Últimos Artigos

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A autópsia ao cadáver de Légia

Vão ser precisas mais horas de distância sobre o jogo de ontem para poder restabelecer-me de mais um desaire que "não podia" ter acontecido. Dizer não podia não é aqui desrespeitar a equipa que nos venceu porque foi mais competente do que nós ou muito menos o futebol e o desporto em geral. Mas já passou o tempo suficiente para pelo menos poder olhar para o jogo e discorrer sobre ele e em particular sobre o levou a este desfecho, tão amargo para nós.

Mantenho o raciocínio que presidiu ao post anterior: o jogo começou por ser perdido na cabeça de Jorge Jesus. Mais uma vez me parece que foi vitima da sua sobranceria, ao não dar o valor devido ao adversário. A surpresa que julgava ir causar acabou por redundar naquilo que se costuma dizer "ir buscar a lã e acabar tosquiado".

Jorge Jesus não mudou apenas o sistema de jogo que a equipa tem mais tempo de treino e jogo, mas mudou também jogadores das posições que habitualmente jogam. A defesa nunca se conseguiu articular entre si, sendo notório o desconforto do trio, incluindo o de Coates, que terá feito um dos piores jogos com a nossa camisola. As hesitações de Semedo e Oliveira também denunciaram esse desconforto. Mas os três acabaram por ser sobretudo vitimas da anarquia que reinou no sector que os precedia no terreno.

Com duas penadas infelizes JJ desarticulou toda a equipa: falo das posições escolhidas para Bruno César e Gélson. Não apenas perdemos toda a profundidade e imprevisibilidade que Gélson dá ao flanco direito, bem como a ligação com as assistências a Dost, como perdemos a inteligência na ocupação de espaços como a ligação entre sectores que Bruno César tem oferecido. As acções de William e Adrien tornaram-se quase inúteis perante as saídas rápidas dos polacos nas suas costas, aparecendo facilmente em frente ao derradeiro trio defensivo.

O conforto que retirou aos seus jogadores ofereceu-o aos adversários, ao conceder-lhes espaço e liberdade de acção quando esta devia ter-lhes sido condicionado  a que a nossa superioridade técnica actuasse como valência em nosso favor. Para se chegar à conclusão do erro cometido basta aliás o reconhecimento tácito de JJ, ao voltar à fórmula habitual, logo após o intervalo e a consequente melhoria registada, mas ainda assim insuficiente para repara o mal entretanto feito.

Infelizmente para o que aconteceu ontem já não há remédio. A ideia de que talvez até seja bom, porque a Liga Europa é uma maçada, tem jogos à quinta-feira, não dá muito dinheiro até é apelativa, se alguém conseguir explicar como é que sair com três míseros pontinhos, por uma porta das traseiras da competição, é mastigável e deglutível. Ah, pois, temos as competições internas para nos afirmar como prioridade, é aqui que vamos escalar até ao topo do ranking da UEFA, o tal que nos permite "ter mais sorte" nos sorteios.

O discurso de JJ ontem no final é decepcionante. Porque não explicou as suas opções (o que se compreende, atendendo ao resultado) mas sobretudo porque já preparou a próxima desculpa, caso domingo volte a registar novo insucesso. Alguém tem que lhe explicar que de facto o futebol do Sporting não tem ganho assim tantas vezes como gostaríamos, mas foi precisamente para inverter esse rumo que o clube lhe dá a ele o que até agora nunca ninguém havia tido: dinheiro para gastar e autonomia para decidir. 

E, lendo e ouvindo o que se vai dizendo por aí, parece-me que JJ já cá está há mais tempo do que parece: tal como muitos adeptos, parece já se ter especializado em alibis e desculpas`: é o tempo que ora passa devagar ou a correr, a bola que infelizmente é redonda, o frio que é gelado, sempre um bocadinho mais para  nós e contra nós do que para os outros.

E quando as desculpas se esgotam entram os números de prestidigitação (sem esquecer as manobras evasivas com o rival, para entreter  a populaça), acenando com amanhãs luminosos, porque o futuro é já a seguir, é o campeonato . Sim, esse mesmo que entregamos de bandeja no ano passado e cujo segundo lugar ainda foi ampla e ruidosamente festejado, com direito a voltareta presidencial e o treinador premiado com chorudo aumento.

Por isso é que quando nos perguntamos porque nos acontecem tantas vezes estes episódios talvez a resposta não seja assim tão difícil de encontrar. É que para ganhar mais vezes, ser campeão, é preciso mais do que 90% de concentração. É preciso ganhar mais e falar menos e só depois. É preciso trabalhar mais mas sobretudo melhor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Légia 1 - Sporting 0: Paragem Cerebral


Perdemos o jogo e fomos eliminados ainda antes de subir ao relvado. Tudo começou e acabou na cabeça de Jorge Jesus, o Cérebro. No que foi igualado por William, ao fazer-se expulsar num momento que todos eram poucos para tentar remediar o que já se adivinhava. O melhor é não me alongar mais, nestas horas de frustração e mágoa o melhor é respirar fundo várias vezes. 

PS: No final do jogo, no âmbito da iniciativa #Sporting160, juntamente com o @bancadeleao e o autor do programa, o @castrojr76, gravamos um podcast em que se analisam estes últimos dias, que nos levam de Varsóvia ao dérby e que pode ser ouvido neste [Link] de Varsóvia a Lisboa.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Football Leaks, o tsunami que abala o império de Jorge Mendes


O jornal expresso juntou-se a um consórcio de jornalistas que acederam a milhares de documento que deixam "a céu aberto" o esquema de fuga de capitais sobre o qual rola a todo o vapor o império de Jorge Mendes e dos clubes e jogadores seus agenciados. É essa a reportagem que aqui é hoje publicada para os leitores do blogue:


"O dia em que uma consultora fiscal recebe um questionário das Finanças sobre um cliente seu é um dia de trabalho. Para uma consultora que faz assessoria a estrelas do desporto agenciadas por Jorge Mendes, é um dia de trabalho extra, porque isso implica um custo mediático associado se a história correr mal. E se essa estrela for Cristiano Ronaldo, esse custo é multiplicado por mil ou por milhões. E é um dia de sarilhos .

A partir do momento em que a informação chegou, o 3 de dezembro de 2015 não podia ser apenas mais um dia nos escritórios da empresa de serviços jurídicos Senn Ferrero: o Ministério das Finanças espanhol abrira uma investigação, que ainda está em curso, para apurar possíveis irregularidades de Ronaldo nas suas declarações do Imposto sobre o Rendimento de Não Residentes (IRNR) relativas aos anos 2011, 2012 e 2013. Naquelas perguntas enviadas para o número 3 da Plaza de La Lealtad (perto do Museu Nacional do Prado e da Bolsa de Madrid), os inspetores mostraram-se particularmente interessados na questão dos direitos de imagem do jogador do Real Madrid e isso comportava um risco maior para Ronaldo. A Senn Ferrero sabia porquê. Os contabilistas de Jorge Mendes que a Senn Ferrero alertou também sabiam porquê. E este é o porquê: um esquema empresarial complexo com paragens nas Caraíbas, na Irlanda e em contas bancárias na Suíça que geria desde 2009 os rendimentos provenientes da publicidade prestada por Ronaldo a várias marcas.

Ao todo, de 2009 a 2014, Ronaldo recebeu €74,8 milhões pelos seus direitos de imagem como jogador do Real Madrid e também já recebeu adiantados €75 milhões para o período 2015 a 2020, mas só na declaração de rendimentos de 2014 é que mencionou este bolo. Ou melhor, uma fatia deste bolo, €22,7 milhões, repartidos em dois pedaços. O que representam estes dois pedaços, o que aconteceu ao resto do montante acumulado, quais as offshores usadas, como foram vendidos os direitos de imagem em 2009-14 e 2015-20, por que caminhos andaram Ronaldo e outros jogadores agenciados pela Gestifute de Jorge Mendes - estas são algumas das questões que derivam de uma extensa análise aos documentos extraídos da plataforma Football Leaks. A investigação foi liderada pela revista alemã “Der Spiegel”, que partilhou os dados com a rede European Investigative Collaborations (EIC), um consórcio de jornalismo de investigação composto por mais de uma dezena de jornais e que contou com a colaboração do Expresso.

Esta é a história sobre Ronaldo. Luzes, câmara, contratação

O “Big Brother” de Cristiano Ronaldo começou a 6 de julho de 2009, sentado no banco de trás de um carro, com um motorista e uma câmara de televisão para documentar o dia. “Hoje há jogo ou quê?”, diz Ronaldo em espanhol. Ele sabe que não há jogo, está a ensaiar uma piada. Talvez não acredite que aquelas pessoas à porta do estádio Santiago Bernabéu estejam ali apenas porque ele próprio estará dentro do Bernabéu daqui a pouco. Serão 80 mil fãs a aplaudir o português, vestido de branco, ladeado por Eusébio, Don Alfredo di Stefano e Florentino Pérez. Não faltarão o “Hala Madrid!”, os agradecimentos, os toques na bola de futebol, o abraço aos adeptos que conseguirem furar o perímetro de segurança. Ronaldo foi contratado pelo Real Madrid e a sua apresentação aos sócios e adeptos foi transmitida em direto por televisões de todo o mundo. Naquele momento, Ronaldo tornou-se global. Os seus assessores tinham-no previsto.

A 20 de dezembro de 2008, ainda jogador do Manchester United, Ronaldo assinara outro contrato, longe do rebuliço. Foi com a Tollin Associates Limited, uma empresa registada na Vanterpool Plaza, que fica em Road Town, na ilha de Tortola (Ilhas Virgens Britânicas - BVI). Nas Caraíbas. Para os mais curiosos, a Vanterpool Plaza é um prédio de dois andares em tons de amarelo; no piso térreo há uma farmácia gerida por uma senhora chamada Vanterpool, o piso superior está alugado a uma firma de advogados.

Segundo os contratos obtidos pela revista “Der Spiegel” e partilhados com o consórcio EIC, ficou acordado que de 1 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2014, a Tollin seria a depositária dos direitos de imagem do jogador e o jogador seria o recetor de “todos os rendimentos recebidos pela sociedade”, à exceção de 20 mil euros anuais e possíveis gastos operacionais. E, também, à exceção da comissão de Jorge Mendes. É que, uns dias depois, a 30 de dezembro de 2008, a Tollin transferiria a exploração desses direitos de imagem a uma empresa com ligações a Jorge Mendes, a Multisports & Image Management (MIM), sediada em Dublin. E a MIM, por sua vez, já tinha uma colaboração com a Polaris Sports, também com sede na Irlanda e controlada por Jorge Mendes; ambas tornar-se-iam responsáveis por negociar todos os acordos publicitários em nome de Cristiano Ronaldo. Funcionaria assim: o dinheiro dos contratos publicitários iria para a MIM e para a Polaris e, após deduzidas as respetivas comissões dos intermediários, o resto seguiria para a Tollin - era o mesmo jogo que Mourinho já jogara [ver páginas seguintes]. Ou seja: as marcas lidariam diretamente com a MIM e com a Polaris e só depois os seus pagamentos viajariam para a Tollin, fazendo com o que o rasto se perdesse no caminho entre a Irlanda e as Caraíbas. Porquê este esquema? Porque com este tipo de estrutura é possível explorar as vantagens fiscais das BVI.

