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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Moreirense 2 - Sporting 3: vencer os cónegos só depois da penitência

Acabou bem este jogo em Moreira de Cónegos um jogo que começou muito mal. Dizer que oferecemos dois golos ao Moreirense é capaz de ser pouco, qualquer um deles pode conquistar um lugar num qualquer ranking de golos caricatos que amiúde sofremos, em particular nesta época. Má leitura dos lances, algum azar e muita, muita displicência, inadmissível numa equipa com a responsabilidade que a nossa carrega.

Não me surpreenderam as dificuldades impostas pelos da casa, pois já havia visto o que conseguiu fazer no seu espectacular percurso na Taça da Liga. Aliás, foi enquanto visionava a final que discorri sobre a dificuldade que é ser treinador no campeonato português. As equipas pequenas são cada vez mais difíceis de bater, especialmente se o adversário demora a marcar ou até se se apanham em vantagem. Foi o caso na aludida final da taça e só não foi o caso hoje connosco porque, valha a verdade, a equipa sobe reagir.

Contrariamente à que me parece ser a opinião geral, a grande responsabilidade nessa reviravolta foi a equipa ter-se mantido fiel ao guião (onde é que eu já ouvi isto?..), confiando sempre no seu processo de jogo, acabando por vir ao de cima a superior qualidade do seu modelo e dos seus executantes. Convenhamos que, para uma equipa em declarada falência anímica e após dois reveses consecutivos (1-0 e 2-1 logo a seguir ao 1-1), esta constatação é uma boa noticia e que me leva a concordar com Jorge Jesus quando este afirmou no final do jogo que esta "é uma equipa com alma". Pelo menos hoje foi assim...

Saliências individuais para a entrada de leão de Podence, a fazer lembrar Markovic, não pelo que ele fez mas pelo que se esperava que fizesse. O que fomos procurar longe estava afinal aqui à mão de semear. Mais um bom jogo de Alan Ruiz, que finalmente aparece, lamentando que não tenha sido quando mais precisámos. E claro, Gélson que, nem sempre da melhor forma, mas foi quase sempre a sua irreverência que ia dando conta que ainda respirávamos. E claro, Bas Dost!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Marta Soares tem que se explicar a Bruno de Carvalho (e vice-versa)

Tem sido até agora muito pouco interessante de seguir a disputa eleitoral que terá o seu desfecho no próximo dia quatro de Março. Acusações, insultos e o uso de linguagem pouco recomendável tem-se sobreposto  ao debate de ideias e projectos para o clube. Talvez porque umas e outros (ideias e projectos) tenham muito pouca substância e sustentação?

A primeira grande polémica já estalou, com a lista de Pedro Madeira Rodrigues a acusar o PMAG Marta Soares de parcialidade e falta de ética, complementando a acusação com o desrespeito ao que está disposto nos estatutos. A lista de PMR entende que uma vez que Marta Soares é parte interessada no acto eleitoral, uma vez que se recandidata ao lugar, se deveria afastar temporariamente do cargo, por "violar os mais elementares princípios democráticos, de transparência e ética porque um candidato a presidente da Mesa da Assembleia Geral que é simultaneamente presidente em exercício não está em pé de igualdade com os outros candidatos".

O PMAG diz-se de "consciência tranquila", acrescentando que "não há nos estatutos ou regulamentos nada que me obrigue a afastar-me. Não devo obediência às preocupações do outro candidato. A questão da ética é de quem não tem mais argumentos, porque, para mim, a ética são os valores da consciência, da dignidade e da honra. E como eu tenho a consciência tranquila sobre os valores de isenção e responsabilidade do meu cargo, não me afasto do meu lugar de presidente da Mesa até ao dia das eleições. E depois, se ganhar, continuarei."

Pode haver quem entenda que isto das questões de ética e princípios não interessa para coisa nenhuma. Quem assim não pensa, ou pelo menos não pensava em 2013 era Bruno de Carvalho, como se pode ver no vídeo (ver à 1h e 18m)  que dava conta de uma das suas acções de campanha, mais precisamente em Vendas Novas.  Talvez seja melhor Marta Soares e Bruno de Carvalho conversarem sobre esta matéria.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Erros por dá cá aquele Palhinha - Jesus forever?


As afirmações de Jorge Jesus no pós-clássico, visando muito em particular Palhinha, acabariam por assumir um peso quase idêntico ou até talvez superior à derrota amarga que acabávamos de averbar. Sendo a derrota penalizadora para nós, pelo que respeita ao que esperar do resto da época, ela acabaria por trazer à actualidade uma notória dissensão entre aquilo que deve ser a política de reforços e constituição do plantel. 

Esta divergência não é propriamente uma novidade. A novidade aqui é percebermos que os rumores que se arrastavam à boca pequena pelo menos desde Chaves tomaram agora uma figura real e Pallhinha foi neste episódio um dano colateral. Sem desculpas, as palavras de Jorge Jesus são reprováveis, por mais favorável que seja o ângulo escolhido para as analisar e por mais ou menos óbvias que sejam as manobras de comunicação para conter os danos. É preciso ser muito ingénuo para pensar que o recurso consecutivo dos jogadores às redes sociais foi espontâneo. Espontâneas foram as reacções iniciais, dando conta do que sentiram.

O que nos é dado agora assistir é uma luta de egos e poder que se irá desenvolver até ao final da janela de mercado do próximo verão, o que acentua o carácter ainda mais condenável das afirmações, por se servir de um miúdo de vinte um anos como munição. Do seu resultado se fará uma história de sucesso ou repetido fiasco.

O essencial nesta questão é a confiança. Depois do sucedido esta época, Bruno de Carvalho sabe que não pode arriscar um novo Titanic e não pode voltar a passar cheques em branco. Jorge Jesus sabe que é má a sua imagem na fotografia desta época e que, mais do que negociar, vai ter que admitir interferências nas suas escolhas. Como já teve que admitir ficar de mão estendida quanto ao pedido de recomposição do plantel no mercado de inverno.

Não se deveria estranhar por isso as declarações de Jorge Jesus nem muito menos o alinhamento inicial no Dragão. Se não foi intencional pelo menos pareceu deliberada a vontade do treinador em deixar claro o que pensa. É que se para a titularidade de Palhinha não tinha muitas escolhas, a utilização de Matheus, um jogador de quem muito se espera e tantas vezes convocado pelos adeptos parece ter sido um claro "estão ver?".

Jesus parece ter mais certezas que dúvidas nesta "aposta na formação" como caminho para chegar ao titulo no prazo que lhe é exigido desde que o contrataram: "para ontem, se não puder ser para anteontem". E também não confia na capacidade de prospecção e recrutamento, depois dos desaires de Cervi e Mitroglu, ou o flop Meli ou mesmo Castaignos ou Spalvis, em quem não tem confiança.

A verdade é que pelo seu próprio histórico ambos têm a sua quota parte de razão. Se Bruno de Carvalho tem razões para temer os erros de avaliação de Jorge Jesus, este não tem menos razões de desconfiar também pelo histórico e porque sabe que plantel encontrou à sua chegada. Mas também porque facilmente percebeu que esta retoma na formação tem muito mais de gestão política e económico-financeira do que de convicção. Porque se esta existisse  não teria sido esquecida na gaveta no inicio da temporada para agora ser recuperada de emergência. 

O passado de JJ no que diz respeito à formação fala por ele, embora dela se valha para se justificar quando afirma, ao jeito de uma no cravo outra na ferradura "jogámos com seis da formação, 10 nos 20 convocados. Isto paga-se. Como o caso do Palhinha. Estamos a dar um passo atrás para dar dois à frente". Mas aqui ele não deixa de ter alguma razão: tem de haver equilíbrio nessa aposta, com o devido enquadramento, que potencie o valor dos "miúdos" e não o invés, que os exponha. Porque sabemos que na fase inicial das suas carreiras os jogadores são mais propensos a falhar e tal tende a acontecer quando a pressão dos resultados, dos cenários e dos adversários aumentam.

Para terminar observações telegráficas sobre Palhinha, o seu regresso e a sua participação no jogo:

- A gestão do percurso de Palhinha teria sido mais proveitosa para ele e para o clube se a sua incorporação tivesse acontecido no inicio de época. Hoje a sua identificação com as ideias da equipa e do treinador seria outra.

-  Mais uma vez foi por falha das apostas feitas no exterior (Paulista e Petrovic), em detrimento dos jogadores da formação, que estes acabaram por assumir responsabilidades que eram de outros em primeiro lugar.
- O erro de Palhinha ainda assim é enorme pelo peso que tem no jogo, que ainda não tinha caído para nenhum dos lados. Erro potenciado pela presença inédita de Soares, novidade que por isso criou algum desconforto e demorou a ajustar.

- Embora o seu empréstimo tenha sido proveitoso, o que lhe vai ser agora exigido por Jesus é muito mais exigente e complexo do que o "recupera e entrega" que geralmente tem de fazer noutros contextos.

- O decurso do jogo demonstrou Palhinha não William. É notória a diferença de características entre ambos, e o que cada um pode dar ao nosso jogo. Tal não quer dizer que Palhinha e William não possam coexistir no Sporting ou até mesmo na mesma equipa.

