar a galinha dos ovos de ouro (os clubes), concedamos-lhe a esperteza, mas de a manter ligada a uma máquina onde lhe controla os batimentos cardíacos e a respiração. Sabemos quão gratos são os doentes nestas condições… Na verdade, ao adiantar as receitas vindouras, a Olivedesportos não auxiliou os clubes mas apenas a si própria, contando com a conivência de direcções de vistas curtas e gestões ruinosas.

Hoje os clubes sobrevivem graças à loucura e paixão de muitos adeptos como o Renato, o Leão Transmontano e todos vocês. A Olivedesportos de há muito tempo para cá que é muito mais que 2 ou três gajos de pregos e martelos na mão, (vocês sabem do que eu estou a falar...) e, se o futebol acabar, nem darão por isso. O império cresceu enquanto o nosso futebol foi mingando até à indigência. Estranho não é? Claro que não!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sporting Clube de Portugal

É público e notório que existe hoje um certo mal-estar no Sporting Clube de Portugal. Um mal-estar nos seus sócios, cansados, desrespeitados, entristecidos por verem o código genético do clube a deteriorar-se de dia para dia, nos seus dirigentes, entretidos em presentearem-se com farpas sobre quem geriu melhor ou pior os destinos do clube e para completar o ramalhete, nos seus atletas, uns que não comemoram os golos que marcam, outros que não jogam nas posições que gostariam de jogar, outros que se querem ir embora, enfim, um chorrilho de situações, que fazem com que este conflito seja indisfarçável e se generalize a todo o clube.

Há muito que este mal-estar reina e divide em Alvalade. Não podemos nem devemos continuar a ignorar este sentimento, que encontra o seu maior reflexo no problemático afastamento que paulatinamente os adeptos e sócios vão demonstrando, em minha opinião, como forma de protesto.

O Sporting entrou num novo ciclo da sua longa história com a inauguração do novo estádio e da academia de futebol, duas infra-estruturas vitais para o futuro do clube, enquanto entidade desportiva, cultural e social, no mundo global em que hoje vivemos. Cheios de orgulho e esperança, os Sportinguistas recordam apaixonadamente o dia 6 de Agosto de 2003, sentindo que nesse dia começava uma nova etapa, uma nova era, um novo rumo na senda do progresso, da modernidade, sem no entanto se descurarem a tradição e a honra do Sporting Clube de Portugal.

Não me parece correcto relacionar ou apontar a inauguração do novo recinto com o início desse mal-estar. Seria retirar o prestígio, consideração e respeito que a nossa casa nos merece. Mas a verdade é que desde essa altura que assistimos a uma série de factos nada condizentes com a nossa esperança.

O Sporting Clube de Portugal, deu lugar única e exclusivamente ao Sporting. O velho José Alvalade deu lugar ao Alvalade XXI. Vivemos na era das alvalaxias, das gamebox, dos packs, dos tbz projectados nos artigos do clube. A par disto, a estratégia de comunicação do clube com os seus adeptos, passou a ser de tal forma informal, que custa a acreditar que a mesma também se destine a uma grande fatia de sócios, com idade para não serem tratados por tu. Resumindo, o Sporting passou a ser gerido como uma marca e não como uma instituição centenária. Não se conseguiu aliar a modernidade que efectivamente o clube carecia com a tradição de um clube centenário que deve preservar as suas memórias e identidade.

A par disto, aquando da construção do novo estádio, fruto da complexa situação económica e financeira do clube, que ainda hoje se verifica, foi tomada a decisão de não se construir um pavilhão desportivo, outrora símbolo do ecletismo do clube, imagem de marca do Sporting Clube de Portugal. Esta foi porventura a decisão mais errada na vida do clube, cujas consequências estão à vista de todos. Acabaram as romarias a Alvalade, nas tardes e noites em que os adeptos afirmavam o seu orgulho leonino através do ecletismo e com isto esbateu-se parte da alma do Sporting.

Ainda me lembro, quando vivi em Lisboa, de ter que me deslocar ao pavilhão paz e amizade em Loures, para ver os jogos de futsal. Um vexame, um desconforto, uma dor de alma, para os sócios do Sporting, em casa emprestada, acto nada digno de um clube com os pergaminhos do Sporting. Não bastava a malta ainda estar a habituar-se ao facto de já não ter ali o treino em Alvalade, parece que ainda estou a ver os sócios mais velhotes, naquela primeira época após a inauguração, meio perdidos e desorientados na alvalaxia, expressando nos rostos a saudade daquilo que perceberam que lhes roubaram e que hoje é tão evidente, o espírito leonino, a mística do mítico Alvalade.

Os 246 núcleos, as 23 delegações e demais associações do clube, perderam fulgor e a vida de outros tempos, transformando-se, salvo honrosas e meritórias excepções, em meras colectividades onde os adeptos se reúnem apenas para beber umas cervejas e ver a bola que cada vez passa mais tarde na televisão. Estas fontes de vida Sportinguista, que dão expressão nacional e mundial ao grande Sporting Clube de Portugal, deixaram de ter qualquer importância nos destinos do clube, como aliás, a maioria dos sócios, que se sentem distantes, inúteis, sem voto na matéria.

Nós queremos Alvalade pintado de verde e branco, com o símbolo do clube e o nome Sporting Clube de Portugal estampados nas bancadas. Por muito bonito que seja, Alvalade não é o municipal de Leiria ou o municipal de Aveiro, para ter cadeiras às corezinhas. Nós temos a nossa cor, que é a nossa alma, a nossa esperança, a nossa fé, a nossa força verde e branca.

Nós queremos um clube moderno, no mundo globalizado em que vivemos, mas que não descure a tradição e a memória do tempo. Que afirme os valores do ecletismo como marca oficial dos nossos valores e princípios desportivos.

Nós queremos que os núcleos, delegações e demais associações do clube passem a ter um papel mais activo na vida e nos destinos do clube, sendo necessária uma reestruturação organizacional e estatutária para que isso aconteça. Os núcleos não devem servir apenas para se ir colher calor humano nem para proferir farpas para o interior do clube. Os núcleos são a alma do clube e maior fonte de crescimento do mesmo.

Nós queremos o Sporting Clube de Portugal de volta e com isso, a mística do mítico e mágico Sporting. Esta era provavelmente a resposta a uma de tantas questões que ficaram por fazer no famoso inquérito aos sócios.

Não estou contra ou a favor do actual elenco directivo. Não são certamente os culpados de todo este mal-estar que se apoderou do nosso clube, patente nos demais conflitos internos. Precisamos de um amplo debate, onde se façam ouvir todas as vozes da família Sportinguista. O que é hoje o Sporting Clube de Portugal? O queremos continuar a construir? Que legado queremos deixar aos nossos filhos e netos? É deste debate que deve sair um consenso, uma via, capaz de nos pacificar internamente e dar a força necessária para definitivamente conquistarmos a glória. O Sporting vai viver um ano de 2009 decisivo para o seu futuro. Não sei se o Congresso servirá para abordar estes e outros assuntos cruciais para o clube, ou se não será uma oportunidade perdida para debater o Sporting Clube de Portugal.

O mais importante neste momento é pensarmos o que cada um de nós pode fazer para ajudar a acabar com este permanente conflito em que vivemos, sob pena, de ele se agudizar de tal maneira, que o Sporting Clube de Portugal precise mesmo de ser salvo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tiro no escuro

Ontem o Sporting entrou com todos os pés na Taça da Liga, despachando de forma convincente um Marítimo com bom toque de bola mas demasiado macio. E não haveria mais nada a dizer sobre este jogo não fora a saída pela esquerda baixa de Paulo Bento.