Recordar Beckham: Vamos por partes, como num jogo de futebol. Um longo jogo de futebol.

Aquecimento. Um cidadão é um cidadão e uma empresa é uma empresa e os impostos sobre as receitas geradas pelos direitos de imagem são mais baixos se o pagamento for feito a uma empresa e não a um cidadão. E se o pagamento for feito a uma empresa com sede na Irlanda, um lugar com um regime fiscal especialmente competitivo, as taxas serão ainda mais baixas. A MIM e a Polaris, ligadas a Mendes, estão ambas sediadas na Irlanda, onde a taxa de tributação sobre as empresas é de 12,5%. É esta taxa que se aplica aos lucros destas empresas: as comissões são tributadas, o resto das receitas de Ronaldo seguem livres para a Tollin.

Primeira parte. 

Quando Ronaldo chegou a Madrid em 2009 estava em vigor a “Lei Beckham”, uma lei aprovada pelo governo espanhol em 2004 para atrair trabalhadores estrangeiros com elevados rendimentos. A “Lei Beckham” (assim popularizada por ter tido entre os primeiros beneficiários o futebolista David Beckham) foi revogada em 2010, mas os residentes estrangeiros então a viver em Espanha tiveram direito a um período de transição que acabaria a 31 de dezembro de 2014. Já voltaremos a esta data: 31 de dezembro de 2014. Ora, esta medida garantia aos estrangeiros residentes em Espanha uma tributação de não residente, os chamados “impatriados”, que pagariam impostos apenas pelos rendimentos obtidos em Espanha e a uma taxa de 24%, muito inferior à taxa de até 48% que se aplicava aos residentes com salários mais elevados. Usando esta legislação, os conselheiros de Cristiano Ronaldo estimaram que cerca de 80% dos rendimentos dos direitos de imagem do jogador eram gerados no estrangeiro e à volta de 20% provinham de Espanha; no total, entre 2009 e 2014, a Tollin encaixou €74,8 milhões pela exploração dos direitos de imagem de Ronaldo: €63,3 milhões ‘do estrangeiro’, €11,5 milhões de Espanha. Segundo os assessores de Ronaldo, ao abrigo da “Lei Beckham”, só estes últimos tinham de ser declarados. O fisco espanhol parece duvidar.

Segunda parte. 

Durante anos, nem os tais 20% figuraram nas declarações de rendimentos do jogador. Não aconteceu em 2011. Nem em 2012. Nem em 2013. Eles vieram à tona apenas em 2014, cinco anos depois da apoteótica apresentação no Bernabéu. A 30 de junho de 2015, no último dia possível para apresentar a declaração, os consultores fiscais compilaram e emitiram o documento para as Finanças, a que a investigação da “Spiegel” e do EIC tiveram acesso. Aí se incluía o salário como empregado do Real Madrid (mais de 34 milhões de euros, que refletiam um bónus em cima do seu ordenado base anual); a casa em Madrid, as compras, algum dinheiro em contas bancárias e os carros, mas não os seus bens no estrangeiro: as casas em Portugal, as contas nos bancos SGKB - St. Galler Kantonalbank (Suíça), BPI (Portugal) e Banque Internationale (Luxemburgo). Também não se mencionava a sua conta no banco Mirabaud, em Genebra.

Os contabilistas de Ronaldo decidiram apresentar na declaração às autoridades fiscais espanholas o valor de €22,7 milhões: €11,5 milhões pelos direitos de imagem de 2009 a 2014 sem referências ao nome Tollin ou ao facto de Ronaldo ter recebido esse dinheiro via uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas; e €11,2 milhões pelos direitos de imagem de 2015 a 2020, pagamento a cargo de uma sociedade chamada Arnel, com morada na… Vanterpool Plaza, na Road Town da ilha de Tortola, nas BVI.

O mais importante seria que o nome da Tollin ou do seu administrador não aparecesse em lado algum. Depois do rocambolesco caso de evasão fiscal dos Messi, pai e filho, era fulcral que Ronaldo mantivesse a sua reputação intacta. A defesa dos interesses de Ronaldo estava a cargo da Senn Ferrero e do advogado português Carlos Osório de Castro, que trabalha com a Gestifute há alguns anos.



Prolongamento.

Aparentemente, correu bem. Num primeiro momento, a Agência Tributária não desmontou a estrutura offshore de Ronaldo e isso terá aliviado a entourage de Mendes, por continuar omissa a existência da Tollin, que entretanto foi extinta quando o contrato com Ronaldo terminou, a 31 de dezembro de 2014. A azáfama e o stress da recolha de documentos em contrarrelógio para entregar a declaração no último dia tinha valido a pena. Questionada pelo “El Mundo”, que pertence ao consórcio EIC com o qual o Expresso colabora nesta investigação, a Agência Tributária de Espanha não esclareceu se tinha voltado ao tema offshore no caso Ronaldo. O “El Mundo” apurou, todavia, que o processo do Imposto sobre o Rendimento de Não Residentes (IRNR) continua em aberto e incide sobre os períodos 2011, 2012 e 2013.

E agora os penáltis. 

Uma semana depois de a rede EIC ter enviado dezenas de perguntas a Jorge Mendes e a Ronaldo, no âmbito da presente investigação jornalística, sobre os direitos de imagem do jogador da Gestifute, a sua situação fiscal e o uso de sociedades offshore, a empresa de Mendes optara não responder. Eis senão quando esta quinta-feira é publicada uma notícia no jornal espanhol “El Confidencial” a contar metade da história citando fontes próximas de Ronaldo. Horas depois, a Gestifute emitiu um comunicado garantindo que “tanto Cristiano Ronaldo como José Mourinho estão em dia com as suas obrigações fiscais tanto em Espanha como no Reino Unido”. Era uma jogada preventiva de quem sabia da investigação jornalística prestes a ser publicada.

O comunicado da Gestifute nota que “nunca Cristiano Ronaldo como José Mourinho estiveram envolvidos em qualquer processo judicial relativo à prática de qualquer delito fiscal” (o que é verdade: houve inspeções da autoridade tributária espanhola, mas não se seguiu nenhum processo em tribunal). E a Gestifute acrescenta que “qualquer insinuação ou acusação dessa natureza relativa a Cristiano Ronaldo ou José Mourinho será denunciada e perseguida nos tribunais”.

Mas no que a esta história diz respeito, falta perceber como, quando e a quem é que Ronaldo vendeu logo em 2014 os seus direitos de imagem para 2015-20. Foi um “bom amigo”. Mas porquê?

O magrebe

A 20 de dezembro de 2014, o Real Madrid ganhou o Mundial de Clubes em Marraquexe ao bater o San Lorenzo da Argentina por 2-0. Para trás ficou uma vitória por 4-0 frente ao Cruz Azul do México nas meias-finais e uma competição em que a segurança e o vírus ébola foram temas dominantes - e, já agora, uma competição em que Ronaldo ficou a zero dentro do campo. Fora dele, Cristiano goleou.

Nesse mesmo dia 20 de dezembro, o avançado, segundo os documentos obtidos pela investigação da “Spiegel” e do consórcio EIC, emitiu duas faturas para duas companhias, uma no valor de €63,5 milhões, outra de €11,2 milhões. A primeira para a Adifore, a segunda para a Arnel, a empresa offshore referida na sua declaração de rendimentos de 2014. CR7 assinara contrato com ambas por período igual, mas com contornos diferentes: até 31 de dezembro de 2020, a Adifore iria gerir os direitos de imagem do resto do mundo e a Arnel os direitos de imagem relativos a Espanha; uma vez mais, o rácio era o mesmo (80/20). As comissões de 10% a 15% à MIM e à Polaris também ficaram asseguradas.

Tudo isto foi feito antes do fim do ano, mesmo a tempo de entrar no exercício de 2014. Não foi por acaso. Não faltava muito para terminar o acordo entre Ronaldo e a Tollin e, sobretudo, para acabar o período de transição da “Lei Beckham”. Lembra-se da data de 31 de dezembro de 2014? Pois bem, a partir do dia 1 de janeiro de 2015, todos os rendimentos de Ronaldo e dos outros “impatriados” passariam a ser taxados como os de qualquer outro espanhol com os mais elevados salários, até 48% e não a 24%, e isso incluiria o salário do Real Madrid e o bolo dos direitos de imagem, independentemente da origem dos mesmos. Mas ao vendê-los à Adifore e à Arnel antes do reveillon, Ronaldo só teria, à partida, de declarar os €11,2 milhões (e fê-lo) e tributar 24% desse valor - e poderia não declarar os €63,5 milhões.


Contas feitas, em 2014 Ronaldo declarou €22,7 milhões (€11,5 milhões relativos a 2009-2014 e €11,2 milhões pelo contrato para 2015-2020) dos €149,8 milhões que recebeu por contratos de publicidade. Fica resolvido o ‘como’, o ‘quando’ e o ‘porquê’ - fica a faltar o ‘a quem’

Última paragem: Singapura

A 29 de junho de 2015, Cristiano Ronaldo foi para uma conta das suas redes sociais dizer que tinha chegado a acordo com um “bom amigo” para vender os seus direitos de imagem. O texto parece saído de um manual de assessoria de imprensa: “Estou muito entusiasmado por anunciar o meu acordo com a Mint Media, propriedade de um bom amigo meu, o empresário Peter Lim de Singapura, para que esta adquira os meus direitos de imagem. Este é um passo muito estratégico para mim e para a minha equipa de agenciamento para levar a marca Cristiano Ronaldo para outro nível, especialmente na Ásia”


Na declaração de rendimentos de 2014 constavam os direitos de imagem explorados em Espanha. Mas não os do resto do mundo

Nos documentos a que a rede EIC teve acesso não há prova de que a Arnel e a Adifore sejam, de facto, de Peter Lim, e também não há documentos que sustentem que foi ele a pagar os €74 milhões de uma só vez a Cristiano Ronaldo. O que há são manifestações públicas de uma relação próxima entre o jogador, o empresário e o agente, sustentadas pelo post de Ronaldo de 29 de junho de 2015, curiosamente um dia antes de a sua declaração de rendimentos de 2014 ser submetida ao Estado espanhol pelos advogados da Senn Ferrero.

Com Ronaldo, o timing é tudo. Porque só um jogador com uma invulgar capacidade de estar no sítio certo e à hora certa consegue marcar 374 golos pelo Real Madrid, 118 pelo Manchester United, 68 por Portugal, 5 pelo Sporting, e ganhar três Ligas dos Campeões, dois mundiais de Clubes, um Europeu de seleções, uma supertaça europeia, três ligas inglesas e uma espanhola, entre outros troféus. E, acima de tudo, ser eleito o melhor jogador do planeta em três ocasiões diferentes – e provavelmente a quarta no final deste mês. O que ainda não se sabe é se Ronaldo terá conseguido explorar a relação espaço-tempo de uma forma tão eficaz no planeta fiscal.