Jesus forever?
Não se infira do que aqui é dito que descreio das qualidades de JJ como treinador. Basta ver o que eram as nossas idas ao Dragão nos tempos que o antecederam e o que sofremos às mãos dele quando ele estava do outro lado da estrada. Se ele é o treinador ideal para o Sporting? Parece que a resposta está sobretudo do seu lado, uma vez que se não acredita no que tem à sua disposição e no plano do clube a sua permanência é um erro e uma perda de tempo.

Do lado de Bruno de Carvalho ouviu-se novamente o seu apoio incondicional, uma renovação de um "forever" já por nós conhecido em anteriores episódios da nossa história recentes. Mas isso é outra conversa para vários outros posts...

sábado, 4 de fevereiro de 2017

FCPorto 2 - Sporting 1: Como JJ inventou uma forma de não ganhar

A definição deste jogo começou na cabeça de Jorge Jesus quando este decide inventar uma forma de não ganhar o jogo. Mal as equipas foram conhecidas e se soube da titularidade de Matheus a questão colocou-se de imediato: o que pretende JJ com isto? Julgo que neste momento nem o próprio ainda percebeu. A verdade é que nossa primeira parte fez-nos lembrar aqueles tantos jogos em que naquele estádio e no que o antecedeu já entrávamos a perder.

Foi preciso chegar a segunda parte e começarmos a jogar com onze, especialmente após a saída da nulidade Marvin, para se perceber que poderíamos ter escrito uma história completamente diferente, demonstrando aquilo que é minha convicção: poderíamos ser melhores que o adversário de hoje. E não o somos porque enquanto eles fazem das fraquezas força, nós somos displicentes. A verdade é que acabamos a perder e vamos acabar este campeonato a lutar pela terceira posição.

Algumas notas adicionais:

- Quem andava a pedir oportunidades para Matheus talvez perceba que agora melhor que para jogar com a nossa camisola é preciso mais do que nome. De craque só a atitude e os tiques. Alguém que lhe diga isso antes que se perca.

- Para quem andava a pedir banco para William e dar o lugar o Palhinha teve uma excelente oportunidade para perceber que jogadores como o habitual titular não crescem debaixo das pedras da calçada.

- Marvin não é jogador para o Sporting. Está aqui um milagre que Jesus nunca conseguirá fazer.

- Schelotto mesmo sem deslumbrar fez um dos melhores jogos desde que está no Sporting.

- Alan Ruiz teve finalmente uma chamada a um jogo com adversário forte, algo que JJ procurou ir evitando, e saiu-se muito bem na prova. E isto não tem nada a ver com o golo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Eleições 2017: "Tapem as caras com uma mão e votem com a outra"

A frase que titula o post ficou célebre quando Álvaro Cunhal em 1986 aconselhou os seus militantes a votarem em Mário Soares de forma a evitar a eleição, tida então como quase certa, de Freitas do Amaral como Presidente da República.

Um conselho algo semelhante pode Bruno de Carvalho ser obrigado a dar aos eleitores que pretendam votar na sua lista para o Conselho Leonino. É que o número de elementos naquela lista com "passado croquete" é tão abundante que os seus "militantes" (que tanto gostam de invocar aquela expressão) até podem ser levados a pensar que o boletim que têm na frente tinha ficado esquecido em algum "saco de plástico preto" das eleições que levaram à presidência Soares Franco, Bettencourt ou até mesmo Godinho Lopes.

O melhor mesmo é seguir o conselho, venha ele ou não ser dado...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Fim do mercado: do "all in" de verão à debandada de inverno

Não se pode dizer que tenha constituído grande surpresa o comportamento muito discreto no mercado de Inverno por parte do Sporting. O insucesso desportivo reduziu significativamente as possibilidades do clube quer de contratar quer de rentabilizar o forte investimento feito no verão. Ora muito desse insucesso começou a desenhar-se na incapacidade demonstrada em reforçar-se, apesar da generosidade dos gastos efectuados. Daí que as palavras chaves deste período tenham sido "reduzir" e "redimensionar" (a quantidade no plantel para o compromisso restante) "emagrecer" (a folha salarial). Mesmo esses objectivos ficaram aquém do desejável e só os mercados que ainda permanecerão em aberto permitirão realizá-los.

O número de jogadores continua assim excessivo, alguns dos excedentes são caros (p.ex. Douglas) e permaneceram por resolver os problemas resultantes da falta de soluções de qualidade em que os laterais são o exemplo mais notório. Mas não o único. Jorge Jesus certamente que terá que por uma velinha em vários altares a pedir a intervenção de todos os santos para que Bas Dost não se lesione ou seja castigado.

Não se pode dizer contudo que o plantel tenha ficado mais fraco, atendendo a que a participação dos jogadores que saíram mediaram entre o nada e coisa nenhuma no que ofereceram ao nosso jogo. O recurso agora à prata da casa, mais uma vez em momentos de aflição e não por convicção, terá pelo menos a vantagem de trazer sangue novo de jogadores que se identificam com o clube.

Ala, que se faz tarde
Meli
Ao contrário do que a brincadeira que se poderia fazer com o nome do jogador foi uma contratação sem nenhum açúcar. No máximo pode-se dizer que foi uma oportunidade única de viver seis meses de férias bem pagas numa das cidades da Europa com cada vez maior procura.

Markovic
Se a ideia era contrariar os rumores de uma morte antecipada como promessa de craque, o sérvio perdeu o seu tempo e nós o nosso dinheiro. 

Elias
Foi dos que mais jogou, o que só contribuiu para acentuar a imagem já desgastada que havia deixado. O risco da sua contratação não compensou e percebe-se agora que narrativa posta a circular de ter no horizonte um negócio da China não passou de fantasia ou propaganda para justificar o equívoco.

Petrovic:
Se Markovic e Elias ainda se podem perceber pelo que conseguiram fazer num passado recente ou longínquo a vinda do sérvio só se pode compreender por teimosia e desconhecimento da totalidade dos jogadores à disposição e em particular os oriundos da formação. Um problema que poderá ser reeditado na nova época, uma vez que vai sob empréstimo para o Rio Ave.


Acabou-se o recreio para os miúdos
Para a generalidade dos regressos significa um corte abrupto em participações que até estavam a ser proveitosas para os jogadores. Para que se justifique é necessário oferecer-lhes condições reais para singrarem, porque entrar esporadicamente ou nos minutos finais dos jogos não o são.

Palhinha
Foi ali a Belém comer uns pastéis que reforçaram a convicção do erro que foi a contratação de Petrovic. Não se pense porém que é o substituto ideal de William, trata-se de um jogador mais posicional que o habitual titular. Isso trará eventualmente mais segurança em momentos defensivos mas obrigará Jesus a repensar a forma como a equipa se comportará na hora de construir, algo em que William é peça fundamental.

Francisco Geraldes
É sobre ele que se concentrarão todas as atenções sendo por isso o primeiro desejo é que tal não lhe tolha as muitas qualidades que demonstra há algum tempo e que os seis meses no nível competitivo mais elevado confirmaram.

Podence
Não terá na maior parte dos jogos que o Sporting ainda tem para realizar o mesmo espaço no horizonte que desfrutou em Moreira de Cónegos. Isso é capaz de obrigar a reconfigurar-se. Se conseguir domar os seus impulsos e perceber os momentos adequados para fazer valer a velocidade que possui preparará com sucesso a sua integração no plantel do próximo ano.

Acabou-se o recreio mas talvez não ainda a brincadeira
Já sobre Spalvis, André Geraldes e Gauld impendem as maiores dúvidas sobre a sua prontidão para jogar, isto sem deixar de constatar que as razões do seu regresso nada tiveram a ver com a vontade do treinador, antes se deveram a decisões administrativas cuja bondade e acerto são altamente questionáveis. 

Spalvis acabou por ser recambiado por não ter condições de poder jogar no imediato. André Geraldes e Gauld foram arrancados a uma época positiva para agora não saberem sequer se poderão ser inscritos. Ainda que a sua inscrição venha a ser considerada regular, não deixa de constituir um embaraço para quem assumiu como primordial a luta por valores mais elevados no relacionamento entre os diversas entidades que constituem o universo do futebol. Dificilmente os jogadores não deixarão de se sentir usados e prejudicados, vendo os seus interesses mais básicos serem atirados para debaixo do tapete.

Embora, como é dito acima, seja possível que mais jogadores saiam para os mercados ainda em aberto, e sendo muito pouco provável qualquer admissão, estarão encerradas as portas do mercado 2016/17. E antes que se comece a falar no próximo é imperativo analisar exaustivamente as decisões tomadas nos últimos meses no que diz respeito à formação do plantel. 

É que, desde a gestão do potencial dos jogadores da casa, à política de empréstimos (para fora e para dentro), ao perfil adequado aos novos jogadores a integrar, há muita decisão a merecer análise profunda para que os mesmos erros de avaliação não sejam repetidos. 

Seguramente que dos que agora foram cometidos resultarão condicionamentos futuros na abordagem do mercado da próxima época. Dificilmente o Sporting encontrará no final do presente ano o mesmo volume de receitas que obteve no inicio da presente época. E, se o conseguir, terá que o fazer à custa da desvalorização do seu lote de titulares, ficando a interrogação se será desta que consegue suprir com acerto e realismo os lugares que venham a ficar vagos na titularidade.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Sporting 4 - Paços de Ferreira 2: crónica de um calimero

Algum dia haveria de chegar a minha vez. Depois do pico da epidemia de gripe que varreu o país ter passado, pensei que desta vez voltaria a escapar entre as nuvens de vírus e bactérias mas enganei-me. Ora se a gripe por si só é castigo pesado adormecer durante o melhor período do jogo, por força do efeito da medicação, e ficar acordado (embora com a sensação de estar mergulhado num pesadelo...) na segunda parte não é justo!