Confesso que não consigo perceber o alcance ou os visados pelas suas declarações. Independentemente da assunção da minha ignorância ou da eventual falta de perspicácia, reprovo completamente este tipo de declarações enigmáticas, por abrirem um campo ilimitado à especulação dos adeptos e sócios, que até é legitima, depois das afirmações de PB. Por alimentar a pira onde os jornais nos gostam de pôr a arder. Por, ao não dar os nomes aos bois, permitir que todos os jogadores - aqueles que ele veladamente acusa, mais os cumpridores - sejam carne para a picadora. O balneário é o local ideal para estas questões serem tratadas, e não apenas para tomar banho depois dos jogos.

Lembro-me de Paulo Bento apontar os dedos aos bufos, na época passada. Paulo Bento ontem bufou não se sabem muito bem quem nem porquê. Prestou um mau serviço à equipa que orienta, da qual tem sido líder de mão de ferro. E desbaratou um dos poucos créditos transversais às mais diversas correntes de opinião entre os Sportinguistas, que são as suas qualidades como homem de coragem, ou, se preferirem uma expressão que os sportinguistas muito usam para o caracterizar, “dá o peito às balas” e que não tem medo de dar nome aos bois.

Ontem disparou no escuro e aos poucos ficaremos a saber quais são as baixas e os danos colaterais. Oxalá não seja atingido pelo ricochete. Começo a acreditar nos que dizem que o balneário de Alvalade mais parece um cenário dos Balcãs…

sábado, 13 de dezembro de 2008

O Salvador

O presidente do meu clube afirmou que salvou o Sporting e, embora não tenho dito de quê, presume-se. Não acredito em sebastianismos e dificilmente vejo um indivíduo apenas salvar uma organização inteira.

Parece-me também difícil que se possa considerar o Sporting salvo quando ao mesmo tempo se reconhece que, seja lá quais sejam as razões, e são muitas e diversas, a grande maioria dos adeptos evitam o clube ou pelo menos alhearam-se dele. A continuar assim o Sporting não foi salvo. O Sporting grande, que todos nos lembramos e queremos, terá morrido e outro Sporting qualquer tomou o seu lugar. Esse Sporting grande, que todos queremos e cremos não será nunca salvo da modéstia de horizontes por um homem só. Mas acredito que, com uma liderança forte, que cuide do maior património que o Sporting tem e que são os Sportinguistas, o Sporting conseguirá manter-se no trilho idealizado pelo seu fundador.

Para mim os balanços fazem-se no fim. Há que saber onde estávamos e onde chegámos no plano económico-financeiro e desportivo. Quantos éramos e quantos somos. Até para que a minha apreciação seja justa. FSF preferiu até agora a SAD ao clube e creio que terá percebido finalmente que sem os sportinguistas não há Sporting. Os accionistas querem lucro e os Sportinguistas querem um Sporting fiel aos seus principios e cultura.

Pode ler no “Apoio ao Norte” a entrevista de FSF, onde ele explica a sua teoria. Se quiser deixe o seu comentário para debate.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A aventura Europeia

Terminou a 1ª fase da Champions League e esta é a altura indicada para reflectir sobre o nosso desempenho e projectar o que aí vem.

O facto mais importante a realçar é, inevitavelmente, o apuramento para a fase seguinte. Era um dos objectivos da época, era um anseio de todos os sportinguistas. É pois 1 momento de regozijo. Se, após o sorteio, conseguisse adivinhar este resultado declarar-me-ia satisfeito e é satisfeito que estou. Não vejo motivos para euforias mas também não imagino nenhum sportinguista deprimido com o feito. Na fase agora finda conta essencialmente a regularidade com que se alcançam os pontos e isso foi um facto. Os únicos factos menos positivos são os resultados com o Barcelona (lá até nem nos podemos queixar da sorte…) e exibições titubeantes, ou, servindo-me de uma expressão aqui usada pelo caríssimo JVL, bipolares: esta equipa continua a conseguir, no mesmo jogo, subir e descer de patamar exibicional tão rápido como 1 elevador de arranha-céus.

Outro facto que me parece igualmente indesmentível e que está ligado às últimas linhas do parágrafo anterior é que, na eliminatória que se segue, Paulo Bento tem que conseguir estabilizar o tal elevador nos andares superiores. Isto é, a equipa vai ter que conseguir subir a qualidade do seu jogo, diminuindo a sua intermitência, e dar uma resposta mais competente do que a conseguiu até agora com os adversários mais fortes com que se cruzou, seja no Liga, na Taça ou na Champions. Porque, como sabemos, perdeu todos os confrontos. Não deixa de ser estranho que não se tenha sentido até agora que a equipa, e os jogadores por si, não se galvanizem com os grandes jogos. A excepção foi o jogo da eliminatória da Taça de Portugal, embora o resultado tenha sido idêntico aos outros jogos referidos.

Só na próxima semana se saberá o adversário que nos calhará em sorte. Mas há condições que já se podem antecipar: não haverá nenhum Basileia pela frente e os adversários estarão mais próximos das dificuldades impostas pelos catalães do que pelos suíços. Também não tenho dúvidas que os adeptos do clube que nos calhar em sorte julgar-nos-ão suíços e pensarão que lhes saiu sorte grande. Cabe-nos a nós todos, à equipa em particular, entregar-lhes o bilhete da terminação e segurar a sorte grande com os pés, a cabeça, as mãos e, se preciso for, com os dentes. Exige-se a todos, à equipa em particular, uma mentalidade de conquista, sem subserviências ou complexos de inferioridade. A história não joga mas nela podem-se recolher lições de vida. Por exemplo, quem acreditaria que após perdermos por 4-1 em Manchester daríamos a volta em Alvalade, ganhando por 5-0, e estaríamos de azimute apontado para a final da Taça das Taças, a nossa grande conquista internacional no futebol? Venha quem vier que encontre um Sporting à Sporting. Clube de Portugal!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A neve de Basileia

Numa noite de inverno em que choveu copiosamente durante toda a partida, tendo mesmo chegado a nevar com alguma intensidade, o Sporting foi a Basileia conquistar a sua 19.ª vitória em 64 partidas disputadas na competição de clubes mais importante do futebol europeu. Com esta vitória, o Sporting soma 12 pontos num grupo em que apenas perdeu com o poderoso Barcelona, passando pela primeira vez a fase de grupos da milionária prova europeia.

É preciso recuar ao ano de 1983, altura em que o clube atingiu os quartos de final da antiga Taça dos Campeões Europeus, para encontrar um registo minimamente condizente com a envergadura do Sporting Clube de Portugal, que deveria estar mais habituado à alta-roda do futebol europeu.

Felizmente que o legado de conquistas nas diversas modalidades, que gerações e gerações de Sportinguistas conquistaram com esforço, devoção e dedicação, ainda hoje nos permitem recordar a gloria, motivando-nos para continuar a acreditar nos ideais que o nosso clube sempre projectou no desporto e na sociedade.

A noite chuvosa de Basileia trouxe-nos duas partes distintas. Na primeira parte, o Sporting jogou bem, trocando a bola, explorando as linhas laterais, apresentando um futebol mais fluido do que habitualmente nos tem mostrado e criando com isso algumas oportunidades de golo. Aos 18 minutos, Yannick, aproveitou um cruzamento perfeito de Izmailov e inaugurou o marcador, culminando assim uma excelente jogada de futebol.

Paulo Bento já tinha ensaiado outro esquema táctico na parte final da partida com o Estrela da Amadora, jogando em 4-2-3-1. Hoje, embora recorrendo ao habitual 4-4-2 em losango, ficou claro que Pereirinha dá outra dinâmica ao corredor direito. Izmailov pisou os terrenos que mais aprecia, em função de Vukcevic ocupar o lado esquerdo do losango. O futebol do Sporting com estas duas pedras bem colocadas atinge outra profundidade e não se torna tão previsível.