Para especialistas em assuntos fiscais, como o hispano-alemão Rafael Villena, que passou anos a fio a examinar estas estruturas, a situação é clara: “Ronaldo devia ter declarado todo o dinheiro pago à Tollin em cada ano, a começar em 2009 e não apenas em 2014”, diz à “Spiegel”. Fontes consultadas pelo “El Mundo”, por outro lado, acreditam que Ronaldo poderá ter incorrido em três irregularidades. A primeira, não ter tributado as receitas provenientes de empresas que, teoricamente, não têm presença em Espanha, como as asiáticas Emirates, Americana Group ou Drive Dentsu. A segunda, ter decidido que apenas 20% dos pagamentos de empresas com atividades evidentes em Espanha (Real Madrid, Nike, Herbalife ou Samsung) seriam declaráveis. A terceira, não ter declarado os mais de €14 milhões que saíram diretamente para duas empresas irlandesas relacionadas com a Gestifute: a MIM e a Polaris Sports. E, a isto, somam-se os antecedentes com outros clientes de Jorge Mendes, como Fábio Coentrão, Pepe e Ricardo Carvalho, todos eles com estruturas offshore; e as multas aplicadas a Messi, Javier Mascherano, Xabi Alonso ou Adriano, outros futebolistas de perfil alto que jogam (ou jogaram) em Espanha.

*European Investigative Collaborations

80%

Os colaboradores de Cristiano Ronaldo e da Gestifute fizeram a seguinte divisão para os direitos de imagem do futebolista do Real Madrid: 80% para os proveitos gerados fora de Espanha, 20% para os proveitos gerados em Espanha, onde o português reside desde 2009.

O INÍCIO

A 6 de julho de 2009, Cristiano Ronaldo foi apresentado no Santiago Bernabéu perante 80 mil pessoas, ladeado por Eusébio, Di Stéfano e Florentino Pérez. Em dezembro de 2008, o jogador já assinara outro contrato, com uma empresa chamada Tollin, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Ficou acordado que a empresa seria a depositária dos direitos de imagem do futebolista e o futebolista seria o recetor de “todos os rentimentos recebidos pela sociedade”

Quem é Peter Lim? 

Segundo a “Forbes”, estima-se que Lim tenha uma fortuna a rondar os 2,4 mil milhões de dólares, que terá enriquecido um dia quando investiu na compra de uma empresa de óleo de palma que depois revendeu a um preço exorbitante. Além de ser um “bom amigo” de Cristiano Ronaldo, Peter Lim também é um grande amigo e parceiro de negócios de Jorge Mendes, o agente/gestor de carreira de Ronaldo. Porque foi através de Mendes que Lim se tornou dono do Valencia, clube da primeira liga espanhola que já foi treinado por Nuno Espírito Santo, o primeiro futebolista a ser representado pelo agente português, nos anos 1990. Além disso, há vários futebolistas no Valencia que fazem parte da carteira de clientes de Jorge Mendes, como Cancelo, Enzo Pérez ou Rodrigo.

O que é a “lei Beckham”

TAXAS A “Lei Beckham” foi criada pelo governo espanhol em 2004 e permitiu aos estrangeiros residentes em Espanha que auferiam salários elevados pagar impostos com uma taxa de 24%, bem mais baixa do que aquela aplicada aos espanhóis, que podia chegar aos 48%. Essa “Lei Beckham” seria revogada em 2010 mas Ronaldo, que chegou a Madrid em 2009, beneficiaria deste estatuto de “impatriado” até final de 2014.

149,8 Milhões, foi quanto Cristiano Ronaldo recebeu pela exploração dos seus 
direitos de imagem pelos períodos 2009-2014 e 2015-2020. Desse bolo total, declarou €22,7 milhões, relativos apenas às receitas provenientes de Espanha

A ligação entre Lim, Mendes e Cristiano Ronaldo

VENDA A 29 de junho de 2015, Cristiano Ronaldo disse que tinha vendido os seus direitos de imagem a um “bom amigo”. “Estou muito entusiasmado por anunciar o meu acordo com a Mint Media, propriedade de um bom amigo meu, o empresário Peter Lim de Singapura.” Lim também é amigo de Mendes e foi através dele que comprou o Valencia, clube da 1.ª liga espanhola.

12,5%“Não foram detetadas quaisquer irregularidades nas contas do clube”

Antonio Galeano, diretor-geral para os media do Real Madrid

12,5%     

O imposto sobre sociedades na Irlanda é de 12,5%. E foi justamente pela Irlanda, através das empresas MIM e Polaris, que passaram as receitas dos direitos de imagem de Cristiano Ronaldo. Uma parcela ficou como comissão para as duas empresas, taxada a 12,5%, e o resto seguiu para as Ilhas Virgens.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Louvável, inexplicável, inqualificável

Louvável I
A homenagem que o Sporting prestou à memória dos atletas e dirigentes do Chapecoense tragicamente desaparecidos no acidente de aviação é um daqueles momentos que registamos com orgulho e cujo sentimento dos adeptos em geral foi correctamente interpretado pelos que têm a função de tomar decisões. Não é muito vulgar ver o emblema de um outro clube disputar o mesmo espaço que reservamos para aquele símbolo que é tudo para nós. É também uma interpretação correcta dos valores do humanitários, a que estamos especialmente vinculados pela finalidade da nossa criação.

Louvável II
Saúdo particularmente as palavras proferidas na Grécia pelo presidente Bruno de Carvalho, por ocasião da inauguração de mais um academia, onde recomendou a postura correcta para abordar as imensas dificuldades que nos esperam no presente campeonato: crença, serenidade e confiança.

Inexplicável I
Felizmente longe das proferidas pelo PMAG sobre igual matéria, que demonstram acima de tudo dificuldade em aprender com os erros e uma deficiente interpretação do que devem ser as suas funções.

Inexplicável II
Nessa mesma declaração na Grécia o presidente referiu-se "aos 43 mil" que estiveram presentes em Alvalade no jogo com o Setúbal. Já não é a primeira vez que a lotação anunciada me provoca sérias dúvidas de rigor na avaliação. Ora, como se sabe, este número foi corrigido já após a cifra oficial ter sido anunciada a rondar um número de pouco mais de 39 mil espectadores.  Episódios como este reforçam e adensam essas dúvidas. Este facto ocorreu já depois da entrada de Markovic e, como disse entre amigos, os grandes jogadores chamam sempre muitos adeptos, mas quatro mil no final do jogo deviam ter alguma explicação.

Inqualificável
Se se confirma que por um erro administrativo as equipas de hóquei em patins do Sporting acabará por sofrer duas derrotas o mínimo que se pode dizer é que é inqualificável. Inaceitável que não haja apuramento de responsabilidade e inadmissível que este episódio acabe por ser decisivo para as aspirações ao titulo principal, onde o clube investiu vultuosos recursos.

sábado, 3 de dezembro de 2016

A próxima viagem é para disputar a liderança. E esta, hein?

Acaba por ser o destaque talvez mais saliente do resultado do jogo desta noite: o Sporting tem, na próxima jornada, a possibilidade de chegar à liderança do campeonato. Talvez tão ou mais surpreendente como a forma abrupta e inesperada como nos deixamos ficar para trás, a partir da quarta jornada.

Curiosamente, não foi a capacidade goleadora de Slimani a deixar mais saudades. Neste momento o Sporting tem mais ou menos os mesmos golos da época passada, mas sofreu o dobro (!) dos golos e isso certamente explicará os cinco pontos a menos, parecendo ter trocado de lugar com o seu próximo anfitrião. E não era bom que no final assim se mantivesse, não era?

Ora a exibição hoje, a somar às mais recentes, funciona de forma auto-explicativa para a situação a que o Sporting chega ao dérby: o Sporting regressa paulatina mas de forma segura e sustentada ao seu melhor nível, aquele que todos esperamos. Hoje foi mais uma exibição sólida, em particular a registada na primeira parte, onde ao inicio poderia ter correspondido o imediato inaugurar do marcador.

Sufoco total para os setubalenses durante esse primeiro perído, que estiveram quase sempre sem espaço nem tempo para jogar. A mesma dinâmica usada na recuperação da bola, com rápidas compensações era depois replicada nas movimentações céleres para o ataque.  Era permanente a preocupação em oferecer apoios e linhas de passe ao portador da bola era, registando entendimento e movimentações de grande qualidade. O resultado poderia ter sido outro se o árbitro assim o tivesse permitido, não anulando dois golos que me pareceram totalmente legítimos.

Destaques individuais para William, Adrien (impecável!), Bruno César (grande nível toda a época e grande estreia a marcar) e um Gélson diabólico a jogar e a assistir. Dost pareceu desistir a partir de determinada altura, certamente pelos golos anulados, mas é um avançado de primeira água. Boa entrada de Campbell.

Uma nota final para o minuto de palmas que substituiu o minuto de silêncio, na homenagem a todos os que ligados ao Chapecoense desapareceram tragicamente esta semana. Não sei quando é que o barulho das palmas se substituiu em valor e importância ao silêncio. É uma daquelas coisas que nunca vou conseguir perceber e acho que quem bate as palminhas também não.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A esperança que fica da Taça da Liga, o Relatório & Contas no que mais interessa, a querela com a RTP

Taça da Liga
Não foi um jogo particularmente agradável de se seguir e dificilmente poder-se-ia assistir a uma grande prestação colectiva, tendo em conta as alterações introduzidas por JJ. Tenho insistido aqui muito nisto:
- Jogadores que não jogam com assiduidade dificilmente se conseguem apresentar com ritmo e intensidade ao seu melhor nível, o que por vezes até distorce a noção do seu valor pelo que projectam;

- O facto de um elevado número de jogadores juntos na mesma equipa  pela primeira vez, ou tendo-o feito pouquíssimas vezes (a que se soma a tal falta de ritmo individual) é um factor determinante para a qualidade de resposta não poder ser igual.
A isto temos obviamente que juntar o facto de, por alguma razão, estarem a jogar aquilo que se convencionou chamar "segundas linhas". Mas era precisamente aqui que queria chegar pois, se o interesse do jogo propriamente dito se possa ter extinguido com a conquista dos três pontos e o derradeiro apito do árbitro, a avaliação do que estes jogadores ainda podem oferecer à equipa já não me parece. 

Acabamos de entrar num mês em que a sorte da equipa nas diversas competições será objecto de decisões, três delas de carácter eliminatório: Taça da Liga, Taça de Portugal, Liga dos Campeões. Até ao inicio de Janeiro (dia 3) temos ainda oito jogos para realizar, dois dos quais são para a Taça da Liga (Varzim, Setúbal) 1 para a Taça de Portugal (Setúbal) um para a Liga dos Campeões (Légia)  e os restantes para o campeonato (Setúbal (c) Benfica (f) Braga (c) Belenenses (f). 