Terei oportunidade de visualizar os primeiros quarenta e cinco minutos posteriormente, mas pelo que me dizem realizamos uma das melhores primeiras partes da época. O que nos foi oferecido na segunda parte foi um prato tantas vezes requentado esta época, em que a equipa se desconcentra e a sua organização se esboroa como um castelo de cartas. Felizmente foi pouco o tempo que mediou entre o segundo golo pacence e o bis de Bas Dost, a estabelecer o resultado final.

O cartão amarelo a William é uma nota expectável deste jogo, sabendo-se que o clássico com os tripeiros vem a caminho. Posso assegurar que os árbitros têm indicações claras para sancionar assim estes lances (pisar o adversário), o que se pode dizer que é uma daquelas "inovações" de teóricos que conhecem o jogo à distância dos camarotes.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Eleições: os candidatos, as estratégias e os programas

Os candidatos e proto-candidatos até agora conhecidos
Falta ainda mais de um mês para as eleições mas continuam a existir movimentações quer dos candidatos já conhecidos, quer de outros que não o chegaram a ser, apesar das intenções. É o caso de Mário Patrício, que acabou por não assumir candidatura segundo o próprio  porque "não foi possível chegar a uma plataforma de entendimento para que essa alternativa conjunta fosse uma realidade". 

Sem dúvida que Mário Patrício representava um nome forte, uma vez que, além de uma exposição mediática maior que Pedro Madeira Rodrigues (PMR), tem um conhecimento aprofundado do clube, resultante do facto de ter sido dirigente durante vários mandatos. A possibilidade de chegar com apoios de peso, como o nome João Rocha faria dele um poderoso "challenger" de Bruno de Carvalho.

Falta ainda saber se Pedro Madeira Rodrigues conseguirá ultrapassar o semi-anonimato de onde quer sair até à presidência do clube. Afigura-se muito difícil de alcançar, a menos que algo mude drasticamente. Talvez tenha sido também para contrariar essa condição que PMR arriscou tudo na questão "Jorge Jesus". Por isso mas sobretudo por uma questão de principio.

Foi a decisão de Jorge Jesus em tomar partido a favor do seu opositor que o deixou sem alternativa. Ao apoiar o seu opositor JJ declarou com quem gostaria de trabalhar, invertendo assim a ordem natural das coisas: quem escolhe os funcionário é o presidente e não o contrário. Se PMR assobiasse para o lado, como provavelmente até lhe seria conveniente, ficaria com a sua autoridade minada caso viesse a ser eleito.

Jorge Jesus é o mestre da táctica mas não o é na ética. Se a ideia era desmentir os rumores de afastamento entre o treinador e o presidente, em função dos maus resultados, haveria formas mais "saudáveis" de o fazer. A questão essencial aqui é que JJ declarou não o apoio ao presidente mas a um candidato. Não me parece que os funcionários do clube o devam fazer de forma pública. Para os que acham que isto não interessa nada sabemos bem o que diriam se JJ declarasse o seu apoio a PMR.

Mais ou menos conhecido, o que ninguém deveria poder por em causa era a sua qualidade de Sportinguista pelos anos de sócio que leva, a que acresce ainda o reconhecimento de um prémio Stromp. Mas infelizmente, nesta estranha doença contagiosa que vai afectando o clube, quem não se arroja à passagem de Bruno de Carvalho é croquete. Quem se lhe opõe, como é o caso de PMR, acumula essa "virtude" com a de lampião. Muitos dos que assim se comportam podiam pedir-lhe emprestados uns anos de sócio e vinculação ao clube para ganharem um pouco mais de autoridade. Já credibilidade estamos conversados.


As estratégias
São já perceptíveis as estratégias de ambas as campanhas. Bruno de Carvalho sente que não tem a sua posição em causa e por isso só falará "quando for preciso" e aqui pode sempre fazê-lo na pele de presidente ou de candidato. O low-profile adoptado assim o indica. PMR tem-se desdobrado em entrevistas, certamente para contrariar o semi-anomimato de que falava acima. Mas terá que o fazer melhor na postura mediática em frente às câmaras de televisão mas sobretudo de ser melhor aconselhado. Um candidato a presidente não se deixa apanhar numa armadilha tão básica como debater com alguém que acumula as funções de melífluo homem de recados com a de fornecedor de refeições e toalhas quentes.

Programas
Se alguma característica que aproxima os candidatos é a natureza superficial dos programas a par de muitas medidas incumpríveis tão comuns neste tipo de documentos. Por exemplo, alguém acredita que as VMOC's sejam pagas nos próximos quatro anos? E porquê um centro de estágios a norte ou um clube parceiro na mesma região? Um velódromo, a sério? E que melhorias no atendimento serão feitas que não fossem precisas há tanto tempo, incluindo os últimos quatro anos?

Ainda assim esta é também uma boa oportunidade para discutir matérias com interesse para o clube.

O naming do estádio e do pavilhão?

Para quando o voto eletrónico?

Faz sentido uma rádio do clube?

O jornal deveria ser gratuito para os sócios e em que formatos se justifica?

Os concertos deveriam voltar a Alvalade?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Maritimo 2 - Sporting 2: encalhados pelo apito já à saída da baia do Funchal

Foram demasiados os erros individuais a penalizar uma equipa que anda tão longe dos níveis exibicionais e de confiança para que o resultado pudesse ser outro. Patrício, em noite não, a oferecer dois golos aos insulares e o pé da arbitragem em cima da nossa cabeça, quando lutavamos para chegar à praia, ditaram mais um encalhe, deste vez na visita à baía da Madeira.

Não tendo feito um jogo de grande qualidade, os jogadores fizeram o suficiente para merecer melhor sorte no resultado e na reacção final dos adeptos que, pelo menos aparentemente, acabaram por receber mal os jogadores no final do jogo. A confirmar-se não é apenas injusto, é pouco inteligente porque é com estes jogadores, técnicos e dirigentes que temos para sair da situação incómoda e decepcionante em que nos encontramos. A ideia de falta de atitude parece ter feito escola mas o seu uso revela sobretudo incompreensão e desconhecimento de outros aspectos tão mais importantes para vencer um jogo.

Nota para a estreia de Palhinha. Não me parece que seja este o momento indicado para recorrer aos bancos da nossa escola mas, apesar do contexto difícil, o miúdo saiu-se a um nível muito razoável. Mas é indiscutível que não trouxe nada de muito substancial ao nosso jogo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Humildade, lições e actos de contr(ad)ição

Quem está de fora do circulo restrito do futebol profissional do Sporting não está na posse de todos os dados para poder efectuar uma análise rigorosa e certeira nem sobre o momento nem sobre as dinâmicas que afectam as relações entre os diversos grupos (dirigentes, técnicos, jogadores) e os elementos que os compõem. 

Mas observando de fora é fácil constatar que por lá já se viveram melhores dias, sendo legitima - e sobretudo preocupante -  a dúvida sobre a existência de uma fractura entre os diversos grupos e/ou indivíduos. A observação do segundo jogo de Chaves, por força dos tristes acontecimentos nos balneários do jogo anterior, que mais uma vez projectaram o Sporting para as parangonas dos média pelos piores motivos, não nos deram razões para grande tranquilidade. Veremos os próximos capítulos para perceber melhor.

A apreensão não diminui nas promessas de rápida lipoaspiração dos excessos de gordura no plantel e ainda menos quando se fala na diminuição de poderes de Jorge Jesus na contratação de jogadores no futuro imediato. O emagrecimento do plantel é compulsivo, face às obrigações que ainda restam para o resto da época, não resultando por isso de uma verdadeira estratégia. E a promessa da transição do poder de contratar de um gabinete para outro também não o é. Estratégia seria haver total coordenação interna quer entre SAD e treinador e entre estes e os diversos departamentos, incluindo os ligados à formação. 

Uma grande dúvida porém se levanta: se os plenos poderes de Jorge Jesus dão para encher agora uma mini-van de desperdício (pelo menos sete...) os plenos poderes nos quatro anos de mandato da actual SAD talvez não chegue um autocarro. Até mais do que um, se alargarmos a análise às sucessivas intervenções pouco cirúrgicas até à equipa B e juniores. Tudo isto se explica de forma simples: a tão propalada estrutura resume-se praticamente a dois nomes: Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. 

Para o bem do Sporting não tenho dúvidas que o futuro será melhor se conseguissem trabalhar de forma coordenada, apoiada numa rede de profissionais competentes e de saber feito, quer do ponto de vista académico, quer de experiência de vida. O que comummente se chama estrutura. Duvido que haja, crendo mesmo que se alguma vez tivemos se perdeu na espuma dos dias e das permanentes alterações. E para que tal acontecesse seria preciso uma dose muito generosa de humildade de ambas as partes, o que não se me afigura fácil de acontecer.  Pelo histórico de ambos, é mais provável que as as actuais baixas temperaturas cheguem primeiro aos infernos.