Na segunda parte as coisas inverteram-se e o Basileia, especialmente na parte final da partida, ameaçou as redes de Tiago, que ainda teve que se aprumar, mostrando que está sempre em forma para servir o Sporting. As lesões de Vukcevic, que saiu lesionado ao minuto 40 e de Pereirinha que já não regressou do balneário após a 1.ª parte, condicionaram bastante a estratégia leonina. Abel regressou à defesa, Adrien entrou ocupando a posição 6 de Rochemback que descaiu para a direita, fazendo Izmailov regressar ao vértice esquerdo do losango, onde normalmente tem actuado. Claro está que todas estas mudanças, conjugadas com os flocos de neve que iam caindo, originaram uma segunda parte fraca dos nossos leões, ressalvando-se no entanto o espírito de entrega e de ajuda, em condições atmosféricas desfavoráveis para a prática de um futebol mais apreciável.

Não podemos deixar de reconhecer e enaltecer a campanha positiva que estamos a fazer esta época no plano europeu, cujo reflexo encontra eco nos cofres de Alvalade, que como se sabe, carecem imenso de campanhas como esta, afim de se gerir o clube com algum equilíbrio financeiro.

De um clube que não tendo sido campeão no ano inaugural da Taça dos Campeões Europeus em 1955, foi convidado para disputar o seu primeiro jogo, fruto de na primeira metade dessa década praticar o melhor futebol da Europa, há muito que se esperava uma grande noite europeia em Alvalade nesta competição. Que a noite de Alvalade seja mais quente que a de Basileia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Flashback

Quando José de Alvalade proferiu a frase que com o seu nome se eternizou, formulava um desejo e uma vontade, que nenhuma consequência teriam se, com um grupo notável de homens (igualmente notáveis per si ), não se tivesse devotado a erguer de raiz esse edifício notável que é o Sportinguismo.

Quando José de Alvalade afirmou que queria construir "um grande clube, tão grande como os maiores da Europa" não deve ter faltado quem se risse, ridicularizando quem se propunha competir com os maiores da Europa, num País cuja tradição na educação física se poderia comparar aos piores do mundo. Não se conformando com o fado luso ou dando ouvidos aos sempiternos velhos do Restelo, José de Alvalade e seus pares puderam contar com gerações consecutivas de seguidores para materializar o seu sonho.

Hoje o futebol não nos dá as alegrias pretendidas, e vivemos hoje o 2º maior jejum da nossa história, e ambos vividos na minha geração. As modalidades são cada vez menos, a sua representatividade e conquistas também. Olhando para o caminho trilhado desde o já longínquo ano de 1906, é difícil não sentir que algo se perdeu, ou pelo menos a rota que seguimos não é a que foi delineada.

Podemos refugiarmo-nos no saudosismo, polindo os troféus que testemunham a nossa glória, desistindo de multiplicar o seu número. Podemos olhar desconfiados uns para os outros, desculpando-nos connosco e com os outros. Lutar entre nós, tornando a vida fácil dos nossos adversários.

Ou, inspirando-nos na lição de José Alvalade, José Maria Gavazzo, Frederico Seguro Ferreira, Alfredo Augusto das Neves Holtreman, Fernando Soares Cardoso Barbosa, José Stromp, Henrique Almeida, Leite Júnior, João H. Scarlett, Francisco Quintela Mendonça e Alfredo Botelho, esforçarmo-nos pelo Sporting, dedicarmo-nos ao Sporting, devotarmo-nos ao Sporting. Foi assim que “Glória” se tornou um sinónimo de Sporting. Voltando a olhar para o longínquo ano de 1906, a tarefa deles era então bem mais difícil do que a nossa é hoje. Para cumprir o seu destino de grande entre os maiores o Sporting precisa apenas e só da vontade de todos os Sportinguistas. Hoje somos muitos mais que então e devemos esse esforço aos nossos antecessores, se quisermos estar à altura do seu legado.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A estrela de Vuck

O Sporting somou hoje a sua terceira vitória consecutiva perante um Estrela da Amadora recheado de leões no onze inicial, que apesar de todas as dificuldades que enfrenta na presente temporada soube ser uma equipa determinada, ambiciosa e sobretudo digna de si mesmo.

Na primeira parte o losango do Sporting sentiu bastantes contrariedades, fruto da táctica apresentada por Lázaro Oliveira que soube manietar os laterais leoninos e com isso retirar profundidade ao futebol do Sporting. Silvestre Varela, foi um autêntico quebra-cabeças para a nossa defesa, querendo mostrar aos seus antigos companheiros que também deveria ter tido pelo menos mais uma oportunidade antes de na época 2004/2005 ter sido emprestado ao Casa Pia e dai para cá nunca mais ter tido a possibilidade de mostrar o seu futebol em Alvalade. Assim, aos 5 minutos Anselmo inaugurou o marcador para os da casa, após remate forte de Varela que “ludibriou” completamente Anderson Polga ainda fora da área leonina.

Apesar da reacção ao golo do Estrela não se ter feito esperar, com Izmailov a marcar um belo golo a passe de João Moutinho, a primeira parte foi paupérrima, fruto de um futebol lento, num campo muito difícil, pelas suas dimensões e relvado pesado, onde o Sporting demorou a acertar com a táctica do Estrela, que, com os campeões Nelson e Vidigal em campo, acompanhados pelo jovem leão Celestino e pelo brilho do atacante Varela, foi uma equipa mais perigosa e determinada, tendo criado algumas situações perigosas na baliza de Rui Patrício.

Na segunda parte os nossos leões traziam a lição melhor estudada. Sem alterar o modelo de jogo e parecendo que o filme da primeira parte ia continuar, Liedson, marca um excelente golo de cabeça na sequência de um cruzamento de Rochemback. A partir daqui o Sporting soltou-se e começou a controlar completamente o jogo, praticando um futebol mais atractivo e com outra velocidade.

O momento do jogo, que deve ficar retido na memória de toda a família leonina, servindo de exemplo para o resto de uma época que todos desejamos mais tranquila do que até ao presente momento e potenciadora de um espírito de união capaz de nos catapultar para uma dinâmica de vitória, aconteceu quando Simon Vukcevic foi chamado a entrar no jogo. Estou certo que a família Sportinguista apreciou o gesto de Paulo Bento. É um sinal de união e de paz, para o interior do clube, mas sobretudo para o exterior. Foi visível e reconhecida a motivação, confiança e estimulo que o treinador soube dar ao seu atleta. Os verdadeiros homens não são aqueles que não erram, mas aqueles que reconhecem o seu erro.

Vuck soube agradecer à família leonina e a sua estrela brilhou, fazendo o terceiro golo para o Sporting.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Fora de Jogo

Estádio Municipal de Leiria, 3.ª Eliminatória da Taça de Portugal, entre a União Desportiva de Leiria e o Sporting Clube de Portugal. Aos 23 minutos, com o resultado em branco, Polga remata forte à barra, na recarga, Hélder Postiga cabeceia para o fundo das redes adversárias, fazendo o 1.º golo do Sporting, mas Carlos Xistra, árbitro da Associação de Futebol de Castelo Branco decidiu anular o tento por pretenso fora de jogo do atacante leonino, que na verdade, não existiu.

Estádio dos Arcos em Vila do Conde, partida realizada entre o Rio Ave e o Sporting a contar para 7.ª Jornada da Liga Sagres. Por volta do minuto 63 da 2.ª parte, o Sporting ganhava por 1 – 0. Liedson aproveitando a defesa incompleta de Paiva após remate forte de Rochemback, cabeceia para a baliza, mas Jorge Sousa, árbitro da Associação de Futebol do Porto, anula o golo por alegado fora de jogo, que na verdade, não existiu.

Estádio José de Alvalade, 10.ª Jornada da Liga Sagres, o Sporting recebe o Vitoria de Guimarães. Decorriam apenas 2 minutos de jogo, quando Duarte Gomes não assinala grande penalidade de João Alves sobre Izmailov, na sequência de um pontapé de canto. O melhor estava no entanto para vir, quando aos 72 minutos, Helder Postiga, após grande jogada de Pereirinha pela direita, remata para defesa fraca de Nilson, que vai buscar a bola dentro da baliza, sacudindo-a para fora, tentando evitar aquilo que toda a gente viu, menos Duarte Gomes, árbitro da Associação de Futebol de Lisboa.