Este excesso de agendamento abrirá certamente espaço para que jogadores com menos tempo e oportunidades se mostrem e alguns ganhem ritmo suficiente para se constituírem como opções para titulares. E há alguns, mesmo sem terem prestações relevantes, que deixaram indicações interessantes e que, com enquadramento a outro nível mais elevado, com os habituais titulares e nunca todos em simultâneo como agora, devem ser levados em linha de conta: Esgaio, Paulo Oliveira, Douglas, Petrovic, Elias, André e sobretudo Campbell. Na outra face da moeda a astenia de Markovic continua e mesmo Alan Ruiz, pese o golo, continua a desiludir.

Relatório & Contas do 1º trimestre
O Sporting apresentou o seu melhor relatório e contas de sempre e esta consideração é igualmente válida mesmo considerando que se trata de um relatório parcelar. Fossem sempre assim sempre os relatórios, mesmo que não fossem desta monta e a saúde financeira do clube seria outra.

É bom lembrar que apresentação deste relatório não foi imposta por nenhum preceito legal ou regulamentar, uma vez que a CMVM deixou de o exigir. Obviamente que, com estes resultados, e ainda por cima em véspera de ano eleitoral, seria um tontice desperdiçar este argumento poderoso. Mas a sua apresentação não passará de uma xico-espertice e um insulto à nossa inteligência se o mesmo não se verificar quando resultados menos favoráveis se venham a registar. De certa forma pode-se considerar que esta apresentação significa um compromisso para o futuro e se assim for não pode deixar de ser saudado.

Não farei aqui uma leitura fina aos resultados, mas não deixarei de proferir algumas considerações que interessarão mais à generalidade dos adeptos, de que faço parte, que não gostam de esmiuçar os números.
- Independentemente das necessidades que representam os compromissos a vencer no curto, médio e longo prazo, estes resultados apontam para uma gestão genericamente equilibrada. O crescimento dos custos tem sido acompanhado com o crescimento das receitas e ambos eram absolutamente essenciais para o acréscimo da nossa competitividade.

- Sem segredo para ninguém, este óptimo resultado é conseguido sobretudo "à custa" da  venda de Slimani e João Mário. A razão do inflacionamento do seu custo para os clubes compradores não reside apenas no seu valor como jogadores, mas assente numa prestação colectiva que em muitos jogos chegou a ser brilhante e que potenciou o valor de cada um deles. A fórmula é simples, a sua aplicação já não e no Sporting particularmente.
- Sintomaticamente, trata-se de dois jogadores com diferentes origens: João Mário da formação e Slimani do scouting. A prova que é possível e até desejável a convivência entre essas "politicas" e o nosso sucesso depende delas. 

- O relatório diz-nos também que, além da obtenção de mais-valias, por via da alienação de passes de jogadores, a presença na Liga dos Campeões é fundamental para suportar o também evidente disparar da actual estrutura de custos.  

- A questão primordial para a manutenção deste circulo virtuoso continua por isso a ser (outra vez!) a gestão desportiva. Quer ao nível da (1) composição do plantel (formação+scouting) quer ao (2) nível técnico, que é o rendimento que se adquire por via do treino. O recurso da gestão a engenharias financeiras e outros expedientes só acontecem quando a gestão desportiva está a falhar.

- Se o segundo se pode dizer aquirido, o primeiro este ano deixa dúvidas. Este ano foi particularmente notório que (a) o reforço do plantel foi tardio - facto já admitido por Jesus - (b) foi duvidoso no que diz respeito à oportunidade de muitas escolhas, (c) foi diminuto o recurso à formação  e (d) aparentemente excessivo no que diz respeito ao recrutamento externo, o que seguramente interferirá nos resultados globais, se rectificações não forem feitas. O rigor é sempre indispensável e os resultados são ainda melhores no futuro quando ele é aplicado em tempos de bonança.

- Há por isso duas questões que ficam no ar: a) quantos dos resultados desportivos a obter esta época não poderão ter ficado comprometidos logo à partida por via das decisões tomadas para a formação do plantel e, b) olhando para o actual plantel, é possível a manutenção deste modelo?
- Para assegurar um modelo diferente e quiçá mais equilibrado seria necessário fazer crescer outras fontes de receitas, de forma a que a necessidade de vender não fosse tão premente. Para os clubes portugueses esse é o ovo de colombo ainda por descobrir. Ainda assim há muito ainda por fazer e para melhorar e cuja 

A RTP e a promoção do Benfica
Fica apenas uma nota final de rodapé a recente querela com a RTP, por via de um spot promocional de um jogo do nosso rival. As questões de humor são sempre particularmente sensíveis, quantas vezes não assisti já a risos desbragados a acontecer em simultâneo com reações de indignação a propósito da mesma piada. 

A reacção parece-me excessiva face ao conteúdo do spot, que o Sporting considerou falta de respeito pelo clube. A referência ao Sporting é residual e nem sequer é ofensiva - se assim quisesse ter sido podia escolher a versão pior da "baforada". É também uma manifestação de incompetência e falta de segurança da RTP e desrespeito pelos funcionários.

Saber rir de si mesmo é uma manifestação do mais apurado sentido de humor. Reacções deste tipo, parecem-me, isso sim, uma manifestação típica de alguém com pouca segurança de si e com sua própria imagem, típico de gente complexada, e que, por isso, nada tem nem pode ter a ver com o Sporting.

Parece-me isso sim mais uma manifestação de excesso de atenção e reacção a tudo o que vem acoplado à palavra Benfica e que infelizmente faz cada vez mais escola. Quase sempre de forma primária e quando não grotesca, e não de forma inteligente e documentada (com muito poucas honrosas excepções  como p. ex. O Artista do Dia) o que só desqualifica não só quem o faz mas por via directa e indirecta o clube. Em grande parte são os Sportinguistas com o seu excesso de atenção ao rival aqueles que mais o promovem e mais o colocam nos assuntos do dia.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sporting160: quando sou eu o entrevistado

O João Castro é um Sportinguista que tive oportunidade de conhecer recentemente e que criou um programa de entrevistas na plataforma Twitter a que chamou Sporting160. Já decorreram três entrevistas, a última das quais foi a minha. Hoje transcrevo-a aqui (as restantes e próximas podem ser acompanhadas no blogue Bancada de Leão). 

Para quem não sabe a plataforma permite apenas 140 caracteres, pelo que as respostas são por isso condicionadas, fazendo com que fique uma sensação de que fica alguma coisa por dizer. Por isso, neste post, adicionarei em itálico alguns comentários ou acréscimos às respostas dadas, visando com isso tornar mais claro e mais objectivo o meu pensamento.


Vamos dar inicio a mais um #Sporting160 hoje com um Leão do Norte, @leaodealvalade, que desde já agradeço por ter aceite o convite

Antes de mais tenho que agradecer o convite. É uma formalidade mas é também um agradecimento genuíno

1-Como é que é ser um Leão a Norte de Alvalade?

É surpreendente a quantidade de Sportinguistas que existem A Norte, sobretudo para quem não conhece a realidade de perto. Hoje é mais fácil pelo trabalho feito nos núcleos que aproxima os adeptos como eu que vivem o clube.  

A possibilidade de comprar bilhetes antecipadamente é uma enorme conquista, que anula a tradicional incerteza de empreender viagens sem garantia de assistir ao jogo.

2-Achas que no Norte sentimos o clube de maneira diferente?

Sinceramente, sim! Talvez pela distância ou por outra razão qualquer. Tantas vezes em Alvalade que vejo os adeptos sair após um mau resultado, penalizador para a nossa equipa, a falar de banalidades como se não tivesse sido nada.  

Provavelmente tal não sucede apenas connosco, mas com a generalidade dos vivem como nós nas mesmas condições. Ir a Alvalade ou a qualquer lado ver o Sporting é sempre uma festa, o que por vezes parece ser vivido em Lisboa como uma ida às compras ou ao cinema. Claro que isto é uma generalização que até se aplica mais ao publico tradicional das centrais. Mas só quem mora longe sabe o que é fazer 300 Km no maior silêncio após um resultado desfavorável.

3-Como é que entrou o Sporting na tua vida?

Como entraram todas as outras paixões: pura sedução, mas sem grande explicação. Na minha família ninguém liga muito ao fenómeno clubistico. Fui crescendo e interessando-me pelo fenómeno e quando dei por mim estava a entrar em Alvalade, sem ter dito a ninguém que ia. Era um adolescente, tive que aprender por mim tudo sobre o clube e também, depois desse episódio, que não se sai de casa sem avisar especialmente se vais chegar tarde.

4- Esse amor pelo Sporting, já o replicaste para as gerações mais novas?

Sim, tenho um filho já adulto que é do Sporting, tenho que confessar que essencialmente porque gosta do pai. Ele é mais basquete e já teve oportunidade de conhecer um grande capitão da modalidade (e andebol!) e campeão. Teve a sorte de estrear em Alvalade, quando o Liedson desfez a coluna do Luisão, coisa que ainda se nota na falta de cabelo.

5-Na Galeria dos Imortais, qual o maior de sempre?

Dos que eu vi jogar, Manuel Fernandes, indiscutivelmente. Não só porque foi um grande jogador mas também um grande capitão e um exemplo de dedicação ao clube. Felizmente a nossa história tem vários exemplos do género, de grande mérito e de escolha para todos os gostos.

6-Qual o golo dele que mais recordas, o mais especial?

Com sinceridade, nenhum em especial, porque foram muitos, mas a participação dele nos 7-1 é para sempre.

7- Mudando agora o assunto. Formação, temos o modelo adequado?

É difícil responder com pouco tempo e espaço a uma realidade complexa em constante mudança e p2 falamos de ciclos. Podemos estar a trabalhar bem mas ser penalizados no recrutamento, enfim, há muitas variáveis.  Já estive mais descansado sobre esse aspecto, gostaria por exemplo que o plantel A fosse mais curto e houvesse mais espaço para quem estivesse na B (que já teve mais qualidade) visse a "A" como alcançável e este ano isso é quase impossível. 

Tenho ideia que este seria o modelo, já anteriormente aplicado, que mais nos convinha. Parece-me fazer muito pouco sentido ver jovens com progressão tapada por jogadores como Meli, Petrovic, etc, que não passam de segundas linhas e de valor muito duvidoso. Acrescentaria que também me pareceria recomendável uma maior contenção nas mexidas, que têm sido constantes, (quer a nível técnico quer de composição do plantel da B e juniores), por exemplo, sem se perceber ou haver sequer tempo para perceber que méritos encerram. O recente regresso de Luís Martins é à partida uma excelente noticia, de que se esperam bons resultados.

8-Ecletismo, és a favor ou preferias uma aposta mais forte no Futebol?