O recente acto de contrição faceboquiano do presidente é meramente estratégico por quem se sente acossado, sendo a contradição inicial um claro indicio disso mesmo. A retirada de poderes a Jorge Jesus significa um passo atrás, contradizendo a promessa de não o dar - "Não irei dar um passo atrás para apaziguar algumas almas". E é realizado com o óbvio propósito para apaziguar senão as almas pelo menos a contestação.

Mas representa a negação de algo ainda mais substancial: a existência de um verdadeiro projecto, pelo menos no que isso está relacionado com planificação e com linhas orientadoras bem definidas. Bastou um pouco mais de dinheiro primeiro e os maus resultados provacados pelo seu mau uso para se perceber.

Sabe-se ainda muito pouco sobre como Jesus está a viver este momento e como ficarão as relações com Bruno de Carvalho. Mas há dúvidas que não tenho:
- O Sporting está bem servido de treinador e esse treinador ser-nos-ia muito mais útil se tivesse por trás uma estrutura profissional e competente.

- O Sporting não pode estar refém dessa ligação. Não há insubstituíveis, basta olhar ao que sucedeu ao rival após a saída de Jesus, não precisando de um treinador consagrado para estar bem servido, demonstrando que a escolha de um treinador que se adeque às necessidades de um clube foge muito aos lugares comuns que se usam habitualmente.

- Foi o sentimento de superioridade gerado pela realidade que encontrou no Sporting que o atraiçoou, negligenciando a necessidade de o conhecer de forma abrangente e em profundidade. Certamente que se o tivesse feito não teria cometido alguns dos erros que agora o expõem. 

- Jesus não aceitará o que foi feito quer a Marco Silva quer a Leonardo Jardim.
Nem um nem outro parecem estar muito dispostos a serem confrontados com as suas próprias limitações e insuficiências ou a entender a necessidade de ouvir outras opiniões.  Ora, se não perceberem os erros cometidos, o mais provável é que eles, mais tarde ou mais cedo venham novamente a ocorrer.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sporting sob o espectro da linha de água

Para o futebol profissional do Sporting o fim-de-semana passado dificilmente não podia ter sido mais longo e pelas piores razões. De tal forma que hoje, quando olhamos para as respectivas tabelas classificativas ambas as equipas se encontram debaixo do espectro da linha de água. Sim, leu bem “abaixo da linha de água”, porque é assim entendo a classificação da equipa principal do clube abaixo do último lugar do pódium: o terceiro lugar é e será sempre para nós o nosso “mínimo olímpico” que, infelizmente, em várias, demasiadas, ocasiões tem ficado por alcançar.

Ainda apenas relativamente à equipa A a decepção não podia ser maior pelo contraste entre as expectativas criadas no inicio da época e a prestação da equipa. Agora que se vai percebendo que aquilo que era apenas alguns indícios são agora já confirmações: o futebol do Sporting, ao contrário do que se esperava no segundo ano de Jesus, perdeu aquelas que eram as melhores qualidades que lhe reconhecemos no ano passado e tornou-se demasiado previsível e fácil de anular.

Ao contrário do que cheguei a pensar quando estes problemas se tornavam evidentes, não são as outras equipas que estão melhor preparadas para nos contrariar, pois jogar contra três linhas defensivas não é uma abordagem particularmente nova. O que é novo sob o comando de Jesus (mas já velho em outros infelizmente muitos anos) é não termos argumentos para as contrariar. E não é que equipa não tente mas depressa percebe, ao esbarrar nas primeiras duas linhas, a sua própria incapacidade de desmontar o adversário pelo meio, vendo-se obrigada a cruzar e cruzar e cruzar.

Ter disto com Jesus é tão decepcionante como comer um bife duro e umas batatas fritas rançosas num restaurante de um chef que ambiciona estrelas Michelin. O problema é que este não foi apenas um jogo mau, foi mais um jogo mau e quando se olha para o calendário não se consegue augurar nada de muito bom para chegar.

Como um mal nunca vem só, os resultados vão fazendo as suas primeiras vitimas. A mais óbvia para já estão na indispensável coesão que é necessária para superar momentos como os que se vivem. Um péssimo sinal que demonstra que o Sporting não mudou assim tanto como devia. Quantas vezes sem conta nos foi servido este prato?

Os nossos balneários continuam a ter paredes de vidro a deixar passar tudo. E a mesma falta de clarividência e assertividade nas relações entre SAD e os seus melhores activos, seja por excesso ou por defeito.  Quem acha  que confrontar profissionais no seu reduto em momentos de cansaço e desilusão extremas não é “cutucar a onça com vara curta” ainda está nos "anos 80". O mesmo para quem permitiu que tal acontecesse naquele local e naquele momento.Se a entrada do presidente se deu à revelia do treinador então o caso é ainda pior.

A ideia de que uma liderança se pode exercer com métodos ultrapassados, só porque são jogadores de futebol diz muito do quão desactualizados estamos e, de certa forma, ajudam a perceber os resultados. Por outro lado é ilusório pensar que passar culpas e alijar responsabilidades, oferecendo em sacrifício nomes para fogueira vai desviar as atenções. Apenas aumentará a chama na fogueira onde arde já em lume nada brando o nosso futebol. Ninguém duvide que, independentemente das decisões que venham a ser tomadas no futuro, a saída mais fácil do atoleiro em que nos encontramos é com TODOS a fazerem força para o mesmo lado.

Já a Equipa B está mesmo abaixo da linha de água literal. Não é propriamente novo e em parte é compreensível, atendendo às diferenças que separam as equipas deste campeonato. Por outro lado quem vê a equipa jogar continua a não perceber qual é a ideia de jogo pretendida. A única coisa verdadeiramente inteligível é que aquela fórmula não vai potenciar valor.  E este já é muito duvidoso que exista em muitos jogadores, pelo menos suficiente para significarem futuro com a nossa camisola. O que também não deve constituir surpresa para ninguém, com os constantes recursos ao mercado para uma escola que é conhecida mundialmente pela sua capacidade de formar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Chaves 2 - Sporting 2: Perdidas as chaves do sucesso

Quando uma equipa quer recuperar pontos e, perante uma oportunidade de ouro para o fazer, se apresenta a jogo de forma tão pouco convincente e com uma exibição tão probrezinha, faz uma clara declaração de incapacidade aos seus adeptos. E ainda assim quase que ganhávamos o que, diga-se, era muito bom mas pouco justo para o Chaves.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A aministia de Bettencourt

O Sporting fez duas importantes comunicações nos últimos dias. A primeira relativa à contas consolidadas que, pela extensão do documento e complexidade, não mereceram ainda aqui análise. A segunda diz respeito ao processo em curso de audições dos ex-presidentes, no caso concreto a José Eduardo Bettencourt.

Do epílogo deste processo, e que o comunicado ainda acaba por reforçar, a conclusão a tirar é que a construção da casa pelo telhado acabou por dar os resultados esperados. As acusações apareceram antes de se permitir a defesa dos acusados e bastaram as audições para se concluir que aquelas eram infundadas. Neste entretanto o bom nome dos intervenientes foi posto em causa e o do Sporting associado a práticas dolosas, o que facilmente se poderia ter evitado. Voltando ao comunicado há dois pontos que me suscitaram dúvidas. 

A primeira tem a ver com articulação do ponto 1 com o ponto 2. Seja da minha dificuldade em percebê-los ou da redacção encontrada, não consigo concluir se as razões que levaram à decisão de desistir do processo se estribaram nos "os argumentos apresentados em sede de audição" por permitirem "concluir pela não existência de qualquer ilícito nos actos de gestão practicados durante o seu mandato" ou se, como se lê no ponto seguinte, "as razões para esta decisão prendem-se com a constatação de que existiu total colaboração entre as partes para o esclarecimento e alcance da verdade." É que não é propriamente a mesma coisa perdoar por ter sido colaborante e prestável ou não ter praticado ilícitos.

A segunda está relacionada com as referências ao Pavilhão João Rocha. Certamente por me estar a escapar algum pormenor ou mero desconhecimento dos dossiers. Refiro-me em concreto à afirmação contida no ponto 2 "tendo ainda sido aceite por parte do Dr. José Eduardo Bettencourt colaborar em tudo o que venha a verificar-se necessário para a salvaguarda, a bem do Sporting Clube de Portugal, de todas as condições associadas a tudo o que esteja relacionado com o Pavilhão João Rocha."

Devo confessar alguma surpresa nesta decisão, atendendo ao ponto a que o processo havia chegado. Surpresa pela aceitação das explicações dadas que convenceram os interpeladores. É que, para quem não se lembra o mandato de José Eduardo Bettencourt foi curto em tempo mas dilatado no prejuízo. Este deve-se ter cifrado em valores acima dos 30 milhões de euros, no que só deve ter sido superado pelo que o sucederia, o de Godinho Lopes.  Pelo meio ficaram tomadas de decisão muito questionáveis como e que foram objecto de promessa de levar até às últimas consequências por Bruno de Carvalho em sede de campanha:

9,6 milhões de euros foi o valor envolvido  na contratação de Sinama-Pongolle, que praticamente nunca calçou. Quase tanto como Bas Dost mas ao preço de sete anos depois!

O ordenado bruto anual de José Eduardo Bettencourt era de 159 mil euros, tratando-se do primeiro presidente remunerado da história do Sporting.

O empréstimo de Caicedo cifrou-se em 400 mil euros, com o  Manchester City a ficar ainda com um crédito de  250 mil euros para a eventual compra futura de um jogador leonino.