A única diferença entre esta partida e as outras duas é que desta vez o golo do Sporting não foi anulado por suposto fora de jogo, porque, não restam duvidas de que há muito tempo que o nosso Clube está fora de jogo. Poderia relatar outras situações já ocorridas noutros desafios da Taça de Portugal e da Liga Profissional de Futebol na presente temporada, mas bastam estes 3 exemplos concretos para concluir aquilo que há muito tempo está decretado. O Sporting Clube de Portugal está fora de jogo.

Não era minha intenção, ainda por cima na segunda vez que partilho convosco as minhas ideias sobre o nosso Sporting, abordar a questão da arbitragem, ou do sistema em que ela se insere. Mas torna-se inevitável, especialmente porque a repercussão daquilo que se vai passando está a ser amplamente danosa para o nosso clube.

Não gosto de enveredar pelo discurso de critica aos árbitros. Eles fazem o seu trabalho, que na verdade, não é nada fácil. Os árbitros são peças de um sistema há muito implantado no futebol português. É esse sistema que deve ser criticado, desmontado e anulado, pela ética no desporto, pela verdade desportiva, pelo desenvolvimento educacional e formativo de uma sociedade que se quer saudavelmente competitiva, especialmente no plano desportivo, com regras e valores, com igualdade de oportunidades para todos os intervenientes.

O Sporting, tal como todos os restantes clubes em Portugal, na Europa e no mundo, já foi beneficiado e prejudicado pelas arbitragens. É perfeitamente natural que assim aconteça. Existem erros que se despirmos o fulgor clubista acabamos por considera-los normais. Acontecem em todas as profissões, fazem parte das vicissitudes da própria actividade profissional, acontecerão sempre apesar da evolução do homem e da ciência. Porém, existem erros deliberados, provocados, intencionais, que derivam de um sistema há muito implantado e que apenas servem os interesses de uma determinada oligarquia dominante no plano desportivo nacional.

Esse sistema levou um pequeno abanão, mas não ruiu como deveria ter ruído. É um castelo muito bem construído, cuja ocupação vai alternando, mas que jamais poderá ser ocupado por quem esteja interessado em manter a ética no jogo. Assim, quem está fora de jogo, arrisca-se às consequências nefastas que isso origina, quer no plano desportivo quer no plano financeiro. Ao invés, os ocupantes do castelo vão enchendo os museus de títulos e os cofres de dinheiro, tornando-se consequentemente mais fortes. Tudo gravita à volta disto e foi assim que o sistema se construiu, principalmente desde que as provas europeias passaram a ser cruciais para a gestão financeira dos clubes da envergadura do Sporting e seus directos competidores no plano nacional. As 14 épocas em que o nosso clube se viu privado de aceder à prova milionária, essencial do ponto de vista financeiro para o sucesso desportivo, podem caracterizar-se como o auge desse sistema.

A memória desportiva foi assinaladamente enterrada num célebre jogo realizado no Estádio José de Alvalade entre o Sporting e a Académica de Coimbra. Simbolicamente tentamos dizer que estamos fartos, cansados, frustrados de ver o nosso clube enxovalhado, desonrado e consecutivamente prejudicado, precisamente por não nos revermos no sistema instalado, no qual não queremos participar, mesmo que sejamos convidados a entrar. O Sporting prosseguiu a sua cruzada. Denunciou, apontou, ameaçou, pressionou, tentou de tudo para que o palco principal do desporto nacional não tenha cascas de banana estrategicamente colocadas para que os actores escorreguem no meio da peça.

Hoje o nosso clube parece estar adormecido, quase resignado nessa cruzada. Os adeptos e sócios de uma maneira geral, também se sentem cansados de assistir às situações descritas na primeira parte desta crónica. Já não acreditam e estão desmotivados. Essa é porventura a principal razão e pelos vistos ainda não apontada, para as fracas assistências registadas esta época em Alvalade.

Como disse, os Sportinguistas, não deixaram de amar o seu clube, muito menos de o viver na plenitude. Mas estão cansados de semana após semana verem o resultado do jogo em que o seu clube participa adulterado. A apatia é tanta, que alguns de nós, já nem manifestam veementemente aquilo que se tornou normal em Alvalade. Talvez fosse isso que Paulo Bento quis dizer quando afirmou que precisamos de criar mau ambiente a quem consecutivamente erra em nosso prejuízo.

Mais preocupante é o facto de que neste momento, o único protagonista a contestar o evidente, seja Paulo Bento, na tentativa de proteger e preservar os seus jogadores. Que motivação poderá ter o plantel leonino quando entra em campo a pensar que o seu esforço, talento e golos marcados poderão ser anulados e não reconhecidos no final da partida?

O poder político, como de resto, a sociedade em geral, assiste impávida e serena a esta situação. Condena, lamenta, mas não actua verdadeiramente onde deve actuar. Tudo parece continuar na mesma e é neste estado de coisas, que domingo após domingo, os nossos filhos vão assistindo e verificando que afinal de contas, no desporto tudo vale para ganhar, porque o que interessa é isso mesmo, ganhar, mesmo que de forma desonesta.

O Sporting, deve continuar fora deste jogo, independentemente dos custos que isso continuará a originar para o clube e os Sportinguitas devem estar preparados para isso, porque para nós, nem tudo vale para ganhar. Mas não se deve nem pode demitir de liderar a cruzada para acabar com o mal endémico que prejudica gravemente o desenvolvimento harmonioso do desporto nacional, pela ética, honra e verdade desportiva, sob pena de todos deixarmos de acreditar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O prémio de Ronaldo, a Formação e o Sporting.

O prémio ganho por Ronaldo parece-me justo. Dos jogadores que o poderiam receber foi o madeirense aquele que maior destaque teve e, quanto a mim, maior consistência exibiu durante o ano que agora finda. O número de golos marcados em todas as competições é um facto digno de realce, num jogador que joga na sua posição.

Só por má-fé se podem retirar louros à formação do Sporting. É certo que o Ronaldo de hoje não é o que saiu de Alvalade e que a exposição que lhe permite o Manchester United e o campeonato inglês não se compara a que teria por cá. Por isso alcançar tal prémio seria praticamente impossível a Ronaldo caso permanecesse de Leão ao peito . Sendo o exposto verdade também me parece indiscutível que o Ronaldo pelo qual o Manchester se interessou estava bem longe, para melhor, de ser o miúdo franzino e irrequieto que havia saído da Madeira anos antes. No Sporting, e apenas num ano, Ronaldo duplicaria os seus índices físicos, como é relatado na prestigiosa menção que a Uefa recentemente fez à Formação do Sporting. Ronaldo é assim o 3º jogador português a ser galardoado com o prestigioso troféu e o 2º da Formação do Sporting! O facto fala por si e é por isso uma medalha de mérito e de competência para todos os que trabalham naquele departamento. Bom seria que o futebol sénior conseguisse proporcionar níveis de prestígio semelhantes ou aproximados.

Infelizmente as sucessivas grandes colheitas que se alcançam com dedicação e método poucas vezes revertem a favor do futebol profissional. À excepção de Figo, que ainda fez algumas - julgo que 5 - épocas consecutivas no plantel principal, os nossos melhores produtos são “degustados” por outros. Ultimamente, com estranha e vergonhosa frequência, pelos nossos rivais de sempre. Vender cedo e a preferência não exercer não tem dado saúde e não tem feito crescer, poderia ser o ditado a caracterizar as decisões infelizes que ultimamente foram tomadas. E dizer que o retorno dos jogadores seria caro não justifica tudo, porque caros são os Kokes, Gladstones, Buenos e quejandos.