Tenho que responder a 2 níveis: eu sou mais futebol, embora goste praticamente de todas as modalidades. Mas se há  algo que aprendemos juntamente com o descobrir da história deste grande clube é que ninguém é do Sporting algo que aprendemos juntamente com o descobrir da história deste grande clube é que ninguém é do Sporting sem gostar dele eclético, foi também por aí que nos tornamos no que hoje somos e não lutar para que assim nos mantenhamos é alienar o esforço de gerações que nos precederam e a quem devemos muito do que hoje somos. Daí que não tenhamos outra alternativa senão continuarmos a respeitar esse legado para manter a nossa identidade.  

9-Vamos lá acabar com o mito que foi criado na Internet, votaste em Godinho Lopes nas ultimas eleições?  

Não, mas últimas eleições votei no Couceiro ;). Mas nas eleições onde o GL concorreu votei em Abrantes Mendes. Não, mas últimas eleições votei no Couceiro ;). Mas deixa-me dizer 1 coisa importante: ninguém no clube deveria ser estigmatizado pelos candidatos em que votou. Porque todos nos enganos e muitas vezes somos levados ao engano. 

Aliás, se assim fosse as elevadas percentagens que elegeram Roquette e os presidentes que se seguiram, com a ratificação em A.G. da cooptação de Dias da Cunha, deixariam de fora, para todo o sempre, um elevado número de Sportinguistas, certamente que, alguns dos quais, senão todos, são hoje membros dos órgãos sociais

Mais importante parece-me o acompanhamento do trabalho que fazemos depois de eleitos. Creio que a história recente do clube prova que é indispensável o sentido critico, que devemos acima de tudo pelo clube que queremos deixar aos nossos filhos. Nesse sentido (as últimas) gerações têm muito que explicar-lhes. Não por falta de amor ao clube, não conheço nenhum Sportinguista que não o sinta mas pela forma como o acompanha e como acompanha as decisões que são tomadas. Julgo que há ainda uma pacificação interna para ser feita, embora também acho que ninguém deve escapar impune de acções que se comprovem acções dolosas ou deliberadas para se aproveitar do que é afinal de nós todos. Só assim viraremos a página.

Mas não posso deixar de olhar para trás e considerar que se o meu candidato tivesse ganho então estaríamos muito mal servidos de treinador, o que teria sido de certeza fatal para o projecto. Que se BdC tivesse ganho provavelmente não seria hoje já presidente do Sporting, porque o treinador por ele escolhido tinha tudo para ser o seu Vercauteren. Que Domingos, talvez a melhor escolha, teria tido mais condições de sucesso, apesar das limitações que evidenciou, com a actual direcção, muito mais coesa e focada que o choque de egos e o "salve-se quem puder" em que se tornou a direcção de Godinho Lopes. Enfim, um exercicio de futurologia com o passado.

10-Porque razão te associaram aos chamados "croquetes"?

Pela voragem dos acontecimentos online, que a minha capacidade em modo de arrastadeira não conseguiu acompanhar, não respondi a esta pergunta. Há várias respostas para ela, a mais importante das quais é a ignorância. Desconhece-se o que pode falar por mim, que são os artigos que escrevo desde o dia 28 de Agosto de 2008. Não é assim tão pouco e, sem modéstia, posso dizer que hoje o Sporting estaria muito melhor se a generalidade do adeptos tivessem a mesma consciência e o mesmo sentido critico. Provavelmente serão os mesmos que então me chamavam terrorista quando contestava as alienações de património e outras, cujo resultado é hoje evidente, entre outros. 

Creio que tal associação se fez pela minha contestação no blogue à forma como se procedeu ao movimento de destituição de Godinho Lopes, em que felizmente o bom senso acabou por imperar, não tendo assim ocorrido muitos dos problemas que facilmente se antecipavam. Como provavelmente em tantas outras matérias não tinha razão, embora me pareça que ainda se vive muito sob o signo desse período.

É por isso que insisto tanto na necessidade de pacificação do clube porque ele será inevitavelmente mais pobre se abdicar do espírito universal e inclusivo dos fundadores e deixará de ser um clube de todos para ser apenas de uma facção, mesmo que esta seja grande. Isto não é lirismo, como alguns apodam, é convicção nos valores que transformaram a ideia de uns quantos aristocratas, num clube popular e incontornável na história do nosso País. De outra forma a ideia não teria resultado mais do que uma agremiação fechada e há muito extinta.

11- Em Março votarás BdC perante o cenário atual?

Não posso dizer "desta água não beberei" mas é praticamente impossível de acontecer à luz de hoje. Sou muitas  critico porque acho que tem falhado em coisas que até seriam mais fáceis, como por exemplo a questão da pacificação interna. Creio que foi uma oportunidade perdida por falta de vontade e de percepção da importância para o clube e mesmo para ele. Quem ganha é que dita as condições com que se faz a paz a isso junto também a forma de comunicar que se afasta muito da identidade que me habituei a conhecer e gostar. Mas isso não invalida o reconhecimento do trabalho feito, nas condições que recebeu, na atenção dedicada adeptos que se nota no fervor clubistico que se experiência em todo o lado onde o Sporting joga. coisas que muitas vezes eram mal feitas sem se perceber porquê. Se tivesse que qualificar o seu grande mérito conseguiu a normalização do clube como se o pior ano de sempre não tivesse sucedido. Não é nada pouco!

A construção do pavilhão, quase concluída, a demonstração prática que o Sporting pode valorizar os seus jogadores como os nossos rivais, assim como os contratos televisivos, a estabilização financeira, ainda não totalmente concluída mas com progressos assinaláveis são alguns outros dos méritos, entre outros. Mas a minha falta de empatia com Bruno de Carvalho vem desde o momento de apresentação da sua candidatura, em 2011, que até era então a minha intenção de voto. Até hoje, ao invés de se esbater ainda se acentuou.

12-Futebol dentro do campo. Como viste a vitória no Bessa?  

Com esperança, acima de tudo. Muita qualidade, o que equivale a uma nítida subida de produção. O senão do final não deve ser dramatizado em excesso, havia 1 jogo esgotante nas pernas e a falta do segundo golo intranquilizou. Madrid, Guimarães pesam muito ainda, como não podia deixar de ser.

13-Agora questões com respostas mais curtas e diretas. És fã de JJ?

Às vezes julgo que sou o seu maior fã :-)

14.Apuramento na CL esta difícil, apostarias na Liga Europa?ou somente na liga?

Um Sporting grande tem de apostar sempre o melhor prémio ao seu alcance.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O golo do Boavista que não foi

Consegui escapar à polémica discussão sobre um possível golo do Boavista, quando os pés do Rui Patrício ficaram para lá da linha de golo. Se todo o perímetro da bola passou ou não a linha de baliza ainda não sou capaz de formular um juizo, porque até ao momento não vi nenhuma imagem que me elucidasse.

O Sporting preferiu abster-se de comentar o lance oficialmente, o que se compreende em parte, por provavelmente não poder sustentar com rigor argumentos que provem a validade da decisão da equipa arbitragem. 

Porém, atendendo a que o clube tem feito da introdução das novas tecnologias na análises a este tipo de lances duvidosos, esta era uma boa oportunidade para demonstrar que a sua luta é feita por convicção e que esta pretensão não é apenas invocada quando o juízo dos lances ocorre em desfavor das suas pretensões. Era uma oportunidade para marcar pontos que assim se perdeu, quem não deve não teme, lembrando que se as suas pretensões já tivessem sido atendidas o futebol teria mais verdade e menos problemas.

sábado, 26 de novembro de 2016

Boavista 0 - Sporting 1: Xeque duplo com sucesso

O Sporting apresentou-se no Bessa de forma autoritária, dominando o jogo e o adversário, construindo jogo e oportunidades em quantidade e qualidade para ter  resolvido a partida logo na primeira etapa. Uma entrada de muito bom nível colectivo, com destaques individuais para:

William a fazer de maestro, a marcar os ritmos na forma como decidia jogar curto ou em lançamentos longos.

Adrien, pelo nervo e pelo exemplo no inconformismo e reacção.

Campbel, pela criatividade e improviso e pela forma inteligente como ia ligando Bas Dost à equipa, pena foi que fosse desaparecendo, até descer ao balneário.

Bruno César, talvez o jogador mais constante de toda a temporada e, à semelhança de Adrien, dos mais importantes a gerar equilíbrios e a criar superioridade em espaços e pontos decisivos do jogo.

Gélson pela criatividade e pela forma rápida e quase constante como arrasta a equipa para a frente, fazendo de uma recuperação de bola da equipa constantes lances de perigo para o adversário. "The Assistant", já com seis serviços perfeitos para golo e só contabilizando a Liga, servem para demonstrar a preponderância do miúdo no nosso jogo.

Bas Dost, não só pela eficácia (marcou um e não se pode considerar de todo um falhanço a bola que, de primeira, envia ao poste) mas por finalmente demonstrar que a inteligência nas desmarcações nas costas dos defesas também pode ser usada para descer linhas para ajudar a equipa a subir, oferencendo-se mais ao jogo, com ganhos evidentes para a ligação do nosso jogo ofensivo.

A segunda parte acabaria por ser um outro filme, não tão agradável à vista como os primeiros quarenta e cinco minutos. Algum cansaço certamente, alguma reacção boavisteira, mas sobretudo muita passividade e, à medida que os minutos iam decorrendo, aquela sensação incapacitante de, não resolvendo o jogo, estar à mercê de um golpe de azar ou  de inspiração individual. O que se sentiu com mais acuidade a partir da bola na barra de Bruno César e que provocou o efeito inverso na equipa adversária.

Foi então que o jogo entrou numa fase nada agradável, mas onde o Sporting soube ir buscar a frieza e inteligência que terá faltado noutros jogos (Madrid e Guimarães, por exemplo) e que tantas vezes reclamamos. Quando ganhamos perdemos muita da legitimidade para reclamar. Mas é inevitável considerar que com este Boavista podíamos ou devíamos ter podido e sabido gerir melhor as emoções e sobretudo a gestão da posse de bola. 

Com maior ou menor dificuldade lá obtivemos os indispensáveis três pontos, que não apenas nos permitem pensar que, na pior das possibilidades, mantemos a distância à frente da tabela. Tão bom como isso, como acabamos por regressar a um lugar, o segundo, que deve ser sobretudo encarado como moralizador para um Dezembro terrível que temos pela frente.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Walk the way you talk, Bruno - Uma visão externa

Este blogue constrói-se de opiniões pessoais por isso é muito raro aqui a colocação de opiniões externas. Hoje, excepcionalmente deixarei um artigo do jornalista do MaisFutebol Sérgio Pereira porque, como visão externa, me parece interessante e equilibrado, merecendo por isso atenção. No fundo, e de forma resumida, para se assumir como uma força de mudança tem que adequar o discurso à prática. A sua publicação não significa porém total concordância, porque a minha opinião é diferente. 

O artigo:

Ponto prévio: já tive oportunidade de conversar informalmente duas ou três vezes com Bruno de Carvalho e em todas elas saí do encontro bem impressionado com o presidente.