Rui Meireles recebeu 449 mil euros de indemnização para abandonar o cargo de administrador que ocupava na SAD leonina, embora o seu acto mais visível foi o de ter deixado a equipa ao abandono após resultado confrangedor em Moreira de Cónegos. 

Também Pedro Afra e Salema Garção beneficiariam de indeminazações acima dos valores legais, tendo Bruno de Carvalho prometido na campanha que o levaria ao poder levar o caso até às últimas consequências.
Não menos estranho é José Eduardo Bettencourt e todos os que consigo acabaram por ver a sua honorabilidade posta em causa aceitaram este desfecho de forma aparentemente plácida. Que pelo menos o Sporting ganhe com este desfecho é o que eu desejo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

As medidas mal medidas para a arbitragem

A causa é justa mas o serviço prestado pelo Sporting na discussão dos problemas da arbitragem com a divulgação de onze medidas avulsas é inútil e ineficaz. Quer quanto à forma quer quanto ao conteúdo esta divulgação é a melhor forma de fazer muito fumo mas pouco lume, pelo que o mais natural é que não produza nenhuma alteração.

Oxalá os acontecimentos venham a desmentir a minha convicção que a divulgação das medidas no Facebook não é apenas inútil, é contraproducente, por ser uma ferramenta que o próprio Bruno de Carvalho se "esforçou" em desvalorizar por uso descuidado. Dificilmente a comunicação será entendida como mais substancial que um desabafo ou a expressão de um estado de alma. Os SMS's  poderão funcionar para efeitos de convocação de flash mobs mas dificilmente produzirão efeitos junto da formalidade e imobilismo que caracterizam os clubes profissionais e respectivas direcções.

O mesmo se aplicará ao conteúdo, cuja redacção descuidada aparenta ter ocorrido entre duas actividades distintas ou em simultâneo. E ainda que se reconheça validade e pertinência em algumas delas, esta forma de as propor, bem como a superficialidade que a caracteriza, é uma forma de as auto-desvalorizar, oferecendo assim argumentos aos que não têm qualquer interesse em mudanças. 

Se o Sporting quiser alterar uma virgula que seja aos regulamentos e ao status quo da arbitragem tem de ser consequente com a sua vontade e liderar o processo, pondo os pés no caminho, que muitas vezes encontrará enlameado e armadilhado. É preciso resiliência, porque os revezes acontecerão antes da obtenção de qualquer ganho, por pequeno que seja. Para este fim é necessário unir esforços e vontades, mesmo que a principio sejam poucos, porque a pregar sozinho o mais que se consegue é ruído. 
Alguém no seu perfeito juízo acredita que vai haver um milagre e os relatórios vão começar a ser divulgados no imediato? 

Que o cancro dos observadores, perpetuador de jeitos, favores e influências, vai  acabar amanhã?

Que as nomeações vão começar a ser marcadas por critérios de sensatez e decoro?

Que vale a pena iniciar já a aplicação do "vídeo arbitro" sem uma limpeza prévia e sem acautelar uma regulamentação que proporcione transparência no seu uso?
Para tal é preciso convocar, reunir, deliberar e seguidamente o mais difícil, que é constituir uma maioria que, em sede de votação ou influência consiga plasmar nos regulamentos as mudanças pretendidas. E embora elas sejam necessárias no imediato o horizonte temporal exequível dificilmente poderá ser outro que não a próxima época e deveria ser essa a ambição.

Ora, como é bom de ver, isto não é compaginável com a vida absorvente de um clube com actividade permanente. Nomear uma pessoa com credibilidade e reputação inatacáveis que represente o Sporting (em tempos foi aqui sugerido Jorge Sampaio para efeitos semelhantes) e que alavanque um movimento de regeneração profunda do futebol português, que vá desde os quadros competitivos até aos regulamentos, sejam de arbitragem ou não é uma das medidas possíveis.

Como facilmente se percebe este é um empreendimento tão necessário como de dificuldade extrema para se levar a efeito. Com representantes ou directamente o Sporting, pela sua índole e por necessidade de sobrevivência do seu estatuto, tem aqui um desafio tão importante e necessário como o da reestruturação financeira. São já mais de três décadas de tratamento desigual, enquanto os seus rivais dividem entre si influências e benesses.

De outra forma, e com a falta de coerência e profundidade que o Sporting tem dedicado à matéria, dificilmente será levado a sério e não terá mais atenção do que a que de um clube que só se queixa quando as coisas correm mal.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Sporting 2 - Feirense 1: A ida às termas vem mesmo a calhar

Quem olhar apenas para o resultado que o Sporting acaba de conseguir ante o Feirense não conseguirá aperceber-se da superioridade exercida num largo período de tempo, onde inclusive chegou à vantagem com golos resultantes de belas execuções. Ficará apenas com a ideia das dificuldades sentidas pela equipa nos momentos finais, especialmente depois de sofrer um golo (mais um) revelador das nossas dificuldades em defender. Comparado com o que vimos o ano passado até parece que mudamos o sector defensivo, quando foi precisamente este o que beneficiou de maior estabilidade. 

Em dia de aniversário Paulo Oliveira recebeu a titularidade como uma prenda inteiramente merecida e que acabou por justificar. Faltará apenas trocar de posição com Coates para ficar mais confortável e poder subir um pouco a sua participação na saída de bola, o que está longe de ser o seu forte. 

Quem regressou também à titularidade e a um nível mais próximo do que se lhe exige foi Alan Ruiz, demonstrando mais do que apenas um bom remate, que era tudo o que se tinha visto até agora. O passe para o segundo golo é delicioso e a repetir. Falta-lhe agora maior intensidade e participar mais nas restantes fases do jogo que não apenas quando a bola lhe chega aos pés. 

Quem tarda em justificar a chamada e mesmo o regresso é Elias. O contraste entre o que é a equipa com Adrien e com o brasileiro é tão grande que por mais benevolente que se queira ser na apreciação é impossível não concluir sobre a fraqueza das suas prestações. Defensivamente a sua participação é quase nula, explicando-se assim em parte como é que a equipa perde o controlo do jogo de forma contrastante neste jogo com o que vinha fazendo até então.

A descida a pique nos últimos minutos mais do que um problema de deficit físico ou de menor qualidade deste ou daquele jogador parece ser também de origem ordem anímica pelo que a ida às termas (o Sporting vai cumprir um mini-estágio num lugar absolutamente paradisíaco, Vidago) desde que bem aproveitada, tem tudo para se justificar neste momento. 

Este foi um mês terrível para o Sporting (4 derrotas, duas saídas de provas onde queríamos ir longe), é apenas a terceira vez que chegamos ao intervalo a vencer e a segunda vez (!) que conseguimos ganhar consecutivamente e já vamos com 25 golos (!) sofridos. Dados que revelam a nossa irregularidade, talvez a palavra chave do nosso campeonato até agora.

Mas nem tudo é negativo, ficamos mais próximos do segundo lugar e a depender apenas de nós para o reconquistar e Bas Dost com categoria e números (melhores em média do que os de Slimani, quem diria?) lidera já a lista de melhores marcadores.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Depois de Setúbal, as desculpas, a competência e a estratégia

Passadas algumas horas após o jogo de Setúbal e mais a frio julgo que se impõem algumas notas de reflexão e é disso que se fará o post de hoje.

Penalty
Mantenho a minha posição relativamente ao lance, sendo notável que este tenha reunido uma inusitada unanimidade das opiniões a que acedi, independentemente do clube de quem as emitiu. Ora isso diz muito do erro cometido pelo árbitro. 

E as reacções de desconforto do árbitro no momento da marcação do castigo e o cartão amarelo a Coates e a falta que lhe imputou revelam que puniu por palpite e não pelos factos que ocorreram. As declarações de Edinho ("empurrão pelas costas") e de Couceiro ("toque na perna") ajudam a confirmar o erro.

Tivesse o árbitro assinalado e punido como autor da falta Douglas ainda assim teria cometido um erro, mas mais fácil de admitir, atendendo às incidências do lance. Assim, o que fica é a total inaptidão para a função de quem apita por intuição. O que é confirmado pelas imagens abaixo de um jogo da nossa equipa B, arbitrado pelo mesmo individuo e que, na altura, ao assistir em directo, me provocou nojo. Saber como é que este senhor continua a arbitrar é descobrir as razões da doença de que enferma a arbitragem.


Sem desculpas
Não se infira das palavras acima que a razão da nossa saída da competição deve ser única e simplesmente assacada à actuação do árbitro. Esta foi decisiva, e mais ainda porque occore num momento que a equipa fica sem tempo para a inverter. Mas não pode deixar ser lembrada a fraca imagem deixada pela prestação da equipa e a resposta quase nula dada após o encaixe do golo inicial. Golo esse também embaraçoso e que nos diz que os nossos problemas são carácter muito mais abrangente do que a falta de Slimani, João Mário, dos laterais ou a ausência de Adrien. O mesmo se pode dizer do sucedido no lance do qual resultaria o penalty e que tanto jeito parece ter dado ao árbitro.
Um problema de competência(s) 
Maior embaraço é constatar que o Sporting dispunha de três (!) resultados possíveis, embora um deles sob condição, para seguir em frente e ainda assim acaba eliminado. Como é do conhecimento comum, além da vitória e do empate, o Sporting poderia ter perdido o jogo e seguido em frente se a média de idades fosse inferior à do Setúbal. Num clube que se orgulha da sua escola e que tem à mão um sem número de jovens, ter saído de competição por ter uma equipa mais velha - e pior, com mais estrangeiros - é sal que se acrescenta à ferida. 