Mas não é só na gestão dos "produtos prémium" que temos falhado. Outros há que veêm abruptamente interrompidos os bons níveis revelados nas camadas jovens aquando da chegada aos seniores, e acabamos por perdê-los e perderem-se. Nesse aspecto temos muito que aprender. O Porto, por exemplo, trata as suas jovens promessas de forma muito cuidada. Começa por ser mais paciente na gestão do tempo de ligação destes jogadores à casa-mãe. Fernando Couto, Bruno Alves e Ricardo Carvalho,voltaram definitivamente já com os 24 anos feitos e depois de rodarem em diversos clubes e campeonatos. Além disso preocupa-se em oferecer boas colocações aos seus jogadores. Os empréstimos são feitos de forma cuidadosa: os salários não são divididos com os clubes receptores em partes iguais. Quanto maior for o tempo de utilização menor é a percentagem a pagar pelo clube que recebe o jogador, em moldes que a titularidade do jogador assegura quase a gratuitidade da sua presença.

É preciso explicar mais? É preciso explicar porque os nossos jogadores, sendo pelo menos tão bons como os outros, têm, em igualdade de circunstâncias, mais dificuldades em conseguir mais tempo de jogo, e por conseguinte afirmar-se? Veja-se quanto tempo tinha Carriço o ano passado no Olhanense e os seus colegas orindos da Invicta. É que, feitas as contas, até a um passado recente, os dividendos revertidos para o clube eram bem superiores aos nossos. Mais uma vez a posição do futebol sénior nesta fotografia não é a mais confortável. A forma como é gerida a entrada dos nossos miúdos na idade adulta não me parece ser a melhor, e exemplos como os de Caiado, Paim e Zezinando, por exemplo, parecem multipilcar-se. Por isso exibir a bandeira da formação tem que, urgentemente, de corresponder a maiores proveitos. Sob pena de andarmos a arrotar o que os outros comem.

P.S.- Confesso que nunca me passou pela cabeça activar a funcionalidade "seguidores do blogue". Mas hoje, antes de postar, dou de caras com um mui ilustre seguidor e vai daí não hesitei. Não deixarei de agradecer aos que se quiserem juntar. Mas ter o Bulhão Pato ali à direita (mesmo que entretanto desista eu já fiz um print-screen para a posteridade...) é para um blogger caloiro como eu o mesmo que ter o Damas a assistir às minhas estiradas nas peladinhas lá na rua onde andava de calções. Vocês compreendem-me, não compreendem?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vitória tornada fácil

Um Vitória fácil
Confesso a minha apreensão para o jogo de ontem: vínhamos de um jogo traumatizante e tínhamos pela frente um adversário a precisar de fazer um bom jogo para afastar fantasmas. Às vezes aproveitam-se os jogos com os grandes para dar a volta por cima. Acabou por ser um Vitória fácil que nos ratificou uma vitória sem contestação. A abordagem ao jogo foi aquela que nós, os adeptos, gostamos e até temos o direito de exigir: tentar resolver o mais cedo possível, enquanto há força e discernimento e não deixar para depois o que se deve fazer de imediato. Tornar fácil para que não seja dificil ou impossível. Resultado: 2 golos nos 1ºs 20 minutos, qualquer um deles resultante de boas jogadas.

Ilusionismo
O momento alto do jogo estava reservado para a 2ª parte e contou com encenação a rigor. Com o jogo quase assegurado, o Sporting começou devagar, continuou devagarinho e, quando parecia que ia parar, acelerou de repente e Postiga faz o seu 2º da noite. Percebemos então que tudo era a encenação correcta para o momento da noite: num acto de prestidigitação de alto coturno, querendo, quiçá, rivalizar com outros momentos já vistos e revistos várias vezes em Alvalade, o árbitro assistente faz desaparecer um golo, não levantando a bandeira amarela. Os adeptos do Sporting de repente acordam (alguns literalmente, se o frio não os impediu de tirar um cochilo) e não devem ter dado o seu tempo por mal empregue: uma boa 1ª parte, uma vitória tranquila, e ilusionismo: que mais razões precisamos para ir a Alvalade?...

Vitória colectiva
Não me parece haver necessidade de grandes destaques individuais. Ontem o Sporting valeu pelo seu todo. Saliento no entanto o golo de Postiga, como que a dizer que finalmente alguém percebeu como deve solicitar o 23 e também Liedson. Por falar no Levezinho, é de mim ou ele joga menos com Postiga? Seria uma pena que assim fosse, pois têm tudo para fazer uma boa dupla. Questão de sotaque? Por falar em entendimento, alguém me explica porque joga Romagnoli? Alguém imagina o que faria Moutinho no seu lugar? Para finalizar, digo que gostei de Pereirinha mas, apesar de o melhor jogo que o vi fazer pelo Sporting ter sido naquela posição, aqueles pés têm futebol para muito mais que lateral-direito. Tendo em conta os resultados anteriores para o campeonato em casa e o jogo da passada quarta-feira, perdoa-se o menor fulgor da 2ª parte. Mas não deixa de ser preocupante a tendência que a equipa tem de se refugiar no controlo do jogo, como se a bola, o adversário e até os erros individuais fossem passíveis de ser controlados de forma absoluta.

Ensaio sobre a cegueira
A arbitragem esteve dentro do que lhe é exigido. Exigido não pelos adeptos do futebol mas por quem puxa os cordelinhos da arbitragem. Um penalty escamoteado logo aos 2 minutos, um golo que não foi, porque eles não estão lá para outra coisa, muito menos para enganar ninguém. A mim pelo menos não enganam. Muito menos esse artista português chamado José Lima. Ao lado dele Houdini seria apenas um aprendiz de feiticeiro.

sábado, 29 de novembro de 2008

Apresentação

As primeiras palavras são para o Leão de Alvalade pelo honroso convite que me fez para participar mais activamente neste espaço leonino, concedendo-me a oportunidade de partilhar convosco, a forma como vejo, sinto e vivo o nosso grande Sporting.

Quando visitei pela primeira vez este espaço não lhe pude ficar indiferente, nem encara-lo como mais um blogue onde se debate a vida do nosso clube. Para mim, enquanto sócio do Sporting no norte do país, este espaço assumiu uma elevada importância no mundo Sportinguista, porque contribui para uma salutar partilha de opiniões, estratégias, ideias e reflexões sobre o Sporting Clube de Portugal, a norte de Alvalade, onde existe uma incrível, dedicada e vibrante massa adepta do nosso clube.

Apesar de ser natural de Trás-os-Montes, vivo por razões profissionais na cidade do Porto. Aqui nem sempre é fácil ser-se Sportinguista. Mas respeitam-nos e de certa forma, têm por nós uma certa admiração. Aqui é-se leão por convicção, porque os valores do Sporting Clube de Portugal, são um lema de vida, uma forma de estar, sentir e agir, são, efectivamente uma crença.

Também vivi em Lisboa durante 7 anos. Precisamente nos últimos anos do antigo Estádio José de Alvalade e nos primeiros anos do novo palco de emoções. Por todo este percurso, conheço leões de todos os pontos do país, como devem calcular. Ainda na quarta-feira, quando me dirigia para Alvalade encontrei um leão de Benavente, que já não via há um bom par de anos. Esta visão transversal do Sporting permite-me dizer que somos efectivamente os adeptos mais dedicados e mais especiais.

Não há crises de militância. Os Sportinguistas não renegaram o clube, não deixaram de ser e sentir o seu clube. Mas é preciso encontrar as razões que levaram muitos Sportinguistas a interagir com o clube de uma forma mais distanciada ou menos presente. As Assembleias Gerais são menos participadas, os estádios não estão tão coloridos de verde e branco como antigamente acontecia. Não quer dizer que os adeptos não continuem a sentir o clube com a mesma paixão, mas é evidente que se distanciaram um pouco, talvez para se preservarem, porque a realidade do futebol português, a sua jurisdição e nomenclatura assenta em estruturas diferentes do modelo desportivo que defendemos, talvez porque entendam que os valores e princípios que regem o Sporting Clube de Portugal estão de certa forma um pouco desvirtuados do caminho que os seus fundadores preconizaram.