Pensa o futebol da maneira que eu penso, e que, acredito, é a correta. 

Bruno de Carvalho defendeu, por exemplo, a centralização da venda dos direitos televisivos, não como se faz em Inglaterra mas num modelo próximo do italiano. Na Série A, recorde-se, as receitas televisivas são distribuídas pelos clubes tendo em atenção vários factores: adeptos do clube, habitantes da cidade, resultados do ano anterior e média de resultados das últimas cinco épocas. Como se sabe esse não foi o caminho seguido, muito por culpa do Benfica, é verdade. 

Bruno de Carvalho sempre se insurgiu contra o paradigma que assiste à existência da Liga de Clubes. Diz ele que as reuniões na Liga só servem para discutir arbitragem: um presidente queixa-se do último penálti, um diretor duvida de determinado fora de jogo. Ninguém discute os temas de facto importantes para o futebol. Por isso defendia que a Liga de Clubes devia mudar, para se aproximar do que acontece em Inglaterra: tornar-se uma unidade de negócio. Basicamente seria uma entidade privada detida pelos clubes da I Liga, sendo que cada clube tem um certo número de ações da Liga. Quando desce o clube cede a participação ao clube que sobe, mas durante dois anos recebe parte das receitas televisivas para não se gerar um fosso grande.

Tudo isto permitiria à Liga de Clubes tornar-se um espaço  apenas para tratar do negócio futebol: negociação dos direitos televisivos, de patrocínios, de contratos de publicidade. Tudo o que é arbitragem, tudo o que é disciplina, tudo o que não faz parte do negócio futebol passaria para comissões independentes. Mais uma vez muito bem: totalmente de acordo. Mas ainda há mais.

Bruno de Carvalho defendia também que os presidentes dos clubes não têm de ser amigos, mas têm de ser capazes de trabalhar em conjunto pela valorização do negócio futebol, sob pena de um dia destes os clubes não terem audiências.

Criticava ele que os dirigentes são os primeiros a desvalorizar o jogo, enchendo-o de suspeição e negatividade, e acrescentava que era preciso tornar o negócio um produto mais charmoso, atraente e sedutor. O que traria mais público, mais dinheiro e um melhor futebol.

Admirável, não é?

Infelizmente o que se vê do presidente do Sporting não tem muito a ver com o que ele defende que devia ser o futebol português. O que se vê é Bruno de Carvalho em tricas constantes com dirigentes, árbitros e até treinadores.

Um presidente constantemente na crista da onda, e nem sempre pelos melhores motivos. O que é mais doloroso é que Bruno de Carvalho é um dirigente jovem, que acabou de chegar ao futebol.

Não é um homem sem formação, não traz vícios de antigamente, sabe o que o negócio precisa, mas mesmo assim comporta-se como todos os outros: achando que quem grita mais, está mais perto de ganhar jogos. Há dias, o treinador Marc do Santos, que está a trabalhar nos Estados Unidos, dizia  ao Maisfutebol que gosta de seguir um velho ditado americano.

Walk the way you talk.

O futebol português precisa desse Bruno de Carvalho: que reflita sobre os temas importantes, que tenha ideias frescas e que caminhe do jeito que fala.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

No mais puro "croquete style"

A SAD do Sporting aproveitou as vésperas do jogo como o Real Madrid para divulgar a entrada de novos investidores, numa operação a rondar os 18 milhões de euros. Divulgar que é bem diferente de informar, uma vez que não são avançados os nomes das entidades ou pessoas envolvidas como obrigam as mais elementares normas de transparência. 

Quem são, o que fazem, ao que vêm? Qual a razão para manter o nome em segredo? Admitamos que o segredo é alma do negócio enquanto este está por concretizar. Mas se a razão é essa porque se divulga já? Enfim, um sem número de questões, estas e outras que se levantam. Mas o mais importante aqui é a "divulgação" de uma noticia, num timing claramente escolhido para se furtar à atenção dos interessados que somos todos nós, Sportinguistas.

Mas, para lá do aspecto formal, há que considerar as suas implicações. É que esta não é uma mera operação de aumento de capital, implica a emissão de mais um lote das já famosas VMOC´s, no valor 55 milhões de euros. Assim, o valor total de obrigações convertíveis cifrar-se-á em breve em 190 milhões de euros, isto para uma sociedade com um capital social de 85 milhões de euros. 

Entretanto, se nada for feito, em 2026 o clube está obrigado a recomprar 52% desses 190 milhões, o num valor a rondar os 99 milhões de euros. Os bancos, outrora uns ladrões, hoje amigos, já detêm um terço da SAD, que com esta reestruturação financeira tantas vezes elogiada como exemplar, alienou cerca de 40% do seu capital. 

A possibilidade de os bancos ficarem com dois terços no final da operação parece-me remota porque não têm interesse nem vocação para administrar SAD's pelo que, se o clube nada fizer, terá que se haver com quem os credores encontrarem para ficarem com as acções que então deterão.

Esta forma de onerar os vindouros e o método e o tempo escolhidos na sua divulgação fazem lembrar, para pior, o que muitos hoje chamam de "geração croquete". Infelizmente muitos desses deviam estar a dormir aquando das primeiras emissões e, pelo que se vai vendo, ainda não acordaram. Se nada for feito, em 2026 acordamos todos. Provavelmente aos gritos. 

Qual é o meu receio? É que em 2009, quando esta solução foi apresentada, "isto" ia ser resolvido, só que a maturidade da primeira tranche chegou em Janeiro deste ano e a solução encontrada foi empurrá-la, ela mesma, a solução, para 2026...

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sporting 1 - Real Madrid 2: quando e porquê os deuses se zangaram connosco?

Não há palavras para descrever o orgulho que é ser Sportinguista. Não há palavras que expliquem o que é o amor incondicional por este emblema, pelas nossas camisolas, que nos leva a nunca virar as costas, em qualquer circunstância. Foi o que hoje ficou demonstrado num espectáculo sem par dado pelos adeptos nas bancadas em Alvalade e que leva os que nos visitam a perguntar: como é possível esta abnegação inquebrantável com tantos anos sem ganhar? 

Não é o parágrafo acima a sublimação da frustração pelo resultado de hoje ou a expressão do regozijo possível à falta de melhor e muito menos a celebração da derrota. A cada dia que passa a vitória nas principais competições que o clube disputa é ainda mais urgente e necessária. Mas, uma vez mais como em muitas outras ocasiões, de todo o erro cometido é-nos emitia de forma imediata uma amarga factura. 

Foi o que hoje sucedeu mais uma vez quando Semedo prefere adornar um passe fácil e o que nos poderia dar um contra-ataque rápido acabou num livre fatal e pontuado pela sorte merengue, com a bola a acabar na nossa baliza. Ou o incorrigível João Pereira, que mesmo sem merecer expulsão, não fez mais do que pôr-se a jeito da teatralidade de Kovacic e da discricionaridade do árbitro, mas ainda assim inadmissível a este nível e num jogador experiente? De assinalar que ambos os lances acontecem em momentos em que o Sporting estava completamente por cima do jogo.

Parece que algures no tempo os deuses do futebol se zangaram connosco, quando as nossas vitórias se multiplicavam e lhes faziam inveja, penalizando-nos agora a cada oportunidade e tornando as nossas vitórias nos custam mais do que o suplicio de Tântalo ou os trabalhos de Sisifo

Obviamente que as razões para a derrota não devem ser encontradas na construção de uma mitologia privada para as nossas derrotas ou aceites como um fado mas sim explicada antes de tudo nas nossas falhas recorrentes. De outra forma a possibilidade de as corrigir e inverter a ausência de títulos só estará a ser prolongada, excepto o campeonato da auto-desculpabilização.

Não somos nós contra o mundo nem o mundo contra nós, não é a Europa do futebol que não nos quer, somos nós que ainda não somos suficientemente competentes para vencer. Aceitar o azar e a desgraça é descrer da inteligência, é uma forma de desistir.

Mais do que um jogo, uma prova Real de vida

O destino do Sporting na actual Liga dos Campeões ficou traçado logo no momento do sorteio da fase de grupos. Daí que, mais do que uma competição normal, esta participação na Liga dos Campeões tornou-se numa difícil tarefa de luta contra esse destino. 

Até agora o cumprimento desse desígnio tem ficado aquém não só do necessário em termos pontuais e, exceptuando pouco mais de oitenta minutos em Madrid, em termos exibicionais. Com apenas três pontos conquistados e outras tantas desilusões: duas totais, resultantes do duplo embate com os alemães e uma parcial mas particularmente dolorosa de escassos minutos de reversão de resultado em Madrid.

Considerando a débil exibição com os então igualmente débeis polacos do Légia, esta passagem pela suprema competição de clubes está até agora aquém do necessário, quer em pontos quer em "contos". Mesmo os serviços mínimos estão ainda por garantir, que é qualificação para a Liga Europa.

É por isso que o jogo de hoje com o Real Madrid assume hoje a importância de uma prova de vida. Não só para uma tão ambicionada mas muito difícil continuidade na prova, mas até mesmo também para a passagem ao degrau abaixo, a Liga Europa. Isto porque o Légia de Varsóvia ressuscitou precisamente ante o adversário de hoje e tem pela frente uns alemães em viagem de turismo  - estão apurados, falta apenas definir o lugar - em Varsóvia.

domingo, 20 de novembro de 2016

Tão imbecis como os mais imbecis da Europa?


Fui estes dias surpreendido por um extracto de um programa exibido na BTV onde José Nuno Martins, profissional conhecido da comunicação social, com o canalha de serviço à sua frente, fazem um absurdo exercício de imbecilidade. Sem dúvida surpreendente não naquele canal mas com este protagonista, que até goza de alguma reputação junto da generalidade do público. 

Mais surpreendente é o próprio José Nuno Martins, sem qualquer noção do ridículo, considerar que "estamos a exagerar, a perder sensatez" ele que até se considera "uma pessoa de paz" enquanto cospe as maiores imbecilidades.

É neste campeonato que queremos ver o Sporting jogar, com as comunicações do Saraiva e o troglodita do Dolbeth?

Queremos ser tão imbecis como estes imbecis, respondendo à letra, descendo a este nível, ou deveríamos distanciarmo-nos e marcar a diferença?

sábado, 19 de novembro de 2016

10 anos de Patricio: da turbulência à tranquilidade


A carreira de Rui Patrício, que hoje completa dez anos, é o exemplo paradigmático e condensado da célebre fase de Thomas Edison, que aqui vai ser dita em forma revista e adaptada: o sucesso é construído por 10% de talento e 90% de transpiração. 

O elevado grau de profissionalismo e uma personalidade ímpar de tenacidade e superação de Rui Patrício fazem-no ser inteiramente merecedor deste momento. Mas também a perseverança e convicção de Paulo Bento, que o lançou e, pode-se dizer sem rodeios, o aguentou na baliza muitas vezes contra o que me pareciam ser os interesses do Sporting e mesmo até do próprio Rui Patrício. 