Orgulho à parte, é necessário perceber como é que a vantagem da idade não foi contemplada pelo menos como medida de segurança para a eventualidade de algo correr mal, como de facto ocorreu. Aqui há dois planos em que a questão deve ser analisada: o plano legal e o plano técnico.

As questões legais devem ser analisadas pelo secretariado técnico. Desconheço quem exerce estas funções no clube, mas elas são indispensáveis à tomada de boas decisões, que vão desde a aquisição de jogadores até à utilização destes. Um treinador não tem que saber se o jogador que pretende adquirir está lesionado, já jogou por mais de dois clubes (veja-se o caso "Real Madrid/Cherysev ou mesmo a contratação falhada de Niculae), se está castigado, etc. Importa pois saber se Jesus foi avisado e mesmo assim ignorou o aviso ou se simplesmente ninguém o alertou. 

A competência de uma estrutura para o futebol começa muitas vezes por aqui. Quanto mais competente for um secretariado técnico - que tem que abraçar de forma transversal várias áreas do conhecimento - mais aptos estarão os dirigentes para tomar decisões que os ponham a salvo da flutuações de interesses de treinadores, agentes, etc.

Um problema de competitividade
Este resultado é o segundo em pouco tempo em que o clube se vê afastado de um objectivo por falta de respostas de qualidade quando tinha mais do que um resultado à disposição para seguir em frente: Légia e agora Setúbal. E pelo que se vai vendo no campeonato, é altura de admitir que, a menos que haja uma inversão rápida e profunda, esta equipa não está à altura das responsabilidades que contraiu com os Sportinguistas.

Um problema de estratégia(s)
À medida que a época evolui e os anos passam é cada vez mais claro que se o Sporting tem uma estratégia para imprimir as mudanças que o futebol português precisa ela não está a resultar. Bem antes pelo contrário, atendendo ao que se vai vendo. As reclamações, mesmo que muito sonoras, esgotam-se no momento em que a actualidade impõe o interesse numa nova ocorrência. É cada vez mais claro que é preciso fazer muito mais.

Estratégia é estabelecer  um plano, delinear um método para atingir um ou vários objectivos. Ora é público o isolamento em que o Sporting permanece e que, ninguém duvide, é muito difícil de contrariar. Por várias razões, incluindo o medo, porque quem detém o poder atrai apoios - antes o F.C.P, hoje o S.L.B. - ou pelo menos conta com o conformismo e a inacção dos restantes clubes. 

Uma forma de ir construindo esse apoio é - como sempre aqui foi defendido - trazer para o nosso lado os que não se revêm no status quo, construindo uma rede de interesses confluentes. Uns por convicção, outros por circunstância e mesmo oportunismo. Um excelente instrumento é justamente a formação, disponibilizando os nossos jogadores, que dessa forma possibilitam competitividade às equipas  dos clubes que os recebem a custos mais reduzidos. O que o Sporting, tem feito é justamente o oposto, como agora aconteceu com o Vitória de Setúbal e já tinha sucedido com o Arouca e com o Marítimo, por exemplo.

O caso mais recente com o Setúbal é também uma mancha para a imagem do clube, que ainda por cima fez questão de não esclarecer. A percepção pública é que o Sporting lidou mal com a derrota e de seguida retaliou ou, em linguagem popular vingou-se. E  o que parece é. Imagem essa agravada pela forma como trata os atletas, como uma mera possessão, como de um artigo se tratasse, o que colide com o discurso moralizador que publicamente assume divulga. E veremos se não sai prejudicado da birra, uma vez que ambos os jogadores pareciam ter encontrado as condições ideais para se valorizarem e evoluírem. Na confiança junto dos que agora ou no futuro receberão os nossos jogadores os danos já são irreversíveis.

É impossível levar a sério que a origem do término abrupto do empréstimo foram os cânticos dos atletas do Setúbal  e por estes serem desrespeitosos para com o Sporting. Embora tal não seja agradável de ouvir não deve ser levado assim tão a sério. Quem o faz não percebe nada do que é um balneário. Agora imaginem que os franceses tinham tido a mesma reacção quando cantamos, após o Europeu e na sua própria casa, "Foi o Éder que os f..." e desatavam a expulsar os imigrantes que lá vivem. Talvez assim se perceba melhor o absurdo da nossa posição.

Tenacidade, perseverança, convicção firmeza e coerência 
Coincidentemente ou não, as últimas vezes que o Sporting conseguiu ser campeão ocorreram precisamente quando conseguiu afrontar o status quo não apenas com palavras mas sobretudo com acções. Lembro o momento da criação da Liga de Clubes e respectivas eleições para os corpos dirigentes, quando conseguimos ter do nosso lado vários clubes ao ponto de obrigarmos Pinto da Costa e Manuel Damásio assumirem a aliança que sabíamos existir nos bastidores. Ou quando a acção de Dias da Cunha expôs o apito que havia de perder o banho dourado até enferrujar. Ambas as acções acabaram por se perder nas idiossincrasias de um clube incapaz de fazer prevalecer os seus interesses no exterior pelo constante degladiar interno.

É por isso que assisti com estranheza os elogios à arbitragem logo no inicio da época e reiterados ainda há quatro dias (!) na última entrevista ao Record, mesmo após o sucedido em Guimarães e com o SLB. Logo, quando anunciarmos as medidas que indiciam a nossa justa indignação e possível retaliação quem nos levará agora a sério?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A Taça CTT já tinha código postal

1. Depois do que viu hoje e ontem conclui-se com facilidade que a Taça CTT já tinha código postal. Não é apenas o penalty, foi toda uma segunda parte de nítida inflexão de qualidade e critério da arbitragem.

2- O Sporting não jogou nada. Agora que o jogo acabou é mais fácil dizer isto: se jogamos com os titulares para o jogo para a Taça porque não jogamos neste, se são ou eram as competições que mais probabilidades tínhamos de vencer?

3- Não posso dizer que o Setúbal mereceu, mas nós acabamos por lhes oferecer um presente de Reis antecipado.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O fim do tabu que nunca o foi e o regresso dos notáveis


Finalmente com uma réstia de tempo (mais ou menos...) para escrever, vou-me debruçar sobre os temas que recentemente ocuparam a atenção dos Sportinguistas e me captaram a atenção. Não falarei sobre o recente jogo com o Varzim porque, para lá da pobreza da exibição e da preocupação que ela suscita nada há de relevante a dizer sobre ele.

Bastaram seis dias para Bruno de Carvalho afastar as dúvidas sobre a sua própria candidatura. A essa decisão muito terá ajudado o aparecimento de um candidato, Pedro Madeira Rodrigues. A rapidez com aparece uma lista cheia de nomes para uma comissão de honra confirma que o tabu da recandidatura nunca o foi verdadeiramente. Sobre esta não só a vejo como natural como necessariamente saudável. É a forma mais democrática de sujeitar o mandato que agora termina à imprescindível avaliação dos sócios.  

Ora até agora ambas as candidaturas não produziram mais do que palavras de circunstância, bem como as habituais paradas e respostas, resultantes da marcação cerrada que cada um dos movimentos passarão a dedicar uma a outra. O que de mais relevante me chamou à atenção foi a já famosa “Comissão de Honra” pela sua composição e sobretudo pelo seu significado.

Composição 
Relativamente à sua composição há uma nota significativamente positiva que assinalo, que é a sua inclusividade e abrangência. Essa é uma característica que respeita a natureza do próprio clube e uma das razões da sua grandeza. Sobre a inclusão de elementos não Sportinguistas nem me pronuncio.

Há porém na composição da famigerada lista uma notável incongruência e inflexão que não pode deixar de ser assinalada, tendo em conta aquela que era uma das notas mais destacadas do discurso que trouxe Bruno de Carvalho e dos que lhe eram mais próximos. Isto leva-me a uma série de perguntas que me parecem não apenas oportunas mas imprescindíveis:

Era aquele discurso meramente circunstancial e por isso puramente oportunista, com o único objectivo de ganhar as eleições?

Como convivem na mesma lista nomes de pessoas que durante anos foram e acusadas  de autores e cúmplices de malbaratarem o património do clube com aqueles que os responsabilizaram por esses actos e puseram em causa a sua dignidade e honorabilidade?

É a integração de alguns elementos uma tentativa de pacificação ou uma mera tentativa de reabilitação de alguns dos seus integrantes?

Como é possível condenar mandatos de ex-presidentes e “absorver” e reabilitar aqueles que, no âmbito das funções que lhes estavam atribuídas, deveriam ter fiscalizado as suas actuações e não só foram coniventes como ainda emitiram pareceres favoráveis e quase sempre elogiosos?

Como é que passarão a partir de agora a ser apodados os elementos ligados às gestões anteriores, mas que agora o seu nome honra esta candidatura?

A lista tem estado em permanente actualização. Atendendo à presença de Paulo Paiva dos Santos ela tem que ser actualizada à noite e depois logo imediatamente pela manhã?