Nos meus tempos de infância, na velha escola primária situada mesmo no centro da vila onde nasci, jogaram-se os maiores derbys da história da paixão clubista entre Sportinguistas e adeptos do eterno rival. Lembro-me da facilidade que tínhamos em fazer as equipas com 11 rapazes para cada lado, ficando ainda alguns de fora que iam rodando, para que todos tivessem a oportunidade de participar no eterno derby. Vivíamos os tempos do mítico trio, Manuel Fernandes, Jordão e Oliveira, cuja última conquista nacional em 1982 marcou definitivamente a minha geração, precisamente por ser a última, aquela que nos fez resistir, aguentar, crescer com a alma cheia de orgulho, afirmando sempre o nosso Sportinguismo. Na minha terra há um Núcleo do Sporting com cerca de 500 associados, entre eles, muita juventude e adolescentes. Já viveu melhores dias, mas tem resistido e vai-se aguentando. A desertificação e as constantes políticas erradas para o interior do país acabam também por se repercutir na estabilidade e vida das instituições. Mas não há final da taça em que o núcleo não esteja presente. E não imaginam como é mítico fazer uma viagem de 500 km, rumo ao Jamor, por esse Portugal fora, convivendo saudavelmente com o mundo Sportinguista que nesse dia vai assinalando a sua passagem por todo o território nacional. Ai sim, percebe-se bem a mística e a paixão que este clube desperta nos seus adeptos.

A minha participação neste espaço tem como primordial objectivo, ajudar a contribuir para engrandecer ainda mais o nosso clube, através do debate, da reflexão e partilha de ideias, tornando viva a força leonina que se faz sentir a norte de Alvalade. O Sporting foi fundado, para ser um dos maiores clubes Europeus. Compete-nos no dia-a-dia continuar esse caminho, de construção, de renovação e afirmação dos ideais leoninos, afirmando os nossos valores e princípios.

Recentemente, numa entrevista concedida por Rodolfo Moura a um jornal, perguntaram-lhe qual era a marca do Sporting, ao que ele respondeu: “É um clube distinto, com uma forma de estar diferente. O que senti no Sporting é que o mais importante na vida não são os resultados, mas sim o desporto.” Perante esta resposta o jornalista questionou se isso não teria um preço nos resultados, tendo o preparador físico dito que sim, obviamente.

Nos sabemos que sim, que tem um preço nos resultados a todos os níveis. Resistimos durante 17 épocas, 14 das quais sem participar na milionária prova europeia. Mas continuamos ser o clube que somos, precisamente porque estamos dispostos a pagar esse preço e é isso que faz de nós um clube tão grande como os maiores da Europa.

Viva o Sporting.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Renovação

Não é fácil ser sportinguista, nos tempos que correm. A ideia de um clube grande, entre os grandes da Europa, apontada pelos nossos fundadores, aplicada à nossa realidade actual é o equivalente a olhar para um foguetão que lenta mas inexoravelmente se afasta do planeta mãe. Os áureos anos 40 no futebol estão a anos-luz. O domínio imperial das modalidades dos anos 70 e 80 parece ter ficado no lado escuro da lua, tal como as prestigiosas participações do atletismo e outras nas competições de nível mundial. Por fim o futebol, tão amado mas sempre ingrato, continua a ganhar pouco e a entusiasmar menos, com os resultados que se sabem no número de sportinguistas em Alvalade e pior quando o Sporting joga fora.

O advento da “era SAD” pretendia cuidar do corpo disfuncional (as finanças) de um clube ancião mas não envelhecido. Nesse percurso esqueceu-se da alma (os sportinguistas, adeptos e sócios) e o corpo não se percebe se melhorou ou piorou e o prognóstico mantém-se reservado. Para perceber isso será preciso recuperar das terapias erradas e das inúmeras anestesias que precederam as mais diversas intervenções pretensamente cirúrgicas.

Este não é, no entanto, ainda um post de desalento ou desânimo. O Sporting fez-se grande pela dedicação, perseverança e inconformismo de muitos. O Sporting fez-se grande porque é de Portugal e não de um bairro ou cidade apenas. É desse espírito que nos alimentamos e esse espírito que este blogue persegue. Aqui escreve-se por amor à camisola. “A Norte…” é-se leão por convicção. Porque não vivemos perto de casa. Porque para ir a casa é oneroso, demorado e contra-indicado a quem tem uma actividade profissional exigente (quem não tem hoje?) ou uma família para velar e amar. Não fomentamos porém regionalismos bacocos, que serviram de gazua para arrombar muitas fechaduras e permitiram a instalação da “Idade Média” no futebol português, com os senhores feudais e respectivos vassalos. Estando longe nunca estamos distantes.

O Sporting precisa de se refundar no espírito dos fundadores e abrir-se a todos os sportinguistas. Aos que são sócios e aos que ainda são só adeptos, num movimento abrangente. Porque há leões em todo o lado. Aqui, a partir de hoje, temos um Leão do Nordeste. Não, não recrutamos no Ceará, Baía ou Maranhão. Fomos a Trás-os-Montes, onde ainda hoje existe uma vasta comunidade de Sportinguistas. Não é por acaso que existe o ditado “para lá do Marão mandam os que lá estão”. Tal como os sportinguistas em particular, os transmontanos nunca viram nada oferecido de mão beijada, antes conquistam a pulso tudo o que têm. É dessa consciência que precisamos também no nosso clube e tenho a certeza que será isso que o Leão do Nordeste aqui nos deixará vincado. Bons posts. Sê bem-vindo!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

É obrigatório lutar pela vitória. Hoje como sempre.

Eu sou daquela espécie de sportinguistas que acredita que é sempre possível ganhar. Sou daqueles que sonha, muitas vezes acordado, algumas a dormir, com jogos épicos de superação e crença, de comunhão entre a equipa e os adeptos, contra adversários poderosos e históricos como é hoje o caso de Barcelona. Hoje não estarei em Alvalade, apesar de o núcleo aqui da zona ter organizado a excursão, pela 1ª vez nesta edição da Champions. Também não verei mais do que o resumo alargado da RTP1. Mas, naquela sala iluminada pela a luz de um projector, serão várias as vezes em que me ausentarei para Alvalade por breves ou demorados segundos. Acredito que podemos vencer. Desde que os jogadores decidam correr atrás e ao lado dos barcelonitas e não à frente deles…

domingo, 23 de novembro de 2008

Almirantes e grumetes

É possível ganhar uma batalha à Naval mesmo quando 2 dos porta-aviões da frota verde e branca se põem a jeito dos mísseis que saem dos apitos. Esta é a ilação mais importante a retirar do jogo de ontem. Mas esta só serve para frotas inimigas como a da equipa figueirense, que se dá melhor no papel de corsário, pilhando e fugindo, do tendo que invadir e conquistar. Digo isto para que sirva de aviso a Caneira e Derlei. Ontem portaram-se mais uma vez pior que os meninos da Escola Naval de Alcochete. Do árbitro a dúvida que me fica é se usaria o mesmo critério apertado caso os equipamentos fossem outros.

Foram precisamente os grumetes de Alcochete que tiveram que remar e retirar a balde a água que entrava a rodos nos rombos deixados pelos almirantes. O habitual na Marinha. E um hábito que parece querer instalar-se na frota verde e branca. É hoje realçado por muitos o facto de o Sporting ter terminado o jogo com uma maioria de jogadores oriundos da cantera, como se isso correspondesse a uma estratégia e não a factores casuísticos como o elevado número de lesionados e das expulsões aludidas.