A verdade é que não sabemos como teria sido, sabemos, isso sim, que foi por aqui que se começou a construir aquele que hoje é, de forma incontestável, o melhor guarda-redes português da actualidade e que tem já um lugar de destaque reservado nos melhores de sempre:
"O grande contributo ao Rui não foi colocá-lo a jogar... foi, mais tarde, não o tirar. Não era fácil um jovem entrar para o aquecimento e já estar a ser assobiado. Aliás, houve um momento, acho que nunca lhe contei, após um jogo em Setúbal [derrota por 1-0, num lance em que Rui Patrício é mal batido], disse para mim que nunca o iria tirar. Foi o empurrãozinho que lhe podemos ter dado, o resto foi dele"

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A balada do mestre André, o Ferrari vermelho e Jesus misericordioso

Resumo analitico-sintético do jogo com o Praiense:

Castaignos é um jovem cavaleiro frísio abnegado, mas pouco convincente. Ele era cartas, era e-mails, algumas flores e telegramas que nunca chegavam ao destino. Chega o Mestre André, jeito gingão e a voz maviosa dos trópicos e com apenas dois toques do tipo "olha, deixa-te de merdas e vamos embora ao que interessa". E a miúda lá viu o padeiro. E gostou do que viu, porque foram logo duas seguidas, sem tirar nem por. Fica o registo: O jovem Castaignos para já reúne as condições ideais para... ver os jogos do Bas Dost e André de posição privilegiada: do banco e/ou bancada.

Enquanto isso Alan Ruiz andava às voltas para desestacionar o Ferrari vermelho. Mas nem para a frente nem para trás. E se alguma alma misericordiosa puder passar hoje por Alvalade por favor verifique se não andará às voltas para sair da garagem. O meu receio é apenas um, que até são talvez dois: pelo menos não danifique o relvado, que andamos muitos anos até acertar no adubo.E que não acerte em nenhum dos pilares mestres, é certo que a nossa casa tem alguns defeitos de construção, mas é a nossa e não temos outra.

Com isto se prova que Jesus é misericordioso com os que mais precisam: com os açoreanos do Praiense, que tiveram que atravessar metade do Atlântico sem medo de ser vaporizados,  com o jovem e inocente Castaignos e com o argentino Ruiz, que nem para ir buscar o Mel(i) parece ter jeito. Mas não é por falta de tentar sempre mais uma e outra vez que o homem se há-de perder dos caminhos do nosso senhor.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Entre o fumo e saliva, o que nos resta?

(Texto da autoria do leitor do blogue "Leão Devoto")

Nos últimos dias os sportinguistas foram confrontados com mais um episódio infeliz que envolve o seu presidente. Imagens de cenas muito pouco edificantes, em que desta vez até me parece que o presidente do Sporting não foi o principal culpado. Com a discussão centrada entre se exteriorizou saliva ou fumo (confesso que depois de ver várias vezes as imagens me parece que foi fumo, mas nem quero perder muito tempo com isso) e com a certeza de que existiram agressões do presidente do Arouca a stewards e contacto físico com BdC, este caso foi explorado até à náusea pelos comentadores de TV e pelos jornais, tendo os ecos chegado até à imprensa estrangeira.

Há de facto uma grande atenção a tudo o que BdC faz, incluindo a sua vida pessoal. Será perseguição e ele uma vítima de tudo isto? Será esta a ideia que se pode instalar nos sportinguistas e que até é compreensível. Mas a verdade parece mais profunda que isto.

A credibilidade e a confiança que alguém inspira demoram muito a conquistar e podem perder-se em muito pouco tempo. BdC foi minando a sua credibilidade com a conversa das “nádegas”, com posts brejeiros no facebook, com várias mudanças na comunicação do clube e quase sempre para pior, com idas a programas da TVI para denunciar uma situação grave como os vouchers oferecidos pelo Benfica (que seria a ponta do iceberg) mas não resistindo a ser ele o protagonista e dando projecção a personagens rasteiros como Pedro Guerra e projecção ao programa. BdC não consegue resistir aos holofotes, o seu egocentrismo não lho permite, tem de estar sempre na agenda mediática. É pois ao mesmo tempo vítima e culpado de estar sempre na berlinda.

Queixamo-nos da SIC, mas entregamos-lhes imagens de desacatos nas nossas instalações. Protestamos contra Guerra e outros comentadores mas o presidente vai ao programa onde ele debita alarvidades, mesmos sabendo que o continuaria a fazer e com mais projecção ainda, depois de BdC lá ir.

A nossa estrutura é muito fraca e confusa. Alguém sabe o que Octávio faz actualmente no Sporting? Ou está lá apenas porque Jesus assim o pediu? Quem é o verdadeiro responsável pela Comunicação? Como nos relacionamos com os media? Qual a influência que temos nas instâncias que decidem o futebol português? Mudou alguma coisa desde que BdC lá está? Ou continuamos atabalhoadamente a apoiar candidatos como Proença e Lobo que nunca nos foram favoráveis?

Entretanto continuamos sem ganhar. Mas já não somos diferentes na postura e na respeitabilidade. O Sporting não melhorou o desporto português como muitas vezes fez no passado mas estamos a deixar que o futebol português piore o Sporting. E isso é lamentável. Muitos diziam que era por essa postura que não ganhávamos. Não era. Era por isso que valia a pena lutar.

Queremos todos muito vencer e não temos produzido presidentes que nos façam entrar nesse caminho como todos desejamos. Isso já acontecia antes de BdC e chegou ao ponto mais baixo com Godinho Lopes. Mas dispensamos que o Sporting seja constantemente motivo de chacota ou de polémica diária. Muita dela provocada e exacerbada pela propaganda do Benfica (que é por isso competente) mas para a qual também nos colocamos a jeito. E BdC facilitou-lhes a vida ao minar a sua própria credibilidade e ao não apostar numa estratégia de antecipação. Jogou sempre segundo as regras que o adversário impôs e deixou-se assim apanhar e derrotar mais facilmente.

Não nos damos ao respeito. E assim é muito mais fácil um qualquer Carlos Pinho vir a Alvalade provocar arruaça e mesmo assim ficarmos com dúvidas se BdC não terá também culpa no processo. Bruno de Carvalho é hoje muito fácil de acusar e de implicar em qualquer ato indigno. E em larga medida a culpa é de si próprio. Será dos mais odiados do futebol português, como dizia hoje o Artista do Dia. Mas faltaram-lhe ponderação, inteligência e elevação onde sobraram impetuosidade, precipitação e brejeirice.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Entre baforadas ou cuspidelas há um autogolo indefensável

A revelação das imagens da refrega entre Bruno de Carvalho e Carlos Pinho ontem efectuada pela SIC é mais um dos muitos episódios que o futebol português é infelizmente muito profícuo. A cena seria normal se passada num qualquer Canelas das distritais, entre dirigentes de futebol profissional é inqualificável. 

Para o Sporting, tendo o seu presidente como protagonista é demolidor. Não apenas pelo que um episódio degradante como este representa para um clube centenário, mas também para a bandeira tantas vezes empunhada por Bruno de Carvalho da ética, transparência e da necessidade de reforma e regeneração do futebol português. Não se reforma com retórica, mas sim com práticas. 

Acaba de ser uma questão de somenos ter havido ou não cuspidela - para a questão disciplinar não será - toda a cena é degradante e devia e podia ter sido evitada. As tentativas de defesa de um autogolo destes não é apenas ridículo, mas acaba por significar a validação de um comportamento indigno e reprovável e por isso mesmo permitindo a possibilidade da sua repetição.