Significado
Porém mais importante que discutir a lista de forma nominal é o seu significado, até porque dela fazem parte nomes que se confundem com a história do Sporting. A sua simples constituição na candidatura de Bruno de Carvalho não pode deixar de ser uma surpresa, mas desagradável. Significa o regresso do conceito de notáveis, uma das marcas mais profundas e nefastas do período do chamado “Roquetismo”, um dos conceitos mais fracturantes entre os Sportinguistas.

Como foi notório para a generalidade dos Sportinguistas, muitos daqueles nomes do  passado, e juntamente com muitos do presente, tudo o que têm a dar ao clube: o nome numa lista. Sem convites-ofertas e outras prebendas não terão qualquer interacção com o clube. 

Muitos herdaram o Sportinguismo por inerência familiar e o clube não passa de uma qualquer propriedade que se visita em dias festivos e é encarado como um parente pobre e inconveniente nos momentos de maior necessidade. Muitos dos que estão nesta lista não alteraram este comportamento mesmo quando foram investidos nas funções de dirigentes.

Notáveis são todos aqueles adeptos que correm o país com as equipas às costas para lhes prestar apoio. Notáveis são aqueles que com sacrifício próprio e dos seus despendem recursos e energia para não deixarem as nossas camisolas ao abandono. Ainda mais notáveis são aqueles que não deixam ao abandono as parentes pobres do nosso desporto, as chamadas “modalidades”. Notáveis são todos aqueles que se entregaram de alma e coração ao clube sem saberem antes o que receberiam de volta.

Não posso por isso deixar de me espantar com constituição de uma lista deste género por parte de quem se anunciava como a mudança e em menos de quatro anos absorveu e respira os velhos procedimentos. O seu aparecimento tresanda a mofo e tem o enorme carimbo do antigamente.

Sempre entendi que a renovação que o Sporting precisava – e pelos vistos continua a precisar – não era de pessoas porque os Sportinguistas são insubstituíveis, apenas têm que estar nos lugares onde mais são úteis e capazes. Não precisava nem de uma revolução geracional ou de classes porque sempre foi inclusivo. O que o Sporting precisa é de uma revolução de mentalidades e de competência, que os resultados desportivos demonstram estar ainda por suceder. Precisa de um nível de exigência mais apurado e menos autocomiseração.Menos olhares para o quintal dos vizinhos, pelo menos até ao nosso estar devidamente arrumado e limpo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Reforços, o que falhou?

Algures entre o final da época passada e até ao pontapé inicial da presente quem poderia vaticinar que quase a meio do campeonato o Sporting estaria tão longe do primeiro lugar? Mas não está apenas longe, ocupa o quarto lugar, a quatro pontos do segundo classificado? Tal quer dizer que, no momento em que estas linhas são redigidas, já não depende apenas de si para melhorar a sua classificação e tem atrás de si,  menor distância, a dupla minhota Vitória de Guimarães e Braga. Como entender esta decepção, que ocorre precisamente quando regista talvez o maior investimento da sua história, isto contando com aquisições e massa salarial?

Há duas respostas para a pergunta acima e estão umbilicalmente ligadas: as saídas de Slimani e de João Mário não encontraram reposta adequada na rol de entradas que se seguiram. De igual modo, apesar da escolha ter aumentado no número, o mesmo não se pode dizer relativamente à prontidão e qualidade. Isso é que se pode verificar pelo número minutos jogados pelos jogadores chegados este ano, com honrosa excepção de um jogador e meio: Bas Dost por inteiro, Campbell pela metade:


Para que se tenha uma ideia dos tempos de utilização em função dos compromissos até agora cumpridos, foram realizados 25 jogos, num total de 2.250 minutos e o jogador mais utilizado é William, com 2.013 minutos jogados. No quadro acima chamam a atenção os números de Alan Ruiz, um jogador que tarda a justificar a preferência e o custo envolvido. O facto do treinador não lhe ter confiado sequer um minuto que fosse na competição mais exigente, a Liga dos Campeões, diz alguma coisa e o tempo em que apostou nele, sem grande sucesso, pode ajudar a explicar porque não está encontrado melhor companhia para Dost no ataque. E se Campbell tivesse merecido a preferência e o mesmo tempo logo de inicio?

Que razões podem ter concorrido para este aparente fracasso nas contratações? Razões de quantidade, oportunidade e de qualidade seguramente, todas elas e não apenas uma, como abaixo se tentará explicar.

A quantidade
No final da época mercado, entre vendas e aquisições, o Sporting ficou com um plantel próximo das três dezenas de jogadores. Destes apenas são efectivamente convocados dezoito, o que deixa "fora-de-jogo" um valor muito semelhante. Um jogador que não compete com regularidade não oferece respostas imediatas, ao nível dos jogadores que o fazem. Os recém-chegados acumulam essa desvantagem não apenas com o desconhecimento das especificidades do nosso campeonato, mas sobretudo do quão exigente é o modelo de jogo de Jorge Jesus e o que este exige aos seus jogadores. O tempo de integração para muitos deles também não terá sido por isso o ideal e necessário, algo que escapou à análise no planeamento da época. Quando os compromissos mais importantes começaram a surgir ficou claro em quem Jesus confiou e de quem se socorreu: à excepção de Dost, aos jogadores que conhecia da época transacta.

Oportunidade
Aqui inscrevem-se questões de critério, relacionadas com as características dos jogadores, bem como das necessidades da equipa a colmatar. Ao contrário do que parecia à medida de que os nomes dos novos jogadores iam chegando, não houve uma substituição à altura para João Mário. Por outro lado, as opções para substituir jogadores nucleares na manobra colectiva não se revelaram eficazes quando chamados à titularidade. Isso ficou bem claro aquando da lesão de Adrien. E a companhia para Bas Dost está ainda por encontrar e afinar, estando ainda por perceber os problemas de Markovic, até agora a maior decepção. Acresce que é um pouco incompreensível que mais de 20 milhões de euros gastos e não se tenha resolvido o problema das laterais, cujo rendimento tem penalizado particularmente a equipa.

Qualidade
A questão sobre a qualidade dos reforços acaba por ser inevitavelmente questionada quando grande parte dos jogadores chegados no inicio de época recolhem tão pouco tempo de jogo em função do que era esperado. Apesar de tudo o que possa ser dito, apenas Meli me suscita dúvidas que resultam sobretudo do desconhecimento do seu valor. No mais a generalidade dos restantes, aquando da sua aquisição tinham aquilo que me parecia o essencial: potencial. Ora o futebol está cheio de exemplos de jogadores que não triunfam num determinado contexto e que noutro acabam ser felizes, muitas vezes de forma surpreendentemente, contra todas as melhores perspectivas. Exemplos que acontecem em clubes que se movimentam em nichos de mercados onde os valores a pagar tornam os falhanços quase proibitivos e por isso mesmo aparatosos, ao ponto de encherem cabeçalhos e primeiras páginas de jornais. Nos mercados a que o Sporting pode aceder a escolha é ainda mais reduzida, face à infinidade de clubes para tão poucos valores seguros que o dinheiro de cada um deles possa pagar.

Agora que se fala tanto em mercado, a próxima janela  será interessante para ver como o Sporting tentará resolver senão todos, alguns dos problemas que Jorge Jesus tem em mãos. O simples facto de os adeptos suspirarem por esta época quase tão ansiosamente como pelas prendas de Natal diz muito da decepção que o mercado de verão deixou em muitos deles e seguramente também em Jesus. Laterais e pelo menos um avançado para jogar fazer companhia a Dost é talvez a exigência menor. Perceber o que falhou para não voltar a repetir os mesmos erros é fundamental.

Nota: este artigo foi escrito ao abrigo de uma parceria do autor com o Portal FairPlay, onde poderá ler ainda sugestões de reforços para os lugares considerados mais prementes.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Eleições: tiro de partida.

Com a apresentação da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues dá-se hoje um novo tiro de partida para as eleições, depois da falsa arrancada de Paulo Paiva dos Santos. Mas se a arrancada se ficou pelos blocos, num momento algo caricato, saliento a prestação do seu irmão, saindo em sua defesa e puxando dos galões pelo passado e pelos serviços prestados e pondo alguns pontos nos "ii's" que me parecem serem merecedores de referência. Na síntese que se segue os sublinhados são meus.

Pedro Madeira Rodrigues tem um longo passado como sócio do Sporting mas, tal como muitos outros nas mesmas condições, é um desconhecido para a maioria dos Sportinguistas. Será essa uma das maiores dificuldades a ultrapassar. Como hoje Bruno de Carvalho saberá melhor do que ninguém, terá na tradicional desconfiança como os "desconhecidos" são recebidos uma das maiores barreiras a saltar. Aguardemos pelas ideias e pela equipa para formular juízos. Para começar temos hoje a apresentação da candidatura. Sendo essencialmente uma formalização não deixa de ser importante. Como dizia Aaron Burns nunca temos uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão.

As noticias sobre dúvidas na recandidatura de Bruno de Carvalho são como as da morte do Mark Twain ou do Bonga: manifestamente exageradas. Ele sabe que tem as eleições praticamente ganhas: Como tenho dito, mais do que um candidato proponente ganhá-las será ele a perdê-las, como quase sempre acontece a um candidato da situação. O que me recuso a acreditar como sendo palavras suas é uma pretensa queixa pela militância dos Sportinguistas, como hoje vi no Record. Não deve haver muitos clubes que se possam gabar da fidelidade dos seus adeptos (o que é até reconhecido até pelos nossos rivais) apesar da escassez e triunfos. Não é seguramente pelos adeptos que tal acontece.
Ainda não está confirmada mas são cada vez maiores os rumores da candidatura de João Benedito. Fosse apenas pelos serviços prestados ao clube e a forma exemplar como sempre esteve de leão ao peito seria difícil de bater. Mas ser presidente são outros quinhentos.