Desmistifiquemos: apenas Moutinho e Veloso são apostas seguras. Patricio foi obrigado a crescer à pressa, nas circunstâncias sabidas,lançado numa fogueira onde se queima e nos chamusca de vez em quando. Ontem dividiu com Liedson as culpas da vitória. Carriço está muito bem, confirmando que o muito que dele se espera é mais do que justificado. Mas só lá está porque Tonel está de baixa. Adrien jogou ontem os primeiros minutos no campeonato e deixou evidente que precisa de confiança, coisa que não conseguirá sendo lançado apenas uns minutos e em fogueiras como a de ontem. Pereirinha está longe do miúdo franzino e tímido que apanhou o metro nos Olivais e chegou ao Campo Grande em Janeiro de 2007. Mas também só aparece quando parece não haver mais ninguém e assim, tal como a Adrien, será injusto pedir mais do que têm dado.

Seria injusto não destacar a forma como a equipa de uniu e não se afundou perante o infortúnio (a lesão de Abel) e o disparate (Derlei e Caneira). Assim como seria injusto não destacar entre todos a acção de Liedson, que, com 2 e por vezes 3 guardas a ocuparem-se dele em exclusivo, atenuou a inferioridade numérica em que havíamos caído. Um almirante dos pés à cabeça. Não fora ele e Patricio mais o colectivo na hora de entrincheirar, e estaria a escrever-vos uma história trágico-maritima.

Do resto um jogo pobre. Mais um em que poderia ter cabeceado de tédio no sofá não fora o tal critério apertado de um e falta dele de outros (2). Mais um jogo em que fico satisfeito por ter ganho e apreensivo com o que esperar do resto da época.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Intercalar para quê?

Quando sabemos que 1 jogador como Adrien ainda não tem qualquer minuto jogado na Liga Sagres, vendo que os outros 3 (!!!) guarda-redes mais Ronny e Tiuí se encontram nas mesmas condições, espantados com os 50 minutos de Vukcevic e somada a escassa utilização de Pereirinha, pergunto-me para que se inscreveu o Sporting na Liga Intercalar. Para rodar os juniores? Será legitimo esperar ou até exigir que estes jogadores, sem qualquer ritmo competitivo, respondam de forma competente a qualquer momento em que sejam chamados?

Eu julgava que a inscrição na Intercalar visava justamente dotar os jogadores menos utilizados de ritmo competitivo, para testar modelos colectivos ou experimentações individuais. Pelo que tem sucedido, estava enganado. Confesso que não me passou pela cabeça exigir vitórias nesta competição, mas via nela a utilidade acima aludida. O que vem sucedendo é uma apresentação de equipas mistas de juniores, uma outra vez de juvenis e seniores e até de jogadores não inscritos, com o Sporting a alcançar apenas hoje a primeira vitória. Assim visto, para que serve a Intercalar? Pensando melhor, quem dita a politica desportiva no Sporting?

domingo, 16 de novembro de 2008

Jogo da Glória: 3 casas atrás.

Lembro-me dos meus tempos de meninice das noites de verão no Alto-Minho, em que a canícula contra-indicava o contacto com os mais finos lençóis de cama, tornando-se assim uma aliada da pequenada na hora de recolher. Era o tempo em que as estações do ano eram facilmente identificadas, e ainda longe dos solitários jogos electrónicos, das infinitas emissões televisivas, da Internet, dos blogues. Um dos passatempos mais populares era o jogo da glória, jogado num tabuleiro, pinos de cores diferentes a representar cada jogador, ditando os dados o número de casas a avançar. O objectivo final era atingir a casa da glória. No percurso para lá chegar uma das casas mais temidas era a que nos fazia recuar a um determinado ponto do tabuleiro.

No seu caminho para a Glória neste campeonato o Sporting ontem tropeçou pela 2ª vez na casa que o faz andar 3 pontos para trás. A diferença entre o jogo da minha meninice e o jogo que o Sporting fez ontem é que no 1º contava exclusivamente a sorte ditada pelos dados. Ao contrário, nos jogos que o Sporting faz para ser campeão, conta mais a forma regular com que se exerce a competência colectiva e individual, a qualidade do jogo e a atitude com que se abordam os jogos. O factor sorte também conta, como em qualquer jogo. Ontem, em Alvalade, vimos uma equipa displicente porque jogou dando ares que “aquilo” mais tarde ou mais cedo se resolveria. Vimos uma equipa incompetente na hora de sentenciar a partida nos falhanços de Romagnoli, Postiga e até Carriço. E uma equipa sem sorte pela forma como, em 10 minutos, perdeu 2 jogadores por lesão.

E que fez o Leixões? Aguentou-se enquanto pode, sem se desagregar. Marcou um golo, oferecido a meias pela inépcia de Izmailov e Patricio, e voltou a saber sofrer mesmo que o Sporting não tenha sido um oponente particularmente sádico. José Mota pode ser considerado um verdadeiro destruidor de losangos!

Nas notas individuais tenho que falar 1º em Paulo Bento. Não tem a desculpa de ser um treinador estagiário ou inexperiente. Nas últimas décadas não há nenhum treinador que tenha tanta experiência de Sporting como ele e o período de estágio há muito terminou. Estranha-se por isso que ainda não tenha apostado numa alternativa ao seu mui estimado losango, porque aquela dos 3 centrais não pode ser considerada como tal. Estranha-se também que se despachem os extremos e se desaproveitem os que saem de Alcochete sem uma única oportunidade e, depois, na hora do aperto, se ponham jogadores como Djaló a fazer essa função. Por outro lado o guarda-redes: quanto mais nos vai custar a falta que faz um elemento com categoria e experiência naquele lugar? Quantos pontos ganham os bons guarda-redes numa equipa campeã? E que dizer de Romagnoli? Hoje por hoje deve ser um dos jogadores mais caros de sempre do clube se tivermos em conta o tempo em campo e a sua utilidade para a equipa.

A realidade é que, desde ontem, deixamos de depender de nós para sermos campeões, se os nossos vizinhos hoje ganharem. E se ainda dependêssemos de nós, desta equipa e treinador, como poderíamos nós confiar perante estes desempenhos?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mais uma medalha para Paulo Bento

A queixa da APAF promete apresentar na Liga contra Paulo Bento bem poderá ser considerada como uma medalha de mérito desportivo para a sua curta carreira.

Estamos a falar de uma organização de classe que durante décadas esteve calada perante a indigência moral de muitos dos seus associados, que optou pelo silêncio perante pressões, coacções e tentativas bem sucedidas ou não de corrupção. Que conviveu estreita e alegremente com os autores e mentores do regabofe contando com a aquiescência ou omissão dos órgãos federativose da Liga, da justiça comum e até da tutela governamental. Por isso qualquer queixa com origem numa organização com esta bandeira é como uma condecoração para o visado.

Nós, os sportinguistas do Norte sabemos bem do que fala Paulo Bento. A arbitragem mete nojo há muito tempo, mesmo que nos tenhamos habituados ao seu mau cheiro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Da epifania ao hara-kiri

A sorte também protege os mais fracos
Devem estar satisfeitos os apologistas do futebol feio e desarticulado: ontem a eliminatória sorriu à pior equipa em campo e que em determinados momentos – toda a 1ª parte e em quase todos os momentos do jogo – esteve quase sempre dominada e controlada. Nem sequer se pode dizer que o FCP foi uma equipa calculista ou que tenha revelado qualquer audácia que merecesse a sorte que teve. Os azuis e brancos nunca quiseram evitar o prolongamento ou os penaltys, preferindo a lotaria à competência.

Da epifania ao hara-kiri
A melhor exibição da época revelou que esta equipa pode jogar muito melhor do que o vinha fazendo, embora o resultado final abra a porta aos cínicos que acham que uma equipa tem de abdicar do bom futebol para ganhar mais vezes. Ironicamente o único golo marcado resultou de uma oferta do adversário e não de uma das muitas boas jogadas que por inúmeras vezes o encostaram às cordas. Usando a sua qualidade de anfitriã simpática a equipa não quis ficar atrás e devolveu a oferta de forma quase ridícula. Como é possível marcar um canto atrasando uma bola para o meio-campo e da perda de bola sofrer um golo? Foi o espetar da lâmina que havia de ser enterrada até ao punho com a incompetência na hora de marcar os penaltys. Sim, porque não é azar perder praticamente todos os jogos que requerem este tipo de desempates: assim de cor vejo todas as últimas vezes que fomos eliminados na Taça (2 pelo FCP, 1 pelo SLB) e a final da Taça da Liga. Talvez não por acaso os falhanços foram dos jogadores que estiveram ligados ao pior do Sporting: Abel esteve desastrado em todo o jogo, sendo sempre pelo seu lado que o perigo surgiu. Rochemback atingiu o nível da anedota no lance do golo e marcou o penalty como marca os livres: fecha os olhos e remata.