Sporting Clube de Portugal

Sporting Clube de Portugal

Prémios

Os mais lidos no último mês

Leitores em linha


Seguidores

Leitura recomendada

Número de visitas

Free HTML Counters

Ultimos comentários

Blog Archive

Temas

"a gaiola da luz" (1) 10A (1) 1ª volta Liga Zon/Sagres 10/11 (3) 2010-2011 (1) 8 (3) AAS (7) ABC (3) Abrantes Mendes (3) Academia (14) Académica-SCP (1) adeptos (93) Adrien (18) AdT (1) adversários (81) AFLisboa (2) AG (19) Alexander Ellis (1) alma leonina (59) ambição (10) andebol (33) André Geraldes (1) André Marques (2) André Martins (6) André Santos (5) anestesia (3) angulo (5) aniversário "A Norte" (3) Aniversário SCP (3) antevisão (41) APAF (11) aplausos ao ruben porquê? (2) Aquilani (1) aquisições (85) aquisições 2013/14 (16) aquisições 2014/15 (18) aquisições 2015/16 (17) aquisições 2016/17 (9) arbitragem (86) Associação de Basquetebol (6) ataque (1) Atitude (9) Atletico Madrid (1) Atlético Madrid (1) atletismo (6) auditoria (4) autismo (1) AVB és um palhaço (1) aventureiro (1) Bacelar Gouveia (2) Balakov (1) balanço (5) Baldé (4) balneário (3) banca (2) Barcos (3) Bastidores (68) Batota (16) Beira-Mar (2) Belenenses (4) BES (1) bilhetes (2) binários (1) Boal (1) Boateng (1) Boeck (2) Bojinov (7) Bolsa (2) Borússia Dortmund (1) Boulahrouz (2) Brasil (1) Braz da Silva (8) Brondby (4) Bruma (18) Bruno Carvalho (89) Bruno César (3) Bruno de Carvalho (6) Bruno Martins (20) Bryan Ruiz (3) Bubakar (1) BwinCup (1) cadeiras verdes (1) Cadete (1) Caicedo (5) calendário (2) Câmara Municipal de Lisboa (3) Campbell (1) Campeões (2) campeonato nacional (21) campeonatos europeus atletismo (2) Cândido de Oliveira (1) Caneira (2) Cape Town Cup (3) Capel (4) carlos barbosa (4) Carlos Barbosa da Cruz (2) Carlos Carvalhal (5) Carlos Freitas (7) Carlos Severino (4) Carriço (6) Carrillo (10) Carrilo (3) carvalhal (30) Caso Cardinal (1) Casos (6) CD Liga (3) Cedric (7) Cervi (3) CFDIndependente (1) Champions League 2014/15 (9) Champions League 2015/16 (5) Chapecoense (1) CHEGA (1) Ciani (1) Ciclismo (3) CL 14/15 (2) Claques (9) clássicos (8) Coates (4) Coerência (1) colónia (1) comissões (2) competência (2) comunicação (62) Comunicação Social (20) Consciência (1) Conselho Leonino (2) contratações (6) COP (1) Coreia do Norte (1) Corradi (1) corrupção no futebol português (2) Costa do Marfim (3) Costinha (45) Couceiro (13) crápulas (1) credores (1) crise 2012/13 (21) Crise 2014/15 (2) Cristiano Ronaldo (1) cronica (3) crónica (15) cultura (4) curva Sporting (1) Damas (3) Daniel Sampaio (3) debate (5) defesa dos interesses do SCP (7) Del Horno (1) delegações (1) depressão (1) Derby (40) derlei (1) Desespero (1) Despedida (2) despertar (3) dia do leão (1) Dias da Cunha (1) Dias Ferreira (6) Diogo Salomão (4) director desportivo (18) director geral (5) direitos televisivos (4) Dirigentes (28) disciplina (6) dispensas (22) dispensas 2015/16 (1) dispensas 2016/17 (1) djaló (10) Domingos (29) Doyen (2) Duarte Gomes (2) Ecletismo (60) Eduardo Barroso (6) Eduardo Sá Ferreira (2) eleições (19) eleições2011 (56) eleições2013 (26) Elias (5) eliminação (1) empresários (11) empréstimo obrigacionista (3) entrevistas (61) Épico (1) época 09/10 (51) época 10/11 (28) época 11/12 (8) época 12/13 (11) época 13/14 (4) época 14/15 (8) época 15/16 (5) época 16/17 (3) EquipaB (17) equipamentos (11) Eric Dier (8) Esperança (4) estabilidade (1) Estádio José de Alvalade (4) Estado da Nação (1) estatutos (6) Estórias do futebol português (4) estratégia desportiva (102) Estrutura (1) Euro2012 (6) Euro2016 (1) Europeu2012 (1) eusébio (2) Evaldo (3) Ewerton (4) exigência (2) expectativas (1) expulsão de GL (1) factos (1) Fafe (1) farto de Paulo Bento (5) fcp (12) FCPorto (8) FIFA (2) Figuras (1) filiais (1) final (1) final four (1) finalização (1) Finanças (24) fiorentina (1) Football Leaks (1) Formação (87) FPF (12) Francis Obikwelu (1) Frio (1) fundação aragão pinto (3) Fundação Sporting (1) fundos (11) futebol (9) futebol formação (1) futebol internacional (1) Futre (1) Futre és um palhaço (4) futsal (21) futsal 10/11 (1) futuro (8) gabriel almeida (1) Gala Honoris Sporting (2) galeria de imortais (26) Gamebox (2) Gauld (4) Gelson (1) Gent (1) geração academia (1) Gestão despotiva (2) gestores de topo (10) Gilberto Borges (2) GL (2) glória (5) glorias (4) Godinho Lopes (27) Gomes Pereira (1) Governo Sombra (1) Gralha (1) Gratidão (1) Grimi (4) Grupo (1) Guerra Civil (2) guimarães (1) Guy Roux (1) Hacking (1) Heerenveen (3) Hildebrand (1) História (18) Holdimo (1) homenagem (5) Hóquei em Patins (7) Hugo Malcato (113) Hugo Viana (1) Humor (1) i (1) Identidade (11) Idolos (3) II aniversário (1) Ilori (4) imagem (1) imprensa (12) Inácio (4) incompetência (7) Insua (2) internacionais (2) inverno (2) investidores (3) Iordanov (6) Irene Palma (1) Iuri Medeiros (1) Izmailov (26) Jaime Marta Soares (1) Jamor (3) Janeiro (1) Jardel (2) jaula (3) JEB (44) JEB demite-se (5) JEB és uma vergonha (5) JEB rua (1) JEBardadas (3) JEBardice (2) Jefferson (3) Jeffren (5) Jesualdo Ferreira (14) JJ (1) JL (3) Joana Ramos (1) João Benedito (1) João Mário (6) João Morais (5) João Pereira (6) João Pina (3) João Rocha (3) Joaquim Agostinho (2) joelneto (2) Jogo de Apresentação (1) Jorge Jesus (31) Jorge Mendes (2) José Alvalade (1) José Cardinal (2) José Couceiro (1) José Eduardo Bettencourt (33) JPDB (1) Jubas (1) judo (6) Juniores (7) JVL (105) Kwidzyn (1) Labyad (7) Lazio (1) LC (1) Leão de Alvalade (496) Leão Transmontano (62) Leonardo Jardim (11) Liderança (1) Liedson (28) Liga 14/15 (35) Liga de Clubes (11) liga dos campeões (12) Liga dos Campeões 2016/17 (10) Liga Europa (33) Liga Europa 11/12 (33) Liga Europa 12/13 (9) Liga Europa 13/14 (1) Liga Europa 14/15 (1) Liga Europa 15/16 (11) Liga Europa10/11 (16) Liga NOS 15/16 (30) Liga NOS 16/17 (11) Liga Sagres (30) Liga Zon/Sagres 10/11 (37) Liga Zon/Sagres 11/12 (38) Liga Zon/Sagres 12/13 (28) Liga Zon/Sagres 13/14 (24) Lille (1) LMGM (68) losango (1) low cost (1) Luis Aguiar (2) Luis Duque (9) Luís Martins (1) Madeira SAD (4) Malcolm Allison (1) Mandela (2) Mané (3) Maniche (4) Manifesto (3) Manolo Vidal (2) Manuel Fernandes (7) Marca (1) Marcelo Boeck (1) Marco Silva (26) Maritimo (2) Marítimo (3) Markovic (1) Matheus Pereira (2) Mati (1) matías fernandez (8) Matias Perez (1) Mauricio (3) Meli (1) Memória (10) mentiras (1) mercado (39) Meszaros (1) Miguel Lopes (1) miséria de dirigentes (2) mística (3) Modalidades (24) modelo (3) Moniz Pereira (7) Montero (7) Moutinho (3) Mundial2010 (9) Mundial2014 (3) Mundo Sporting (1) Nacional (1) Naide Gomes (2) Naldo (3) naming (2) Nani (3) Natal (3) Naval (3) Navegadores (3) negócios lesa-SCP (2) NextGen Series (3) Noite Europeia (1) nonsense (21) Nordsjaelland (1) NOS (1) Notas de Imprensa (1) notáveis (1) nucleos (1) Núcleos (9) Nuno André Coelho (2) Nuno Dias (3) Nuno Saraiva (1) Nuno Valente (1) o (1) O Roquetismo (8) Oceano (1) Octávio (1) Olhanense (1) Olivedesportos (1) Onyewu (7) onze ideal (1) opinião (6) oportunistas (1) orçamento (3) orçamento clube 15/16 (1) organização (1) orgulho leonino (17) Oriol Rosell (3) paineleiros (15) Paiva dos Santos (2) paixão (3) papagaios (8) pára-quedista (1) parceria (2) pascoa 2010 (1) pasquins (7) património (2) patrocínios (5) Paulinho (1) paulo bento (19) Paulo Faria (1) Paulo Oliveira (3) Paulo Sérgio (43) paulocristovão (1) Pavilhão (10) pedrada (1) Pedro Baltazar (8) Pedro Barbosa (5) Pedro Mendes (4) Pedro Silva (2) Pereirinha (6) Peyroteo (2) Pini Zahavi (2) Pinto Souto (1) plantel (31) play-off (1) PMAG (1) Polga (5) Pongolle (5) Pontos de vista (15) por amor à camisola (2) post conjunto (5) Postiga (7) PPC (7) Pranjic (2) pré-época (2) pré-época 10/11 (7) pré-época 11/12 (43) pré-época 12/13 (16) pré-época 13/14 (16) pré-época 14/15 (22) pré-época 15/16 (20) pré-época 16/17 (12) prémio (1) prémios stromp (1) presidente (4) projecto Roquette (2) promessas (3) prospecção (2) Providência Cautelar. Impugnação (1) PS (1) Quo vadis Sporting? (1) Rabiu Ibrahim (2) râguebi (1) raiva (1) RD Slovan (1) reacção (1) redes sociais (1) Reestruturação financeira (17) reflexãoleonina (21) reforços (14) regras (2) Relatório e Contas (11) relva (10) relvado sintético (4) remunerações (1) Renato Neto (3) Renato Sanches (1) respeito (7) resultados (1) revisão estatutária (5) Ribas (2) Ribeiro Telles (4) Ricardo Peres (1) Ricciardi (2) ridiculo (1) ridículo (2) Rinaudo (8) Rio Ave (2) Rita Figueira (1) rivais (5) Rodriguez (2) Rojo (4) Ronaldo (12) rtp (1) Rúbio (4) Rui Patricio (18) Rui Patrício (4) Sá Pinto (31) SAD (25) Salema (1) Sarr (4) Schelotto (2) Schmeichel (2) scouting (1) SCP (64) Segurança (1) Selecção Nacional (38) seleccionador nacional (5) SerSporting (1) Shikabala (2) Símbolos Leoninos (3) Sinama Pongolle (1) Sistema (3) site do SCP (3) SJPF (1) Slavchev (1) slb (21) Slimani (11) Soares Franco (1) sócios (16) Sócrates (1) Solar do Norte (14) Sondagens (1) sorteio (3) Sousa Cintra (1) Sp. Braga (1) Sp. Horta (1) Spalvis (2) Sporting Clube de Paris (1) Sportinguismo (2) sportinguistas notáveis (2) SportTv (1) Stijn Schaars (4) Stojkovic (3) Sunil Chhetri (1) Supertaça (3) sustentabilidade financeira (40) Taça CERS (1) Taça Challenge (5) taça da liga (11) Taça da Liga 10/11 (7) Taça da Liga 11/12 (3) Taça da Liga 13/14 (3) Taça da Liga 14/15 (2) Taça da Liga 15/16 (4) Taça da Liga 16/17 (1) Taça das Taças (1) Taça de Honra (1) Taça de Liga 13/14 (3) Taça de Portugal (12) Taça de Portugal 10/11 (3) Taça de Portugal 10/11 Futsal (1) Taça de Portugal 11/12 (12) Taça de Portugal 13/14 (3) Taça de Portugal 14/15 (8) Taça de Portugal 15/16 (4) Taça de Portugal 16/17 (2) táctica (1) Tales (2) Tanaka (1) Ténis de Mesa (2) Teo Gutierrez (5) Tertúlia Leonina (3) Tiago (3) Tonel (2) Torneio Guadiana 13/14 (1) Torneio New York Challenge (4) Torsiglieri (4) Tottenham (1) trabalho (1) transferências (5) transmissões (1) treinador (89) treino (4) treinos em Alvalade (1) troféu 5 violinos (5) TV Sporting (5) Twente (2) Tziu (1) uefa futsal cup (3) Uvini (1) Valdés. (3) Valores (14) Veloso (5) vendas (8) vendas 2013/14 (2) vendas 2014/15 (1) vendas 2016/17 (5) Ventspils (2) Vercauteren (5) Vergonha (7) Villas Boas (8) Viola (1) Virgílio (95) Virgílio1 (1) Vitor Golas (1) Vitor Pereira (6) Vitória (1) VMOC (7) Vox Pop (2) VSC (3) Vukcevic (10) WAG´s (1) William Carvalho (12) Wilson Eduardo (2) Wolfswinkel (12) Wrestling (1) Xandão (4) Xistra (3) Zapater (2) Zeegelaar (2) Zezinho (1)