A notória incomodidade e a má recepção que está a ser feita a outras candidaturas por sectores muito próximos de Bruno de Carvalho é um mau serviço prestado ao clube. A pluraridade de ideias e igualdade de oportunidades deve ser uma marca do clube que nos distingue das dinastias Vieiristas, Pintocostistas. Assim como não deve ser esquecido o período de candidaturas únicas, cooptações e outros unanimismos e o a que isso nos conduziu. Só quem tem direitos e alcavalas que tem como adquiridos é que tem que temer novas ideias e uma possível mudança. E esses são muito poucos, pelo que é um receio que não se justifica na maioria de nós.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Belenenses 0 - Sporting 1: quase que nos saía a fava no pastel

O Sporting foi ao Restelo fazer um jogo à imagem da época 2016/17: cheio de promessas de bom futebol que, com o passar do tempo, se transforma em futebol previsível e fácil de anular. O que se explica em parte porque o adversário conhece as nossas movimentações e porque a falta de confiança tolhe os nossos jogadores, tornando o nosso jogo mecânico e pouco criativo.

Por coincidência feliz, o Belenenses só não consegue o que se propôs - o tal nulo - porque o Bas Dost fica ligeiramente atrasado no acompanhamento do lance, por via de uma acção de um jogador do Belenenses. É assim que acaba por se gerar a imprevisibilidade que a criatividade dos nossos jogadores não produziu. Um pequeno mas importante exemplo para deixar Jesus a meditar sobre o que tem inevitavelmente que conseguir dar a equipa para que ela esteja mais forte não só para enfrentar conseguir sair deste mau momento, mas também o resto dos desafios que tem pela frente.

Alguns dados estatísticos que servem para reforçar as dificuldades que o Sporting está a ter no seu jogo ofensivo:

- Há cinco jogos consecutivos que o Sporting não consegue marcar na primeira parte, o que já aconteceu por 6 vezes em 15 jogos.

- Apesar de ter entrado na área adversária por 42 vezes (!), só efectuou 12 remates e desses apenas 7 seguiram em direcção à baliza.

- O intenso dominio que a posse de bola (65%) revela não se traduz em ocasiões de golo (7)

Do ponto de vista individual parece-me cada vez mais claro que Campbell tem que jogar, porque é dos poucos que consegue criar jogo de qualidade de forma espontânea e imprevisível e ainda assim assistir. Gélson faz tudo bem até chegar o momento de tomar uma decisão como entregar a bola. E aí, seja o cruzamento largo ou assistência no pé ou no espaço a bola perde-se invariavelmente no vazio ou nas pernas do adversário. Talvez dizer isto seja um pouco injusto para um jogador tão jovem e que ainda por cima deve ter o melhor número de assistências. O Sporting precisa de mais, muito mais.

De um modo completamente diferente, a actuação de Alan Ruiz sugere uma reacção semelhante. Ter bom remate e assistir em passes ou triangulações tem de acontecer mais vezes. Mas não é apenas a frequência, é também a velocidade de pensamento e execução.  É também o baixo nível de intensidade que põe nas suas acções. É um pouco por isso que a ligação com Dost funciona ainda em modo pisca-pisca, e são muitas as vezes que não pisca. O que era suficiente no futebol sul-americano é de menos do lado de cá. Desse facto se recente a produção de Bas Dost, quase sempre sem ser servido com qualidade, no que é responsabilidade não apenas de Alan Ruiz mas de toda a equipa.

Não podia terminar as notas individuais sem falar de Beto. Quando as coisas tremeram foi ele que segurou, como se estivesse lá o Patrício. Não lhe poderia fazer melhor elogio.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Já conhece o Sr. Critério, pai do menino Colinho?

O Sr. Critério é um cavalheiro muito bem apessoado, elegante até. Muito bem de vida, sempre sensato nas escolhas, é de uma coerência a toda a prova e confiável acima de qualquer suspeita. Tanto assim é que é mais fácil o Pedro Guerra passar pelo arco da Rua Augusta que o Sr. Critério ser apanhado em contradição. 

Antes que esta analogia sirva de inspiração, recomenda-se porém que o comentador não cometa a imprudência de arriscar tal proeza. Se o objectivo é ver a estátua de D. José no Terreiro do Paço ou a frente do referido arco agora de higiene feita, sugere-se a saída de perfil  pela A5, até Cascais (com o aviso prévio à Brisa, para retirada das cabines de portagem, bem como dos pórticos) com operação de desembarque em frente ao Cais das Colunas, a ocorrer apenas por razões de segurança durante a praia-mar.

Para os que temem um possível encalhe, lembro o Tolan, cujo bojo a espreitou três anos a fio pela linha de água do Tejo e provocou as delicias mirones, engenheiros e doutorados em achismo. Imagine-se agora os benefícios que traria ao turismo lisboeta em expansão o efeito visual majestoso do preeminente e proeminente comentador ancorado em frente à Ribeira da Naus e o negócio fervilhante que se desenvolveria em seu torno: estúdios anfíbios da TVI, vai-vem de cacilheiros, faluas, cangueiros, botes, fragatas, canoas e catraios para satisfazer a demanda. (Devia ter ido à Web Summit apresentar esta ideia).

Tudo muito mais vantajoso do que ter um comentador televisivo atravancado entre as colunas do monumento e o trabalho que daria ao Regimento de Sapadores Bombeiros. E não sabendo da operacionalidade do Regimento de Engenharia 1, que em 2014 foi deslocado da Pontinha para Tancos, e  como a Escola Prática de Engenharia mudou também de Tancos para Mafra, o melhor mesmo é não arriscar. Logo agora que o Palácio das Necessidades vai ser concluído, ninguém quereria que o Arco lhe sucedesse no nome e muito menos no odor que o nome suscita.

Esta mania de derivar a conversa para um tema que nada tem a ver com o tema do artigo apanhei-a por contágio. Não sei se a ver os nossos laterais a jogar (?) ou se depois de ver o Nuno Rogeiro dissertar sobre as implicações geo-estratégicas de um pão-de-ló da Filipa Gomes por desenformar, em simultâneo com o estranho êxito de vendas de camisolas de gola alta em aço nas zonas sobre a influência do Daesh.

(Se não sabe quem é a Filipa Gomes responda para o e-mail do blogue e receberá uma proposta de adesão à MEO. Só faço isto porque eles patrocinam as nossas camisolas, claro. Espera, estão-me a dizer aqui ao lado que me enganei no nome. Não é Filipa Gomes? Hã? Esquece... Se não sabe o que é o Daesh diga que é primo do Putin, afilhado do Obama ou sobrinho do Assad.)

Estava a falar do Sr. Critério antes de ser interrompido pelo Pedro Guerra que, como todos sabem é metediço e não deixa ninguém falar. Mas o blogue é meu e por isso enquanto o conseguir manter de açaime vou tentar acabar isto. Para o manter entretido puzio não a brincar com búzio, como vocês já estariam à espera, mas a tomar conta do Colinho, para o miúdo não estranhar. O Colinho é filho do Sr. Critério e ambos conhecem-se de há muito. Não o pai e o filho, que obviamente se conhecem, mas o filho e o comentador.

Pois, o Sr. Critério gosta de futebol como todos nós e quem não gosta de futebol que se f... Hã, não posso dizer? Mas tem algum mal dizer que quem não gosta de futebol que se faça à vida e procure outro blogue? Pois! Também me parecia.

Como dizia, o Sr. Critério gosta de futebol, mas isso é dizer pouco. É ele decide se o Artur Soares tem Dias, se o Manuel vai de Mota, se o Fábio é mesmo Veríssimo, se o Bruno apita a sua Paixão ou se o João se fica pela Capela ou vai aos finos à Catedral.  Sim, fino e não imperial. Imperiais é a mania de grandeza dos lisboetas, imperial é o Leão no cima da estátua na Rotunda da Boavista.

É também ele, o Sr. Critério, que lhes diz se é braço ou mão, intencional ou casual, mesmo que pareça um daqueles números de circo, em que a bola passa de uma mão para outra. Vai até mais longe, chegando às aulas de anatomia: "Por favor, não se esqueçam que o Nélson Semedo tem ombros até ao cotovelo!".

Ah, e o Sr. Critério é muito rigoroso nas suas avaliações. Arbitrar mal, aquilo que nós, na gíria do futebol, chamamos roubar, é avaliado pelo famoso "parâmetro BEBA & PIF" (acrónimo de BES/BPN/BANIF". Isto é, a menos que o engano seja superior à soma dos prejuízos acumulados por aquelas entidades bancárias de renome na praça, a nota a atribuir ao árbitro terá sempre que ser positiva. Não posso concordar mais, o que é afinal um penalty duplo no mesmo lance comparado com um rombo, prejuízo, buraco, desvio, desfalque de vários mil milhões de euros que vamos ter que pagar até ao fim das nossas vidas?

*como tinha prometido no post anterior, resolvi falar sobre arbitragem. Gostem ou não do resultado, o melhor mesmo é fazê-lo a brincar

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