A diferença esteve na experiência
Na hora dos penaltys faltou a Patricio o que sobrou a Helton: a experiência. Pelo menos 3 penaltys do FCP foram tão mal apontados que só entraram porque em todos eles Patricio se precipitou quando bastaria ter ficado no lugar. A mesma precipitação que o levou a empurrar Hulk num lance absurdo que ditaria a expulsão de Caneira. Pese a dificuldade para um guarda-redes neste tipo de lances, é estranho que vendo a bola entrar pelo centro da baliza mais que uma vez não tenha optado por esperar uma vez que fosse. São pormenores que, tendo em conta as circunstâncias, não deslustra a evolução deste miúdo num contexto muito adverso.

Paixão por arbitrar mal
A arbitragem de Paixão não me surpreendeu: esteve ao seu nível habitual. A expulsão de Caneira roçou o ridículo, mas aí o mal deve ser dividido pelo árbitro-auxiliar, que indicou ao árbitro um cartão injustificado, e pelo próprio Caneira, que já sabe o que a casa gasta: já foi assim que havia sido expulso na última meia-final com o FCP, no Dragão. Somos o único dos 3 grandes a quem os árbitros-auxiliares gostam de brindar com a sua incompetência. Por isso, de acordo com Paulo Bento.

sábado, 8 de novembro de 2008

Não é só Taça...


Encerramento da Cimeira Luso-Ucraniana
Poderia ser amanhã a final da recente cimeira luso-ucraniana, que juntou em jogos da Champions League as 2 melhores equipas dos últimos anos de cada país. Os caprichos de 2 sorteios diferentes decidiram juntar as 2 equipas, como que se de uma final se tratasse, após as recentes vitórias nos seus confrontos europeus.

Prova de aferição
Os jogos entre grandes têm uma tendência histórica de ganharem uma vida própria, indiferente aos momentos e tendências de qualquer das equipas em confronto. Mas o jogo de amanhã servirá pelo menos para 2 coisas: esclarecer se a recente vitória de Jesualdo em Alvalade, para o campeonato, encerrou ou não a sua propensão para perder com Paulo Bento e que repercussões tiveram as importantes vitórias europeias na confiança das equipas.

A importância das vitórias
Vencedor das úlltimas edições da competição em disputa, este Leão das Taças tem um estatuto a defender. Amanhã é por isso um dia de ganhar. Não só para assegurar a sua continuidade na prova, mas porque a equipa que o conseguir empurrará o adversário para o purgatório da dúvida sobre si própria, que ambas as equipas querem deixar após o jogo europeu. E poderá deixar lesões no ânimo que indiciava a retoma de ambos. Por isso é tão importante ganhar aos rivais: o bem que nos faz ao ego é-lhes inversamente proporcional e pode deixar marcas que nos ajudarão no campeonato. Por isso amanhã não é só Taça. E para um "Leão a Norte" as vitórias sobre o FCP têm um sabor especial e duradouro, prolongando-se pela semana fora.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Saber ler e escrever ainda melhor!

A história far-se-ia sempre. Ao alcançar a vitória que proporciona um momento inédito na história do clube, a equipa inaugurou um capítulo diferente. Um capítulo onde escolheu a função que nele quis desempenhar, sem ficar à espera dos papeis sobrantes ou das vagas de ocasião. Ontem a equipa soube ler e perceber a importância do momento e escreveu-o de forma ainda mais eficaz.

Independentemente do ranking circunstancial que as equipas possam ocupar, era para mim incontestável que os meios humanos à disposição de Lucescu tornariam os jogos com o campeão ucraniano uma tarefa árdua e difícil para o Sporting. Quantos dos jogadores do Shaktar não seriam titulares indiscutíveis no Sporting? As 2 vitórias alcançadas nos 2 jogos são por isso um feito assinalável e cujo mérito deve ser atribuído por inteiro antes de mais a Paulo Bento. A forma coerente com os seus princípios de jogo com que tem orientado a equipa começa a dar os seus frutos, um bocado contra a corrente generalizada de opinião e deste escriba em particular. Pelo que vi e li ainda não há a magia das exibições mas há um novo patamar alcançado, de onde se pode ver um clube com mais exposição internacional até Fevereiro. E, por inerência, com quase meio orçamento anual para a equipa de futebol já garantido. E como tenho dito, se a equipa e Paulo Bento podem ser criticados quando não jogam bem nem ganham, seria quase esquizofrénico zurzir-lhes por ganharem e seguirem em frente. Nem que o façam à pazada…

Obviamente que os jogadores não podem ser esquecidos. São sempre os protagonistas e desta vez o papel principal foi o da equipa. Parece que ontem todos devem ter sentido que o pontapé certeiro de Derlei foi de todos um pouco.

De fora do mérito não pode ficar a Administração da S.A.D., a escora de Paulo Bento em todos os momentos. Mesmo assim não isenta de críticas pela forma como tem gerido a comunicação interna e a intervenção mediática. Com todos os seus defeitos e virtudes, Paulo Bento e Filipe Soares Franco têm sido os únicos a aparecer em todos os momentos. Justiça seja feita a Ribeiro Telles e Barbosa que, quando ganham – sim, porque a vitória também é deles – não se põem em bico de pés. Ontem “ninguém os viu”. Mas, em termos mediáticos, para o interior e exterior, Bento e Franco não devem os únicos pontos de apoio de uma trave difícil de carregar.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Encontro com a história

Sem prenda
Quis o acaso que se juntasse ao dia do meu aniversário o dia em que o Sporting pode alcançar pela 1ª vez na sua história os oitavos de final da Champions League. A prenda que eu acho que bem merecia era ter a possibilidade de estar presente no apoio ao meu clube neste momento decisivo da sua vida e que pode ser um passo importante na afirmação do seu prestígio a nível internacional. Infelizmente o fascínio e o gozo de uma noite em Alvalade ficará reduzido aos resumos que possam ser visionados a partir das 10.30 p.m., hora a partir da qual ficarei livre de compromissos.

Dar para receber
Para mim, adepto de coração, e que não tenho que gerir a tesouraria, o prestigio e afirmação internacional do meu clube, é muito mais importante que o dinheiro que possa resultar de uma possível qualificação. Se quiserem oferecer-nos essa prenda, a nós adeptos, que mais dia menos dia celebramos a existência, não faltarão os momentos para retribuirmos com gratidão.

Atencipar-se aos deuses
Não deixar a decisão da qualificação para as calendas ou para a sempre imprevisível boa-disposição dos deuses é aquilo que se pede hoje à equipa. O cenário de hoje é o mesmo que em ocasiões anteriores, igualmente decisivas, nos ditou um encontro com a materialização dos nossos piores pesadelos. É também por isso importante que, com uma vitória, se esconjure o fatalismo que muitas vezes nos parece perseguir nos momentos decisivos.

Categoria
A classe e o carácter são qualidades imprescindíveis a quem quer vencer mais e mais vezes e, por norma, o melhor antídoto para a malapata. Porque se não há vencedores sem sorte, perder sistematicamente nos momentos decisivos não pode ser imputado apenas ao azar. Hoje far-se-á história. Que a equipa decida escrever por si a forma como quer ser lembrada. Ou outros o farão em seu lugar.

Mais vale tarde...
Finalmente parece ter chegado o bom-senso na politica de preços para os sócios. Cabe-nos agora corresponder ao desafio.

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